Suzumiya Haruhi:Volume1 BR Full

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Ilustrações[edit]

Aguardando tradução

[edit]

Prólogo

Quando eu deixei de acreditar no Papai Noel? Na verdade, esse tipo de questão tola nunca teve um significado real pra mim. Contudo, se você fosse me perguntar quando deixei de acreditar que o homem velho vestindo a fantasia vermelha era Papai Noel, eu posso dizer confiantemente: eu nunca acreditei nele, nunca. Eu sabia que o Papai Noel que aparecera na minha festa de natal na pré-escola era uma fraude, e agora quando penso sobre isso, todos os meus colegas dividiram o mesmo olhar de descrença vendo nosso professor fingindo ser o Papai Noel. Embora eu nunca tenha visto minha mãe beijar o Papai Noel, eu já era esperto o suficiente para suspeitar da existência de um homem velho que só trabalha na véspera de natal.

Contudo, demorou um pouco mais para perceber que aliens, viajantes do tempo, fantasmas, monstros, e espers em todos aqueles desenhos “caras bons versus organizações malignas” repletos de efeitos não existiam realmente. Não, espere, eu provavelmente percebi, mas apenas não queria admitir. No fundo do meu coração eu ainda queria que aqueles aliens, viajantes do tempo, fantasmas, monstros, e espers e organizações malignas aparecem repentinamente. Comparada a esta minha vida normal, o mundo desses programas piscantes era muito mais excitante. Eu queria viver neste mundo também! Eu queria ser aquele que salvava a garota raptada por aliens e aprisionada em uma fortaleza com forma de tigela. Eu queria ser aquele que usando minha coragem, inteligência e uma confiável arma laser para lutar com os vilões do futuro que tentam mudar a historia para seu próprio ganho. Eu queria ser alguém que pudesse banir demônios e monstros com um só feitiço, lutar contra mutantes ou paranormais de organizações malignas, e envolver-se em lutas telepáticas!

Mas espere, se acalme. Se realmente fossem,os atacados por aliens ou coisas assim, possivelmente como eu poderia lutar contra eles? Eu nem mesmo tenho algum poder especial! Bem, que tal isso: um dia, um misterioso novo estudante é transferido para minha classe. Exceto que ele é realmente um alien ou do futuro, e ele tem habilidades telepáticas. Quando ele entra em uma luta com os caras maus, tudo que eu tenho que fazer é arranjar algum jeito de me envolver nessa guerra. Ele cuida de todas as lutas e eu apenas serei seu fiel ajudante. Oh meu Deus, isso é ótimo, eu sou tão astuto!

Ou talvez, se isso não funcionar, que tal isso: um dia, um misterioso poder dentro de mim desperta, algo como habilidades psíquicas ou telecinéticas. Eu descubro que um monte de outras pessoas nesse mundo também tem poderes similares, e um tipo de sociedade paranormal me recruta. Eu me torno parte dessa organização e protejo o mundo contra mutantes do mal. Infelizmente a realidade é surpreendentemente cruel… Ninguém foi transferido para minha turma. Eu nunca vi um OVNI. Quando fui a lugares que diziam ser assombrado nada aconteceu. Duas horas de observação intensa não fizeram meu lápis se mover um único milímetro, e olhar para a cabeça da minha colega de classe não revelava seus pensamentos sobre mim afinal. Não podia ajudar, mas fiquei deprimido sobre o quanto às leis da física eram normais aqui. Eu parei de procurar OVNIS, e de prestar atenção nos shows paranormais de televisão porque finalmente havia convencido a mim mesmo que era impossível.

Cheguei até um ponto onde apenas tinha certa nostalgia sobre esse tipo de coisa. Depois do ensino fundamental eu sai completamente desse mundo de fantasia e permaneci firmemente preso à realidade. Nada aconteceu em 1999, mesmo tendo esperanças, só um pouco, que algo aconteceria; a raça humana não retornara a lua, ou fora além dela. Eu suponho, pelo que parece que eu estaria morto há muito tempo antes que você completasse uma viagem da Terra até Alfa-Centauro. Com esse tipo de pensamentos pacatos na minha cabeça eu me tornei um normal e despreocupado estudante do ensino médio.

Era assim até o dia em que conheci Suzumiya Haruhi.




Capítulo 1[edit]

Capítulo 1


E então entrei no colégio do meu bairro. No começo me arrependi dessa decisão, pois minha nova escola ficava no topo de uma ladeira bastante alta. Mesmo durante a primavera, os estudantes ficavam quentes e suados só de subir a estrada íngreme - claramente minha intenção de “ir para a escola desocupadamente” não iria funcionar. Toda vez que eu me lembrava disso, e somando-se com o fato de que teria que repetir o mesmo procedimento todos os dias nos próximos três anos, eu ficava cansado e deprimido.

Dormi um pouco demais hoje, talvez seja por isso que eu andei tão mais rápido, e talvez seja por isso que eu esteja tão cansado também. Eu podia ter acordado dez minutos mais cedo, mas como todos vocês sabem, você dorme melhor quando está bem na hora de levantar. Eu não queria gastar aqueles preciosos dez minutos, então eu desisti daqueles pensamentos, o que significava que precisaria repetir esse exercício matinal pelos próximos três anos. Isso era tão deprimente…

Essa é a razão da minha cara cruel e solitária durante o gasto de tempo que era a cerimônia de entrada. Todos tinham o olhar de “começando uma nova jornada” em suas faces; você sabe o olhar único de “esperança, mas cheio de incerteza” que todos os novos estudantes tinham a entrar em uma nova escola. Para mim este não era o caso - vários colegas do ensino fundamental também estavam vindo para esta escola. Para resumir, alguns dos meus amigos também estavam aqui. Portanto, eu não parecia preocupado, ou excitado como as outras pessoas.

Os garotos vestiam jaquetas esportivas, e as garotas estavam usando uniformes de marinheiro. Wow, é uma combinação bastante esquisita. Talvez o entediante diretor dando o discurso no palco tivesse algum tipo de fetiche em uniformes de marinheiro. Enquanto eu pensava sobre essas coisas inúteis, a cerimônia idiota havia finalmente acabado. Eu, junto com meus não-tão-novos colegas, entramos na sala 1-5.

Nosso professor representante, Okabe-Sensei, com seu sorriso praticado-por-uma-hora-na-frente-do-espelho, andou para frente da classe e se apresentou. Por primeiro disse que era um professor de educação física, e que administrava o time de handball. Depois ele mudou para assuntos de quando estava na universidade e costumava jogar handball, e até havia ganhado o campeonato, e que nesta escola havia um sério problema de falta de jogadores de handball, então qualquer um que entrasse no time se tornaria instantaneamente um titular. E disse também coisas como o handball era o esporte mais interessante do mundo, e como você tinha que jogar. Justo quando eu pensei que ele nunca terminaria, ele repentinamente parou.

“Agora, vamos nos apresentar!”

Esse tipo de coisa era bastante comum, então, eu não estava surpreso.

Uma por uma, as pessoas do lado esquerdo da sala começaram a se apresentar. Elas levantavam a mão e, anunciavam seu nome, o nome de sua antiga escola, e outras coisas triviais como hobby ou comida favorita. Algumas pessoas resmungaram no caminho, algumas poucas outras tinham introduções um tanto interessantes, enquanto alguns tentaram contar piadas estúpidas que diminuíram a temperatura da sala em níveis substânciais, minha vez se aproximava. Eu começava a ficar nervoso! Todo mundo entende como me sinto agora, certo?

Depois de conseguir terminar minha apresentação cuidadosamente bem pensada, e de tamanho mínimo, sem tropeçar muito sobre minhas palavras, eu sentei, sentido o alivio que você tem depois de terminar uma coisa desagradável, mas necessária. A pessoa atrás de mim se levantou para sua vez e – Ah. Provavelmente não esquecerei isso pelo resto de minha vida – dizendo às palavras que seriam tópico de discussão por um longo tempo.

“Meu nome é Suzumiya Haruhi [1]. Me formei na Escola Intermediária do Leste.”

1-[Nota do tradutor: optamos manter o “padrão japonês” de nomear os personagens (sobrenome e nome), ao invez do “padrão brasileiro” e “padrão americano” (nome e sobrenome)].

Até este ponto a apresentação era ainda normal, então eu não me incomodei em virar para trás e olhar para ela. Eu apenas fiquei parado na frente ouvindo sua voz ríspida.

“Humanos normais não me interessam. Se alguém aqui é um alien, viajante do tempo, slider [2], ou um esper, então venha e me encontre! Isso é tudo.”

2-[Nota do tradutor: definição utilizada ao “ser” que tem a capacidade de viajar entre dimensões ou realidades].

Após ouvir aquilo, não tinha outra opção senão virar de costas.

Ela tinha um cabelo preto esguio e comprido. Seu belo rosto estava cheio de bravura e desafio enquanto o resto da classe a encarava. Sua seriedade e determinação brilhavam através daqueles olhos brilhantes e sobrancelhas compridas. Seus pequenos lábios estavam fortemente franzidos. Essa foi minha primeira impressão daquela garota. Eu ainda me lembro o quão brilhante seu pescoço branco era – ela parecia ser bastante bonita. Haruhi, com seus olhos provocativos, escaneou a classe vagarosamente, parando para me encarar (eu tinha minha boca escancaradamente aberta), depois se sentou sem dar um sorriso.

Ela estava tentando ser dramática?

Naquele momento eu acreditava que a mente de todos estava cheia de perguntas, e todos estavam confusos sobre como suas reações deveriam ser. “Eu deveria rir?”. Ninguém sabia. Bem, julgando pela conclusão, ela não estava tentando ser dramática ou engraçada, Haruhi sempre manteve o rosto solene. Ela era sempre séria. Isso por experiência própria [3] – não pode estar errado.

3-[Nota do tradutor: na versão japonesa é usado o termo ato 'jie', e na tradução americana usaram a palavra 'hindsight', que significa algo como “previsto por observações do passado”, seria algo similar a encontrar o significado de um acontecimento de certa natureza depois da sua ocorrência. Perdão, mas não achei nada similar no português].

Após as "fadas do silêncio" dançarem pela sala de aula por uns trinta segundos, o professor representante, com alguma hesitação, sinalizou para próxima pessoa continuar, e a atmosfera tensa se dissipou.


E assim que nós nos conhecemos. Que inesquecível. Eu queria realmente acreditar que era tudo uma coincidência.


Depois que ela roubou a atenção de todos no primeiro dia, Haruhi voltou a ser uma colegial inocente. Essa era a calmaria antes da tempestade! Eu finalmente entendo isso agora. De qualquer forma, todos na escola vieram de uma das quatro escolas intermediárias da cidade – pessoas com notas medianas. O que incluía, é claro, a Escola intermediárias do Leste, logo deveria haver pessoas que se formaram com Haruhi, que sabiam o que o silêncio dela simbolizava. Infelizmente, eu não conhecia nenhum estudante da Escola média do Leste, portanto ninguém poderia me explicar quão séria a situação era. Conseqüentemente, dias após aquela apresentação explosiva eu fiz algo que nunca iria esquecer – tentei falar com ela depois das aulas.

Os meus dominós da desgraça começaram a cair, e eu fui à pessoa que empurrou o primeiro bloco.

Você vê, quando Haruhi senta calada em sua cadeira, ela se parece como uma normal, e uma bela garota, então eu planejei sentar em sua frente para me aproximar ela. Eu atualmente penso se isso iria funcionar. Que ingenuidade da minha parte. Alguém por favor bote um pouco de bom senso em minha cabeça. Sem dúvida, eu começei a conversa com aquele incidente.

“Hei hei

Eu casualmente virei minha cabeça, com aquele sorriso arejado em meu rosto.

“Aquelas coisas que você disse na sua apresentação, você estava falando sério?”

Com seus braços cruzados sobre o peito, lábios selados, Suzumiya Haruhi manteve sua postura, enquanto olhava diretamente em meus olhos.

“Que coisas na minha apresentação?”

“As coisas sobre aliens.”

“Você é um alien?”

Ela parecia bastante séria.

“… não.”

“Se você não é, então o que você quer?”

“… não, nada.”

“Então não fale comigo, você está gastando meu tempo.”

Seu olhar era tão frio que eu me peguei dizendo desculpas mesmo antes de perceber. Suzumiya Haruhi então tirou seus olhos de mim com desdém, e começou a olhar para o quadro negro.

Eu ia responder uma frase ou duas, mas não conseguir pensar em nada de bom para dizer, mas felizmente naquele momento o professor entrou na sala e me salvou. Virei minha cabeça de volta a minha mesa friamente, e percebi que algumas pessoas me encaravam com um olhar de grande interesse em seus rostos. Isso é claro, me fez sentir muito incomodado. Eu as encarei de volta, mas percebi que todos eles mantinham a mesma expressão fascinada em seus rostos. Alguns até acenaram para mim com solidariedade. Como disse, de inicio fiquei muito irritado, mas depois soube que todas estas pessoas se formaram na Escola média do Leste.


Dado que meu primeiro contato com Haruhi teve um fim horrível, eu pensei em manter distância dela de agora em diante, por segurança, e com isso em mente uma semana se passou. Porém, eu ainda era parte da turma, e sempre existia alguém que queria falar com a carrancuda e mal-humorada Haruhi. A maior parte dessas pessoas eram garotas espalhafatosas; no segundo que viram uma camarada fêmea sendo isolada da classe, elas tentaram ser gentis e ajudar a garota. Isso é uma coisa boa, mas elas deveriam ter estudado seu alvo de antemão!

“Oi, você viu aquele programa de TV ontem à noite? O das nove horas.”

“Não.”

“Não, por quê?”

“Não sei.”

“Você deveria tentar ver. Mesmo que você comece no meio não vai ficar perdida. Você quer que eu te conte a historia anterior?”

“Você é irritante!”

Foi assim que aconteceu.

Seria muito melhor se ela pudesse apenas responder não friamente. Mas não, ela tinha que mostrar sua impaciência tanto na sua expressão quanto na sua voz. Isso fazia sua vitima acreditar que tinha feito algo de errado. No final ele ou ela apenas conseguia dizer: “É que… Eu apenas queria…”, se perguntar: “O que eu fiz de errado?”, e voltar choramingando. Não fique tão triste, você não fez nada de errado. O problema é o cérebro de Suzumiya Haruhi, não você.


Mesmo não me importando em comer sozinho, eu não queria que os outros pensassem que eu era um solitário, enquanto todos comiam alegremente seus lanches com seus amigos. Este é o porque, mesmo não ligando para o entendimento dos outros, eu comia meu lanche junto com meu colega do ensino fundamental, Kunikida, e um formando da Escola média do Leste chamado Taniguchi, que sentava perto de mim.

Nós começamos a falar sobre Haruhi:

“Você tentou falar com a Suzumiya?” - Taniguchi perguntou inocentemente. Eu balancei a cabeça em afirmação.

“Ela disse algumas coisas estranhas e você não sabia como reagir?”

“Isso mesmo!”

Taniguchi pos uma fatia de ovo cozido em sua boca, mastigou, e disse:

“Se aquela garota é interessada em você, ela não deveria dizer coisas estranhas como aquelas. Todo o conselho que posso lhe dar é: desista! Você já deve saber que ela não é normal.”

“Eu estive na mesma sala que ela por três anos seguidos; eu sei como ela é.”

Ele usara a deixa como o inicio de seu discurso.

“Ela está sempre fazendo coisas incrivelmente surpreendentes. Eu pensei que ela pelo menos tentaria se controlar após entrar no ensino médio; aparentemente me enganei. Você ouviu seu discurso de apresentação, certo?”

“Você fala das coisas de aliens?”

Kunikida, que estava ocupado tirando ossos do seu peixe frito, se intromeu:

“Exatamente, mesmo no ensino fundamental ela sempre fez e disse várias coisas esquisitas. Por exemplo, aquele incidente da vandalização da escola.”

“O que aconteceu?”

“Você sabe o equipamento que usa pó de gesso para desenhar linhas no campo, certo? Aquilo é chamado de… Enfim, ela entrou na escola no meio da noite, e com aquela coisa desenhou um imenso símbolo bem no meio do campo.” Taniguchi tinha um sorriso malicioso em seu rosto – ele provavelmente estava se lembrando daquele incidente.

“Aquilo foi um choque. Eu fui à escola cedo aquela manhã, e tudo que vi eram grandes círculos e triângulos. Eu não consegui imaginar o que aquilo deveria ser, então subi até o quarto andar para ter uma visão panorâmica. Aquilo não ajudou – eu ainda não sei o que aqueles símbolos eram.”

“Ah, eu acho que eu vi isso antes. O jornal não escreveu uma historia sobre isso? Até havia uma visão de helicóptero daquilo! O símbolo se parecia com um pictograma de Nazca quebrado.” - disse Kunikida.

Eu não me lembro de ter ouvido nada sobre isso antes.

“Eu vi o artigo, eu vi! A manchete dizia algo como ‘Vândalo misterioso ataca escola à noite’, não é? Bem, acho que podemos adivinhar quem foi que fez essa proeza?”

“Não me diga que foi ela.”

“Ela mesma admitiu. Não existe nenhum engano. Naturalmente ela foi chamada ao escritório do diretor. Todos os professores estavam lá, questionando o porque dela ter feito aquilo.”

“Por que ela fez isso, afinal?”

“Eu não sei” - Taniguchi respondeu indolentemente, enquanto tentava engolir um punhado de arroz.

“Ouvi dizer que ela se recusou a dizer qualquer coisa. É claro que quando você está sendo encarado por aqueles olhos você tende a desistir de qualquer coisa que esteja planejando. Alguns dizem que ela desenhou aqueles símbolos para chamar discos voadores, outros que eram símbolos mágicos usados para invocar monstros, ou que ela estava tentando abrir um portal para outros mundos, etc… Existe muita especulação, mas enquanto o culpado se nega a falar, nunca saberemos se os rumores são verdade ou não. Por enquanto ainda é um mistério.”

Por alguma razão, a imagem de Haruhi, com sua aparência sem sentido, ocupada desenhando as linhas no meio do campo da escola à noite, flutuava na minha mente. Ela definitivamente havia preparado as ferramentas de desenho e o pó de gesso de antemão no depósito; talvez ela tenha até comprado uma lanterna! Embaixo dessa turva luz amarela Suzumiya Haruhi aparentava ser séria e trágica… Ok, isso foi apenas a minha imaginação. Mas a verdade seja dita, Suzumiya Haruhi provavelmente estava realmente tentando invocar um OVNI ou monstros, ou até mesmo um portal dimensional. Ela provavelmente trabalhou a noite inteira naquele campo, mas nada apareceu, então ela foi embora com o sentimento de derrotada, penso eu.

“Aquilo não foi à única coisa que ela fez!”

Taniguchi continuava a fazer sua refeição.

“Uma vez eu vim à sala de aula pela manhã e descobri que todas as mesas foram levadas para o corredor, e que estrelas haviam sido pintadas no teto da escola. Outra hora ela saiu pela escola pendurando papeis de maldição por todo o lugar… Você sabe, aqueles de vampiros chineses que você coloca na testa do vampiro. Eu não consigo entendê-la.”

Estava certo que Suzumiya Haruhi não estava dentro da sala naquela hora, ou não estaríamos tendo aquela conversa. Mas, mesmo que nos ouvisse, ela provavelmente não ligaria. Geralmente, Suzumiya Haruhi, saia da sala logo após a quarta aula, e voltava logo antes da quinta aula. Ela não carregava seu lanche, assumia-se que ela ia até a cantina para aproveitar o seu almoço; mas não se usava uma hora inteira para comer um lanche, não? Além disso, no final de cada aula, ela desaparecia. Aonde ela ia afinal?

“Mas ela é muito popular com os homens!”

Taniguchi se intrometeu:

“Ela é bonita, atlética, e inteligente. Mesmo sendo peculiar, se manter sua boa fechada, ela não é tão ruim.”

“O que você aprendeu com todos esses rumores?” - Kunikida perguntou, com o dobro de comida do que Taniguchi em sua lancheira.

“Durante certo período de tempo ela trocou de namorados sem parar. Pelo que ouvi, seu relacionamento mais longo durou uma semana, e o mais curto acabou cinco minutos após ele se declarar. Ainda por cima a única razão que a Suzumiya deu para chutar seus namorados era: eu não tenho tempo de me socializar com humanos normais.”

Taniguchi parecia estar falando com experiência. Após perceber meu olhar ele se mostrou um pouco frustrado.

“Eu ouvi isso de outras pessoas! Honestamente! Por alguma razão, ela não se altera com uma declaração. Pelo terceiro ano, todos entendiam; então ninguém queria se declarar mais para ela. Eu tinha um sentimento engraçado de que essa historia ira se repetir no ensino médio. Então estou te avisando agora: desista. Isso vem de alguém que estava na mesma sala que ela.”

Diga o que quiser, eu não estava interessado por ela desta maneira.

Taniguchi colocou sua lancheira vazia em sua mala, e deixou sair um risinho sinistro.

“Se eu tivesse que escolher uma, eu escolheria ela, Ryouko Asakura.”

Taniguchi apontou com o queixo para um grupo de garotas algumas mesas à nossa frente. No meio da conversa Taniguchi apontou para o grupo com um sorriso róseo em seu rosto, para onde estava Ryouko Asakura.

“Julgando pela minha analise, ela definitivamente entra na lista do ‘Top três de garotas mais bonitas do primeiro ano’.”

“Você checou cada garota do primeiro ano desta escola?”

“Eu agrupo as garotas em categorias de D a A, e acredite, eu só me lembro os nomes das garotas A. Você só passa pela vida escolar uma vez – e quero que a minha seja a mais feliz possível.”

“Então aquela Ryouko Asakura é A?” - perguntou Kunikida.

“Ela é AA+! Vamos, apenas olhe para seu rosto, sua personalidade deve ser de primeira classe.”

Mesmo ignorando os comentários egoístas de Taniguchi, Ryouko Asakura era um tipo de garota bonita diferente do que Suzumiya Haruhi era.

Primeiro de tudo, ela era muito bela; e mais, ela sempre passava uma impressão de ser cuidadosa e sorridente. Segundo, sua personalidade parecia bater com a descrição de Taniguchi. Ninguém mais havia ousado falar com Suzumiya Haruhi, com exceção de Ryouko Asakura. Não importando como Haruhi fosse, Ryouko Asakura ainda tentava falar com ela de tempos em tempos. Ela era tão emotiva que agia quase como a monitora da sala. Terceiro, pela maneira que respondia sozinha as questões dos professores na sala, você podia ver que ela era muito inteligente. Ela sempre respondia as perguntas corretamente – nos olhos dos professores ela deveria ser uma estudante modelo. Para finalizar ela era extremamente popular com as garotas. As aulas haviam começado há apenas uma semana, e ela já estava a caminho de ser o centro das atenções entre as garotas da classe. Eu penso se ela caiu do céu e nasceu com este carisma extremo em sua cabeça!

Comparada com a geralmente carrancuda, e obcecada por ficção cientifica Suzumiya Haruhi, a escolha era óbvia. Novamente, essas duas candidatas provavelmente estavam em um nível alto demais para nosso herói Taniguchi. Não havia nenhuma maneira de conseguir algo com qualquer uma das duas.


Ainda era abril, e naquele momento Suzumiya estava reagindo bastante bem. Para mim, foi um mês bastante relaxante. No final, deveria haver um mês antes que Haruhi começasse a enlouquecer.

Mas, durante esse tempo, eu observei algumas das atitudes excêntricas de Haruhi.

Como posso dizer isso? Pista #1: Ela mudava seu penteado todos os dias, e julgando pelas minhas observações, existia algum tipo de padrão. Na segunda Haruhi vinha a escola com seu longo cabelo solto, sem prendê-lo ou qualquer coisa assim. No próximo dia, ela o amarrava em um rabo de cavalo. Tenho que admitir, esse penteado ficava muito bom nela. Ela então o prendia em dois rabos no dia seguinte, e três no próximo; pela sexta-feira ela deveria ter quatro rabos de cavalo amarrados com laços em sua cabeça. Suas ações eram realmente enigmáticas!

Segunda-feira = 0, terça-feira = 1, quarta-feira = 2…

Conforme o dia semana aumentava, aumentava também o número de suas tranças; na segunda-feira seguinte todo o processo começava novamente. Eu não vejo porque ela estava fazendo isso. Seguindo a lógica anterior, ela deveria ter seis desses rabos de cavalo no domingo… Eu queria ver seu penteado de domingo.

Pista #2: Para a educação física as classes 1-5 e 1-6 deveriam se unir para terem aulas juntas, com os garotos e garotas separados. Enquanto trocávamos de roupas, as garotas deveriam ir para a sala 1-5 e os garotos para a sala 1-6; significando que os caras da nossa sala (1-5) deveriam ir para a outra sala se trocar. Infelizmente, Haruhi ignorou totalmente os garotos de nossa sala, e começou a tirar seu uniforme de marinheiro antes que os homens houvessem saído. Assim, para ela, os homens eram abóboras ou sacos de batata, e ela não poderia ligar menos para eles. Sem nenhuma expressão, ela jogou seu uniforme na mesa e começou a vestir sua camiseta. Naquele momento, Ryouko Asakura tirou os garotos de olhos arregalados e congelados, comigo incluso, da sala.

De acordo com os rumores, as garotas, com Ryouko Asakura como sua líder, tentaram falar para Haruhi parar de fazer isso, mas sem resultado. Em toda a aula de EF, Haruhi insistia em ignorar o resto da sala e tirar seu uniforme sem cerimônia. E então, nós fomos convencidos a sair da sala antes do segundo sinal – a pedidos de Ryouko Asakura.

Mas francamente, Haruhi era uma grande figura… Argh, agora não é hora de dizer esse tipo de coisa.

Pista #3: No final de cada aula, Haruhi ia embora sem permissão. Quando o sinal da escola tocava, ela pegava sua mala e ia embora da sala. Logicamente, eu pensei que ia direto para sua casa. Nunca passou pela minha cabeça que ela saia e participava de todos os clubes na escola. Um dia você poderia vê-la passando bolas no Clube de Basquete, e no próximo bordando um travesseiro no Clube de Bordado. E no dia seguinte ver ela abanando seu taco no Clube de Hockey. Eu acho que ela se juntou ao Clube de Baseball também. Então, basicamente ela participou de todos clubes esportivos em nossa escola. É claro que todos os clubes tentaram convencê-la a se unir a eles. Ela é claro, recusou todas as propostas. Sua explicação era: “Para mim é irritante fazer a mesma atividade todos os dias”. No final das contas, ela não se uniu a nenhum clube.

O que aquela garota estava tentando fazer?

Por esse fato sozinho, as noticias de “uma estranha garota do primeiro ano” começaram a se espalhar pela escola. Em um mês, não havia uma só pessoa que não sabia quem Suzumiya Haruhi era. Avançando para maio, algumas pessoas podiam não saber qual era o nome do diretor, mas Suzumiya Haruhi era um nome recorrente.

Então, com todas essas coisas acontecendo – e Haruhi sempre sendo a causa – maio chegou.

Eu, pessoalmente penso que o destino é ainda menos acreditável do que o monstro do Lago Ness, pois se o destino, em algum local desconhecido, está influenciando ativamente as vidas humanas, minha roda da fortuna estava prestes a girar. Imagino que em alguma montanha remota algum homem velho estava ocupado reescrevendo meu destino.

Após o final dos feriados da “Golden Week”[4], eu caminhei até a escura, sem ter certeza de que dia da semana era. Estava anormalmente ensolarado. O clima de maio atacou minha pele e me fez ficar ensopado com suor – a ladeira também não parecia acabar. O que a Mãe Terra está querendo? Está sofrendo de febre amarela ou algo assim?

4-[Nota do tradutor: Golden Week, ou semana dourada, é a junção de quatro feriados nacionais numa semana de maio, que ocorre no Japão. Compreende os dias 29 de abril, 03 de maio, 04 de maio e 05 de maio].

“Hei, Kyon.” - por trás, alguém me dá um tapa no ombro. Era o Taniguchi.

Seu blazer pendurava-se desleixadamente em seu ombro, sua gola estava desabotoada e dobrada de um lado.

“Onde você foi durante a Golden Week?”

“Levei minha irmãzinha para ver minha avó no interior.”

“Que chato.”

“Bem, o que você fez então?”

“Trabalhei meio período o tempo todo.”

“Você não parece ser esse tipo de pessoa.”

“Kyon, você está no ensino médio – porque você ainda leva sua irmã para ver seu avô e avó? Você precisa pelo menos parecer com um estudante de ensino médio agora.”

A propósito, Kyon deveria ser eu. Minha tia foi a primeira a me chamar assim. Há alguns anos atrás, minha tia a-quanto-tempo-não-te-vejo repentinamente disse para mim “Meu Deus, Kyon, como você cresceu!”. Minha irmã achou engraçado e começou a me chamar de Kyon. O resto é historia – meus amigos, ouvindo minha irmã me chamar assim resolveram seguir seu exemplo. Daquele dia em diante meu apelido virou Kyon. Droga, minha irmã costumava me chamar de “Onii-chan”[5]!

5-[Nota do tradutor: forma carinhosa de um irmão mais novo se dirigir ao irmão mais velho].

“É uma tradição da minha família visitar os parentes durante a Golden Week” - respondi enquanto subia a ladeira.

A sensação do suor me deixava desconfortável.

Taniguchi, prolixo como sempre, gabou-se de como havia garotas bonitas em seu local de trabalho, e como ele planejava usar o dinheiro economizado para ir a encontros e coisas assim. Francamente, tópicos como quais sonhos as pessoas tem, ou quão bonitinho ou incrível a mascote de alguém é, estão em meu livro como alguns dos assuntos mais estúpidos do mundo. Enquanto eu ouvia a agenda de encontros de Taniguchi (aparentemente ele não se havia atentado pelos pequenos problemas como: ninguém queria ir com ele), nos chegamos aos portões da escola.


Suzumiya Haruhi já estava sentada atrás de minha mesa me encarando lá fora, quando em entrei na sala. Ela tinha duas presilhas em forma de coque em sua cabeça; algo me diz que hoje é quarta-feira. Após sentar – por alguma razão ainda a mim desconhecida, a única explicação é que eu estava enlouquecendo, antes que eu percebesse – me peguei falando novamente com Suzumiya Haruhi.

“Você troca seu penteado todos os dias por causa dos aliens?”

Como um robô, Suzumiya Haruhi virou seu rosto lentamente em minha direção e me encarou com sua expressão mortalmente séria. Foi bastante assustador, de verdade.

“Quando você percebeu?”

Sua entonação era tão fria que achei que ela estivesse falando com uma pedra na beira da estrada. Parei por alguns segundos para pensar sobre o assunto.

“Hmmm… faz algum tempo.”

“Sério?”

Haruhi pôs o queixo sobre a mão, parecendo irritada.

“Ao menos é o que eu penso, porque você parece e se mostra diferente para mim todos os dias.”

Essa era a primeira vez que estávamos tendo uma conversa apropriada.

“Quanto à cor: segunda-feira é amarelo, terça-feira é vermelho, quarta-feira é azul, quinta-feira é verde, sexta-feira é dourado, sábado é marrom e domingo é branco.”

Eu podia entender o tipo de coisa que ela estava tentando dizer.

“Isso significa, se usarmos números para representar a cor, segunda-feira é zero, e domingo é seis, certo?”

“Sim, está correto.”

“Mas segunda-feira não deveria ser um?”

“Quem pediu sua opinião?”

“… é, certo.”

Parecendo insatisfeita com minha resposta, Haruhi me olhou com a cara feia. Eu apenas estava sentado ali desconfortavelmente deixando o tempo passar.

“Eu não vi você antes? Há muito tempo atrás?”

“Eu acho que não.”

Após eu responder, Okabe-sensei entrou suavemente em nossa sala, e nossa primeira conversa acabou.


Mesmo que nossa primeira conversa não fosse nada digno de nota, talvez esse fosse o ponto de mudança que eu estava esperando.

Novamente, a única chance que tinha para falar com Haruhi era o pouco de tempo antes da aula, pois ela geralmente não estava na sala durante os intervalos. Mas enquanto eu sentava na frente dela, tenho certeza que minhas chances de falar com ela eram bem maiores que as dos outros. Mas o que mais me chocou foi que Haruhi me respondeu adequadamente. Eu originalmente pensei que ela iria dizer algo como “Você é irritante, idiota, cale a boca! Que seja!”. Eu acho que eu era o suficientemente estranho para ela, simplesmente por ter encontrado a coragem de ir falar com ela. Quando fui à escola no dia seguinte descobri que no lugar de três rabos de cavalo, Haruhi tinha cortado seu longo e esguio cabelo, curto, eu me senti um pouco infeliz. Seu cabelo na altura da cintura foi reduzido para a altura dos ombros. Eu digo, mesmo ficando bem com qualquer penteado, ela cortou o cabelo depois que falei com ela sobre ele! Ela estava obviamente me menosprezando. Que inferno!

Quando eu perguntei pelos seus motivos, ela disse:

“Não tem motivo.”

Ela respondera com seu tom irritado tradicional, mas não mostrou nenhuma expressão em especial. Ela não me diria o motivo.

Mas eu já esperava por isso, então estava tudo bem.


“Você realmente tentou se juntar a todos os clubes?”

Daquele dia em diante, falar com ela naquele pouco tempo antes da aula virou minha rotina diária. É claro, se eu não tentasse começar a conversa, Haruhi não mostraria nenhum tipo de reação. Outra coisa é que se conversasse com ela sobre como foi o programa de TV da noite passada, ou como o tempo estava, etc. – coisas que ela definia como “assuntos idiotas” – ela apenas me ignoraria. Sabendo disso eu cuidadosamente escolhia o assunto da conversa toda vez que falava com ela.

Ela virou sua cabeça com incomodo, marcando o fim da conversa do dia.

“Existe algum clube mais divertido que os outros? Eu estava pensando em entrar em algum deles.“

“Nenhum” - Haruhi respondeu indolentemente - “Absolutamente nenhum.”

Ela enfatizou isso novamente, então respirou lentamente. Ela estava suspirando?

“Eu achei que essa escola fosse um pouco melhor. No final é a mesma educação forçada. Nada mudou afinal de contas. Parece que entrei na escola errada.”

Senhorita, que critério você empregou quando decidiu em qual escola entrar?

“Clubes esportivos e clubes culturais são todos os mesmos. Se ao menos tivessem alguns clubes únicos nessa escola…”

“Bem, quem lhe deu o direito de decidir se os outros clubes são normais ou não?”

“Cale a boca. Se eu gosto de um clube, ele é único, de outra forma ele é sem graça.”

“Serio? Eu sabia que você ia dizer isso.”

“Hmph!”

Ela virou sua cabeça com incomodo, marcando o fim da conversa do dia.


Em outro dia:

“Eu ouvi algo outro dia… Não é algo importante afinal… Você realmente chutou todos os seus namorados?”

“Porque eu preciso ouvir isso de você de novo?”

Ela penteou seu cabelo sobre os ombros, e olhou para mim com aqueles olhos negros brilhantes. Deus, mesmo sendo inexpressiva, essa cara de raiva aparecia constantemente em seu rosto.

“O que Taniguchi disse a você? Deus, eu não consigo acreditar que eu fiquei na mesma sala daquele idiota depois de me graduar no fundamental. Ele não é um daqueles perseguidores psicóticos, não é?”

“Eu acho que não.” - eu pensei.

“Eu não sei o que você ouviu, mas isso não importa, a maioria daquilo é verdade afinal.”

“Não existe alguém com quem você gostaria de ter algum relacionamento sério?”

“Absolutamente ninguém!”

Rejeição total parecia ser o seu mote.

“Cada um deles era um idiota, eu não posso me envolver em nenhum relacionamento sério com eles. Todos eles me pediram para os encontrar na estação domingo, de lá nós fomos para o cinema, parque de diversões, ou um jogo. A primeira vez que comíamos juntos sempre corríamos para um café para beber chá. No final do dia eles sempre diziam ‘nós vemos amanhã.’”

“Não vejo nada errado com isso!” - pessoalmente eu penso; mas não ouso dizer isso alto. Se Haruhi diz que é ruim, então deve ser ruim para ela.

“Então depois de falhar, eles tentam se confessar pelo telefone, Que inferno! Esse é um assunto importante, ao menos me digam cara-a-cara!”

Eu consigo simpatizar com eles. Fazer uma coisa tão importante – para eles pelo menos – como se confessar para alguém que o vê como uma minhoca provavelmente faz qualquer um se sentir desconfortável. Eles perderam sua coragem apenas em ver sua expressão! Eu imagino o que estes caras estariam pensando enquanto eu respondo a Haruhi.

“Hmm, você está certa. Eu ira chamar a garota, e contar diretamente para ela.”

“E quem diabos liga pra você!”

Mas o que, eu fiz algo errado de novo?

“O problema é: serão todos os garotos desse mundo criaturas retardadas? Eu tenho sido agitada por essa questão desde o ensino fundamental.”

Agora, não pode ficar melhor que isso!

“Bem, que tipo de garoto que você consideraria ‘interessante’? Seria um alien, depois de tudo?”

“Eu estou bem com aliens e coisas similares a isso, pois eles não são normais. Sejam eles machos ou fêmeas.”

“Porque você sempre insiste em algo diferente de um ser humano?”

Enquanto eu falava isso Haruhi me olhava com desdém.

“Porque humanos não são divertidos afinal de contas.”

“É… talvez você esteja certa.”

Eu não podia revidar a idéia de Haruhi; se a bela estudante transferida fosse metade alien e metade humana, acho que isso seria legal. Se Taniguchi, que geralmente sentava perto de mim e que espionava Haruhi e eu, fosse um detetive do futuro, seria ainda mais legal. Se Ryouko Asakura, que por alguma razão continuava sorrindo para mim, tivesse algum tipo de poder sobrenatural, minha vida escolar seria mais excitante do que qualquer outra.

Mas nada disso era possível – nenhum alien, viajante do tempo, ou poderes sobrenaturais existem nesse mundo. Ok, vamos dizer que eles existam. Eles não iriam aparecer em minha frente como cidadãos humildes e dizer, “Olá, na verdade eu sou um alien”.

“É ISSO!”

Haruhi se levantou subitamente derrubando sua cadeira no chão, fazendo todos virarem em sua direção e olharem para ela.

“É POR ISSO QUE ESTOU TRABALHANDO TANTO!”

“Desculpe, estou atrasado!”

O sempre otimista Okabe-sensei, que estava um tanto sem fôlego, correu para dentro da sala. Aonde ele viu a sala inteira olhando para Haruhi em pé de punhos fechados e olhos fixos no teto, ele ficara igualmente surpreso, e apenas havia ficado parado ali.

“Err… A aula está para começar.”

Haruhi sentou imediatamente e encarou fixamente o canto de sua mesa. Phew!

Eu virei de costas, e a classe inteira repetiu este mesmo padrão e viraram-se também. Okabe-sensei, obviamente desorientado pela comoção, subiu no tablado, e pigarreou suavemente.

“Me desculpe por estar atrasado. Eh… Vamos começar!”

Ele repetiu novamente, até que a atmosfera da turma voltou ao normal – mesmo sendo este tipo de atmosfera que Haruhi mais odeia.

Talvez, a vida seja assim mesmo?


Mas, para falar a verdade, no fundo do meu coração eu realmente tenho inveja da reação de Haruhi perante a vida.

Ela ainda tem a aspiração de encontrar algo do mundo sobrenatural que eu abandonei há muito tempo, e ela entusiasmadamente tenta alcançar o seu sonho. Se sentar e esperar não vai resolver nada, vamos os chama-los nós mesmos! Isso é o porque de Haruhi fazer coisas como desenhar linhas brancas no campo da escola, pintar símbolos no teto, e colar talismãs de papel amaldiçoados por todo o canto.

Sigh![6]

6-[Nota do tradutor: Sigh é uma interjeição para suspiro, não achei coisa melhor para colocar aqui, e preferi manter o termo em inglês].

Eu não sei quando Haruhi começou a fazer coisas estranhas que fizeram os outros a confundirem com uma ocultista. Esperar não leva a nada, então porque não fazer umas cerimônias estranhas para os chamar? No final do dia, afinal, nada aconteceu. Talvez seja por isso que Haruhi sempre tenha o olhar de dane-se-o-mundo em seu rosto?

“Hei, Kyon.”

Depois das aulas Taniguchi, com uma cara mortificada, tentou me acuar. Taniguchi, você parece um completo idiota com essa sua expressão!

“Cala boca! Eu não me importo com o que você diz. De qualquer forma, que tipo de feitiço mágico você usou?”

“Que feitiço mágico?”

Tecnologia altamente avançada é indistinguível de magia! Eu lembrei deste provérbio e perguntei novamente a Taniguchi. Ele apontou seu dedo para o banco agora vazio de Haruhi.

“Essa é a primeira vez que vi Suzumiya falar com alguém por tanto tempo! Sobre o que vocês dois falaram?“

“Isso, ah, sobre o que falamos? Eu apenas perguntei a ela sobre questões normais, isso é tudo.”

“Isto é um choque!”

Taniguchi sarcasticamente simulou uma cara de respeito e admiração, enquanto Kunikida surgiu detrás dele.

“Kyon tem um histórico de gostar de garotas estranhas.”

Hei, não diga coisas que podem causar um mal-entendido!

“Não importa se o Kyon gosta de garotas estranhas. O que eu não entendo é por que Suzumiya falaria com você? Eu não peguei isso afinal.”

“Talvez porque o Kyon seja tão estranho quanto ela?”

“Provavelmente. Eu digo, você não pode esperar que alguém com um apelido como Kyon seja normal.”

Parem de me chamar de Kyon, Kyon, Kyon! Ao invés de me chamarem por esse apelido estúpido usem meu nome de verdade! Contudo, quero ouvir minha irmã me chamar de “Onii-chan”!

“Eu gostaria de saber também.”

A voz animada de uma garota veio de lugar nenhum. Levantei minha cabeça e é claro, vi o sorridente rosto inocente de Ryouko Asakura.

“Eu tentei falar com Suzumiya-san algumas vezes, mas nada aconteceu. Você poderia me ensinar como falar com ela?”

Eu agi como se pensasse nisso por um tempo, na verdade, nem eu mesmo sabia como.

“Eu aceito.”

Após ouvir isso Asakura sorriu.

“Eu estou tão aliviada agora. Ela não poderia continuar isolada pelos colegas assim, é ótimo que você tenha se tornado seu amigo.”

