Koyomimonogatari ~Brazilian Portuguese~/Koyomi Vento/004

From Baka-Tsuki
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004[edit]

“Lendas urbanas aparentemente são chamadas de folklore em inglês... E isso aparentemente tem a implicação de ser uma história que você ouviu de um ‘amigo de um amigo’. Mas quando você procura por esse ‘amigo de um amigo’, eles nunca parecem existir —“

Quanto ao assunto do próprio vigarista, não havia nada mais a se falar sobre com Sengoku — ou quanto a isso, não havia nada que podíamos falar sobre, então até Tsukihi e Karen voltarem, decidimos ter uma discussão sobre isso em troca.

É um pouco exagerado chamar isso de discussão, no entanto, já que era mais para apenas satisfazer nossa curiosidade — não pensei que poderia ser realmente útil.

Mas ainda assim, quando pensei sobre isso após ter deixado de lado os rumores do vigarista por um momento, percebi que houve de fato algo como isso durante as férias da primavera também.

Já faz vários meses desde então — mas naquela época, quando eu ainda não estava me preparando para os exames, ainda não havia sido afetado pelas esquisitices e ainda não estava na mesma classe que Hanekawa, quando falei com Hanekawa pela primeira vez, ouvi um rumor de uma “vampira”.

Uma vampira de cabelos dourados.

A vampira de sangue de aço, de sangue quente, de sangue frio.

Ela era excessivamente bonita — isso também era um rumor espalhado entre as garotas.

Sendo os amuletos plantados por um vigarista ou as histórias de uma “vampira”, o ponto em comum é que eles eram prevalentes entre garotas.

Mas isso não significava que havia alguma fundação em comum para isso — só poderia significar que havia uma tendência mais forte para garotas gostarem de fofocar do que garotos gostam.

E você ouve mais sobre garotas iniciando tendências do que garotos iniciando elas — então porque é mais provável de folclore aflorar em comunidades como a nossa, isso significaria que aquele vigarista tinha nossa comunidade como alvo intencionalmente?

“... Bem, não, já que algo como isso é tecnicamente um rumor também... Já que há garotas como Sengoku, que estão fora do escopo dos rumores, e mesmo para o rumor de um vampiro, fui capaz de ouvir sobre ele, ainda que eu seja um garoto.”

“Isso é verdade. É por causa disso, Koyomi-onii-chan, que precisamos debater o ponto em questão quanto aos rumores que circulam mais abertamente, mais universalmente, sem estreitar seus alvos.”

“Acho que sim.”

A linguagem de “debater o ponto em questão” pareceu um pouco duvidosa, mas já que Sengoku provavelmente tinha uma linguagem ruim como eu, vou ignorar isso. Não era meu direito questionar a exatidão de suas palavras, de qualquer forma.

“O processo pelo qual os rumores se espalham — ou é o processo pelo qual se espalha rumores? Como exatamente aquele vigarista conseguiu realizar algo assim?”

A maneira em que as lendas urbanas se espalham.

A maneira em que se espalha fofocas de rua.

“... Mas se aquele vigarista tem um entendimento de como fazer algo assim, então acho que ele não tem de fazer algo ruim pro custo de desempenho dos truques dele.”

“Mas as pessoas não são restritas à perseguir um custo de desempenho, Koyomi-onii-chan? Não me encontrei com ele diretamente, mas... Do que ouvi de você, ele parecia o tipo de pessoa que gostava de enganar pessoas por si mesmo...”

“Bem, acho que há gente como essa também...”

Embora não seja algo do tipo que se goste ou desgoste.

Isso já era algum tipo de doença... ou, suponho, algo como um negócio.

É por isso que, para um vigarista como ele, não era uma escolha que ele livremente decidiu tomar — é possível que era o único caminho que ele podia tomar.

Não importa como você pensa, ele é um autor, não é?

Não bagunce assim.

