Koyomimonogatari ~Brazilian Portuguese~/Koyomi Flor/004

From Baka-Tsuki
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"É fácil subir mas é difícil levantar-se depois da queda - haha. É quase como a vida, não é? Então, Araragi-kun, como você conseguiu cair?"

Oshino, quem pareceu gostar de ouvir histórias das minhas falhas ainda mais que coletar histórias de esquisitices fosse seu hobyy ou trabalho, me perguntou de forma incrivelmente alegre.

Mais tarde, eu fui imediatamente para o prédio abandonado do cursinho - ainda que eu nunca tenha pensado ser questionado de primeira sobre minha própria displicência.

No canto da sala de aula, uma garota loura me olhou de forma dura - parece que para ela tanto as histórias de esquisitices ou histórias de falhas minhas são, de alguma forma, interessantes.

Bem, não importa qual tipo de história seja, ela provavelmente não vê nada relacionada a mim como algo agradável.

"Não, bem, normalmente eu apenas caio. Eu apenas faço o meu melhor e consigo cair, e escalo o muro para voltar pela janela que abri antes."

"Haha. Então você trabalhou duro, não trabalhou, Araragi-kun? Não sente falta dos poderes de um vampiro? Se você os tivesse, pelo menos estaria bem com pular do telhado."

"Sim, eu provavelmente ficaria bem com isto... mas não acho que eu sinto falta deles. Até mesmo estes poderes de pseudo-vampiro são pesados o suficiente para mim."

"Hum. Falando de pseudo-poderes."

Ele apontou para a garota no canto da sala.

"Tenha certeza de deixar a Shinobu-chan beber seu sangue em algum dia deste fim-de-semana. Afinal, ela morrerá se você não deixar."

"...entendido."

Ah.

Certo, Oshino deu um nome para esta garota loura, não deu - Oshino Shinobu. Sinceramente, não me acostumei com ele ainda - mas como não conseguia chamá-la pelo seu nome real, acho que teria de me adaptar forçadamente a ele.

"Shinobu, beba meu sangue, então."

Mesmo assim, desde a Golden Week eu sinto que tenho vindo a este cursinho mais frequentemente do que gostaria - porque raios eu devo gastar minha única juventude em um prédio abandonado com este cafona de meia-idade?

Ah, e desde Oshino tem ficado neste prédio abandonado, além de cafona ele também se tornou mais um homem de meia-idade desleixado...

"............"

Apesar disso.

Eu não conseguia pensar dos meus dias de colegial como minha juventude preciosa que ocorre uma vez na vida - mesmo que a juventude ocorra uma vez na vida, não podia chamá-la de preciosa.

Porque ela foi basicamente um nada.

Não havia substância nela - foi todavia uma coisa que poderia simplesmente evaporar em um piscar de olhos.

Não há porquê em chamar isso de juventude.

Depois da primavera, é apenas o verão, afinal.

"Então, o que me diz, Oshino? A história que eu trouxe agorinha, vale cento e vinte mil ienes - ou quem sabe próximo de cem mil ienes?"

"Mm..."

"O que é?"

Uma vez que o Oshino ficou silencioso de forma pensativa, não tinha alternativa a não ser pressioná-lo.

"Isto não precisa ser sobre o montante, sabe? Se não são cem mil, ao menos oitenta mil, ou cinquenta mil-"

"....."

"Ou ainda 20 mil-"

Ah.

Isto é sem sentido, não é?, pensei ao ter dito isso tudo.

Oshino não era fácil de entender ao ponto de eu ler suas expressões, mas eu tenho alguma intuição, ao menos - se eu tivesse de por em palavras, não houve qualquer reação.

Ele pelo menos demonstrou algum interesse na história anterior sobre o tempo que Hanekawa ofereceu - se ela lhe pedisse dinheiro, Oshino definitivamente pagaria - mas neste caso as condições são diferentes.

"Araragi-kun, por acaso você saberia o número de telefone desta moça, ou seu endereço de e-mail?"

"Não, não sei..."

Eu acabei respondendo honestamente quando esta pergunta tão repentina foi feita.

"Você devia ter conseguido isto anteontem, então. Neste caso, isso diz que você não pode entrar em contato com ela no momento, certo?"

"Veja... eu planejava conseguir isto dela em breve..."

Se eu disser desta forma, então ele não pode falar como se estivesse fazendo piadas comigo, certo?

Lembrando que eu não estou acostumado a trocar números de telefone ainda.

"O que você quer dizer com entrar em contato, de qualquer forma?"

"Eu queria contar isso a ela: 'Não atendeu às minhas expectativas, então pegue dinheiro emprestado para pagar a taxa' ."

"............"

Eu já havia me preparado mentalmente para isso, então não estava tão surpreso.

Além disso, não há a necessidade de ligar para isso - desde o início Senjougahara planejou trabalhar meio-período para conseguir pagar os cem mil ienes.

Desde o início a história era um plano B...

Então, se de alguma forma este plano funcionasse, eu poderia avisá-la antes do fim do dia. De qualquer forma, se não há o que avisar, ela não tinha com o que se preocupar, e poderia voltar para a sua intenção inicial de procurar o trabalho de meio-período.