Ryouko Asakura se importava com ela como uma monitora de classe, pois, bem, ela era a monitora da classe. Ela havia sido eleita na nossa última sessão de classe.

“Amigo, huh?”

Foi um choque para minha cabeça, certamente. Era realmente assim? Porque a única expressão que ela me mostrava quando falávamos era uma carranca!

“Você precisa continuar ajudando Suzumiya-san para ela melhorar sua reação com a classe. Nós estamos na mesma sala, por isso conto com você!”

Sigh, mesmo que você diga isso, eu não tenho a menor idéia do que devo fazer!

“Se precisarmos falar qualquer coisa com Suzumiya-san, eu conto com você pra passar a mensagem para ela.”

Não, espera! Eu não sou o interprete dela!

“Por favor?” - ela pediu sinceramente pondo as palmas das mãos juntas.

Encarado por este pedido, eu só pude dar respostas vagas como “err”, “ahh…”. Asakura tomou isso como um sim, e mostrou seu sorriso como uma tulipa-amarela, e voltou para junto das outras garotas. Após perceber que as outras garotas olhavam para mim, meu coração caiu no fundo de um cânion.

“Kyon nós somos bons amigo, certo?” - Taniguchi perguntou, me olhando de maneira suspeita.

“O que diabos está acontecendo aqui?”

Até Kunikida, com seus olhos fechados e braços cruzados sobre o peito, balançou a cabeça.

Oh meu Deus! Porque eu estou cercado por um bando de idiotas?


Parece que alguém decidiu que todos na classe precisavam mudar seus lugares mensalmente. Portando a monitora Asakura escreveu todos os números de mesas em pequenos pedaços de papel, e os colocou em uma tigela, depois pediu para cada um retirar um número de lá. No final eu fiquei com a penúltima cadeira na fila próxima a janela que dá visão para a quadra esportiva. Adivinhem quem pegou a última cadeira bem atrás de mim: está certo, é a sempre irritada Haruhi!

“Porque nada de interessante aconteceu ainda? Como crianças do jardim de infância desaparecendo uma a uma, ou alguns professores sendo mortos dentro de salas de aula trancadas?”

“Pare de dizer esse tipo de coisa assustadora!”

“Eu entrei no Clube de Estudos de Mistérios.”

“Oh? E o que houve?”

“Foi tão idiota. Nada interessante aconteceu! Ainda mais, todos os membros do clube eram fãs de historias de detetives, mas não havia ninguém que ao menos lembrasse um detetive!”

“Isso não é normal?”

“Eu ainda tenho esperanças sobre o grupo de Estudos do Sobrenatural.”

“Sério?”

“Mas todos devem ser um bando de maníacos por ocultismo. Soa divertido para você?”

“Não, realmente.”

“Ah cara, isso é tão chato! Porque essa escola não tem nenhum clube decente e interessante?”

“Bem, não há muito que você possa fazer sobre isso.”

“Eu pensei que depois de me formar no fundamental eu iria encontrar alguns clubes legais! - *Suspiro* - isso é como tentar entrar na Major League, mas descobrir que sua escola não tem nem um time de baseball.”

Haruhi parecia um tipo de banshee[7] pronta para ir a uma centena de monastérios budistas rogar algumas maldições. Ela olhava para o céu com desdém e deixou sair um grande suspiro. Eu deveria ter pena dela?

7-[Nota do tradutor: Ente fantástico da mitologia celta (Irlanda), que é conhecida como Bean Nighe na mitologia escocesa].

Eu não sabia que tipo de clubes que Haruhi gostava, Talvez nem ela soubesse a resposta. Ela apenas queria fazer “algo interessante”. O que é “algo interessante”? Será que envolveria resolver algum assassinato misterioso? Procurar por OVNIS? Ou exorcismo? Acho quem nem ela tem idéia.

“Acho que não se pode ajudar se não temos nada.”

Decidi expressar minha opinião:

“Julgando pelos resultados, humanos estão geralmente contentes com seus estados atuais. Os que não estão, entanto, tentam descobrir ou inventar algo para o avanço da civilização. Alguém queria voar, então inventaram os aviões. Alguém queria viajar facilmente e os carros e trens foram feitos. Mas essas coisas foram criadas por pessoas possuidoras de talentos especiais. Apenas um gênio poderia converter essas imaginações em realidade. Nós, mortais comuns, temos que viver nossa vida intensamente. Não devemos agir impulsivamente apenas porque nos sentimos aventurosos.”

“Cala boca.”

Haruhi cortou meu quase excelente discurso - ao menos é o que eu penso - e virou sua cabeça para o outro lado. Ela parecia estar realmente de mal-humor agora. Mas, novamente, quando ela não estava? Eu já estava acostumado com aquilo. Aquela garota provavelmente não ligava pra nada – ao menos que envolvessem poderes sobrenaturais que ultrapassavam, e muito, a realidade. O mundo não tinha isso afinal. Não, realmente. Longa vida as leis da física. Graças a elas nós, humanos, podemos viver em paz. Mesmo que Haruhi reclame sobre isso. Eu sou normal, certo?


Algo deve ter engatilhado aquilo.

Talvez nossa conversa acima?

Porque eu não vi isso chegando!


O sol quente fez todos da classe ficarem sonolentos. Justo quando eu abaixava minha cabeça e voltava a dormir, uma poderosa força atuou sobre minha gola e me puxou para trás. Esta força era tão grande que minha cabeça atingiu o canto da mesa atrás de mim. Lagrimas surgiram instantaneamente em meus olhos.

“O que você acha que está fazendo!?”

Eu virei minha cara para trás furiosamente e vi Haruhi, com uma mão segurando minha gola, sorrindo um grande sorriso mais brilhante que o sol tropical – honestamente essa era a primeira vez que a vira seu sorriso! Se sorrisos pudessem ser medidos em termos de temperatura aquele sorriso era quente como uma floresta tropical.

“Eu já sei!”

Hei, não cuspa em mim!

“Porque não pensei nisso antes?”

Os olhos de Haruhi brilharam como a estrela de Albireo Alfa. Ela olhava para mim penetrantemente. Eu perguntei redundantemente:

“O que foi que você pensou?”

“Se não existe, eu posso criar um por mim mesma!”

“Criar o que?”

“Um clube!”

Minha cabeça doía, e eu não sei se tinha a ver com minha cabeça batendo na mesa um momento atrás.

“Serio? Uma idéia excelente. Você pode me soltar agora?”

“Essa é a sua atitude? Você deveria estar mais feliz!”

“Sobre essa sua idéia, falarei com você mais tarde. Agora, considere onde você está, ENTÃO você pode dividir sua alegria comigo. Mas primeiro se acalme, ok?”

“O que você quer dizer?”

“Ainda estamos em aula.”

Haruhi finalmente soltou a minha gola, eu apertei a parte de trás de minha cabeça e me virei lentamente. Percebi que a classe estava completamente abismada. A recém-graduada nova professora de inglês, com seu giz em mão me encarou e me olhou como se estivesse prestes a chorar.

Eu sinalizei para Haruhi se sentar rapidamente, e encolhi os ombros para a pobre professora.

Por favor, continue com aula.

Eu ouvi Haruhi resmungar alguma coisa, e sentar desconsolada. A professora voltou a escrever no quadro.

Criar um novo clube?

Hmmmm…

Não me diga que eu já sou um membro dele?

Meu cérebro coçando só servia para aumentar meu desconforto.




Capítulo 2[edit]

Capítulo 2


Pelos resultados, minha premonição se tornara verdadeira.

Depois da aula, Haruhi não desaparecera instantaneamente da sala de aula como o usual. Desta vez ela tomou minha mão com força e me puxou para fora da classe, pelos corredores, em cima da escada, e finalmente paramos na frente da porta que levava ao telhado. A porta estava geralmente trancada, e a escadaria acima do quarto andar parecia ser usada como deposito para o Clube de Artes. Telas gigantes, molduras quase quebradas, estatuas de deuses da guerra com narizes desaparecidos, todos empilhados nessa pequena escadaria, tornando um espaço supostamente apertado ainda mais apertado.

O que ela está tentando fazer me trazendo aqui?

“Eu preciso de sua ajuda.”

Haruhi dizia isso segurando em minha gola. Com seu olhar afiado mirando para a parte mais baixa de minha cabeça, eu tinha o sentimento que ela estava me ameaçando.

“Ajudar você com o que?”

Eu fingi ignorância.

“Me ajude a fazer um novo clube!”

“Ok, me diga então, porque eu devo ajudar você a completar algo que você pensou tão subitamente.

“Porque eu preciso de uma sala segura para o clube e para os membros, então você precisa encontrar a papelada que deve ser preenchida para a escola.

Ela não estava nem me ouvindo. Eu me soltei das mãos de Haruhi.

“Que clube você está tentando fazer.

“Isso não importa! O mais importante é fazer um clube primeiro.”

Eu realmente duvidava que a escola nos deixasse fazer um clube em que as atividades eram desconhecidas.

“Agora me ouça! Amanhã depois da escola você vai procurar o que precisa ser feito, e eu vou procurar uma sala para o clube. Ok?”

‘NÃO!’

Se eu tivesse respondido assim, eu tenho certeza de que seria morto. Enquanto eu hesitava como responder, Haruhi já tinha se virado e descido as escadas, deixando um estudante desorientado parado sozinho em uma escadaria empoeirada.

“… eu nem concordei em ajudar…”

Sigh, dizer isso para a estatua de gesso era sem-sentido. Agora eu só poderia arredar meu pé, pensando como poderia explicar isso para os meus colegas curiosos.


Requisitos para organizar uma “associação”:

Cinco membros ou mais. Um professor responsável, nome do clube, presidente do clube, e um sumário de atividades / metas do clube é requerido – o que requer aprovação do comitê executivo do conselho estudantil. As atividades do clube precisam se encaixar na filosofia da escola de criatividade e vivacidade. Baseado nos resultados e anotações das atividades, o comitê executivo debaterá se promoverá à associação em um “grupo de estudos” Porém, quanto a associação, a escola não irá prover nenhuma verba.


Eu não tive que procurar explicitamente pelos requisitos, pois eles estavam todos listados atrás do caderno estudantil.

Membros eram fáceis: nós poderíamos achar qualquer um para fazer numero, então não seria um problema. Um professor responsável seria mais difícil de achar, mas eu acho que posso arranjar isso. Para o nome, algo inofensivo deve bastar. E o presidente do clube, sem duvida, seria Haruhi.

Mas posso apostar que, qualquer que for nosso sumário de atividades / metas, definitivamente ele não vai se encaixar com “criatividade e vivacidade”.

Mesmo dizendo isso, não é como se Haruhi fosse o tipo de pessoa que se preocupasse com as regras.


Quando o sinal tocou anunciando o final das aulas, Haruhi mostrou sua horripilante força bruta segurando a manga de minha blusa e me puxando para fora da sala de aula a uma velocidade de seqüestro. Tomou muito do meu esforço ter certeza de que não deixei minha mala na sala de aula.

“Onde estamos indo?”

Eu perguntei, pois bem, eu sou normal depois de tudo.

“A sala do Clube.”

Haruhi, tão cheia de energia que era capaz de chutar do caminho as pessoas lentas que andavam em nossa frente, simplesmente respondeu com uma sentença curta, então manteve a boca fechada. Por favor, você poderia soltar minha mão primeiro? Após passarmos pelo corredor do primeiro andar, nos entramos no outro prédio e subimos as escadas. Andamos em um corredor escuro e em seu centro, Haruhi parou. É claro que eu parei também. Havia uma porta em nossa frente.

Clube de Literatura

A placa torta com o nome estava colada na porta.

“Aqui está.”

Sem mesmo bater, Haruhi abriu a porta e entrou na sala sem nenhuma consideração. É óbvio que eu a segui lá dentro.

A sala era surpreendentemente grande, ou talvez ela parecesse grande, pois apenas havia uma mesa retangular, cadeiras de metal, e uma estante. As poucas rachaduras no teto e na parede mostravam quão velho o prédio era.

Como se viesse com a sala, uma garota estava sentada sozinha em uma cadeira de metal lendo um livro muito grosso de capa dura.

“De agora em diante essa será nossa sala!”

Haruhi abriu seus braços e anunciou formalmente. Sua face brilhava com um sorriso energético. ‘Se ela sorrisse assim na sala…’ - apesar do que pensei, eu não ousaria dizer isso em voz alta.

“Espera um pouco, que lugar é esse?”

“O prédio dos Clubes Culturais e de Artes. Esse lugar tem salas de música e artes, para a Orquestra e o Clube de Arte. Aqueles clubes sem salas regulares mantem suas atividades neste prédio, conhecido como o complexo antigo. Essa sala de aula pertencia ao Clube de Literatura.”

“E o que houve com o Clube de Literatura?”

“Depois de todos os estudantes de terceiro ano se formarem nesta primavera, o clube tinha zero membros. Como novos membros não foram recrutados, o clube está sendo cancelado. Falando nisso, essa caloura é o único membro novo.”

“Então eles não foram cancelados ainda!”

“Mas estão muito perto disso! Um clube com um só membro é o mesmo que nada.”

”Sua idiota! Você está tentando roubar a sala de outras pessoas? Eu dei uma rápida olhada na garota do Clube de Literatura.

Era uma garota de óculos e de cabelos curtos.

Mesmo com Haruhi falando tão alto, a garota não levantara a cabeça nenhuma vez. Ocasionalmente ela virava as páginas com seus dedos, e parecia estar estacionada, ignorando completamente a nossa presença. Aquela garota parecia estranha também!

Eu abaixei minha voz e perguntei a Haruhi:

“E sobre aquela garota?”

“Ela disse que não se importa!”

“Sério?”

“Eu perguntei a ela durante o horário de almoço. Eu disse que precisava que ela me emprestasse a sala e ela disse ‘Vá em frente’, enquanto ela puder ler os livros dela em paz. Agora que você mencionou, ela é bem estranha.”

Todo mundo diz isso de você!

Eu observei a esquisita garota do Clube de Literatura cuidadosamente desta vez.

Ela tinha uma pele pálida e um rosto inexpressivo. Seus dedos se moviam ritmicamente como um robô. Apenas cobrindo seu belo rosto, seu cabelo fazia qualquer um querer tirar seus óculos para ter uma visão mais clara. Ela dava a impressão de uma boneca discreta. Em outras palavras: uma excêntrica, misteriosa e inexpressiva garota.

Talvez percebendo minha observação, a garota repentinamente levantou a cabeça e empurrou o suporte dos óculos com os dedos.

Eu vi seus olhos de cores profundas me encarando de baixo daquelas lentes. Nem seus olhos, nem seus lábios mostraram qualquer traço de expressão, quase como uma máscara. Ela era diferente de Haruhi – seu rosto era o tipo que não mostrava qualquer sinal de emoção.

“Yuki Nagato.”

Seu tom sugeria que seu nome deveria ser esquecido pela maioria das pessoas três segundos depois de ser ouvido.

Yuki Nagato olhou para mim por um momento; então perdendo o interesse, ela voltou sua atenção novamente ao livro.

“Diga Nagato-san,” - eu a chamei - “essa garota quer usar a sala do seu clube para um clube ainda-não-nomeado. Está tudo bem para você?”

“Sim.”

O olhar de Nagato não saiu do livro nem uma vez.

“Talvez seja um pouco problemático para você.”

“Isso não importa

“Mesmo que talvez você seja até expulsa daqui?”

“Por favor, sintam-se a vontade.”

Mesmo achando que ela respondeu automaticamente, Nagato não mostrara nenhuma expressão. Para mim parecia que ela não dava a mínima para isso.

“Ok, então está decidido.” - Haruhi interrompeu subitamente.

Ela soou como se estivesse realmente empolgada, me dando maus pressentimentos.

“De agora em diante, vamos nos encontrar nessa sala após as aulas. Tenham certeza de vir, se não vocês estarão mortos!”

Ela disse isso com um sorriso com as flores de cerejeira florescendo. Eu relutantemente assenti com a cabeça. Por favor, eu não quero morrer ainda!


Então, agora achamos uma sala para o clube, mas não tive absolutamente nenhum progresso com os documentos. Nós ainda não havíamos decidido o nome do clube ou as atividades que pretendíamos fazer. Eu pedi para Haruhi decidir estas coisas por primeiro, mas ela parecia ter outras idéias.

“Nós podemos decidir tudo isso depois!” - Haruhi declarou alto - “Agora, o mais importante é recrutar membros. Nós ainda precisamos de mais duas pessoas.”

Então, você está contando com a garota do Clube de Literatura também? Você não pode simplesmente tratar Yuki Nagato como um mero acessório do clube, pode?

“Não se preocupe com isso. Eu estarei pronta para chamar pessoas logo; eu já tenho algo em mente.”

Como poderia não me preocupar? Meu desconforto se tornou ainda mais profundo!


No dia seguinte, depois da escola, após recusar a proposta de Taniguchi e do Kunikida para andar com eles até em casa, eu relutantemente arrastei meus pés e rumei até a sala do clube.

Haruhi apenas disse “Você vai primeiro!”, e correu para fora da classe com uma velocidade de que o Clube de Atletismo realmente precisava. Ela era tão rápida que me perguntei se havia colocado algum tipo de aditivo em seus tênis. Não sei se ela estava com pressa para encontrar novos membros para o clube, ou apenas estava excitada por dar um passo a frente em seus planos de conhecer extraterrestres.

Por outro lado, eu apenas podia carregar minha mala, então andei lentamente até a sala do Clube de Literatura.


Entrando na sala do clube, encontrei Yuki Nagato já lá dentro, sentada na mesma posição, enquanto lia seu livro. Eu me aproximei lentamente dela, mas como ontem sua cabeça estava enterrada naquele livro, e minha presença fora ignorada. Seria o Clube de Literatura um clube puramente de leitura? Porque mais ela estaria lendo o tempo todo?

Silêncio na sala.

“… o que você está lendo?”

Eu perguntei, não sendo capaz de agüentar o silêncio por mais tempo. Yuki Nagato me respondeu erguendo o livro e me mostrando a capa. Meus olhos viram um grande amontoado de ofuscantes letras estrangeiras; parecia com algum tipo de novela de ficção cientifica.

“É interessante?”

Yuki Nagato empurrou seus óculos para cima antes de responder em um tom vazio:

“Único.”

Ela parecia ter respondido tudo que perguntei a ela.

“Que parte?”

“Ele todo.”

“Então, você gosta de ler?”

“Muito.”

“Vejo …”

“…”

De volta ao silêncio.

Deixe-me apresenta-la: essa é Asahina Mikuru-chan.

Posso ir pra casa agora?

Pensei nisso enquanto colocava minha mala sobre a mesa. Quando eu me preparava para sentar na cadeira de metal, a porta se abriu como se estivesse sendo chutada.

“Desculpa, estou atrasada! Me tomou um pouco de tempo tentar capturar essa garota!”

Haruhi finalmente chegara, abanando sua mão para nós. Em sua outra mão ela segurava o pulso de alguém – ela abduziu outra pessoa! Quando Haruhi entrou na sala, por alguma razão trancou a porta. Click! Ouvindo aquele som, a pequena garota estremeceu desconfortavelmente.

Wow, certamente ela é bonita!

Ela deve ser a “candidata escolhida” por Haruhi.

“O… o que você está fazendo?”

A garota falou, perto das lágrimas agora.

“Que… que lugar é esse? Porque você me trouxe aqui? E, po… porque você está trancando a porta? O que você quer comigo?

“Cala a boca!”

Haruhi rosnou com tanta força que a garota simplesmente ficou parada em um silêncio pasmo.


“Deixe-me apresenta-la: essa é Asahina Mikuru-chan.”

Após anunciar o nome da garota, Haruhi parou de falar. Parece que aquela era a introdução inteira.

O silêncio engolfou novamente a sala do clube. Haruhi parecia satisfeita com um “trabalho bem feito”; Yuki Nagato - como era de se esperar - continuou lendo seu livro sem nenhuma reação; e a garota chamada Mikuru Asahina estava simplesmente apavorada. Hei, porque ninguém está falando? Então eu comecei a conversa.

“De onde você a abduziu?”

“Não é abdução! Eu apenas a forcei a vir comigo.”

“É a mesma coisa!”

“Eu encontrei-a sonhando na sala do segundo ano, então eu peguei ela de lá. Eu explorei os cantos da escola durante os intervalos, e a vi algumas vezes antes.”

Então era isso que você estava fazendo durante os intervalos onde não havia nada pra se ver na sala. Espera, agora não é à hora pra pensar nisso.

“De qualquer forma, ela é sua sempai[1].”

1-[Nota do tradutor: o termo “sempai” é utilizado para se referir ou dirigir a palavra a um aluno mais graduado que você].

“E?”

Eu olhei para ela com descrença. Meu Deus, essa garota realmente não pensa no que está fazendo!

“Tudo bem então… Me diga, porque você precisou a procurar, err, Asahina-sempai, certo?”

“Aqui, dá uma olhada.”

Haruhi subitamente apontou para o nariz de Mikuru Asahina, a fazendo recuar instantaneamente.

“Ela não é bonitinha?”

Isso é algo que somente um seqüestrador perigoso diria! É que penso disso afinal.

“Eu acredito que personagens Moe são importantes” - ela continuou.

“…. desculpe-me o que você acabou de dizer?”

“Eu disse Moe! O fator para ligar as pessoas! Basicamente, a maioria das historias de detetives tem alguns personagens que excitam as pessoas, e provocam sua compaixão!”

Eu automaticamente virei observei Mikuru Asahina: ela tinha um corpo pequeno e um rosto que poderia ser facilmente confundido com de uma estudante de ensino fundamental. Seu cabelo castanho era levemente curvo, pendendo de suas costas. Seu par de imensos olhos de cachorrinho, a davam uma aura de “por favor, me protejam”. Seus lábios entreabertos revelavam uma fileira de dentes brancos como o marfim, em conjunto com seu rosto pequeno, criavam uma combinação perfeita. Se lhe fosse dada uma varinha com uma jóia brilhante, ela podia ser facilmente transformada em uma pequena fada! Aargh~, em que diabos eu estou pensando?

“E isso não é tudo!”

Haruhi sorria confiantemente, e então agarrou Mikuru Asahina por trás com suas mãos.

“Kyaaaa!!!”

Asahina gritou instantaneamente. Mas Haruhi estava imóvel, agarrando seus seios por sobre o uniforme de marinheiro.

“Aaaaaa!”

“Ela é tão pequena, mesmo assim seus seios são maiores que os meus! Um rostinho bonito mais seios grandes são um fator importante para excitar as pessoas!”

Oh meu Deus, eu vou desmaiar.

“Wow, eles são realmente grandes.”

Haruhi prendeu suas mãos no uniforme de Asahina e começou a apalpar. Pare com isso, sua pervertida!

“Cara, isso realmente me irrita! A cara dela é tão bonitinha, e mesmo assim seus seios são maiores que os meus!”

“So.. Socorro!!!”

Asahina corava em um vermelho brilhante. Ela tentava se soltar de Haruhi debatendo seus braços e pernas, mas sua força não era páreo para sua atacante. Quando Haruhi começou a mover suas mãos em direção à saia de Asahina, eu não consegui agüentar e puxei a garota pervertida para longe dela.

“Que diabos você acha que está fazendo!?”

“Mas eles são realmente imensos! É verdade! Porque você não tenta também?”

Asahina gemeu fracamente.

“Não obrigado.”

Era tudo que eu poderia dizer.

O que me surpreendeu, é que durante toda aquela comoção, Yuki Nagato estava lendo seu livro, nunca levantando a sua cabeça. O que aquela garota tinha afinal? Repentinamente eu pensei em algo.

“Hei, você não pode estar pensando… a única razão para trazer Asahina-sempai aqui é que ela é bonita e tem seios grandes?”

“Sim, com certeza!”

Meu Deus, você é realmente uma idiota!

“Personagens mascotes como ela são necessários!”

Necessário coisa nenhuma! Quem disse isso afinal?

Asahina desamarrotou seu uniforme amassado e ergueu sua cabeça olhando para mim. Hei não me olhe assim, você está me botando em uma situação embaraçosa.

“Mikuru-chan,” - Haruhi perguntou - “você está em algum outro clube?”

“Si… sim… o Clube de Caligrafia…”

“Saia dele! Ou vai ficar no caminho das minhas atividades.”

Haruhi! Você não está sendo um pouco egoísta demais?

Asahina tinha a expressão da vítima de um certo assassinato misterioso, olhando para mim com aqueles olhos que imploravam por resgate. Quando ela subitamente percebeu a presença de Yuki Nagato. Seus olhos cresceram mostrando certa hesitação. Momentos depois ela suspirou e murmurou em voz baixa.

“Vejo… eu entendo.”

O que você entende?

“Eu saio do Clube de Caligrafia, e me junto o seu clube…”

Sua voz estava cheia de tristeza.

“Mas eu não sei o que o Clube de Literatura faz.”

“Nós não somos o Clube de Literatura” - Haruhi esclareceu.

Vendo Asahina confusa, eu me intrometi apressadamente para explicar.

“Nós estamos emprestando essa sala temporariamente para nossas atividades. O clube que você se juntou é atualmente uma nova associação que Suzumiya Haruhi vai criar em um futuro próximo. Nós não sabemos que atividades teremos; não temos nem ao mesmo um nome.”

”… o que? ...”

“Ah, e aquela sentada ali, ela é a real membro do Clube de Literatura

“Oh…” - Asahina parou sem fala, com sua linda boca entreaberta. Sua reação? Absolutamente normal.

“Isso não será um problema!”

Animada a ponto de não ser responsável por nada, Haruhi bateu forte no ombro de Asahina.

“Eu já pensei em um nome!”

“… ok, vamos ouvi-lo.” - disse eu com entusiasmo zero.

Se fosse possível, eu realmente não gostaria de ouvi-lo! Mas agora que perguntei, Suzumiya Haruhi usava sua voz clara para anunciar alto o nome em que ela havia pensado.


Como todos sabiam tudo isso começou como resultado da visão simplista e ingênua de Suzumiya Haruhi, e por mais nenhuma outra razão. E assim… o nome de nosso novo clube acabara de ser decidido.


A Brigada SOS

Sekai wo

Ooini moriagerutame no

Suzumiya Haruhi no Dan

Brigada para Salvar o mundo enquanto O enche de diversão de Suzumiya Haruhi, abreviado como Brigada SOS.


Todos vocês podem rir agora.

Mas antes que pudesse fazer isso, eu parei pasmo.

Porque é chamado de “Brigada”? Não deveria ser “Associação para salvar o mundo enquanto o enche de diversão de Suzumiya Haruhi”, mas desde que o clube não satisfez os requisitos mínimos para se tornar uma associação e ninguém sabia sobre o que o clube era, Haruhi simplesmente respondeu “Se esse é o caso, vamos chama-lo de brigada!”. E então o glorioso nome de nosso clube nasceu.

Após ouvir o nome, Asahina fechou a boca depressivamente. Yuki Nagato poderia ser contada como uma pessoa externa ao clube, e eu não sabia o que dizer. Então, a proposta para o nome do novo clube havia passado com um voto a favor e três abstenções. A Brigada SOS estava aberta a negócios! Que ocasião maravilhosa!

Hmph, faça o que você quiser!

Depois de dizer: “Tenham certeza de se encontrar aqui depois da escola amanhã!”, Haruhi foi embora. Os ombros de Asahina caíram, sua figura sem vida andando pelo corredor dava uma impressão de tristeza. Eu não agüentava ver aquilo, então eu a chamei.

“Asahina-sempai.”

“Sim?”

Asahina me olhou com sua cara inocente, que não parecia ser um pouco mais velha que a minha.

“Você não precisa se juntar a um clube estranho se você não quiser! Não se preocupe com ela; eu acho uma maneira de explicar.”

“Não.”

Ela parou, piscou, e sorriu:

“Está tudo bem, eu quero me juntar a ele.”

“Mas esse pode ser um clube chato!”

“Isso não importa; você não se juntou a ele afinal?”

Não! Se me juntei a ele não é o assunto aqui!

“Talvez, esse seja o resultado absoluto nesse plano temporal…”

Ela dizia aquilo com os olhos redondos distantes.

“O que isso deveria significar?”

“Além disso eu estou interessada na presença de Nagato-san.”

“Interessada?”

“Ah? Não, nada.”

Asahina mexeu sua cabeça apreensivamente, abanando seu cabelo ondulado. Então sorriu, parecendo envergonhada, e se inclinou em minha direção.

“Eu posso ter problemas, então, por favor, tenha paciência comigo de agora em diante.”

“Você não precisa me pedir pra fazer isso… você me bota em uma situação complicada.”

“Por favor, me chame de Mikuru daqui para frente.”

Ela sorriu.

Cara, ela era tão bonita que eu estava ficando tonto!


A seguinte é uma conversa que tive com Haruhi um dia:

“Você sabe do que precisamos agora?”

“Quem sabe!”

“Eu acho que devemos achar um misterioso estudante transferido.”

“Diga-me, por favor, a definição de ‘um misterioso estudante transferido’.”

“Aqueles que são transferidos dois meses depois do inicio do ano letivo são definitivamente misteriosos estudantes transferidos. O que você acha?”

“Talvez seja porque seus pais foram transferidos no emprego e eles apenas tiveram que vir junto.”

“Não, isso soa forçado e não é normal!”

“O que é normal para você? Eu realmente queria saber.”

“Misteriosos estudantes transferidos… será que eles irão aparecer?”

“Você nunca ouve o que eu digo, não é?”


Rumores de que Haruhi e eu estávamos planejando algo começaram a surgir na escola.

“Hei, o que há entre você e a Haruhi?”

Taniguchi havia ido perguntar.

“Vocês não estão em uma relação romântica, estão?”

“Absolutamente não! Para ser honesto, eu também gostaria de saber o que estou fazendo!”

“Tentem não fazer nada ridículo, vocês não são mais estudantes do primário! Se encontrarem vocês vandalizando a pista de corrida da escola ou algo assim, você poderá ser suspenso!”

Se Haruhi estivesse agindo sozinha, eu simplesmente poderia ignorá-la. Mas agora havia Yuki Nagato e Mikuru Asahina para cuidar – eu não podia arriscar envolvê-las. Quando percebi que era tão atencioso com elas, subitamente me senti orgulhoso de mim mesmo.

Mas é isso, não tem como eu parar a insana Haruhi!


“Então eu quero um computador!”

Desde que a Brigada SOS fora fundada, a sala do Clube de Literatura começara a ter mais e mais coisas além da mesa retangular, cadeiras de metal e uma estante.

O canto da sala agora exibia um armário portátil, garrafas e copos, um bule de chá, um rádio tocador de CD/MD[2], uma geladeira, um gravador, frigideira, tigelas, e todo tipo de utensílios de cozinha. E agora? Ela planejava que vivêssemos lá?

2-[Nota do tradutor: Ao contrario do Brasil, no Japão o MD (ou minidisk) é um formato um tanto popular].

No momento, Haruhi estava sentada em uma mesa que ela arranjara de Deus-sabe-onde. Por algum motivo, uma pirâmide triangular negra, com as palavras “Danchou” (Comandante da Brigada) repousava sobre a mesa.

“Nessa era da informação, nós nem mesmo temos um computador. Assim não dá!”

Porque ela disse isso?

De qualquer forma, todos os membros estão lá hoje. Yuki Nagato estava em seu lugar de sempre, lendo um livro de capa dura sobre um satélite de Saturno caindo, ou coisa assim. Asahina, que não precisava vir, ainda assim veio obedientemente e sentou em uma cadeira de metal, parecendo estar confusa. Haruhi saltou a mesa e correu para cima de mim com um sorriso sinistro.

“É porque eu vou conseguir um agora mesmo” - Haruhi disse, como um caçador procurando sua presa.

“Conseguir um, você diz um computador? De onde? Você não planeja roubar um loja de eletrônica, não é?”

“Claro que não! Vou a um lugar mais perto!”

“Me sigam!” - Asahina e eu acatamos a ordem de Haruhi e a seguimos pelo corredor, eventualmente chegando no Grupo de Estudos de Informática, duas salas de distância. Entendi!

“Bem, pegue isso.”

Haruhi me entregou uma câmera.

“Agora ouça com atenção! Vou te dizer o plano, e você vai o seguir não importa como! Você só tem uma chance.”

Haruhi me puxou para baixo e cochichou o “plano” em meus ouvidos.

“O que!? Você não pode fazer isso!”

“E isso importa?”

Claro que não importa pra você, senhorita! Eu me virei para uma Asahina confusa, tentando a alertar piscando. É melhor você ir embora agora! Mas Asahina me olhou surpresa e começou a corar. Ah não, ela pegou a idéia completamente errada! Justo quando eu estava livrando Asahina da perdição certa, Haruhi havia empurrado a porta do clube do Grupo de Estudos de Informática.

“Olá! Eu vim aqui pegar um computador de vocês!”

O espaço era similar, mas comparada a nossa sala, essa era bem mais estreita. Em cada uma das mesas havia um computador com efeitos sonoros de CD. O som dos coolers girando era o único barulho que podia ser ouvido naquela sala.

Os quatro garotos digitando em seus teclados viraram suas cabeças em direção a porta para ver o que Haruhi queria.

“Quem está no comando aqui?”

Haruhi sorriu pomposamente. Um estudante levantou e respondeu.

“Eu sou o presidente, no que posso ajudar?”

“Vou precisar repetir? Eu apenas disse; me dêem um computador.”

O inominado presidente do Clube de Informática mostrou uma expressão de “Mas que inferno é esse?”, e mexeu violentamente a cabeça.

“Não podemos fazer isso. A escola não nos dá fundos, esses computadores são todos comprados com o nosso dinheiro! Não podemos dar de graça para você. Você acha que somos idiotas?”

“E o que isso importa? Apenas um já serve, vocês tem um monte mesmo.”

“Mas… Espera um pouco, quem são vocês afinal?”

“Eu sou Suzumiya Haruhi, comandante da Brigada SOS, e esses dois são o subordinado um e o subordinado dois.”

Quem decidiu que seriamos seus subordinados!?

“Eu lhe ordeno em nome da Brigada SOS: nós de um computador de uma vez! Não aceito nenhuma desculpa!”

“Eu não sei quem vocês são, mas absolutamente não! Vão comprar seus próprios computadores!”

“Agora que você disse isso, nós usaremos nossos próprios métodos.”

Os olhos de Haruhi brilharam impetuosos. Ah não, isso é um mal pressagio!

Haruhi empurrou Asahina que estava parada próxima a ela para cima do presidente, então agarrou a mão dele e colocou sobre o peito de Asahina.

“Kyaaa ~ ~ ~!!!”

“O quê!?”

Click!

Ao som dos dois gritando, eu apertei o botão da câmera.

Haruhi agarrou Asahina, prevenindo ela de escapar, enquanto sua outra mão propelia fortemente a mão do presidente em direção do peito de Asahina.

“Kyon! Mais uma foto!”

Eu relutantemente apertei o botão. Asahina e o presidente sem nome, vocês tem minhas sinceras desculpas. Quando Haruhi estava prestes a empurrar a mão do presidente para debaixo da saia de Asahina, ele se libertou.

“QUE DIABOS VOCÊS ACHAM QUE ESTÃO FAZENDO!?”

Haruhi apontou seu dedo elegantemente para o presidente corado e furioso.

“Hahaha! Agora nos temos provas fotográficas de você assediando sexualmente um membro do meu clube! Se você não quer que a escola saiba dessas fotos, nos entregue um computador!”

“Que tipo de piada é essa!?”

O presidente protestou furiosamente. Eu entendo como você se sente.

“Você pegou minha mão a força! Eu sou inocente!”

“Ah, sério? Você pode tentar explicar, mas quem vai acreditar em você?”

Eu virei e olhei para Asahina caída no chão, paralisada. Ela deve ter entrado em tamanho choque que toda sua energia foi embora.

Por outro lado, o presidente continuava a resistir.

“Meus membros são testemunhas de minha inocência! Isso não foi por vontade própria!”

Os três membros que estavam parados e confusos abanaram suas cabeças veementemente.

“Isso mesmo.”

“O presidente é inocente!”

Se Haruhi pudesse ouvir vocês gente, ela não seria Suzumiya Haruhi.

“Certo, então é só dizer que vocês todos estupraram Asahina!”

A essa instância os rostos de todos se tornaram brancos, incluindo o meu e o de Asahina. Oh Deus, precisaríamos chegar a esse ponto?

“S… Suzumiya-san…!”

Asahina desesperadamente girou seus braços ao redor das pernas de Haruhi, mas ela simplesmente a chutou para longe. Haruhi levantou seu peito arrogantemente e disse:

“E então? Vocês vão nos dar um ou não?”

O rosto do presidente que fora do vermelho para o branco, finalmente havia se tornado negro. No final ele se rendeu:

“Apenas peguem um e vão embora!”

Havendo dito isso, o presidente sentou desconsolado. Todos os membros correram em direção a ele.

“Presidente!”

“Por favor, resista!” “Você está bem?”

A cabeça do presidente caiu como uma marionete que teve seus fios quebrados. Vendo aquela figura arrebentada, mesmo como companheiro de Haruhi, eu não pude evitar tecer uma lagrima de tristeza por ele.

“Qual é o último modelo?”

Você realmente é uma garota de sangue frio!

“Por que deveríamos dizer para você?”

Os membros furiosos continuavam a resistir, mas Haruhi simplesmente apontou para mim e para minha câmera.

“D… droga! Aquele ali!”

Haruhi olhou em direção ao lugar aonde o membro havia apontado e inspecionou o modelo e número serial do computador. Então, ela tirou um pedaço de papel do bolso de sua saia.

“Eu foi até a loja de eletrônica e pedi pelos últimos modelos. Esse não parece ser um deles.”

A garota tinha tudo tão meticulosamente planejado, que estava se tornando assustador. Após inspecionar todos os computadores, Haruhi apontou para um deles.

“Eu quero esse.”

“E… espera! Nós compramos esse mês passado!”

“Câmera...”

“… P… peguem ele, seus ladrões!”

Agora que ele disse, nós éramos ladrões de verdade. A ganância de Haruhi não conhecia limites. Após pegar todos os cabos e conexões, ela levou todos os equipamentos necessários para a sala do Clube de Literatura sem nenhuma consideração. Ainda por cima fez que o Clube de Informática reinstalasse todos os cabos, e trouxesse dois cabos de conexão à internet da sala deles para a nossa, assim nós poderíamos usar a internet. Ela até forçou a eles instalarem uma rede de intranet para nós. Seus métodos desprezíveis não eram diferentes de um assalto!

“Asahina-sempai.”

Estando indefesa o tempo todo, eu apenas poderia segurar lentamente uma Asahina devastada, que estava atirada no chão, cobrindo seu rosto e soluçando sem parar.

“Vamos voltar.”

“ * soluça * … ”

Haruhi, sua idiota, você não poderia fazer ele agarrar os seus próprios peitos!? Para alguém que se troca na frente das pessoas sem pensar duas vezes isso não é nada! Eu confortei Asahina enquanto resmungava sobre porque na Terra Haruhi iria querer um computador. Muito em breve eu descobriria.


Ele é para fazer o site da Brigada SOS!

Certo, e então vem a questão: quem vai fazer este site?

“Você é claro!” - Haruhi disse.

“Tomando em conta que você está livre, é melhor que você faça isso! Eu estarei ocupada procurando pelos membros restantes!”

O computador fora colocado na mesa com a pirâmide com “Danchou” escrito. Haruhi falava enquanto navegava na internet com seu mouse:

“Deve estar pronto em um dia ou dois. Não podemos fazer nada sem uma página na internet.”

O corpo de Asahina repousava sobre a mesa, com seus ombros tremendo, perto dela estava Yuki Nagato sentada, e como era usual apenas lendo seu livro, ignorando qualquer outra coisa. Parecia que eu era a única pessoa que ouvia o que Haruhi estava dizendo. Não tinha nenhuma outra escolha a não ser obedecer. Ao menos era o que eu acreditava que Haruhi queria.

“Não posso fazer nada mesmo que você dizendo isso.”

Isso era o que eu queria falar, para ser honesto. Eu não estava acostumado a receber ordens de Haruhi! A única razão que me levou a concordar era; porque era uma página de internet: eu nunca havia feito isso antes, mas parecia ser interessante.

E então, minha árdua construção da página começara no segundo dia.


Mesmo tendo dito isso, estava sendo mais fácil do que eu pensava. Pois o pessoal do Clube de Estudos de Informática já havia instalado todo o software no disco rígido, então tudo que eu tinha que fazer era seguir o programa e usar algum copiar e colar, basicamente. O problema era: o que eu deveria escrever no site? Naquele momento eu ainda não sabia sobre o que era a Brigada SOS, então ao tinha absolutamente nada o que escrever. Após escrever “Bem vindo a página da Brigada SOS!” no topo, eu simplesmente parei. “Se apresse e termine isso, ouviu?”. As palavras de Haruhi soaram como uma maldição apitando entre meus ouvidos, então eu havia que continuar usando o meu intervalo para almoço para fazer a página enquanto comia.

“Nagato-san, você tem alguma idéia do que posso escrever?” - perguntei a Nagato, que parecia ir frequentemente para lá durante o intervalo.

“Não realmente.”

Ela não olhou para cima. Eu sei que não é da minha conta, mas fico curioso em saber como ela prestava atenção na aula. Movendo meus olhos de Nagato para o monitor de 17 polegadas, eu mergulhei novamente naquele pensamento. Repentinamente pensei em um problema; o que aconteceria se a escola descobrisse que um grupo ainda-não-reconhecido estivesse usando sua banda pra hospedar um site?

“Não será um problema se eles não descobrirem!”. Imaginei Haruhi respondendo: “Se acabarmos sendo descobertos é só abandonar o site. Esse tipo de coisa é assim, quem chegou primeiro, levou, você sabia?”

Sério, de alguma maneira eu invejava essa atitude otimista e de sempre olhar para frente que Haruhi tinha!


Após fazer alguns links no site e criar um endereço de e-mail – era um pouco cedo demais para criar um fórum – eu fiz o upload do site, que continha apenas a página principal sem nenhum detalhe. Isso deve bastar! Após ter certeza que a página carregava, eu desliguei o computador. Quando estava para me alongar, eu encontrei Nagato parada bem atrás de mim. Que estranho, como ela chegou ali sem que eu ouvisse nenhum passo? Não sei quando Nagato havia chego atrás de mim. Seu rosto era como uma máscara, ela me encarava com aquele rosto sério como se eu fosse alguma placa de teste de visão.

“Pegue isso.”