“Bem, é possível que nós devamos pensar em iniciar tendências e lucrar dessas tendências como coisas separadas — afinal de contas, mesmo que tenhamos dito que aquele vigarista falhou...”

É como vender ações na bolsa de valores, não é.

Havia uma diferença entre fazer rumores infundados para confundir o mundo e lucrar disso depois — isso mesmo, isso era algo que nós devíamos ter reconhecido na discussão desde o início.

“Não é como se fôssemos, resolvendo como espalhar as tendências — não tínhamos planos de ficar rico rápido resolvendo o enigma das técnicas daquele vigarista.”

“Eh?”

Sengoku tinha um olhar surpreso em seu rosto, e tentando disfarçá-lo, ela foi,

“Ah, uh, sim. Isso mesmo. Claro.”

... Fez parecer um bocado com que ela estava planejando enriquecer rápido.

Embora, bem, mesmo que ela planejasse enriquecer rápido, isso por si só não era algo a ser reprimido.

Se a renda fosse ganha de maneira legitima, então o dinheiro ou lucros também não deveriam ser criticados — mas do meu ponto de vista, como um colegial do terceiro ano que teve de tomar o fardo de um débito de cinco milhões de ienes, imagino como é ser capaz de confiar nisso.

“Mas Koyomi-onii-chan. Se realmente houvesse uma maneira de intencionalmente se iniciar rumores ou tendências... Se houvesse algum tipo de saiba-como artificial, então isso seria realmente incrível! Seria a descoberta do século! Criaria um fenômeno social!”

“Er, eu não quero realmente criar um fenômeno social... Mesmo que estejamos falando sobre isso, não estamos certos se as tendências das histórias de fantasmas ou lendas urbanas foram sequer iniciadas artificialmente em primeiro lugar.”

“M-mas ouvi falar sobre isso antes. Algo tipo, pessoas decidem a moda popular para o próximo ano numa reunião no ano anterior.”

“Aah... Ouvi algo assim também. Mas não parece que o que se torna de fato popular se limita ao que é decidido na reunião...”

Aposto que se o Oshino estivesse aqui, ele seria capaz de explicar isso para nós facilmente.

Mesmo que não fossem um vigarista, na realidade haviam organizações que tentavam criar tendências.

“— Bem, de todo jeito, por que não tentamos primeiro definir o que ser popular realmente significa?” Bem, mesmo que eu diga que isso não será algo útil e que é apenas para satisfazer nossa curiosidade, mas não diria que eu não tinha a menor esperança de que isso poderia ser de fato útil para uma contra-medida se outro vigarista como ele viesse a esta cidade e tentasse exercer seu poder.

Se você conhece seu inimigo e conhece a si mesmo... é o que isso era.

Mas ainda assim, eu não conseguia realmente entender a diferença entre rumores infundados e lendas urbanas — se eu os classificasse baseado em verdades ou mentiras, então todos eles seriam mentiras.

Realidade é uma mistura de verdades e falsidades desde o início, afinal.

“Definir... Seria uma definição como ter ouvido de um ‘amigo de um amigo’? Se estamos falando de rumores ao vento —“

“É muito difícil definir um ‘amigo de um amigo’. Sem mencionar que ouvir algo de um ‘amigo de um amigo’ é praticamente o mesmo de apenas ouvi-lo de um amigo — se falarmos assim, então significaria que isso se espalhou como algum tipo de ‘jogo do telefone’...”

Foi a cerca dessa hora que nossa reunião começou.

Não era algo do tipo sério como uma reunião para decidir que moda seria no próximo ano, mas para trazer esse tipo de atmosfera, limpamos os lanches e disponhamos uma mesa.

Com cadernos abertos e canetas em mãos, parecia que uma sessão de estudo estava prestes a começar. Embora a reunião que Sengoku e eu estávamos prestes a dar início seria provavelmente terminada em um instante se adicionássemos Hanekawa à equação.

