Sword Art Online ~Brazilian Portuguese~:Volume 1 Completed

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Ilustrações[edit]

Essas são as ilustrações do primeiro volume de Sword Art Online.



[edit]

Um grande castelo feito de pedras e metal flutuando em um céu sem fim.

Isso era tudo que esse mundo era.

Levou cerca de um mês para que um grupo de artesãos fizessem um levantamento desse lugar, o diâmetro do andar de base era algo em torno de 10 quilômetros- Largo o suficiente para colocar a entrada do Setagaya-ku[1] nele e possuía 100 andares empilhados em uma trajetória linear. Seu tamanho era inacreditável ao mesmo tempo em que era impossível até mesmo imaginar quantos dados ela consistia.

Dentro dela havia algumas cidades grandes e também incontáveis cidades menores e vilarejos, florestas e planícies. Até mesmo lagos. Apenas uma escadaria conectava um andar a outro e elas existiam em masmorras onde muitos monstros vagavam; explorar e passar por esses lugares não era algo fácil. Apesar disso, se alguém conseguisse chegar a cidade do andar superior os «Teleport Gates»[2] presentes em todas as cidades dos andares inferiores se conectaria com a nova cidade tornando possível para qualquer um mover-se livremente por esses níveis.

Nessas condições, o grande castelo começou a ser conquistado nesses dois anos. A atual linha de frente é o 74º andar.

O nome desse castelo era «Aincrad». Um mundo de batalhas com espadas que continuou a flutuar e que engoliu aproximadamente seis mil pessoas. Antes conhecido como...


<Sword Art Online>


Capitulo 1[edit]

Uma espada cinza cortou meu ombro.

A fina barra no topo esquerdo do meu campo de visão reduziu ligeiramente. Ao mesmo tempo uma mão fria passou pelo meu coração. A linha azul chamada de “Barra de HP[3] ”- é uma rendenização visual da minha força de vida onde tinha ainda pouco menos que 80% restando. Não... Essa frase não é apropriada o suficiente. Nesse momento eu estava 20% mais perto da morte. Corri para trás da espada do inimigo e comecei meu movimento de ataque. “Haaa...”

Forcei minha respiração para recuperar o fôlego. O corpo nesse mundo não precisa de oxigênio; mas o corpo do outro lado, ou seja, meu corpo deitado no mundo real deve estar respirando com dificuldade. Meus dedos e mãos devem estar ensopadas de suor e as batidas do meu coração aceleradas.

É claro.

Nesse exato momento o que eu estou vendo é uma realidade 3D virtual. A barra que estava reduzindo não era nada mais do que um monte de números mostrando meus pontos de vida, mas o fato de que eu estava lutando pela minha vida não mudou.

Quando você pensa dessa forma, essa luta se torna completamente injusta. Isso por que o Inimigo na minha frente- um humanoide com braços cobertos de escamas verdes brilhantes e com cabeça e calda de lagarto- não era um humano muito menos era realmente algo vivo. Era apenas uma criação digital que o sistema recriava quantas vezes fosse morto.

-Não.

A IA[4] que movia o homem lagarto estudava meus movimentos e reforçava suas habilidades a cada segundo que se passava. Apesar disso, no momento que essa unidade era destruída, os dados eram reiniciados e suas informações não continuariam com a próxima unidade que vagaria nessa área.

Então, pensando dessa forma o homem lagarto também estava vivo. Um ser único nesse mundo.

“... Certo?”

Não havia como ele entender uma palavra do que eu murmurava para mim mesmo, mas o homem lagarto- um monstro de nível 82 chamado «Lizardman Lord»[5] sorria, mostrando suas presas afiadas em sua mandíbula.

Essa é a realidade. Tudo nesse mundo é real. Não é uma realidade virtual. Não, isso não é falso de forma alguma.

Eu coloquei minha espada da minha mão direita em paralelo ao meu corpo e observei o inimigo.

O homem lagarto moveu seu escudo em sua mão esquerda para frente e posicionou sua cimitarra para trás.

Uma fria brisa atravessou a masmorra escura e a chama na tocha sacudiu. O chão frio refletiu naquele momento a oscilante luz da tocha.

“Kraah!!”

Gritando, o homem lagarto saltou. A cimitarra desenhou um arco acentuado que voou em minha direção. Uma ofuscante luz laranja acompanhou sua trajetória; Um ataque de um único golpe de alto nível da espada curvada <Fell Crescent>[6]. Era uma formidável técnica de tipo impacto que cobria uma distância de 4 metros em apenas 0.4 segundos.

Mas... Eu já estava esperando esse ataque.

Eu havia lentamente me afastado para induzir a IA a criar essa situação. Eu estava perto do homem lagarto, minha mente registrou o calor que a cimitarra gerou cortando o ar, centímetros em frente ao meu nariz.

“...Há!”

Brandeei rapidamente e golpeei com minha espada horizontalmente. A espada, agora coberta com um efeito de luz azul celeste cortou a pequena proteção do estômago e uma luz vermelha se espalhou ao invés de sangue. E então, um grito baixo.

No entanto minha espada não parou. O sistema me ajudou através de movimentos programados a emendar o golpe seguinte com uma velocidade que normalmente não seria possível.

Esse é o elemento mais importante nas batalhas nesse mundo: <Sword Skill>[7]

A espada rapidamente moveu-se da direita para esquerda e cortou o peito do homem lagarto. Em seguida girei meu corpo criando um circulo perfeito e o terceiro ataque atravessou o inimigo ainda mais profundamente que o anterior.

“Raarrgh!”

Assim que o homem lagarto se recuperou, depois de cair pelo poderoso golpe, gritou novamente com raiva ou talvez medo e posicionou a citamarra para o alto preparando um ataque.

Mas meus movimentos ainda não haviam acabado: A rapidamente começou um corte irregular e violento da direita para esquerda até seu coração. Um ponto vital.

O rombo azul celeste desenhado pelos meus quatro golpes consecutivos piscou e depois se dispersou. Quatro golpes horizontais consecutivos. A «Horizontal Square»[8] .

A luz clara brilhou com força na masmorra e então se foi. Ao mesmo tempo, a barra de HP sobre a cabeça do inimigo desaparecia sem deixar nada.

A criatura subitamente parou e seu corpo caiu de forma desastrosa. Com um som similar a vidro se quebrando, ele se despedaçou em infinitos polígonos e desapareceu.

Essa era a morte nesse mundo. Era instantânea e curta. Uma destruição perfeita, sem deixar um único traço de vida.

Eu olhei para meus pontos de experiência e para os itens deixados para trás. Recebia isso graças uma janela roxa que aparecia no centro da minha visão. Balancei minha espada para a direita e esquerda antes de colocá-la em sua bainha atrás de mim, andei para trás alguns passos e lentamente coloquei minhas costas no muro da masmorra.

Soltei toda a respiração que eu estava segurando e fechei os meus olhos. Minha cabeça começou a latejar, creio que da fadiga pela longa batalha. Sacudi minha cabeça algumas vezes até suportar a dor e abrir meus olhos.

O relógio brilhante do lado direito do meu campo de visão mostrava que já havia passado das 3 da madrugada. Eu deveria sair do labirinto ou não chegaria à cidade antes de escurecer.

“Eu devo começar?”

Não havia ninguém ali para ouvir, mas eu apenas disse para lentamente levantar.

Eu havia feito progresso nesse dia, havia de alguma forma escapado da mão da morte novamente. Mas depois desse descanso, amanhã iriam vir mais batalhas e quando você luta batalhas sem 100% de chance de vitória, não importa quantas vezes você se prepare, sempre vai ter um dia em que você estará fora dos planos da senhora sorte.

O problema é que se jogo vai ser concluído ou não, antes eu irei puxar o meu ás de espadas.

Mas se você valoriza sua vida mais do que tudo, ficando em um vilarejo e esperando que alguém conclua o jogo saiba que essa é a escolha mais sábia a se tomar. Mas eu vou para as linhas de frente todos os dias sozinho. Sou apenas um viciado em VRMMO que continua a aumentar meu status em incontáveis batalhas, ou...

Eu sou um idiota que de forma insolente acredita que pode vencer e trazer a liberdade de todos nesse mundo com sua espada? Assim que eu comecei a andar em direção a entrada do labirinto com um pequeno sorriso confiante, eu voltei para aquele dia. Dois anos atrás.

O momento que tudo terminou e começou.


Capítulo 2[edit]

“Ahh...ha...uwahh!”

A espada, oscilante, fez um estranho movimento golpeando nada além do ar. O javali azul desviou com facilidade, algo surpreendente considerando seu corpo avantajado e acertou de forma feroz seu agressor. Eu desisti de controlar meus risos depois de assisti-lo voar pelo ar após o golpe do javali e rolar colina a baixo.

“Hahaha, não é assim. O primeiro movimento é importante, Klein”.

“Argh... Esse desgraçado.”

O guerreiro que estava reclamando, um membro do meu grupo chamado Klein, levantou-se e olhou para mim falando de forma melancólica.

“Mas Kirito, mesmo que você diga isso eu não posso fazer nada quanto ao fato que essa coisa se move”.

Conheci essa pessoa, que usava uma bandana abaixo dos seus cabelos ruivos e usava uma simples armadura leve em cima do seu corpo magro, a algumas horas atrás. Se ele tivesse revelado seu verdadeiro nome seria difícil de omitir honoríficos, mas como os nomes “Klein” e “Kirito” foram ambos nomes que nós fizemos para nossos personagens, colocar “-san” ou “-kun” seria algo apenas hilário.

As pernas daquela pessoa em questão começaram a tremer.

Parace que ele é um pouco lento.

Peguei uma pedra que estava no chão perto de um matagal e posicionei um pouco acima do meu ombro. Em seguida o sistema detectou o primeiro sinal de uma habilidade e a pedra começou a emitir uma pequena luz verde.

Depois disso minha mão esquerda se moveu por conta própria e a pedra começou a voar, desenhando uma linha de luz que acertou bem no meio do rosto do javali.

“Ggiik!” O javali guinchou em fúria e começou a olhar para mim.

“É claro que eles se movem. Eles não são bonecos de treinamento. Mas se você começar a fazer o movimento certo, o sistema vai detectar e vai acertar o alvo para você.”

“Movimento... Movimento...”

Murmurando como se fosse uma magia, Klein levantou o cutelo que ele tinha na mão direita.

Embora o javali azul, nome oficial «Frenzy Boar»[9] fosse um monstro de nível um, Klein havia perdido mais da metade do seu HP sendo acertado por contra ataques. Bem, se ele tivesse morrido ele apenas renasceria na Cidade inicial perto dali, mas voltar todo esse caminho apenas para caçar era deveras chato.

Parecia que precisava de apenas mais um movimento para a luta acabar.

Inclinei minha cabeça e corri para bloquear o ataque do javali com a minha espada.

“Hmm, como eu posso explicar... Não é como “Um, dois, Três e Ataque”!” é algo mais como carregar um pouco até você sentir a habilidade começar e então vai como um “BAM”!”e você acerta o monstro.”

“Bam é?”

Klein fez uma careta, mas mesmo assim nivelou sua espada ao meio do seu corpo.

Respirou profundamente e então posicionou sua espada para cima como se fosse cortar algo.

Dessa vez o sistema “sentiu” que a pose estava correta e a espada começou lentamente a ter um brilho laranja.

“Ha!”

Com um gripo ele saltou do chão com um movimento que era completamente diferente dos anteriores. Swish! Com esse som a espada desenhou uma chama vermelha no ar. <Reaver>[10], uma habilidade básica da espada de uma mão, que perfurou exatamente o pescoço do javali que estava prestes a atacar, acabando com o resto do seu HP, que como o de Klein estava com a metade ainda cheia.

Guekk!- Ele gritou e chorou em lamento e seu corpo começou a se despedaçar como se fosse feito de vidro. Em seguida números roxos anunciavam quanto pontos de experiência eu havia ganho.

“Yeaaaaaahhh!”

Klein fez uma pose exagerada de vitória e com um grande sorriso em seu rosto levantou sua mão esquerda. Eu o cumprimentei e ele sorriu de novo.

“Parabéns pela sua primeira vitória. Só que esse javali equivale a um slime[11] dos outros jogos.”

“Sério? Eu pensava que era algum tipo de subchefe ou alguma coisa parecida!”

“Sem chance.”

Meu sorriso se tornou um pouco forçado e então coloque minha espada nas costas.

Mesmo que eu esteja provocando ele, eu sabia como ele se sentia agora. Apesar de eu ter 2 meses a mais de experiência que ele, apenas agora ele sentia o excitante sentimento de ter destruído seu primeiro inimigo com as próprias mãos.

Klein começou a usar a mesma habilidade de novo e de novo gritando como ele tinha feito antes. Deve ser o seu jeito de praticar e por isso o deixei sozinho e resolvi olhar por aí.

As incontáveis planícies que se estendiam exalavam um belo vermelho como o sol que começava a nascer, ao norte se tinha uma silhueta de uma floresta, ao sul um lago e eu podia ver os muros que cercavam a cidade a leste. E na direção oeste havia um céu infinito partindo para sempre com algumas nuvens douradas à deriva.

Nós estávamos na planície próxima a Cidade inicial e ao extremo norte se situava o primeiro andar do colossal castelo flutuante--«Aincrad». Devia haver vários jogadores enfrentando monstros por aqui; porém era tão grandioso que nenhum deles eram visíveis.

Claramente satisfeito, Klein guardou sua espada e se aproximou para observar a área também.

“Realmente... Não importa quantas vezes eu olhe para esse lugar, eu ainda não acredito que isso é dentro de um jogo.”

“Bem, mesmo que você diga “dentro” não é como se nossas almas estivessem presas ou coisa parecida. Nossos cérebros estão apenas vendo e ouvindo em vez dos nossos olhos e ouvidos através dos sinais que o «NERvGear»[12] está enviando”.

Eu disse cruzando meus braços, Klein amuou seus lábios como uma criança.

“Você pode já ter usado antes, mas para mim é a primeira vez usando um <Full Dive>[13]... Não é incrível? Sério... Eu realmente estou aliviado de ter nascido nessa década.”

“Você está exagerando”

Mas por mais que eu tenha debochado, eu concordava totalmente com ele.

«NERvGear»

Esse era o nome do hardware[14] que movia esse VRMMMORPG. Sword Art Online.

A estrutura básica dessa maquina era totalmente diferente das antigas Diferente do velho sistema homem-máquina como os “Monitores de alta definição” ou “Controles que você usa as mãos”, Nerve Gear tinha uma interface única e simplificada que cobria sua cabeça e seu rosto.

Dentro deles havia vários componentes que enviavam sinais eletrônicos que permitiam o mecanismo acessar o cérebro do usuário. O usuário não usava seus olhos ou ouvidos para ver e ouvir, mas sim os sinais que eram enviados diretamente para o cérebro. Além disso, a maquina permitia apenas ver e ouvir, mas também tocar, cheirar e degustar. Ou seja, todos os cinco sentidos.

Depois de encaixar o Nerve Gear, colocar seu corpo em um lugar adequado em seguida dizer o comando de iniciação para ligar a conexão e todo o barulho desaparecia. Você ficaria em meio a escuridão, depois você entrava em um circulo no meio daquele lugar e magicamente estava em um mundo feito inteiramente de dados.

Então,

Seis meses atrás, essa maquina que começou a ser vendida em Abril de 2022 criou com sucesso uma realidade virtual. As companhias eletrônicas que criaram o Nerve Gear chamaram essa conexão para uma realidade virtual de

<Full Dive>.

Era uma completa exclusão da realidade, criando um mundo “novo e completo”.

Esse Nerve Gear não apenas enviava sinais falsos para os cinco sentidos como reordenava qualquer ordem enviada do nosso cérebro para o corpo.

Isso pode ser chamado do requerimento mais básico para se mover livremente na realidade virtual. Se o corpo receber sinais cerebrais de um usuário que está em Full Dive, no momento que o usuário escolhe a opção “Correr” seu corpo real poderia correr em direção a uma parede.

Por causa da capacidade do Nerve Gear de reordenar os comandos que o cérebro envia para a medula espinha, Klein e eu podemos ambos mover nossos avatares[15] livremente e lutar com nossas espadas.


Nós estamos completamente dentro desse jogo.


O efeito dessa experiência me cativou assim como vários outros jogadores é a questão de que nós nunca mais voltaremos para nossas velhas canetas de toque ou sensores de movimento.

Klein sentia o vento passando pelas planícies que conseguiam atravessar os muros do castelo distante dali.

“Então, SAO é o primeiro jogo para Nerve Gear que você joga?” Eu perguntei.

Klein, que parecia um calmo samurai do período Sengoku[16], olho para minha direção e assentiu.

“Sim.”

Se ele tivesse falado com uma expressão facial mais séria, teria parecido um ator de uma peça histórica.

É claro que aquele corpo era diferente do seu corpo no mundo real. Era um avatar ajustado por algumas opções. É claro, eu parecia algum tipo de protagonista ridiculamente perfeito de alguma animação fantasiosa também.

Klein continuou usando uma voz vigorosa que obviamente era diferente da sua voz real.

“Para ser exato eu comprei o hardware depois da corrida que tive de participar para pegar o SAO. Havia apenas 10 mil unidades no primeiro lote, então eu penso que eu sou realmente sortudo...Apesar de que você seria 10 vezes mais sortudo se tivesse feito o beta test. Eles lançaram apenas mil!”

“É. Eu acho.”

Klein ficou me olhando.

E inconscientemente eu comecei a lembrar.

Lembrava de todo o entusiasmo que o «Sword Art Online» criou quando foi anunciado como se fosse ontem.

O Nerve Gear havia abrido as portas para os jogos de alta interação. Porém, por mais inovador que fosse a maquina, eram lançados apenas jogos refeitos por algumas empresas. Eles eram todos puzzles ou jogos educacionais, descontentando os jogadores viciados como eu.

Nerve Gear podia sim, render uma realidade virtual.

Mas você podia andar apenas 100 metros antes de atingir uma parede nesse mundo, por isso foi uma decepção enorme. Jogadores hardcores[17] como eu, que haviam sido completamente absorvidos pela experiência de estar dentro do jogo começaram a esperar por um jogo cujo gênero era inevitável de se criar.

Começamos a esperar um jogo em resposta da rede. Um jogo que deixaria milhões de jogadores juntos, crescendo, lutando e vivendo como um personagem próprio. Ou seja, um MMORPG.

Quando a expectativa e o desejo alcançou seu limite, o primeiro VRMMORPG[18] foi anunciado: «Sword Art Online» Um jogo que consistia em um castelo flutuante com 100 andares.

Os jogadores viviam em um mundo com florestas e lagos, confiando apenas em suas espadas para conduzi-los em direção aos andares superiores, derrotando incontáveis monstros e fazendo seu próprio caminho até o topo.

Magia era considerada algo indispensável como parte da fantasia dos MMORPGS e de forma ousada foi criados infinitos números de habilidades chamadas de «Sword Skills» e era parte do plano fazer os jogadores sentirem a experiência de lutar com seus corpos o quanto que possível.

Habilidades eram variadas incluindo aqui habilidades produtivas como ferraria e costura ou habilidades diárias como pescar, cozinhar e tocar música. Dessa forma o jogador poderia não apenas se aventurar em um jogo grande, mas também poderia viver dentro dele. Se eles assim quisessem, depois de terem alcançado um nível alto o suficiente eles poderiam comprar uma casa e viver como pastores.

Assim que essas informações foram reveladas, o entusiasmo dos jogadores apenas aumentou.

O Beta test[19] recrutou apenas alguns jogadores, dizem que era apenas 1000 pessoas, metade dos Nerve gears que já haviam sido vendidos naquela época que foi quando eu me voluntariei para ser um dos testers.

Sorte fora a única razão de eu ter sido escolhido e também como beneficio adicional os beta testers[20] receberiam prioridade quando o jogo fosse lançado oficialmente.

Os dois meses de teste foram como um sonho. Na escola eu escrevia toda minha lista de habilidades, equipamentos e itens e então corria de lá para minha casa assim que a aula acabava. O período de testes terminou em um piscar de olhos e no dia que meu personagem foi apagado eu tive um sentimento de perda como se o meu verdadeiro eu tivesse desaparecido.

E agora-06 de Novembro de 2022, Domingo.

«Sword Art Online» todas as preparações foram terminadas a 1 da madrugada, oficialmente o servidor era ligado.

É claro, eu tive de esperar 30 minutos para logar sem lentidões, mas quando eu chequei as estatísticas do servidor cerca de 9500 pessoas já estavam logadas, parecia que se todas as pessoas que foram sortudas o suficiente para conseguir o jogo sentiram o mesmo que eu senti. Todas as lojas online que anunciaram o jogo devem ter vendido tudo em segundos e as vendas offline, que devem ter começado ontem, criaram filas de pessoas que esperaram por quatro dias, criando tumulto suficiente para aparecer em noticiários. Isso significa que todas as pessoas que compraram uma cópia do jogo eram realmente jogadores hardcores.

As ações de Klein provavam isso claramente.