Ela me entregou um livro realmente grosso, que peguei impulsivamente. Certamente ele era pesado! Olhando para capa, era uma novela de ficção cientifica que Nagato lera alguns dias atrás.

“É para você.”

Após dizer isso Nagato deixou a sala sem olhar para trás; eu nem havia tido tempo para dizer nada. Porque você esta emprestando um livro tão grosso para mim? Naquele instante o sinal tocou, sinalizando o fim do intervalo. Não parecia que muitas pessoas respeitassem minhas opiniões.

Após carregar o livro de capa dura até minha sala e me sentar, encontrei alguém cutucando minhas costas com uma lapiseira.

“Então, a página está pronta?”

Haruhi segurou os cantos da mesa e me encarou com uma cara rígida. Eu percebi que seu caderno estava rabiscado aqui e acolá. Tentei ignorar os olhares de meus colegas e repliquei:

“Está tudo pronto, mas é muito simples, uma página bem medíocre.”

“Isso vai servir, contanto que tenha um endereço de e-mail.”

“Porque você não pode registrar seu próprio e-mail gratuito?!”

“Isso não vai bastar! E se um monte de gente mandar suas mensagens e inundar meu e-mail?”

Eu não entendo como um endereço recém registrado de e-mail pode ser inundado de mensagens tão rapidamente.

“Isso é um segredo!”

Após dizer isso, ela deu um misterioso e sinistro sorriso. Eu tinha um mau pressentimento sobre isso.

“Você vai saber depois da aula, mas por enquanto é informação altamente confidencial.”

Por favor, eu preferia que você nunca me dissesse o que é!


No sexto período, Haruhi novamente não estava na sala. Ela não podia ter ido para casa, podia? Isso não seria possível. Era provavelmente outro mal pressagio.


Pouco depois do fim das aulas, eu impulsivamente rumei para a sala do clube. Mesmo pensando o porquê de ter feito isso, meus passos não cessaram. Finalmente eu havia chego à sala do clube.

“Olá.”

Como esperado, ali sentadas estavam Asahina e Nagato. Eu sei que não sou ninguém para criticar, mas certamente essas duas dever ter muito tempo livre em mãos! Olhando-me entrar, Asahina me cumprimentou com uma expressão de alivio. Parecia que ter que ficar algum tempo sozinha com Nagato era algo exaustivo. Espere um pouco, você sofreu com os ataques perversos de Haruhi ontem, e continua vindo para cá?

“Onde está Suzumiya-san?”

“Só Deus sabe. Ela não estava da sala desde o sexto período. Provavelmente está por ai roubando algum equipamento dos outros.”

“Eu vou ter que fazer o que Suzumiya-san me obrigou a fazer ontem novamente…?”

Vendo quão deprimida Asahina parecia, eu disse gentilmente:

“Não se preocupe! Se ela tentar fazer algo de estranho com você, eu farei tudo que puder para pará-la. Ela pode usar o próprio corpo para chantagear os outros! Não há como eu perder se isso virar uma briga!”

“Obrigada.”

Olhando ela me olhando tão docemente, eu sentia como se pudesse a abraçar forte. Mas é claro que eu não fiz isso.

“Então eu estou contando com você.”

“Sem problema então!”

Mesmo eu a garantindo repetidamente de que nada aconteceria, cinco minutos depois, todas aquelas garantias foram jogadas pela janela, no mar, e evaporaram como uma gota de água na superfície do sol. Oh, que ingenuidade a minha!

“Hiya!”

Haruhi nos saudou energicamente e entrou na sala carregando duas malas abarrotadas de papel.

“Desculpa gente, eu me atrasei.”

Isso faz realmente o seu tipo! Para alguém obsessiva como Haruhi, considerar os outros provavelmente é a última coisa em sua mente.

Colocando as malas no chão, Haruhi se virou e trancou a porta. Asahina se encolheu por reflexo ao ouvir a porta se fechando.

“Suzumiya, o que você está planejando hoje? Para ser franco não vou fazer nada como saquear ou ameaçar alguém novamente!”

“Do que você esta falando? Eu nunca fiz nada desse tipo!”

Sério? E como você explica aquele computador em cima da mesa!?

“Por meios pacíficos, é claro! Ok, as prioridades vem antes, olhem só isso.”

Ela tirou um maço de papeis A4 com escrita à mão de dentro da mala.

“Esses panfletos foram feitos para apresentar a Brigada SOS a todos. Me deu muito trabalho invadir a sala de fotocópia e imprimir esses duzentos panfletos!”

Haruhi nos entregou os papeis. Então é por isso que você matou aula, huh? Pode se considerar sortuda por não ter sido pega. Eu não estava interessado no que estava escrito no panfleto, mas já que peguei uma é melhor ver o que ele tem a dizer.


“Os princípios de fundação da Brigada SOS: Nós, a Brigada SOS, estamos procurando por todo o tipo de eventos paranormais neste mundo. Nós damos as boas vindas para qualquer um que já presenciou, presencia, ou sente que irá presenciar qualquer tipo de eventos misteriosos ou sobrenaturais e que vem a nós para buscar atendimento. Faremos o melhor para responder suas dúvidas. Por favor, note que não aceitamos eventos paranormais comuns; tem que ser um evento paranormal que pareça ser muito chocante. Nosso endereço de e-mail é …”


Eu estava começando a ter idéia do que a Brigada SOS fazia. Parecia que, não importa como, Haruhi tentava se jogar em um mundo de ficção cientifica, mistério, e novelas de fantasia.

“Certo, hora de entregar os panfletos.”

“Onde faremos isso?”

“Na entrada da escola. Agora mesmo tem um monte de estudantes que ainda não foram pra casa.”

Sim, sim, sim, como você quiser. Quando eu estava pegando a mala com os panfletos, Haruhi me parou.

“Você não precisa ir, apenas eu e Mikuru-chan vão bastar.”

“O que?”

Asahina que segurava um panfleto em suas mãos girou sua cabeça confusa. Eu me virei e vi Haruhi remexendo na outra mala, tirando algo de dentro.

“Tada!”

Sorrindo alegremente como um gato robótico [3], Haruhi puxou uma peça de roupa preta. Não, não podia ser! Quando Haruhi acabou de esvaziar o conteúdo da mala da quarta dimensão, finalmente entendi porque ela queria Asahina para entregar os panfletos, eu rezei para o bem dela. Asahina, que sua alma descanse em paz! 3-[Nota do tradutor: referência a Doraemon, um famoso anime sobre um gato robô com um bolso da quarta dimensão, de onde ele tira uma infinidade de aparelhos].

Um colant preto, meias de rede, orelhas de coelho, uma tiara, mangas brancas, e um rabo de coelho.

Essa não é uma fantasia de Bunny-gal [4]!?

4-[Nota do tradutor: Vulga coelhinha, prefiro manter o termo original, se não fica esdrúxulo demais].

“E… e pra que isso é?” - perguntou Asahina timidamente.

“Você deveria saber. Para se vestir como uma Bunny-gal!” - Haruhi disse o obvio.

“Vo.. você não quer que eu vista isso, q…quer?”

“Claro que sim! Eu até preparei uma para você!”

“E… eu não vou vestir isso!”

“Não se preocupe, o tamanho cabe em você perfeitamente.”

“E… esse não é o problema! Vo… você não quer que eu vista isso na entrada da escola, q… quer?”

“Por que? É claro que sim.”

“Não! Eu não quero!”

“Pare de reclamar!”

Era isso; ela havia se tornado o alvo. Haruhi saltou sobre Asahina com uma leoa atacando uma gazela indefesa, e começou arrancar seu uniforme.

“NÃOOO...”

“Seja uma boa garota e não se mexa!” - disse Haruhi áspera, enquanto rapidamente arrancava a blusa de Asahina, então ela avançou sobre a saia. Quando eu estava prestes a parar aquela loucura de Haruhi, meus olhos se encontraram com os de Asahina.

“N… NÃO OLHE!!!”

Ouvindo-a gritar, eu corri em direção à porta… droga! Ela está trancada! Me tomou um momento para que conseguisse destrancar e correr para fora da sala.

Antes de ir, eu dei uma rápida espiada – e encontrei Nagato lendo seu livro como se nada estivesse acontecendo. Ela não tinha nada a dizer sobre isso?

Eu encostei atrás da porta, ouvindo os gritos de Asahina do outro lado.

“Kyaaa~~!!!”, “Nãaoo”, ”A…ao menos me deixe tirar isso sozinha…*soluça~~* !”

Eles estavam misturados com os brados de vitória de Haruhi.

“Isso é ótimo!”, “Tire isso! Rápido!”, “Você deveria ter feito o que eu pedi!”

Droga! Não me peça para imaginar o que estava acontecendo lá dentro!

Um momento depois, a voz de Haruhi veio detrás da porta.

“Você pode entrar agora!”

Assim que entrei na sala, fui presenteado com a visão de duas belas Bunny-gals. Sendo Haruhi ou Asahina, a fantasia caia bem nas duas. Uma grande parte das costas e do decote estavam expostas, as meias de rede cobrindo suas pernas firmemente, e um par de orelhas de coelho balançando sobre suas cabeças… Haruhi era magra, mas tinha as proporções certas; Asahina era pequena, mas sua figura também era perfeita. Para ser honesto, ambas eram um colírio para os olhos!

Quando eu estava pensando em dizer “A roupa fica bem em você” para uma chorosa Asahina, Haruhi disse:

“O que você achou?”

E você ainda tem a moral de vir me perguntar o que achei. Bateu a cabeça ou algo assim?

“Isso vai roubar a atenção de todos. Com isso as pessoas vão definitivamente pegar os panfletos!” - disse Haruhi.

“Se vocês vestirem essas fantasias estranhas na entrada, as pessoas vão olhar torto para você… espere um minuto, porque Nagato não precisa usar isso?”

“Eu só comprei dois conjuntos. Como eles vem com os acessórios, acabaram sendo muito caros.”

“Onde você compra essas coisas afinal?”

“Internet.”

“… sei.”

Enquanto pensava quando Haruhi se tornou mais alta que eu, percebi que ela estava usando sapatos de salto também.

Haruhi apanhou a mala cheia de panfletos.

“Vamos lá Mikuru-chan”. Asahina cruzou as mãos por sobre o peito e me olhou implorando ajuda. E eu só podia olhar para ela naquela fantasia.

Desculpe-me, mas não consigo oferecer nenhuma resistência.

Asahina tentava se agarrar a mesa e resistir, soluçando como uma criança, porém ela não era páreo para força de Haruhi. Ela foi arrastada para fora, e as duas Bunny-gals desapareceram da sala. Eu me sentei deprimido, me sentindo culpado.


“Aquilo.”

Yuki Nagato apontou para o chão. Vi dois uniformes jogados lá…. erm, o que eu acabei de ver é um sutiã? A garota de óculos e cabelos curtos apontou para o armário no outro lado da sala e continuou lendo seu livro.

Você não pode pegar as roupas sozinha?

Eu suspirei e fui pegar as roupas, as colocando no armário. Ah~!~, você pode sentir a temperatura dos corpos delas nas roupas. Elas ainda estavam quentes!

Uma hora e meia depois, uma Asahina exausta retornou. Whoa, seus olhos estavam vermelhos como o de um coelho, mas era melhor não falar nada ainda. Me apressei para lhe dar uma cadeira, mas como da última vez, ela simplesmente sentou e caiu sobre a mesa, com seus ombros tremendo. Parecia que ela não tinha forças para mudar. Mas encarando suas costas nuas, eu não sabia mais para onde olhar, então tirei minha blusa e joguei sobre seus ombros. A presença de uma garota soluçante, e uma rata-de-biblioteca que não se importava com o que acontecia ao seu redor, junto comigo que não sabia o que deveria ser feito, levou a atmosfera da sala para baixo. Os gritos do Clube de Baseball podiam ser ouvidos ao longe.

Enquanto estava pensando o que teríamos no jantar esta noite, Haruhi havia retornado. A primeira coisa que fez foi esbravejar loucamente.

“Malditos! Mas que inferno, esses malditos professores! Eles sempre ficam no caminho!”

Não tendo muita certeza do porque dela estão tão brava, perguntei:

“Qual é o problema?”

“Eu não havia entregado nem metade dos panfletos, quando chegou um professor estúpido pedindo para pararmos com aquilo! Mas que diabos há de errado com ele?”

Sua estúpida. Se os professores ignorassem estudantes vestidas de Bunny-gal e entregando panfletos no portão da escola, ai sim seria anormal!

“Mikuru-chan estava quase chorando, e eu fui levada pra ver o coordenador, então aquele Okabe do Clube De Handball apareceu!”

Suponho que nem o coordenador nem Okabe-sensei sabiam para onde olhar quando viram vocês vestidas assim.

“Cara, isso me irrita! Isso é tudo por hoje, dispensados!”

Haruhi lentamente tirou as orelhas de coelho, e continuou tirando o resto de sua fantasia. Então corri imediatamente para fora da sala.

“Quanto tempo vai ficar chorando? Apresse-se e se troque!”

Encostei-me no corredor e esperei que elas se trocassem. Não parecia que Haruhi era uma exibicionista, ela apenas não tinha idéia do efeito que a visão dela seminua causava nos garotos. A razão dela se vestir numa fantasia de Bunny-gal não era para mostrar seu corpo sexy, mas apenas chamar a atenção das pessoas. Nesse ponto de vista, não havia como ela viver um relacionamento romântico normal. Eu gostaria que ela tivesse mais consideração sobre o que os homens pensam. Pelo menos consideração por mim! Honestamente ficar perto de uma pessoa louca é algo realmente exaustivo. Além do mais, eu desejava isso para o bem de Asahina. Certo… Nagato-san, pelo menos nos deixe saber a sua opinião sobre isso! Momento depois, Asahina emergiu da sala, nos mostrando uma triste expressão de quem acaba de reprovar em seus exames. Ela tinha que se apoiar em uma parede, se não certamente iria cair. São sabendo o que dizer me restou manter o silêncio.

“Kyon-kun…”

Sua voz melodiosa soava como um daqueles fantasmas de navios de cruzeiro naufragados.

“Se acontecer alguma coisa e eu não puder me tornar uma noiva, você ficaria comigo?”

Erm, o que eu deveria dizer? E porque você está me chamando de Kyon também?

Asahina devolveu minha blusa de forma robótica. Justo quando pensava se ela ia cair sobre meu peito e chorar, ela já estava indo embora.


Droga… mais que pena!


No dia seguinte, Asahina tirou uma folga.

Haruhi já era suficientemente famosa na escola, mas depois do incidente da Bunny-gal, seu nome e excentricidade se tornaram parte das lendas da escola. Não que eu me importe, afinal não sou eu o responsável pelas ações de Haruhi. O que me incomoda é: as ações de Suzumiya Haruhi fizeram que todos passassem a criar rumores sobre Mikuru Asahina também. Isso e os olhares estranhos que ela recebia de todos na escola.

“Hei, Kyon… Parece que você está se divertindo com Suzumiya… ”

Após as aulas Taniguchi disse para mim em um tom condolente - “Eu nunca pensei que vocês se tornariam bons amigos… parece que nada é impossível nesse mundo!”

Ah, cala a boca!

“Ontem foi surpreendente! Ver garotas vestidas daquela maneira assim que estava voltando para casa; eu achei que estava sonhando!”

Kunikida se juntou a conversa, carregando um panfleto familiar.

“O que é a Brigada SOS? Sobre o que é

Vá perguntar isso para Haruhi, eu não sei, ou melhor, não quero saber. E mesmo se soubesse, eu não gostaria de dizer a você!

“Diz que aceitam qualquer evento paranormal, mas não define quais e o que são. E o que significa ‘não aceitamos eventos paranormais comuns’?”

Até mesmo Ryouko Asakura veio conversar comigo.

“Você parecem estar fazendo coisas interessantes. Mas isso é um pouco exagerado, eu aconselho vocês a pararem logo. Honestamente vocês foram longe demais ontem.”

Se eu soubesse disso, deveria não ter vindo às aulas hoje!

Haruhi continuava irritada. Por um lado, ela esta irritada com os professores por impedir que ela entregasse os panfletos; de outro, estava irritada, pois a caixa postal do e-mail da Brigada SOS continuava vazia. Eu esperava um ou dois e-mails de brincadeira, mas as pessoas eram mais racionais do que eu pensava. Será porque ninguém queria ter nada a ver com Haruhi, e se meter em confusão?

Haruhi resmungava para a caixa de entrada vazia, chacoalhando o mouse vigorosamente.

“Porque ninguém manda nenhum e-mail?”

“Não teve ontem e nem hoje. Talvez as pessoas que presenciaram algo que poderiam contar, mas não podem confiar em um clube suspeito como o nosso?”

Tentei explicar, mas sem sucesso em convence-la.

Você já presenciou um evento paranormal? Sim. Oh isso é ótimo, por favor, me conte agora. Certo, então…

Por favor! Algo como isso nunca aconteceria, ok? Agora me ouça Haruhi! Esse tipo de coisa só iria acontecer em uma revista em quadrinhos ou em um livro. A vida real é muito cruel e rígida. Coisas como conspirações para destruir o mundo vindas de uma escola publica normal, organismos mutantes andando por uma pacifica área suburbana, ou uma espaçonave escondida dentro de uma montanha, todas essas coisas são impossíveis. Impossíveis! Você pode me ouvir? Você entende agora não entende? Todo esse seu comportamento excêntrico é resultado de você não achar uma maneira de expressar suas emoções negativas, certo? Mas, agora é hora de acordar. Você deve se acalmar e achar um namorado que te leve pra casa todos os dias e ao cinema aos sábados, ou talvez entrar em algum clube esportivo para liberar esse excesso de energia. Com suas habilidades, você pode entrar no time principal em um instante, se tornando um membro ativo.

… era o que queria dizer, mas eu apenas disse umas cinco frases antes que os punhos de Haruhi começassem a vir em minha direção. É melhor parar por aqui…

“Mikuru-chan não veio hoje, não é?”

“Talvez ela nunca mais volte. Pobre garota, espero que ela não fique traumatizada com o que aconteceu ontem.”

“Droga, eu havia preparado uma nova fantasia para ela usar hoje!”

“Você não pode provar em si mesma?”

“Claro que posso! Mas é muito chato sem a Mikuru-chan.“

Yuki Nagato se fundiu com o cenário a ponto de se tornar invisível. Estranho, por que você está tão obcecada com a Asahina; por que você não pode tentar por uma mísera vez botar a fantasia em Nagato e a forçar a brincar com você? Não sei se deveria dizer isso, mas pensando um pouco, eu gostaria de ver como a geralmente inexpressiva Nagato ficaria em uma fantasia de Bunny-gal. Passaria uma sensação bem diferente da normalmente chorosa Asahina.


O estudante transferido que Haruhi tanto esperava enfim havia chego!

Haruhi me contou as noticias antes da aula.

“Você não acha isso ótimo? Ele está realmente vindo!”

Haruhi se inclinou em minha direção, falando com excitação. Seu sorriso brilhante era como de uma criança de jardim de infância que finalmente conseguira o brinquedo que desejava. Não sei onde ela ouviu, mas o estudante transferido iria pra a classe 1-9.

“Essa é um chance única na vida. É uma pena que não estamos na mesma sala, mas ele é definitivamente um misterioso estudante transferido, não há engano!”

Você ainda nem o conheceu, então como você sabe que ele é um misterioso estudante transferido?

“Eu já não disse isso antes? Uma alta porcentagem daqueles que são transferidos no meio do ano letivo são anormais.”

Quem no mundo fez essa esta estatística? Eu digo que é um mistério por si próprio.

Se todos que são transferidos no meio de maio são anormais, então deve haver uma tonelada de misteriosos estudantes transferidos pelo Japão. Mas mais maneira de Haruhi pensar não poderia ser definida pela lógica. E após o primeiro sinal, Haruhi instantaneamente correu para fora da sala. Ela provavelmente estaria indo visitar o misterioso estudante transferido na sala 1-9. Após o sinal tocar novamente sinalizando o inicio da aula, Haruhi retornara com um rosto confuso.

“Então ele é um misterioso estudante transferido…?”

“Hmm… Não se parece com um.”

É claro que não!

Eu tentei falar com ele, mas não tinha informação o suficiente. Talvez ele esteja apenas agindo como uma pessoa normal; acredito que isso seja altamente provável. Depois de tudo, não é como se eles fossem revelar suas identidades no dia em que foram transferidos. Vou perguntar novamente no próximo intervalo.”

Por favor, não vá falar com ele novamente! Eu posso imaginar os estudantes da sala 1-9, que não tinham nada a ver com Haruhi, sendo assustados até a morte por ela subitamente aparecendo enquanto agarrava um deles gritando “Onde está o estudante transferido?”, antes de correr para cima dele. Ou, ela iria se intrometer enquanto ele conversava com os amigos para perguntar coisas como: “De onde você é?”, “Quem é você na verdade?”.

Nesse momento, eu pensei em algo mais.

“Esse estudante transferido é um garoto ou uma garota?”

“Tirando a possibilidade de haver um engano, ele parece ser um homem.”

Então era um homem!

Parecia ser a chance da Brigada SOS recrutar outro membro masculino além de mim. Haruhi iria arrastar aquele estudante sem ouvir suas opiniões simplesmente porque ele era novo. Mas, talvez ele não fosse tão legal quanto eu ou Asahina. Ela poderia realmente o levar para o clube? Não importa o quão grande fosse à força de vontade de Haruhi, alguém com uma opinião forte iria simplesmente ignorá-la!

Enquanto tivéssemos os números, a “Brigada para Salvar o mundo enquanto o enche de diversão de Suzumiya Haruhi” se transformaria em uma associação. Não importa se a escola reconhece ou não, e pessoa que teria que fazer todo o trabalho burocrático seria alguém como… eu! Para os próximos três anos, eu teria que carregar o nome de “subordinado de Suzumiya Haruhi” e viver meus dias em desespero.

Eu não havia pensado no que faria depois de me formar, mas sabia que queria ir para uma universidade, então deveria atentar mai para meu comportamento. Mas enquanto eu estava perto de Haruhi, esse desejo parecia cada vez mais longe de se tornar realidade.


O que eu deveria fazer?


Eu não sabia o que fazer.

Eu só sabia que deveria confrontar Haruhi, fazê-la acabar com a Brigada SOS, e fazer meu melhor para convencê-la a viver uma vida escolar normal. Talvez eu conseguisse fazê-la parar de pensar em aliens e viajantes do tempo, se acalmar e encontrar um namorado, ou se juntar a algum clube esportivo, e se contentar com os três anos de ensino médio.

~ Suspira ~, seria ótimo se eu pudesse ter feito isso!

Se tivesse uma força de vontade maior, talvez não tivesse sido sugado indefeso para dentro do redemoinho centrado em volta de Suzumiya Haruhi. E poderia ter vivido esses três anos de ensino médio e me formado normalmente.

… sinceramente, gostaria que tivesse sido assim!

Entretanto, a razão de estar dizendo isso foram os estranhos eventos que aconteceram comigo tempos depois; acredito que todos entendem agora?

Por onde devo começar?

Certo, vamos começar do momento aonde estudante transferido chegou a nossa sala.




Capítulo 3[edit]

Capítulo 3


Devido ao infame incidente das Bunny-gals Asahina se tornou um nome recorrente na escola, depois de tirar um dia de folga, ela novamente aparecera cabisbaixa na sala do clube.

Como não tínhamos nenhuma atividade decente para o clube, eu levei um tabuleiro de Othelo [1], que estava esquecido há muito tempo em casa, para jogar um pouco com Asahina enquanto conversava.

1-[Nota do tradutor: Othelo é um jogo de tabuleiro muito semelhante ao Go, também conhecido como Reversi].

O site estava pronto, mas era inútil se não havia nenhum visitante, nem um mísero e-mail. O computador só era bom para acessar a internet. Se o pessoal do Clube de Informática descobrisse isso, eles chorariam até a morte.

Sentado ao lado de Yuki Nagato - que como sempre lia seu livro - eu iniciei a terceira rodada de Othello com Asahina.


“Suzumiya-san está realmente ocupada” - Asahina disse gentilmente enquanto olhava para o tabuleiro.

Vendo que ela não estava abalada pelo que acontecera antes, suspirei aliviadamente. Não importa como, mas estar na mesma sala de uma garota bonita que é sua veterana é o suficiente para fazer qualquer um ficar tonto.

“Há um estudante transferido chegando hoje, aposto que ela foi vê-lo.”

“Estudante transferido?”

Asahina ergueu a cabeça como um pequeno pássaro.

“Haruhi estava excitada quando ouviu que havia um estudante transferido na classe nove. Ela parece gostar realmente de estudantes transferidos!”

Eu coloquei uma peça preta no tabuleiro e virei algumas brancas.

“Uh huh...”

“Ah então, Asahina-san, eu nunca pensei que você viria hoje!”

“Um... eu hesitei por um momento, mas estava um pouco preocupada, então acabei vindo.” Onde eu ouvi você dizer isso antes?

“Estava preocupada com o que?”

Smack! Ela virou uma das peças do tabuleiro com seus pequenos dedos.

“Uhm... nada.”

Eu me virei e percebi Nagato observando o tabuleiro. Seu rosto era estático como uma boneca de barro, mas embaixo daqueles óculos, seus olhos mostraram um brilho nunca antes visto.

“...”

Seu olhar era como de um gato recém nascido impressionado ao ver um cão pela primeira vez.

Eu tracei a sua visão em direção a minha mão enquanto segurava a peça.

“... Nagato-san, você quer jogar?”

Após dizer aquilo, Nagato piscou seus olhos mecanicamente, de uma forma minúscula a qual você não perceberia sem que prestasse bastante atenção, ela balançou sua cabeça levemente. Então troquei de lugar com Nagato e sentei ao lado de Asahina. Nagato pegou uma das peças e a observou intensamente. Quando descobriu que as peças eram grudadas umas as outras porque eram magnéticas, ela recuou as mãos como se estivesse estarrecida.

“Nagato-san, você já jogou othello antes?”

Ela abanou a cabeça lentamente.

“Você conhece as regras pelo menos?”

A resposta era negativa.

“Vamos ver, você está com as pretas, seu objetivo é circundar as peças brancas com as suas peças pretas. Então quando isso ocorrer você gira as peças brancas, as transformando em pretas. No final, quem tiver mais peças vence.”

Ela assentiu com a cabeça. Após isso ela colocou elegantemente as peças no tabuleiro, mesmo assim ela era um pouco desajeitada ao girar as peças do oponente.

Depois que o oponente mudou, Asahina começou a parecer mais ansiosa. Percebi que seus dedos começaram a tremer, e ela não ousava erguer sua cabeça para olhar nos olhos de Nagato. Ela ocasionalmente olhava para Nagato e desviava o olhar rapidamente, coisa que ela fez várias vezes. No final, talvez Asahina não conseguisse se concentrar, então as peças pretas tomaram uma clara vantagem no jogo.

Por quê? Asahina parecia estar realmente receosa a respeito de Nagato, eu só não entendia o motivo.

Não demorou para que as pretas vencessem. Quando as duas estavam para começar uma nova rodada, a culpada por todo aquele caos retornou com um novo sacrifício.

“Hei, desculpem por deixar vocês esperando!”

Haruhi nos saudou casualmente enquanto puxava as mangas de um estudante.

“Esse é o novo estudante transferido do primeiro ano da classe nove, seu nome é ...”

Haruhi parou repentinamente e deu um olhar de “está é a sua deixa”. O sacrifício sorriu para nós.

“... Itsuki Koizumi, prazer em conhecê-los.”

Uma figura esbelta, ele dava a impressão de ser um jovem enérgico. Um sorriso muito contente, e um rosto bonito. Se ele pousasse como modelo de um desses panfletos de supermercado, certamente conseguiria muitas fãs. Se ele fosse um cara legal, seria ainda mais popular.

“Essa é a sala da Brigada SOS. Eu sou a comandante Suzumiya Haruhi. Esses são os subordinados um, dois, e três. Oh, você é o número quatro, lembre-se bem disso!”

Que tipo de apresentação é essa!? Os únicos nomes citados foram o seu e o dele!

“Eu não me importo em me juntar a vocês!”

Koizumi, o estudante transferido, sorriu simpaticamente:

“Então, que tipo de clube é esse?”

Se cem pessoas estivessem lá, elas certamente fariam a mesma questão. Um monte de gente já havia vindo até mim para fazer esta pergunta, mas eu nunca consegui uma resposta para tal. Se alguém conseguisse responder aquilo tão habilmente esta pessoa seria certamente um artista talentoso! Haruhi não parecia se abalar, de qualquer forma, ela sorriu animada para nós e disse:

“Então me deixe dizer a vocês do que Brigada SOS trata, é isso ...”

Haruhi lentamente inspirou, e dramaticamente revelou a chocante verdade.

“Para encontrar aliens, viajantes do tempo, e espers, e fazer amizade com eles!”


O tempo do mundo inteiro pareceu parar por um instante.

Essa é uma constatação um tanto ridícula. A única coisa em minha mente agora era: “Justo como eu pensei”. Mas os outros três não pensavam assim.

Asahina estava completamente pasma, arregalando seus olhos e ouvidos enquanto olhava para a empolgada Haruhi. Yuki Nagato permanecia a mesma, após virar sua cabeça na direção de Haruhi, ela parou como se estivesse sem baterias. O que mais me surpreendeu foi que, os olhos de Nagato se abriram um pouco, para alguém que não mostra muitas expressões, essa foi uma reação inesperada.

Foi assim com Koizumi, ele deu um sorriso enigmático; seria difícil entender o que aquele sorriso significava. Momentos depois, ele foi o primeiro a recuperar os sentidos.

“Ah, entendo.”

Como se entendesse algo, ele olhou para Asahina e Nagato, e abanou a cabeça em compreensão.

“Como esperado de Suzumiya-san.”

Após dizer aquilo ele continuou:

“Sem problemas, eu me juntarei. Espero que possamos trabalhar juntos.”

Ele sorriu mostrando seus dentes brancos e brilhantes.

Ei! Você vai aceitar essa explicação assim? Você realmente ouviu o que ela disse?

Percebendo meu olhar confuso, Koizumi repentinamente veio em minha direção e estendeu sua mão.

“Eu me chamo Koizumi. Fui transferido hoje, então ainda tenho muita coisa para aprender. Prazer em conhecê-lo.”

Eu apertei educadamente a mão de Koizumi.

“Certo, eu me chamo ...”

“Ele é o Kyon!”

Haruhi me apresentou com seus próprios parâmetros, e apontou para as duas: “A bonitinha é a Mikuru-chan, e a quatro olhos é a Yuki-san.”

Crash!

Um ruído alto estremeceu a sala. Era Asahina que tropeçara sobre a cadeira enquanto tentava levantar, e que pousara de cabeça sobre o tabuleiro de Othello.


“Tudo bem com você?”

Ao ouvir a voz de Koizumi, Asahina reagiu virando seu rosto de boneca e olhando radiantemente para o novo estudante. Hmph! Isso é irritante, aquele olhar.

“... e… eu estou bem.” – disse Asahina baixinho, olhando tímida para Koizumi.

“Ótimo, agora temos cinco membros! A escola não pode fazer mais nada agora!”

Haruhi continuou:

“Certo, a Brigada SOS está aberta a negócios! Gente, vamos todos trabalhar juntos e avançar!”

O que você entende como aberta a negócios, senhorita?

Quando percebi, Nagato voltou a sentar e ler seu livro de capa dura. Nagato-san, Haruhi já contou você como um membro, você realmente está de acordo com isso?

Logo depois Haruhi disse que queria levar Koizumi por um tour pela escola e saiu. Asahina disse que tinha coisas a fazer em casa, então apenas eu e Nagato ficamos para trás.

Eu não estava com humor para jogar Othello, e não era muito divertido observar Nagato lendo, então decidi ir para casa também. Eu peguei minha mala e me despedi dela.

“Eu vou indo então!”

“Você leu o livro?”

Ouvindo-a dizer aquilo, eu parei meus passos. Virando para trás observei Yuki Nagato me olhando com aqueles olhos quase inexpressivos.

“Que livro? Ah, você diz aquele grosso que você me emprestou outro dia?”

“Sim.”

“Oh, eu ainda não li ele... talvez eu deva devolvê-lo para você?”

“Não há necessidade disso.”

Nagato nunca dosava suas palavras, ela sempre ia direto ao ponto em uma sentença curta.

“Lembre-se de lê-lo hoje.”

Nagato disse calmamente.

“Assim que você chegar em casa.”

Sua voz exibia um certo tom de comando.

Tirando os exigidos pela aula de literatura, eu raramente tocava em novelas, mas como Nagato me recomendou, deveria ser bastante interessante.

“... certo então!”

Ao ouvir minha resposta Nagato voltou a ler o seu livro.

Assim, eu me encontrei pedalando minha bicicleta o mais rápido que podia no meio da escuridão.


Eu voltei para casa após me despedir de Nagato, e fui direto para o meu quarto após o jantar para começar a ler aquela novela de ficção cientifica estrangeira que ela havia me entregue. Quando eu já estava ficando tonto com o mar de palavras complicadas, decidi virar a página, imaginando se algum dia eu conseguiria terminar de ler aquilo, e então um marcador de página caiu do livro sobre o tapete.

Era um marcador estranho com estampas de flores impressas em si. Eu o virei e encontrei uma linha de palavras escritas.


Sete em ponto, esperarei você na praça do lado de fora da estação.


As palavras eram tão bonitas, como se tivessem sido escritas em um editor de textos. Essa caligrafia discreta parecia com a de Nagato, mas não estava certo disso.

Eu estava com o livro faz alguns dias. O horário escrito era as sete daquela noite? Então era as sete de hoje? Ela poderia sentir que eu eventualmente encontraria esse marcador um dia, e esperaria na praça toda a noite? Então a razão para que Nagato pediu para que eu lesse o livro hoje era para descobrir o marcador hoje? Então, porque ela não simplesmente me contou diretamente? Além do mais, eu não sabia o porquê dela ter me chamado para ir a praça.

Eu olhei para o meu relógio; eram quinze para as sete. Mesmo se a estação fosse a mais próxima a escola, eu demoraria pelo menos vinte minutos para chegar daqui até lá de bicicleta.

Eu pensei naquilo por uns dez segundos.

Eu enfiei o marcador no bolso do meu jeans antes de correr para fora do meu quarto e descer as escadas como um coelho veloz. Eu cheguei até a entrada e vi minha irmã chegando, carregando um sorvete e perguntando: “Onde você está indo Kyon-kun?”, eu respondi “A estação”, pulei em cima da bicicleta encostada na porta, e pedalei para meu destino.

Se Nagato não estivesse lá eu riria muito de mim mesmo.

Mas parece que eu não poderei rir.

Como um ciclista cuidadoso, me tomou até sete e dez para chegar até a praça em frente à estação. Como a praça era distante da estrada principal, não havia muita gente lá a essa hora do dia.

Sobre o barulho dos carros e trens, eu carreguei minha bicicleta e andei pelo parque. Sob as luzes das igualmente espaçadas luzes dos postes adiante, eu conseguia ver a esguia figura de Yuki Nagato em um dos longos bancos da praça.

Ela certamente era o tipo de pessoa cuja presença não era facilmente detectada. Com ela sentada quietamente no parque, alguém que não a conhecia poderia a confundir com um fantasma!

Nagato levantou-se lentamente como um fantoche de cordas.

Ela ainda vestia seu uniforme.

“Você esta contente com eu finalmente ter vindo?”

Ela concordou com um movimento de cabeça.

“Você não esperou aqui todos os dias, não?”

Ela concordou novamente.

“.... é algo que você não poderia me contar na escola?”

Nagato acenou a cabeça em confirmação e andou em minha frente.

“Por aqui.”

Após essas duas palavras, ela se virou e seguiu reto. Sua maneira de andar era como de um ninja: nenhum passo podia ser ouvido. Eu apenas podia seguir Nagato relutantemente, que se misturava perfeitamente com a noite.

Após alguns minutos de caminhada e sentindo a brisa batendo em seus cabelos gentilmente, chegamos a um conjunto de apartamentos próximos a estação.

“Bem aqui.”

Nagato retirou seu cartão e passou pelo sensor eletrônico na entrada; a porta de vidro em nossa frente se abriu. Eu deixei minha bicicleta na entrada e segui próximo a Nagato, que já estava se dirigindo ao elevador. Dentro dele, ela parecia ter algo em mente, mas não disse nada, olhando fixamente para o painel de números. Finalmente o elevador chegou ao sétimo andar.

“Desculpe-me, mas onde estamos indo?”

Era um pouco tarde para perguntar aquilo. Nagato que percorria vagarosamente o corredor respondeu:

“Minha casa.”

Eu parei de vez. Espere um pouco! Por que ela esta me levando para sua casa?

“Não se preocupe, não tem mais ninguém lá dentro.”

Espere, o que isso deveria significar?

Nagato abriu a porta para o quarto 708 e se virou para mim.

“Entre.”

Você está falando sério?

Eu tentei me manter calmo e entrei tremendo. Assim que tirei meus sapatos Nagato fechou a porta.

Me sentia como se estivesse acabado de embarcar em um navio pirata, eu apreensivamente me virei para o som dominante da porta sendo fechada.

“Venha.”

Nagato disse aquilo monotonamente e retirou seus sapatos. Se o apartamento fosse escuro, eu ainda poderia ter fugido. Porém ele era iluminado claramente, fazendo que o apertado apartamento parecesse ainda menor.

Eu supus que era um daqueles condomínios chiques. Por ser perto da estação, o preço devia ser bastante alto.

Mas por que parecia que ninguém vivia lá?

Além da sala de estar - que tinha uma pequena mesa com um cobertor elétrico - não havia nada mais. Não existiam cortinas nas janelas, e nenhum carpete sobre o chão de madeira.

“Sente-se.”

Nagato disse antes de entrar na cozinha, então me ajeitei embaixo da mesa da sala de estar.

As razões para que uma garota convidasse um garoto para sua casa enquanto seus pais estão fora giravam em minha cabeça, quando Nagato, se movendo como um boneco mecânico, colocou uma bandeja com uma pequena chaleira e copos de chá na mesa, depois se sentou discretamente em seu uniforme, em minha frente.

Após isso, o silêncio perturbador.

Ela nem ao menos serviu o chá para mim, apenas estava sentada lá me olhando inexpressivamente. Olhando isso eu ficava ainda mais desconfortável.

“Erm... onde está a sua família?”

“Não há nenhuma.”

“Bem, eu vejo que eles não estão em casa... eles saíram?”

“Eu tenho sido a única aqui desde o começo.”

Era a primeira vez que via Nagato usando uma sentença longa.

“Você não pode estar vivendo sozinha, pode?”

“Sim.”

“Está bom?”

Wow, uma estudante de primeiro ano vivendo sozinha em um apartamento de alta classe! Deveria haver uma razão realmente especial para aquilo, certo? Eu suspirei em alivio quando percebi que não precisava conhecer os pais de Nagato. Espera um pouco! Não é hora de ficar aliviado!

“Certo, porque você queria me ver?”

Como se estivesse lembrando-se de algo, Nagato começou a despejar chá em um dos copos e empurrou para mim.

“Beba.”

Eu comecei a beber o copo de chá forçosamente. Todo o tempo Nagato me observava como se observa uma girafa no zoológico, então não consegui me concentrar em beber.

“Está bom?”

Era a primeira vez que a via perguntar algo.

“Sim...”

Após acabar, coloquei o copo sobre a mesa, e Nagato o encheu novamente instantaneamente. Como ela o encheu, era melhor beber aquilo. Quando acabei ela encheu um terceiro copo para mim. Finalmente, a chaleira estava vazia. Nagato se levantou para encher a chaleira. Eu a impedi.

“Não há necessidade de me servir mais chá, você pode, por favor, me dizer o motivo de ter me trazido até aqui?”

Depois que eu disse aquilo ela parou o que estava fazendo e voltou a sua posição sentada, como um vídeo rebobinando. Ela estava parada e calada.

“O que não pode ser dito na escola?” - eu perguntei inquisitoriamente.

Finalmente Nagato moveu seus lábios.

“É sobre Suzumiya Haruhi.”

Ela alinhou sua postura e se sentou elegantemente.

“E sobre mim.”

Ela parou por um instante.

Eu realmente não entendia seu estilo de falar.

“O que tem Suzumiya e você?”

Nesse momento, Nagato mostrou um olhar de desconforto. Essa era a primeira vez que havia visto ela uma expressão desde que a conheci. De qualquer maneira, essa demonstração emocional dela era minúscula; tinha que ser muito observador para perceber.

“Não consigo expressar isso completamente através de palavras, então poderá haver muitos erros na transmissão de dados. De qualquer maneira, ouça.”

“Suzumiya Haruhi e eu não somos humanos comuns.”


Uma sentença tão ambígua já no começo da conversa.

“Bem, eu já havia meio que percebido isso.”

“Não é isso.”

Nagato continuou, olhando para as mãos paradas sobre seu colo.

“Eu não me refiro em termos de desvios de personalidade, quando digo isso significa que ela e eu não somos seres humanos comuns como você.”

Eu não entendia o que ela estava tentando dizer.

“A Entidade Senciente de Dados Integrados, que observa essa galáxia, criou uma Interface Humanóide viva, ordenada a interagir com entidades biológicas – eu.”

“...”

“Meu trabalho é observar Suzumiya Haruhi e enviar os dados obtidos para a Entidade Senciente de Dados Integrados.”

“...”

“Estou fazendo isso desde fui criada três anos atrás. Nos últimos três anos, nenhum elemento incomum foi descoberto, e as coisas estavam bem estáveis. De qualquer maneira, um fator externo apareceu ao lado de Suzumiya Haruhi, e isso não pode ser ignorado.”

“...”

“E esse fator é você.”


O que é a Entidade Senciente de Dados Integrados?

No vasto mar de dados conhecido como o universo existem diversas entidades de dados sencientes que não possuem existência corpórea.

Essas entidades são compostas de dados puros. Quando todo o tipo de dados se junta, eles se tornam sencientes, e finalmente evoluem coletando outros dados.

Como eles existem apenas como dados, e não possuem existência corpórea, eles não podem ser detectados, nem mesmo com os mais avançados dispositivos ópticos.

Antigos como o próprio universo, eles se expandiram junto com ele, e o banco de dados relativo se tornou cada vez maior e mais extenso.