“’Você sabe disso antes que perceba’ seria a primeira definição, eu acho. É. Então basicamente, mesmo sem ativamente tentar obter informações, eu acabo sabendo delas...”

“Isso mesmo. Os ‘amuletos’ na minha escola pareciam assim também. Antes que eu percebesse, eles tinham se espalhado por toda a escola... Como se fosse a epidemia de uma doença.”

“Doença...”

“Embora se falássemos sobre a epidemia de uma doença, faz parecer como se fosse influenza.”

“Não, pra influenza, a implicação geralmente é ‘contagiosa’, não? Se se espalha como uma pandemia, no entanto, então faz mais sentido pensar assim. Hm...”

Mas nesse caso, podemos considerar os rumores sendo uma doença e defini-los como “contagiosos”? Embora você possa tentar adivinhar, é difícil especificamente, concretamente saber onde e de quem você pegou ela... E assim que você perceber, os sintomas já estão aparecendo.

Realmente parece um bocado com rumores ao vento.

Nesse caso, parece menos como vento e mais como um resfriado[1].

“Se é assim, então quando esse vigarista veio a esta cidade, você poderia dizer que ele é algum tipo de bioterrorista. E acho que ouvi algo sobre as ‘três regras das epidemias’ antes...”

Um, falo enquanto tento me recordar.

Se ouvi sobre isso, então naturalmente teria de ter sido da Hanekawa — meu conhecimento era essencialmente fundado sobre o que ouvi da Hanekawa ou da Senjougahara, afinal de contas.

“Ooh. Quais são? Os três pilares.”

“Er, não, os três pilares são algo como amizade-esforço-vitória[2], mas, vejamos...”

As três regras das epidemias.

Ou talvez as três regras das pandemias.

“1. A taxa de infecção é alta. 2. O alcance da infecção é grande. 3. As restrições não são efetivas — como assim me recordo, eram essas três. Pra essas três regras, parece que elas podem facilmente ser aplicadas a rumores também.”

“Velocidade, alcance e poder, são o que são, então?”

Sengoku as descreveu como se fosse um jogo.

Agora que penso nisso, ela era uma gamer, não era.

“Para velocidade e alcance, posso entender mais ou menos... Mas o que significa as restrições não serem efetivas? Koyomi-onii-chan.”

“Er, significa o que diz — uma vez que a infecção se inicia, uma vez que ela comece a se espalhar, você não pode pará-la. Mais especificamente, ela ‘não pode ser parada facilmente’, é o que significa...”

“Mas ‘uma maravilha dura somente nove dias’, não é?”

“Aah. Mas quanto a isso, há um outro significado em que até que esses nove dias passem, você não tem escolha senão deixar o rumor como está —“ É por isso que as Irmãs de Fogo não tinham escolha senão perderem sua iniciativa. Elas estavam atrasadas demais para tudo — é por isso que para se proteger contra doenças infecciosas, a única maneira era tomar precauções para sequer pegá-la.

“Entendo...”

Sengoku acena solenemente.

Parecia que ela estava fazendo o possível para trazer a atmosfera de uma reunião. Era um esforço fofo, mas não era realmente acompanhado de resultados. Eu só podia ter uma sensação de “faz-de-conta”.

Bem, eu não sabia se eu estava do mesmo modo, no entanto...

“Rumores que ocorrem naturalmente, e até mesmo rumores que aquele vigarista espalhou artificialmente, eles são ambos o mesmo — duvido que aquele vigarista tivesse um plano de fato para controlar os ‘amuletos’ que ele popularizou...”

Então não importa o quão bem isso foi, o plano dele desde o início era de espalhar seu negócio apenas por espalhá-lo e desaparecer desta cidade sem limpar seu rastro?

Estou formando uma imagem de uma agricultura de corte-e-queima...

“Se olharmos ao exemplo do Senhor Vigarista, então a velocidade de infecção foi incrível... Com somente uma corrente de ‘amuletos’, levou apenas alguns meses antes de ele ter recebido os resultados.”