Depois que eu loguei no SAO eu comecei a correr pelas nostálgicas ruas pavimentadas em pedra da «Cidade Inicial» para ir a uma loja de armas e notando que eu era um beta tester depois de me ver começar a correr sem nenhuma hesitação, Klein correu atrás de mim.

“Ei, me ensine algumas coisas!” ele implorou.

Eu me perguntei como ele podia ser tão exigente e ao mesmo tempo tão cara de pau com uma pessoa que nunca havia conhecido antes. Perdi minhas palavras pelo espanto da primeira impressão.

“Hã, er... Então, por que não vamos para a loja de armas?” Eu respondi como se fosse um NPC[21] e no final das contas acabamos formando um grupo onde comecei a ensinar a ele o básico de lutar e foi assim que nós terminamos na nossa situação atual.

Para dizer a verdade, eu não me dou bem com as pessoas nem na vida real nem em jogos, talvez até menos na vida real. Durante o período de testes eu cheguei a conhecer algumas pessoas, mas não próximo o suficiente para chamar alguém de amigo.

Mas Klein tinha um lado que ele avançava em você, mas não fazia você se sentir desconfortável também. Pensando dessa forma, eu creio que seria capaz de conviver com ele e então abri minha boca.

“Então...O que você quer fazer? Quer continuar caçando até cansar disso?”

“Claro! Eu ia dizer isso, mas...”

Os olhos de Klein foram em direção ao lado direito da sua visão. Ele parecia checar o tempo.

“... Bem, eu vou ter que sair e comer, pedi uma pizza para as 05h30min”

“Bem meticuloso”

Eu disse algumas palavras desconexas e então Klein inflou seu peito.

“É claro!” Ele disse de forma orgulhosa. “Eu prometi encontrar algumas pessoas na «Cidade Inicial» daqui a pouco. Eu poderia apresentar você para elas e então nos registrar como amigos assim poderíamos sempre enviar mensagens um para os outros. O que acha?”

“Err... Hãa..” Eu murmurei subconscientemente.

Eu poderia conviver bem com o Klein, mas não havia garantias que seria o mesmo para os amigos dele. Eu senti que havia uma grande chance de não gostar de estar junto deles e como resultado, os deixaria junto com Klein.

“Eu deveria...?”

Aparentemente entendendo a razão da minha razão da minha resposta não muito confiante, Klein balançou sua cabeça.

“Ah, eu não quero forçar você. Sempre vai ter a chance de apresentar eles de qualquer forma.”

“...É. Desculpas e...Obrigado.”

Assim que eu o agradeci, Klein balançou sua cabeça com mais vigor.

“Ei, ei! Eu que deveria estar te agradecendo. Eu recebi muita ajuda sua e irei pagar algum dia. Mentalmente.”

Klein sorriu e deu outra olhada no relógio.

“Bem, eu vou sair um pouco. Obrigado mesmo, Kirito. Até mais.”

Com isso, ele colocou sua mão à frente. Naquele momento eu pensei que aquela pessoa seria um grande líder em «Outro Jogo» e apertei sua mão.

“A gente se vê por ai.”

E então soltamos nossas mãos.

Esse foi o momento onde Aincrad ou Sword Art Online deixou de ser apenas um jogo divertido para mim.

Klein recuou e colocou o dedo indicador direito e o polegar juntos e puxou, essa ação foi feita para chamar o «Menu Principal» logo depois ouve um som de toque e um retângulo roxo apareceu.

Eu me movi um pouco e abri meu menu também e comecei a mover meus dedos para organizar os itens que havia conseguido pela luta com o javali.

E então.

“Eh?” Klein disse em um tom estranho.

“O que é isso?... Não tem botão de sair.”

Naquele momento eu parei de mover meus dedos e levantei minha cabeça.

“Sem botão? Sem essa, olhe mais perto.”

Eu disse um pouco confuso. O espadachim abriu seus olhos o máximo que pode e aproximou a cabeça para perto do menu. O retângulo que tinha alguns botões na esquerda e uma silhueta mostrando o equipamento que você estava usando na direita. Em um dos botões do menu havia um botão escrito «Sair» que permitiria você escapar desse mundo.

Depois disso voltei a observar minha lista de itens que eu havia ganho após horas de lutas e Klein começou a falar em um tom mais elevado.

“Realmente não está aqui. Você deveria dar uma olhada Kirito”

“Eu disse que não há nenhuma forma de não estar...” Eu murmurei com um suspiro e então cliquei no botão no topo esquerdo para voltar a tela inicial.

A janela de inventário a direita se fechou e voltou ao menu principal. E na parte esquerda, onde havia vários espaços vazios que dava acesso a uma longa fileira de botões.

Movi minha mão para baixo em um movimento que já havia se tornado um hábito e...

Meu corpo congelou.

Não estava ali.

Como Klein havia dito o botão que estava durante o período de teste. Não, desde que eu havia logado—Havia desaparecido.

Comecei a olhar nos espaços vazios por alguns segundos, procurando no menu para ter certeza de que não havia apenas mudado de posição.

Klein olhava com um “Certo?” escrito na sua testa.

“... Não está, certo?”

“Não, não está aqui”

Eu assenti ao mesmo tempo em que me senti um pouco chato por concordar tão facilmente.

Klein sorriu e começou a esfregar os dedos no seu queixo.

“Bem, como é o primeiro dia eu acho que alguns bugs[22] poderiam ocorrer, agora mesmo os GMs[23] devem estar chorando pela excesso de mensagens inundando a caixa de mensagens” Klein disse calmamente.

“Está tudo bem para você ficar aqui? Você disse que tinha pedido uma pizza, não foi?” Eu perguntei.

“Ah, sem problemas!”

Eu sorri o vendo saltando por ai, com olhos enormes, joguei fora alguns itens que eu não precisava no inventário que se tornou vermelho pelo excesso de itens e fui andar junto com o Klein.

“Argh! Minha pizza de anchova e gengibre!”

“Por que você não chama um GM? Eles devem ser capazes de te tirar desse lado.”

“Eu tentei, mas não houve resposta e já são 5:25! Ei, Kirito, não tem um outro jeito de sair?” Depois de ouvir o que Klein disse eu cruzei meus braços.

Meu rosto ficou rígido. Eu senti um medo infundado atravessando minha espinha.

“Vejamos...Para sair...” Eu disse ainda pensando.

Para sair dessa realidade virtual e voltar para o meu quarto, eu tenho que abrir o menu principal e pressionar o botão de sair, então apertar sim e então a janela sumiria a para a direita. Era bem simples, mas ao mesmo tempo eu não sabia de nenhum outro jeito de sair.

Eu olhei para o rosto do Klein, que estava um pouco acima do meu e balancei minha cabeça.

“Não, não há nenhum. Se você quer sair por conta própria você tem que usar o menu. Não há outro meio.”

“Isso é impossível... Tem que haver alguma forma!” Klein começou a gritar como se estivesse negando minha frase.

“Retornar! Sair! Escapar!”

Mas é claro, nada aconteceu. Não há comandos de voz em «SAO». Depois de gritar isso e até mesmo pular, eu falei para Klein.

“Klein, isso é inútil. Até mesmo o manual não diz nada sobre acessos de terminais de emergência.”

“Mas...Isso é estúpido! Mesmo que seja um bug, eu não posso voltar para o meu quarto e para o meu corpo quando eu quero.” Gritou Klein com uma expressão desnorteada no rosto.

Eu concordo totalmente com ele. Isso é impossível. É completamente sem sentido. Mas, indiscutivelmente era a verdade.

“Ei, o que é tudo isso? É muito estranho, nós não podemos sair desse jogo!” Dando um riso forçado ele voltou a falar novamente.

“Espera, nós podemos apenas desligar ou tirar o Gear ”

E então assisti Klein movendo suas mãos como se estivesse tentando tirar um chapéu invisível e senti aquela ansiedade retornando

“É impossível. Nesse momento nós não podemos mover nossos corpos, nossos verdadeiros corpos. O «NERvGear» recebe todos os sinais do nosso cérebro e envia para o jogo e os reordena para que eles movam nossos avatares aqui.”

Klein lentamente fechou sua boca e abaixou suas mãos.

Ambos ficamos mudos por um tempo, cada um perdido em seus próprios pensamentos.

Para permitir um estado de interatividade perfeita, o nerve gear bloqueia os sinais que nosso cérebro envia a nossas espinhas para que possamos controlar nossos avatares nesse mundo.

Entretanto, se eu mover meu braço aqui o braço do meu verdadeiro corpo, que está deitado na minha cama nesse exato momento, não vai mover um centímetro sequer, garantindo que eu não bata minha cabeça contra o canto da minha mesa nem nada do tipo. Mas, por causa dessa função nós não podemos retirar o Nerve Gear por nossa conta própria agora.

“...Então, a menos que o bug seja consertado ou alguém do mundo real tire os nossos Gears, nós temos que esperar?” Murmurou Klein, ainda um pouco atordoado. Eu silenciosamente assenti.

“Mas, eu vivo sozinho e Você?” Hesitei em dizer, mas disse a verdade para ele.

“Eu vivo com minha mãe e minha irmã mais nova, uma família de três. Eu acho que vou ser forçado a tirar o Nerve Gear se não descer para o jantar...”

“O que? Q-Quantos anos sua irmã tem?”

Subitamente Klein olhou em minha direção, com olhos faiscantes. Apenas desviei meu olhar.

“Você está bem calmo agora, não é? Ela faz parte de clubes esportivos e odeia jogos, então ela não tem nada em comum com pessoas como nós...”

Eu movi meu braço e na tentativa de mudar de assunto

“Você não acha isso tudo estranho?”

“Claro. Desde que seja um bug.”

“Não, eu não quero dizer que é apenas um bug. É um bug que impossibilita sair. É um problema grande o suficiente para atrapalhar a operação do jogo por si só. É como a sua pizza no mundo real ficando mais fria a cada segundo. Uma perda econômica, não é?”

“Uma pizza fria... É tão sem sentido quanto um nato duro!”

Ignorei o comentário sem significado e continue falando.

“É assim, os operadores deveriam desligar o servido e retirar todos se fosse o caso. Mas... Parece que se passou 15 minutos desde que notamos isso e não houve uma mensagem do sistema. Deixar o sistema sozinho. Isso é algo bizarro.”

“Hmm. Pensado dessa forma, você está certo.”

Agora Klein começava esfregar o seu queixo com uma expressão séria no rosto, a área da bandana cobria agora uma parte do seu nariz fino, a inteligência brilhava em seus olhos.

Eu comecei a ouvir ele, me sentido estranho por falar com alguém que eu nunca conheceria se eu apagasse minha conta.

“A Companhia que criou o SAO é a Agas que é famosa por se atenciosa com os usuários, não é? Por isso todo mundo estava lutando para por as mãos em uma cópia desse primeiro jogo online. Parece sem sentido eles estragarem tudo no seu primeiro dia.”

“Eu concordo. SAO é o primeiro VRMMORPG caso alguma coisa desse errado eles colocariam muita coisa a perder.”

Klein e eu olhamos um para outro com nossos rostos virtuais e suspiramos.

As estações em Aincrad eram baseadas na realidade, por isso era Outono aqui também.

Eu olhei para cima, respirando profundamente o frio ar virtual.

100 metros depois eu quase poderia ver a luz vermelha anunciando a entrada para o segundo andar. Assim que eu seguia na superfície irregular eu vi uma grande torre-O Labirinto, único caminho para o andar superior.

Havia passado das 5:30 e a pequena faixa do céu podia ser visto com a luz vermelha do sol. Apesar da situação em que estava, vendo as planícies infinitas pintadas de ouro com a luz da tarde, encontrei-me sem palavras diante da beleza desse mundo virtual.


Logo depois disso o mundo mudou para sempre.

Capítulo 3[edit]

O Ding, ding. Um ruído como um sino, ou talvez um sinal de alerta, soava alto, fazendo Klein e eu pularmos em surpresa.

"Ah ..."

"O que é isso?!"

Nós gritamos ao mesmo tempo e olhamos um para o outro, com os olhos arregalados.

Klein e eu fomos imersos em um pilar de luz azul claro. Passado o véu azul, as planícies na minha visão desfocavam-se progressivamente.

Eu experimentei isso algumas vezes durante o teste beta. Foi um teleporte iniciado por um item. Eu não tinha o item pré-requisitado, nem gritei o comando adequado. Será que os operadores iniciaram um teleport forçado? Se sim, por que nem nos informaram?

Conforme meus pensamentos corriam, a luz pulsava em torno de mim mais forte e a escuridão me alcançou.

Quando a luz começou a diminuir, os arredores tornaram-se claros novamente. No entanto, esta não era mais a planície iluminada com o pôr do sol.

Era uma estrada pavimentada com pedras grandes. Ruas medievais cercadas por lâmpadas de rua e o enorme palácio irradiando uma luz escura a uma distância razoável à frente.

Este foi o ponto de partida, a praça central da Cidade Inicial.

Olhei para Klein, que estava perto de mim de boca aberta. Em seguida, um grupo movimentado de pessoas cercaram a nós dois.

Olhando para o grupo de belíssimas pessoas, com uma variedade de equipamentos e cores de cabelo, eles, sem duvidas eram jogadores como eu. Havia cerca de poucos milhares — dez mil pessoas aqui. Era provável que toda essa gente que estava conectada agora tinha sido transportada à força para a praça central.

Por alguns segundos, todo mundo olhou em volta sem uma palavra.

Depois de alguns resmungos e murmúrios que podiam ser ouvidas aqui e ali, eles começaram a falar mais alto.

"O que está acontecendo? "

"Podemos sair agora?"

"Eles não podem cuidar disso rapidamente?"

Comentários como estes podiam ser ouvidos de vez em quando.

E quando os jogadores começaram a ficar mais irritados, gritos como "Isso é uma piada?” e "Saiam de onde estão GMs!" podiam ser ouvidos.

Então, de repente.

Alguém levantou a voz acima de todos esses comentários e gritou.

"Ah ... olhem para cima!"

Klein e eu quase que automaticamente viramos nossos olhos e olhamos para cima. Uma estranha vista nos agraciou.

A superfície do fundo do segundo andar, uma centena de metros no ar, foi pintada em vermelho.

Quando olhei de perto que eu descobri que foram escritas duas frases que cruzavam entre si. A palavra que foi escrita em vermelho foi “Aviso” e a outra “Anúncio do Sistema”.

Fiquei surpreso por um momento, mas depois pensei: “Oh, o operador vai começar a informar-nos agora” e a tensão em meus ombros diminuiu um pouco. A conversa dos que estavam abaixo, na praça, morreu. Você podia sentir todos esperando para ouvir o que iam dizer.

No entanto, o que aconteceu depois não foi o que eu esperava. Saindo do meio do padrão vermelho, um liquido parecido com sangue escorria lentamente. Ele desceu a um ritmo que quase enfatizou como pegajoso era, mas ele não caiu, em vez disso, começou a se transformar em outra coisa.

O que apareceu foi um homem de 20 metros de altura vestindo um manto com capuz sobre o seu rosto.

Não, isso não é exatamente correto. De onde estávamos olhando, nós podíamos ver facilmente dentro do capuz e não havia rosto. Estava absolutamente vazio. Nós podíamos ver claramente o pano interior e os bordados verdes dentro do capuz. Foi o mesmo no interior do manto, tudo o que podíamos ver dentro do aro era sombras.

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Eu já tinha visto esse manto antes. Era a roupa que os funcionários da Agas —que vinham trabalhando como GMs durante o teste beta, sempre usavam. Mas, em geral, os GMs do sexo masculino tinham um rosto de um velho feiticeiro com uma longa barba e as mulheres tinham um avatar de uma menina de óculos. Eles poderiam ter usado o manto devido à falta de tempo para preparar um avatar próprio, mas o espaço vazio sob o capuz me deu uma sensação inexplicável de ansiedade.

Os inúmeros jogadores em torno de mim devem ter sentido o mesmo.

"Isso é um GM?"

"Por que não tem um rosto?"

Numerosos sussurros como esses podiam ser ouvidos.

Então, o lado direito do manto enorme se mexia como se pedisse para silenciarem-se.

Uma luva branca surgiu a partir das dobras da manga longa. Mas esta capa, como o resto do manto, não estava conectada a qualquer tipo de corpo.

Em seguida, o braço esquerdo se levantou lentamente para cima também. Então, com suas duas luvas vazias estendidas em frente de dez mil jogadores, a pessoa sem rosto abriu a boca— não, parecia que ele abriu. Então uma voz baixa e calma de um homem ressonou do alto no ar.


“Jogadores, Bem-vindos ao meu mundo”.


Eu não consegui entender isso de imediato.

”Meu mundo”? Se esse manto vermelho era um GM, ele certamente tinha poderes divinos neste mundo, que lhe permitiam mudar o mundo à vontade, mas por que ele estava dizendo isso agora?

Klein e eu olhamos um para o outro espantados. O manto vermelho anônimo baixou seus dois braços e continuou falando.


"Meu nome é Kayaba Akihiko. Agora, eu sou a única pessoa que pode controlar este mundo. "


"O que ...!?"

Meu avatar ficou muito rígido com o choque, e sua garganta, e talvez o meu pescoço foi para trás no mundo real também parando de funcionar por um segundo.

Akihiko-Kayaba!

Eu conhecia esse nome. De jeito nenhum eu não conheceria.

Essa pessoa, que era tanto um designer de jogos e um gênio no campo da física quântica, foi o responsável por levantar a Agas, que até poucos anos atrás era apenas uma das muitas pequenas empresas dentro das importantes empresas líderes no campo.

Ele também foi o diretor de desenvolvimento de SAO e ao mesmo tempo, o designer do NERvGear.

Como um jogador hardcore eu o respeitava profundamente. Eu comprei todas as revistas que o tinham como destaque e tinha lido algumas entrevistas dele. Quase podia vê-lo em um macacão branco, que ele sempre usava, apenas ouvindo sua voz.

Mas ele sempre estava por trás dos bastidores, se recusando a ser exposto à mídia, ele nunca tinha sido um GM, então por que ele estava fazendo algo como isto?

Eu forcei minha mente a se organizar novamente, a fim de encontrar sentido nessa situação. Mas as palavras que saíam da capa vazia quase pareciam zombar de meus esforços para entender.

"Eu acho que a maioria de vocês descobriu o fato de que o botão sair desapareceu do menu principal. Este não é um bug. É tudo parte do sistema de “Sword Art Online”.

"Parte do... sistema...?"

Klein murmurou, sua voz não conseguia terminar de falar. O anúncio continuou na sua voz baixa como se para cobrir todas as outras vozes.

"Até você chegar ao topo deste castelo, você não pode sair por sua própria vontade."

Deste castelo? Eu não podia entender esta frase em primeiro lugar. Não há nenhum castelo na Cidade Inicial.

Então, a próxima coisa que Kayaba disse soprou longe minha confusão.

“... igualmente, a suspensão ou o desmantelamento da NERvGear vinda do exterior é estritamente proibida. Se estas coisas forem tentadas...”

De repente, silêncio.

O silêncio de dez mil pessoas foi impressionante. As próximas palavras vieram lentamente.

"Os sensores de sinais nos seus NERvGears vão emitir um forte pulso eletromagnético, destruindo seu cérebro e parando todas as suas funções básicas.”

Klein e eu nos fitamos por alguns segundos em estado de choque.

Era como se minha mente se recusasse a acreditar no que acabara de ouvir. Mas a curta declaração de Kayaba perfurou meu corpo com uma ferocidade que foi dura e densa.

Destruir os nossos cérebros.

Em outras palavras, nos matar.

Qualquer jogador que desligar o NERvGear ou destrancar a fivela e tirá-la seria morto. Isso foi o que o Kayaba acabou de afirmar.

Pessoas na multidão começaram a resmungar, mas não havia ninguém gritando ou em pânico. Todos, inclusive eu, não conseguíamos entender isso ainda ou recusávamos.

Klein levantou sua mão direita lentamente e tentou agarrar o capacete que estaria situado lá no mundo real. Quando ele fez isso, soltou uma risada seca e começou a falar.

"Haha... O que ele está dizendo? Aquele homem, ele esta louco? Não está fazendo nenhum sentido. O NERvGear... É só um jogo. Destruir o nosso cérebro... Como é que ele vai fazer isso? Não é, Kirito? "

Sua voz quebrou a ultima mensagem passada. Klein me olhou firme, mas eu não conseguia acenar em concordância.

Os infinitos sensores de sinais no capacete do NERvGear emitiam pequenos pulsos eletrônicos para enviar sinais virtuais ao cérebro.

Eles podem chamar isso de tecnologia ultra recente mas a teoria básica é a mesma de um aparelho doméstico que tem sido usado há mais de 40 anos no Japão, o microondas.

Se houvesse potência suficiente, era possível que a NERvGear iria vibrar as partículas de água em nossos cérebros e frita-los com o calor da fricção. Mas...

"... teoricamente é possível, mas... ele deve estar blefando. Porque, se puxar o plug do NERvGear não há nenhuma maneira que possa emitir esse tipo de pulso forte. A menos que haja de alguma forma uma bateria com uma imensa capacidade de armazenamento... dentro...”