Desde a formação desse planeta, desculpe, desde a formação desse sistema solar, nada no universo é desconhecido a eles. Para eles, esse planeta da borda da Via Láctea não tem nada de especial, pois existem numerosos planetas da galáxia com formas de vida orgânicas sencientes como este, tão numerosos que não podem nem ser contados.

De qualquer forma, quando a evolução dessas formas de vida bípedes no terceiro planeta de seu sistema solar se tornou um sucesso, essas criaturas gradualmente adquiriram a habilidade mental de procurar conhecimento ativamente. Essa forma de vida que vivia no planeta conhecido como Terra começou a se tornar importante.


“Por um longo tempo, nós acreditamos na impossibilidade da existência de formas de vida orgânicas, que possuíam capacidades limitadas de coleta e transmissão de dados, para serem capazes de adquirir conhecimento” - Yuki Nagato dizia em um tom sério.

“A Entidade de Dados Integrados está muito interessada em todas as formas de vida orgânica na Terra. Eles acreditam que pela observação, podem encontrar a solução para seu próprio beco sem saída evolucionário.”


Diferentemente das entidades de dados, que existem desde o começo em sua forma completa, os humanos começaram em uma forma orgânica incompleta, rapidamente evoluíram através da expansão dos dados coletados e usando esses dados, que eram salvos e otimizados, para evoluírem a si mesmos.

É normal para todas as formas de vida orgânicas do universo se tornarem sencientes, mas apenas os humanos na Terra evoluíram continuamente para um nível de senciência maior. A Entidade de Dados Integrados está muito curiosa sobre isso, e decidiram observar os humanos mais a fundo.


“Três anos atrás, nós descobrimos um anormal ponto fervilhante de dados diferente dos outros humanos surgindo na superfície deste planeta. As centelhas de informação emitidas de certa área de certo arquipélago em forma de arco cobriu o planeta instantaneamente, e começou a se propagar em direção ao espaço. E o centro de tudo isso estava Suzumiya Haruhi.”


“Nós não sabemos o que aconteceu, e nem os efeitos resultantes disso. Mesmo as entidades de dados eram incapazes de processar completamente os novos dados que estavam sendo criados.”

“O mais importante é que, humanos estão limitados apenas pela quantidade de dados que podem processar, mas Suzumiya Haruhi é capaz de criar centelhas de dados por si mesma.”

“O lançamento de quantidades massivas de dados vindos de Suzumiya Haruhi continuou a acontecer, em intervalos completamente randômicos. Porém, a própria Suzumiya Haruhi parecia não estar consciente disso.”

“Por três anos, eu conduzi todos os tipos de investigação sobre o individuo conhecido como Suzumiya Haruhi de todas as perspectivas, mas até agora eu não consegui verificar sua real identidade. Simultaneamente, parte da Entidade de Dados Integrados determinou que ela era a chave para a evolução das entidades de dados, e continuaram com suas analises sobre Suzumiya Haruhi.”


“Como existem apenas como entidades, elas são incapazes de falar e de interagir com formas de vida orgânicas. Sem a capacidade de comunicação, contato com os humanos seria impossível, então a Entidade de Dados Integrados me criou como o elo de comunicação entre eles e os seres humanos.”

Finalmente, Nagato pegou seu copo e sorveu seu chá. Ela provavelmente disse palavras o suficiente para o ano inteiro.

“...”

Eu não sabia como responder.

“O potencial para a evolução auto-induzida talvez seja possuída por Suzumiya Haruhi; ela talvez tenha a habilidade de controlar todos os dados ao seu redor. Esse é o porquê de eu estar aqui, e também é o porquê de você estar aqui.”

Meu cérebro estava ficando tão confuso, eu interrompi:

“Para ser honesto, eu não tenho a menor idéia do que você está falando.”

“Por favor, acredite em mim.”

Nagato me olhou com uma expressão seria que eu nunca tinha visto antes.

“É uma quantidade de dados muito limitada que pode ser transmitida com palavras. Eu sou apenas uma interface terminal para os dados, vivendo como um alienígena orgânico no intuito de interagir com os humanos. Eu sou incapaz de revelar todos os pensamentos da Entidade de Dados Integrados para você, então entenda, por favor.”

Mesmo você dizendo isso, eu continuo não entendendo nada!

“Eu não entendo, porque me procurar? Vamos dizer que eu acredite que você é um alien criado por aquela entidade o-que-quer-que-você-a-chame, mas por que você está me contando isso?”

“Porque você foi especificamente escolhido por Suzumiya Haruhi. Pretendendo ou não, ela, como uma entidade de dados absoluta, pode influenciar o ambiente ao seu redor baseado em suas intenções individuais. Deve haver alguma razão para que você tenha sido escolhido.”

“Não, não há!”

“Sim, ela existe. Talvez para Suzumiya Haruhi, você represente um papel crucial. As possibilidades infinitas estão agora em suas mãos e nas de Suzumiya Haruhi.”

“Você tá falando sério?”

“Sim.”

Pela primeira vez, eu estudei cuidadosamente a face de Nagato. Eu achei que ela não gostasse de falar, mas agora que ela abriu as comportas e deixou as palavras fluírem, todas estas palavras que eu não entendia. Eu sempre senti que ela era estranha de certa maneira, mas após ouvir o seu discurso, descobri que sua estranheza estava além da minha imaginação.

Entidade Senciente de Dados Integrados? Interface Humanóide Viva?

Me dá um tempo!

“Oh, certo, eu acho que você deve contar isso diretamente para Haruhi, eu aposto que ela se sentiria muito deleitada. Para ser franco, não me interesso por esse tipo de assunto, eu sinto muito.”

“A maior parte da Entidade de Dados Integrados especula que se Suzumiya Haruhi se tornar consciente dos próprios poderes e existência, uma crise nunca antes vista poderá ocorrer; nesse ponto nós preferimos continuar observando.”

“Está ai a minha chance, vou contar tudo isso para Haruhi! Eu não entendi, porque me contar tudo isso?”

“Mesmo se você disser a ela, provavelmente ela o ignorará.”

Provavelmente isso irá ocorrer.

“Eu não sou a única alienígena colocada na Terra pela Entidade de Dados Integrados. A entidade pretende tomar um papel pró-ativo e observar qualquer mudanças no fluxo de dados. Para Suzumiya você é uma pessoa importante. Se existir sinais de uma crise emergindo, procurarei você em primeiro lugar.”

Perdão, mas me exclua disso.

Por favor, me desculpe obrigado pelo chá, foi legal.

Vendo-me prestes a sair, Nagato não tentou me parar.

Ela abaixou a cabeça e olhou para o copo de chá, voltando ao seu normal modo inexpressivo. Acho que foi só a minha imaginação, mas por alguma razão achei que ela parecia um pouco solitária.


Quando minha mãe perguntou onde eu estava, dei uma resposta breve e fui direto para o meu quarto. Estirado em minha cama, eu comecei a relembrar de tudo que Nagato disse.

Se eu acreditasse no que ela disse, isso transformaria Yuki Nagato em um ser de fora deste mundo; em outras palavras, um alien.

Não era o tipo de coisa mística que Suzumiya Haruhi estava procurando tão arduamente todos os dias?

E todo o tempo estava debaixo de nosso nariz.

... heh... dane-se! Eu pareço um idiota falando isso!

Meus olhos apanharam o livro grosso que fora arremessado no canto da cama. Eu peguei-o com o marcador de páginas e dei uma olhada no desenho da capa antes de colocá-lo ao lado do meu travesseiro.

Nagato deve ter pego todas essas fantasias estranhas lendo aqueles livros de ficção cientifica sozinha no seu apartamento por tempo demais. Ela provavelmente nunca falava com ninguém na sala, se aprisionando em sua própria mente. Ela deveria considerar deixar um pouco os livros, sair e fazer alguns amigos, e aproveitar a maravilhosa vida escolar. Sua falta de expressão não a ajudava com as pessoas, com certeza ela ficaria bonita apenas se sorrisse.

Eu acho que devolverei o livro a ela amanhã... esqueça, se eu emprestei, é melhor terminá-lo.


No dia seguinte depois da aula.

Como fiquei com os deveres naquele dia, eu cheguei ao clube depois do horário normal, a primeira coisa que vi foi Haruhi brincando por ai com a Asahina.

“Fique parada! Drogaaa! Seja uma boa garota e não se mexa!”

“N... nãaao, so... socorro~~”

Haruhi estava quase arrancando o uniforme de uma Asahina que se debatia.

“KYAA!!!”

Asahina gritou quando percebeu que eu havia chego.

No momento que vi Asahina apenas de calcinha e sutiã, eu imediatamente me virei batendo a porta entreaberta.

“Desculpe-me por isso.”

Após esperar fora da sala por dez minutos, o dueto dos adoráveis gemidos de Asahina e das exclamações extasiadas de Haruhi chegou ao fim. A voz de Haruhi passou por entre a porta.

“Certo, você pode entrar agora.”

Assim que entrei na sala, parei surpreso.

O que me saudava dentro da sala era a visão de uma bela maid [2].

2-[Nota do tradutor: manterei o termo maid, ou seja, aquelas empregadas de avental todo cheio de “babados”, que são o sonho de muita gente…]. Vestida em uma roupa de maid, Asahina estava sentada na cadeira de aço com lagrimas em seus olhos. Após olhar tristemente para mim ela abaixou a cabeça.

Com um avental branco combinando com uma saia ondulada, uma blusa, e meias brancas que apenas serviam para deixá-la mais adorável. A tiara de laço e o grande nó borboleta aumentavam ainda mais o seu charme.

Era uma maid impecável!

“Bem, ela não é bonitinha?”

Haruhi dizia como se estivesse admirando seu próprio trabalho, enquanto ajeitava o cabelo de Asahina.

Eu concordei de coração. Sem ofensas a pobre Asahina, mas ela realmente ficava bonita assim.

“Essa fantasia é ótima, não é?”

“Não, não é!” – protestou Asahina mansamente, ainda sim fingi não a ouvi e me virei para Haruhi.

“Porque você está vestindo ela assim?”

“Por que fantasias de maid são sexy!”

Pare de dar respostas ambíguas assim!

“Eu perdi muito tempo pensando nisso, você sabia?”

Mesmo que você não tivesse pensado em nada, não acho que faria muita diferença.

“Em uma peça em que a escola é o palco principal, uma personagem adorável como Mikuru é um limite. Em outras palavras, a história não pode acabar sem ela, entendeu? Mikuru-chan já é gentil e bonita, mas a menos que você vista uma bela colegial com uma roupa de maid, você não será capaz de chamar a atenção das pessoas. Agora todos vão se apaixonar por ela assim que a virem. Com isso teremos certeza da vitória!”

De qualquer forma, o que você exatamente está querendo vencer, senhorita?

Enquanto estava tentando pensar em que responder, Haruhi tirou uma câmera digital do nada e começou a tirar fotos de recordação.

Asahina corou para um vermelho brilhante e balançou a cabeça violentamente.

“P... por favor, pare de tirar fotos!!!”

Asahina-sempai, você está perdendo o seu tempo pedindo misericórdia para Haruhi. Mesmo que você se ajoelhasse e implorasse, ela é o tipo de pessoa que continua a fazer o que quer, não importa o que aconteça.

Como esperado, Haruhi obrigou a Asahina fazer todos os tipos de poses para a seção de fotos.

“Sniff...”

“Agora olhe para cá! Abaixe um pouco o queixo! Levante o avental! Sim, é uma boa garota! Sorria um pouco mais!”

Haruhi dava ordens incessantes a Asahina enquanto apertava o botão da maquina simultaneamente. Se eu lhe perguntasse aonde ela conseguiu aquela câmera digital, definitivamente ela diria que a "conseguiu" em algum lugar. Mais como roubar, eu acho.

Durante o frenesi de fotos de Haruhi, Yuki Nagato estava sentada lendo como sempre. Apesar de nossa confusa conversa na noite anterior, mas ao ver sua frieza usual, deixei escapar um suspiro de alivio.

"Kyon, sua vez de tirar as fotos."

Haruhi me entregou a câmera e se virou para Asahina. Então. Como um crocodilo se aproximando de um pássaro distraído, ela fechou seus braços ao redor dos ombros de Asahina.

"Ah..."

Haruhi sorriu para uma Asahina submissa.

"Mikuru-chan tente parecer um pouco mais bonitinha, Ok?"

Após dizer isso, Haruhi tratou de afrouxar o laço de Asahina, então desabotoou os trás botões de sua blusa, revelando instantaneamente parte de seu largo peito.

"E... espera! Não... o que você está fazendo!?”

"Não se preocupe, isso realmente não importa, importa!?"

Claro que importa, senhorita!

No final, Asahina foi forçada a botar as mãos na cintura e se curvar levemente para frente. Encarando o busto bem desenvolvido de Asahina, que estava em claro contraste com o seu corpo pequeno e seu rosto bonito, eu rapidamente desviei o olhar. Mas eu não seria capaz de tirar nenhuma foto daquela maneira. Então sem nenhuma escolha, virei meus olhos de volta a câmera e apertei o botão repetidamente, assim como Haruhi ordenara.

A pobre Asahina foi forçada a fazer poses que enfatizavam suas curvas, e ela estava tão envergonhada que seu rosto se tornou ainda mais vermelho. E mesmo quando ela estava prestes a chorar, ela ainda desastradamente tentava dar o seu melhor para sorrir, mostrando um charme nunca visto antes. Droga, eu acho que estou me apaixonando por ela.

"Yuki-chan. Me empreste seus óculos."

Yuki Nagato vagarosamente levantou sua cabeça, lentamente tirou seus óculos e os entregou a Haruhi, e novamente voltou o seu olhar para o livro. Você pode ler mesmo sem os óculos?

Haruhi pegou os óculos e os colocou no rosto de Asahina.

"Os óculos cairiam melhor se estivessem um pouco inclinados. Pronto, assim fica perfeito! Kyon, lembre-se de tirar mais fotos da inocente, quatro olhos, e bem treinada empregada!”

Colocando de lado a discussão de tirar ou não as fotos, o que você pretende fazer afinal com as fotos de Asahina em uma fantasia de maid?

"Mikuru-chan, de agora em diante você deve vestir essa fantasia sempre que vier para as atividades do clube!"

"Como você pode..."

Asahina fez o seu melhor para expressar desaprovação, mas Haruhi a agarrou e acariciou seu rosto sem parar.

"Quem mandou ser tão bonitinha? Cara, mesmo uma garota como eu não consegue resistir em fazer isso!"

Asahina gritou e tentou escapar, mas sem sucesso, estando à mercê das mãos molestadoras de Haruhi.

Droga Haruhi eu sinto tantos ciúmes de você. Não, espera, como eu posso pensar assim!? Eu devia estar tentando salvá-la!

"Certo, acho que já é hora de você parar!"

Tentei fazer Haruhi parar o seu assédio sexual a Asahina, mas ela simplesmente não queria desistir.

"Já basta, pare com isso agora!"

Koizumi: "Isso é um tipo de atividade do clube?"

"Faz diferença? Porque você não vem aqui também?"

Não era uma má idéia afinal, mas vendo o rosto de Asahina empalidecer, eu naturalmente não disse nada.

"Whoa, o que está acontecendo aqui?"

Virando-me para tas vi Itsuki Koizumi parado na porta carregando sua mala.

Ele olhava entretido primeiramente para Haruhi, cujas mãos se moviam pelo peito de Asahina; e para mim, que estava tentando parar com a loucura de Haruhi, e então para Asahina em uma roupa de maid, tremendo sem parar, e finalmente para Nagato, que permanecia inabalável, lendo seu livro, mesmo sem os óculos.

"Isso é um tipo de atividade do clube?"

"Koizumi, você chegou bem a tempo! Vamos brincar com a Asahina!"

De que diabos vocês estão falando!?

Koizumi apenas sorriu. Por favor, se você realmente concorda com as sugestões de Haruhi, então tem sérios problemas.

"Não obrigado, parece bem assustador para mim."

Koizumi colocou sua mala na mesa e desdobrou uma das cadeiras apoiadas na parede.

"Se importaria se eu só me sentar e assistir?"

Ele sentou com suas pernas cruzadas e me olhou como se estivesse assistindo a uma parada. “Não se importem comigo. Por favor, continuem.”

Não! Você entendeu errado! Eu não estou tentando molestar a Asahina! Eu estou tentando salvá-la!

Eventualmente, eu consegui me espremer entre as duas, e nervosamente segurar Asahina bem a tempo de impedir que ela caísse no chão. Estava bastante surpreso com o quão leve era Asahina quando a coloquei de volta na cadeira. A fantasia de maid estava suja e amarrotada, e ela parecia completamente esgotada, mas falando honestamente, eu acho que ela parecia um tanto sexy assim.

"Bem, tiramos muitas fotos de qualquer forma."

Asahina estava tão exausta que ela rapidamente desmaiou sobre a mesa. Haruhi arrancou os óculos de seu lindo rosto e os devolveu a Nagato.

Nagato silenciosamente recebeu os óculos, os colocando de volta sem dizer nem uma palavra. Até dava para pensar que seu discurso interminável nunca havia acontecido. Ela estava me enganado noite passada, não estava?

"Certo, vamos começar o primeiro encontro da Brigada SOS!"

Haruhi que estava sentada na cadeira de comandante, repentinamente bradou. Por favor, pare de assustar os outros gritando tão subitamente!

"Anteriormente, muito trabalho já foi feito. Como distribuir panfletos, ou criar uma página na Internet, a reputação da Brigada SOS na escola alcançou os céus, então anuncio que a fase um de nosso plano foi um grande sucesso!"

Como deixar Asahina mentalmente abalada pode ser chamado e sucesso!?

"Porem, nossa caixa de entrada não recebeu nenhum misero e-mail sobre eventos misteriosos, e ninguém veio até nos discutir suas experiências."

Reputação sozinha não ajuda, sendo que até agora, não é todo mundo que sabe o que esse clube faz. Além do mais, a escola não reconhece esse clube!

"Costumava-se dizer que 'paciência é uma virtude', mas os tempos mudaram. Mesmo se tivermos que virar a Terra ao avesso vamos encontrá-los por nós mesmos. Então gente, vamos começar a procurar!"

"... o que exatamente estamos procurando?"

Como ninguém havia perguntado, decidi fazer isso sozinho.

"Para encontrar todos os mistérios desse mundo! Se trabalharmos duro, seremos capazes de achar um ou dois nesta cidade!"

Sua forma de pensar já é um mistério em si!

Eu mostrei minha relutância, Koizumi apenas sorriu enigmaticamente. Nagato permaneceu paralisada. Enquanto Asahina aceitou o seu destino, muito exausta para responder. Ignorando as reações de todos, Haruhi balançou os braços e gritou:

"Este sábado, ou seja, amanhã! Nós nos encontraremos do lado de fora da estação do norte às nove horas da manhã! Não se atrasem! Abstinentes serão executados!"

Sigh, não, penalidade de morte de novo...


O que Haruhi fez com as fotos de Asahina com a fantasia de maid? Eu acho que a maioria de vocês adivinhou, aquela garota estúpida queria colocar todas elas no site para atrair a atenção das pessoas para a nossa página.

Quando descobri isso, ela estava terminando de colocá-las na página inicial de entrada dos visitantes. Ela até mesmo estava digitando os detalhes pessoais.

Você sabe o que está fazendo!? Isso pode alertar muita gente!

Eu tentei dar o meu melhor para parar o seu comportamento inconseqüente e remover todas as imagens. Se Asahina soubesse que as imagens dela posando sensualmente em uma fantasia de maid, tivessem sido espalhadas pelo mundo, ela provavelmente cairia dura no chão.

Eu rapidamente alertei sobre os perigos de divulgar informações pessoais na rede, e surpreendentemente, por uma única vez, Haruhi prestou atenção e me ouviu seriamente. Eventualmente, como se fosse apenas me incomodar, ela disse rabugenta:

"Eu já sabia disso!"

Ela relutantemente me permitiu remover as imagens da página. Neste momento, eu deveria estar deletando todas as fotos da Asahina, mas eu acho que seria uma pena fazer isso. Então, eu secretamente as salvei em uma pasta no computador, e a protegi com uma senha.

Apenas eu podia ver aquelas fotos!




Capítulo 4[edit]

Capítulo 4


Que tipo de piada era essa!? Pedindo para nos encontrar às nove da manhã em pleno fim de semana! Deixando esse pensamento de lado, eu continuei pedalando forte em direção a estação, eu era mesmo incorrigível!

Sendo localizada bem no centro da cidade, a estação de Kitaguchi servia como importante terminal de metrô. Todos os fins de semana a praça logo em frente se enchia de adolescentes consumistas. As outras grandes cidades eram distantes demais, então havia muito que fazer exceto ir ao shopping perto da estação. Sempre me impressionava como as pessoas podiam viver vidas normais nesta cidade com tão pouco para ser feito.

Colocando minha bicicleta randomicamente na entrada fechada para o banco, eu corri para a catraca na entrada norte da estação. Eram cinco para as nove, mas todos já haviam chego.

Haruhi virou sua cabeça e disse.

“Você está atrasado! Será multado por isso!”

“Mas não são nove horas ainda.”

“Mesmo que você não tenha chego tarde, a última pessoa a chegar será punida. Essa é a regra!”

“Como nunca ouvi falar dessa regra antes?”

“Foi porque eu acabei de inventá-la!”

Vestindo uma camiseta de mangas compridas e uma saia curta de denim [1], Haruhi parecia muito animada.

1-[Nota do tradutor: denim é um tecido índigo que serve de base para o jeans].

“Você vai ter que pagar as bebidas de todo mundo.”

Colocando as mãos na cintura com tranqüilidade, Haruhi pareceu muito mais amigável do que seu eu carrancudo usual. Incapaz de argumentar, eu obedientemente concordei com sua ordem e guiei todos para um café próximo.


Asahina usava um vestido branco sem mangas, com uma blusa tricotada azul-clara por cima. Seu longo cabelo ondulado estava preso por uma presilha. Cada vez que ela se mexia, ele balançava levemente, fazendo-a parecer ainda mais bonita. Seu sorriso dava a ela a impressão de uma jovem dama cheia de cultura. Até mesmo sua bolsa era cheia de estilo.

Sentado próximo mim, Koizumi vestia uma camisa rosa com uma blusa por cima, assim como exibia uma gravata em um vermelho brilhante, o fazendo parecer muito formal. Tinha que admitir, mas ele parecia legal assim, alêm do mais ele era mais alto que eu.

Nagato, como sempre, continuava a usar seu uniforme de escola. Mesmo que ela se visse completamente como um membro da Brigada SOS, tecnicamente ela ainda fazia parte do Clube de Literatura. Ao ouvir todas aquelas coisas estranhas de sua boca outro dia, fiquei ainda mais preocupado com sua expressão fria. Falando nisso, por que ela está usando o uniforme no fim de semana?

Assim que os cinco do mistério entraram no café pela rotatória e sentaram em suas cadeiras, a garçonete começou a anotar nossos pedidos. Apenas Nagato estudava o menu com seriedade – sem expressão nenhuma, é claro – gastando seu tempo para escolher. Francamente, o tempo necessário para ela decidir o que beber era o suficiente para cozinhar uma tigela de ramen!

"Chá de amêndoas" - disse ela finalmente.

Não importa qual o seu pedido, afinal, sou eu quem está pagando.


Haruhi fez as seguintes sugestões:

Vamos nos dividir em dois grupos. Se algum de nós encontrar alguma coisa que pareça misteriosa, devemos contatar os outros pelo celular, para que possamos nos encontrar e discutir o que faremos em seguida. Isso foi apenas uma reunião que nos ajudará a revisar e nos preparar para desenvolvimentos posteriores.

Isso é tudo.

"Agora vamos fazer um sorteio!"

Haruhi pegou cinco palitos de dente do suporte, e usando uma caneta emprestada da garçonete, ela marcou dois deles. Então, os envolveu com os dedos para que os escolhêssemos.

Eu peguei um marcado; Asahina disse enquanto olhava para o seu palito marcado, "Hmm, que combinação, heim..."

Por alguma razão Haruhi nos encarou friamente, e esbravejou: "Kyon, escuta, isso não é um encontro! Seja sério, entendeu?"

"Ok então."

Será que ela podia ler meus pensamentos? De qualquer forma aquilo era ótimo! Dancei de alegria por dentro quando vi Asahina encarando o palito marcado, corando furiosamente. Oh sim!

"Estamos procurando pelo que exatamente?" - Koizumi falou sem preocupações, enquanto Nagato bebia seu chá metodicamente.

Terminando as ultimas gotas de seu café gelado, Haruhi levemente arrumou o cabelo por detrás das orelhas.

"Qualquer coisa que pareça suspeita. Qualquer coisa ou qualquer um que aparente ser estranho. Também procurem por portais que levem para dimensões diferentes e alienígenas disfarçados de humanos."

Quase me engasguei com o chá que estava bebendo. Isso era estranho, porque Asahina estava com essa mesma expressão? È claro que Nagato permanecia como sempre.

"Entendo" - disse Koizumi.

Tem certeza que entendeu, de verdade?

"Então, tudo que temos a fazer é procurar por aliens, viajantes do tempo, e espers com poderes sobrenaturais, e suas pistas deixadas na Terra. Entendi completamente" - Koizumi disse animado.

"Correto! Você é realmente uma pessoa brilhante, Koizumi! É assim mesmo como você disse! Kyon, você deveria aprender um pouco com ele!"

Pare de alimentar o ego dela! Incomodado, eu olhei para Koizumi, que apenas sorriu de volta e abanou a cabeça.

"Certo! Vamos!"

Haruhi me entregou a conta, e saiu do café.

Acho que já disse isso várias vezes, mas tenho de dizer de novo:

"Oh cara..."


“Lembre-se, isso não é um encontro! Se eu encontrar você se divertindo com ela, eu vou te matar!”. É o que Haruhi disse, enquanto saia com Koizumi e Nagato. Nos fomos para o leste e para o oeste, respectivamente. Eu ainda não sabia pelo o que estávamos procurando.

"O que deveríamos fazer?"

Asahina olhou para mim, apertando a mala com suas mãos. Eu queria voltar para casa, mas suponho que era impossível. Então, eu pensei um pouco e disse: "Não faz sentido que fiquemos parados aqui, vamos dar uma volta."

"Ok."

Asahina andou complacentemente comigo. Ela estava hesitante quando andávamos ombro a ombro. Cada vez que acidentalmente esbarrava em mim, ela recuava timidamente. Ela parecia tão inocente assim.

Nós seguimos pelo caminho na beira do rio e nos dirigimos cegamente para o norte. Se estivéssemos um mês atrás, ainda poderíamos aproveitar o florescer das cerejeiras, mas agora, era só uma caminhada comum ao lado do rio.

Era um lugar bastante popular para se andar, então havia diversas famílias e casais caminhando por lá. Se não soubessem, achariam que somos um jovem casal, não um grupo procurando por algo misterioso.

Olhando para o rio, Asahina murmurou levemente para si.

"Essa a primeira vez que dou uma caminhada como esta!"

"O que você quer dizer?"

"... assim, com um garoto, apenas nós dois..."

"Isso realmente me surpreende. Isso significa que você nunca saiu com um cara antes?"

"Não..."

Me virei para Asahina, que tinha seus cabelos flutuando levemente ao vento, e perguntei:

"Wow! Mas com certeza deve haver um monte de garotos que já se confessaram para você, não é?"

"Uhm..."

Asahina timidamente abaixou a cabeça.

"Mas não adiantaria. Eu não posso me envolver em um relacionamento com ninguém, pelo menos não agora."

Ela ficou quieta subitamente. Enquanto eu esperava por ela, três alegres casais passaram por nós.

"Kyon-kun."

Já estava contando o numero de folhas que caiam no rio quando Asahina me chamou.

Asahina me olhou desconfortavelmente, e enquanto se imbuia de coragem, ela então disse: "Eu tenho algo para te contar."

Seus olhos redondos, e como os de um cervo revelavam sua forte determinação.


Sentamos em um banco próximo a cerejeiras e por um longo tempo Asahina não falou. Ela abaixou a cabeça e resmungou, “Por onde deveria começar? Não sou boa em explicar coisas. Talvez ele não acredite em mim.”

Finalmente ela levantou seu rosto e começou a falar em um tom levemente envergonhado.

“Eu não sou desse tempo e era. Sou uma pessoa do futuro. Não posso dizer quando eu cheguei ou de qual plano temporal. De qualquer form,a não seria capaz disso, mesmo que quisesse. Entregar informação sobre o futuro para qualquer pessoa do passado é completamente proibido – e é por isso que antes de entrar na maquina do tempo tive que passar por um rígido condicionamento mental. Se eu tiver intenção de dizer algo que não deveria dizer, minha memória sobre aquela informação será bloqueada.”

Asahina tomou fôlego e continuou.

“Diferente da água fluindo em um rio, toda a teia do tempo é formada por diferentes planos bidimensionais.”

“Me perdi logo no começo.”

“Hmm, que tal isso, tente imaginar um desenho animado. Quando o assistimos vemos os personagens se movimentarem continuamente, mas o fato é que todos eles são criados em base de uma serie de imagens estáticas. Similarmente, o tempo é como isso, em uma versão digitalizada. Mas se usar uma serie de imagens estáticas talvez você me entenda melhor.”

"Entre um quadro temporal e outro, existem as chamadas fendas temporais. Elas existem, mesmo que sua freqüência seja próxima a zero; então, tecnicamente não há continuidade entre dois quadros temporais, A viajem no tempo é a tentativa de fazer um movimento tridimensional entre os planos temporais bidimensionais. Para mim que vim do futuro para esse plano temporal, é como adicionar um objeto extra, desenhado sobre uma imagem estática. Mesmo que tentasse mudar a historia nesta era, isto não afetaria o futuro, pois não há continuidade entre os quadros temporais. Tudo acaba ficando em seu devido plano. É como colocar algumas palavras em uma imagem estática entre outras milhares de imagens estáticas: a historia final acaba não sendo afetada, certo?"

"O tempo é diferente desse rio aqui: cada momento pertence a um plano temporal digitalizado próprio. Você está me acompanhando agora?"

Eu hesitei em colocar a mão na testa, mas acabei o fazendo. Plano temporal, digitalizado. Esses termos não diziam nada a mim, mas, viagens no tempo?

Asahina girou os pés sobre as sandálias e continuou.

"Deixe me contar a razão de eu ter vindo a esse plano temporal..."

Um casal jovem passou por nós naquele momento.

"Três anos atrás foi detectada a ocorrência de um imenso terremoto temporal. Hmm, deve ser mais ou menos três anos atrás, quando Suzumiya-san entrou no colégio. Nós ficamos chocados quando viajamos de volta para investigar, pois éramos incapazes de voltar mais longe do que isso no passado."

Essa historia de três anos atrás de novo?

"Chegamos a conclusão de que havia uma imensa falha temporal, mas não entendemos porque ela havia aparecido especificamente nesse quadro temporal. Apenas recentemente viemos a descobrir o motivo... Desculpa, eu digo recentemente para a era de que eu vim."

"... e qual é o motivo?"

A culpada não poderia ser ela, poderia?

"É por causa de Suzumiya-san."

Asahina disse as palavras que eu não gostaria de ouvir.

"Ela está localizada bem no centro da quarta dimensão. Por favor, não me pergunte o porquê, pois é convidencial, então eu não posso te contar. De qualquer forma, estamos certos de que Suzumiya-san foi quem bloqueou a passagem para voltar ao passado."

"... eu não acho que Haruhi seja capaz de fazer uma coisa dessas..."

"E nem eu. Honestamente, é impossível para um ser humano normal interferir com os planos temporais. Este é um mistério ainda não resolvido, e Suzumiya-san ainda não está ciente de que ela é a fonte de todas essas distorções e terremotos temporais. Eu vim para o lado de Suzumiya-san para que pudesse observar de perto quaisquer outras alterações nos planos temporais... Me desculpe, eu não pude achar palavras melhores para descrever isto, vamos dizer que eu estou a cargo do monitoramento."

"..." - estava sem palavras para responder.

"Você não acredita em mim, não é mesmo?"

"Não... certo, porque você está me contando isso tudo?"

"Por que você foi escolhido por Suzumiya-san."

Asahina virou-se e me olhou.

"Eu não posso entrar em detalhes. Mas se estou certa, você é uma pessoa muito importante para Suzumiya-san. Existe uma razão para tudo que ela faz."

"Então Nagato-san e Koizumi são..."

"Eles são parecidos comigo, mas Suzumiya-san ainda não está ciente de que foi ela que nos trouxe para o seu lado."

"Então você sabe quem eles são?"

"Isso é informação confidencial."

"O que vai acontecer se simplesmente deixarmos Haruhi sozinha?"

“Informação confidencial."

"Já que você é do futuro, então deve saber o que vai acontecer daqui em diante, certo?"

"Informação confidencial."

"..."

"Me desculpe, eu realmente não posso lhe dizer. Especialmente agora, pois não tenho o direito de fazê-lo."

Asahina disse com um olhar penoso em seu rosto.

"Não importa se você acredita em mim; Apenas gostaria que você ficasse sabendo sobre isso."

Me lembrei de ter ouvido as mesmas coisas dentro de um apartamento quieto e tedioso.

"Me desculpe."

Vendo que eu estava em silêncio, os olhos de Asahina se tornaram depressivamente vermelhos.

"Eu estou tão arrependida, de te contar isso tão subitamente."

"Não tem problema, sério..."

Primeiro foi Nagato me dizendo que era uma Interface Humanóide viva criada por aliens, agora era Asahina afirmando ser do futuro. Como eu deveria acreditar em uma coisa daquelas? Alguém me ajude!

Quando coloquei minha mão sobre o banco, acidentalmente toquei a mão de Asahina, mesmo tendo apenas encostado em seus dedos pequeninos, ela os recuou mais rápido do que um raio, e abaixou sua cabeça.

Nós silenciosamente observamos o rio.

E o tempo passou.

"Informação confidencial."

"Asahina-san."

"Sim...?"

"Posso fingir que essa conversa nunca aconteceu? Se acredito em você ou não é uma questão que devo deixar de lado agora."

"Ok."

Um sorriso surgiu no seu rosto. E era um sorriso muito bonito.

"Da maneira que as coisas estão, essa é a melhor solução. Por favor me trate como sempre tratou. Eu conto com você."

Após dizer isso, Asahina se curvou profundamente em minha direção. Ei, não precisa ir tão longe!

"Posso perguntar uma coisa?"

"O que?"

"Por favor me diga sua idade real."

"Informação confidencial."

Asahina sorriu de maneira travessa.


Mais tarde, nós demos uma volta pelas ruas. Deixei de lado as exigências de Haruhi em não sair em um encontro, eu nunca tive a intenção de segui-las. Nós fomos olhar as vitrines das lojas no shopping, alegremente tomamos sorvete, e demos uma olhada nas barracas de presentes pelas ruas... Coisas típicas de um casal para matar tempo. Seria perfeito se apenas pudéssemos andar de mãos dadas...

Neste momento meu telefone toca: era Haruhi.

"Nos encontraremos ao meio dia, na estação aonde nos encontramos essa manhã."

Ela desligou após dizer isso. Olhei para o meu relógio, já era onze e cinqüenta. Nunca que iríamos chegar a tempo!


"Era Suzumiya-san? O que ela disse?"

"Ela disse que era para nos encontramos ao meio dia, então é melhor correr!"

Segurei a mão de Asahina, sabendo que não teríamos chances de chegar a tempo se não corrêssemos, então partimos em direção a estação. Que reação Haruhi teria se nos visse correndo assim? Eu penso. Acho que ela ficaria louca.

"Então, algum resultado?" - Haruhi nos questionou assim que chegamos.

Estávamos dez minutos atrasados, e essa foi a primeira coisa que ela nos disse assim que chegamos. Ela parecia estar bastante irritada.

"Encontraram algo?"

"Nada."

"Vocês ao menos procuraram? Não ficaram só flauteando por ai, ficaram? E então Mikuru-chan?"

Asahina balançou a cabeça.

"E o que vocês acharam?"


Haruhi ficou silenciosa. Koizumi, detrás dela coçou a cabeça, enquanto Nagato estava sem movimentos.

Depois de momentos em que ninguém dizia nada Haruhi quase urrou: "Vamos almoçar primeiro, depois a gente continua."

Você ainda quer continuar!?


Assim que almoçamos em uma lanchonete, Haruhi nos disse que era hora de fazer um novo sorteio e pegou alguns palitos de dente extras que ela furtara do café logo pela manhã. Ela estava realmente bem preparada!

Koizumi rapidamente pegou um dos palitos.

“Novamente não está marcado.”

Que dentes brancos! Eu tenho a impressão de que este cara está sempre sorrindo!

“Assim como o meu.”

Asahina mostrou o palito que ela acabara de pegar.

“E você Kyon-kun?”

“Infelizmente, o meu é marcado.”

Haruhi parecia ficar cada vez mais temperamental e avançou sobre Nagato para que ela pegasse seu palito.

No final, Nagato e eu estávamos juntos, enquanto os outros três estavam no outro grupo.

“...”

Haruhi encarou o palito não marcado, como se olhasse para quem matou seus pais, ela se virou para mim e para Nagato que estava ocupada comento seu cheesburguer, e esbravejou.

Porque você está tão brava?

“Encontre a gente em frente a estação as quatro. È melhor que ache algo até lá!”

Ela terminou sua bebida em um só gole, após dizer isso.


Assim fomos mandados para o norte e para o sul. Nós ficamos encarregados do lado sul. Antes de nos separarmos, Asahina acenou com uma de suas pequenas mãos para mim. Aquilo me fez sentir tão quente!

Agora estávamos apenas eu e Nagato. Parados tristemente em frente do ponto de ônibus.


“O que devemos fazer?”

“...” - Nagato não disse nada.

“... vamos.”

Eu avancei, e encontrei-a começando a me seguir. Acho que eu estava me acostumando a andar com ela agora.

“Nagato, sobre o que você me disse outro dia...”

“O que?”

“Estou começando a acreditar um pouco naquilo.”

“É isso?”

“É.”

“...”

Então, debaixo daquela atmosfera vazia andamos silenciosamente em torno da estação.

“Você não tem nenhuma roupa casual?”

“...”

“O que você faz nos feriados?”

“...”

“Você está feliz agora?”

“...”


Assim foi nossa conversa naquele dia.

Não havia sentido em andar por ai sem rumo, então levei Nagato para uma nova biblioteca a beira mar que foi construída ao mesmo tempo em que as autoridades preparavam a terra para a estação. Eu nunca havia estado lá dentro, pois raramente emprestava livros. De qualquer forma, achei que poderia descansar um pouco assim que entramos lá dentro, apenas para descobrir que todos os lugares estavam ocupados. Essas pessoas provavelmente não tinham mais aonde ir em seu tempo livre. Eu observava a biblioteca ao meu redor, aparentando estar um pouco perdido, enquanto isso Nagato já havia avançado sobre as prateleiras como se estivesse sonambulando. Deixe-a fazer o que gosta!

Eu costumava ler frequentemente. Enquanto estava no primário, minha mãe comprava livros ilustrados da seção infantil para eu ler. Havia todos os tipo de livros, mas eu conseguia me lembrar que todos que eu lia eram um bocado interessantes. De qualquer maneira, eu não conseguia me lembrar mais do nome de nenhum deles. Quando será que eu parei de ler? Quando ler começou a se tornar chato para mim?

Aleatoriamente, peguei um livro da estante e folheei rapidamente por algumas páginas, antes de colocá-lo de volta e pegar outro. Demoraria uma eternidade para achar um livro interessante em um mar de outros livros, isso se eu não procurasse. Pensando assim, vaguei sem rumo por entre as prateleiras.

Assim que fui procurar Nagato, encontrei-a lendo em frente a uma estante de livros grossos e de capa dura. Ela realmente devia amar livros de capa dura!

Finalmente, após ver um homem que lia seu jornal levantando-se de sua cadeira, eu fui até lá e me sentei, carregando uma 'novel' [2] randomicamente escolhida. Era impossível tentar ler um livro que nunca pretendera ter lido. Momentos depois, me encontrei sonolento, e acabei adormecendo. 2-[Nota do tradutor: Light novel é o termo usado para designar livros cujos textos são acompanhados por ilustrações no estilo mangá/anime, normalmente tendo como público alvo adolescentes e adultos jovens. Exemplos dele são Suzumiya Haruhi, Shakugan no Shana e Zero no Tsukaima].

Então, repentinamente o meu bolso de trás vibrou.

“WHOA!?”

Eu saltei assustado. Quando vi todos olhando para mim, me lembrei que estava em uma biblioteca. Limpei a baba do meu rosto e corri para fora, atendendo a ligação no meu celular, que estava no modo de vibração.

“Seu idiota! O que você está fazendo!?”

Um som ensurdecedor rugiu através do meu ouvido. Graças a isso despertei de minha sonolência.

“Você sabe que horas são?”

“Desculpe, eu acabei de acordar!”

“O que!? Seu imbecil!”

Você é a pessoa menos qualificada para me chamar de imbecil!

Olhei para meu relógio e já era quatro e meia. Ela disse para nos encontrarmos as quatro!

“Venham pra cá agora! Te dou trinta segundos!”

Pare de ordenar coisas impossíveis de serem cumpridas!

Após Haruhi indelicadamente desligar na minha cara, eu botei o telefone de volta no meu bolso e voltei à biblioteca. Aonde encontrei Nagato ainda parada lá, lendo o que parecia ser uma grossa enciclopédia.

O seguinte foi um pouco complicado. Tomou-me um bom tempo tentando mover Nagato – que parecia ter se enraizado naquele local – então tivemos que ir até o guichê para preencher um formulário para alugar o livro. Durante todo aquele tempo eu ignorei todas as chamadas de Haruhi.

Quando voltamos à estação, com Nagato carregando um pesado livro de filosofia como um tesouro conhecido, escrito por um autor estrangeiro cujo nome era muito difícil de se pronunciar, as três pessoas que nos esperavam tiveram três reações diferentes. Asahina, aparentando exaustão, sorriu com um suspiro de alivio; Koizumi levantou seus ombros como um idiota; enquanto Haruhi gritava como se tivesse tomado um prato de sopa fria.

“Você está atrasado; pague a conta!”

Vou ter que agradar vocês de novo?


Finalmente, acabamos nossa atividade ao ar livre, após gastar todo nosso tempo e o meu dinheiro.

“Estou tão cansada! Suzumiya-san anda tão rápido que tive que me esforçar muito para acompanhá-la.” - Asahina me falou assim que fomos embora, e murmurou no meu ouvido - “Obrigada por ouvir o que tinha a dizer hoje.”. Após isso ela abaixou a cabeça e sorriu timidamente.