“E quanto ao alcance... Somente uma cidade por si só é uma escala e tanto.”

É um pouco incrível pensar que somente um homem foi capaz de fazer isso.

Eu não estava tentando elogiá-lo, e eu não tinha nenhuma intenção de fazer tal, mas quando cuidadosamente o inspecionamos dessa maneira, ele realmente é incrível, aquele vigarista.

“Então, a última condição das três regras... Vamos tentar pensar numa maneira de alcançar essa. Não tem como não podermos alcançar o que aquele vigarista pôde!”

Embora eu tenha pensado que havia várias maneiras em que nós não podíamos alcançar o que ele pôde.

Bem, não havia custo em somente falar sobre isso.

Embora não houvesse nada mais custoso do que um presente de graça.

“Sengoku. O que você faria, por exemplo? Er... se você quisesse popularizar histórias de esquisitice. Se você pudesse intencionalmente armar algo assim.”

“Hmm... É um pouco difícil para a Nadeko entender concretamente o que você precisaria fazer para criar popularidade...” Após pensar nisso, Sengoku disse,

“A maneira mais rápida e simples que consigo pensar é, ‘faça algo que já é popular ainda mais popular’, talvez.” Ooh.

Mesmo que ela tenha dito que era difícil de entender concretamente, Sengoku sugeriu um método que era surpreendentemente concreto, o que me surpreendeu — sem mencionar que era bem preciso.

“Se já há uma fundação ou base em algum grau, então a rota já está trilhada pra você... Se você pensar sobre neurologia, então em lugares em que a sinapses já foram conectadas uma vez, os sinais elétricos podem viajar mais facilmente uma segunda ou terceira vez, certo?”

Embora provavelmente não houvesse nenhuma necessidade de se mencionar neurologia, eu só estava tentando me amostrar para Sengoku. Eu só queria parecer um intelectual. Desconsiderando que eu não podia realmente dizer se eu de fato soei como um intelectual ou não.

“E se quiséssemos pensar em variações, então seria algo como ‘fazer algo que era popular no passado popular de novo’, huh... Mesmo pra histórias de fantasma, dizem que há um ciclo de dez anos ou de cem anos em que histórias similares aparecem... Como você disse, esse padrão é o mais simples e rápido.”

“É-é mesmo?”

Sengoku estava sendo tímida.

Era realmente fofo.

“Ehehe.”

“Contudo, se essa fosse a maneira de se fazer isso, então embora você fosse capaz de iniciar uma tendência, não parece que você seria capaz de iniciar quaisquer tendências que quisesse... Embora estivesse tudo bem se seu objetivo era simplesmente iniciar uma tendência em si.”

“Ah... Desculpa.”

“Er, isso não é algo pelo qual você precise se desculpar...”

Ela realmente tem um hábito ruim de se desculpar, não tem.

Já que hoje ela tinha conseguido passar o dia até então sem se desculpar nem uma vez, pensei que ela seria capaz de ir até o final dele, mas, ó, foi fútil esperar por isso.

Sou um pouco contrário a usar aquele vigarista como um exemplo mais uma vez, mas se ele devesse tentar espalhar suas histórias de esquisitice de maneira eficiente, então seria razoável usar a história de esquisitice da ‘vampira’ que já tinha circulado entre as garotas como uma base.

Mas o motivo para ele não ter feito isso foi porque ele não arranjaria o lucro que queria — ‘vampiros’ não podiam lhe trazer dinheiro.

Foi a essa conclusão que ele chegou.

“Durante as férias de primavera, o motivo pelo qual os rumores de vampiro eram tão populares — ou melhor, o motivo pelo qual eram tão fácil de popularizar — era que a ideia geral dos vampiros já era famosa, huh.”