Klein deve ter começado a pensar a razão do por que eu ter parado de falar.

“Existe... uma” Ele disse e suas palavras pareciam mais um grito combinado a sua expressão vazia no rosto. “30% do peso total do gear é a bateria. Mas... Isso é completamente insano! E se eles subitamente desligarem a energia ou alguma coisa assim!?”

Kayaba começou a explicar, como se ele tivesse escutado o que Klein havia dito.

“Para ser um pouco mais especifico, deslocar a fonte de eletricidade por mais de 10 minutos, desligar o sistema por mais do que 2 horas ou qualquer tentativa de destrancar, desmantelar ou destruir o NERvGear Caso alguma dessas condições ocorrerem a sequência de destruição cerebral irá iniciar. O governo e mídia do mundo exterior já sabe dessas condições. E apenas para tomar nota de que já houve alguns casos de parentes ou de amigos que ignoraram os avisos e tentaram forçar a retirada dos NERvGears. Como resultado—“

A voz metálica parou por um instante.

“—lamentavelmente 213 jogadores já saíram desse jogo. E do mundo real para sempre.”

Em seguida, uma pequena risada foi escutada. Mas a maioria dos jogadores não podia acreditar ou se recusava a acreditar no tinha acabado de ser dito por isso continuavam de boca aberta ou com um sorriso em seus rostos.

Minha mente tentava rejeitar o que Kayaba acabava de dizer. Mas meu corpo me traia, pois meus joelhos tremiam violentamente.

Dei alguns passos para trás e tentei controlar meus joelhos para me impedir de cair. Klein caiu para trás com uma expressão sem vida.

213 jogadores já morreram.

Essa frase se repetia e se repetia na minha cabeça.

Se o que Kayaba disse era verdade, mais de 200 pessoas haviam morrido?

Muitos deles devem ter sido beta testers como eu. Eu devo ter conhecido alguns dos nomes de seus personagens e avatares. Essas pessoas tiveram os cérebros queimados e..morreram, isso era o que Kayaba estava dizendo?

“... Não acredite... Eu não acredito”

Klein, que continuava sentado no chão continuava a repetir aquilo.

“Ele está apenas tentando nos assustar. Como ele poderia fazer uma coisa assim? Pare de brincar e tire a gente daqui. Não temos tempo para brincar com a sua cerimônia de abertura doentia. Sim... isso é tudo um evento. Um show de abertura, certo?” Dentro da minha cabeça, eu gritava exatamente a mesma coisa. Mas para acabar com nossas esperanças a voz de Kayaba retornou as explicações. “Jogadores, não há com que se preocupar quanto aos corpos que vocês deixaram no outro lado. Nesse momento, todas as emissoras de televisão e rádio assim como a internet noticiam a situação e as inúmeras mortes. O perigo de terem seus NERvGears retirados já desapareceu. Nesse momento, usando as duas horas que os dei, todos estão transportando vocês para hospitais ou instalações similares para terem o melhor tratamento. Então vocês podem relaxar... e se concentrar em terminar o jogo.”

“O que…?”

Então, ao menos eu iria falar.

“O que você está dizendo? Terminar o jogo? Você quer que joguemos em uma situação como essa?”

Eu continuei gritando e apontando para o robe vermelho que estava na superfície do andar superior.

“Isso não é mais um jogo!”

Então Kayaba Akihiko começou a silenciosamente anunciar sua voz monótona.

“Mas eu sei que todos vocês entendem que Sword Art Online não é mais um simples jogo. É uma segunda realidade. E a partir de agora nenhuma forma de reviver nesse jogo vai funcionar. No momento que seu HP chegar a 0 seu avatar irá se for para sempre e ao mesmo tempo—’

Eu sabia o que ele iria dizer muito claramente.

“Seu cérebro será destruído pelo NERvGear”

Subitamente, fui possuído por uma vontade de rir, mas apenas olhei para baixo.

A linha horizontal que brilhava na parte esquerda da minha visão. Assim que me foquei nela os números 342/342 surgiram.

Pontos de vida. Minha força de vida.

No momento que isso chegar a zero, eu vou morrer—as ondas Eletromagnéticas vão fritar meu cérebro me matando instantaneamente. Isso era o que Kayaba havia dito.

Sem sombra de dúvidas isso era um jogo. Um jogo que valia a sua vida. Em outras palavras, um jogo de morte.

Eu devo ter morrido ao menos 100 vezes durante os dois meses do período de testes e ressurgia com um sorriso envergonhado no rosto em um palácio ao norte da praça central. O «Black Iron Palace» [24] e corria em direção aos locais de caçada novamente.

Isso era o que um RPG significava. Um jogo onde você continuava morrendo e aprendendo a evoluir. Mas e se você não conseguir? E se ao morrer, você perder sua vida? E além disso, você não puder parar de jogar?

“... Não é possível” Eu murmurei.

Quem em sã consciência iria sair para o campo nessas condições? É claro que todos iriam apenas esperar dentro da cidade onde era seguro.

E como se lesse a minha mente e provavelmente de todos os jogadores que estavam ali, foi feito o seguinte anuncio.

“Jogadores, existe apenas um modo de se livrar desse jogo, como eu havia dito antes vocês devem seguir em direção ao topo de Aincrad, no centésimo andar e derrotar o chefe final que reside ali. Todos os jogadores que continuarem vivos vão imediatamente sair do jogo. Eu dou a vocês minha palavra.”

Dez mil pessoas ficaram em silêncio.

Isso era o que Kayaba quis dizer quando havia dito sobre chegar ao topo desse castelo.

O castelo—A gigantesca estrutura que prendeu todos os jogadores no primeiro andar com agora noventa e nove andares para chegar ao topo enquanto flutua pelo céu. Ele estava falando exatamente sobre Aincrad.

“Concluir... Todos os 100 andares?” subitamente disse Klein que se levantou de forma rápida e olhou para o céu.

“E como você quer que façamos isso? Eu ouvi que subir era incrivelmente difícil até mesmo durante o beta teste!”

Essa parte era verdade. Durante dois meses de testes, os mil jogadores não conseguiram nem chegar ao sexto andar. Mesmo que 10 mil pessoas estejam no jogo agora, quanto tempo vai levar para concluir todos os andares?

A maioria dos jogadores forçados a estar aqui deveriam estar fazendo a mesma pergunta sem resposta.

O curto silêncio finalmente se tornou múrmuros baixos. Mas não havia sinal de medo ou desespero.

As pessoas estavam confusas sobre o que era o perigo real ou se essa era apenas um evento de abertura realmente bizarro. Tudo o que Kayaba tinha dito era tão horrível quanto surreal.

Voltei a olhar para aquele robe vazio e tentei forçar minha mente a aceitar a situação;

Eu não podia sair. Eu não podia voltar para o meu quarto, para minha vida. O único modo de voltar era que alguém derrotasse o chefe do mais alto andar desse castelo. Se meu HP chegar a zero nesse tempo... Eu vou morrer. Eu vou ter uma morte real e desaparecerei para sempre.

Mas.

Por mais que eu tentasse aceitar esses fatos, era impossível. A apenas 5 ou 6 horas eu havia comido junto com a minha mãe e tido uma pequena conversa com a minha irmã, e então eu subi para o andar de cima da minha casa.

Agora eu não posso voltar a tudo isso? Agora tudo isso é a realidade verdadeira?

Então, o robe vermelho que estava acima de todos nós levantou sua luva direita e começou a falar com uma voz sem emoção.

“Então eu os mostrarei uma evidência que essa é a única realidade. Dentro dos seus inventários está um presente meu. Por favor, confirmem isso.”

Assim que eu ouvi isso eu pressionei meus dedos juntos e ativei o comando. Todos os jogadores fizeram a mesma coisa e a praça foi tomada pelo som de sinos.

Eu apertei o botão de itens no menu e havia aparecido um item que não estava ali, no topo da minha lista de pertences.

O nome dele era—Espelho de mão.

Por que ele deu isso para nós? Apenas cliquei no nome e pressionei o botão de “Fazer o objeto surgir” E em um piscar de olhos um pequeno espelho retangular apareceu. O segurei de forma hesitante, mas nada aconteceu.

Tudo que ele mostrava era a face do meu avatar que eu tive pouco trabalho para fazer. Movi minha cabeça e olhei para Klein. O samurai também olhava o espelho com uma expressão branca no rosto.

—Então

Subitamente Klein e os avatares ao redor, foram engolidos por uma luz branca que também me capturou e me cobriu. Tudo que eu podia ver era um branco.

Cerca de 2, 3 segundos depois as pessoas ao meu redor reapareceram como antes...

Não.

A face na minha frente não era a que eu estava usando.

A armadura feita de placas continuava a mesma. A bandana, o cabelo espetado e vermelho também. Mas o rosto havia mudado completamente. Seus olhos penetrantes haviam desaparecido e se tornado fundos. O seu delicado e longo nariz se tornara curvo, e uma pequena barba crescia entre suas bochechas e queixo. Se o avatar era um jovem e espirituoso samurai, esse era um guerreiro caído. Ou talvez, um bandido.

Eu esqueci a situação por um momento e murmurei.

“Quem... É você?”

As mesmas palavras foram ditas pelo homem na minha frente.

“Ei... Quem é você?”

Fui tomado por um mau pressentimento e percebi o que era o presente do Kayaba significava.

Olhei novamente para o espelho e um rosto olhava para mim.

Cabelos escuros sobre a cabeça, dois olhos fracos que podiam ser vistos abaixo do longo cabelo e um rosto delicado que fazia as pessoas confundirem a mim com uma garota quando eu saia com roupas casuais com a minha irmã.

O Calmo rosto do guerreiro Kirito que estava lá a segundos atrás não existia mais. O rosto refletido naquele espelho. Tentei escapar de todas as formas disso, mas era a verdade.

“Ah... Esse sou eu”

Klein, que também olhava para o espelho, deu alguns passos para trás. Nós olhamos um para o outro ao mesmo tempo.

“Você é o Klein!?” “Você é o Kirito!?"

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Ambas as nossas vozes mudaram também. Talvez os efeitos de voz tenham parado de funcionar, mas nós não tínhamos tempo de pensar sobre coisas como essa.

Os espelhos que estavam em nossas mãos caíram no chão e foram destruídos.

Quando eu olhei ao redor de novo, as pessoas não pareciam mais personagens de jogos de RPG. Um bando de pessoas jovens e normais estava no seu lugar. Era como algumas pessoas na vida real em um jogo vestindo armaduras. Aflitivamente, até mesmo os sexos haviam mudado.

Como diabos isso era possível? Klein e eu e provavelmente todos os jogadores a nosso redor mudamos de avatares que fizemos do nada para nossas verdadeiras formas. É claro a textura em si era como a de um modelo poligonal e fez-me sentir estranho por que era assustadoramente preciso. Era como se o aparelho tivesse um scanner de corpo inteiro dentro.

Escanear.

“...Ah, certo!”

Eu olhei para Klein e forcei minha voz a sair.

“Existem sensores de sinais de densidade no NERvGear cobrindo a nossa cabeça. Então eles podem não só dizer como é nosso cérebro, como nossos rostos também.”

“M-Mas, como eles sabem como nosso corpos são... Como a nossa altura?”

Klein disse, mas depois se silenciou olhando para as pessoas que nos cercavam.

A altura média dos jogadores, que olhavam para os outros rostos com várias expressões notaram que suas alturas haviam sido reduzidas na mudança. Eu e provavelmente Klein também. Devíamos estar com a nossa altura igual a do mundo real, mas muitos jogadores pareciam que estavam mais altos entre dez ou vinte centímetros.

Isso não era tudo. O comprimento horizontal dos jogadores havia se tornado mais largo. Não havia como o NERvGear saber de tudo isso.

A pessoa que respondeu a pergunta foi Klein.

“Ah, espere. Eu comprei o NERvGear ontem então eu lembrei que havia uma parte introdutória... Se chamava calibração...? De qualquer forma, durante um tempo seu corpo era tocado aqui e ali, então talvez...?”

“Ah, certo. Realmente deve ter sido isso”

Calibração era quando o NERvGear media quanto você move precisava mover sua mão para alcançar seu corpo. Era feito para aproximar algumas medidas no jogo. Então, é possível que o NERvGear deva ter isso salvo dentro de si.

É possível fazer todos os avatares dos jogadores serem uma perfeita réplica poligonal deles mesmos. O propósito era muito claro agora.

“...Realidade” Eu murmurei. “Ele disse que essa era a realidade. Que esse avatar poligonal e nosso HP é como se fosse nosso corpo real e nossa vida real. Para nos fazer acreditar isso, ele fez cópias perfeitas de nós.”

“Mas...Mas...Sabe Kirito?”

Klein coçou a cabeça e seus olhos se direcionaram acima da bandana e gritou.

“Por quê? Por que diabos ele está fazendo isso conosco?”

Eu não respondi. Apenas apontei para cima de nossas cabeças.

“Espere um Pouco. Provavelmente ele vai responder isso.”

Kayaba fez exatamente o que eu esperava. Alguns segundos depois uma voz solene soava sobre o céu vermelho.

“Vocês devem estar se perguntando “por que?”. Por que eu—O criador do NERvGear e do SAO, Kayaba Akihiko—Está fazendo algo como isso? É algum tipo de ataque terrorista? Ele está fazendo isso para nos fazer de reféns?

A voz de Kayaba que havia sido completamente sem emoções até agora, mostrava sinais de emoções. Subitamente a palavra empatia passou pela minha cabeça. Não tem como isso ser verdade.

“Nenhuma dessas razões é o motivo de eu estar fazendo isso. Não apenas isso... Para mim, não há uma razão ou propósito. O único motivo é... Essa situação em si como sendo o proposito de tudo. Criar e assistir esse mundo são as únicas razões de eu ter criado o NERvGear e o SAO. E agora, está se realizando.”

Depois de um curto descanso, a voz sem emoção de Kayaba voltou.

“... Agora eu terminei o tutorial oficial de Sword Art Online. Jogadores... Eu os desejo boa sorte.”

E essa foi a última sentença ecoando fracamente.

O grande robe se tornou mudo e começou a afundar, primeiro capuz, e depois a mensagem do sistema começava a derreter e ser coberta pelo céu.

Seus ombros e então seu peito, assim como seus braços e pernas desapareciam em uma superfície vermelha. Depois disso a mensagem do sistema havia desaparecido tão subitamente quanto surgiu.

O som do vento correndo pela praça e o BGM da orquestra de um NPC começou a correr pelos nossos ouvidos.

O jogo havia voltado ao seu estado normal, exceto pelo fato que algumas regras haviam mudado.

E por último.

A reação apropriada de 10 mil jogadores.

“Isso é uma piada, certo? O que é isso? Isso é uma piada não é!?”

“Pare de brincar! Me deixe sair! Me tire daqui!”

“Não! Você não pode! Eu tenho que encontrar uma pessoa logo!”

“Eu não gosto disso! Eu quero ir para casa! EU QUERO IR PARA CASA!!!!”

Ameaças. Clamores. Gritos. Maldições. Pessoas implorando e gritando.

Elas haviam mudado de jogadores de um jogo para prisioneiros em questão de minutos. Agora elas estavam cobrindo suas cabeças, agitando seus braços e um ou outro começaram a fazer juramentos.

E no meio de toda essa barulheira, minha cabeça voltou a ficar fria.

Essa é a realidade.

O que Kayaba Akihiko declarou é tudo verdade. Se esse é o caso, tudo isso era esperado. Não é tão estranho como um gênio como Kayaba ache que o que ele fez foi charmoso e atraente.

Agora eu não podia voltar a realidade por talvez alguns meses ou mais do que isso. Durante esse tempo eu não poderia ver minha mãe ou irmã, muito menos falar com elas. Era impossível e eu nunca teria a oportunidade. E se eu morresse aqui...

Eu morreria na realidade.

O NERvGear que antes era um aparelho de jogo me trancou como um prisioneiro e se tornou uma ferramenta da morte que iria fritar meu cérebro.

Eu respirei lentamente e então, abri minha boca.

“Klein venha aqui um segundo”

Eu segurei a mão do guerreiro que parecia muito mais velho que eu no mundo real e fugimos da multidão delirante.

Fizemos isso bem rápido, talvez por que nós estávamos na borda e entramos em uma das muitas ruas que iam para fora da praça e pulamos para trás da sombra de uma carroça imóvel.

“...Klein” Eu chamei seu nome novamente.

Ele continuava com uma expressão vaga no rosto. Então tentei falar da forma mais séria possível.

“Me escuta. Eu estou saindo dessa cidade indo em direção ao próximo vilarejo. Venha comigo”

Klein abriu seus olhos eu continuei falando com a minha voz baixa, forçando as palavras a sair. “Se o que ele disse era verdade, para sobreviver nesse mundo precisamos ser mais fortes. Você sabe que MMORPGs são batalhas pelos recursos entre os jogadores. Apenas as pessoas que adquirem mais dinheiro e mais e experiência pode ser tornar poderosas. As pessoas que estão aqui vão caçar todos os monstros nos arredores da cidade inicial. Você vai ter que esperar para sempre pelos monstros regenerarem. Indo para o vilarejo agora vai ser melhor. Eu sei todos os pontos perigosos então eu posso ir para lá, mesmo que eu esteja apenas no nível 1.”

Considerando o que eu disse, foram muitas palavras. Mas ele continuou em silêncio.

Alguns segundos depois seu rosto mudou um pouco.

“Mas... Você sabe. Eu disse antes que estive na fila por séculos com meus amigos para comprar esse jogo. Eles devem ter logado e devem estar como todos os outros na praça agora. Eu não... posso ir sem eles.”

“...”

Eu não falei nada e apenas mordi meu lábio.

Eu podia entender muito bem o que Klein estava tentando dizer nessa situação nervosa.

Ele—Fazia muito facilmente amigos e provavelmente queria cuidar de todas as pessoas bem. Ele provavelmente esperava que eu pudesse levar todos os seus amigos com ele.

Mas eu não podia.

Se fosse apenas o Klein, eu poderia ir para o próximo vilarejo nos protegendo de monstros agressivos. Mas se fosse mais duas pessoas—Não… Até mesmo mais uma pessoa vindo seria muito mais perigoso.

Se uma pessoa morresse no caminho, eles morreriam como Kayaba havia anunciado.

A responsabilidade cairia sobre mim, que havia sugerido sair da segura Cidade inicial e falhado em proteger meu companheiro.

Carregar um fardo tão pesado. Eu não poderia fazer algo assim, era apenas impossível.

Klein parecia que havia lido todas as minhas preocupações que passavam como flashes na minha mente. Um sorriso apareceu e ele coçou a cabeça.

“Não... Eu não posso ir junto com você. Eu sou mestre de guildas nos jogos que eu costumo jogar. Vai ficar tudo bem. Eu vou fazer o meu melhor usando as técnicas que você me ensinou agora. E... Ainda existe a chance de que tudo isso é apenas uma piada idiota e que todos nós vamos sair. Então não se preocupe conosco e vá para o vilarejo.”

“...”

Com a minha boca fechada, eu mantive a indecisão que nunca havia sentido em toda minha vida.

Então eu escolhi as palavras que mantive por dois anos.

Eu balancei minha cabeça, comecei andar e disse com minha garganta seca.

“Bem, vamos nos separar aqui. Se alguma coisa acontecer, me mande uma mensagem. A gente se vê depois, Klein.”

Klein me chamou, mas eu olhei para baixo e continuei a ir.

“Kirito!”

“...”

O mandei um olhar questionador, mas ele não disse nada, seu rosto apenas tremeu um pouco.

Eu iria em direção ao noroeste. Em direção ao vilarejo que eu usaria como base. Quando eu dei alguns passos uma voz me chamou atrás de mim.

“Ei, Kirito! Você parece muito bom na vida real! Você é meio que do meu estilo!”

Eu sorri um pouco e virei para trás.

“Você parece 10 vezes melhor agora!”

Então eu dei as costas para o primeiro amigo que fiz nesse mundo e corri incessantemente.

Depois que eu corri pelo vale por alguns minutos, eu olhei para trás novamente. É claro, não havia ninguém ali.

Eu ignorei a sensação estranha no meu peito e corri novamente.

Corri desesperadamente para o portão nordeste da cidade inicial, passei pelas largas planícies e por uma floresta densa até um pequeno vilarejo passando por tudo isso. Passando por esse jogo de sobrevivência sem fim.

Capítulo 4[edit]

Dois meses no jogo, duas mil pessoas mortas.


A esperança de ajuda vinda de fora estava destruída, nem uma mensagem sequer fora enviada.

Eu não vi, mas algumas pessoas disseram que o pânico e a loucura fizeram os jogadores fazerem coisas realmente inacreditáveis. Havia pessoas chorando e outros lamentando. Alguns tentaram até mesmo cavar na cidade dizendo que iriam destruir aquele mundo. É claro, todas as construções eram objetos não destrutíveis tornando a tentativa um completo fracasso.