Será que todas as pessoas do futuro sorriem tão elegantemente?

“Então, até mais!” Asahina acenou e foi embora. Koizumi deu um tapa leve em meu ombro e disse: “Foi divertido hoje! Como posso dizer? Suzumiya-san é realmente uma pessoa interessante. É uma pena que não pude estar com você hoje, talvez na próxima vez.”

Após Koizumi partir com seu sorriso irritante, descobri que Nagato já havia ido embora.

Sobrara apenas Haruhi olhando para mim.

“O que você esteve fazendo hoje o dia todo?”

“Hmm, o que eu estava fazendo hoje?”

“Você não vai ir embora assim!”

Ela parecia estar realmente furiosa.

“Ah é, e você? Achou alguma coisa interessante?”

Haruhi mordeu os lábios sem dizer nada. Se não a parasse ela iria morder até seus lábios até eles sangrarem.

“Bem, eles não são tão descuidados a ponto de deixar você descobri-los em apenas um dia.”

Vendo-me tentar melhorar seu humor, Haruhi afastou seus olhos rapidamente.

“Vamos ter uma reunião amanhã, na escola.”

Haruhi se virou e andou até a multidão, sem olhar para trás.

Com a sensação de poder finalmente ir para casa, eu retornei ao banco, apenas para descobrir que minha bicicleta havia sumido, sendo substituída por uma placa no poste dizendo: “Sua bicicleta foi guinchada como resultado por estacionamento ilegal.”





Capítulo 5[edit]

Capítulo 5


Segunda feira veio, e a umidade da estação chuvosa gradualmente tomava a escola, aumentando até o ponto onde suávamos baldes. Se algum político criasse uma campanha prometendo instalar uma escada rolante na estrada da ladeira, seguramente eles teriam meu voto assim que eu pudesse votar.

Sentado na sala de aula, estava abanando meu pescoço com um estojo substituindo um leque, quando o sinal tocou e Haruhi, estranhamente, foi a ultima a entrar.

Arremessando sua mala na mesa, ela disse: “Eu quero ser abanada também.”

“Faça isso sozinha!”

Haruhi, de quem eu me despedira na frente da estação dois dias atrás, virou o rosto em um olhar amargo, franzindo seus lábios fortemente. Justo quando eu achava que suas expressões estavam se tornando mais agradáveis, ela volta ao seu “eu” carrancudo de sempre.

“Diga-me Suzumiya. Você já ouviu falar da historia do pássaro azul da felicidade [1]?”

1-[Nota do tradutor: Historia do poeta belga Maurice Polydore-Marie-Bernard Maeterlinck, publicada em 1908 com o nome original de L'Oiseau bleu que conserva vários pontos de semelhança com a Historia de Suzumiya... Vide notas de traduções completas posteriormente].

“O que é isso?”

“Não, esquece, não é nada.”

“Então não pergunte!”

Haruhi me encarou de viés, então Okabe-sensei chega à sala, e finalmente nossa aula começa.

Naquela aula, uma aura sombria emanava de todos os lados da depressiva Haruhi, emitindo uma desconfortável pressão sobre minhas costas. Nunca antes o sinal para o fim das aulas soou tão confortante. Como um rato fugindo de um furioso incêndio, eu escapei para a sala do clube.

A figura de Nagato lendo se tornara um cenário padrão do clube, a ponto dela parecer um ornamento fixo naquela sala.

Dito isso, me virei para Itsuki Koizumi, que já havia chego à sala.

“Não me diga que você também tem algo a me contar sobre Suzumiya?”

Estávamos apenas nós três na sala. Haruhi tinha que limpar a sala hoje, enquanto Asahina ainda não havia chegado.

“Ah, julgando por sua reação, eu suponho que as outras duas garotas já tenham se aproximado de você.”

Koizumi deu uma olhada rápida em Nagato, ocupada lendo seu livro como sempre. Eu achei sua postura de sabe-tudo bastante incômoda.

“Vamos conversar em outro lugar. Seria bastante problemático se Suzumiya-san nos ouvisse.”

Koizumi e eu fomos até a cantina e sentamos em uma das mesas. No caminho, Koizumi comprou um copo de café quente para mim. Eu sei que é estranho dois caras dividirem a mesma mesa, mas isso não é algo que poderia resolver naquele momento.

“O quanto você sabe?”

“Sei que Suzumiya não é uma pessoa comum, eu acho.”

“Isso torna as coisas bem mais fáceis para mim. Você está certo.”

Era algum tipo de piada? Todos os outros membros da Brigada SOS haviam me dito que Suzumiya não era humana. Será que o aquecimento global aqueceu tanto seus miolos a ponto de causar um curto-circuito?

“Primeiro, me diga quem você é realmente.”

Como uma me disse ser um alien, e a outra uma viajante do tempo, eu já tinha um palpite, então prossegui.

“Você não vai me dizer que é um esper, vai?”

“Agora não preciso assumir!”

Koizumi agitou seu copo levemente.

“Mesmo não sendo completamente preciso, você está mais ou menos correto – sou o que você chama de esper. Sim, eu possuo poderes paranormais.”

Eu bebi meu café em silêncio. Mmm, doce demais, ele devia ter comprado um com menos açúcar.

“Preferia não ter me transferido para esta escola tão repentinamente, porém houve uma mudança nas circunstâncias. Nunca pensei que aquelas duas se aproximariam de Suzumiya Haruhi tão rapidamente. Antes daquilo, elas sempre estiveram a observando discretamente.”

Parem de se referir a Haruhi como um tipo de espécie rara em extinção!

Percebendo meu incômodo, ele continuou.

“Agora se acalme. Estamos fazendo nosso melhor também! Não temos intenção de ferir Suzumiya-san, na verdade, nós queremos apenas protegê-la do perigo.”

“Você disse nós? Isso significa que há mais espers como você?”

“Bem, não há tantos quanto você pensa. Como eu ainda pertenço à patente mais baixa, eu não sei de muita coisa, apenas sei que há mais ou menos dez nesse mundo. Todos estamos sob a supervisão da ‘Organização’.”

Ótimo, agora temos uma ‘Organização’!

“Não sei do que a ‘Organização’ consiste, ou quantos membros são. Tudo parece ser comandado pelos poderosos de cima.”

“... então, esse grupo secreto, essa ‘Organização’, o que ela faz afinal?”

Koizumi molhou os lábios com o café morno.

“Assim como você deve ter pensado, a ‘Organização’ foi fundada há três anos atrás, e sua prioridade é observar Suzumiya Haruhi. Colocando isso mais claramente, nós existimos apenas para observá-la. Você está entendendo? Bem, eu não sou o único membro da ‘Organização’ nesta escola. Sempre houve certo numero de membros infiltrados aqui antes de mim; só fui transferido temporariamente para auxiliá-los.”

Subitamente a imagem do rosto de Taniguchi surgiu em minha mente. Ele disse que havia estado na mesma sala de Haruhi desde o fundamental. Seria ele um esper como Koizumi?

“Você está brincando, certo?”

Koizumi fingiu que não escutou e prosseguiu.

“De qualquer forma, eu não posso garantir que todos estão do lado de Suzumiya-san.”

Por que todos gostam da Haruhi? Ela é apenas uma garota excêntrica e louca que causa problemas aos outros, sem mencionar que ela é extremamente egoísta. Será que ela valia tanto a ponto de ter uma ‘Organização’ usando todos os seus recursos para protegê-la? Mas devo admitir que ela é um bocado atraente.

“Não sei o que aconteceu comigo há três anos atrás. Tudo que sei é que, um dia, eu subitamente percebi que possuía poderes paranormais. Fiquei realmente assustado, e não sabia o que fazer. Por sorte não demorou até que a ‘Organização’ me encontrasse, pois eu teria me suicidado achando que havia uma coisa de errado com o meu cérebro.”

Eu ainda acho que deve haver algo de errado com o seu cérebro desde aquela época.

“Bem, isso não é impossível. Penso que tememos mais as terríveis e imprevisíveis possibilidades existentes.”

Sorrindo de suas próprias falhas, Koizumi tomou um gole de café, e me encarou seriamente.

“Quando você acha que esse mundo começou a existir?”

Ele subitamente perguntara uma questão bastante complicada.

”Não começou no Big Bang [2]?” 2-[Nota do tradutor: em cosmologia, o Big Bang é a teoria científica que o universo emergiu de um estado extremamente denso e quente há cerca de 13,7 bilhões de anos].

"É o que dizem hoje em dia. Porém, para nós existe outra possibilidade – esse mundo veio a existir somente a três anos atrás."

Olhei para o rosto de Koizumi de novo, e de novo. O que ele dizia era absurdo demais para ser verdade.

“Isso é impossível! Eu posso me lembrar claramente do que aconteceu a três anos atrás. Alem do mais meus pais ainda estão vivos. Eu ainda tenho os três pontos que ganhei daquela vez que cai no bueiro quando era pequeno. E como você explica todas essas coisas que temos que decorar nos livros de história?"

"Ok, como você pode ter certeza de que os humanos, inclusive você, não foram criados com suas memórias anteriores? Se este é o caso não precisamos nos limitar a três anos atrás. Não há evidências que o mundo não surgiu há apenas cinco minutos atrás, e toda a vida se inicia agora."

“ ... “

"Por exemplo, imagine uma realidade virtual. Seu cérebro está ligado a fios elétricos, tudo que você sente, cheira, ou vê está sendo na verdade transmitido por estes fios ao seu cérebro por sinais elétricos, mesmo que você acredite que o que está vivendo é real. Isto que chamam de mundo real é surpreendentemente frágil."

"... vamos supor que eu concorde com o que você disse, mas não importa se a Terra foi formada a três anos ou a cinco minutos. O caso é, o que a existência de sua 'Organização' tem a ver com Haruhi?"

"O líder da 'Organização' acredita que esse mundo é na verdade o sonho de uma pessoa. Nós, não, o próprio mundo em que vivemos não é nada além de um sonho. Por ser um sonho, para essa pessoa, criar e alterar essa realidade em que vivemos é um ato simples que pode ser executado com precisão. E todos sabemos quem é essa pessoa."

Talvez seja o seu uso referencial das palavras, mas o rosto de Koizumi parecia extremamente maduro.

"Humanos chamam aquele que pode criar e destruir o mundo apenas com sua vontade de Deus."

... ei Haruhi! Agora você virou Deus, ai meu Deus [3]!

3-[Nota do tradutor: trocadilho proposital].

"Esse é o porquê a 'Organização' sempre se manteve cautelosa. Se Deus ficar descontente com este mundo, ela pode simplesmente destruir o velho mundo por completo e o substituir por um novo. Como uma criança que não gostou do seu castelo de areia, e resolve o demolir para a construção de um novo. Mesmo sentindo que existem numerosos conflitos não resolvidos neste mundo, há coisas nele pelo que vale a pena viver. Esse é o motivo pelo qual eu venho ajudando a 'Organização' a proteger este mundo."

"Porque vocês não vão falar diretamente com Haruhi? Peçam a ela para parar de destruir o mundo, talvez ela ouça."

"É claro que Suzumiya-san não está ciente de seus poderes. Nosso trabalho é ter certeza que ela continue assim, e possa viver sua vida pacificamente."

Koizumi voltou a sorrir após dizer tudo aquilo.

"Neste momento, ela ainda é um deus incompleto, incapaz de controlar o mundo a sua vontade. Mesmo não estando completamente evoluída, nós já temos sinais disto."

"Como você sabe?"

"Pense um pouco, por que espers como eu, assim como pessoas como Mikuru Asahina e Yuki Nagato existem? É porque Suzumiya-san assim deseja."

Se alguém aqui é um alien, viajante do tempo, slider, ou um esper, então venha e me encontre!

Instantaneamente lembrei-me das palavras de Haruhi no começo do semestre.

"Como ela ainda os desconhece, então não é capaz de utilizar completamente os seus poderes, ela apenas pode os liberar subconscientemente de maneira aleatória. Nos últimos meses, Suzumiya-san liberou continuamente seus poderes além de qualquer compreensão humana. Como você sabe, isso resultou em Mikuru Asahina, Yuki Nagato, e até mesmo eu termos nos juntando ao seu clube."

Isso me torna a única pessoa de fora?

"Não realmente. Para nós você é uma presença misteriosa. Eu fiz uma série de pesquisas escondidas em você - espero que não tenha se importado. E posso lhe assegurar, você é um humano comum, sem nenhum poder especial."

Devo tomar isso como um elogio ou ficar desapontado?

"Não sabemos o porquê, mas o destino do mundo pode estar muito bem em suas mãos. Portanto você deve ser cuidadoso em não deixar que Suzumiya-san se sentir desagradada por este mundo."

"Se você acha que Haruhi é Deus," - sugeri - "porque não a seqüestram, fazem uma autopsia e descobrem do que seu cérebro é feito? Vocês podem aprender alguns dos segredos do universo dessa maneira!"

"Existem alguns extremistas da 'Organização' que partilham a mesma opinião que a sua."

Koizumi balançou a cabeça em afirmação enquanto acrescentava.

"Porém a maioria ainda acredita que é melhor a deixar em paz. Depois de tudo, se Deus ficar descontente devido a isso, uma grande catástrofe pode se abater sobre nós. Esperamos que o mundo permaneça assim, então naturalmente desejamos que Haruhi possa viver tranqüilamente. Não temos nada a ganhar com o acontecimento de um desastre..."

"... então, o que devemos fazer?"

"Isto eu não sei lhe dizer..."

"Certo, e o que aconteceria ao mundo se Haruhi morresse repentinamente?"

"O mundo seria destruído com sua morte? Ou Deus simplesmente deixaria de existir? Talvez surgisse outro eu seu lugar? Ninguém pode saber antes de acontecer."

O café no copo de papel se tornara frio. O empurrei para frente como se não quisesse o beber mais.

"Você disse que possui poderes paranormais?"

"Bem, não precisamente, mas você está mais ou menos correto."

"Então me mostre seus poderes, e eu acreditarei em você. Vamos ver, faça esse café ficar quente de novo."

Koizumi sorriu animado. Essa era a primeira vez que vi seu sorriso verdadeiro.

"Desculpe-me mas eu não posso fazer isto. Meus poderes não são facilmente compreendidos. Em condições normais, eu não tenho nenhum poder em particular. Eu tenho de satisfazer certas condições antes de poder usá-los, mas acredito que você terá chances de vê-los algum dia."

"Desculpe por tomar o seu tempo, acho que vou para casa agora." Após dizer isso Koizumi saiu com um sorriso.

Eu o vi caminhar para longe até o perder de vista, então pensei em pegar o copo de papel.

Como pensei, o café continuava frio.


Quando voltei ao clube, me deparei com uma Asahina parada lá dentro, somente de calcinha e sutiã.


" ... "

Asahina, com sua fantasia de maid em mãos, parou com os olhos arregalados, me olhando congelado com a mão na maçaneta. Lentamente a boca dela começou a se abrir para gritar.

"Desculpe-me."

Antes de ela ter a chance de berrar, retirei o pé que estava dentro da sala e fechei a porta rapidamente. Graças a isso, fui capaz de evitar os seus gritos.

Realmente, deveria ter batido na porta antes de entrar. Não, espera, ela deveria trancar a porta se quisesse se trocar!

Quando estava imaginando se deveria estar armazenando a imagem do seu macio e alvo corpo seminu em minha memória de longa duração, uma batida suave veio do outro lado da porta. "Pode entrar agora..."

"Perdoe-me por isso."

"Não importa..."

Eu olhei para a cabeça baixa de Asahina quando ela abriu a porta e se desculpou. Ela corou e disse:

"Desculpe-me, eu estou sempre mostrando esse meu lado vergonhoso..."

Não que eu me importe, de verdade.

Ela era realmente uma garota obediente, vestindo sua fantasia como Haruhi a ordenara. E era tão bonitinha!

Estava com medo de que se continuasse olhando assim para Asahina, a imagem que recebi começasse a virar para o lado sujo. Convocando toda a razão que ainda tinha para sobrepujar esses desejos frustrantes, eu rapidamente sentei na cadeira da comandante e me virei para o computador.

Percebi alguém me observando, levantei minha cabeça e encontrei Yuki Nagato me olhando. Ela levantou um pouco os seus óculos, então voltou ao livro. Seus movimentos eram bastante humanos.

Abri o navegador da Internet e fui a página do clube, tentar editar algo da página sempre estática, mas não tinha idéia de onde começar. Eu costumava pensar que editar páginas da web era uma perda de tempo, então fechei a janela e suspirei. Já estava cansado de Othello também, precisava de algo para matar o tempo.

Enquanto resmungava de braços cruzados, subitamente alguém colocou um copo de chá quente em minha frente. Olhei para cima e vi Asahina em sua fantasia de maid sorrido com uma bandeja em suas mãos. Era como uma empregada de verdade.

"Obrigado."

Eu acabara de pagar um copo de café quente para Koizumi, mas mesmo assim aceitaria agradecido por esse copo quente de chá.

Asahina colocou outro copo ao lado de Nagato, então sentou-se ao seu lado e bebericou o próprio copo de chá.


No final das contas, Haruhi não veio ao clube naquele dia.


"Porque você não veio ontem? Não era você que queria fazer uma reunião?"

Como sempre, me virei e conversei com Haruhi antes da aula.

Estendida sobre a mesa, com seu queixo na superfície, Haruhi disse com um olhar de incomodo:

"Você é irritante! Eu já tive a reunião da minha própria maneira ontem!"

Eu sabia naquele momento que Haruhi devia ter refeito a rota dos lugares que havia ido sábado, ontem depois da escola.

"Fiquei com medo que tivesse deixado escapar algo, então achei melhor ir lá de novo."

Eu achei que apenas detetives achavam que criminosos retornavam a cena do crime, mas estava errado.

"Está quente como o inferno! Quando a escola vai trocar os uniformes? Quero vestir manga curta!"

Eles não vão trocar até junho, e anda tem uma semana antes que maio acabe.

"Suzumiya, acho que já disse isso antes, mas acho que você deve parar de procurar esses eventos misteriosos e tentar viver a vida de uma colegial comum."

Ela deveria levantar a cabeça e me encarar... eu já esperava isso, mas Haruhi permanecera com sua cabeça presa a mesa. Ela parecia realmente exausta.

"Uma vida escolar comum? Que tipo de vida é essa?"

Ela realmente não parecia estar interessada naquilo.

“Algo como encontrar um namorado decente. Você até pode acabar trombando com um alien enquanto tem um encontro. Isso seria como matar dois coelhos com uma cajadada só, não é tão ruim, é?”

Comecei a pensar sobre o que Asahina havia me dito naquele dia, enquanto fazia esta sugestão.

“Alem do mais, há um monte de caras caidinhos por você. Tudo que você tem a fazer é refrear esse seu comportamento excêntrico e com certeza seu namorado vai aparecer.”

“Hmph, não importa se eu tenho ou não um namorado! O que chamam de amor é apenas uma confusão temporária da cabeça, uma doença mental.”

Haruhi disse aquilo exausta, enquanto se esparramava pela mesa olhando para fora da janela.

“Na verdade, eu penso nisso de tempos em tempos. Sou uma garota enérgica afinal, e mais, meu corpo tem suas necessidades. Mas não sou tão estúpida a ponto de me meter em uma coisa tão problemática quanto essa devido a um simples momento de confusão. E se eu estiver muito ocupada saindo com alguém, o que vai acontecer com a Brigada SOS? Eu a fundei!”

Tecnicamente ela ainda não está fundada.

“E se criássemos um clube que envolvesse alguma forma de entretenimento? Isso com certeza poderá atrair mais membros.”

“Não.”

Haruhi negou categoricamente.

“Eu fundei a Brigada SOS por que todos os outros clubes normais eram chatos, recrutei uma garota bonita como Asahina em um misterioso estudante transferido também! Porque nada aconteceu ainda? Sigh, é apenas uma questão de tempo para que algo estranho ocorra.”

Era a primeira vez que vi Haruhi deprimida assim, mas ela ficava bonita dessa maneira também. Para uma garota bonita como ela era bela o suficiente mesmo quando não estava sorrindo, era mesmo uma pena, e achava isso cada vez mais conforme eu pensava.

Ela passou o resto do dia dormindo ruidosamente. Era incrível como os professores sequer perceberam isto... não, isso tinha de ser apenas uma coincidência.


Deste momento em diante, coisas estranhas estavam começando silenciosamente. Não era grande coisa no inicio, e ninguém mais havia percebido, mas eu passei todo o dia pensando naquilo, desde o inicio da aula.

Enquanto falava com Haruhi minha mente estava imersa em outras coisas. Tudo começara com um bilhete deixado no meu guardador de sapatos naquela manhã.

E o bilhete dizia.

Depois da aula, quando todos já tiverem ido embora, venha a sala 1-5.

Era obviamente a letra de uma garota.


O que era aquilo tudo? Uma reunião de emergência ocorreu em minha mente, entre minhas opiniões diferentes.

A primeira delas dizia; “Isso já aconteceu antes”, mas a letra era diferente daquela no marcador de páginas. Nagato, que clamava ser uma Interface Humanóide Viva para os aliens, tinha uma letra tão bonita que parecia ter sido impressa, porem essa letra realmente dava a impressão de ser de uma garota do ensino médio. Alem disso, Nagato não teria sido tão direta a ponto de colocar um bilhete em meu armário.

A segunda dizia; “Pode ter sido Asahina?” Não, se fosse Asahina, provavelmente ela não iria arrancar um pedaço de papel aleatório e escrever um bilhete sem nenhuma identificação. Certo, com certeza ela colocaria sua carta bem escrita em um envelope.

Ainda mais, era estranho que nos encontrássemos na sala. “Teria sido Haruhi!?” dizia minha terceira opinião. Isso era ainda mais impossível, se fosse Haruhi, com certeza ela teria me arrastado para a escada e me dito qualquer coisa que quisesse.

Baseado na mesma razão, eliminei Koizumi da equação. Finalmente, a quarta opinião dizia; “Pode ser uma carta de amor de alguma estranha?”. Bem não vamos nos preocupar se é ou não uma carta de amor, o negocio é que estou sendo chamado por alguém, e não necessariamente tem de ser uma garota.

“Não caia nessa! È mais possível que essa seja uma pegadinha do Taniguchi e do Kunikida.” Sim, essa era a opinião mais plausível. Era possível que aquele idiota do Taniguchi fizesse esse tipo de brincadeira sem sentido, mas ele devia ter escrito mais.

Eu andei sem rumo pela escola pensando naquilo. Depois da aula, Haruhi disse que estava doente e foi para casa. Essa era uma ótima chance!

Decidi ir ao clube primeiro. Ficaria maluco se fosse cedo demais a sala para esperar por uma pessoa desconhecida. E mais, se repentinamente Taniguchi aparecesse e falasse, “Yo, você ainda está esperando? Não posso acreditar que você caiu só com um pequeno bilhete, você é muito inocente!” Eu ficaria incrivelmente bravo. Vou matar algum tempo, e depois dar uma olhada na sala, tendo certeza que não há ninguém por perto. Sim, essa era a estratégia perfeita.

Entrei sozinho na sala do clube. Desta vez me lembrei de bater na porta.

"Entre, por favor."

Assim que confirmei que aquela era a voz de Asahina, abri a porta. Não importa quantas vezes eu visse aquilo, ela sempre me parecia tão adorável com aquela fantasia!

"Demorou um bocado para você chegar, onde está Suzumiya-san?"

Asahina aparentava estar fazendo chá novamente.

"Voltou para casa, ela parecia estar realmente cansada. Se você deseja se vingar dela, agora é a chance, neste momento ela deve estar muito fraca. "

"Eu não faria uma coisa dessas!"

Nós sentamos frente a frente e bebemos nosso chá enquanto Nagato lia. Nós parecíamos ter voltado a ser a mesma associação sem sentido de antes.

"E o Koizumi ainda não chegou?"

"Koizumi-kun veio aqui mais cedo, ele disse que tinha um trabalho de meio período hoje, então foi embora mais cedo."

Que tipo de trabalho de meio período? Mas como as coisas estavam, podia confiantemente riscar Koizumi e Haruhi da lista de suspeitos de quem escrevera o bilhete.

Como não tínhamos nada para fazer, joguei um pouco de Othello com Asahina enquanto conversávamos. Após vencer três jogos, nós paramos e fomos surfar na Internet para ler as noticias e, neste momento, Nagato fechou o seu livro. Recentemente tomamos a ação dela como um sinal de que as atividades diárias do clube (mesmo não sabendo quais atividades eram) haviam acabado, começamos a nos arrumar e partimos.

"Preciso me trocar, pode ir na frente." - ouvindo Asahina dizer aquilo, corri para fora da sala.

O relógio apontava para cinco e meia, não deveria ter mais ninguém na sala, suponho. Mesmo se fosse uma brincadeira do Taniguchi, ele deveria ter voltado para casa entediado por esperar tanto tempo. Deixando isso de lado, eu ainda corri pelos dois lances de escadas até o ultimo andar, só para garantir.

Respirei fundo no corredor silencioso. Como as janelas das salas estavam todas foscas, não havia como ver o que se passava lá dentro, apenas via o por do sol colorindo a sala de laranja. Eu casualmente abri a porta da sala 1-5 e coloquei minha cabeça para dentro.


Não fiquei tão surpreso ao ver que tinha alguém lá dentro, mas fiquei chocado quando descobri quem estava lá. Parada na frente do quadro negro, estava uma pessoa que nunca havia chegado a pensar.

“Você está atrasado."

Ryouko Asakura sorriu.

Ela adulou seus longos cabelos sedosos, e começou a andar corredor abaixo. Suas canelas lisas sob sua saia amarrotada e seus sapatos interiormente brancos realmente me distraiam.

Ela parou no meio da sala, e acenou para mim com um sorriso.

"Pode entrar!"

Achei que estivesse sendo sugado para dentro, aquela sua ação me fizera soltar-se da porta e andar em sua direção.

"Então era você..."

"Sim, surpreso?"

Asakura sorriu alegremente, o lado direito do seu rosto estava vermelho com o brilho do sol.

"Você estava me procurando?"

Perguntei intencionalmente em um tom rude. Asakura riu e respondeu.

"Sim, eu estava lhe procurando, tinha uma coisa para perguntar para você."

O rosto branco de Asakura se virou em minha direção.

"Você já ouviu falar no ditado que diz que 'é melhor fazer e se arrepender do que nunca ter feito'? Você acha que ele faz sentido?"

"Não estou certo sobre quem disse isso, mas acho que faz sentido sim."

"Se há uma situação aonde se manter na mesmice poderia deixar as coisas piores, e você não tem nem idéia de como melhorá-las, o que você faria?"

"Melhorar o que? A economia?"

Ignorando minha indagação, Asakura sorriu novamente e continuou.

Ryouko: "Terei de matar você, e ver que tipo de reação que Suzumiya Haruhi terá."

"Você não disse que se deve fazer as coisas primeiro e encarar as conseqüências depois? Pois você sabe que nada vai mudar se as coisas continuarem assim."

"Hmm, eu acho que sim."

"É isso que eu quis dizer."

Asakura, que tinha suas mãos nas costas, se inclinou levemente para frente.

"De qualquer forma, sendo que aqueles acima são incapazes de pensar lateralmente, e que eles não combinam com as mudanças rápidas nesta realidade, eu estou empenhada em fazer algo para que as coisas corram de maneira mais suave. E isso é o porquê, estando eu nessa realidade, decidi agir por conta própria e forçar algumas mudanças."

Que diabos você está falando? Esse é algum tipo de pegadinha? Eu olhei ao meu redor, pensando se Taniguchi estava se escondendo no armário de vassouras lá atrás, ou embaixo da mesa da professora.

"Cansei de ter de observar um ambiente sem mudanças, e isso é o por que..."

Estava tão ocupado olhando ao meu redor, que realmente não estava ouvindo as palavras de Asakura.

"Terei de matar você, e ver que tipo de reação que Suzumiya Haruhi terá."

Em um instante, Asakura avançou com a mão direita, e um brilho claro e metálico passou ao lado de onde meu pescoço costumava ficar.

Sorrindo prazerosamente, a mão direita de Asakura revelou uma faca afiada como as do exercito.

Tive muita sorte de desviar do primeiro golpe. Pois agora estou com as costas no chão, olhando absorto para Asakura. Se estiver encurrado, não vou ter como escapar! Esse pensamento passou pela minha mente, e eu me arrastei para trás como um gafanhoto.

Porque ela não me perseguiu?

... não, espere! Que diabos está acontecendo? Porque Asakura quer me esfaquear? Só um segundo, o que ela acabou de dizer? Ela quer me matar? Me matar? Mas, por quê?

"Pare de brincadeira!"

Eu apenas pude dizer aquela minha sentença registrada.

"Isso foi realmente perigoso! Mesmo que seja uma faca falsa, eu fiquei muito assustado! Solte já essa coisa!"

Eu estava realmente confuso. Se alguém entender o que esta acontecendo, por favor, venha até aqui e me explique!

"Você acha que eu estou brincando?" Asakura disse em um tom muito animado, e não soava muito serio afinal. Parando para pensar, uma colegial sorrindo, enquanto ameaça a sua vida com uma faca na mão é algo que realmente dá medo. Então, agora você sabe quão assustado eu estava.

"Hmph!"

Asakura bateu em seu ombro com a parte de trás da lamina.

"Você não gostaria de morrer? Você não quer morrer? A morte de entidades orgânicas não significa nada para mim."

Eu levantei devagar. Isso tinha que ser uma piada, só estou assustado porque sou sério demais. Eu continuava a me dizer isso, pois era tudo surreal demais. Asakura, a monitora de classe séria e responsável, que falava apenas o necessário na sala, não enlouqueceria se confrontada com um problema. Porque ela carregaria uma faca e diria que queria me matar tão subitamente?

É, a faca era de verdade, se não tivesse cuidado eu sangraria por todo o lugar.

"Eu não entendo o que você está falando. Acabou a graça, ok? Deixe essa coisa medonha longe de mim!"

"Eu não posso fazer isso." Ela mostrou seu sorriso inocente de sempre. "Pois eu quero realmente te ver morto."

Ela segurou a faca pelo centro, e correu em direção a mim. Ela é rápida! Mas dessa vez eu estava preparado. Pois muito antes de Asakura fazer seu movimento, eu já havia pensado em escapar pela porta – mas acabei batendo na parede.

????

Isso é estranho, para onde a porta foi? Até mesmo as janelas desapareceram! Deveriam ter janelas na parede ao lado do corredor, agora só havia um muro grosso e cinza.

Impossível!

“É inútil.”

A voz de Asakura aumentou de tom, se aproximando por trás.

“Agora eu tenho controle dessa área espacial, então bloqueei todas as saídas. É algo bem fácil na verdade, tudo que tive de fazer foi interferir na estrutura molecular das construções desse planeta, e então eu posso alterar a matéria a minha bel vontade. Essa sala se tornou completamente selada, não há maneiras de entrar ou sair agora.”

Virei-me e percebi que o por do sol desaparecera também. A sala inteira estava cercada por paredes de concreto, deixando apenas as lâmpadas brancas brilhando friamente sobre as mesas.

Não pode ser!

A silhueta de Asakura moveu-se vagarosamente em minha direção.

“Eu avisei para não resistir; você vai morrer, de qualquer forma.”

“... o que exatamente é você?”

Não importa como eu olhasse, havia paredes a minha volta. Não existia uma única porta ou janela, nada! Tem algo de errado com o meu cérebro?

Eu me movi desesperadamente entre as mesas, tentando ficar o mais longe possível de Asakura. Mas ela andava em minha direção em linha reta, empurrando as mesas e cadeiras do seu caminho apenas com sua vontade. Comparado a ela, meu caminho estava sempre bloqueado pelas carteiras.

Essa perseguição de gato e rato não duraria muito, e eventualmente eu fui encurralado.

Se esse é o caso...

Decidi correr o risco e joguei uma cadeira em Asakura, mas ela girou no ar em frente a garota, e voou para o outro lado da sala. Como isso é possível?

“Não lhe disse que era inútil? Tudo nessa sala se move de acordo com a minha vontade.”

Espera... espera!

O que está acontecendo? Se isso não era uma piada ou brincadeira, e nem eu ou Asakura estávamos loucos, então o que ocorria ali?

Terei de matar você, e ver que tipo de reação que Suzumiya Haruhi terá.


Porque era sobre ela novamente? Haruhi, você não está se tornando um pouco popular demais?

“Eu devia ter feito isso desde o começo.”

Meu corpo congelou após Asakura dizer aquilo. Você não pode fazer isso! É trapaça!

Meus pés estavam enraizados no chão como uma arvore incapaz de se mexer. Meus braços estavam presos como uma estatua de cera – eu não podia nem mesmo mover meus dedos. Meu rosto, travado olhando para o chão, podia ver os sapatos de Asakura entrando lentamente no meu campo de visão.

“Assim que você morrer, Suzumiya Haruhi está propensa a ter algum tipo de reação. Isso pode gerar uma explosão de dados da qual podemos resgatar algo. Essa pode ser uma chance única para nós.”

Eu realmente não me importo com isso!

“Agora morra.”

Eu pude sentir Asakura levantando a faca. Por onde ela começaria? As artérias da garganta, coração? Se soubesse como eu ia morrer, eu poderia ao menos me preparar. Deixe-me fechar os olhos... não, eu não posso fazer isso. O... o que foi isso!?

Subitamente senti o ar tremer. A faca começara a descer sobre mim...

Naquela hora, um barulho alto de desmoronamento veio do teto, seguido pelos escombros caindo. Alguns deles caíram em minha cabeça – isso dói! Droga! Eu estava coberto de pó branco vindo da grande quantidade de destroços que caiam. Acho que Asakura também estava coberta de pó. Queria ver como ela estava agora, mas não posso me mexer... não, espera! Eu posso me mexer novamente!

Levantei minha cabeça e descobri...!

Uma Asakura chocada – prestes a fatiar meu pescoço. Parada em frente dela, segurando a lamina com as mãos nuas, estava a figura esguia de Yuki Nagato.

(Uau, ela pode parar uma lamina somente com as mãos vazias.)

“Seus programas são básicos demais.” – disse Nagato em seu tom inexpressível de sempre.

“A trava dos dados nesta área de aprisionamento é incompleta. Assim eu fui capaz descobri-la e entrar.”

“Você quer se meter em meu caminho?” - Asakura parecia calma - ”Assim que matar essa pessoa, Suzumiya Haruhi está propensa a ter algum tipo de reação. Apenas assim conseguiremos mais dados.”

“Você deveria ser o meu backup [4]” - Nagato disse como um mantra - “Esse tipo de insubordinação é proibida; você deve obedecer aos meus comandos.” 4-[Nota do tradutor: cópia de segurança de algum tipo de dados].

“E se eu me recusar?”

“Então desconectarei sua interface de dados.”

“Gostaria de tentar? Eu tenho a vantagem aqui, pois esta sala de aula pertence à minha área de controle de dados.”

“Processando aplicação para desconexão de interface de dados.”

Assim que Nagato terminou, a faca em sua mão começou a brilhar forte. Então, como um cubo de açúcar derretendo em um copo de chá, ela lentamente cristalizou-se e se dissolveu, caindo como pó em direção chão.

“!!”

Asakura largou a faca e saltou cinco metros para longe. Ao ver esta cena eu não pude evitar, mas aceitar – whoa, essas duas não são humanas.

Aumentando a distância em um instante, Asakura pousou elegantemente e continuou sorrindo como o usual.

O lugar começou a se distorcer – eu apenas poderia descrever assim. Asakura, as mesas, o teto e o chão, tremeram vigorosamente; ainda mais, tinha a aparência de algo que parecia metal liquido mesmo eu não podendo ver aquilo claramente.

Justo quando eu estava imaginando como aquele espaço estava se tornando algo que parecia com lanças, uma explosão cristalizada ocorreu em frente às palmas das mãos erguidas de Nagato.

No segundo seguinte, varias explosões cristalinas surgiram ao redor de Nagato, seguidas por pó caindo no chão. Os objetos cristalizados que pareciam com lanças voaram em todas as direções em nossa direção na velocidade de um raio. Aquilo tudo já acabara quando eu encontrei Nagato revidando as lanças com a mesma velocidade.

“Não se mexa.”

Nagato desviou dos ataques de Asakura, puxando minha gravata, para que me agachasse e me escondesse detrás dela.

“Whoa!”

Um objeto desconhecido voou sobre minha cabeça e atingindo o quadro negro, transformando-o em pedaços.

Nagato olhou um pouco para cima, e então instantes depois estalactites de gelo surgiram no teto, e caíram sobre Asakura. Ela esquivou-se com tanta velocidade que não podia ser vista por olhos nus, e instantaneamente uma floresta de estalagmites de gelo formou-se no chão.

“Não há como você me vencer nesta área” - Asakura disse calmamente. Ela e Nagato estavam paradas há poucos metros de distancia, encarando uma a outra, enquanto eu apenas podia ficar agachado no chão, indefeso, não ousando me levantar.

Nagato parou em minha frente com as pernas entreabertas, e foi ai que percebi que ela era tão séria a ponto de escrever o seu nome nos interior dos sapatos. Então, como se estivesse recitando uma oração, Nagato murmurou levemente.

  SELECT serial_code
   FROM database
   WHERE code='data'
   ORDER BY aggressive_combat_data
   HAVING terminate_mode

“Nome do alvo: Ryouko Asakura, hostilidade confirmada. Desconectando interface de informação orgânica do alvo.”

O espaço normal não mais existia naquela sala. Tudo se tornou formas geométricas, parecendo distorcidas ou em forma de cone. Vendo esse cenário surreal era como entrar em uma casa de horrores de um desses parques temáticos, fiquei zonzo só de olhar.

“Você vai parar de funcionar antes de mim.”

Eu não tinha idéia de onde a voz de Asakura vinha com toda essa miragem colorida.

Whoosh, o som do vento cortando o ar.

Nagato me chutou com as costas do calcanhar.

“O que você...”

Antes de poder terminar, uma lança tão rápida, que mal consegui ver, passou rente ao meu nariz e atingiu o chão.

“Vamos ver por quanto tempo você consegue protege-lo. Tome isso!”

No segundo seguinte, Nagato parou em minha frente, empalada por mais ou menos doze lanças longas e amarronzadas.

“ ... ”

Em outras palavras, Asakura atacou Nagato e eu de todas as direções simultaneamente. Nagato conseguiu cristalizar algumas das lanças e destruí-las, mas tentando me impedir de ser atingido pelas lanças restantes, me protegeu com o seu corpo. Mas eu não sabia disso ainda, sendo que tudo aconteceu rápido demais.

Os óculos de Nagato caíram de seu rosto e quicaram suavemente ao cair no chão.

“NAGATO!”

“Você não deve se mover.” - Ela disse calmamente, apontando para as lanças presas no seu peito e estomago. Uma poça de sangue começou a se formar sob seus pés.

“Eu estou bem.”

Deus, como isso pode ser estar bem?

Nagato arrancou as lanças de seu corpo, sem hesitação alguma. As lanças ensangüentadas caiam no chão com um barulho frio, e se tornaram mesas instantaneamente. Então é disso que elas são feitas?

“Estando tão ferida assim, eu não acho que você possa me parar agora. Ai vai o golpe de misericórdia!”

Do outro lado do espaço distorcido, a imagem de Asakura desaparecia e aparecia. Eu podia ver um sorriso em seu rosto, ela levantou as mãos – e se não me engano seus braços brilharam até a ponta dos dedos, e aumentaram duas vezes de tamanho. Não, não foram só duas vezes...

“Por favor, morra!”

Os Braços de Asakura continuaram a aumentar, se debatendo como tentáculos, e se aproximando em ambas as direções. Incapaz de se mexer, a pequena figura de Nagato tremeu violentamente… No instante seguinte meu rosto estava coberto de sangue.

A mão esquerda de Asakura perfurou o abdômen de Nagato, enquanto a direita atingiu o lado direito de seu peito, trespassando suas costas e parando apenas na parede da sala. O sangue de Nagato escorria de sua boca até as suas pernas claras, aumentando ainda mais a poça de sangue abaixo dela.

“Acabou.” - disse Nagato calmamente, então ela agarrou-se aos tentáculos. Mas nada aconteceu.

“O que acabou?” - Asakura disse vitoriosa - “Seus três anos de vida?”

“Não.” - disse Nagato, seriamente ferida. Como se nada tivesse acontecido a ela. “Começando desconexão de interface de dados.”

Quase instantaneamente, tudo na sala começou a brilhar fortemente, se cristalizando e dissolvendo-se no segundo seguinte, a mesa atrás de mim tornou se areia e desabou.

“Como pode ser...”

A areia cristalizada caia do teto sem parar, agora era vez de Asakura ficar pasma.

“Você é realmente incrível.”

As lanças no corpo de Nagato também se transformaram em areia.

“Me tomou um pouco de tempo para penetrar no programa. Mas, tudo acabou agora.”

“Você já havia implantado fatores destrutivos antes de entrar nesse lugar, não é? Não é a toa que você parecia fraca. Era porque você havia usado os dados de ataque de antemão...” - Asakura disse desapontadamente, enquanto seus braços se cristalizavam.

“Sigh, é realmente uma pena, depois de tudo eu ainda sou somente um backup. Eu achei que essa era uma chance de se libertar desse beco sem saída.”

Asakura voltara a sua personalidade comum de colega de classe, e me olhou animada.

“Eu perdi. É ótimo que você pode sobreviver. Mas você deve se manter atento, a Entidade de Dados Integrados não é tão unida quanto você pensa, existe um bom número daqueles que como eu tem opiniões dissidentes. É como os seres humanos, haverão extremistas como eu da próxima vez. E quem sabe se aqueles que controlam Nagato-san não mudam de idéia e ela tente te matar?”

Ela estava coberta do peito aos pés pela substancia cristalina.

“Antes que isso aconteça, desejo a melhor das sortes para você e para Suzumiya-san. Até mais.”

Ao dizer aquilo, Asakura se dissolveu silenciosamente, se transformando em pequenos montes de areia. E então os pequenos montes continuaram a se dissolver até desaparecer completamente.

Sob uma chuva de areia cristalizada, a colegial conhecida como Ryouko Asakura desapareceu completamente da escola.

Então com um baque surdo, subitamente encontrei Nagato estirada no chão, me levantei desesperado.

“Nagato! Agüente firme! Vou chamar a ambulância!”

“Não há necessidade.”

Nagato olhou para o teto com seus olhos largamente abertos.