...Contudo, eu não havia percebido até o Oshino me dizer, mas para o caso da história da Senjougahara ter algum valor, e eu não ter o seu número, eu teria de visitar o apartamento dela novamente...

Que história confusa.

Os colegiais de hoje em dia não são tão trabalhadores - e não, não tenho a menor intenção de dizer que sou um destes colegiais.

"Se é assim, bem, na próxima vez que a vir na escola, passe a mensagem por mim."

"Ah... uma vez que ela ficou no hospital por algum tempo, ela pode não vir à escola amanhã... mas se eu avisá-la desta forma, não importa o que eu faça, provavelmente serei morto sem razão. Você poderia ao menos me contar porque esta história não vale um único iene?"

"É um pouco demais dizer que não vale um único iene. É apenas que se eu não arredondar estes 'trocados', fica difícil fazer contas sem uma calculadora."

"Trocados..."

Quão pequeno são estes trocados, afinal?

Pessoalmente eu diria ser difícil chamar uma moeda de 500 ienes de 'trocados', mas olhando por outro lado e arredondando este tipo de trocado, além de inútil seria também desagradável.

Simplesmente não há consideração... realmente o Oshino é o tipo de pessoa que diz essas coisas, não é... estou agradecido de a Senjougahara não estar comigo aqui.

Neste sentido, a ocorrência de uma batalha, como no fim da primavera ou na Golden Week poderiam muito bem acontecer.

Se eu puder ao menos evitar isso...

"Haha. O que é, Araragi-kun, você está muito animado. Aconteceu algo de bom?"

"Não, no meu caso estou apenas me preparando para algo ruim não acontecer comigo mais tarde..."

Pensando no medo que eu guardava, até mesmo a reação às palavras normais do Oshino demoraram a aparecer. Ele, quem riu da minha história de falha e com certeza riria da minha dificuldade com o futuro, disse isso de um jeito vilanesco.

"É isso mesmo? Então é como as coisas são."

Ele disse.

"Eu tinha pensado em cobrar uma taxa de consultoria no futuro, mas não é como se fôssemos completos estranhos, então dessa vez vou te contar de graça."

"... obrigado."

Eu pensei que ele teria outros motivos como me forçar a ajudar com a busca de histórias e que isto me faria preferir pagar, mas se ele faz isto de graça, acho que isso seria uma opção melhor.

Mas Oshino me disse

"Não faço isso para te ajudar. Porque as pessoas ajudam-se a si mesmas, certo--"

Ele disse.

"Primeiramente, no que diz respeito a este local do acidente de trânsito que vocês viram - no mês passado um acidente realmente aconteceu. Um pedestre caminhando do outro lado da rua foi acertado por um caminhão."

"Hum... é isso. Então você sabia."

"É perto destas ruínas, afinal, e mesmo sem você me ajudar, estou buscando histórias de esquisitices aqui e ali - então obviamente eu sei."

"Então é assim..."

Ainda que ele diga 'mesmo sem você me ajudar', isso me dá uma grande sensação de alienação... não que ache isto errado. E devo mencionar que Oshino tem este jeito de falar que tende a afastar as pessoas.

Mas do que eu pude entender, morrer em um acidente é um fim bem triste - mesmo assim, como eu não sabia quem era a pessoa ou onde morava, há um limite para minha tristeza.

Ainda que eu não conhecesse a pessoa que deixou as flores como oferenda - provavelmente um familiar do morto, eu decidi orar pela felicidade da vítima no outro mundo.

"Bem, investigar acidentes de trânsito não é meu tipo de trabalho, então eu não busquei muita coisa... mas parece que neste lugar o caminho torna fácil acontecerem acidentes. Nesta vez, o acidente ocorreu porque o pedestre tentou cruzar a rua de uma forma absurda..."

Oshino continuou a explicação.

'Será que ele não lamenta a morte de outros?' foi o que pensei, mas olhando do ponto de vista da humanidade, me parece um pouco hipócrita este pensamento.

"Tirando este acidente, há muitos outros casos de colisões com um veículo, colisões traseiras e coisas assim."

"Hum... a Senjougahara também parecia estar prestes a se jogar na estrada..."

Ainda que ela tenha dito que olhou os dois lados para garantir sua segurança, a maioria das pessoas diria o mesmo. E mesmo caso elas fossem vítimas de um acidente, diriam que estavam a salvo.

"Ah, mas neste caso ela foi por ter visto uma flor como oferenda, eu acho - então não é um problema na estrutura da estrada ou algo assim."

"Sim, isso também acontece. Tem algo sobre o qual ainda estou curioso, e mesmo não querendo arruinar as boas intenções da família vou mudar o lugar do buquê."

"... Ok, por favor faça isso."

Enquanto eu pensei que eu seria a pessoa a fazer isso quando tive a chance, me indaguei qual tipo de expressão eu fazia quando disse "por favor vá e faça isso", mas acho que a única expressão que eu fiz foi a minha própria.