“Isso mesmo. É difícil haver pessoas que não saibam sobre vampiros no Japão... Na TV, mangá, filmes e jogos, eles sempre conseguem tirar algo disso. Mais do que ‘algo que era popular no passado’, o sentimento é mais de algo que já tinha sido difundido entre a população geral, talvez...”

“Hm. Difusão, huh...?”

Bem.

Segundo a maneira que o mundo funciona, algo difundido irá eventualmente sair de moda, mas o assunto da nossa discussão não era sair de moda, mas entrar nela.

“Coisas que são famosas... Basicamente, se fosse relacionado a alguma marca, então seria fácil de popularizar. Contudo, embora haja uma fundação, pode ser um pouco diferente da definição de ter uma capacidade de infecção tremenda — já que significaria que isso não precisaria de nenhuma capacidade de infecção. O que isso seria se, em vez de fazer algo famoso ainda mais famoso, mas querer fazer algo sem nome se tornar famoso em primeiro lugar?”

“Hmm... Se é esse o caso, então o que disse antes, com a TV, coisas assim... seria a resposta, talvez.”

“Então, os meios de comunicação?”

Introduzindo algo pela TV, jornais ou revistas certamente é um modo geral de se espalhar uma infecção.

“Ah, sim. Isso mesmo. Os meios de comunicação. Eu deveria chamar isso de propaganda? Ou publicidade?”

“Publicidade, huh... Bem, sem restringir isso à publicidade, qualquer coisa mostrada na mídia, sendo ficção ou não, tem a intenção de se ‘popularizar’ e ‘espalhar’, afinal de contas.”

Isso era o que era esperado.

Mas enquanto publicar algo com o objetivo de espalhar isso para a sociedade, teorias que não deviam ser espalhadas provavelmente não passarão, no entanto. Então pessoas de sucesso poderiam muitas vezes dizer, ‘Não pensei que isso seria tão largamente aceito’, isso ou é apenas humildade ou uma maneira indireta de ser fanfarrão.

“Contudo, isso meio que envolve o que falamos sobre antes, mas quando você publica algo na TV ou nos jornais, não significa que já se torna algo famoso nesse tempo?”

“Hm... Bem, pode ser que sim.”

Se o papel dos meios de comunicação é mudar ‘pessoas que conhecem isso, conhecem muito bem’ para ‘todo mundo conhece’, então o primeiro passo é o que é necessário. Claro, se você tem controle dos meios de comunicação então essa é uma história diferente... Mas eu duvido muito que aquele vigarista tinha um poder político assim.

Acho que ele é do mesmo tipo que os especialistas, como Oshino, que não se associam com organizações.

“Se você pensar nos meios de comunicação como tendo um tipo de poder, então você geralmente se apoiaria nesse poder para espalhar a popularidade... Por exemplo, se fosse uma escola, então você usaria os professores, ou os representantes de classe como intermediários... Seria algo assim.”

“Isso mesmo. Se eu quisesse circular algum tipo de rumor... E se eu quisesse considerar o... custo de desempenho? Então eu me apoiaria na Tsukihi-chan.”

Disse Sengoku.

“Ela é uma celebridade entre as garotas do fundamental, então se eu contar à influente Tsukihi-chan um rumor — então seria o mesmo que contar a cem pessoas. Embora só funciona se eu assumir que a Tsukihi-chan espalhe o rumor para mim — Tsukihi-chan é meio inarticulada.”

“Isso mesmo — já que ela é o tipo de pessoa que consegue aguentar minha tortura, afinal.”

“T-tortura?”

“Não, não.”

Tentei disfarçar balançando minha mão.

De todo eito, foi estabelecido que a Tsukihi era inarticulada — se nós ligamos rumores com vírus, então ela seria considerada um sistema imune. Longe de se tornar uma vítima daquele vigarista, ela queria exterminá-lo de uma vez por todas — afinal, mesmo que você não possa parar os rumores, você pode pelo menos cortar fora a fonte da infecção.