“Danos físicos não significam nada para mim. Nossa prioridade é restaurar essa área de volta ao seu estado original.”

Os cristais de areia pararam de cair.

“Removendo substancias impuras, reconstruindo sala de aula.”

Assim que ela terminou, a familiar sala da 1-5 reapareceu diante de meus olhos. Era como ver uma fita rebobinanando: tudo na sala voltara a ser como era antes.

O quadro negro, a mesa da professora, as cadeiras e mesas restantes, todas elas surgiram da areia branca a voltaram a sua forma original, como eu havia visto no final da aula de hoje. Não posso descrever o que estava acontecendo na minha mente naquela hora. Se não tivesse visto com meus próprios olhos, pensaria que essas imagens eram feitas com efeitos especiais em CG [5] de ponta.

3-[Nota do tradutor: animação gráfica, comuns em filmes e jogos de videogames].

Janelas cresceram das paredes, com seus vidros meio foscos intactos; o por do sol reaparecera lá fora, banhando a mim e a Nagato em uma luz alaranjada. Tentei olhar embaixo da minha mesa, todo o conteúdo estava lá, intacto, e até o sangue que acertou meu rosto havia completamente desaparecido. Isso era tão incrível. Só posso descrever como magia!

“Você está realmente bem?”

Eu me ajoelhei ao lado de Nagato que permanecia imóvel no chão. Havia pensado que haveriam muitas feridas e buracos no seu uniforme após ser perfurada por todas aquelas lanças, mas todos eles tinham desaparecido agora.

“Como o poder de processamento foi convertido em operação de dados, eu só tive que reverter um pouco a interface de junção.”

“Você precisa de ajuda pra se levantar?”

Surpreendentemente, Nagato não hesitou e segurou a minha mão, justo quando ela estava prestes a se levantar.

“Oh!”

Ela resfolegou repentinamente.

“Esqueci de regenerar um novo par de óculos.”

“... na verdade, acho que você fica melhor sem eles. Garotas quatro-olhos não fazem o meu tipo.”

“O que significa ‘garotas quatro-olhos?”

“Nada não, só um comentário estúpido meu.”

“Entendo.”

Agora não é hora de dizer essas coisas triviais. Arrependo-me de ter dito aquilo. Mesmo que significasse largar Nagato ali desalmadamente, eu deveria ter corrido da sala envergonhado.

“Yo!”

A porta da sala se abriu de súbito.

“Eu esqueci~ esqueci minhas coisas~”

Droga, entrando na sala, e cantarolando uma musica estúpida, estava Taniguchi.

Taniguchi provavelmente nunca havia pensado que havia alguém na sala. Quando nos encontrou, ele parou pasmo como sua boca aberta escancaradamente como um idiota.

Eu estava tentando levantar Nagato, mas se você apenas nos visse, parecia que eu a estava botando no chão lentamente.

“Desculpem-me.” - Taniguchi disse em um tom sério que nunca havia ouvido dele antes, e fugiu da sala de uma vez. Eu não tive tempo nem de persegui-lo.

“Que pessoa interessante.” - disse Nagato.

Suspirei pesadamente.

“O que deveríamos fazer agora?”

“Deixe comigo.” - Nagato disse, enquanto se recostava em meu peito.

“Manipulação de dados é minha especialidade, farei todos pensarem que Ryouko Asakura foi transferida.”

Então é assim que ela faz!

Agora não era hora de pensar naquelas coisas triviais, eu havia presenciado um evento incrível. Não era mais questão de acreditar ou não no que Nagato havia me dito outro dia, eu não ousava admitir que estava parcialmente convencido. Mesmo que o que aconteceu agora me levou a perceber quão sérias as coisas eram. Eu realmente achei que ia morrer! Se Nagato não tivesse aparecido do teto, eu teria sido morto por Asakura. A experiência de ver a sala se distorcendo, os braços de Asakura se estendendo de maneira anormal, e Nagato a eliminando friamente estavam incrustados em minha mente.

Nagato estava usando isso para me dizer que realmente era um alien?

De certa forma isso não me fazia um participante de um evento misterioso? Como disse no começo, eu queria ser um expectador que foi sugado para um desses eventos, contente em ser um mero coadjuvante. Mas como as coisas estavam, eu já era o protagonista! Certo, eu realmente desejei ser um personagem em uma historia envolvendo aliens, mas quando me realmente me tornei um, a perspectiva mudou completamente.

Para ser honesto, eu estou bastante incomodado com isso.

O que eu realmente queria era ser o tipo de personagem que alegremente dava um conselho útil no momento certo, quando todos enfrentavam uma situação difícil. Eu não queria ter minha vida ameaçada pelos meus próprios colegas de classe! Eu tenho meus princípios quando se refere a minha vida.

Minha mente vagava sem rumo por algum tempo enquanto eu estava sentado na sala colorida de laranja. Esqueci completamente que Nagato descansava sobre meu peito.

O... o que é tudo isso? O que eu estava pensando? Graças a minha distração todo esse tempo, não percebi que ela havia terminado sua regeneração e estava me encarando inexpressiva já faz algum tempo.


No dia seguinte, Ryouko Asakura desaparecera da sala.

Esse desfecho era inevitável, mas, eu era o único que pensava assim.

“Hmm, acho que tem algo a ver com o trabalho do pai de Asakura, esse é o motivo dela ter se transferido tão subitamente. Para ser franco, os professores também ficaram chocados quando ouviram. Como ela tinha que deixar o país, Asakura havia ido ontem mesmo.”

Quando Okabe-sensei anunciou a noticia, a maioria das garotas da sala exclamou surpresa; “O que?” , “Como?”, enquanto os garotos também comentaram sobre o caso. Até mesmo o professor mantinha um olhar de perplexidade. Não surpreendentemente, a garota atrás de mim não poderia ficar quieta em relação a isso.

Smack! Ela bateu atrás da minha cabeça com seus punhos.

“Kyon, esse TÊM que ser um evento misterioso!” - os olhos de Haruhi brilharam como se ela tivesse recuperado todo o seu vigor usual.

O que deveria fazer? Contar a verdade a ela?

Na verdade, Asakura-san foi criada por um grupo desconhecido chamado Entidade Senciente de Dados Integrados, Nagato-san também era uma de suas colegas, mas por alguma razão seu relacionamento foi por água abaixo, e no final Asakura-san resolveu me matar. Mesmo envolvendo a mim, a razão verdadeira era você. De qualquer forma, Asakura foi transformada em uma pilha de areia por Nagato e desapareceu.

Por favor! Eu seria ridicularizado pelo resto da vida se dissesse uma coisa dessas, e não pretendo falar isso. Vou fingir que tudo que ocorreu ontem foi uma ilusão e deixar isso como está.

"Primeiro, um estudante misterioso é transferido para cá, depois uma garota se transfere misteriosamente. Tem que ter algo de errado acontecendo!"

Deveria a aplaudir pelos seus instintos brilhantes?

"Talvez seu pai tenha tido que se transferir do emprego?"

"Não vou aceitar uma desculpa tão estúpida."

"Acreditando ou não, essa é a razão numero um para as pessoas se transferirem das escolas."

"Mas você não acha isso estranho? Só tomou um dia para seu pai receber a noticia da transferência e se mudar. Que tipo de trabalho o pai dela fazia afinal?"

"Talvez o pai de Asakura não tivesse dito a ela antes..."

"Isso é impossível. Precisamos investigar mais minuciosamente."

Tudo que queria dizer é que a transferência de emprego foi uma desculpa; eles escaparam no meio da noite dos seus credores, após deixar uma montanha de dividas, mas decidi não fazê-lo. Sendo que a única pessoa que sabia a razão verdadeira ali era eu.

"Como um membro da Brigada SOS, não posso deixar um acontecimento misterioso desse tipo ficar jogado por ai sem solução."

Por favor, pare!

Depois do que me acontecera ontem, eu tive uma completa mudança durante a noite. Depois de ter testemunhado toda aquela coisa sobrenatural em primeira mão, e tentar me convencer que nada havia acontecido, eu tive que escolher uma das seguintes opiniões: ou eu estava alucinando; havia algo de errado com meu cérebro; ou o mundo era estranho o suficiente; ou eu tinha tido um sonho muito longo.

Alem disso, eu nunca poderia admitir que o mundo não passava de uma realidade virtual.

Cara! Para alguém que acaba de fazer 15 anos, ter de encarar um ponto de virada em sua vida é algo um pouco cedo demais!

Porque um estudante de ensino médio como eu, tem de lidar com esse tipo de questões filosóficas como; se o mundo existe ou não? Esse não é o tipo de coisa que eu deveria estar pensando agora. Por favor, não aumentem mais os meus problemas.

Agora mesmo eu tenho um monte de coisas complicadas com que lidar!




Capítulo 6[edit]

Capítulo 6


Eu achei, assim como ontem, uma outra carta dentro do meu armário de sapatos. O que há com essas pessoas que deixam bilhetes pelos armários de sapatos nestes dias?

Eu tive uma sensação diferente desta vez, de qualquer forma. A carta não estava dobrada e não era anônima como a da última vez. Atrás do envelope - que se parecia com aqueles envelopes elegantes que vem em revistas de shoujo manga com questionários e coisas assim - estava escrito claramente um nome. Se meus olhos não me enganavam, eu estava certo de qual nome estava escrito ali.

Mikuru Asahina.

Instantaneamente coloquei o envelope no bolso da jaqueta e corri para o banheiro masculino para o abrir. Havia um pedaço de papel com símbolos sorridentes desenhados por toda sua superfície, e estava escrito o seguinte:

Estarei esperando você na sala do clube durante o intervalo do almoço.

Mikuru-chan.

Depois dos eventos ocorridos ontem, minha visão da vida, do mundo, e da própria realidade deu uma pirueta de 360 graus como um acrobata.

Eu nunca mais queria passar por situações de risco de vida novamente.

Mesmo não podendo acabar com tudo isso. No final, era Asahina que estava me convidando desta vez! Mesmo não tendo evidência nenhuma que provasse que a carta era dela, nunca duvidei de sua autenticidade, pois ela parecia ser o tipo de pessoa que se usa dessas indiretas. E mais, a imagem dela segurando a caneta e escrevendo excitadamente um pedaço de papel bonitinho, realmente se ajustava a Asahina. Alem disso, no horário de almoço, Nagato estava por perto e, se algo acontecesse, ela estaria lá para me salvar.

Por favor, não me chamem de covarde. No final, sou apenas um colegial comum.


Depois da quarta aula, fui cercado por: Taniguchi, que me olhava com aqueles olhos cheios de significado, por Kunikida, que carregava sua lancheira, me convidando para ir comer com eles; e por Haruhi, pedindo para ir com ela até a secretaria para investigar a verdade por trás da partida de Asahina. Sem nem ao menos comer nada, fui de uma vez até a sala do clube.

Era apenas maio, mesmo assim o sol brilhava com a força do verão. O sol era como uma fogueira colossal, irradiando alegremente sua energia em direção a Terra. Quando o verão finalmente chegasse o Japão se tornaria uma sauna natural. Podia sentir o suor escorrendo da minha roupa de baixo enquanto andava.

Em três minutos, cheguei ao clube. Bati na porta ao chegar.

“Por favor, entre.”

Era a voz de Asahina, sem duvida nenhuma em relação a isso. Certo, posso relaxar e entrar.

Quando entrei, não encontrei Nagato, e para minha surpresa, nem Asahina.

Em frente a mim estava uma garota de cabelos longos, apoiada no parapeito da janela, olhando para o pátio da escola. Ela vestia uma blusa branca e uma minissaia preta, enquanto em seus pés se podia ver um par de sapatos feitos para os visitantes da escola.

Quando ela me viu, andou em direção a mim, e segurou minhas mãos afetuosamente.

“Kyon-kun... já faz algum tempo.”

Ela não era Asahina, mesmo se parecendo muito com ela. Tanto que facilmente alguém a confundiria ela e a própria Asahina. Para ser honesto, até eu podia pensar que era ela.

Mas assim mesmo não era Asahina. A Asahina que conhecia não era tão alta, e seu rosto não era tão maduro, sem mencionar que os seios debaixo de sua blusa não podiam ter crescido um terço do dia para a noite.

Não importa o quanto olhasse, eu tinha certeza que a pessoa em minha frente, que sorria enquanto segurava as minhas mãos, tinha seus vinte e tantos anos, dando uma impressão completamente diferente da garota com aparência de estudante do fundamental que era Asahina. Mas como diabos essa mulher se parecia tanto com ela?

“Desculpe-me...”

Subitamente pensei em um motivo.

“Você é a... irmã de Asahina-san?”

Ela pareceu surpresa por alguns segundos, então sorriu e piscou os olhos, abanando os ombros. Até mesmo o sorriso era igual.

“Hee hee, eu sou eu.” - ela disse.

“Sou Mikuru Asahina. Mas venho de uma linha temporal mais adiantada... sempre quis me encontrar com você.”

Devo ter parecido muito estúpido naquela hora. Mas, facilmente podia aceitar Asahina dizendo ser sua versão do futuro. Olhando para a beldade em minha frente, percebi quão bonita ela ficaria quando crescesse. E mais, ela era mais alta, a fazendo ainda mais sexy. Nunca pensei que ela pudesse se tornar tão bela.

“Oh, você ainda não acredita em mim?”

Asahina em sua roupa de secretaria disse maliciosamente.

“Então vou te mostrar a prova!”

Ela começara a desabotoar a blusa. Quando abriu o segundo botão, seu busto foi revelado para a minha surpresa.

“Olhe, você pode ver a pinta em forma de estrela? Não foi colada! Quer tocar nela?”

Havia uma marca em forma de estrela em seu seio esquerdo, um holofote atrativo em sua pele alva, radiando charme.

“Então, acredita agora?”

Como poderia dizer isso? Eu nunca havia visto que Asahina tinha uma pinta no peito. Mesmo sendo forçado a ver ela se trocar enquanto se vestia de bunny-gal há tempos atrás, não fiquei tão concentrado a ponto de perceber esse pequeno detalhe. Enquanto pensava nisso, a atraente e madura Asahina falou.

“Isso é estranho. Se você não tivesse me dito sobre essa pinta, não teria percebido sozinha.”

Asahina balançou confusa a cabeça, e então, como se tivesse acabado de perceber algo, seus olhos se arregalaram e ela corou furiosamente.

"Eh... a não, eu apenas... c... certo! Nós ainda não... o que eu deveria fazer?"

Asahina colocou suas mãos sobre o rosto e balançou freneticamente, os botões de sua blusa continuavam abertos.

"Entendi errado... me... desculpe-me, esqueça o que eu acabei de dizer!"

Era mas fácil falar do que fazer. Oh, e você poderia abotoar a blusa novamente? Eu realmente não sei mais para onde olhar!

"Certo, por hora, acredito em você. Na verdade, agora estou propenso em acreditar em qualquer coisa."

"Perdão, o que disse?"

"Ah, nada. Só falando sozinho."

Aquela Asahina de idade desconhecida continuava segurando seu rosto avermelhado, até perceber para onde eu estava olhando, e rapidamente fechou os botões. Após se sentar, ela pigarreou seco, e disse.

"Você realmente acredita que vim do futuro desse plano temporal?"

"Claro. Mas se esse é o caso, significa que temos duas Asahinas nesse mundo?"

"Sim, o meu eu do passado... Agora mesmo, está sentada com suas colegas lanchando na sala."

"Asahina sabe que você está aqui?"

"Não, no final das contas, ela é o meu passado."

Entendo.

"Como tinha que lhe dizer algo, implorei aos meus superiores que me deixassem vir a esse quadro temporal. Ah sim, eu pedi a Nagato que nos deixasse sozinhos por enquanto."

Como era Nagato, acredito que ela nem tenha se abalado nem um pouco ao ver essa versão de Asahina.

"... você sabe quem Nagato-san realmente é?"

"Perdão, mas essa é uma informação confidencial. Oh, acho que faz muito tempo que não digo isso."

"Ouvi você dizer isso há poucos dias atrás."

"Você está certo." - ela disse enquanto batia levemente na cabeça colocando a língua para fora. Certamente isso parece ser algo que a Asahina faria.

Repentinamente ela começou a me olhar seriamente.

“Não posso ficar muito tempo aqui, então vou direto ao ponto.”

Diga o que tem que dizer logo!

“Você já ouviu falar da Branca de Neve?”

Eu olhei para a um-pouco-mais-alta Asahina. Suas pupilas negras pareciam estar um pouco úmidas.

“Bem, sim...”

“Não importa por quais situações complicadas você passe de agora em diante, espero que se lembre dessa historia.”

“Você diz aquela com os sete anões, a bruxa malvada, e a maça envenenada?”

“Sim, a historia da Branca de Neve.”

“Eu já passei por uma historia complicada ontem.”

“Não... será bem mais sério que isso. Não posso dizer detalhes, mas posso afirmar que Suzumiya Haruhi estará ao seu lado quando acontecer.”

Haruhi? Estará comigo? Você diz que eu e ela nos envolveremos em algo problemático? Quando? Onde?

“Talvez Suzumiya-san não ache isso um incomodo... Mas para você e para nós, será um problema complicado.”

“Você não pode me dizer os detalhes... pode?”

“Desculpe, mas só posso dar pistas a você. É tudo que posso fazer.”

A adulta Asahina estava querendo se desculpar tanto, que chegava próxima as lagrimas. Sim, essa é a expressão que a nossa Asahina geralmente mostra.

“Você diz a historia da Branca de Neve?”

“Sim.”

“Vou me lembrar disso.”

Após me ver concordar, Asahina disse que tinha um pouco de tempo sobrando, então caminhou nostalgicamente pelo clube, acariciando preciosamente a fantasia de maid que estava pendurada no armário.

“Eu costumava vestir isso freqüentemente. Agora, definitivamente, eu não ousaria colocar isso.”

“Você parece estar fazendo um cosplay de secretaria agora.”

“Hee hee, como não entro em meu uniforme, tenho que me vestir como professora.”

Algumas pessoas nascem para usar fantasias.

“Falando nisso, o que mais Haruhi fez você vestir?”

“Não vou te falar, é embaraçoso demais. Alem do mais, creio que você vai descobrir logo, certo?”

Asahina caminhou em direção ao meu rosto. Descobri que seus olhos estavam anormalmente úmidos e seu rosto um tanto vermelho.

“Então, estou indo agora!”

Asahina olhou para mim, querendo continuar, porem decidiu parar. A vendo tremer e parecer desejar algo, talvez eu a devesse beijá-la. Quando estava prestes a abraçá-la, ela recuou.

Asahina se virou com leveza, e falou;

“Finalmente, eu tenho mais um pedido. Por favor, não se aproxime muito de mim.”

Ela disse aquilo entrecortado por um fraco suspiro.

Eu rapidamente exclamei a ela, que corria em direção a porta; “Tenho uma pergunta para você!”

Asahina parou justo quando estava prestes a abrir a porta.

“Asahina-san, quantos anos você tem agora?”

Ela virou balançando seus cabelos, então deu um sorriso sedutor.

“Informação confidencial~”


A porta se fechou. Provavelmente não fazia sentido ir atrás dela.

Wow, eu mal podia acreditar que Asahina se tornaria tão bonita quando crescesse. Quando subitamente percebi que a primeira coisa que ela havia dito. “Kyon-kun... já faz algum tempo.” Isso só podia significar que ela não havia me visto por muito tempo.

“Sim, isso deve fazer sentido.”

A Asahina do futuro provavelmente deve ter retornado ao seu futuro não tão distante, e gasto alguns anos por lá, antes de ter me encontrado nessa época novamente.

Mas quanto tempo foi para ela? Pelo quanto ela havia crescido, eu dou uns cinco anos... ou até mesmo três! As garotas mudam muito quando saem do colegial. Com minha prima foi assim. Quando estava no colegial, sempre fora uma quieta colegial que não atraia atenção alguma. Então quando entrou na universidade, ela se metamorfoseou de uma horrenda lagarta para uma bela borboleta. Mesmo que ela tenha crescido, fiquei ainda mais confuso pela idade real de Asahina; eu não acho que ela tenha 17 realmente!

Cara, que fome, acho que vou voltar.

“ ... ”

Então, Yuki Nagato entrou com sua bem preservada face gélida, mas ela não estava usando óculos hoje, seu olhar nu pousou sobre mim.

“Ei, você viu alguém parecida com Asahina passando por aqui?” - disse em um tom de brincadeira.

“Eu já havia visto o clone de diferencial temporal de Mikuru Asahina esta manhã.”

Nagato sentou-se silenciosamente, colocou o livro sobre a mesa e começou a ler.

"Ela não está mais aqui, e já saiu desse quadro temporal."

"Você pode viajar pelo tempo também? Com essa coisa de Entidade de Dados?"

"Eu não posso. Porém, o movimento temporal não é uma coisa tão difícil quanto se pode pensar; apenas que os humanos ainda não compreenderam seus princípios básicos. Tempo é como o espaço; se movimentar por ele é muito simples."

"Você pode me ensinar?"

"Esse conceito não pode ser explicado em palavras, você não entenderia nem se eu lhe explicasse."

"Então é assim?"

"Sim."

"É uma pena então."

"Uma pena."

Não fazia sentido dialogar com um personagem estático. Então decidi voltar à sala. Será que eu ainda tinha um tempo para almoçar?

"Nagato-san, obrigado por ontem."

Sua expressão estática se moveu levemente.

"Não há necessidade de agradecimentos. As ações de Ryouko Asakura são de minha responsabilidade; Minha supervisão foi muito descuidada."

Seu cabelo balançou-se lentamente.

Ela estava tentando se curvar a pedir desculpas?

"Você definitivamente fica melhor sem os óculos."

Ela não respondeu.

Eu queria correr de volta a sala e comer, mas Haruhi me esperava na porta, e meus planos para o almoço foram jogados pela janela. Isso pode ser o destino? Parece que cheguei a um ponto que posso ver através de todo o karma [1].

1-[Nota do tradutor: as religiões utilizam o termo Karma para expressar um conjunto de ações dos Homens e suas conseqüências].

Esperando impacientemente no corredor, Haruhi gritou em um tom irritado.

"Aonde você foi? Achei que ia voltar antes, eu nem comi porque fiquei esperando por você todo esse tempo!"

Ela não parecia tão brava assim, simplesmente soava como aquelas amigas de infância que gritam para esconder a sua vergonha.

"Não fique parado ai que nem um idiota! Me siga!"

Haruhi me deu uma chave de braço e me puxou para uma escadaria escura.

Cara, estou realmente com fome!

"Eu perguntei ao Okabe na sala dos funcionários. Os professores só souberam da transferência esta manhã. Bem cedo, alguém dizendo ser o pai de Asakura, apareceu dizendo que eles deveriam se mudar devido a uma emergência. E você sabe pra onde eles estavam indo? Canadá! Como isso é possível? Tem algo muito errado ai!"

"Sério?"

"No final das contas, eu disse que era uma boa amiga da Asakura e queria saber se havia como contatar ela no Canadá."

Me poupe, você mal falava com ela quando estava por perto.

"Você sabe o que os professores disseram? Que eles também não sabiam. Normalmente quando alguém está de mudança, eles geralmente não deixam os detalhes para contato? Há alguma coisa estranha aqui."

"Não, não há!"

"Então, pedi pelo antigo endereço de Ryouko Asakura antes dela se mudar. Eu vou lá dar uma olhada depois da aula. Talvez nós possamos achar algo por lá."

Essa garota nunca ouve o que os outros dizem, como sempre.

Esquece, eu não vou conseguir detê-la. No final quem vai perder tempo vai ser Haruhi, não eu.

"E você vai comigo!"

"Por que!?"

Haruhi levantou os ombros, e como um dragão inspirando antes de soltar seu sopro de fogo, ela gritou em um volume que toda a escola poderia ouvir.

"PORQUE VOCÊ É UM MEMBRO DA BRIGADA SOS!!!"


Incomodado com as ordens de Haruhi, eu recuei freneticamente. Fui para a sala do clube para falar a Nagato que tanto eu quanto Haruhi não estaríamos no clube hoje, e ficava a cargo dela passar a mensagem para Koizumi e Asahina quando eles chegassem. Não sabia se essa alien silenciosa faria as coisas ficarem ainda mais complicadas, então só pra ter certeza, peguei uma caneta e escrevi no verso em um dos panfletos da Brigada SOS.

‘Não haverão atividades da Brigada SOS hoje. – Haruhi.”

E colei o bilhete na porta.

Deixando Koizumi de lado, pelo menos Asahina poderia economizar tempo em vestir a roupa de maid.

Graças a isso o sinal para a quinta tocou antes que pudesse comer algo. Então teria de esperar pelo próximo intervalo para me alimentar.


Estaria mentindo se dissesse que nunca quis andar lado a lado com uma garota depois da aula que nem em uma dessas novelas. Mas agora que o sonho se tornara realidade, estou bem longe de estar feliz. Então, o que está acontecendo?

“Você disse alguma coisa?”

Haruhi perguntou enquanto andava a minha esquerda, com passos largos e carregando um papel para anotações. Automaticamente interpretei a sua pergunta como ”Tem algum problema?”

“Nada, nada mesmo.”

Descemos à ladeira e seguimos a linha de trem. Um pouco mais, e estaríamos na estação de Koyouen.

Percebi que estávamos chegando perto da casa da Nagato. Nunca pensei que Haruhi estava andando também para aquele lugar. Então chegamos em frente a um familiar condomínio de apartamentos novos em folha.

“Asakura vivia no apartamento 505.”

“Eu nem imaginava isso.”

“O que você quer dizer com isso?”

“Não, nada. Ah certo, como você espera entrar? O portão está trancado.”

Eu apontei para o teclado com números ao lado do interfone e disse.

“Você precisa digitar a senha certa para abrir. Você sabe ela?”

“Não, mas vamos precisar perdurar em uma batalha prolongada nesta situação.”

O que você está esperando afinal? Quando estava pensando o quanto aquilo poderia demorar, nós acabamos não precisando esperar muito. Naquela hora uma senhora de meia idade abriu o portão por dentro, aparentemente saindo para ir a uma confeitaria. Ela nos olhou de maneira questionadora e foi embora. Haruhi correu para manter o portão aberto antes que ele se trancasse.

Isso não me parecia nem um pouco esperto.

“Se apresse!”

Então fui arrastado para dentro do hall de entrada, e subimos pelo elevador, que convenientemente estava no térreo. Era da etiqueta básica olhar silenciosamente para o número dos andares enquanto se estava no elevador.

“Aquela Asakura...”

Mas Haruhi não parecia reconhecer a existência de algo chamado etiqueta.

“... ainda há muitas outras coisas estranhas em relação a ela. Aparentemente Asakura não estudou o fundamental em nenhuma escola local.”

Bem, é claro.

“Pesquisei um pouco e descobri que ela foi transferida de outra cidade para cá. Isso é muito suspeito! A Escola média do Norte não é famosa e nem nada, apenas uma escola comum de ensino médio. Porque alguém gastaria tanto esforço para vir de outra cidade estudar aqui?”

“Entendo.”

“Mesmo que ela more perto da escola, e um desses apartamentos tenha sido comprado com dinheiro e não seja alugado. Seu preço deve ser insanamente alto. Ela estava indo de trem para sua escola antiga em outra cidade o tempo todo?”

“Já disse que não sei.”

“Parece que temos que descobrir quando Asakura começou a morar aqui.”

O elevador parou no quinto andar. Olhamos silenciosos para a porta do apartamento 505. A placa de nome ao lado da porta fora removida, indicando que o quarto estava vazio. Haruhi girou a maçaneta, e como esperado, estava trancado.

Ela cruzou os braços, pensando em como entrar para investigar, enquanto eu estava parado tentando arduamente não bocejar. Isso era uma completa perda de tempo.

“Vamos achar o zelador!”

“Não acho que ele vai nos dar a chave.”

“Não, estou pensando se ele vai nos responder quando Asakura veio para cá.”

“Esqueça, vamos pra casa! O que podemos fazer, mesmo se soubéssemos?”

“Não.”

Pegamos o elevador e voltamos ao térreo, se dirigindo a recepção na entrada. Não parecia haver ninguém atrás da placa de vidro, então quando apertamos a campainha, um pequeno senhor de cabelos brancos apareceu vagarosamente.

Haruhi começara a o bombardear com perguntas, antes mesmo que o velho conseguisse falar.

“Desculpe-me, mas somos amigos de Asakura-san. Ela disse que ia se mudar subitamente, e não nos deixou seu novo endereço, então não sabemos como entrar em contato. Você poderia, por favor, nos dizer para onde ela foi? E, se fosse possível falar quando ela veio morar aqui?”

Fiquei boquiaberto em saber como Haruhi podia usar uma linguagem normal e educada, mas o homem idoso parecia ter problemas em ouvir, pois ficava respondendo com; “Como?”, “Pode repetir?”, e coisas assim. Deixando isso de lado, Haruhi descobriu que o homem estava igualmente surpreso com a partida de Asakura. (Eu nem vi a mudança chegar, e toda a mobília lá dentro já tinha sumido. Isso me dá calafrios). E que Asakura havia se mudado para lá há três anos atrás. (Eu me lembro da pequena senhorita me dando uma caixa de doces naquele dia!). E que ao invés de pagar aluguel, o apartamento parecia ter sido pago de uma só vez, em dinheiro. (Acho que eles são muito ricos!). Wow, desse jeito você pode ser uma detetive!

O velho parecia estar contente de poder conversar com uma jovem como Haruhi.

“Pensando bem, acho que vi a jovem senhorita diversas vezes, mas não lembro de ter visto os pais dela.”

“Lembro-me da pequena dama chamada Ryouko. É um nome bem elegante para uma garota.”

“Queria pelo menos ter me despedido... é mesmo uma pena. Oh sim, você é bem bonitinha também!”

Quando o homem começou a falar coisas daquele naipe, Haruhi percebeu que ela não conseguiria tirar mais nenhuma informação dele. Então decidiu se curvar educadamente e dizer; “Muito obrigada pela sua ajuda.”.

Ela me forçou a sair. Não havia necessidade daquilo, pois eu já estava preparado para segui-la e deixar o condomínio.

“Ei garoto! Aquela menina vai se transformar em uma bela dama, fique certo de não a deixar escapar!”

Obviamente o velho estava falando coisas sem sentido. Eu fiquei preocupado com o tipo de reação terrível que Haruhi, que teve que ouvir tudo aquilo, poderia ter. Continuamos nos movimentando em silêncio para frente, e permanecemos assim. A poucos passos do hall, trombamos com Nagato, carregando uma sacola de plástico de alguma loja de conveniência. Para Nagato, que geralmente fica no clube lendo até a escola fechar, estar aqui, significava que ela foi embora depois de nós.

"Ah! Você mora por aqui? Que coincidência!"

Nagato concordou com seu rosto pálido. Por favor, como isso poderia ser uma coincidência?

"Você ouviu algo sobre Asakura?"

Ela balançou a cabeça afirmativamente.

Percebi latas de comida e vegetais dentro da sacola e pensei: então ela pode comer afinal!

"O que aconteceram com seus óculos?"

Nagato não respondeu diretamente, apenas me encarou calada. Fiquei um pouco assustado por ser encarado por ela daquela maneira, Haruhi, que não esperava uma resposta, apenas deu de ombros e caminhou sem virar o seu rosto. Levantei meu braço e me despedi de Nagato.

Enquanto passava ao seu lado, Nagato murmurou. "Tenha cuidado."

Ter cuidado com o que dessa vez? Eu estava preste a perguntar para ela, mas Nagato já tinha entrado no condomínio.


Segui Haruhi, que caminhava sem rumo ao lado da linha do trem, permanecendo dois ou três passos atrás dela. Poderíamos ficar longe de casa se continuássemos assim, então, perguntei a ela onde estávamos indo.

"Nenhum lugar em particular." - respondeu.

Olhei para as parte detrás da cabeça de Haruhi e perguntei: "Então posso ir para casa agora?"

Neste momento ela parou de andar, parecendo que estava prestes a cair para frente. Então Haruhi me olhou com um rosto tão pálido quanto o de Nagato.

"Você já percebeu o quanto a sua existência é insignificante neste planeta?"

Do que você está falando?

Ela continuou: "Eu já. Isso é algo que jamais irei esquecer.”

Ficamos parados na calçada ao lado da linha do trem, enquanto Haruhi começou a falar.

"Quando estava na sexta série, fui com minha família ver um jogo de baseball, eu não estava particularmente interessada no jogo, mas quando cheguei lá, fiquei chocada, pois havia pessoas em todo o meu redor. As pessoas do outro lado do estádio eram como pequenos grãos de arroz, em constante movimento. Pensei que as pessoas de todo o Japão estavam reunidas lá. Então perguntei ao meu pai quantas pessoas haviam ido ao estádio. Ele disse que em um dia lotado, estavam umas cinqüenta mil pessoas."

"Depois do jogo, a estação estava abarrotada de pessoas. Ao ver isso novamente entrei em estado de choque. Haviam tantas pessoas ali, e elas eram apenas uma minúscula fração de todas as pessoas do país. Li na aula de geografia que a população japonesa era de uns cem milhões, então cheguei em casa e fiz as contas usando uma calculadora, para descobrir que cinqüenta mil era apenas uma parte em duas mil da população total [2]. Fiquei pasma outra vez, eu era apenas uma pequena parte das milhares de pessoas lá, e essas milhares de pessoas eram apenas uma ínfima parte do pais inteiro."

2-[Nota do tradutor: 1/200, ou 0,0005%].

"Antes disso, sempre me achava especial. Era feliz com a minha família, e sentia que as pessoas mais interessantes do mundo estavam na minha sala. Deste dia em diante, percebi que as coisas não eram assim. As experiências que tinha na escola, que achava as coisas mais divertidas do mundo, se transformaram em coisas que poderiam existir em qualquer escola. Para o país inteiro, isso não era nada especial. Quando descobri isso o mundo inteiro perdeu a cor. Escovar os dentes e ir dormir... então acordar e tomar café da manhã. Você poderia ver isso em todos os lugares."

"Comecei a me sentir entediada quando percebi que essas coisas eram partes de uma vida comum, acreditei que se haviam tantas pessoas no mundo, deveria existir alguém que vivia de forma extraordinária, em uma vida cheia de excitação. Mas, por que essa pessoa não era eu?"

"Depois de me graduar no primário pensei nisso tudo. Então quando entrei no fundamental, decidi mudar. Queria que o mundo inteiro soubesse, eu não sou uma garota que iria sentar e esperar. Tentei acreditar que havia feito o meu melhor, mas tudo permaneceu como era. Agora estou no colegial, ainda desejando que alguma coisa mude..."

Quando ela terminou, fez uma expressão de arrependimento de ter dito aquilo tudo, e olhou para o céu angustiada.

Haruhi disse tudo sem nenhuma pausa, como uma participante em um concurso de discursos. Quando ela terminou, fez uma expressão de arrependimento de ter dito aquilo tudo, e olhou para o céu angustiada.

Um trem passou rapidamente por nós. Graças ao barulho, tive tempo de pensar se deveria continuar perguntando ou se deveria dizer algo filosófico que agradasse a Haruhi. Vi o trem se afastar de nos, deixando para trás o som do efeito Doppler [3], e disse.

3-[Nota do tradutor: efeito Doppler é um processo físico que diz que a percepção da amplitude de uma onda sonora se altera conforme a velocidade e a distancia de um objeto que emite esse som, por exemplo, as sirenes emitem sons mais agudos ao estarem longe, que vão ficando mais graves conforme se aproximam].

"Entendo."

Minha inabilidade em dizer algo me deixou um tanto melancólico. Haruhi ajeitou o cabelo, soprado pela rajada de vento causada pelo trem.

"Estou indo para casa."

Depois disso ela rumou pelo caminho que viemos. Achei que iria chegar mais rápido em casa se seguisse o caminho que Haruhi tomara, mas suas costas diziam silenciosamente "Não me siga!", então decidi ficar parado ali, olhando Haruhi caminhar até sair de minha vista.

Que diabos eu estou fazendo?


Quando fui para casa, encontrei Koizumi esperando ao lado da porta.

"Olá."

Seu sorriso parecia um pouco falso, era como se nos conhecêssemos por dez anos ou coisa assim. Ele acenou para mim, usando seu uniforme e segurando sua mala, aparentemente ele havia acabado de vir da escola.

"Queria manter a promessa que fiz a você outro dia. É por isso que estou lhe esperando. Nunca pensei que você chegaria tão rápido!"

Koizumi continuava com seu sorriso presidencial no rosto.

"Posso tomar um pouco do seu tempo? Gostaria de te levar em um lugar."

"Tem algo a ver com Suzumiya?"

"Sim, tem algo a ver com Suzumiya-san."

Abri a porta e deixei a mala na entrada. Depois de falar com a minha irmã, que tinha acabado de chegar, que me atrasaria um pouco esta noite. Voltei para perto de Koizumi.

Minutos depois, nossa carona chegou.

Koizumi acenou para que um táxi parasse em frente a minha casa, então fomos à direção leste pela estrada principal. Koizumi disse ao motorista para ir a uma grande cidade fora do município. Seria mais barato ir de trem, mas como era Koizumi que estava pagando, eu não ligava.

"Certo, qual era a promessa que você disse que iria cumprir?"

"Você não disse que queria ver meus poderes? Agora é a chance, por isso quis que você viesse!"

"É preciso ir assim tão longe?"

"Sim. Só posso usar meus poderes, em condições e lugares específicos. E esse local aonde vamos se enquadra nessas condições."

"Você ainda acredita que Haruhi é Deus?"

Koizumi, que sentava ao meu lado, olhou para as calçadas.

"Você já ouviu falar do Princípio Antrópico?"

"Nunca ouvi falar."

Koizumi suspirou e sorriu novamente.

"Basicamente é a teoria que diz que se algo é verdade para nós, humanos, para existir, então é verdadeiro simplesmente por que nós existimos."

Não entendi.

"O universo existe, pois estamos aqui para observá-lo. Em outras palavras uma forma de vida inteligente conhecida como humanos, souberam da existência do universo através da observação da formação do universo pela descoberta das leis da física. Se nós não tivéssemos evoluído para o nível atual, esta observação não seria possível, e não saberíamos da existência do universo."

Isso significa que se o universo existisse ou não, para um humano que não está completamente evoluído, não faria muita diferença. É pela a presença de nós humanos completamente evoluídos que a existência do universo é amplamente aceita, então não importa se o universo realmente existe ou não. Pois a nossa presença viabiliza a sua existência. Esse é o modo de pensar do ponto de vista dos seres humanos."

"Isso é ridículo! Não importa se os humanos estão por aqui, o universo é o universo!"

"Você está certo. Isso é o porquê o Princípio Antrópico não pode ser considerado algo científico, ele é meramente uma teoria especulativa. Porém ela trás alguns fatos interessantes a nossa atenção."

O táxi parou em um sinal vermelho, o motorista olhava apenas para frente, e nunca se incomodou em se virar e olhar para nós.

"Por que o universo está em uma condição tão cômoda para a habitação humana? Uma minúscula alteração na constante gravitacional significaria um universo completamente diferente do que vivemos. Outras coisas como a constante de Planck [4], ou o nível do raio das moléculas atômicas parecem ter sido desenhadas apenas para que os humanos possam viver neste universo. Você não acha isso incrível?"

4-[Nota do tradutor: a constante de Planck, representada por h, é uma constante física usada para descrever o tamanho dos quanta. Tem um papel fundamental na teoria de Mecânica quântica, e tem o seu nome em homenagem a Max Planck, um dos fundadores da Teoria Quântica. Seu valor é de aproximadamente 6,626068 × 10-34 m2 kg / s ].

Senti minhas costas coçando. Esse tipo de coisa que Koizumi falava parece ter sido tirado dos panfletos retóricos daquelas religiões pseudocientíficas.

"Relaxe! Eu não acredito na existência de um Deus todo poderoso,e onisciente que criou a humanidade. Muitos de meus companheiros também pensam assim. Porem há algo que nos incomoda."

Se sentem incomodados com o que?

"As coisas que fazemos. Será que elas são tão estúpidas quanto um palhaço plantando bananeira na borda de um penhasco?"

A expressão no meu rosto naquele momento deveria ser bem estranha, ou Koizumi não teria gargalhado tanto quanto um frango com asma.

"Estava brincando!"

"Não tenho idéia de que diabos você está falando."

Eu realmente queria dizer a ele. Não tenho tempo de ficar ouvindo piadas estúpidas suas. Posso ir embora? Motorista, se importa em dar meia volta? Se possível, prefiro a segunda opção.

"Só estava usando o Princípio Antrópico como comparação. Ainda não entramos no assunto que envolve Suzumiya-san."

Isso era muito estranho! Porque você, Nagato, e Asahina estavam tão interessados em Haruhi?

"Acho ela uma pessoa muito carismática. Mas vamos deixar isso de lado por enquanto. Você se lembra quando eu disse que o mundo provavelmente foi criado por Suzumiya-san?"

Eu não gostava do que estava dizendo, mas lembro de isso ter sido mencionado.

"Ela tem a habilidade de realizar desejos."

Não faça esse tipo de afirmação tão diretamente.

"Eu não posso pensar de outra maneira, visto que, agora o mundo está andando na direção dos desejos de Suzumiya-san."

Como isso era possível?

"Suzumiya-san sempre acreditou na existência de aliens, e por for isso que Yuki Nagato apareceu. Similarmente ela queria conhecer viajantes do tempo, e novamente, foi por isso que Mikuru Asahina apareceu. Eu também surgi pelas mesmas razões."

"E como você sabe disso?"

"Foi há três anos..."

Três anos atrás de novo! Estou cansado de ouvir isso!

"Um dia subitamente percebi que possuía um poder especifico, e por algum motivo, entendi completamente como usar este poder. Ao mesmo tempo, descobri que outros como eu também tinham seus poderes despertos, e que esses poderes foram concedidos por Suzumiya Haruhi. Eu não posso entrar em detalhes, então tudo que posso dizer é que eu sei dessas coisas sem ao menos poder explicá-las."

"Certo, mesmo que eu acredite que você tem poderes, eu ainda não acredito que Haruhi possa fazer o que você disse."

"E nem eu. Uma mera colegial com a habilidade de mudar o mundo – desculpe, acho que é mais algo como criar mundos, não? A coisa assustadora é que essa garota está achando que o mundo em que está é chato."

"E por que isso?"