Mesmo este cara sendo bem insensível quando eu sou o tópico, ele é bem consciente de coisas como esta, não é...

"De qualquer forma, voltemos ao assunto Oshino."

"Não é algo para o qual devamos voltar. Nunca saímos do assunto em primeiro lugar - de qualquer forma, o problema é que ainda que não existam casos de pessoas pulando do prédio da escola e cometendo suicídio - ou mesmo casos de queda por acidente, por alguma razão o buquê de flores foi deixado em cada prédio da sua escola - é isso?"

"Hum... sim, isso aí."

Como a Senjougahara me deu o apelido de Suicídio-kun, pensei na direção do suicídio, mas olhando para o fato de alguém cair do telhado seria mais normal pensar em queda acidental.

Por exemplo, se eu tivesse caído de lá nesta manhã, seria uma queda acidental...

"Bom, sendo ou não um acidente, o telhado é certamente um lugar fácil de cair, e por isto a entrada foi proibida."

"É.... escolas com telhados abertos usualmente colocam cercas muito altas ou algo assim. No caso da Naoetsu, as cercas são baixas o suficiente para escalar."

"Certo, então seja numa estrada ou escola ou em outro lugar, há lugares onde acidentes e incidentes são prováveis de ocorrer - trocando em miúdos, são o contrário de lugares com energia positiva"

"... então são lugares espiritualmente ruins? Há coisas assim mesmo, como a direção nordeste ser considerada o 'portal do demônio', além de ser de mau agouro."

Mesmo eu demonstrando o conhecimento que tive dificuldade em lembrar, Oshino disse:

"Não, este tipo de coisa é diferente."

e terminou minha tentativa com apenas uma frase.

Ele não tem a menor intenção de me tratar decentemente, tem?

O que ele faria se eu tivesse algum potencial?

... ainda que eu não saiba qual tipo de potencial eu poderia ter.

"Com certeza há lugares de mau agouro - na verdade, estou verificando alguns deles neste momento."

"?"

"Esqueça isso, ainda é muito cedo para você saber, Araragi-kun, e também não é importante. Voltando ao assunto principal, porque você troca o assunto toda hora, Araragi-kun, e isto está se tornando uma grande perda de tempo."

"Peraí, mas você não está com pouco tempo agora, está?"

Pareceu que ele estava intencionalmente falando de forma vaga agora... mas fazer o quê, não estou tão interessados nas particularidades do trabalho do Oshino.

Eu achava que ele iria ficar um tempo longo nesta cidade ainda que inicialmente para investigar vampiros.

"Está se tornando uma grande coisa famosa, Los Angeles."

"...na próxima vez que disser algo sem graça, seria legal se você seguisse com o que eu tenho de falar, às vezes."

"Não é tão longe assim, mas em termos de lugares mais propensos a ocorrerem acidentes, sempre há um desses em cada lugar do país no ponto de vista de um viajante como eu. Se você puser uma passarela de pedestres onde se obstrui a visão das pessoas, ou se nós começarmos uma construção aqui, nós não poderemos ver se algo vem dali ou de lá, coisa assim - e também para quem planeja cometer suicídio tem lugares que as pessoas são mais propensas a escolher. São os famosos 'lugares de suicídio'... E mesmo assim, em última análise são problemas com a geografia ou o ambiente, e não há componente espiritual nisso."

"Huhum, acho que é este o caso. Não esperava um especialista em esquisitices dizer isso, mesmo assim."

"Só estou preocupado porque as pessoas tendem a culpar tudo em alguma esquisitice quando algo ruim acontece. Haha."

Oshino riu deste jeito.

Quando ouvi isso, pareceu que ele tem uma excelente mentalidade, mas honestamente as esquisitices ainda são em algumas vezes responsáveis por coisas ruins do mundo, o que transforma a discussão em outro problema do ovo e da galinha.

"Eu não achava que o caso tinha a ver com esquisitices. Não nem uma história de terror ou mesmo de suspense tipo o templo de que falamos algum tempo atrás. Mesmo a Senjougahara esqueceu-se dela até ontem, então isto apenas fica na sua cabeça por algum tempo... é apenas uma história estranha."

"Por dizer 'um pouco estranha', quer dizer 'Sukoshi Fushigi'?"

"Não, não estou dizendo que tem a ver com os trabalhos de Fujiko Fujio."

Em termos de nuances posso dizer que traz o mesmo sentimento.

O sentimento de 'como assim?'.

"Mesmo aquele acidente que ocorreu na estrada, como você mesmo disse, tem pouco a ver com esquisitices - até mesmo a Senjougahara estar prestes a pular não foi causado por uma esquisitice, espírito ou coisa parecida, era um problema com a posição do buquê, certo?"

"Isso aí. Também poderia ser um problema com a geografia ou o ambiente, por isto pensei em mudar a posição do buquê."

Foi o que Oshino disse.

"Araragi-kun ", ele prosseguiu.

"O buquê de flores oferecido podia pedir para acidentes acontecerem - mas não acha que o contrário pode ser verdade?"