Eles disseram que levou dias até os jogadores aceitarem a situação e pensarem no que fazer agora.

E no final das contas os jogadores se dividiram em quatro grandes grupos.


O primeiro consistia naqueles jogadores que não aceitaram as condições de Kayaba Akihiko e continuam esperando por ajudar externa.

Eu entendo bem o que eles estão pensando. Seus corpos reais estão deitados em uma cama ou sentados em uma cadeira dormindo. Essa era a realidade e a situação aqui era a falsa, eles tentavam descobrir alguma forma de sair após os criadores do jogo terem retirado o botão para isso.

Lá fora, a companhia que vendia o jogo, Argas, deveria estar tentando salvar os jogadores. Por isso eles esperavam para quando eles pudessem abrir seus olhos ter uma reunião fraterna com suas famílias e voltar para escola ou para o trabalho e tornar o que eles passaram apenas um assunto qualquer.

Era realmente uma forma irreal de se pensar. Mas eu acredito que sentia o mesmo que eles dentro de mim

Com o plano de esperar, eles não saiam da cidade e gastavam todo o seu dinheiro que conseguiram no começo do jogo-Atualmente chamado de Coll nesse mundo-economizando e comprando apenas a comida que eles necessitavam no dia-dia e usando hotéis baratos para dormir enquanto andavam em grupos pela cidade sem nenhum objetivo.

A Cidade inicial era ocupava mais ou menos 205 da superfície do primeiro andar, grande o suficiente para caber um distrito de Tokyo, então ao menos 5000 jogadores tinham um lugar para viverem.

Mas por mais que eles esperassem nenhuma ajuda chegava. O dinheiro que eles tinham não iria durar para sempre e eles sabiam que deviam fazer alguma coisa.


O segundo grupo consistia em cerca de 30%, 3000 jogadores, era um grupo onde todos os jogadores trabalhavam juntos tendo como líder um administrador de um grande site de notícias de jogos online.

Os jogadores que estavam nesse grupo se dividiam em vários grupos menores e eram incumbidos de coletar informações do jogo e explorar a área do labirinto e encontrar a escada ao próximo andar. Os líderes desse grupo utilizavam o Black Iron Castle como base de suas operações ordenando os grupos menores.

Esse grupo gigantesco não possuía um nome, mas depois que seus membros receberam um uniforme, alguém deu um nome para eles de O Exército.


O terceiro grupo, de aproximadamente mil jogadores consistia nas pessoas que não gastavam seus Colls, mas não queriam arrumar dinheiro lutando contra monstros.

E como uma nota lateral: Existem duas necessidades básicas nos nossos corpos em SAO. O primeiro é a fome e a outra o descanso.

Eu entendo o porquê da fadiga existir. Informações virtuais e informações reais não são diferentes para os cérebros dos usuários. Se um jogador se sentir com sono, ele pode ir a um hotel e descansar em um dos quartos dependendo da sua quantidade de dinheiro. E caso o jogador tenha uma grande quantia de Colls, eles podem comprar uma casa, mas essa quantia não é pequena.

Porém, fome era uma coisa que muitos jogadores achavam estranho. Eles não queriam imaginar o que estava acontecendo com seus corpos reais, mas era provável que eles estavam recebendo nutrientes de alguma forma.

Isso significava que o vazio que sentíamos não tinha nada a haver com nossos corpos reais.

Mas se nós tivéssemos a iniciativa de comprar pão ou carne virtual no jogo e comer, o vazio desaparecia e nós sentíamos cheios. Não havia como descobrir como esse estranho mecanismo funcionava, talvez fosse melhor perguntar a um profissional da área de neurologia.

Ao mesmo tempo, o oposto também era verdade. A fome não desaparecia até nós comermos alguma coisa. Muito provável é que não morreríamos se não chegássemos a comer, mas isso não mudava o fato que era difícil de ignorar. Por isso os jogadores visitavam os restaurantes comandados pelos NPCs diariamente atrás de comida.

Além disso, não há excreções no jogo. E seja lá o que está acontecendo no mundo real, eu não quero saber.


Mas voltando ao ponto central


Os jogadores que não possuíam dinheiro ou que não tinham mais para comer ou dormir normalmente se juntavam a grande organização que eu mencionei. O Exército. Isso por que eles recebiam alguma comida se seguissem as ordens do topo.

Mas sempre há aqueles que nunca cooperam, por mais que os outros estejam tentando. Esses que nunca se juntaram ou que foram chutados por causar problemas na cidade inicial começaram a roubar.

Dentro da cidade, a maioria dos lugares são áreas seguras onde o sistema protege os jogadores e os impede de machucar uns aos outros. Mas não é assim fora desses lugares. Os ladrões fazem times com outros ladrões e armam emboscadas a outros jogadores— O que era deveras mais fácil do que lutar contra monstros—Seja nos campos ou nos labirintos.

Apesar disso, eles nunca mataram ninguém—Isso no primeiro ano.

Esse “grupo” lentamente se tornou um pouco maior chegando aos 100 membros.

Chegando ao final, o quarto grupo era simplesmente o resto. Eles são cerca de 50 organizações formadas por pessoas que querem concluir o jogo, mas não querem se juntar ao Exército. Em número, eles são cerca de 500. Nós chamamos esses grupos de Guildas e eles possuem a mobilidade que o Exército não tem, usando isso, eles rapidamente se tornaram fortes.

Ainda havia aqueles que escolhiam serem mercadores ou ferreiros. Algo em torno de 200 ou 300, mas que em sua maioria criaram guildas para treinar suas habilidades para conseguir o Coll necessário para viver.

E por ultimo, cerca de cem jogadores chamados de Jogadores Solo—Esse é o grupo ao qual eu pertenço.

Eles são o grupo egoísta que decidiu agir sozinho para se tornarem mais fortes e simplesmente sobreviver. Se alguém usar as informações de um deles, poderia evoluir facilmente. Usando isso eles ganharam poder para lutar contra monstros e bandidos sozinhos, apesar de acreditarem que não há méritos em lutar contra outros jogadores.

Um fator adicional é que o SAO não possui magias. Em outras palavras não há ataques de longa distancia com 100% de chance de acerto e graças a isso alguém pode lutar contra grupos grandes de monstros sozinho. Com a habilidade necessária, jogador sozinho se torna a forma mais efetiva de adquirir experiência do que lutar em grupo.

Claro, existem riscos. Por exemplo, se uma pessoa for paralisada os seus aliados simplesmente o curariam e tudo ficaria bem, mas se você joga sozinho isso é apenas morrer. Para falar a verdade, o maior índice de mortes no jogo pertencia aos jogadores solo.

Porém com experiência e conhecimento, a vitória se tornava compensadora sobre todos os riscos, e os beta testers, incluindo eu, tínhamos ambos.

Toda a preciosa informação dos locais onde os jogadores solo evoluíam rapidamente surgia entre o resto dos jogadores. E quando o jogo se acalmou um pouco, muitos dos jogadores solo saíram do primeiro andar para usar as cidades dos níveis superiores como base.

Dentro do Black Iron Castle, onde existia a Sala de Ressureição durante o período de testes, existia agora um grande monumento de metal que não estava ali antes. Nele estava escrito os nomes de todos os 10 mil jogadores e os nomes das pessoas que já haviam morrido eram cortados por uma linha, dizendo o horário da morte e a razão da morte.

A primeira pessoa que teve a honra de ter seu nome cortado primeiro fora 3 horas depois do inicio do jogo.

A razão da morte não fora uma derrota para um monstro. Foi suicídio.

Ele acreditava na teoria que “De acordo como a estrutura do NERvGear, se uma pessoa sair sistema ela automaticamente recobraria a consciência.” Por isso ele pulou em uma fenda de metal ao norte da cidade.

Abaixo do castelo voador que era Aincrad não havia nada visível. Apenas um céu infinito com várias nuvens. Vários jogadores o viram; um garoto pequeno caindo e gritando enquanto finalmente desaparecia entre as nuvens.

A curta linha cortou o nome do garoto sem misericórdia dois minutos depois. A razão da morte fora “Queda no céu” E eu não quero nem imaginar o que ele sentiu durante esses dois minutos. Não havia como saber se ele retornou ao mundo real ou—como Kayaba tinha dito—teve o cérebro fritado. Mas a maioria das pessoas concordava que se houvesse um jeito simples de escapar desse jogo, as pessoas do lado de fora já teriam colocado os plugs e nos salvado.

Porém ainda era difícil de ver as coisas dessa forma. Muitas pessoas como eu achavam difícil crer que a morte em SAO era real.

Mas nada havia mudado. Quando a barra de HP chegava a zero, os polígonos que consistiam nosso corpo começaram a ser destruídos como se anunciasse um Game Over. É provável que a única forma de saber o verdadeiro significado da morte em SAO seria experimentar por si mesmo. Essa verdade fez com aos poucos que a descrença dos jogadores diminuísse.

A contra mão, muitos jogadores que eram parte do exército, especialmente os que pertenciam ao primeiro grupo, começaram a perder suas vidas tentando concluir o jogo e lutar contra monstros.

Lutar no SAO necessitava um pouco de prática. Era inútil tentar forçar seus movimentos sem confiar eles ao sistema.

Por exemplo, para um simples golpe vertical com uma espada de uma mão, o jogador precisava aprender a habilidade e equipar «Uppercut»[25] na sua lista e acreditar que o sistema detectaria seus movimentos e em seguida, mover o corpo por eles. Mas uma pessoa sem habilidade que não conseguia copiar esses movimentos era muito lenta e fraca no combate.

Como se tentasse impor comandos no sistema de batalhas.

As pessoas que não conseguiam ajustar o posicionamento de suas espadas eventualmente perdiam para javalis e lobos que poderiam ser derrotados com alguns golpes de habilidades comuns. E quando isso acontecia, eles apenas desistiam e corriam depois de perder um pouco do seu HP. Elas não morriam, mas—

Diferente dos ataques de monstros 2D que você vê no seu monitor, batalhas em SAO eram tão reais que faziam você sentir medo. Se você atacasse um monstro e corresse, ele começaria a correr atrás de você com a intenção de matar.

Até mesmo durante o beta havia pessoas que entravam em pânico no meio da batalha, mas agora a morte te aguarda se você perder. Esses jogadores esqueciam-se de como usar suas habilidades e fugiam, seus HPs desapareciam e eles eram expelidos desse mundo para sempre.

Suicídios, perder para monstros. O número de nomes cortados se multiplicou rapidamente

Quando chegou aos 2000 jogadores mortos, com apenas alguns meses de jogo, uma nuvem de desespero caiu sobre os sobreviventes. Se o número de mortes continuasse a aumentar nessa velocidade, todos os 10 mil jogadores estariam mortos em menos de meio ano. Chegar ao ultimo andar parecia apenas um mero sonho.

Mas—Humanos se adaptam.

Com um pouco mais de um mês, o primeiro labirinto foi definitivamente concluído e o número de mortes caiu rapidamente. Pessoas começaram a passar informações umas as outras para sobreviver e muitas começaram a notar que os monstros não eram tão assustadores quando você tem experiência e havia evoluído o suficiente.

Era possível concluir o jogo e voltar ao mundo real. O número de jogadores que começaram a pensar assim aumentou.

O ultimo andar ainda está longe, mas os jogadores começaram a ter uma vaga esperança—E o mundo continuou seguindo.

Agora, dois anos depois e com 26 andares faltando, os sobreviventes são cerca de 6000.

Essa é a situação atual de Aincrad.

Capitulo 5[edit]

Depois de terminada minha luta com o formidável inimigo na área do labirinto no 74º andar, eu fiz meu caminho de volta e me senti aliviado ao ver os primeiros sinais de luz da entrada.

Andei rapidamente pela passagem e finalmente senti o ar fresco e limpo invadindo os meus pulmões.

Na minha frente agora havia uma floresta de vegetação espessa e atrás a área do labirinto apenas desaparecia.

Por ser um jogo baseado em subir até o topo de um castelo, os calabouços desse mundo não eram subterrâneos, mas existiam como torres a serem acessadas.

Apesar disso, uma coisa básica não mudou: Dentro deles existiam monstros muito mais fortes do que os que você encontrava nos campos que cercavam a passagem e um chefe aguardava por você nas ultimas partes.

Cerca de 80% da área do 74º andar já deve estar explorada, em outras palavras, já era certo o seu mapeamento. Em alguns dias, a sala do chefe seria descoberta e provavelmente um grande grupo seria enviado. E nisso, até mesmo eu que sou um jogador solo, devo fazer parte.

Sorri pensando no sentimento de expectativa e frustração e comecei a andar.

Naquele momento, minha cidade natal a maior cidade de Aincrad. Algade, que era localizada no 50º andar. Bem, para ser sincero, a cidade inicial é bem grande, mas o lugar está totalmente tomado pelo Exército, que fez da cidade sua base de operações, por isso me sinto desconfortável andando por ali.

Assim que eu sai daquelas planícies, uma floresta repleta de árvores velhas ficava para trás. Se eu andasse mais 30 minutos eu chegaria a Área segura do 74º e usaria o Teletransporte para chegar a Algate.

Eu poderia sempre usar um dos meus itens de teletransporte instantâneo que estavam no meu inventário para voltar a cidade qualquer hora. Mas eles eram muito caros e então eu estava relutante em usá-los exceto em situações de risco. Havia ainda algum tempo até o sol desaparecer completamente então resisti a tentação de retornar para casa do jeito mais fácil e continuei seguindo naquela floresta.

Como se fosse uma regra, os arredores dos andares de Aincrad eram normalmente em céu aberto. As árvores eram vermelhas pela iluminação que desaparecia enquanto as flores abandonavam os raios do dia e refletiam o pôr do sol. O canto dos pássaros, que era tão comum nas manhãs agora era difícil de ouvir, enquanto o uivo dos lobos que viajava pelos ventos soava magnífico.

Eu sabia que poderia derrotar qualquer monstro que aparecesse nessa área até mesmo dormindo, mas o medo que o escuro trazia era difícil de ser suprimido. Um sentimento, similar ao de uma criança que se perde tentando chegar em casa, me alcançou.

Mas... Não é como se eu não gostasse desse sentimento. Eu havia esquecido meus medos primitivos de quando eu vivia no outro lado. O sentimento de solidão de quando você está viajando sem ninguém para se importar com você—acredito que isso seja a essência do RPG.

Quando eu absorvi algumas dessas memórias nostálgicas, um som que eu nunca havia escutado invadiu meus ouvidos.

Parecia por um momento com um claro arrastar de um passo. Eu parei e cuidadosamente procurei a origem daquele som. Se você escuta alguma coisa diferente de qualquer experiência nesse mundo, isso pode significar apenas que você é muito sortudo... Ou completamente azarado.

Por hábito, eu havia treinado minha habilidade «Scan for Enemy» [26] . Era o tipo de habilidade que se tornava muito útil para evitar emboscadas e dava a capacidade de detectar monstros que estejam “escondidos”.

Graças a isso, eu pude ver o monstro que estava se escondendo em um dos arbustos a 10 metros dali.

Não era muito grande. E a camuflagem verde deixava expostas suas orelhas maiores que seu corpo. Assim que as vi, automaticamente o cursor amarelo focou no alvo e revelou seu nome.

Segurei a minha respiração assim que li seu nome: «Ragout Rabbit»[27]. Era um monstro raro o suficiente para ganhar o adjetivo de super.

Era a primeira vez que eu vi um de verdade. Esse coelho que vivia por aqui não era muito forte, nem dava muitos pontos de experiência, mas-

Silenciosamente eu retirei uma faca do cinto. Minha habilidade com «Knife Throwing Skill» [28] não era tão alto. Eu precisei apenas escolher ela na árvore de habilidades, mas eu tinha ouvido falar que essa criatura era o monstro mais veloz atualmente conhecido. Então eu não estava muito confiante em pegar ele com a minha espada.

Eu tinha apenas uma chance de atacar antes dele me notar. Posicionei a faca, rezando mentalmente, e assumi a posição de «Single Shot» [29].

Bem, por mais baixo que fosse essa minha habilidade, eu ainda possuía um alto nível de destreza e então joguei a faca em direção ao alvo. A faca girou e atravessou as árvores. Assim que eu ataquei, o cursor, que mostrava a direção onde o coelho estava ficou vermelho anunciando a barra de HP.

Escutei um grito agudo na direção onde havia jogado a faca. A barra de HP daquela criatura chegou ao zero. O som familiar dos polígonos desaparecendo recomeçava.

Abri meu menu principal o mais rápido que pude, minhas mãos pareciam muito lentas para mim, e no topo do inventário estava o novo item adquirido: «Ragout Rabbit’s meat»[30]. Um item que podia ser vendido a outros jogadores por um preço mínimo de 100 mil Colls. Isso era dinheiro suficiente para comprar um conjunto completo da melhor armadura e ainda sobraria dinheiro.

A razão de ser tão caro era muito simples, ela era o ingrediente de comida mais delicioso disponível em todo o jogo.

Comer era o único prazer em SAO, mas a única coisa que você normalmente comia era sopa e pão que não pareciam ser uma cortesia européia—E agora que eu sei; esse era um fato que já era planejado. Alguns jogadores treinavam muito a suas habilidades de cozinha para possuir estabelecimentos com o objetivo de atender a grande demanda que os outros jogadores tinham por comida. Mas como não era fácil de conseguir bons ingredientes, a maioria dos jogadores eram privados de coisas saborosas.

É claro, minha situação não era muito diferente. Não que eu não gostasse de sopa e eu comia pão em restaurantes de NPCs, mas de tempos em tempos eu gostaria de comer ao menos um pouco de carne que me deixasse com água na boca.

E assim que eu li o nome daquele item eu comecei a pensar no que eu iria fazer. As chances de encontrar um ingrediente como esse são bem baixas.

Mas para ser honesto, eu realmente queria comer ela. Porém, ingredientes tão raros tornam necessário mais habilidade para cozinhá-los e era difícil encontrar alguém que já era mestre em cozinhar para fazer o prato para mim.

Eu não sei. De qualquer forma, caçar coisas assim era muito chato e já era hora de eu comprar novos equipamentos. Consequentemente, decidi vendê-la.

Fechei a janela pensando se não me arrependeria e olhei ao redor com a minha habilidade. Não havia muitas chances de ladrões aparecerem nas linhas de frente, mas você não podia ser descuidado quando carregava um item classe S nas mãos.

Eu seria capaz de comprar todos os itens de teletransporte quando vendesse isso, então decidi minimizar o risco e comecei a procurar algo que havia deixado no bolso.

Retirei um cristal que brilhava com um azul rico. Um dos poucos itens mágicos nesse mundo onde a Magia foi excluída e que haviam se tornado verdadeiras pérolas. Azul era para teletransporte instantâneo, rosa para recuperar o HP, verde para antídotos e assim por diante. Eles eram itens convenientes com efeitos instantâneos, mas também eram caros. Por isso na maioria dos casos pessoas usavam itens de cura baratos de ação lenta depois de fugir de uma batalha.

Falando isso a mim mesmo, pensei que sem dúvidas, essa era uma situação de emergência. Por isso elevei o cristal azul e disse.

“Teletransporte! Algade!”

O som refrescante de sinos tocou e o cristal na minha mão se quebrou em vários pedaços. Ao mesmo tempo, meu corpo foi engolido por uma luz azul e a floresta desaparecia da minha visão. Uma luz brilhou e logo desapareceu. O teletransporte estava concluído. No lugar dos sons de passos na grama, o som de uma bigorna sendo martelado e as conversas da cidade.

O lugar onde eu estava era o «Teleport Gate» que era situado no meio de Algade.

No centro de uma praça circular, havia um portão feito de metal polido com cinco metros de altura. Dentro, se flutuava como se fosse uma miragem e fora, as pessoas que iriam se teletransportar ou haviam sido teletransportadas iam e vinham.

Quatro longas ruas se ligavam a praça e em cada lado haviam incontáveis lojas abertas. Os jogadores que se refugiavam depois de um dia de exploração conversavam em frente a bares e restaurantes.

Se alguém tivesse de descrever Algade em uma palavra, ela seria confusa.

Não havia grandes ruas como na cidade inicial e becos sem saída estavam por toda a cidade. Lá havia lojas que você nem poderia dizer o que estavam vendendo e hotéis que pareciam que você nunca voltaria neles, a não ser que desejasse.

Atualmente, haviam muitos jogadores que acidentalmente se perdiam nos becos de Algade e passavam dias até finalmente conseguir voltar. Eu estive vivendo aqui por quase um ano, mas eu ainda não consigo me lembrar nem da metade deles. Até os NPCs aqui parecem completamente diferentes, o que faz você pensar que as pessoas que usam essa cidade são muito estranhas.

Mas eu gosto do sentimento dessas ruas. Eu não estaria exagerando em dizer que a única vez que eu me senti em paz, foi quando fui tomado pelo sabor do chá de uma loja que eu frequentava. A razão de eu me sentir um tanto sentimental é por que me lembra das lojas de eletrônicos que eu ia frequentemente.

Pensei em negociar o item antes de voltar para casa, por isso comecei a andar em direção a uma loja.