"Já não disse isso antes? Se ela pode criar mundos a vontade, naturalmente ela pode fazer esse mundo desaparecer sem nenhum rastro, e o reestruturar de acordo com a sua vontade. Então, em um sentido literal, será o fim do mundo. Não podemos determinar se essa teoria é correta; quem sabe se o mundo que consideramos único já foi recriado inúmeras vezes no passado."

Eu estava usando demais a palavra "inacreditável" acho que preciso de um dicionário.

"Se esse é o caso, porque não dizer a Haruhi quem você realmente é? Deixe-a saber que espers existem. Se ela souber, aposto que ficará realmente feliz. Talvez então ela não queira mais destruir o mundo!"

"E isso acarretaria em problemas maiores. Se Suzumiya-san achar que a existência de espers é algo comum, então o mundo será assim. E todas as leis da física serão distorcidas: a constante molecular, a segunda lei da termodinâmica [5], e o resto do universo mergulharão no caos."

5-[Nota do tradutor: enquanto a primeira lei da termodinâmica estabelece a conservação de energia em qualquer transformação, a segunda lei estabelece condições para que as transformações termodinâmicas possam ocorrer. Em relação à transferência de calor, de acordo com a segunda lei].

"Há algo que ainda não entendo." - continuei - "Me lembro de você dizendo que Haruhi queria encontrar aliens, viajantes do tempo e espers, e foi isso que fez com que você, Nagato-san, e Asahina-san aparecessem diante a ela?"

"Sim."

"Se isso é verdade, por que Haruhi não descobriu ainda? Contrastando com isso, apenas eu e você sabemos disso tudo, não é um pouco estranho?"

"Você acha isso inconsistente? Pois não é; a real inconsistência está no coração de Suzumiya-san."

Você poderia dizer algo que eu entendo, por favor!?

"Em outras palavras, ela espera que aliens, espers, e viajantes do tempo existam. Seu senso comum, em contraposição, diz a ela que essas coisas não existem, o que cria uma ressonância cognitiva. Mesmo ela aparentando ser excêntrica, seus pensamentos são como os de uma pessoa comum. Seu entusiasmo tempestuoso lentamente diminuiu nos últimos meses, e estávamos felizes em vê-lo se estabilizar, mas uma mudança súbita ocorreu."

"E por que isso?"

"É por causa de você.”

Koizumi levantou os lábios.

"Se você não tivesse dado idéias estranhas para Suzumiya-san, nós poderíamos a observar por trás dos panos agora."

"O que foi que eu fiz!?"

"Você a encorajou a criar um clube esquisito. Tudo devido a uma conversa que teve com você, ela teve a idéia de formar um clube para reunir todos os personagens misteriosos. Então você tem de carregar toda a responsabilidade disso. É por sua causa que os três grupos interessados em Suzumiya Haruhi estão juntos."

"... essa é uma acusação injusta!" - me defendi de maneira não convincente.

Koizumi sorriu e continuou: "Mas é a única razão."

Ele parou de falar após dizer aquilo. Quando ia falar alguma coisa, o motorista disse: "Estamos aqui."

O carro parou e a porta se abriu. Andei pela rua movimentada junto a Koizumi. O motorista foi embora sem cobrar nada, e eu não estava inteiramente surpreso.

Se as pessoas daqui quisessem fazer compras, esse seria o lugar ideal. Essa típica metrópole local com estações de trem, assim como todo o tipo de loja de departamentos e arquitetura complexa. O pôr do sol banhou a rua repleta de pedestres em uma cor brilhante. Quando as luzes do cruzamento se tornaram verdes, a rua foi inundada por um mar de pessoas. Estávamos separados por essa onda de pessoas até irmos para a calçada.

"O que você quer me mostrar aqui?"

Andando lentamente pela faixa de pedestres, Koizumi olhou para frente e disse. "Ainda há tempo para você mudar de opinião!"

"Já estamos aqui, então corte essa ladainha.”

Andando ao meu lado, Koizumi agarrou minha mão subitamente. Hei, o que você acha que está fazendo!? Isso é nojento!

"Me desculpe, mas poderia fechar os olhos por um instante? Não vai demorar muito."

Esquivei de um pedestre que quase trombara em mim. O sinal verde começou a piscar.

Certo! Eu fechei os olhos a contragosto. Ainda podia ouvir os muitos passos na rua, os motores de carro, e a as conversas sem fim, todo o tipo de sons.

Com Koizumi me guiando, caminhei um, dois, três passos, e então parei.

"Pode abrir os olhos agora."

Lentamente abri os olhos.

E o mundo inteiro transformou-se em tons de cinza.


Estava realmente escuro. Não pude evitar olhar para cima. O brilhante sol alaranjado desaparecera, e o céu estava coberto de sinistras nuvens cinza. Eram realmente nuvens? O horizonte negro crescia sem fim em todas as direções. A única coisa que impedia esse mundo de cair na escuridão era a luz ocasional que brilhava entre as nuvens, substituindo o sol, e produzindo um brilho fraco no céu.

E não havia uma única pessoa.

Tirando Koizumi e eu, parados no meio do cruzamento, toda a multidão que estava lá desaparecera sem deixar pistas. Na vasta escuridão, apenas as luzes do sinal brilhavam, transformando-se em vermelhas, enquanto o outro par de lâmpadas ficavam verdes, mesmo sem nenhum carro na estrada. Estava tão quieto que imaginava se a Terra havia parado de girar também.

"Neste momento estamos no vazio entre uma intersecção dimensional; esse é um espaço restrito, um lugar completamente alheio do mundo em que vivemos."

A voz de Koizumi parecia particularmente clara em meio ao silêncio.

"O centro dessa intersecção cai bem em cima da 'parede' do espaço selado. Olhe, dessa maneira."

Koizumi estendeu o braço pelo ar, que parou como se bloqueado por alguma coisa. Tentei fazer o mesmo, estendendo o braço na mesma direção; senti como se estivesse tocando em vegetais frios e recém lavados. Minhas mãos empurraram a superfície elástica da parede invisível, mas ela não conseguia passar de dez centímetros.

"O espaço selado tem um raio de cinco quilômetros. Normalmente, é impossível entrar por meios físicos. Um dos meus poderes é entrar nesses lugares."

Como varas de bambu paradas, nem uma única luz brilhava das construções ao nosso redor. As lojas do distrito comercial estavam às escuras, com uma única lâmpada de um poste brilhando fracamente.

“Que lugar é esse?"

Não, a questão deveria ser "Que dimensão é essa?"

"Vou explicar enquanto andamos." - disse Koizumi casualmente.

"Não estou certo dos detalhes, mas essa dimensão não se localiza muito longe da nossa... vamos colocar dessa maneira, um espaço vazio entre as dimensões surgiu bem aqui, e entramos por este vazio. Neste momento o mundo de fora continua em sua vida cotidiana. É praticamente impossível para humanos normais entrarem aqui por acidente."

Cruzamos a rua. Koizumi andou em uma direção que ele já havia decidido.

"Imagine uma dimensão semi-esférica invertida, esse lugar é o seu interior."

Entramos em um conjunto de apartamentos, mas nenhuma pessoa podia ser vista, nem mesmo um grão de poeira.

"Os espaços restritos ocorrem randomicamente. Às vezes uma vez por dia, e às vezes uma vez em vários meses. Porem, uma coisa é certa."

Subimos as escadas escuras. Se não estivesse seguindo Koizumi de perto, teria tropeçado.

"Quando Suzumiya-san está mentalmente instável, esse espaço surge."

Chegamos à cobertura do prédio.

"Quando um Espaço Selado aparece, sou capaz de sentir; assim como meus companheiros. Como sabemos disso? Francamente, nem mesmo nós sabemos. Em todo caso, apenas compreendemos onde e quando um Espaço Selado vai ocorrer, e como penetrá-lo. Não posso descrever esse sentimento em palavras."

Parei no beiral da cobertura e olhei para o céu; nenhuma brisa podia ser sentida.

"Você me trouxe para ver isso? Mal tem alguém aqui!"

"Não, a verdadeira atração vem depois disso. Está prestes a começar."

Pare de ficar brincando! Mas Koizumi fingiu não ver minha expressão de desprazer.

"Minhas habilidades são meramente encontrar e penetrar em Espaços Selados. Para ser honesto, posso até mesmo detectar o estado mental de Suzumiya-san. Esse mundo é como uma ferida criada pelo estado emocional instável de Suzumiya-san, e eu sou o remédio designado para curar essas feridas."

"Sua comparação é difícil de entender."

"As pessoas me dizem isso com freqüência. De qualquer maneira, você é incrível! Não parece nem um pouco abalado em ver tudo isso."

Naquele momento, imagens de Asakura desaparecendo sem deixar rastros, e de uma Asahina crescida passaram pela minha mente: Eu já tive experiências demais com coisas do gênero.

Subitamente, Koizumi levantou a cabeça e olhou ao longe.

"Vai começar. Vire-se e olhe atrás de você.”

Então eu vi aquilo.

Parado em frente aos edifícios altos, ao longe estava um gigante azul brilhante.


Era maior do que um prédio de trinta andares. Uma figura magra, de um azul escuro parecia conter algum material fosforescente que o permitia brilhar por dentro. Sendo que ainda estava escuro, não percebi nenhum contorno, tirando os olhos e boca, que eram um pouco mais escuros, não parecia haver nenhuma outra característica notável em seu rosto.

Que diabos era aquilo?

O gigante lentamente levantou os braços e os abanou como um machado.

A construção ao seu lado fora destruída na metade; e como se estivesse em câmera lenta, o concreto, fios, e escombros caíram ao chão em um barulho surdo.

"Acreditamos que essa seja a manifestação da frustração de Suzumiya-san. Toda vez que seus conflitos internos atingem certos níveis, esse gigante surge e destrói tudo ao seu redor para aliviar a pressão, mas não podemos deixar que essa coisa chegue a nossa realidade, ou causará uma grande catástrofe. Para isso que os Espaços Restritos são criados, para conter a destruição do lado de dentro. Isso faz sentido?"

Toda vez que o gigante azul mexia os braços, os prédios eram fatiados ao meio e desabavam. Então o colosso seguia em frente, pisando nos escombros. Surpreendentemente, eu só conseguia ouvir o som das construções caindo, mas não dos passos do gigante.

"De acordo com as leis da física, é impossível para um gigante como ele ficar em pé, devido ao seu peso. Porém ele é capaz de andar livremente em um estado sem peso. Penso que destruir um prédio envolve mudanças em sua estrutura molecular, então essas leis não parecem se aplicar a ele. Nem mesmo um exército poderia detê-lo."

"Então vamos deixar ele seguir o seu caminho?"

"Não, e é para isso que eu existo. Por favor, olhe para lá."

Koizumi apontou para o gigante. Olhei para a direção que ele indicava e percebi alguns poucos pontos vermelhos brilhantes que não estavam por lá há pouco, eles voavam ao redor da criatura. Comparado ao imenso gigante azul, os pontos vermelhos pareciam meras sementes de gergelim. Havia no total uns cinco deles, mas como estavam voando em altíssima velocidade, meus olhos não podiam os acompanhar. Como satélites, as esferas orbitavam ao redor do gigante, como se quisessem o impedir de prosseguir adiante.

"Esses são meus companheiros, que como eu, obtiveram poderes de Suzumiya-san, guerreiros encarregados de caçar esses gigantes."

Os pontos vermelhos esquivavam-se dos braços do gigante com destreza, enquanto mudavam sua rota de vôo e atacavam o corpo do monstro. Seu corpo parecia ser feito de gás, portanto os pontos simplesmente voavam por entre ele.

De qualquer forma, o gigante parecia não se incomodar com os ataques, e levantou os braços novamente, para esmagar outra loja de departamentos.

Não importa como as manchas rubras atacassem, o colosso não parecia parar. Raios laser avermelhados penetravam o seu corpo sem parar, mas eu estava longe demais para perceber se eles haviam feito algum estrago. Uma coisa era certa: os raios não estavam criando nenhum buraco no corpo do gigante.

"Certo, acho que devo me unir a eles agora."

O corpo de Koizumi começou a brilhar em vermelho, e rapidamente ele foi coberto por uma esfera vermelha brilhante. Parado em minha frente não estava mais um humano, e sim uma grande bola vermelha luminosa.

Isso estava ficando ridículo.

Como se estivesse fazendo um sinal, e esfera subiu alguns metros e voou reto em direção ao gigante, com uma velocidade incrível.

Como os pontos vermelhos nunca pararam de voar, não podia saber quantos deles havia no total, mas o número não devia passar de dez, incluindo Koizumi. Eles bravamente avançaram sobre o corpo da imensa criatura, mas tudo que via era eles voando por dentro dela. O girante estava muito pouco, isso se estava, ferido. Enquanto pensava daquela maneira, uma das esferas se aproximou do pulso do gigante e a circulou.

No momento seguinte, a mão dele fora decepada. O braço sem vida caiu no chão com um brilho em mosaico, ficando transparente, até que se desintegrou como neve derretendo sob o sol quente. Acho que a fumaça azulada vindo da mão cortada do gigante deveria ser sangue. Essa cena realmente era uma coisa digna de ficção.

Os pontos vermelhos mudaram o seu estilo de ataque. Se aproximaram do gigante como pulgas cercando um cão. Os raios vermelhos cortaram o rosto da criatura, fazendo que sua cabeça caísse; depois disso o ombro foi cortado, seguido pelo resto de seu tronco, deixando para trás uma forma estranha. Os pedaços que caiam viravam mosaicos, antes de se desintegrar e desaparecer.

Como o gigante estava em uma área aberta, sem nenhum obstáculo em volta, fui capaz de ver o processo do inicio ao fim. Quando o tórax foi arrancado, o resto do corpo também se desintegrou, finalmente se dissolvendo em grãos menores que areia, que se espalharam pelos escombros.

Uma vez que os pontos vermelhos tinham certeza que concluíram o seu trabalho, voaram para longe em todas as direções. Muitos desapareceram de uma só vez; mas um voou em minha direção, pousando sobre o telhado do condomínio de apartamentos. A esfera lentamente perdeu seu brilho, e finalmente Koizumi parou em minha frente, abanando os seus cabelos pretensiosamente com seu sorriso de sempre.

"Desculpe-me por deixá-lo esperando."

Ele soava muito calmo, não parecia que tinha sido muito exaustivo.

"Finalmente, eu quero mostrar uma última coisa muito interessante."

Ele apontou para o céu. Eu levantei a cabeça desconfiado, e no macabro céu acinzentado, eu vi aquilo!

Bem acima de onde o gigante apareceu estava uma rachadura, como a de um pássaro que tentava sair de um ovo. A rachadura começou a se espalhar rapidamente como uma teia de aranha.

"Depois da destruição da criatura azul, o Espaço Restrito também é destruído, e isso é um espetáculo a parte."

Antes mesmo de Koizumi terminar a sua explicação, as grandes fendas já haviam coberto o mundo inteiro, era como estar sob uma grande teia metálica. As margens ficaram mais estreitas, até se tornaram meras linhas escuras. E nesse momento...

Crack!

Para falar a verdade, não havia nenhum som audível. Era apenas o meu cérebro tentando simular o som de vidro quebrando. A luz penetrou de um ponto no céu, se espalhando em todas as direções na esfera. Eu senti a chuva de luz nos atingindo. Não, essas não eram as palavras certas; era mais como o teto do Tokyo Dome [6] se abrindo, tudo em pouquíssimos segundos. A única diferença é que há pouco esse teto cobria todos os prédios abaixo dele.

6-[Nota do tradutor: Tokyo Dome (東京ドーム Tōkyō Dōmu) é um estádio de 55 mil assentos localizado em Bunkyo, Tóquio, Japão].

Um som alto de agitação atacou os meus ouvidos, e eu os cobri instintivamente. Mas era apenas uma conseqüência de ter passado algum tempo em um mundo silencioso. Quando ouvi direito, percebi que era só o som comum da agitação da vida cotidiana.

E o mundo voltara a seu estado original.

Não havia mais prédios destruídos, nem o incomodo céu cinza, e ainda menos as esferas brilhantes cruzando os céus. A rua estava cheia de carros e pessoas. Um brilho laranja familiar podia ser visto entre as construções. O mundo inteiro parecia estar grato a receber esse calor, e deixava longas sombras para trás.

A brisa soprou suavemente.


"Agora você entende?"

Koizumi me perguntou assim que entramos no táxi, que pareceu parar magicamente em nossa frente assim que saímos do condomínio. Quando olhei, percebi que era o mesmo motorista da última vez.

"Não." - respondi com sinceridade.

"Sabia que você ia falar isso." - Koizumi riu, - "Essas criaturas azuis, que chamamos de Celestiais, como havia dito antes, estão vinculados ao estado mental de Suzumiya-san. Assim como nós, é claro. Uma vez que um Espaço Restrito surge, uma vez que os Celestiais comecem a se mover, nós somos capazes de usar nossos poderes. Nós apenas os podemos usar lá; nesse instante, estou completamente sem poderes."

Silenciosamente olhei para as costas do motorista.

"Não sei por que apenas nós temos esses poderes, mas não tem nada a ver com nossas identidades. É como ganhar na loteria; mesmo com as chances sendo baixas, sempre haverá alguém capaz de vencer. Apenas aconteceu de meu nome estar escrito nesta flecha."

"Que azar o meu!" – disse Koizumi com um sorriso irônico. Permaneci em silêncio, pois não sabia o que deveria dizer.

"Não podemos deixar os Celestiais se moverem com liberdade. Por que isso? Pois quanto maior o estrago causado pelos Celestiais, maior a esfera do Espaço Restrito irá se tornar. O que você viu era um dos menores, mas se o deixássemos livre para agir, ele iria começar a crescer até engolir o mundo inteiro, e finalmente, esse mundo cinza iria substituir o nosso mundo por completo."

Finalmente abri a minha boca.

"Como você sabe tanto?"

"Já lhe disse, eu apenas sei, não pode ser explicado. Com todos associados com a 'Organização' acontece o mesmo. Um dia nós simplesmente soubemos tudo sobre Suzumiya-san e como ela pode afetar esse mundo, assim como percebemos que temos poderes sobrenaturais, então não podíamos deixar que os Espaços Restritos continuassem intocados. Quando pessoas comuns descobrem esse tipo de coisa elas geralmente querem ajudar. Se não fizermos sabemos que o mundo pode ser destruído."

"E isso seria um grande problema." - Koizumi calou-se após resmungar estas palavras.

Antes de chegar a minha casa, ficamos apenas em silêncio observando para fora da janela.

O carro parou, e enquanto descia dele, Koizumi falou.

"Por favor, preste atenção nas ações de Suzumiya-san. Seu suposto estado de equilíbrio mental começou a dar sinais de mudanças rápidas. Já faz algum tempo que algo como hoje ocorreu pela última vez."

Mesmo que eu preste atenção, ela vai continuar sendo assim, não está certo?

"Francamente, eu não tenho certeza. Mas acho uma boa idéia deixar tudo em suas mãos, meus companheiros tendem a pensar nas coisas de uma forma complexa demais."

Antes que pudesse responder, Koizumi voltou para dentro do táxi e fechou a porta. Enquanto observava o lendário táxi fantasma se afastar, subitamente comecei a me sentir incrivelmente estúpido, sem outras opções voltei para dentro de casa.





Capítulo 7[edit]

Capítulo 7


Auto-proclamada humano artificial criado por aliens. Auto-proclamada garota viajante do tempo. Auto-proclamado esquadrão de garotos espers. Cada um deles me deu uma prova concreta de sua identidade. Aparentemente, os três - cada um por suas razões próprias - tem se focado em Suzumiya Haruhi. Ok, eu posso viver com isso. Ou não, como se diabos eu pudesse viver com isso. Mesmo se aceitasse tudo que aconteceu, ainda havia uma coisa que eu não entendia.

Por que eu?

De acordo com Koizumi; aliens, viajantes do tempo, e espers, se reuniram em volta de Haruhi, porque ela quis que isso acontecesse.

E quanto a mim?

Por que fui tragado para o meio dessa mistura bizarra? Eu sou um humano 100% normal. Nunca acordei subitamente com memórias de uma estranha vida passada. E nunca fiz nada digno de nota. Não tenho super-poderes e nem nada do tipo. Sou apenas um estudante comum.

Então quem criou essa situação?

Ou alguém me fez cheirar alguma droga estranha, e eu estou alucinando bem agora? Ou cai em algum tipo de fantasia barata? Quem está puxando as cordas aqui?

É você, Haruhi?


Estou só brincando.


Eu realmente não sei de nada.

Então por que eu tenho que me preocupar com essa droga? Parece que a culpada de tudo isso é Haruhi. Nesse caso, é ela quem devia se preocupar, não eu. Não existe motivo para que eu fique confuso em seu lugar. Nenhum - absolutamente nenhum - é o que eu digo. Se Nagato, Koizumi, e Asahina-san decidiram me incomodar, revelando seus segredos para mim, por que não dizer tudo diretamente a Haruhi? O que acontecer com o mundo em seguida é de responsabilidade dela. E não tem nada a ver comigo.

Podem colocá-la em seu carrossel! Mas me deixem fora disso.

Com os dias contados para o verão, andei suado pela ladeira, limpando o suor com a minha blusa, enquanto puxava a gola e abria o terceiro botão da camisa. Estava quente já de manhã. E alguém bateu no meu ombro. Enquanto eu gritava "Não me toque! Está quente!" e virava para trás, o rosto de Taniguchi entrou em meu campo de visão.

"Yo!"

Taniguchi, que agora andava ao meu lado, também suava. "Que irritante, meu penteado vai ficar arruinado com todo esse calor." Mesmo dizendo isso, ele ainda parecia bastante animado.

"Diga Taniguchi."

O interrompi quando ele começava a falar sobre o seu cachorro, um assunto que eu não podia ligar menos, para fazer a minha pergunta.

"Eu sou um estudante normal, certo?"

"O que?"

Taniguchi deu uma risada como se afrontasse com uma piada muito engraçada.

"Talvez você devesse definir o que é 'normal'. De outra forma essa conversa não faria sentido algum."

"Sério?"

Eu havia me arrependido de perguntar isso a ele.

"Só brincandadeira! Você, normal? Eu não acho que um estudante de ensino médio comum vai deitar com uma garota em uma sala de aula vazia!"

É claro, Taniguchi não esquece esse tipo de coisa.

"Eu sou um cara também, então sei os meus limites. Seu segredo está a salvo comigo, entende o que eu digo?"

Eu não entendo isso, afinal.

"Desde quando vocês têm esse relacionamento? Nagato Yuki é algo que eu avaliaria como categoria A-!"

Então, Nagato era A- pelo ranking dele. Eu tentei me explicar para Taniguchi.

"Isso foi por que...”

Suponho que a mente de Taniguchi estivesse cheia de desejos e fantasias que destoavam imensamente da realidade. Então, decidi usar a seguinte explicação.

A pobre Nagato foi vitima da ocupação sem motivos da sala do Clube de Literatura. Ela tinha problemas em não poder realizar as atividades do próprio clube, então veio a mim pedir ajuda. Ela me perguntou use havia alguma maneira de fazer Haruhi desistir da sala de literatura e ir para outro lugar. Comovido com sua sinceridade, resolvi ajudar a pobre menina, e discutir com ela em um lugar que Haruhi não nos encontrasse. Assim resolvemos conversar na sala assim que Haruhi foi embora, Nagato desmaiou devido a sua anemia crônica. Porém, eu consegui aparar sua queda antes que ela atingisse o chão, e é isso que você viu. Taniguchi, uma vez que a verdade vem à tona, realmente parece uma coisa trivial.

"Mentiroso."

Instantaneamente rejeitado. Droga. Achei que minha mistura de realidade e ficção iria criar a historia perfeita.

"Mesmo que eu acredite em suas mentiras, o fato que a anti-social Nagato Yuki veio pedir ajuda a você, o que automaticamente faz de você alguém não normal."

Nagato era assim tão famosa, hein?

"Ainda mais, você é um dos caras da Suzumiya. Se você for considerado um cara normal, eu sou tão normal quanto uma pulga d´água."

Bem, acho que não custa perguntar.

"Diga, Taniguchi. Você pode usar PES?[1]"

1-[Nota do tradutor: PSE é o conjunto de poderes psionicos em que se enquadra a; telepatia, empatia, clarividência, precognição, e outros poderes que se usam das ondas psi. ESP também é a sigla para percepção extra-sensorial.]

"O quê?"

Um olhar estúpido subiu-lhe ao rosto. Taniguchi, você parece um daqueles seqüestradores de grupos religiosos perigosos que acabou de encontrar uma garota bonita.

"... entendo. Você finalmente foi infectado pelo veneno de Suzumiya… Não foi por muito tempo, mas foi legal conhecer você. Agora fique longe de mim. Se não eu vou pegar Suzumiya também."

Eu acertei um soco leve em Taniguchi, fazendo-o gargalhar descontroladamente. Se esse cara é um esper, eu sou um General Secretario das Nações Unidas.

Enquanto andávamos pelas escadas em frente ao portão da escola, eu me senti um tanto grato a Taniguchi. Pelo menos eu pude esquecer do calor por um tempo.


Aparentemente, nem mesmo Haruhi pode agüentar o calor. Ela se estendeu pela mesa, olhando desanimada para as montanhas ao longe.

"Kyon, tô com calor."

É? Eu também.

"Me abane com o seu livro."

"Se eu vou abanar alguém, esse alguém serei eu. Eu não tenho energia para gastar com você tão cedo."

Haruhi se inclinou para frente, sem nenhum sinal de ter feito aquele discurso ontem.

"O que devemos fazer Mikuru-chan vestir da próxima vez?"

Depois de Bunny-gal e maid, o próximo será... espera, tem mais?

"Orelhas de gato? Roupa de enfermeira? Ou talvez uma rainha?"

Eu imaginei a pequena figura de Asahina vestida em cada fantasia, com suas bochechas vermelhas. Isso está fazendo minha cabeça ficar leve. Ela é tão linda.

Eu comecei a pensar no assunto, Haruhi estreitou as sobrancelhas, e me encarou, ajeitando o cabelo atrás da orelha.

"Você está com uma cara idiota." - Haruhi decidiu.

Foi assim que ela taxou isso. Você é a pessoa que trouxe o assunto. Bem, provavelmente não é uma descrição muito precisa, mas não posso reclamar. Ela abanou o peito com o seu livro.

"Sério, está muito chato."

A boca de Haruhi parecia com um 'V' de ponta cabeça. Ela se aparentava ser um personagem de história em quadrinhos.


Mesmo sob a intensa radiação solar, conseguimos sobreviver a infernal aula de educação física da tarde. Depois da aula todos estavam reclamando "Maldito Okabe! Nos fez correr uma maratona de duas horas!", enquanto tirávamos nosso uniforme, que viraram peças inúteis de roupa molhada, a sexta aula começou, depois de voltarmos para a sala 1-5.

As garotas saíram da aula de educação física mais cedo para se trocar, mas como o ultimo período era apenas o conselho estudantil, algumas poucas pessoas que tinham clubes esportivos depois da aula, permaneceram com seus uniformes. Por alguma razão, Haruhi, que não participava de nenhum clube esportivo, continuava com seu uniforme de educação física.

“Porque está quente.”

E esse era o motivo.

“Quem se importa. Vou ter que me trocar de novo assim que for para o clube mesmo. E como tenho que limpar a sala esse semana, vai ser mais fácil se mexer assim.”

Haruhi descansou seu rosto oval sobre as mãos, enquanto olhava para fora da janela, acompanhando as imensas torres de nuvens no céu.

“Acho que faz sentido.”

Podemos usar isso para próxima fantasia de Asahina-san. Se bem que isso não conta como uma fantasia, afinal. Não tenho certeza de quem ela realmente é, mas por hora, ela é uma estudante de ensino médio.

“Você provavelmente está fantasiando sobre alguma coisa, certo?”

Ela me olhou de maneira perturbadora após esse comentário preciso. Era como se pudesse ler a minha mente.

“Não faça nada pervertido com Mikuru-chan até eu chegar ao clube.”

Engoli o meu “E quando você chegar eu posso?” e levantei as mãos para o ar, como um fora da lei que se vê apontado pela arma do xerife em algum faroeste antigo.


Como sempre, esperei por uma resposta as minhas batidas antes de entrar na sala. A empregada sentada na cadeira era como uma boneca de porcelana me acolhendo com um sorriso de girassol em um campo gramado. Isso reconfortava a minha alma.

Nagato, que folheava o livro em canto, parecia uma camélia que florira na estação errada. Sim, nem mesmo eu entendo mais as minhas metáforas.

“Vou preparar o chá.”

Asahina-san ajustou a sua tiara antes de caminhar em direção a mesa cheia de entulho. Ela cuidadosamente colocou as folhas de chá na chaleira.

Sentei-me na mesa da chefe da brigada, e maravilhado vi Asahina-san preparar o chá, então fui atingido por um pensamento repentino.

Eu liguei o computador, esperando o sistema operacional iniciar-se. Esperando atentamente o ícone do mouse mudar de uma ampulheta para uma seta. Abri o visualizador e digitei a senha para abrir a pasta “MIKURU”. Posso entender o porquê o Clube de Informática estava em lagrimas quando nos deu essa maquina. As miniaturas das imagens de Asahina em sua fantasia de maid carregaram-se instantaneamente.

Eu verifiquei se Asahina-san estava ocupada preparando o chá com um dos olhos, e aumentei uma das imagens dando um zoom.

Era de quando Haruhi a forçou a sua pose de leopardo. Chequei a ponta do seu decote exposto. Havia um ponto escuro no seio esquerdo. Eu aumentei novamente. O ponto estava um pouco borrado, mas achei que ele realmente se parecia com uma estrela.

“Entendo. É isso que ela quis dizer.”

“Você percebeu alguma coisa?”

Fechei a janela segundos antes de ela colocar a xícara sobre a mesa. Eu não cometo erros. Asahina-san parou ao meu lado e olhou para o monitor. Não havia nada para ver ali.

“Huh? O que é isso? Essa pasta MIKURU.”

Droga. Cometi um erro.

“Por que o meu nome está ai? Ei, ei. O que tem ai dentro? Me mostre, me mostre.”

“Bem, é apenas... eu imagino o que seja isso. Tenho certeza de que não é importante. É, é isso. Não é nada.”

“Parece mentira.”

Asahina-san se estica para pegar o mouse com um sorriso brincalhão no rosto e se inclina sobre mim para alcançar a minha mão direita. Eu não vou deixar isso acontecer, agarrei-me ao mouse. O rosto de Asahina surge ao lado do meu ombro, enquanto sinto o seu corpo macio pressionando sobre as minhas costas. Eu até posso sentir sua respiração doce contra o meu rosto.

“Uh, Asahina-san... você podia sair?”

“Me mostre —”

Asahina, que estava com a mão no meu ombro para tentar alcançar o mouse, estava agora completamente em cima de mim; senti a situação indo de mal a pior.

Sua risada doce atingiu os meus ouvidos. Incapaz de resistir a tamanha tentação, minha mão perdeu a firmeza, e nesse momento...

“O que vocês dois estão fazendo?”

Fomos assustados por uma voz gélida, de 273 graus negativos. Haruhi com seu uniforme de educação física, carregava a sua mala, com uma expressão medonha no rosto, era como se tivesse testemunhado seu pai molestando alguma garota inocente.

No instante seguinte, Asahina atordoada, começou a se mexer. Ela desastradamente se afastou das minhas costas, e recuou lentamente, e devagar se sentou na cadeira como um robô ASIMO [2] que está com suas baterias próximas ao fim. Seu rosto pálido estava a beira das lagrimas.

2-[Nota do tradutor: ASIMO é um robô produzido pela Honda. Seu nome, curiosamente, não é uma referência ao escritor russo de ficção científica Isaac Asimov. Em japonês, ASIMO é pronunciado ashimo, que significa algo como "também com pernas"].

Haruhi soltou um “humph” e olhou para a mesa, me encarando.

“Então, maids te excitam?”

“O que você está insinuando?”

“Preciso me trocar.”

Vá em frente! Vou ficar aqui e beber o chá que Asahina fez para mim.

“Não disse que preciso me trocar?”

Então?

“ENTÃO SAIA DAQUI!!”

Eu fui praticamente chutado para fora da sala, a porta bateu bem na minha frente.

“Mas que diabos foi isso!?”

Eu nem tive tempo de deixar o copo. Limpei o chá que vazou na minha camisa com os meus dedos, e então me apoiei na porta.

Engraçado. Tem algo estranho aqui.

“Ah, é isso!”

Normalmente Haruhi troca de roupa abertamente na sala, mas agora ela me expulsou do local.

Parece que ela começou a mudar. Talvez ela tenha chego à idade de se envergonhar com essas coisas? Não sei, pois garotos da sala 1-5 têm o habito de fugir da sala assim que o sinal toca. Pensando bem, a pessoa que nos tirava da sala, Asakura, não está mais entre nós.

Coloquei o copo no chão e me sentei no corredor por um tempo. O som das roupas sendo colocadas parou, mas não ouvi ninguém me chamando. Então sentei novamente e esperei por mais dez minutos.

“Pode entrar...”

A voz baixa de Asahina veio de trás da porta. Uma impecável maid abriu a porta em frente a mim, e atrás dela vi Haruhi sentada irritada com suas pernas brancas sobre a mesa. Ela usava um par de orelhas de coelho em sua cabeça, junto à nostálgica roupa de bunny-gal. Talvez ela não devesse ser incomodada por não estar usando nenhum acessório. Na verdade ela não estava usando nem aquelas meias.

“Mesmo que os braços e as costas fiquem frescos, essa roupa é meio apertada.”

Havendo dito isso, Haruhi pegou o copo de chá e tomou como se estivesse apreciando, enquanto Nagato lia o seu livro.

Sendo cercado por uma maid e uma bunny-gal, não sabia como reagir. Estava pensando quanto ia ganhar se usasse essas duas garotas para atrair clientes.

“Whoa, o que é isto?”

Koizumi subitamente abriu a porta, respondendo prazerosamente a histeria instaurada na sala e mantendo um sorriso no rosto.

“Oh! Uma festa a fantasia? Desculpe-me por não preparar nada.”

Não diga nada que pode complicar ainda mais as coisas.

“Mikuru-chan, sente-se aqui.”

Haruhi apontou para a cadeira dela. Asahina sentou obedientemente, olhando amedrontada para a assustadora Haruhi. Eu pensei no que ela estava tramando, mas apenas a vi fazendo tranças no ondulado cabelo castanho de Asahina.

A primeira vista, ela parecia uma irmã mais velha trançando o cabelo da irmãzinha. Mas como Asahina estava petrificada perante a expressão vazia de Haruhi, transformando o que era para ser uma cena terna em algo bastante perverso. Aparentemente ela estava apenas tentando fazer um rabo de cavalo para Asahina, a empregada, e isso era tudo.

Olhei para Koizumi, que sorria o tempo todo ao ver a cena, e finalmente disse.

“Quer jogar Othello?”

“Claro, não jogo há eras.”

Enquanto as peças brancas e pretas lutavam pelo controle do tabuleiro (nunca pensei que Koizumi, que podia se transformar em uma esfera brilhante, fosse tão ruim nos jogos de tabuleiro.), Haruhi trançava o rabo de cavalo de Asahina, então o desfez, e fez duas tranças e um coque...

Cada vez que Haruhi tocava em Asahina, ela tremia inteira, enquanto Nagato continuava absorta no livro.

Estou cada vez mais confuso sobre o motivo de estamos todos aqui!


Certo, naquele dia conduzimos as atividades da Brigada SOS pacificamente. Nada a ver com aliens, dimensões diferentes, viajantes do tempo do futuro, gigantes azuis, ou esferas vermelhas brilhantes, acontecia naquela hora. Ninguém queria fazer nada especial, ou ninguém sabia o que deveria ter sido feito. Apenas nos permitimos boiar no fluxo do tempo, vivendo nossa vida escolar bucolicamente. Tudo parecia perfeitamente normal.

Mesmo que estivesse insatisfeito com uma vida tão normal, eu sempre me dizia “Para que pensar tanto? Você ainda tem muito tempo.” E então novamente olhe para o amanhã.

Mesmo assim eu estava feliz. Eu vinha sem rumo para a sala do clube, e observava Asahina trabalhar como uma empregada de verdade, Nagato sentada como uma estatua de Buda, e Koizumi, com seu sorriso brilhante, e até mesmo Haruhi com suas bruscas mudanças de humor. Todas essas coisas davam ao ambiente uma aura de completa normalidade, e eu encontrei essas pequenas coisas como parte da minha surpreendentemente satisfatória vida escolar. Penso que mesmo tendo experiências fora da realidade como ter uma colega de classe tentando me matar, ou encontrar monstros furiosos em um mundo cinza, eu não tinha certeza se estes fatos não eram apenas delírios da minha imaginação, como resultado de hipnose, ou quem sabe alguma alucinação.

Eu estava meio que bravo por Haruhi ter me arrastado para o seu clube, mas usando-se de uma perspectiva mais ampla, vejo que foi por causa dela que pude matar tempo pacificamente ao lado de pessoas interessantes. Colocando de lado a questão de “Porque eu?”, talvez algum dia algum outro humano normal, assim como eu, irá se juntar a esse clube.

Sim, eu estive pensando nisso faz algum tempo.

Todo mundo iria pensar isso, não é?

Mas ainda assim, existia alguém que nunca pensara dessa forma.

Está certo, esse alguém era Suzumiya Haruhi.


Aquela noite, após jantar, tomar banho e terminar a revisão para a aula de inglês de amanhã, olhei para o relógio e descobri que já era hora de dormir. Deitei em minha cama e abri o grosso livro de capa dura que Nagato me empurrou aquele dia. Acho que uma leitura rápida não vai me matar - então casualmente li as primeiras páginas. A historia era surpreendentemente interessante, então continuei página após página. Você realmente tem que ler algo para entender quão agradável poder ser um livro. A leitura não era tão ruim afinal!

Era impossível terminar de ler um livro daquele tamanho em uma noite, então o deixei de lado após ler um longo monólogo de um dos protagonistas. O sono veio sobre mim, coloquei o marca página com a mensagem de Nagato dentro do livro, desliguei a luz, e me enfurnei embaixo do cobertor. Em poucos minutos, estava na terra dos sonhos.


Você sabe por que as pessoas sonham? O sono se divide em períodos alternados de sono REM e NREM. O NREM acontece nas primeiras horas de sono de uma pessoa, enquanto o cérebro fica em um estado estático. O estágio em que o cérebro se torna parcialmente ativo, mesmo com o corpo inconsciente é o REM, e é nesse estágio que os sonhos ocorrem. Pela manhã os estados REM aumentam de freqüência, significando que quase todos sonham antes de acordar. Eu sonho todas as noites, mas como geralmente acordo atrasado para aula e tenho que sair correndo, os esqueço com facilidade. Porém, às vezes lembro-me de um sonho esquecido há tempos. É realmente incrível como a memória humana é bem estruturada.

Pronto, chega dessa conversa casual. Na verdade, eu não dou à mínima.

Sinto alguém acertar o meu rosto. Vai embora! Estou cansado! Não atrapalhe os meus sonhos!

"... Kyon."

O despertador não tocou ainda. E mesmo se tocou, eu devo ter desligado ele de vez, e ainda tem algum tempo para que a minha mãe ou a minha irmã me arrastem da cama.

"Acorde logo."

Não! Eu quero dormir mais. Não tenho tempo para esses sonhos estranhos.

"Eu disse para acordar! Você pode me ouvir?"

Mãos envolveram o meu pescoço e começaram a se mexer violentamente. Finalmente abri os meus olhos quando senti a parte de trás da minha cabeça bater no chão duro.

Chão duro?

Eu levantei confuso. Haruhi me olhava de cima, e recuou para impedir que batêssemos nossas cabeças.

"Finalmente acordado?"

Parada ao meu lado estava Haruhi, vestindo o seu uniforme. Seu rosto pálido estava repleto de ansiedade.

"Você sabe onde estamos?"

É claro que sei; é a Escola Secundaria do Norte, a escola aonde estudamos, e bem agora estamos do lado da escada perto dos armários de sapatos da entrada da escola. Não tem nenhuma luz acesa, e a escola a noite apareceu cinza em nossa frente.

Não, tem alguma coisa errada.

Não tem nenhum céu noturno lá em cima.

Apenas um vasto horizonte cinza. Um céu monótono. Não existem luzes ou estrelas, nem mesmo uma única nuvem. Apenas um céu cinza como as paredes de concreto.

Esse mundo estava coberto em trevas e silêncio.

Esse era um Espaço Restrito.

Lentamente fiquei em pé. Estava surpreso de não estar vestindo os meus pijamas, e sim meu uniforme escolar.

"Quando eu acordei, me vi aqui, com você do meu lado. O que está acontecendo afinal? Porque estamos na escola?"

Haruhi perguntou em uma anormal voz suave. Não respondi a ela imediatamente, estiquei os meus braços para sentir o meu corpo. Da dor de um beliscão sobre a minha mão, até a sensação do meu corpo e do uniforme, isso não parecia um sonho. Eu arranquei dois fios de cabelo. E percebi que aquilo realmente doía.

"Haruhi, somos os únicos aqui?"

"Sim, eu acho que deveria estar em baixo do meu cobertor agora. Por que aparecemos aqui? E o céu parece estar estranho..."

"Você viu o Koizumi?"

"Não, por quê?”

"Nada não, só perguntando."

Se esse Espaço Restrito tivesse sido criado por uma fissura nas linhas dimensionais ou por fatores externos, e por todo aquele blábláblá, um gigante luminoso e Koizumi com seus amigos deveriam estar aqui também.

"De qualquer maneira, vamos sair da escola! Agora! Talvez possamos encontrar alguém."

"Porque você não parece nem um pouco surpreso?"

Certamente eu estou surpreso, especialmente por ver que você também está aqui. Esse não era para ser o parque de diversões dos gigantes que você cria? Ou estou tendo um sonho com realidade em excesso? Sozinho aqui com Haruhi em uma realidade vazia... se Freud [3] estivesse aqui, ele poderia analisar esse sonho para mim!

3-[Nota do tradutor: Sigmund Freud (Príbor, 6 de maio de 1856 — Londres, 23 de setembro de 1939). Médico neurologista e fundador da Psicanálise].

Permaneci a certa distancia de Haruhi enquanto andávamos em direção a entrada escola, quando fomos barrados por uma parece invisível. Ainda me lembro da sensação elástica dessa parede. Ela poderia ser empurrada um pouco, mas pouco depois, uma parede mais dura iria bloquear as tentativas de prosseguir.