“Se você quisesse fazer algo popular a um nível global, então seria algo como colocar uma personalidade famosa num letreiro ou algo assim...”

“Por personalidade famosa, isso é basicamente uma celebridade, certo... Então, ele ou ela provavelmente seria um dos mais modernos. No final, isso significa que para fazer algo, você só precisa juntar isso com algo que já é popular?”

Quando Sengoku disse isso, seu tom de voz parecia um pouco entediado — embora ela não fosse conspícua sobre isso, era bem óbvio que ela começara a perder o interesse.

Bem, diferente de um colegial cínico como eu, uma estudante do fundamental como Sengoku provavelmente acharia tal conclusão um pouco entediante. ‘Coisas que são populares são populares porque são populares’ — tal slogan de negócios existe, mas não significa que isso seja nem um pouco interessante.

Não é como se só coisas boas fossem populares também.

Dinheiro ruim expulsa dinheiro bom — mesmo que isso fosse verdade, eu ainda insistiria em meus ideais.

“... Acho que aquele vigarista não usou os métodos dos quais acabamos de falar sobre, no entanto. Claro, acho que temos o ponto principal... Mas mesmo assim, não é como se ele tivesse sido capaz de contatar alguém famoso diretamente. É mais provável que ele planejou isso pra que um ‘amigo de um amigo’ contasse pra uma pessoa dessas.”

“......”

“Se eu estivesse olhando pra isso do ponto de vista daquele vigarista...”

Era algo que eu realmente não queria pensar sobre, mas vou suportar isso de algum jeito.

“... Além do mais, ele provavelmente não iria sequer querer se aproximar de alguém assim. O nome da Tsukihi-chan surgiu mais cedo, mas embora aquele vigarista eventualmente tenha entrado em contato com a Karen-chan, ele deixou a cidade sem nem mesmo ter visto a Tsukihi-chan —“

“Então isso significaria que... pessoas de status mais alto também são um risco maior?”

“É. Então como eu poderia dizer isso, mesmo que soe contraditório... Algo que pode ser espalhado sem ter que se planejar qualquer coisa, sem propaganda ou publicidade ou qualquer tipo de ação que seja — esse seria o tipo ideal de vírus.”

“Isso mesmo... Mas... Se você apenas espera algo se espalhar por si só, não é o mesmo que esperar um coelho bater num toco de árvore? Não artificialmente, mas algo mais espontâneo... Você não está somente esperando por uma coincidência?”

“Nesse caso...”

Nesse caso, a técnica que o vigarista tinha usado deveria ser como a frase “Jogue lama o suficiente e algum vai colar”, ele espalhou por aí um número grande de histórias de esquisitices e encantos todas de uma vez — então o método dele era de usar a probabilidade de pelo menos uma delas eventualmente se tornar popular.

Ele pode ter deixado isso pra sorte.

A mão invisível de deus, por assim dizer —

“Exceto — com o tanto de planejamento e base que ele fez, ele deixaria mesmo tudo isso pra sorte...? Bem, de todo modo, por que não encerramos nossa discussão na maneira de saber como definir tendências por enquanto... Nossa conclusão por enquanto é de usar algo que todo mundo já conhece e tentar espalhar um número largo de coisas ao mesmo tempo...”

“Certo.”

“Na próxima podemos limitar a questão para o assunto da tendência. Além de que tipo de coisa você iria querer tornar popular, que tipo de coisa é fácil de popularizar?”

Coisas que são fáceis de popularizar.

Coisas que são altamente infecciosas — coisas que podem se espalhar rápido.

“Sendo rumores ou histórias de fantasma ou propaganda, uma vez que você pensa em algo que quer tornar popular, também é importante colocar os toques finais fazendo isso se tornar algo que seja fácil de popularizar. Então no caso das histórias de fantasma, algo ‘assustador’ seria fácil... certo?”