Seguindo a rua que levava a oeste da praça central, eu podia ver que as lojas trabalhavam sem parar. Dentro, era tão pequeno que até 5 jogadores ficariam espremidos ali, enquanto o negociador vendia de tudo: Ferramentas, armas e até ingredientes para comida, tudo misturado.

O vendedor se mantinha ocupado barganhando.

Existem duas formas de vender itens. A primeira era vender a um NPC, um personagem controlado pelo sistema. Não era perigoso e você não podia ser enganado, pois o preço era sempre o mesmo. Para não haver inflação, o preço sempre era mantido abaixo do preço de mercado.

O outro jeito era você negociar com outro jogador. Nesse caso, você podia vender o item por um alto preço se barganhasse bem, mas você deveria encontrar alguém disposto a comprar, e desentendimentos entre os jogadores depois de completar o negócio não eram incomuns.

Por coisas como essa, jogadores mercadores que eram especializados em trocas de itens apareceram.

Mercadores não viviam de trocas. Como as outras classes técnicas, metade de suas habilidades não tinha relação com batalhas. Mas isso não significava que eles podiam ficar longe dos campos. Mercadores que lutavam possuíam boas técnicas e ingredientes, é claro, eles eram tão resistentes quanto guerreiros. Mesmo assim, não era tão emocionante para eles derrotar inimigos.

Por causa de coisas assim, essa classe se dedicava a nobre causa de ajudar os jogadores que lutavam nas linhas de frente todo o dia. Por isso eu os respeitava, secretamente.

...Bem, eu os respeitava, mas é verdade que o personagem na minha frente não era alguém muito próximo do auto sacrifício.

“Ok, vendido! Vinte e cinco «Dust Lizard’s hides»[31] por 500 Colls!”

O vendedor da loja que eu vim, Egil, estava barganhando com um oponente, um lanceiro que parecia fraco. Ele abriu rapidamente seu menu de trocas e entrou no sistema de trocas.

O oponente parecia pensativo, mas assim que ele viu o rosto de Egil, que parecia mais um guerreiro do mar—na verdade, Egil era um guerreiro que usava o machado de alto nível, um nível idêntico ao seu como mercado— apressado ele colocou os itens na lista de troca e pressionou OK.

“Muito obrigado! Por favor, volte sempre!”

Egil deu um tapinha nas costas do lanceiro uma ultima vez e sorriu. Escamas de lagarto costumavam ser usadas para criar boas armaduras corporais. Eu achava 500 colls muito barato por mais que você olhasse. Mas eu fiquei em silêncio e observei o lanceiro sair. Tome isso como lição para nunca colocar tudo de uma vez em uma barganha. Murmurei mentalmente.

“Ei, os seus negócios estão andando mais cruéis do que o normal”

O gigante olhou para mim e sorriu enquanto eu surgia.

“Kirito. O lema da nossa loja é comprar barato e vender barato.” Disse ele, sem nenhum sinal de remorso.

“Bem, eu suspeito um pouco da parte de „vender barato‟ mas isso não importa. Eu quero vender algo para você.”

“Você é bem regular, então eu não vou tapear você. Muito bem, vamos ver...”.

Assim que ele disse isso, Egil se moveu se aproximando da janela de trocas para ver o que eu oferecia.

Os avatares em SAO são réplicas do corpo verdadeiro dos jogadores graças à escaneamentos e calibrações. Mas toda vez que eu olhava para Egil, eu sempre me perguntava como alguém poderia ter um corpo como o dele.

Todos os seus 1 metro e 80 de altura eram repletos de músculos e gordura, com uma cabeça grande que parecia tornar ele lutador profissional. E no topo disso, ele tinha um corte de cabelo que poderia ser customizado, mas que causava um efeito que poderia assustar até mesmo os mais brutais monstros.

Apesar disso, ele tinha um olhar um tanto infantil quando ria, Ele parecia ter mais do que vinte anos, mas eu não poderia perguntar o que ele era no mundo real. Não falar com os outros sobre o Outro lado era uma regra não escrita nesse mundo.

Os dois olhos marrons acompanharam as sobrancelhas que se elevaram assim que ele olhou para o menu de trocas.

“Uau, isso é um item raro de nível S. Carne de Coelho Guisado, é a primeira vez que eu vejo um... Kirito, você não é pobre, certo? Você não gostaria de comer isso?”

“É claro que eu gostaria. Vai ser difícil eu cruzar com uma coisa como essa uma segunda vez... Mas é difícil achar alguém que possa cozinhar algo como isso.”

E então, alguém atrás de mim tocou em meu ombro

“Kirito”

Era uma voz feminina. Não havia muitas jogadoras que sabiam o meu nome. Na verdade, nessa situação só havia uma. Eu segurei a mão que estava sobre meu ombro esquerdo e disse.

“Cozinheira adquirida”

“O-O que?”

Com a mão dela sobre a minha, a pessoa tinha uma expressão suspeita no seu rosto.

O pequeno rosto, cercado por um longo e liso cabelo que se dividia em dois, com dois belos olhos que pareciam ser capazes de cegar. O seu corpo magro era coberto por um uniforme de combate de cavaleiros e uma elegante rapier prateada estava colocada na sua cintura.

Seu nome era Asuna. Ela era famosa e todos em SAO a conheciam.

Havia muitas razões, mas a primeira delas por ser uma das poucas jogadoras do jogo.

É muito difícil dizer isso nesse mundo, pois todo mundo está com seus corpos reais, mas garotas bonitas eram uma presença super rara aqui. Você podia contar nos dedos o número de jogadoras que eram tão bonitas como Asuna.

A outra razão é que era famosa por pertencer a guilda «Knights of the Blood» [32] que justifica seu uniforme vermelho e branco. Os membros da KoB, as iniciais da «Knights of the Blood» era considerados pela maioria das guildas, os melhores.

São apenas uma guilda com trinta jogadores, mas todos eles eram de alto nível, faziam parte das linhas de frente e possuíam um líder que era considerado o jogador mais forte do jogo e considerado uma lenda no SAO. E ao contrário do que sua delicadeza apontava, Asuna era uma sub-líder. Sua excepcional habilidade com a espada a rendeu o título de «Flash».

Sua aparência e habilidade com a espada era única entre os seis mil jogadores. Não é tão estranho que ela tenha se tornado tão famosa. Ela também tem muitos fãs, que conseguiriam a proeza de se tornar verdadeiros stalkers virtuais e aparentemente ela os odeia, o que me faz pensar que ela está em tempos difíceis.

Bem, como ela era uma guerreira de alto nível, não haveria muitos dispostos a desafiar ela diretamente. Mas a guilda mostrava que estava disposta a proteger ela, pois estava acompanhada de dois ou mais guarda- costas. Até agora, havia dois homens atrás dela totalmente equipados e com uniformes da KoB. Um deles, um que tinha rabo de cavalo olhou para mim que segurava a mão da Asuna.


Eu soltei sua mão e olhei na sua direção e falei.

“O que foi Asuna? Para você vir a um lixo de lugar como esse.”

O rosto do homem com rabo de cavalo e do vendedor da loja pareciam ter entrado em convulsão; primeiro por eu não chamar Asuna pelo seu título e segundo que eu chamei a loja de lixo. Mas o vendedor...

“Faz bastante tempo, Egil-san.”

...Deu um sorriso depois de ouvir o cumprimento da Asuna.

Asuna olhou de novo para mim e mordeu os lábios descontente.

“Ei, o que é isso? Depois de todos os problemas que eu tive para ver que você estava vivo para a luta do chefe que vai acontecer em breve”

“Você já me listou como seu amigo e é capaz de descobrir isso olhando lá. De qualquer forma, a razão de você ter me encontrado é por que você usou os passos do amigo no seu mapa.”

Asuna moveu seu rosto para o lado assim que eu a respondi.

Ela era responsável pelo progresso do jogo assim como era sub-líder da guilda. Seu trabalho incluía procurar jogadores solitários como eu para formar grupos nas lutas contra os chefes. Mas mesmo sendo assim, para até mesmo vir me ver, deveria existir um limite do quão devota uma pessoa poderia ser.

Me olhando com uma expressão meio cansada, meio impressionada, Asuna colocou sua mão sobre os lábios antes de dizer lentamente.

“Bem, você está vivo e isso que importa. A-Além disso, o que quis dizer? Você estava falando sobre uma cozinheira ou coisa parecida.”

“Ah, sim, certo. Quão altas estão suas habilidades de cozinheira agora?”

Eu sabia que Asuna era focada particularmente em melhorar suas habilidades de cozinha quando ela encontrava tempo entre os treinamentos com a espada. Ela respondeu minha pergunta com um sorriso orgulhoso.

“Escute e fique surpreso! Eu completei semana passada.”

“O quê!?”

Ela é...uma idiota.

Eu pensei nisso por um Segundo. Mas eu não disse, é claro.

Treinamentos de habilidades são extremamente chatos e consomem muito tempo, para se completar ao menos uma habilidade era necessário evoluir ela ao menos 1000 vezes. E como nota, níveis não tem nada a ver com nossas habilidades ou pontos de experiência. As coisas que aumentavam com nossos níveis eram HP, força, destreza e o número de habilidades que você podia aprender.

Nesse momento eu possuía espaço para até 20 habilidades, mas apenas algumas estavam completas: Habilidade com espada de uma mão, Escanear a habilidade do inimigo e Defesa com armas. Isso significa que aquela garota havia gastado muito tempo em uma habilidade que não seria de nenhuma ajuda em batalha.

“... Bem, eu tenho algo para te pedir, confiando na sua habilidade”

Eu passei para ela minha janela para que ela pudesse ver. Asuna olhou suspeitando até que seus olhos alcançaram o item.

“Uwa!! Isso...Isso é um ingrediente de comida rank S?!?”

“Vamos fazer uma troca. Se você cozinhar isso, eu deixo você comer um pedaço.”

Antes mesmo de eu terminar de falar a mão direito de Asuna, o Flash segurava meu colarinho. Colocando seu rosto a centímetros do meu.

“Me dê a METADE!!”

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Meu peito parou de forma súbita e eu já não pensava muito bem.

Quando eu voltei aos meus sentidos era tarde demais, ela já estava me segurando com sua mão, animada. Bem, considerando que fora uma coisa boa ver o seu rosto delicado tão perto. Eu convenci a mim mesmo.

Fechei a janela e falei olhando para o Egil.

“Desculpe. Eu vou cancelar a troca”

“Não. Tudo bem quanto a isso...Mas, nós somos amigos certo? Hein? Você não poderia me dar um pouco…?”

“Eu vou te dar um ensaio de oitocentas palavras sobre o gosto e a essência.”

“N-Não seja assim!”

Assim que friamente ignorei Egil, que falava como se fosse o fim do mundo eu comecei a ir embora enquanto Asuna ainda segurava o meu braço.

“Cozinhar tudo bem, mas onde nós vamos?”

“Ah...”

Se você vai cozinhar, você precisa de alguns materiais de cozinha, que devem ser tão bons quanto os ingredientes, mas na minha casa não havia nenhum deles e eu não podia convidar a sub-líder da KoB para um lugar tão bagunçado como aquele

Asuna me olhou com uma expressão incrédula.

“Bem, sua casa não deve ter os materiais apropriados mesmo. Mas eu posso servir ele a você na minha casa mesmo.”

Ela disse algo chocante como aquilo com uma voz calma.

Asuna me ignorou, enquanto eu ficava congelado e tentando fazer meu cérebro processar aquilo, ela se direcionou ao seus guardas e falou.

“Eu vou me teletransportar para «Salemburg» em breve. Então vocês pode ir, obrigado pelo seu trabalho.”

“A-Asuna-sama! Ir a esse lugar não foi tão ruim, mas convidar alguém suspeito como ele para sua casa. O-O que você está pensando!?”

Eu não pude acreditar no que tinha ouvido. «Sama» ele tinha dito. Ele deve ser um daqueles fãs fanáticos. Assim que olhei para Asuna com esses pensamentos, a pessoa em questão mantinha um rosto irritado.

“Ok, talvez você possa dizer que ele é suspeito. Mas sua habilidade é inquestionável. Ele provavelmente está 10 níveis acima de você, Cradil.”

“O-O que você disse? Dizer que eu não estou no mesmo nível de alguém como ele...!”

A voz do homem soou por toda a galeria. Ele me olho com olhos furiosos. Então subitamente ele reconheceu algo.

“Então é isso... Você, você é um «Beater»!”

Beater são a mistura de «Beta tester» com «Cheater» [33]. Era uma palavra que designava pessoas que usavam meios ilegais e tinham habilidades únicas no SAO. Era algo que eu ouvia várias vezes. Mas não importa quantas vezes eu escutasse ainda me machucava um pouco. A face da primeira pessoa que me chamou assim, que eu considerava um amigo, subitamente apareceu na minha cabeça.

“É. Você está certo.”

Quando eu afirmei aqui sem expressar nenhuma emoção, o cara começou a falar animadamente.

“Asuna-sama, esse tipo de caras não se importam com qualquer coisa além deles mesmos! Não há nada a ser ganho se misturando com gente assim!”

Asuna, que estava calma até agora, subitamente levantou sua sobrancelha, irritada. Rapidamente fora dali as palavras «KoB» e «Asuna» podiam ser ouvidas aqui e ali.

Ela olhou ao redor e disse ao homem que estava tão animado antes.

“Por favor, vão embora hoje. Isso é uma ordem”

Ela falou aquilo e segurou meu cinto com sua mão esquerda. Começamos então a andar em direção ao portão da praça, enquanto ela me segurava.

“Err...Tudo bem em deixar eles assim?”

“Tudo bem!”

Bem, eu tinha algumas razões para não concordar. Nós fizemos nosso caminho deixando os guardas e principalmente Egil que estava desapontado. Quando eu olhei para trás uma ultima vez, a expressão furiosa do homem chamado Cradil ficou na minha visão como um quadro.


Capítulo 6[edit]

Salemburg era bela cidade-castelo no 60º andar.

Ela não era muito grande, mas a cidade, com um castelo com torres em espiral no centro parecia ter sido feito por granito branco delicadamente o que contrastava com um jardim espetacular. Haviam varias lojas no mercado e muitos jogadores queriam morar nessa cidade, mas as casas eram extremamente caras,elas deveriam custar ao menos, três vezes mais do que uma em Algade tornando impossível de comprar uma dessas a não ser que você fosse de um nível elevado.

Quando Asuna e eu chegamos pelo teletransporte de Salemburg, o sol estava quase se pondo e os últimos raios de sol atravessavam as ruas dando um aspecto roxo escuro.

A maior parte do Sexagésimo andar era tomada por um lago e a cidade era localizada em uma ilha no meio dele, o que tornava possível ver o sol refletindo sobre a água como se fosse uma fotografia.

A beleza e o brilho do azul misturado ao vermelho no vasto lago eram de tirar o fôlego. Não deveria ser difícil para os Nerve Gears simularem todos esses efeitos de luz com suas CPUs de ultima geração e semicondutores de diamante.

O portão de teletransporte era também em uma praça em frente ao castelo e se ligava a rua principal, ao norte. Seguimos nessa cidade cercados por lamparinas. As lojas e as casas eram organizadas em cada lado da rua e até mesmo os NPCs andavam bem vestidos. Respirei fundo e senti o quanto o gosto do ar aqui era diferente de Algate.

„Hmmm. As ruas são largas e tem poucas pessoas. Eu me sinto muito espaçoso aqui.”

“Então por que não se muda?”

“Eu nunca teria dinheiro suficiente” Respondi cruzando os braços e perguntando um tanto hesitante.

“...Mais importante, tá tudo bem? Voltar aqui...”

“…”

Assim que ela percebeu o que eu quis dizer, Asuna deu alguns passos, e cabisbaixa golpeou o chão com a sola da sua bota.

“...É verdade que algumas coisas ruins aconteceram algumas vezes quando eu estive sozinha. Mas para contratar guarda costas para mim, isso é ir um pouco longe demais, não? Eu disse que não precisava deles, mas...Os membros disseram que é uma política da Guilda.”

Ela continuou, com tom diminuído.

“No passado, a Guilda era pequena e o líder convidava as pessoas individualmente. Mas agora que o número de membros cresceu tanto, as coisas começaram a mudar... Então eles começaram a se proclamar a mais poderosa guilda e as coisas se tornaram um pouco estranhas.”

Ela parou de falar e se virou para trás. Algo nos seus olhos parecia dizer que ela gostaria que eu respondesse e subconscientemente assenti.

Eu devia dizer alguma coisa. Eu pensei isso, mas o quê um jogador solo egoísta como eu poderia dizer? Eu apenas a encarei em silêncio por alguns segundos.

Asuna moveu-se primeiro. Começou a olhar o lago, banhado por uma luz fina e disse, acabando com aquele constrangimento.

“Bem, isso não é algo que você precisa se preocupar! Se nós não formos rápidos vai anoitecer antes de chegarmos.”

E então a garota correu e eu a segui. Nós passamos por alguns jogadores, mas nenhum deles a notou.

Eu havia ficado nessa cidade apenas alguns dias quando a linha de frente era aqui, então eu nunca olhei com atenção. Quanto mais eu olhava para os arredores dessa cidade, mais pensava que viver aqui não seria ruim. Mas mudei e decidi que seria melhor ficar aqui apenas quando tivesse tempo.

A casa onde Asuna vivia era pequena, mas bonita. Tinha três andares e para chegar ali precisava apenas descer a noroeste da área principal. Claro que era a primeira vez que eu estava ali. Agora que pensando assim, eu apenas falei com essa garota durante as conferências de antes das lutas contra os chefes. Nós nunca estivemos em um restaurante juntos ou coisa parecida antes. Assim que tomei consciência disso, eu parei frente a porta um pouco tenso.

“Tudo bem... ? Você sabe…”

“O quê? Foi algo que eu sugeri de início e não há outro lugar onde se possa cozinhar isso aqui, então não temos escolha!”

Asuna virou sua cabeça e começou a subir as escadas para que eu aceitasse entrar na casa.

“C-Com licença.”

Eu abri a porta lentamente, sem saber o que me aguardava.

Eu nunca tinha visto uma casa tão arrumada antes. Havia uma sala de estar acoplada a de jantar e uma cozinha feita com uma decoração de madeira. Provavelmente tudo era feito de itens de alta qualidade.

Mas não era decoração que me fazia sentir desconfortável. Era o fato de ser totalmente diferente da minha casa. Me senti um tanto aliviado de não ter sido eu que convidei ela para minha casa.

“Err...Quanto custou tudo isso?”

Eu e minhas questões materialistas.

“Hmm-, essa casa e a mobília, algo em torno de 4000k? Eu vou me mudar então pode se sentir a vontade para sentar-se.”

Ela respondeu tão facilmente e desapareceu em um corredor. “K” é uma abreviação para mil. 4000k significavam 4 milhões de Colls. Eu vivia nas linhas de frente, mas poderia guardar essa quantia se eu realmente tentasse. Mas eu sempre gastava em algum item estranho ou uma espada que fisgava os meus olhos, por isso eu nunca guardava. Irritado comigo mesmo, me joguei sobre um sofá.

Asuna apareceu logo após isso, ela havia se trocado para uma simples túnica branca e uma saia que ia até seus joelhos. Bem, eu disse “trocado”, mas não houve nada envolvendo tirar e colocar. Tudo que você fazia era selecionar as roupas no menu. Mas por alguns segundos os jogadores ficavam vestidos apenas pelas roupas de baixo. Então a não ser que fosse um exibicionista, a maioria dos jogadores, especialmente garotas, não se trocava na frente de outros. Nossos corpos poderiam ser nada mais do que apenas um monte de dados em 3D, mas esse tipo de coisa já estava esquecida depois de dois anos e nesse momento meus olhos estavam direcionados aos braços e pernas da Asuna sem nenhum remorso.

Sem nenhuma noção do meu “conflito-interno” Asuna apenas olhou para mim e disse.


“Você vai ficar vestido assim mesmo?”

Rapidamente abri o meu inventário e retirei minha capa leve e a espada. Aproveitando para trazer a <Carne de Coelho Guisado> e a colocando na mesa na minha frente.

“Então esse é o lendário ingrediente rank S...Então, o que vamos fazer?”

“Re-recomendação do Chef”

“Oh... ? Ok então, vamos lá.”

Seguimos então para o próximo quarto.

A cozinha não era muito grande, mas várias coisas que eu pude observar como os talheres pareciam bem caros. Asuna clicou duas vezes sobre a superfície e uma janela de tempo surgiu no ar, colocando uma panela de metal sobre o fogão. Ela colocou a carne nela, jogou algumas ervas dentro e incluiu um pouco de água pura antes de fechar a tampa.

“Se eu tivesse mesmo cozinhando , eu precisaria fazer toda a preparação. Mas no SAO é tão curto que nem chega a ser divertido.”

Em seguida ela clicou no botão de iniciar no menu. Depois de 300 segundos, ela removia a panela e preparava outros temperos. Eu percebi que ela fazia todos os movimentos sem cometer um único erro na operação do menu e nas ações.