"... o que é isso?"

Haruhi estendeu os braços e tentou empurrar a parede invisível, ela perguntava com os olhos arregalados. Andei em torno da quadra esportiva enquanto mapeava a parede.

Parece que estamos presos na escola.

"Não parece haver maneira de sair daqui."

Não podia sentir o vento. Era como se o movimento do ar tivesse parado.

"Vamos tentar a entrada dos fundos!"

"Certo, existe alguma forma de fazermos contato com alguém? Vamos procurar por um telefone. Não trouxe o meu celular."

Se esse era um Espaço Selado de que Koizumi havia me falado, encontrar um telefone seria inútil. Deixando isso de lado, ainda decidimos entrar na escola para olhar. Deveria haver um telefone na sala dos funcionários.



A escola era assustadora no escuro. Passamos pelos armários e sorrateiramente entramos no prédio da escola. Durante o caminho, acendemos as lâmpadas do primeiro andar, e felizmente as luzes do teto se acenderam de uma só vez. Mesmo sendo luzes frias e artificiais, elas eram o suficiente para proporcionar certo alivio para mim e para Haruhi.

Após ter certeza de que não havia ninguém nas salas, seguimos para a sala de funcionários. Naturalmente, ela estava trancada, então peguei um extintor de incêndio que estava próximo, e estilhacei a janela, para podermos entrar.

"... não parece estar funcionando."

Haruhi segurou o telefone contra o ouvido, mas não podia se ouvir nada. Ela discou alguns números, mas nenhum som veio dele.

Saímos da sala, acendendo todas as lâmpadas no caminho, subimos as escadas, pois Haruhi sugeriu que voltássemos a nossa sala. Como a sala da classe cinco dos primeiros anos estava no último andar, era possível que pudéssemos ver algo lá de cima.

Haruhi continuou agarrada a minha jaqueta enquanto caminhávamos. Não conte comigo; não tenho nenhum poder sobrenatural. Se você está assustada, então segure no meu braço! Isso cria um clima melhor!

"Idiota!"

Haruhi me encarou irritada, mas seus dedos não se soltaram por um minuto da minha blusa.

Não havia mudança alguma na sala 1-5, ela estava bem como deixamos ao sair da aula.

"... Kyon, olha..."

Haruhi silenciosamente andou em direção a janela. Andei ao seu lado e observei a situação.

Tudo a nossa volta era um mundo cinza. Olhando para baixo do quarto andar até o topo da colina, eu só podia ver o horizonte antes da praia. O panorama estava completamente negro, sem nenhuma luz acesa. Parecia o fim do mundo.

"Que lugar é esse..."

Não era como se as pessoas tivessem desaparecido, mas, na verdade nós desaparecemos. Parece que entramos nesse Espaço Restrito por acidente.

"Que coisa estranha."

Haruhi agarrou os ombros e murmurou.


Como não tínhamos para onde ir, voltamos à sala do clube, onde passamos à tarde anterior. Roubamos as chaves da sala dos funcionários, então conseguimos destrancar a porta e entrar.

Ambos soltamos um suspiro de alivio ao ver a sala familiar e bem iluminada.

Ligamos o radio, mas não conseguimos ouvir nada, nem mesmo estática. A sala do clube estava tão quieta que somente o som de chá sendo feito poderia ser ouvido. Eu não estava interessado em trocar as folhas, então fiz um chá com as folhas usadas e sem gosto. Haruhi estava ao meu lado olhando vividamente o mundo cinza lá fora.

“Quer um pouco de chá?”

“Não.”

Peguei o meu copo, puxei uma cadeira, e me sentei. Tomei um gole. Sigh, o chá feito por Asahina é muito melhor que isso.

“O que está acontecendo aqui? Eu não entendo! Que lugar é esse? Por que eu estou aqui?”

Haruhi estava ao lado da janela e olhava para fora; de costas ela parecia realmente frágil.

“E por que estamos só nós dois?”

E como se eu soubesse. Haruhi arrumou a saia e o cabelo, me olhando irritada.

“Vou explorar um pouco” – ela começou a andar para fora da sala. E eu também ia me levantando.

“Fique aqui, eu já volto.”

Ela correu para fora da sala após falar aquilo. É bem típico dela fazer isso! Enquanto eu ouvia os passos vividos de Haruhi desaparecerem na distância, tomei o meu chá morno e sem gosto. Foi então que ele apareceu.

Era uma pequena esfera vermelha. No começo era do tamanho de uma bola de pingue-pongue; então a esfera se tornou maior, brilhando como um vaga-lume antes de adquirir uma forma humanóide.

“Koizumi?”

Em minha frente estava um humanóide luminoso, mas não parecia humano, não tinha olhos nem boca, era como um grande boneco vermelho.

“Bem, olá.”

Uma voz otimista veio de dentro do objeto luminoso.

“Você demorou demais! Achei que ia aparecer em uma forma mais... tangível...”

“As coisas ficaram um pouco complicadas, então vou demorar um pouco para explicar. Para ser honesto, esse não é um acontecimento normal!” - a esfera tremulou um pouco - “Se esse fosse um Espaço Restrito comum, poderia ter entrado facilmente, mas não dessa vez. Tive que aparecer nesta forma incompleta, e ainda por cima precisei dos poderes de meus colegas para poder entrar aqui, mas não posso permanecer por muito tempo, nem mesmo nesse estado. Nossos poderes estão desaparecendo lentamente enquanto falamos.”

“O que está acontecendo realmente? Só estamos eu e Haruhi aqui?”

“Precisamente” - respondeu Koizumi.

“Isso significa que o que temíamos finalmente aconteceu. Suzumiya-san se cansou desse mundo e decidiu criar outro.”

“ ... ”

“Nossos superiores entraram em pânico. Ninguém sabe o que vai acontecer quando nosso Deus desaparecer. Mesmo sendo possível que o mundo resista se Suzumiya-san decidir ter piedade de nós, mas também é possível que desapareçamos em um instante.”

“O que você está tentando dizer?”

“Falando de modo simples.” - a luz vermelha bruxuleou como uma chama - “Você e Suzumiya desapareceram de nosso mundo. Esse lugar em que estão não é um Espaço Selado, mas uma realidade completamente nova criada por Suzumiya-san. Os Espaços Selados que havíamos visto antes talvez tenham sido apenas testes antes dela resolver re-criar este mundo.”

Que piada interessante, em que parte eu devo rir? Há há há.

“Não estou brincando. Esse provavelmente é o mundo mais próximo do qual Suzumiya-san deseja. Ainda não sabemos que tipo de mundo ela deseja, mas temo que descobriremos em breve.”

“Vamos deixar isso de lado, o problema real é; porque eu estou aqui?”

“Você realmente não sabe? Você foi o escolhido por Suzumiya-san. A única pessoa de nosso mundo com quem Suzumiya-san queria ficar. Achei que a essa altura você já teria percebido.”

A luz ao redor de Koizumi piscou como uma lanterna com baterias fracas, seus brilho claramente estava diminuindo.

“Estou perto de meu limite agora. Nesse ritmo nunca mais poderei o ver; por outro lado, fico um pouco aliviado de não precisar mais destruir os Celestiais.”

“Vou precisar viver sozinho com Haruhi nesse mundo cinza?”

“Adão e Eva. Se vocês se esforçarem o suficiente para repopular este mundo, tudo ficará bem.”

“Eu vou bater em você, sério.”

“Estou apenas brincando! Esse estado restrito provavelmente é apenas temporário, muito em breve ele vai se tornar similar ao mundo que você conhece. Mas mesmo assim esse novo mundo será completamente diferente. Agora mesmo esse mundo pode ser considerado o mundo real, enquanto o mundo real é agora o Espaço Restrito. Mas é uma pena que não saberei quais são as diferenças entre os dois mundos. Se tiver sorte e renascer neste novo mundo, eu lhe peço que me procure.”

Nesse momento o humanóide brilhante começou a se desintegrar lentamente, como uma estrela que havia queimado todo o seu combustível. Agora ele voltara ao tamanho de uma bola de pingue-pongue.

“É impossível que voltemos para o mundo original?”

“Se Suzumiya-san desejar isso, será possível. Apenas te conheci por pouco tempo; é uma pena, realmente, mas eu realmente gostei do meu tempo na Brigada SOS... ah, quase esqueci, tenho que transmitir as mensagens de Asahina Mikuru e Nagato Yuki para você.”

Antes de Koizumi desaparecer completamente, ele deixou a seguinte mensagem:

“Asahina Mikuru me mandou desculpar-se em seu lugar: ela disse ‘Desculpe. É tudo minha culpa. ’ Nagato Yuki pediu para dizer ‘Não esqueça de ligar o computador. ’”

O fim foi bem rápido. Era como uma vela sendo apagada pelo vento.

Pensei sobre a mensagem de Asahina. Porque ela está se desculpando? O que foi que ela fez? Decidi pensar sobre isso mais tarde, e liguei o computador devido a outra mensagem. Como o disco rígido fez sons de funcionamento, o logo do sistema operacional apareceria em breve... ou não. A tela to sistema operacional que deveria surgir em poucos segundos, não apareceu. O monitor permaneceu preto. Mas havia um pequeno cursor branco piscando no topo esquerdo da tela. O cursor começou a se mover sem som, para escrever uma mensagem curta.

YUKI.N> Você pode ler isso?

Após um curto período de duvida, puxei o teclado para perto de mim. Comecei a digitar.

« Sim. »
YUKI.N> A conexão com o nosso tempo-espaço ainda não foi completamente cortada. 
Mas é apenas questão de tempo para que isso aconteça. Então será o fim.
« O que eu devo fazer? »
YUKI.N> Nada pode ser feito. A erupção de dados anormais cessou completamente nesse mundo. 
A Entidade de Dados Integrados está em desespero. A possibilidade de evolução foi perdida.
« O que é essa possibilidade de evolução ou coisa assim?  Em que parte podemos considerar Haruhi evoluída? »
YUKI.N> Um alto nível de inteligência se refere em velocidade de processamento e precisão. 
A inteligência de uma forma orgânica tem a capacidade de processamento limitada pelos erros e ruídos de seus corpos  orgânicos. 
Como resultado, atingido certo nível, a evolução.
« Então seus corpos físicos são um problema? »
YUKI.N>   A Entidade Senciente de Dados Integrados foi criada de dados desde o inicio. 
Acreditamos que suas habilidades de processamento de dados cresceriam infinitamente até o que o universo deixasse de existir.  Mas estávamos errados. 
Assim como o universo tem limites, a evolução também tem. Ao menos enquanto permanecermos como entidades de dados desencarnadas.
« E Suzumiya? »
YUKI.N> Suzumiya Haruhi possui a habilidade de criar dados do nada. 
Uma habilidade que a Entidade Senciente de Dados Integrados não tem. 
Um humano, uma mera forma de vida orgânica, está criando mais dados do que se pode processar na vida toda. 
Se pudermos analisar essa habilidade, podemos achar alguma pista sobre a auto-evolução, ou assim pensamos.

O cursor apagou-se. Senti certa hesitação antes das palavras começarem a surgir novamente.

YUKI.N> Estou apostando em você.
« Apostando no que? »
YUKI.N> Desejamos que vocês voltem a esse mundo. Suzumiya Haruhi é um vital assunto de observação. 
Uma existência importante que nunca mais irá surgir neste mundo. Eu individualmente também desejo o seu retorno.

As letras estavam desaparecendo. O cursor apagado lentamente produzia palavras.

YUKI.N> Vamos fazer outra visita a biblioteca.

O monitor escureceu. O brilho crescente não ajudava. As últimas palavras de Nagato foram breves.

YUKI.N> sleeping beauty [4]

4-[Nota do tradutor: “A Bela Adormecida”. Como no original japonês foi utilizado este termo em inglês, decidimos mante-lo].

O barulho alto do disco rígido escaneando quase me fez pular. As luzes de entrada piscaram e o monitor exibiu o conhecido logotipo do sistema operacional. A ventoinha do computador girando era o único som naquele mundo.

"O que vocês estão tentando me dizer, Nagato? Koizumi?"

Soltei um suspiro pesado, e olhei casualmente pela janela.


A janela estava coberta por uma luz azul.


Um gigante de luz estava parado na quadra. Olhando atentamente, era como uma parede azul.

Haruhi pulou para dentro da sala.

"Kyon! Tem algo ali!"

Haruhi quase me atropelou enquanto eu estava parado lá, era rapidamente parou e ficou ao meu lado.

"O que é isso? Certamente é imenso. Um monstro? Não é uma miragem, certo?"

Ela soava excitada. Como se a sua chateação nunca tivesse acontecido. Seus olhos brilhavam sequer dar uma pista de ansiedade.

"Talvez seja um alien. Ou o reaparecimento de uma super arma desenvolvida por um povo antigo. É isso que nos impedia de sair da escola?"

A parede azul de moveu. Minha mente lembrou-se dos prédios sendo esmigalhados. Imediatamente agarrei a mão de Haruhi e corri para fora do clube.

"O qu – e-ei! O que você está fazendo?"

Praticamente caímos no corredor. Ao mesmo tempo, um rugido colossal vibrou pelo ar. Empurrei Haruhi no chão e a protegi com o meu corpo. A sala vibrou violentamente. Apenas pude ouvir o som de objetos pesados caindo ao chão. Baseado no volume do som, o gigante não mirou no clube com o seu ataque. Provavelmente havia sido o prédio do outro lado.

Segurei a mão de Haruhi, que estava completamente absorta, e comecei a correr. Estranhamente ela me seguiu sem reclamação.

Minhas mãos estavam suando, ou seriam as de Haruhi?

O gosto de poeira em nossa sala destruída foi embora. Corri o mais rápido que pude pelas escadas, ouvindo um segundo barulho de impacto.

Corremos para baixo. Podia sentir o calor do corpo de Haruhi por sua mão. Cortamos caminho pelo campo, e rumamos para a descida na pista de corrida. Olhando de perto, o rosto de Haruhi, parecia estar - posso estar enganado com isso - um tanto feliz. Como uma criança no natal que encontra a sua cama rodeada de todos os presentes de queria.

Depois de correr uma distância considerável do prédio da escola, olhamos para trás, e descobrimos quão grande o gigante era. O que Koizumi me mostrara no Espaço Restrito era pelo menos tão grande quanto um arranha-céu.

O gigante balançou os punhos, e o prédio da escola desabou. Como a estrutura de quatro andares barata do prédio já havia sido atingida pelos ataques anteriores, ele desabou com facilidade. A poeira e escombros voaram em todas as direções, produzindo um baque oco ao acertar o chão.

Corremos desesperadamente para o centro da pista de duzentos metros antes de parar. Um inacreditável colosso de luz azul apareceu na antes monótona e escura escola.

Se você quer tirar fotos, deveria tirar disso, e não de coisas como do presidente do Clube de Informática agarrando os peitos de Asahina, e definitivamente não dela usando todos os tipos de fantasias. O nosso site deveria ter fotos como essas que estamos vendo agora!

Enquanto pensava sobre isso, Haruhi disse rapidamente em meu ouvido.

"Você acha que ele vai nos atacar? Não acho que ele seja mal, o que você acha?"

"Eu não sei."

Enquanto respondia Haruhi pensei no que Koizumi havia me dito quando me levou para o Espaço Restrito. Se deixarmos os Celestiais continuarem em sua trilha de destruição, após todo o caos, esse Espaço Restrito irá substituir o nosso mundo, isso significa que esse mundo cinza vai tomar o lugar do mundo de que viemos, e então...

O que será do nosso mundo?

De acordo com Koizumi, Haruhi aparenta estar criando um novo mundo. Será que a Asahina e a Nagato que conheço existirão nesse novo mundo? Ou será um mundo surreal aonde esses Celestiais caminhem livremente, e aliens, espers, e viajantes do tempo sejam coisas comuns?

Se o mundo se tornar assim, qual será o meu papel nele?

Argh, esquece, é inútil pensar nisso agora, porque eu não entendo. Não entendo o que Haruhi está pensando, e não tenho nenhum poder telepático que me permite saber no que os outros estão pensando.

Nesse instante ouvi Haruhi falar comigo.

"O que realmente está havendo aqui? Esse mundo e esse gigante, tudo é tão estranho!"

Essas coisas foram criadas por você, senhorita! Sou eu que devia estar perguntando isso, e por que você me arrastou para tudo isso? Adão e Eva? Isso é estupidez! Não vou aceitar esse clímax clichê!

"Então você quer voltar ao nosso velho mundo?"

Respondi calmamente, como se estivesse lendo um roteiro.

"O que você disse?"

Haruhi se virou para mim. Seu rosto era alvo e liso mesmo nesse mundo acinzentado, e seus olhos brilhantes agora estavam cercados pelas trevas.

"Não podemos ficar aqui para sempre! Não parece ser o tipo de lugar em que encontraremos algo para comer quando ficarmos com fome. Alem do mais, estamos cercados por essa parede invisível: não tem como sair daqui. Nesse ritmo morreremos de fome."

"Hmm, isso é estranho, mas não me sinto preocupada. Acho que as coisas vão se resolver sozinhas. Por algum motivo estou me divertindo muito com isso."

"E sobre a Brigada SOS? Você criou esse clube! Vai deixá-lo para trás?"

"Eu não dou a mínima mais, porque agora mesmo estou presenciando algo incrível. Não existe mais nenhum motivo para voltar e procurar algo misterioso."

"Mas, eu quero voltar ao mundo original."

O gigante momentaneamente parou a sua destruição.

"Antes de toda essa situação estranha começar, eu não percebi o quanto gostava da minha vida do jeito que era. Incluído o idiota do Taniguchi, Kunikida, Koizumi, Nagato, e Asahina, até mesmo a desaparecida Asakura."

"... do que você está falando?"

"Eu quero vê-los novamente. Sinto que ainda tem muita coisa que quero dizer a eles."

Haruhi abaixou a cabeça, e continuou pouco depois.

"Nós os veremos; esse mundo pode estar coberto pela escuridão. Mas quando a manhã chegar, o sol vai aparecer. Tenho certeza."

"Não falo disso. Não quero os ver nesse mundo, e sim no nosso velho mundo."

"Eu não entendo."

Haruhi olhou para mim, irritada. Era como uma criança que teve seus presentes roubados, revelando assim a sua raiva e tristeza.

"Você também não se cansou daquele mundo chato? Aquele mundo é tão comum, e não há nada de especial nele. Você não quer que algo mais interessante aconteça?"

"Eu costumava pensar assim também."

O colosso começou a se movimentar. Ele chutou as partes restantes do complexo escolar e rumou para a quadra. No caminho ele aniquilou com o corredor com o seu braço, dando um chute no bloco antigo que abrigava as salas dos clubes. A escola estava lentamente sendo destruída, nosso clube incluso.

Olhei por cima do ombro de Haruhi, e fiquei assustado ao ver algumas outras paredes azuis nas redondezas. Uma, duas, três... quando cheguei ao cinco resolvi parar a contagem.

Sem as esferas vermelhas em seu caminho, os gigantes luminosos começaram a destruição sem demora. Não entendia o que havia de tão interessante naquela destruição. Cada vez que eles moviam os braços ou pernas, tudo em que tocavam desaparecia instantaneamente.

Momentos depois, mais da metade da escola tinha sido destruída.

Não posso afirmar qual o tamanho desse Espaço Restrito, e não sabia se ele ia se expandir até se tornar outra dimensão. Naquele momento, minha mente estava cheia de incerteza. Se nesse instante um bêbado se sentasse ao meu lado no trem e dissesse: "Vou te dizer uma coisa, mas não conte para ninguém! Na verdade eu sou um alien.", eu com certeza iria acreditar. Pois eu tinha o triplo de experiência comparado há um mês atrás.

O que eu faria exatamente? Se fosse mês passado talvez não tivesse tido nenhuma idéia, mas agora eu podia. Pois eu tinha recebido algumas pistas.

Uma vez decidido, falei o seguinte.

"Haruhi, nos últimos dias presenciei algumas coisas realmente interessantes. Você pode nem perceber, mas todo o tipo de pessoa tem interesse em você. Não é ridículo dizer que literalmente o mundo gira em torno de você. Todos os consideram como uma pessoa especial, e agem de acordo. Você não sabe, mas o mundo está correndo em uma direção bastante interessante."

Assim que segurei os ombros de Haruhi, percebi que ainda segurava as suas mãos, enquanto ela me olhava com um rosto que dizia "O que deu em você?".

Ela tirou os olhos de mim e se focou nos gigantes furiosos, como se eles fossem a coisa mais natural do mundo.

Olhando para o seu rosto suave, lembrei-me de Nagato e sua "possibilidade evolutiva", Asahina e a "distorção temporal", e Koizumi, a tratando como "Deus". Mas o que Haruhi significava para mim?

A Haruhi era a Haruhi, o que mais podia dizer? Não queria usar esse tipo de tautologia para escapar da questão, mas eu também não tenho uma resposta definitiva. Se alguém apontasse para a colega de classe que se senta atrás de mim e perguntasse "O que ela é para você?", será que conseguiria responder?... sim, me desculpe, estou andando em círculos novamente! Para mim Haruhi não é apenas uma colega de classe, mas certamente não é nenhuma "possibilidade evolutiva", "distorção temporal" ou mesmo "Deus.".

O gigante se virou para a pista de corrida. Ele não tinha olhos, mas podia sentir intensamente a sua visão. Ele deu um passo em nossa direção. Esse único passo era mais como uma porção de metros. Ou ele não teria encurtado a distancia entre nós tão rapidamente, mesmo sendo tão lento!

Entendi! Asahina não falou algo sobre isso? O aviso dela! E a última mensagem de Nagato. Branca de Neve e Bela Adormecida, até eu sei o que Bela adormecida significa afinal. Qual a similaridade entre essas historias? Em uma situação como a minha, a resposta estava clara.

Tão clichê, absolutamente tão clichê. Asahina-san, Nagato-san. Não vou aceitar esse tipo de desfecho para a situação. Como se diabos eu pudesse.

Minha racionalidade insistia naquilo. Mas humanos nunca foram uma forma de vida racional. Isso é o que Nagato chamou de "ruídos". Soltei da mão de Haruhi, segurei os seus ombros e a virei em minha direção.

"O que foi..."

Seus olhos negros resistiram. Mas ignorei os protestos de Haruhi e beijei seus lábios. Era mais educado fechar os olhos nesses momentos, então fechei os meus.

"Na verdade rabos de cavalo me excitam."

"O que?"

"Aquele rabo de cavalo que você usava antigamente ficava tão bem em você, que era quase um crime."

"Você é retardado?"

Seus olhos negros resistiram. Mas ignorei os protestos de Haruhi e beijei seus lábios. Era mais educado fechar os olhos nesses momentos, então fechei os meus. Portanto, não sei com qual expressão ela estava. Seus olhos estariam abertos com o choque? Ou assim como eu ela os fechou? Será que ela levantaria a mão para me bater? Não tinha como saber, mas não importava se me batessem agora. Estava apostando todas as minhas fichas nisso, e rezando para que Haruhi se sentisse da mesma maneira. Continuei segurando forte os seus ombros. Não queria a deixar ir ainda.

Ainda conseguia ouvir os sons ao longe; parecia que o gigante ainda estava destruindo o colégio. Mas no segundo seguinte uma sensação de falta de peso tomou conta de mim, tirando o meu equilíbrio. Senti uma dor lancinante no lado direito do meu corpo, pensando se minhas ações tinham me presenteado com um golpe de judô, mas abri os olhos e congelei ao ver um piso familiar.


Estava em meu quarto, e me virando, percebi que havia caído da cama. É claro, estava de pijamas. Metade do cobertor estava caído no chão. Coloquei a mão na parte de trás da cabeça, e bocejei como um idiota.

Demorou um pouco para conseguir pensar naquilo de novo.

Em um estado semiconsciente, levantei lentamente e abri a janela, olhei para fora. Vi algumas estrelas brilhando no céu e lâmpadas acesas na rua. Confirmei que havia luzes acesas em outras casas, e sombras ocasionais se movendo entre elas.

Foi um sonho? Eu sonhei com tudo isso?

Eu tive um sonho onde estava em um mundo surreal com uma garota que conheço, e no final eu acabei a beijando! Um sonho tão obvio de se entender que faria Sigmund Freud rir alto.

Ugh, eu realmente quero me enforcar agora.

Devia ser grato que o Japão proibiu o direito ao porte de armas. Se uma pistola automática estivesse ao meu alcance, eu atiraria na minha cabeça sem hesitação. Se fosse com Asahina-san, poderia entender os meus desejos reais em relação ao sonho. Mas de todas as pessoas era Haruhi. Em que diabos meu subconsciente estava pensando?

Eu sentei desconsolado sobre a cama, e joguei os meus braços sobre a cabeça. Se fosse um sonho, teria sido o mais realista que já havia tido. Minha mão estava coberta de suor, e ainda podia sentir a sensação quente em meus lábios.

... ou este não era o velho mundo. E sim o novo que Haruhi criara. Se esse fosse o caso, haveria alguma maneira de confirmar isso?

Não. Talvez não devesse pensar em nada. Na verdade eu não quero pensar em nada disso. Se acreditasse que meu cérebro é capaz de produzir um sonho assim, acho que acreditaria que o mundo foi destruído. Por hora, vou negar a existência disso tudo.

Olhei para o despertador e chequei as horas; duas e meia da manhã.

... eu vou dormir.

Coloquei o cobertor sobre a cabeça em uma tentativa de fazer meu cérebro congelado cair em sono profundo.


Não consegui dormir.

Esse é o motivo de estar tão exausto que quase preciso me arrastar para subir a ladeira. Isso está me matando, mas para ser honesto, estou feliz de não ter encontrado Taniguchi no caminho, ou seria forçado a ouvir ele o caminho inteiro. O sol continuou liberando o calor de sua fusão nuclear sem fim. Senhor Sol, eu lhe imploro, você pode dar uma pausa? Desse jeito vou fritar até a morte.

Recusando-se a vir quando eu chamei, o demônio do sono agora rodeava minha cabeça, justo quando eu menos queria. Se as coisas continuassem assim, não sei se conseguiria ficar acordado na primeira aula.

Quando vi o bloco escolar, parei para observar sua antiga estrutura de quatro andares. Os estudantes suados se empurravam para dentro da escola como um bando de formigas. Subi forçosamente pelas escadas, em direção a tão familiar classe 1-5, parando a três passos da janela.

Haruhi já estava sentada na ultima fila ao lado da janela. Ela segurava o queixo enquanto olhava pela janela petrificada. Pude ver a parte de trás de sua cabeça, o que era aquilo?

A parte amarrada do seu cabelo escuro estava para fora e caia sobre seu ombro. Você não pode chamar isso de rabo de cavalo. Você só prendeu um pouco de cabelo, não foi?

“Yo. Como vai?”

Joguei a mala sobre a mesa.

“Sinto-me péssima. Tive um pesadelo noite passada.”

Haruhi respondeu em uma voz sem entonação. Bem, isso não é uma coincidência.

“Acabei não dormindo nada. Nunca quis faltar tanto a aula quanto hoje.”

“Oh, sério.”

Sentei na cadeira dura e olhei para o rosto de Haruhi. As mechas de cabelo sobre a orelha estavam cobrindo parte de seu rosto, então não poderia saber sua expressão. Mas bem, posso dizer que ela não estava de bom humor. Pelo menos é o que aparentava.

“Haruhi...”

“O que?”

Como Haruhi se recusou a tirar os olhos da janela, eu disse a ela.

“Fica bem em você.”





[edit]

Epílogo


Vamos falar sobre o que aconteceu depois.

Pela tarde, Haruhi rapidamente despendeu o cabelo e voltou ao seu estilo de sempre. Ela deve ter se cansado dele. Quando o cabelo dela se tornar um pouco mais comprido, vou sugerir que tente usar esse estilo de novo.

Trombei com Koizumi na volta do intervalo, enquanto saia do banheiro.

“Devo agradecer a você.”

Ele disse com um sorriso animado no rosto.

“Esse mundo permanece inalterado. Suzumiya-san anda está aqui. E parece que não ficarei sem trabalho por enquanto. De qualquer forma, você se saiu bem. Acredite, eu não estou sendo sarcástico. Mas não podemos ignorar a possibilidade de que o mundo foi recriado ontem à noite. Em todo caso, me sinto privilegiado de reencontrar com você e com Suzumiya-san.”

Ele disse isso como se fosse o começo de um longo relacionamento, então acenou e foi embora.

“Nos vemos depois da aula.”

Quando fui ao clube na hora do almoço, vi Nagato lendo como sempre.

“Você e Suzumiya Haruhi desapareceram desse mundo por duas horas e meia.”

Essas foram as primeiras palavras que saíram de sua boca. E as únicas. Ela me ignorou como um estranho, e leu em silencio. Resolvi falar.

“Estou lendo o livro que você me emprestou. Provavelmente eu devolvo nas próximas semanas.”

“Entendo.”

Como era normal, ela não me olhou.

“Me diga. Quantas garotas como você estão na Terra?”

“Muitas.”

“Então, outra como Asakura pode querer me atacar?”

“Não se preocupe.”

Pela primeira vez, Nagato levantou a cabeça e olhou nos meus olhos.

“Eu não vou deixar.”

Decidi não mencionar a biblioteca para ela.


Depois da aula, Asahina-san estava, estranhamente, vestindo seu uniforme no lugar da fantasia de maid. Quando ela me viu, se jogou em cima de mim.

“Estou tão feliz de poder te ver de novo...”

Asahina disse em uma voz chorosa enquanto enterrou o rosto em meu peito.

“Achei que você nunca... (sniff) poderia (sniff) voltar a esse mun—”

Talvez ela tenha sentido meus braços se movendo atrás dela. Então Asahina-san subitamente empurrou as mãos contra meu peito e me empurrou para trás.

“Nós... nós não devemos... se Suzumiya-san nos ver assim. Vai acontecer tudo de novo.”

“Eu não entendo do que você está falando.”

Seus olhos largos e chorosos se tornaram adoráveis. O suficiente para fazer alguém querer reviver toda sua existência. Nem um único homem era imune a esses olhos inocentes.

“Você não vai vestir a roupa de empregada hoje?”

“Está para lavar.”

Foi então que eu me lembrei. Apontei para um ponto acima do meu coração.

“Então, Asahina-san. Você tem uma pinta em forma de estrela no peito, certo?”

Asahina-san limpou as lagrimas dos cantos dos olhos, e fez uma cara como a de um pombo correio que vê uma espingarda sendo disparada bem a sua frente. Ela rapidamente se virou, e olhou para baixo por entre a gola da camiseta. Seus olhos instantaneamente ficaram vermelhos, o que me divertiu imensamente.

“C-como você sabe!? Eu não sabia que se parecia com uma estrela! Qu-qu-qu-qua-quando foi que você viu? ”

Até mesmo o pescoço de Asahina estava ficando vermelho enquanto ela me batia como uma criança.

O seu “eu” do futuro me disse. Será que devia contar a verdade a ela?

“O que vocês estão fazendo?”

Haruhi disse em uma voz desgostosa assim que saiu do corredor. O punho cerrado de Asahina congelou-se, e sua face empalideceu. Mas Haruhi levantou o saco de papel que carregava, e deu um sorriso cínico, como uma madastra malvada após ouvir que sua enteada comeu uma maça envenenada e morreu.

“Mikuru-chan, você provavelmente já se cansou da fantasia de maid, certo? Venha aqui. Hora de se trocar.”

Como um mestre das antigas artes marciais, Haruhi se aproximou dela instantaneamente, e a capturou sem problemas.

"N— kya— O qu— p-pare—"

Enquanto Asahina-san gritava, seu uniforme foi removido a força.

“Pare de se debater. A resistência é inútil. Dessa vez você vai ser uma enfermeira. Uma enfermeira! Ou hoje em dia eles chamam de atendente hospitalar? Bem, não importa. É tudo a mesma coisa.”

“Pelo menos feche a porta!”

Eu queria ficar e assistir, mas sai da sala, fechei a porta, e juntei as mãos em preces.

Ah, durante toda a seqüência, Nagato esteve sentada lendo seu livro.


A papelada para legalizar a Brigada SOS esteve na mesa por um bom tempo, mas agora, finalmente enviei um documento ao conselho estudantil algo que vagamente se parecia com um formulário de inscrição. A “Brigada para Salvar o Mundo Enquanto o Enche de Diversão de Suzumiya Haruhi” definitivamente seria rejeitada se eu não alterasse um pouco as coisas. Então arbitrariamente mudei o nome para “Brigada do Serviço Estudantil (Associação Estudantil) Ajude o Corpo Estudantil, Trabalhando para Tornar o Mundo um Lugar Melhor.” (abreviado como Brigada SOS). Listei as nossas atividades como “aconselhamento sobre a vida escolar, serviços de consultoria, e participação em atividades voluntárias.” Eu não sabia o que tudo isso significava, mas se nossa participação acabasse sendo aceita, eu podia colar um pôster no quadro de avisos oferecendo aconselhamento. Mas duvido que nossos conselhos poderiam ajudar alguém.


Tempos depois, sob a supervisão de Haruhi, a “Patrulha Mágica do Mistério.” pela cidade continuaria com força total. Hoje comemoraríamos nossa segunda empreitada. Como sempre, meu plano era matar o dia inteiro fora de casa, mas por uma pura coincidência, Asahina-san, Nagato, e Koizumi ficaram impedidos de vir. Ambos mencionaram tarefas importantes que teriam de fazer. Então, agora mesmo espero por Haruhi do lado da bilheteria da estação de trem.

Eu não sei se os três estavam tentando ter consideração, ou se alguma emergência realmente surgiu, mas como eles são tudo, menos pessoas comuns, é bem possível que tenham que lidar com algumas coisas estranhas que estão acontecendo agora em algum lugar desconhecido.

Olhei para o relógio. Ainda tinham trinta minutos antes do horário de encontro. Eu já estava parado ali por trinta minutos, o que significa que cheguei uma hora antes. Não é que particularmente me importe em se atrasar, mas é simplesmente devido ao habito da Brigada SOS de punir quem chega por último, a pessoa estando atrasada ou não. E havia só duas pessoas hoje.

Quando olhei para cima, imediatamente vi uma figura familiar, vestida casualmente, ao longe. Ela provavelmente não esperava me ver esperando meia hora antes, pois quando me viu ela congelou por um momento e seguiu seu caminho em minha direção, indignada. Não sei o sei se a irritação e a cara feia eram por causa da baixa presença, ou por sua inabilidade em chegar antes de mim. Mas teria muito tempo para perguntar. Enquanto Haruhi financiasse a minha ida a um café.

De fato, eu tinha muitas coisas para falar com ela. Como o tipo de atividades planejadas para a Brigada SOS. As fantasias que gostaria que Asahina-san vestisse. Que ela devia falar com outras pessoas além de mim. E sobre sua opinião nas interpretações de sonhos por Freud. Etcetera etcetera [1].

1-[Nota do tradutor: mantemos o original, aos que preferirem, leiam “etc etc...”].

Mas isso fica para depois.

Eu já sei o que vou falar com ela primeiro.

Sim, por hora —

Planejo conversar com ela sobre aliens, viajantes do tempo, e espers.





Notas do Autor[edit]

Notas do autor


Às vezes me pergunto se o total de palavras que alguém pode escrever durante a vida é decidido em seu nascimento. Se todos têm uma quantidade fixa de palavras para se escrever em sua vida, quanto mais você escreve menos sobra do seu total, o que acarretaria em uma eventual perda da sua habilidade de escrever. Por exemplo, quero escrever uma edição de 300 páginas, cada uma com 400 palavras, em um dia. A melhor resposta é que esse não parece ser um objetivo possível de se atingir. Claro que gostaria de uma história de 12,000 palavras em um dia, mas mesmo em uma média de uma palavra por segundo, vai me tomar pelo menos 33 horas para terminar; e isso é, claro, impossível para mim. Mas talvez exista alguém que consiga realizar esse feito, mesmo não estando certo disso.

Falando em coisas que não consigo fazer, eu acho que não consegui expandir a minha introdução, então vou simplesmente mudar o assunto para “como os gatos são legais”. Eles são bonitinhos e miam. Você deve estar se perguntando aonde quero chegar com tudo isso. Mas eu realmente não me entendo. Não tenho como explicar isso direito. Você vai ficar mais feliz se aceitar a explicação que “As coisas são como elas são.”

Incidentalmente, acreditei que esse livro só poderia chegar a ver a luz do sol depois de ter ganho o incrível e muito apreciado premio da “Sneaker”. Quando soube que havia ganho, questionei meus ouvidos, minha mente, o telefone, a realidade, e mesmo se a terra estava girando. Eventualmente o pensamento “aparentemente é verdade” cruzou a minha mente, então comecei a dançar por ai girando o meu gato sem motivo, até que ele me mordeu. Lembrei-me quando olhei a palma da minha mão arranhada, que os humanos têm uma quantidade pré-determinada de sorte, e que eu gastei toda a minha. Não me lembro do que aconteceu depois. No final das contas, o choque criou algumas seqüelas na minha memória, então não posso ter certeza. Mas tenho a sensação que muita coisa aconteceu.

É por isso que concluo que o esforço colocado pelas pessoas que fizeram todo o trabalho e decidiram publicar esse livro, é pelo menos o dobro do feito pelo autor. Gostaria de expressar a gratidão que sinto de alguma maneira, mas provavelmente não teria palavras para dizer quão agradecido eu estou. Estou especialmente sentido de não poder agradecer aos membros do comitê de escola. De fato, estou no processo de desenvolvimento de uma nova expressão, mas como ela é uma criação minha acabaria não fazendo muito sentido. De qualquer maneira estou verdadeiramente grato. Muito obrigado. Do fundo do meu coração. Isso realmente é verdade.

Agora mesmo, sinto-me como na linha de partida de uma nova corrida. Talvez tropece e caia quando a pistola de partida disparar. Eu não sei onde a linha de chegada fica. Ou se estou em uma pista sem paradas para água. Mas mesmo se me cansar no caminho, desejo verdadeiramente que possa continuar a correr. Exceto que agora não é hora de falar dessas coisas que não me interessam.

Para sintetizar tudo que disse, gostaria de expressar minha gratidão sem limites por todos da editora que estavam direta ou indiretamente envolvidos na publicação desse livro, e a todos que o leram. Isso é tudo por hora!





Notas da Editora[edit]

Notas da Editora


Esse título, “A Melancolia de Suzumiya Haruhi”, foi agraciado com o prêmio Taisho na oitava premiação anual da Sneaker. Esse prêmio foi criado para encorajar escritores amadores, e desde sua criação ele já ajudou a impulsionar a carreira de muitos escritores.

Até hoje apenas duas pessoas foram premiadas com o prestigioso prêmio Taisho. O que inclui Sunao Yoshida na segunda premiação (1996, “Anjo Genocida”) e Kentarou Yasui na terceira premiação (1997, "Ragnarok"). Como todos devem saber, esses dois atualmente redigem algumas das séries mais populares da atualidade (Yoshida: Trinity Blood, Yasui: Ragnarok), e ainda estão ativos.

Em outras palavras, alguém precisa ter pelo menos o mesmo calibre - ou ser melhor do que - esses escritores para ganhar o prêmio Taisho. E esse é o porquê do processo seletivo ser tão rígido. Agora mesmo outro escritor excepcional apareceu, desde que Kentarou Yasui ganhou a prestigiosa honraria, foi o seu primeiro prêmio em cinco anos como escritor: “A Melancolia de Suzumiya Haruhi” de Tanigawa Nagaru.

Todos os anos da final da comissão seletiva para o prêmio Taisho, muitos comitês de juizes expressam suas opiniões sobre cada trabalho com fervor. Cada juiz vai para o processo seletivo como objetivo de encontrar “um talento que o mundo todo pode apreciar”, mas ele não agraciará com o prêmio Taisho nenhum autor que não se enquadre dos rígidos requisitos para tal honra.

Vamos descrever o processo de seleção aqui. Primeiro, os juizes discutem os prós e contras do título selecionado. Baseados nesses prós e contras, cada juiz determina o nível de apelo de cada obra concorrente ao prêmio. Durante a apresentação, os editores tentam neutralizar as fraquezas de cada título para dar ênfase nos seus prós e a conexão entre cada obra e seu autor.

O comitê de seleção final foi unânime em premiar “A Melancolia de Suzumiya Haruhi”. Usando Suzumiya Haruhi como um personagem dinâmico e pouco ortodoxo, e como pivô principal da trama, que é contada em uma narrativa em primeira pessoa, o leitor é capaz de ler a história até o final de uma só vez. Seu estilo de escrita, somado com um elenco de personagens interessantes, levou aos juizes coletivamente decidir que essa obra deveria receber o prêmio Taisho.

Esse é um drama escolar sobre as ações erráticas e excêntricas da bela Suzumiya Haruhi, mesmo que a história inclua uma trama oculta que mesmo a personagem título desconhece. Qual seria esse segredo? Deixaremos o leitor descobrir, enquanto presencia um desenvolvimento inacreditável, e quando menos esperar ele será fisgado para o mundo interessante de Haruhi. Esse é o fator mais atrativo desse título. Por favor, apreciem a realidade fantástica dessa obra, e o inacreditável sentimento que “o anormal é o normal” presente nesse livro.

Por outro lado, cada personagem tem suas características únicas definidas claramente. A egoísta e centrada Suzumiya Haruhi e sua atitude de nunca desistir de buscar o que acredita ser interessante. Ela é uma garota muito positiva, ou muito irritante. Sendo arrastado em círculos por Haruhi está o narrador Kyon, cujo nome ainda não foi revelado. Ele é puxado para todos os tipos de problemas por Haruhi, mas inacreditavelmente ele permanece ao seu lado.

Também temos Asahina Mikuru, que é sempre forçada a se fantasiar de todos os tipos de personagem. Ela pode tentar resistir o tempo todo, mas talvez secretamente ela aprecie isso. Durante a serialização, o autor experimentou todos os tipos de cosplay para ela.

Enquanto esse livro era publicado, o autor começou uma série de histórias curtas na revista Sneaker. Esses contos se passam após os eventos desse livro. Então a egoísta Haruhi, o cínico Kyon, e Asahina ainda estão bem ativos no momento.

Se você gostou de “A Melancolia de Suzumiya Haruhi” após o ler, por favor, a recomendem a seus amigos e parentes, e fiquem atentos a serialização da obra na revista Sneaker. O maior desejo do autor e seus editores é que mais pessoas possam conhecer essa história maravilhosa.


Departamento de edição da editora Sneaker.