“Mas algo que é ‘assustador demais’ não se tornaria menos popular? Tem de ser algo que é moderadamente assustador para que então você quisesse contar isso pra alguém mais em vez de ser incapaz de contar...”

“Hm.”

Então é como precisar definir o limite onde filmes de terror acabam se tornando filmes splatter — não é bom se é extremo demais.

“Mas de acordo com as gerações, há coisas que eventualmente saem de modo e coisas que podem inesperadamente se tornarem populares, acho que uma vez que essas tendências inesperadas são examinadas novamente, há algumas características inesperadas em comum.”

“Então é como as três regras das pandemias?’

“Em vez disso, é algo mais como os três pilares — já que é reconhecido que existem exceções.”

Isso foi algo que Senjougahara, não Hanekawa, me contou. Embora a maneira que ela me disse tenha sido um pouco diferente, foi algo assim.

“Elas eram fáceis de entender, fáceis de obter e fácil de compartilhar — eu acho.”

“Entender, obter, compartilhar...?”

“Por fácil de entender, bem, não precisa ser explicado, já que até mesmo isso é fácil de entender. Se for algo inteligível ou complexo, então será algo difícil de popularizar. A atitude de ‘apenas pessoas que entendem precisam entender’ realmente não é muito infecciosa —“

Por outro lado, se você quisesse espalhar algo complexo, então você teria de pensar num método para transmiti-lo — para transportá-lo. Ou possivelmente, mesmo que fosse complexo, seria um requerimento absoluto que ficaria tudo bem mesmo que você não entendesse.

Então televisões, celulares, computadores, etc. eram assim — mesmo que a maioria das pessoas não entenda como eles funcionam, eles ainda são usados muito comumente...

“E quanto a fácil de obter?”

“Numa única palavra, seria barato... Mas não é só o preço que importa. Por exemplo, não importa o quão baratos diamantes consigam ficar, por conta de serem pedras raras, é bem difícil as pessoas as obterem. E finalmente, por fácil de compartilhar, seria basicamente algo que todo mundo pode aproveitar junto — não importa o quão bom algo seja, se somente uma pessoa monopolizar ela, então ela não seria capaz de se espalhar de jeito nenhum.

É mais fácil para tendências se formarem sob uma estrutura em que as pessoas podem compartilhar seus trabalhos e impressões entre si.”

Ao dizer isso, nós tínhamos certamente cercado o ponto chave dos amuletos populares do vigarista. Embora nós já tivéssemos estabelecido que seu modus operandi de ter um sistema em que o ponto inicial era de graça, mas com taxas adicionais depois, não conseguimos evitar pensar que a intenção no geral dele era de ter as relações humanas como alvo para seus ‘amuletos’.

Relações humanas.

Ele planejou a deterioração das relações humanas — uma tendência.

Não sei se isso está no contexto de dinheiro ruim expulsando dinheiro bom, mas —

“A palavra ‘popularizar’ em japonês vem da palavra ‘ser paciente’ — meio que dá a imagem de ‘estar um passo a frente’... Mas se você se agarra as regras demais, então no final você provavelmente vai se afastar do seu objetivo original de popularizar coisas da maneira que quer, eu acho.”

“Isso mesmo... Mesmo que algo inesperado fique popular, não significa que você será capaz de incitar um vento de acordo com o plano... Você realmente não tem escolha senão deixar pra sorte.”

Deixar ao vento contanto que ele continue soprando.

Acho que é algo assim, disse Sengoku.

“......”

Então é algo assim, não é.

Mas ainda assim, é difícil pra mim pensar nisso assim.

Aquele vigarista.

Kaiki Deishuu — se apoiar em providência divina para a fraude que ele chama de sua ocupação não parecia fazer muito seu estilo. Em vez da mão invisível de um deus — quanto a ele, ele provavelmente não seguraria sequer a mão do demônio.


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  1. "Vento" e "frio" são ambos pronunciados como "kaze" em japonês.
  2. O lema da Shounen Jump.