Em apenas cinco minutos, a mesa estava completamente servida e Asuna e eu nos sentamos frente um ao outro. A carne parecia incrivelmente deliciosa como todo o resto do prato na minha frente enquanto exalava um cheiro próximo ao de rosas.

Quando nós nos demos conta disso, “Obrigado pela refeição” se tornou uma frase muito longa. Então comemos a mais deliciosa comida de toda a existência do SAO. Eu sentia o gosto na minha boca e mordia a carne, que desaparecia dentro.

Comer em SAO não era calculado e apenas simulava a sensação de morder a comida. Se utilizava um <Reprodutor de Gostos> que a Agas e uma empresa afiliada desenvolveram em parceria.

Ela possuía um repertório pré-programado das sensações de comer vários tipos de alimentos e poderia dar ao usuário a sensação de que eles estavam comendo algo na vida real. Originalmente o projeto era direcionado

para pessoas em dietas ou que precisavam limitar que tipos de comida que eles poderiam comer então sinais falsos partiam para o cérebro e registravam a sensação, gosto e cheiro. Em outras palavras, nossos corpos reais nesse momento não estão comendo nada. Tudo que está acontecendo é que um programa estava estimulando nossos cérebros.

Mas pensar em coisas assim nessa situação não era legal. Eu estava, sem sombra de dúvidas, comendo a melhor comida que poderia desde que entrei no jogo. Asuna e eu não dissemos uma palavra e continuamos com nosso processo de tornar sopa tudo aquilo que colocávamos em nossas bocas.

Finalmente, depois que limpamos nossos pratos—Até mesmo nesse mundo, coisas assim ainda existe—e deixado apenas uma panela vazia na sua frente, Asuna deixou-se falar o que no começo parecia um lamento.

“Ah... Eu fiz bem em ter sobrevivido até agora..”

Eu concordava totalmente. Sentir-se satisfeito com o prazer de ter comido uma comida deliciosa é uma necessidade básica há muito tempo. Senti o cheiro misterioso de chá. Por acaso o gosto do que eu comi e agora do chá realmente existem no mundo real? Ou é apenas algo manipulado pelo sistema criado pelo homem? Tentei afastar esses pensamentos.

Asuna, sentada ao lado oposto do meu estava com um copo de chá sendo segurado pelas suas duas mãos, quebrando os minutos de silêncio depois do fim da refeição.

“É estranho... De alguma forma, eu sinto como se tivesse nascido nesse mundo e estive vivendo aqui até agora.”

“... Eu também. Depois de tanto tempo, há dias em que eu não penso mais no outro mundo. É que apenas... Não há mais tantas pessoas obcecadas com “concluir o jogo” ou “escapar” esses dias.”

Eu simplesmente comecei a encarar o belo rosto da Asuna, enquanto a luz laranja da lâmpada refletia a ambos.

Esse rosto, definitivamente não era humano. Com uma pele tão clara e um cabelo tão brilhante. Simplesmente era belo demais para ser de uma forma de vida. Mas para mim, aquele rosto não era feito mais de um monte de polígonos. Eu podia aceitar que era por que era. Se eu voltasse ao mundo real agora e visse uma pessoa como ela, provavelmente eu me sentiria muito desconcertado.

Eu realmente queria voltar... Para aquele mundo... ?

Tentei solucionar aquele enigma. Eu acordava cedo para ganhar pontos de experiência e mapear um labirinto. Isso era por que eu realmente queria escapar desse jogo?

No passado, eu realmente queria. Queria sair o mais rápido que podia desse jogo onde você não tem ideia de quando você pode morrer. Mas agora que me acostumei ao jogo-.

“Mas, eu quero voltar”

Ela disse com uma voz clara, como se tivesse visto meu interior.

Asuna sorriu para mim por alguma razão e continuou

“Por que ainda existem muitas coisas a serem feitas, que eu ainda não fiz.”

Eu apenas assenti a isso e falei.

“É, eu acredito que nós temos que dar nosso melhor. Eu não vou ser capaz de encarar as classes técnicas auxiliam se nós não...”

Eu bebi um pouco do chá, tentando controlar o conflito dentro de mim. O ultimo andar ainda estava distante, mas era tão tarde para pensar dessa forma otimista.

Senti-me estranhamente honesto, eu encarei Asuna tentando encontrar as palavras apropriadas para expressar minha gratidão. Então Asuna escondeu seu rosto com uma das suas mãos, dizendo.

“N-Não.”

“O-O que foi?”

“A maioria dos jogadores confessam para mim quando fazem essa cara.”

“Mas o...”

Desapontador. Eu havia me tornado um mestre em todas as minhas habilidades de batalha, mas nunca tinha experimentado isso antes, então simplesmente abri minha boca e fechei sem ser capaz de retrucar.

Asuna olhou para mim e riu. Eu deveria estar parecendo bastante idiota agora.

“Então, não há ninguém que você é próximo?”

“O que tem de errado nisso? Está tudo bem. Eu sou um jogador solo de qualquer forma.”

Asuna apagou seu sorriso e perguntou, como se subitamente tivesse se tornado uma professora ou uma irmã mais velha.

“Você nunca pensou em se juntar a uma Guilda?”

“Eh...”

“Eu entendo que um beta tester como você não gosta de grupos, mas...”

Sua expressão se tornou séria novamente.

“Depois do 70º andar, eu acredito que mais variantes aleatórias estão surgindo e tornando os monstros mais fortes.”

Eu sentia isso também. Talvez as táticas programadas pela CPU estejam se tornando mais difíceis de ler ou esse seja o resultado do programa estar aprendendo sozinho? Não importava qual das duas estava correta, era certo que estava ficando mais difícil.

“Se você é um solo, vai se tornar mais difícil de lidar com situações inesperadas. Você não pode escapar sempre. Seria muito mais seguro se você estivesse em um grupo.”

“Eu tenho muitas redes de fuga. Obrigado pelo conselho, mas... Guildas são...e...”

Teria sido melhor se eu tivesse parado aqui, mas eu comecei a balbuciar.

“Membros de grupos são normalmente mais incomôdo do que ajuda, no meu caso”

”Oh, sério?”

Apenas um Flash. E uma luz prateada cortou o ar na minha frente e antes mesmo que eu notasse, a faca na mão da Asuna estava bem em frente ao meu nariz. Essa era uma técnica básica de rapier. <Linear> Bem, eu disse “básica”, mas graças a destreza e velocidade assustadora da usuária a habilidade se tornava impressionante. Para falar a verdade, eu não havia conseguido sequer ver a trajetória da arma.

Com um sorriso forçado, cruzei meus braços em sinal de derrota.

“... Ok, você seria uma exceção.”

“Hmmph”

Ela jogou a faca para longe com uma expressão irritada, começou a olhar para os seus dedos e disse uma coisa inesperada.

“Então, torne-se meu parceiro. Como chefe do grupo para derrotar o chefe, eu irei ver se você é tão forte como os rumores dizem. Eu mostrarei que sou boa o suficiente. Além disso, a cor da sorte dessa semana é preto.”

“Espera, o que você está dizendo!?”

Eu quase caio para trás com uma proclamação absurda como aquela e procurei freneticamente um argumento contra.

“Se... Se você fizer isso, e a sua guilda!?”

“Não é como se eles não tivessem alguém para substituir.”

“E os seus guarda costas?”

“Eu vou deixar eles para trás.”

Eu levei o chá a minha boca para arrumar algum tempo sem notar que ele já estava vazio. Asuna olhava para mim com uma expressão irritada, como se tivesse visto que não havia mais o liquido quente no copo.

Para falar a verdade—era uma oferta atrativa. Qualquer cara gostaria de fazer uma parceria com alguém que poderia ser dita como a garota mais bonita de Aincrad. Mas mesmo assim, eu continuava a me perguntar como alguém tão famosa como Asuna queria ser minha parceira.

Talvez ela tenha me escolhido por que eu sou um jogador solitário? Alguma coisa que eu tenha dito inconscientemente, eu estava tomado por esses pensamentos negativos.

“As linhas de frente são perigosas”

A faca da Asuna surgiu novamente, com um brilho que eu nunca tinha visto antes. Eu comecei a pensar o mais rápido que podia. Mesmo tendo minhas dúvidas do motivo dela ter me escolhido, afinal, eu não era tão noticiável quanto as outras pessoas que tentavam concluir o jogo, por isso disse com resolução.

“T-Tudo bem. Então… Eu estarei esperando no portão para o septuagésimo quarto andar, amanhã de manhã as nove.”

Asuna respondeu com um sorriso confiante e abaixou sua mão.

Não sei por quanto tempo eu poderia ficar na casa de uma mulher se me tornar rude, por isso disse tchau assim que terminamos. Asuna me acompanhou em minha descida nas escadas da construção, movendo seu rosto um pouco para o lado ela falou.

“Bem... Eu acho que eu deveria agradecer você por hoje. A comida estava ótima.”

“Ah, eu também. Eu vou pedir sua ajuda de novo na próxima, mas acho que não vou pôr as minhas mãos em algo como aquilo novamente.”

“Oh, até mesmo comida normal tem um gosto diferente quando você é habilidoso o suficiente.”

Asuna respondeu antes de levantar sua cabeça para ver o céu. O céu estava completamente coberto pela escuridão da noite. É claro, você não podia ver nenhuma estrela. Apenas uma chapa feita de metal e pedra a 100 metros do ar. Abaixei minha cabeça e murmurei.

“... Essa situação, esse mundo, isso era o que Kayaba Akihiko queria fazer...?”

Nenhum de nós podia responder nem sequer a metade dessas perguntas.

Kayaba, que certamente estava assistindo esse mundo escondido em algum lugar, o que ele estaria pensando? Essa situação pacífica depois do banho de sangue e a enorme confusão do começo, teria o deixado satisfeito ou o desapontado? Não havia como eu saber.

Assim que Asuna se aproximou de mim silenciosamente, eu senti como se tivesse segurando o meu braço. Eu estava imaginando ou esse era o resultado de uma simulação do destino?

6 de Novembro de 2022, o dia em que esse jogo da morte começou. E agora, era próximo do fim de Outubro de 2024. Até hoje, mesmo depois de dois anos, nem uma única mensagem veio do outro lado, deixando morrer qualquer sinal de ajuda. Tudo que podíamos fazer era viver e andar, passo a passo até o topo.

Outro dia terminava em Aincrad. Aonde nós íamos e o que esperava por nós no final, eram coisas que nós não sabíamos ainda. A estrada era longa e a luz enfraquecia. Mas—ainda havia coisas boas.

Quando eu olhei novamente para aquela cobertura de metal, deixei minha imaginação me levar ao mundo desconhecido que eu não havia visto ainda.


Capítulo 7[edit]

9 A.M

O dia estava um pouco nublado e a neblina da manhã que cobria a cidade ainda não havia desaparecido. A luz refletia pelas janelas e coloria a tudo com um amarelo limão.

De acordo como o calendário de Aincrad, era o <Mês do Carvalho> o que justificava as folhas que começavam a cair. Estava frio, aquele mês era de longe o mais refrescante do ano. Mas, nesse momento eu estava apenas ignorando isso.

No meio da praça, em frente ao portão de teletransporte estava eu, esperando pela Asuna. Por alguma razão eu não consegui dormir ontem, tudo que eu fiz na minha cama foi rolar de um lado para o outro. Eu acho que só consegui dormir de verdade quando passava das 3 da manhã. Havia muitas coisas opções que facilitavam a vida dos jogadores em SAO, mas infelizmente um botão que fazia dormir automaticamente não estava incluso.

Apesar disso, o oposto existia. Nas opções relacionadas ao tempo no menu, havia um chamado <Alarme> que forçava o jogador a acordar. É claro, a escolha de voltar a dormir ou não era toda sua, mas com o passar do tempo eu já havia adquirido força de vontade suficiente para acordar antes do sistema.

Talvez todo esse jogo seja uma benção para todos os jogadores preguiçosos. Não há necessidade de tomar banho ou trocar de roupa—além de que seria estranho para jogadores tomar banho diariamente em um jogo, mas creio que o principal motivo disso seja que é complicado reproduzir um banho real perfeitamente, o que de certo é uma limitação do Nerve Gear. Depois de acordar perto do tempo limite, eu coloquei todo meu equipamento em vinte segundos e sai até o teletransporte de Algate e desde então estou esperando ela aqui, irritado pela minha falta de sono, mas-

“Ela está atrasada”

O relógio dizia que já passava das 10. Jogadores já começavam a aparecer e iam em direção ao Labirinto um após outro.

Ahh, eu queria ter um portátil ou alguma coisa parecida

Tentei retirar esse pensamento assim que ele apareceu. Eu realmente estava piorando, eu estava querendo jogar um jogo dentro de um jogo.

Eu deveria voltar e dormir... Era isso que eu estava pensando. Outro efeito azul de teletransporte apareceu no portão. Eu via aquilo sem muita expectativa. Mas então-“Kyaaaaa! Por favor, saia da frente!”

“Ahhhhhh!?”

Normalmente jogadores que se teletransportam aparecem no chão. Mas essa pessoa apareceu a metros—no ar, bem em cima de mim.

Sem tempo para correr ou rolar, nós colidimos e caímos em cima do chão. Eu acertei minha cabeça no chão de pedra. Se não estivéssemos em uma área habitada, um pouco do meu HP seria arrancado.

Tudo isso significava—que esse jogador idiota havia pulado durante o teletransporte e apareceu dessa forma. Mesmo tonto, eu consegui deduzir isso e segurei o idiota com o objetivo de empurrá-lo.

“...hmm?”

Algo estranho foi registrado pela minha mão. Eu apartei duas, três vezes sem saber exatamente o que era aquela sensação.

“K-Kya!!”

Subitamente um grande grito invadiu minhas orelhas e minha cabeça atingia o chão novamente. Quando finalmente levantei meu corpo eu olhei para a pessoa.

Na minha frente, estava uma jogadora vestindo um uniforme de cavaleira vermelho e branco e uma minissaia, ainda com uma rapier prateada presa a sua cintura. E por algum motivo, havia uma evidente raiva nos seus olhos. Eu rosto parecia dizer que ela tinha passado por uma experiência degradante, estava vermelha de orelha a orelha e seus dois braços estavam cruzados como se protegesse seus peitos... Peito... ?

Imediatamente me toquei do que eu estava segurando com a minha mão direita. Assim que percebi, um pouco tarde demais, aquela situação perigosa já estava armada. Todos os modos para escapar que eu tanto treinei desapareceram da minha mente. Abria e fechava minha mão direita, sem saber o que fazer.

“E-Ei. Bom dia, Asuna.”

A raiva em seus olhos parecia gerar faíscas. Eram olhos de alguém completamente disposto a sacar sua espada.

Eu comecei a pensar se havia a necessidade de <Escapar>, mas antes de eu fazer uma escolha, o portão começou a brilhar novamente. Asuna olhou para trás surpresa e começou a se esconder atrás de mim.

“Eh...?”

Sem saber por que, eu fiquei paralisado. O portão parava de brilhar e um recém chegado aparecia. Ao menos dessa vez, o jogador estava no chão.

Assim que a luz desapareceu completamente, eu reconheci a pessoa. Uma impressionante capa branca com um símbolo vermelho. Esse homem, que trajava um uniforme da KoB carregava uma espada que parecia enfeitada demais, era o guarda costas que estava seguindo Asuna ontem. O nome dele era Cradil ou algo assim.

Cradil me encarou assim que viu Asuna atrás de mim. Ele não parecia tão velho. Ele deveria ter ao redor dos 20, mas as suas rugas o faziam parecer mais velho. Ele começou a falar com uma voz com uma raiva falsamente controlada.

“A...Asuna-sama, você não deveria agir por conta própria...!”

Assim que eu senti um pouco do histerismo em sua voz, eu pensei isso vai ficar complicado. Com seus olhos pesados, Cradil falou novamente.

“Agora, Asuna-sama, vamos voltar ao QG.”

“Não. Eu não estou trabalhando hoje!... E Cradil, por que estava na frente da minha casa tão cedo?”

“Haha, eu sabia que isso ia acontecer. Por isso eu comecei a ir a Salemburg e vigiar sua casa a mais de um mês.

Eu pude enxergar o orgulho naquela resposta. Asuna congelou. Depois de um longo silêncio, ela falou com uma voz forçada.

“Isso... Isso não é parte das ordens do líder, é?”

“Meu dever é escoltar você, Asuna-sama. Vigiar sua casa está incluso nisso...”

“O que você quer dizer com incluso, seu idiota!?”

Cradil se aproximou com uma expressão irritada e me empurrou para segurar a mão da garota.

“Você não parece me entender. Por favor, não seja assim... Vamos voltar ao QG.”

Asuna parecia não ter forças para lutar ou responder. Então me olhou, com se implorasse.

Sendo sincero, é em momentos assim que eu caio fora. Mas no momento que eu vi os olhos dela, comecei a me mover. Segurei o braço direito do Cradil, o que estava segurando a Asuna e coloquei força suficiente para chamar o código de prevenção de crimes.

“Desculpe, mas eu devo uma a sua capitã por hoje.”

A frase parecia estúpida até para mim, mas eu não podia voltar mais atrás. Cradil que propositalmente estava me ignorando até agora, olhou para mim e soltou o seu braço.

“Você...!”

Ele gritou de uma forma histeria. Mesmo com o sistema de expressões faciais e de voz, definitivamente havia algo estranho com ele.

“Eu vou garantir a segurança da Asuna. Não é como se houvesse uma luta lua contra um chefe hoje. Você pode voltar para o QG por conta própria.”

“N. Não brinque comigo!! Você acha mesmo que um jogador patético como você poderia proteger a Asuna-sama?”

“Melhor que você, eu aposto.”

“S-Seu tolo insolente...! Se pode falar tanto, então suponho que não vai voltar atrás...?”

O rosto de Cradil agora estava branco, ele chamou o menu e começou a manipular rapidamente. Em seguida, uma mensagem semi transparente apareceu na minha frente. Eu já sabia o que era antes mesmo de ler.

[Um duelo 1-contra-1 foi requisitado por Cradil. Você aceita?]

Diante das cartas brilhantes dizendo SIM\Não e alguns botões de opções, eu olhei para o lado em direção a Asuna. Ela não estava vendo as mensagens, mas parecia entender o que estava acontecendo. Eu pensei que ela iria me parar, mas surpreendentemente, ela manteve uma expressão rígida.

“....Tudo bem? Isso não vai causar problemas na Guilda?”

Asuna me respondeu da sua forma.

“Tudo bem. Eu vou reportar isso ao líder eu mesma.”

Assenti e pressionei o Sim e escolhi <Modo de primeiro Ataque> nas opções.

O Duelo seria quem acertasse o adversário primeiro ou reduzisse o HP do oponente a metade. A mensagem mudou para [Você aceitou um duelo 1-contra-1 com Cradil]. Um contador de 60 segundos surgiu. No momento que chegasse a zero, a proteção para HP seria desligado e nós poderíamos duelar.

Cradil parecia ter feito sua própria interpretação do consentimento da Asuna.

“Por favor, assista Asuna-sama! Eu vou provar que ninguém melhor do que eu para escoltar a ti!”

Ele falava aqui como se algo o estivesse iluminando. Então sacou sua grande espada de duas mãos da bainha e se posicionou com um som metálico.

Antes de eu sacar minha espada de uma mão, eu verifiquei que Asuna se moveu para longe. Como esperado de um membro de uma Guilda tão famosa, a sua espada parecia muito melhor que a minha. Não se tratava de uma diferença entre ser de uma mão e a outra de duas. Era como se a minha fosse uma simples espada de treino enquanto a dele era uma top de linha de algum ferreiro famoso.

Eram 5 metros a distância entre nós, enquanto aguardávamos o contador acabar, as pessoas começavam a comentar sobre a gente. Isso não era tão estranho. Nós estávamos na praça central da cidade e ambos éramos jogadores conhecidos.

“O Kirito e um membro da KoB estão tendo um duelo!”

Assim que alguém disse isso, as torcidas começaram a se organizar. Duelos eram mais usados para comparações de habilidades entre amigos, por isso os espectadores gritavam e torciam ignorando a razão da situação ter terminado assim.

Mas, assim que o contador começou a cair, tudo isso começou a desaparecer. Eu senti um frio passando pelo meu corpo como se eu estivesse lutando contra um monstro. Foquei-me em observar a atmosfera ao redor de Cradil, que também me observava, analisando os movimentos dos seus pés.

Humanos possuíam certos hábitos quando eles estavam prestes a usar uma habilidade. Não importa se era uma de ataque ou defesa ou se iria começar lentamente ou do alto, o corpo revelava todo tipo de informação que podia ser crucial.

A espada de Cradil estava um pouco abaixo do meio do seu corpo, um claro sinal de que ele usaria um ataque de alto impacto. É claro, eu também estava fazendo algo. Naquele momento a postura da minha espada estava baixa e relaxada, dando a impressão que meu primeiro ataque seria um corte rápido e baixo. Você só pode entender coisas assim com a experiência.

Assim que o contador chegou aos números de um único digito, eu fechei o menu. Eu não podia mais ouvir nada ao meu redor.

Eu via a Cradil, se movendo na minha direção, com todos os músculos tensos. A palavra [DUELO!!] Apareceu no espaço entre nós e eu saltei, usando toda minha força.

Ao mesmo tempo, Cradil e eu passamos um pelo outro, mas havia uma expressão de surpresa no seu rosto, eu havia acabado com suas expectativas quanto a um ataque baixo.

O primeiro ataque dele fora, eu acho, um habilidade de espada de duas mãos: <Avalanche>. Se a defesa do adversário era fraca, o defensor até poderia defender o ataque, mas seria incapaz de contra atacar graças ao impacto, esse tipo de ataque era usado por jogadores para conseguir tempo e diminuir a distância entre eles. Realmente uma habilidade muito útil. Ao menos contra monstros.

Eu, que já havia lido o que Cradil iria fazer, escolhi uma habilidade também de impacto chamada <Corte Sônico>. E ambas as habilidades haviam colidido.

Se você analisar por força, a dele era muito mais forte que a minha e o jogo favoreceria a ela quando os ataques colidiam. No caso de eu ter errado o alvo, a habilidade me pegaria em cheio e eu ficaria fraco demais para continuar o duelo. Mas eu não estava mirando no Cradil.

O espaço entre nós desapareceu rapidamente. Mas a minha percepção fora ainda mais rápida, como se o tempo tivesse ficado mais lento. Eu não sei se isso é resultado do sistema ou se é uma habilidade natural humana. Tudo que eu sei é que eu podia ler seus movimentos.

A espada, que passou bem pelas minhas costas, tinha um brilho alaranjado que se aproximou de mim. Seus status deveriam ser bem alto, algo esperado da melhor Guilda, visto que a habilidade se iniciou um pouco antes do que eu esperava. A espada brilhante atravessou o ar. E tivesse me acertado, sem dúvidas teria sido suficiente para terminar o duelo. O rosto de Cradil mostrava o êxtase pela sua aparente vitória. Mas-

Sword Art Online Vol 01 - 124.jpg

Minha espada, que se moveu mais rápido, desenhou uma trajetória verde e acertou a espada dele momentos antes do fim do ataque. O jogo calculava o dano causado pela minha espada.

O outro resultado para colisão de armas era <Quebra de Arma>. Havia apenas uma pequena chance de ocorrer, quando a espada recebia um ataque preciso na sua parte mais fraca.

Mas eu tinha certeza que ela quebraria.

Arma com muita decoração tem baixa durabilidade.

Como esperado—com um som ensurdecedor—a espada de Cradil estava quebrada. O efeito era próximo de uma explosão.

Nós passamos um pelo outro no ar e caímos onde o outro tinha saltado. O pedaço quebrado da espada refletiu a luz do sol, antes de cair sobre o espaço entre nós. Depois disso, tanto a metade que estava no chão como a na mão de Cradil começaram a se desmanchar em vários polígonos.

O silêncio tomou conta da praça. Todos os espectadores congelaram com as bocas abertas. Mas depois que eu me levantei, com meu movimento habitual de mover a espada da esquerda para direita, eles começaram a comemorar.

“Incrível!”

“Ele tinha planejado tudo isso?”

Assim que eu vi todas aquelas pessoas criticando o quão curto fora o duelo, eu suspirei. Mesmo que tenha sido apenas uma habilidade, revelar uma das minhas cartas na manga não era algo para se ficar feliz.

Ainda com a espada em mãos eu me aproximei de Cradil que ainda estava parado no chão. Atrás, sua capa branca balançava violentamente. Depois de apontar minha espada de propósito, eu disse.

“Se você quiser voltar aqui com outra arma, eu vou lutar com você de novo... Mas, isso é suficiente, certo?”

Cradil sequer olhou para mim. Bateu suas mãos contra o chão e em seguida disse com uma voz doentia “Eu me retiro”. Ele poderia ter dito apenas <Eu desisto> ou <Eu perdi> em Japonês.

Imediatamente, um grupo de linhas roxas apareceu onde a luta havia ocorrido, mostrando o tempo para o fim do duelo e o vencedor. Outros gritos da torcida começou e Cradil se levantou falando para os que assistiam.

“O que vocês estão olhando? Caiam fora!”

E depois se virou para mim.

“Você... Eu vou matar você... Definitivamente eu vou te matar...”

Eu nem posso descrever o quanto enlouquecido ele parecia.

Emoções no SAO poderiam ser um pouco exageradas, mas eu podia sentir o ódio queimando nos olhos de Cradil, de uma forma que assustaria a qualquer monstro.

Alguém chegou ao meu lado e falou.

“Cradil, eu ordeno você como sub-líder da Knights of the Blood. Eu retiro você da sua posição como guarda costas. Volte para o QG e fique lá até futuras ordens.”

As palavras da Asuna eram tão frias como seu rosto. Eu senti que por de trás dela estava a raiva e o medo, por isso inconscientemente coloquei minha mão sobre seu ombro.

“...O...Que...É isso...”

Fora somente isso que conseguimos compreender. O resto era provavelmente uma mistura de um grito histérico com o ódio que se perdeu em sua boca. Cradil nos encarava. Não havia dúvidas que ele pensavam em nos atacar com sua arma reserva, mesmo sabendo que o código de prevenção contra crimes iria pará-lo.

Mas ao invés disso, ele pegou um cristal de teletransporte do seu bolso. Ele o levantou, pressionando com tanta força que pensei que o cristal se quebraria, murmurando “Teletransporte...Grandum.” O ódio e seu corpo desapareciam na nossa frente tomado por uma luz azul.

Assim que a luz desapareceu, um silêncio se instalou na praça. Os espectadores pareciam ter apenas ignorado a raiva incompreensível de Cradil e saíram em pequenos grupos. Asuna e eu acabamos sendo os únicos na praça.

Então finalmente, Asuna se afastou e começou a falar de forma frágil.

“...Desculpa, eu te coloquei nisso tudo.”

“Não... Tudo bem, mas vai ficar tudo bem com você?”

Ela balançou a cabeça lentamente, mas deu um sorriso espirituoso porém fraco.

“Sim, eu acho que sou a única culpada por forçar as regras e as aplicar a todos para concluir esse jogo logo...”

“Eu acho... Que você não pode fazer nada quanto a isso. Se eles não tivessem alguém como você, tudo teria sido muito mais lento. Bem, isso não é algo que um jogador solitário como eu deveria dizer... Ah, esquece isso.”

Eu nem sabia mais o que estava tentando dizer, estava apenas falando o que me vinha em mente.

“... Então, ninguém pode dizer nada sobre você... Ter uma folga com alguém sem esperanças como eu.”

Por um momento, Asuna parecia um pouco confusa, mas então sorriu mais alegre.

“... Bem, Muito obrigada. Eu realmente vou tentar curtir o máximo hoje. Por isso confio a você a linha de frente.”

Ela falou aquilo de modo energético e começou a andar em direção da estrada que levava a saída da cidade.

“O que? EI! O ataque deve ser decidido em turnos!”

Mesmo reclamando, eu deixei escapar um suspiro de alivio e segui a garota de cabelos castanhos.


Capítulo 8[edit]

O ar que cercava o caminho da floresta era quente. Parecia que a presença que eu senti naquele dia à noite fora apenas uma ilusão. O sol da manhã ainda brilhava pelas brechas entres os galhos, formando pilares de luz onde borboletas dançavam, mas era triste saber que elas eram apenas efeitos visuais que não poderiam ser pegas mesmo se você tentasse.

Enquanto ela passava pela grama macia, Asuna disse provocando

“Você sempre se veste com as mesmas coisas.”

Ah.

Eu olhei para o meu corpo: Uma jaqueta leve surrada, uma calça e uma camisa da mesma cor. Eu não tinha nenhuma armadura virtual equipada.

“Bem, O que posso fazer? Se você tem dinheiro suficiente para gastar com roupas, é melhor comprar algo para comer...”

“Existe uma razão prática para você se vestir todo de preto? Ou é apenas algo para manter a imagem como personagem?”

“B-Bem, e quanto a você? Você sempre está vestindo branco e vermelho...”

Assim que falei, Eu comecei a escanear a área graças a força do hábito, sem mesmo pensar. Não havia nenhum monstro por aqui. Mas-

“Eu não posso fazer nada. Esse é o uniforme da gui...Huh? O que foi?”

“Espera um segundo”

Eu me virei para trás. Havia um jogador na área que eu havia escaneado. Foquei-me na área atrás de mim e vários cursores verdes começaram a surgir. Eram muitos jogadores.

Não era possível serem grupos de bandidos. Bandidos sempre caçavam jogadores mais fracos que eles, então eles raramente apareciam nas linhas de frente onde estavam os mais fortes. Mais importante que isso, quando um jogador comete um crime, o cursor se torna laranja e não volta para o verde por um bom tempo. O que me preocupava era os números.

Eu olhei para o mapa no menu principal e coloquei no modo de observação para que Asuna pudesse ver também. O mapa mostrava a minha visão e os cursores verdes. Havia cerca de 12 deles.

“São muitos...”

Eu assenti. Normalmente quando havia muitos membros em um grupo se tornava mais difícil de lutar coletivamente, por isso os grupos tinham normalmente 5 ou 6 pessoas.

O grupo de luzes se aproximava depressa enquanto marchava na nossa direção em uma linha de dois. Isso era normal em labirintos perigosos, mas raro de se ver em um campo aberto.

Se nós pudéssemos ver o nível dos membros, poderíamos descobrir o que eles estão fazendo, mas jogadores não podiam enxergar o nomes dos jogadores quando eles se conheciam pela primeira vez. Isso era algo padrão do sistema para prevenir que jogadores cometam Pking- player killing-[34]muito livremente, por isso não tínhamos escolha a não ser deduzir o nível deles ao verificar seus equipamentos.

Eu fechei o mapa e olhei para Asuna.

“Nós temos que dar um olhada neles. Vamos nos esconder nas árvores até eles passarem.”

“É, você está certo.”

Asuna concordou com uma expressão tensa. Nós subimos um pequeno monte e seguimos sobre algumas árvores altas até chegarmos a uma boa posição para observar o grupo que passava.

“Ah...”

Asuna subitamente olhou para suas roupas. O uniforme vermelho e branco era muito fácil de ser percebido em meio a vegetação verde.

“O que fazer? Eu não tenho outro equipamento…”

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Os passos ficavam mais próximos. Eles começavam a se aproximar.

“Com licença” Eu abri minha jaqueta e cobri Asuna com ela. A garota me olhou um pouco, mas permitiu que eu a cobrisse. A jaqueta não era bonita, mas dava um grande bônus quanto a se esconder. Com ela, era muito difícil de nos notarem sem uma grande habilidade de escaneamento.

“Bem, ela não é bonita, mas é bastante útil, certo?”

“Eu não sei!... shh, eles estão aqui!”

Asuna iria falar algo, mas eu coloquei minha mão sobre seus lábios e comecei a sentir o som das pegadas chegando aos meus ouvidos.

Finalmente, nós pudemos ver o grupo.

Eles eram todos guerreiros. Todos vestindo a mesma armadura negra com detalhes verdes. Todo o seu equipamento tinha um designer simples, exceto pela notável imagem de um castelo em seus escudos.

Uma linha de seis espadas de uma mão e seis lanças. Todos com capacetes fechados, por isso não podíamos ver seus rostos. Nós vimos o grupo de 12 jogadores marcharem com perfeição, me fazendo pensar que eles eram um grupo de NPCs.

Eu tinha certeza agora. Eles eram membros do maior grupo que fez da cidade no primeiro andar seu QG: <O Exército>. Eu podia sentir a Asuna segurar sua respiração.

Eles não eram inimigos de jogadores normais. Na verdade, eles podiam ser considerados o mais eficazes em parar crimes.

Mas os seus métodos eram rudes e eles atacavam os jogadores laranja—como são chamados os jogadores com essa cor em seus cursores—assim que eles os avistavam sem fazer perguntas. Eles então pegavam todo o equipamento do jogador e os levava para os calabouços do Castelo de Ferro Negro. Os rumores falar que <O Exército> trata as pessoas que não se rendem ou que falham em escapar de uma forma assustadora.

Eles também eram conhecidos por viajar em grandes grupos e controlar quase todas as caçadas, então era um conhecimento comum entre os jogadores que “Nunca se deve ir onde <O Exército> está.” Bem, eles normalmente operam do 50º andar para baixo, trabalhando o controle e a ordem, por isso era raro ver eles nas linhas de frente-

Enquanto observávamos em silêncio, os 12 guerreiros fortemente armados desapareciam na floresta com o som de suas armaduras e botas.

Visto que todos os jogadores que tinha o jogo, você pode dizer que todos que estão presos no SÃO são jogadores viciados, mas a “corrida” não tem nenhuma relação com a palavra <Regras>. O fato de eles estarem mostrando tamanha ordem em seus movimentos era incrível. Eles deveriam ser uma das unidades mais forte do Exército.

Depois de ter certeza que eles haviam saído de fora do alcance do mapa, Asuna e eu suspiramos aliviados.

“...O rumor, se é verdade...”

Eu observei a Asuna, ainda com minha jaqueta sobre ela.

“Rumor?”

“Sim. Eu ouvi em um encontro de guildas que <O Exército> estava mudando sua forma de trabalhar e aparecendo nos andares mais altos. Eles são um dos grupos que estão tentando terminar com o jogo, certo? Mas depois dos danos que eles sofreram lutando contra os chefes até o andar 25º, eles se focaram em fortalecer seu grupo e pararam de lutar nas linhas de frente. --Então, eles estão indo aos labirintos em grandes números para fazer desordenar as coisas, então eles enviam um grupo menor, um verdadeiro grupo de elite para mostrar que eles também estão tentando concluir o jogo. O relatório falava que as primeiras unidades estavam aparecendo.”

“Então eles estão confiando na suas habilidades, mas tudo bem deles simplesmente entrarem e uma área inexplorada...? Todos pareciam ter níveis bem altos, mas...”

“Talvez... Eles estejam indo derrotar o chefe...”

Como em todos os labirintos, havia um chefe guardando as escadarias para o próximo andar. Eles não se regeneravam, mas eram muito fortes. Havia ainda um enorme ganho de popularidade e reputação caso os vencessem. Era mais efetivo do que manter a ordem.

“Então essas pessoas...? Mas, isso é tolice! Ninguém viu ainda o chefe do 74º andar. Normalmente, as pessoas enviam grupos de reconhecimento para analisar a força do chefe e meios para vencer.”

“Bem, até mesmo as guildas se juntam para derrotar os chefes. Talvez eles não estejam fazendo o mesmo...?”

“Eu não sei... Bem, eles devem saber bem onde está o chefe ou isso seria sem sentido. Nós precisamos ir. Espero que nossos caminhos não se cruzem com os deles.”

Eu fiquei um pouco desapontado por saber que teria de deixar Asuna vir junto. Ela antes de ir falou.

“É quase inverno agora... Eu deveria comprar uma jaqueta também. De que loja você comprou a sua?”

“Hmm...Provavelmente com uma loja de um jogador a oeste de Algade.”

“Então me leve lá quando terminarmos de explorar.”

Dizendo isso, Asuna saltou facilmente em direção ao chão. Eu a segui e por causa do sistema, a altura não foi problema.

O Sol estava chegando ao seu ponto mais alto. Asuna e eu começamos a andar prestando atenção aos arredores.

Por sorte, nós conseguimos sair da floresta sem dar de cara com nenhum monstro e um grande jardim de flores azuis apareceu diante de nós. Aquele jardim natural era o que mostrava o fim da floresta.

Estávamos na parte mais alta dessa torre e em algum lugar um chefe guardava as escadarias para o próximo andar—o 75º no caso. Se o chefe fosse derrotado e alguém chegasse até a área habitada no próximo andar e ativar o portão de teletransporte, esse andar estaria concluído.

A <Cidade inicial> celebraria e muitas pessoas dos andares inferiores iriam ver a nova cidade e o lugar se tornaria vivo como se estivesse ocorrendo um festival. Nesse momento, havia se passado nove dias desde que as pessoas começaram a explorar o 74º andar. Já estava na hora de alguém descobrir onde estava o chefe.

A torre cilíndrica era quase amedrontadora, mas era um lugar que tanto eu quanto Asuna estivemos várias vezes, porém continuava existindo o sentimento de intimidação. Mesmo que fosse dez vezes menor do que era Aincrad. Era um pedido sem esperança, mas, secretamente eu desejava ver o castelo flutuante pelo lado de fora.

Não vimos a unidade do Exército. Eles devem já ter entrado nela. Andamos em direção da entrada de forma apressada e inconsciente.


Capítulo 9[edit]

Fazia mais de um ano que a Knights of the Blood se tornaram a melhor guilda.

Seu líder, o <Homem da Lenda> e sua sub-líder, Asuna <Flash> foram reconhecidos como sendo os dois melhores guerreiros de Aincrad. E agora eu tinha a chance de ver Asuna, que havia terminado seu treinamento com a rapier lutar contra um monstro normal.

Nós estávamos no meio de uma batalha e o inimigo era um esqueleto espadachim de nome <Servo Demoníaco>. Que tinha dois metros de altura, carregando uma espada curva na sua mão direita e um escudo de metal na esquerda. É claro, não havia nenhum músculo em seu corpo, mas sua força era muito grande, o que o tornava um monstro difícil de lutar.

Mas, Asuna não parecia ligar para isso.

“Hrrrrrrgrrrrr!”

Com esse estranho rugido, o esqueleto golpeou com sua espada várias vezes, deixando linhas azuis iluminada no ar. Era aquele golpe: <Quadra Vertical>. Enquanto eu observava ansioso atrás, Asuna se movia da esquerda para para a direita, elegantemente desviando de todas investidas.

Mesmo sendo uma situação de dois contra um, nós não podíamos lutar juntos quando confrotavamos um inimigo completamente armado. Era algo proibido pelo sistema, pois quando dois jogadores estão juntos, a velocidade seria mais alta do que nossos olhos poderiam acompanhar e isso tornaria o “auxilio” mais um obstáculo do que ajuda. Então, quando se está em grupo, uma habilidade requisitada é o trabalho em equipe chamado de <Troca>.

Depois de ter errado todos os seus quatro ataques, o Servo Demoníaco parecia desequilibrado e Asuna não perdeu aquela chance para um contra ataque.

Os golpes da espada prateada seguiram-se uma após outra, todas acertando pontos precisos, enquanto o HP do esqueleto diminuía. Cada golpe individualmente não causava muito dano, mas o número deles era impressionante.

Depois de mais três ataques seguidos, a defesa do esqueleto se rompeu, Asuna notou e cortou as pernas. Sua espada brilhava em um branco capaz de cegar, ela havia executado um ataque baixo e alto ao mesmo tempo.

Um combo de 8 golpes seguidos. Era provavelmente a chamada <Lâmina Estrelar>. Ataques de perfuração com uma espada tão curta normalmente não causariam efeito algum com esse tipo de inimigo, fora para mim um show de habilidade.

Ao todo, trinta por cento do HP do esqueleto fora reduzido em alguns segundos, mas eu estava mesmo perdido com a elegância da jogadora. Aquilo deveria ser o que eles chamam de dança da lâmina.

Asuna gritou para mim, que estava parado como um idiota, como se ela tivesse olhos atrás da cabeça.

“Kirito, Trocar!”

“Ah,certo!”

Eu posicionei minha espada e ao mesmo tempo, Asuna voou contra o esqueleto, pronta para um ataque de perfuração.

O inimigo defendeu o ataque com seu escudo e arremessou Asuna para o ar. Mas era exatamente isso que esperávamos. O inimigo agora estava com o lado esquerdo parado por ter defendido um ataque mais forte e incapaz de contra atacar.

É claro, Asuna também não podia fazer mais nada depois de ter o ataque bloqueado, mas ter gerado aquela oportunidade era mais importante.

Eu imediatamente comecei uma habilidade de área. Criar um ponto cego de propósito no meio da luta e trocar de lugar com seu parceiro era o que nós chamávamos de <Troca>.

Depois de ter certeza que a Asuna estava fora do alcance, Eu avancei em direção ao inimigo. A não ser que você seja um mestre como ela, ataques de perfuração não são efetivos contra monstros com uma defesa alta como o Servo Demoníaco. Nesse cenário o melhor a se fazer é ter uma habilidade ou uma arma de impacto como uma maça. Mas eu, e mais provavelmente Asuna, não tínhamos nenhuma habilidade de impacto.

A <Quadra Horizontal> que eu usei reduziu muito HP do Esqueleto, que reagiu lentamente. Isso acontecia por que a IA dos monstros tinha a tendência de atrasar antes de responder quando o atacante faz seu movimento de forma súbita. Ontem, eu havia gasto muito tempo para fazer isso acontecer na luta contra o Homem Lagarto, mas quando você está em grupo, uma troca é suficiente. Essa é a maior vantagem de lutar em equipe.

Eu emendei o contra ataque e iniciei a habilidade que daria um fim a essa batalha. Eu iniciei um ataque da direita, atravessando as costas do inimigo, em uma trajetória oposta ao meu golpe anterior. Toda vez que um ataque atingia o corpo do inimigo, ocorria um som de impacto e uma luz laranja surgia.

O esqueleto levantou seu escudo esperando que o golpe seguinte fosse vir de cima, mas eu fui contra suas expectativas e golpeei seu ombro esquerdo em um ataque vertical e golpeei com meu ombro direito. Essa era a habilidade que acabava com problemas de combinação de ataques muito fortes combinando eles com pancadas: <Quebra de Meteoro> Sem querer me gabar, mas é uma habilidade que precisa tanto de habilidade em luta desarmada quanto de espadas de uma mão.

O HP do inimigo agora estava na zona vermelha após todos os ataques. Eu coloquei toda minhas forças em um ultimo ataque horizontal. A espada cortou o pescoço do esqueleto, fazendo a cabeça cair. O corpo feito de ossos começou a se desmontar no ar, até que caiu no chão como um brinquedo que nunca esteve de pé.

“Nós vencemos!!”

Pressionamos a opção de distribuição de itens e começamos a andar novamente.

Até agora, nós havíamos lutado contra monstros quatro vezes e em nenhuma das vezes os monstros causaram danos a nós. O estilo da Asuna envolvia golpes curtos de perfuração combinada com sua velocidade, enquanto meu estilo combinava ataques mais longos. Tentávamos enganar a IA dos monstros—o sensor de algoritmos, não o processador de habilidades da CPU—para fazer nossas habilidades serem mais efetivas. Provavelmente não havia muita diferença entre nossos níveis.

Nós andamos cuidadosamente pelo magnífico corredor com pilares alinhados. Não havia como sofrermos uma emboscada por que minha habilidade de escanear alertaria antes, mas apenas ouvir o som dos nossos passos me incomodava. Não havia nenhuma fonte de luz natural no labirinto, mas as tochas iluminavam o caminho e permitiam que nós enxergássemos bem.

Eu inspecionei o corredor, que refletia uma luz azul.

O salão do labirinto era feito com uma decoração vermelha e marrom. Mas quanto mais nós subíamos, mas as pedras mostravam uma luz azul. Os pilares tinham pinturas diferentes e se podia ouvir o som de água corrente passando por nossos pés. Você poderia dizer que a atmosfera tinha ficado mais pesada. Havia muitos espaços vazios no mapa agora. Se minha intuição estava certa, essa área seria-

Ao fim do corredor, Uma grande porta azul cinzento esperava por nós. As inscrições nos pilares eram similares a das bordas. Mesmo que fosse apenas um mundo feito de dados, uma aura inexplicável estava no ar.

“...Isso,é...”

“Será... ? Essa é a sala do chefe.”

Asuna colocou sua mão sobre a bainha.

“O que devemos fazer...? Apenas dar uma olhada vai ser suficiente, certo?”

Em contraste com suas palavras, sua voz soava apreensiva. Até mesmo uma guerreira de alto nível como ela tinha medo de coisas como essa. Bem, isso seria o esperado. Eu também estava com medo.

“...Bem, vamos preparar um item de teletransporte por precaução.”

“É”

Asuna passou a mão no cristal azul que estava na sua bolsa. Eu preparei o meu item também.

“Pronta? Eu vou abrir.”

Com minha mão direita, eu segurei de levemente Asuna e toquei a porta de metal com minha mão esquerda. Se isso fosse o mundo real, as palmas da minha mão deveriam estar levantadas agora mesmo.

Eu coloquei um pouco mais de força na minha mão e a porta, que parecia ter o dobro da minha altura, abriu. Assim que o movimento começou, as portas se abriram tão rápido que pareciam aturdidas. Asuna e eu segurávamos nossas respirações enquanto a grande porta dava o ultimo baque e revelava o que havia dentro.

-Ou assim nós pensávamos; Estava escuro lá dentro. A luz do corredor não alcançava o fim daquele quarto. O frio da escuridão não revelava nada desde que chegamos.

“...”

Assim que que abri minha boca, um par de luzes brancas surgiu. Então outro par e outro par.

Whoooooooooosh...Com esse som, o caminho que levava ao centro da sala cegou completamente meus olhos. E quando acabou, um grande pilar de fogo estava acima, mostrando um quatro retangular iluminado por uma luz azul. Era bastante espaçoso. Era como se todos os espaços em branco do mapa estivessem nesse lugar.

Asuna segurou meu braço direito em nervosismo. Mas eu não vi nada de mais naquele quarto para fazer minha mente ter esse sentimento. Isso por que, atrás do pilar de fogo, um corpo surgia.

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Um corpo enorme coberto de músculos. Sua pele era um azul escuro e em sua cabeça havia placas de metal que chegavam até o seu peito. Aquilo não era humano, mas algo perto de um bode das montanhas.

Dois chifres curvados em lados opostos na sua cabeça. Em seus olhos, brilhava um azul que parecia nos prender a eles. Seu corpo era coberto por um azul que não podia ser visto muito claramente atrás do fogo, mas parecia com um animal. Para simplificar, aquilo só podia ser um demônio em qualquer lugar do mundo.

Havia uma pequena distância entre a entrada e o meio do quarto. Nós estávamos congelados naquele lugar, incapazes de mover um músculo. De todos os monstros que nós havíamos lutado até agora, esse é o primeiro do tipo demônio. Eu deveria agradecer a todos os RPGs que eu havia jogado para notar isso. Mas como eu disse antes, Eu não podia deixar o medo tomar conta do meu corpo.

Hesitantemente eu focalizei em ler as palavras que apareceram: <Os Olhos Brilhantes>. Era indiscutivelmente o chefe daquele andar. O “Os” na frente dos seu nome era uma prova disso. Olhos brilhantes—realmente, seu olhos brilhavam.

Assim que eu li isso, o demônio azul que nos encarava começou a se agitar e subitamente gritou. O fogo azul vibrou violentamente por todo aquele lugar. Uma respiração ardente saia de suas narinas e boca. O demônio puxou sua espada sem hesitar e com um a velocidade inacreditável avançou contra nós sem dar tempo para pensarmos.

“Ahhhhhhhhhhhhhh!”

“Kyaaaaaaaaaaaaa!”

Nós gritamos ao mesmo tempo, se viramos para os cento e oitenta degraus atrás de nós e corremos o máximo que podíamos. Sabíamos que na teoria, o chefe nunca podia sair da sua sala, mas nós não podíamos ficar ali. Confiando na destreza de nossos corpos que treinamos até agora, nós corremos como se fossemos o vento pelo corredor.


Capítulo 10[edit]

Sem parar para descansar, Asuna e eu corremos até a área segura para enfim chegarmos a algum lugar no meio do Labirinto. Eu tinha a sensação que nós estávamos sendo observados por monstros em todo aquele percurso. E sendo sincero, não estávamos em condições mentais de lutar.

“...ha.”

Nós começamos a rir ao mesmo tempo. Se fossemos abrir o mapa, notaríamos que o chefe não tinha saído do seu quarto. Mas nós não pensamos e olhar para trás e dar uma olhada.

“Ahahahah,ah—nós corremos muito rápido!”

Asuna estava rindo de um modo exaltado.

“Fazia muito tempo que eu não corria assim, como se minha vida dependesse disso. Bem, você estava mais exagerado do que eu.”

“...”

Eu não podia contradizer aquilo. Asuna continuou rindo da minha cara. Eu olhei para ela esperando que parasse, quando ela disse,

“...Aquela coisa parecia muito forte.”

E seu rosto se tornou sério.

“Sim. Parecia que tinha apenas uma espada longa como arma, mas deve possuir alguns ataques especiais.”

“Bem, isso garante que vamos precisar de muitas linhas defensivas e trocas.”

“Acho que vamos precisar de umas 10 pessoas com escudos...Bem, isso vai durar até o momento que decifrarmos como ele luta.”

“Um...Escudo.”

Asuna olhou na minha direção, pensativa.

“O-O que foi?”

“Você está escondendo algo.”

“Por que isso, tão súbito...?”

“É estranho. A grande vantagem de usar espadas de uma mão é ser capaz de segurar um escudo com a outra mão. Mas eu nunca te vi usando um. Eu não uso por que isso diminui minha velocidade de ataque e muitas pessoas não usam por que se preocupam mais com o estilo. Mas você não se aplica a nenhum dos casos...É suspeito.”

Ela estava certa. Eu tinha uma habilidade oculta, mas nunca mostrava ela na frente das pessoas.

Isso era por que habilidades eram importantes para sobrevivência, porém principalmente eu deixava as coisas assim até eu descobrir mais sobre ela.

Mas, se fosse ela—até mesmo por que ela notou, tudo bem.

Eu abri minha boca pensando assim.

“Esquece isso, não importa. Ficar perguntando sobre as habilidades dos outros é rude da minha parte.”

Ela começou a rir. Eu havia perdido minha chance, murmurei algumas palavras. Os olhos de Asuna cresceram depois de checar o relógio.

“Ah, já são três horas. É tarde, mas vamos comer um lanche.”

“O que!?”

Eu não consegui esconder minha animação.

“Isso é feito a mão!?”

Asuna sorriu sem palavras e manipulou o menu rapidamente. Depois disso, ela chamou o que parecia uma pequena cesta. Então havia alguma coisa boa em unir-se a ela—acho que o que pensei foi tão rude, que Asuna olhou para mim.

“...que tipo de coisa você está pensando?”

“N-Nada. Vamos comer.”

Asuna bufou, mas pegou dois pacotes de papel de fora da cesta e entregou um para mim. Eu o abri e vi que era um sanduíche feito de muitos vegetais e carne grelhada entre os dois lados do pão. O aroma era delicioso. Subitamente eu me senti com fome e dei uma mordida.

“Isso...É muito bom...”

Mordi mais duas vezes, três, aquele sanduiche tinha conquistado minha apreciação sincera. A forma era européia, assim como a comida dos restaurantes que os NPCs ofereciam, mas o gosto era diferente. O sabor e o cheiro era muito similar aos Fast Foods japoneses que eu comia dois anos atrás. Eu comi o sanduiche rapidamente, sentido que iria chorar por causa do gosto nostálgico.

Depois de terminar o ultimo pedaço e tomar o chá que Asuna me deu, suspirei.

“Como você fez para chegar a esse sabor?”

“Esse é o resultado de anos de treinamento e experimentação. Eu fiz analisando os dados de tooooooodos os efeitos de reprodução de gosto das ervas. Isso é feito de sementes de glogwa, folhas shuble e água de calim.”

Assim que Asuna disse isso, ela pegou dois pequenos potes de água, abriu uma delas e colocou algo que estava em seu dedo indicador. A substância tomou conta da água dando a ela uma coloração roxa. Então ela disse.

“Abra sua boca.”

Eu não sabia o que era, mas eu abri minha boca e relaxei. Asuna colocou a garrafa na minha boca, seu conteúdo desceu pela minha boca em um sabor incrível.

“...Isso é maionese!”

“Essa é feita de legumes abilpa, folhas de Sags e ossos de Uransipi.”

O último soou para mim como um ingrediente de antídoto, mas o liquido avançou pela minha boca antes de eu ter tempo para pensar. O gosto me chocou mais que o anterior. Era definitivamente açúcar. Eu fiquei tão surpreso que segurei a mão de Asuna e coloquei seu dedo na minha boca.

“Kya!!”

Ela gritou e puxou seus dedo para longe. Mas então começou a rir da minha expressão.

“Eu tinha feito o sanduíche para isso.”

“...Era incrível! Perfeito! Você podia fazer uma fortuna com isso!”

Falando a verdade, o gosto do sanduiche era melhor até mesmo que a carne de Coelho de ontem.

“M-Mesmo?”

Asuna sorriu.

“Não, é melhor não vender. Eu não posso deixar essa minha exclusividade desaparecer.”

“Uwa, você é tão egoísta!... Se você quiser, eu posso fazer de novo outro dia.”

Ela disse isso e mordeu o ultimo pedaço do sanduiche, enquanto eu me colocava sobre uma das colunas. O silencio tomava conta daquele lugar, eu até tinha esquecido que aquelas eram as linhas de frente, um lugar onde nós lutamos por nossas vidas.

Se eu pudesse comer um pouco disso todos os dias, eu poderia me mudar para Salemburg...para perto da casa da Asuna...Eu comecei a pesar isso sem notar que estava prestes a falar algo assim.

Subitamente, um som de armaduras surgiu anunciando que havia um grupo de jogadores. Eles rapidamente acabaram com a distância entre nós.

Assim que eu notei quem era o líder do grupo formado por seis homens, eu relaxei. Ele carregava uma katana e eu o havia conhecido a muito tempo em Aincrad.

“Oh, Kirito! Faz tempo que não te vejo!”

Eu olhei para cima, em direção a pessoa alta que começou a andar em minha direção assim que me reconheceu.

“Você ainda está vivo, Klein?”

“Você está o mesmo que antes. Por que você de todas as pessoas estaria em um gru...”

Os olhos do mestre da Katana saltaram até a bandana assim que ele viu Asuna, que deu alguns passos para trás.

“Ah-... Vocês provavelmente se conhecem de lutas contra chefes, mas eu vou apresentar vocês. Esse cara é o Klein, da guilda <Fuurinkazan>, essa é Asuna da <Knights of the Blood>.”

Asuna sorriu, enquanto eu a apresentava, Klein ficava apenas parado, com seus olhos arregalados e boca aberta.

“Ei, diga alguma coisa. Você tá tremendo?”

Depois que eu balancei ele um pouco, Klein finalmente fechou sua boca e se apresentou do jeito mais polido.

“O-Oi!!!! Eu sou apenas um cara cha-chamado Klein! Bachelor! Vinte e Quatro!”

Assim que Klein disse algo estúpido em seu estado confuso, eu apenas golpeei, com um pouco de força. Mas antes de que Klein terminasse de falar, seus companheiros se aproximaram e começaram a se aproximar.

Todos disseram que eram membros do <Fuurinkazan> e que se conheciam antes do SAO ter começado. Klein protegeu e guiou todos eles, sem perder um único membro, até eles se tornarem membros capazes de sobreviver nas linhas de frente. Ele havia treinado duramente desde que eu havia corrido para longe do medo, dois anos atrás—no dia em que o jogo da morte começou.

Ignorando todos aqueles apelos, eu comecei a falar com Asuna.

“...Bem, eles não são pessoas ruins. É só você ignorar o líder.”

Naquela hora, Cline golpeou minha bota com toda a força que ele podia. E vendo isso, Asuna começou a rir. Klein sorriu em retribuição, mas então voltou a si e perguntou com uma voz com uma intenção assassina.

“C-C-Como isso aconteceu, Kirito?”

Assim que percebeu que nenhuma resposta viria em mente, Asuna respondeu por mim com uma voz clara:

“É um prazer lhe conhecer. Nós resolvemos se juntar por uns tempos. Eu espero que nós fiquemos juntos um bom tempo.”

Eu fiquei chocado. Assim que eu pensei “Eh!? Não era apenas hoje !?”, Klein e seu grupo me olharam com expressões que variavam entre a raiva e a depressão.

Logo, Klein estava me segurando com raiva em seus olhos.

“Kirito, seu desgraçado...”

Eu começava a pensar em como seria difícil sair daquela situação. Então...

Passos voltaram a serem ouvidos, vindo pelo mesmo caminho que o Fuurinkazan havia chegado. Asuna ficou tensa ao ver o uniforme e segurou meu braço.

“Kirito, é <O Exército>!”

Eu imediatamente me virei para o caminho, eram as mesmas armaduras pesadas que haviamos visto na floresta. Klein pressionava sua mão com força e seus quatro companheiros ficaram atrás do muro. O grupo marchava em direção do quarto, ainda em uma formação de coluna dupla, que não parecia ter sido ordenada para se modificar desde que saíram da floresta. Os passos eram pesados e o rostos abaixo dos elmos pareciam bem cansados.

Eles pararam no muro oposto ao que nós estávamos. O homem da linha de frente deu a ordem de “separar” e então onze pessoais caíram no chão. O homem começou a andar sem se importar com os companheiros.

Agora que eu pude olhar com mais cuidado, o equipamento dele era diferente dos outros. Sua armadura não era de grande qualidade, mas havia o símbolo crescente de Aincrad desenhado no peito—algo que nenhum dos outros 12 possuía.

Ele parou na nossa frente e tirou seu elmo. Era bastante alto e parecia ter ao redor dos trinta. Tinha cabelos curtos e um par de olhos marrons e uma boca que parecia permanecer calada por muito tempo. Quando seus olhos nos alcançaram, ele começou a falar comigo, que era o que estava na frente do nosso grupo.

“Eu sou o Tenente Coronel Cobert do Exército Aincrad para a Libertação.”

Mas que porras?<O Exército> era um nome dado pelas pessoas que começaram a chamar eles assim para sacanear. Quando se tornou um nome oficial? E <Tenente Coronel>? Me sentido irritado, eu respondi consiente:

“Kirito, Solo.”

Ele então encarou e perguntou arrogante:

“Você mapeou a área daqui em diante?”

“...Sim. Eu Mapeei a área até o caminho da sala do chefe.”

“Hmm. Então eu espero que você possa nos auxiliar com os dados de mapeamento.”

Eu estava surpreso com sua atitude. Mas foi Klein, que estava atrás de mim, que ficou realmente furioso.

“O que? Auxiliar vocês com isso? Seu desgraçado, você sabe como é difícil mapear esses lugares?”

Ele disparou com uma voz rouca. Mapas de áreas não exploradas eram uma informação importante. Eles podiam ser vendidas a caçadores de tesouros, que revendiam em baús de tesouro a altos preços.

Assim que ele ouviu a voz de Klein, o cara do exército levantou sua sobrancelha e anunciou:

“Nós estamos lutando pela liberdade de jogadores como você.”

Ele elevou um pouco o queixo e continuou

“É seu dever cooperar conosco!”

-Essas palavras arrogantes existiam por atitudes como essa. O exército não vinha as linhas de frente a mais de um ano.

“Espere um momento, como você...”

“Seu, Seu desgraçado...”

Asuna e Cline, que estavam do meu lado, estavam preparados para falar, irados. Eu cruzei meus braços e os parei.

“Tá tudo bem.Eu iria espalhar isso por aí quando eu voltasse para cidade mesmo.”

“Ei,Ei! Você está sendo muito gentil Kirito!”

“Eu não tenho planos para vender mapas por dinheiro”

Assim que eu disse isso, abri o menu de trocas e um informativo fora enviado para o cara que chamava a si mesmo de “Tenente Coronel Cobert”. Ele aceitou sem nenhuma mudança em sua expressão e disse:

“Obrigado pela sua cooperação”

Sua resposta não tinha um traço de gratidão, então eu me virei de costas para ele.

E disse:

“Se quer um conselho, é melhor não atacar aquele chefe.”

Cobert olhou para trás.

“... Isso sou eu que decido.”

“Nós checamos a sala do chefe faz pouco tempo. Não é algo que você pode vencer com qualquer um. Além disso, seus homens estão muito cansados.”

“...Meus homens não são bebês chorões para ficarem cansados por coisas assim.”

Cobert enfatizou “meus homens” e sua resposta demonstrava irritação. Mas acho que os caras que estavam caídos no chão não concordavam com ele.

“Levantem seus pedaços de lixo inútil!”

Ao comando de Cobert, eles se levantaram e organizaram as duas colunas. Cobert não olhou para nós e retornou para a coluna frontal enquanto gesticulava com seu braço. Os doze homens sacaram suas armas e começaram a marchar novamente, com suas armaduras pesadas sendo escutadas a distância.

Mesmo com o 100% do HP escrito por fora, o sistema de lutas de SAO levava a uma fadiga que não podia ser vista. Nossos corpos reais no outro mundo podiam não estar movendo um músculo, mas o sentimento de cansaço só pararia quando dormíssemos desse lado. Baseado no que eu vi, aqueles jogadores do Exército já estavam exaustos, mesmo que não tivessem lutado nas linhas de frente.

“...Eu espero que eles fiquem bem...”

Klein falou com uma voz preocupa com os membros do exército que desapareceram na passagem para o andar superior com o som ritmado dos passos desaparecendo dos nossos ouvidos. Ele realmente uma boa pessoa.

“Eles não são idiotas o suficiente para desafiar o chefe, são...?”

Asuna era outra que estava preocupada. Até que falei algo que poderia ser considerado bastante imprudente.

“...Vamos só dar uma olhada no que eles vão fazer... ?”

Quando eu disse isso, não apenas Cline e Asuna, mas também os outros cinco membros do seu grupo concordaram.

...E depois eles dizem que eu que sou muito gentil...

Eu pensei nisso sorrindo. Porém, eu havia tomado minha decisão. Eu não seria capaz de dormir se saíssemos do Labirinto agora e depois ouvir que eles nunca mais voltaram.

Chequei meu equipamento rapidamente e comecei a andar, um som alcançou meus ouvidos-

Eu gostaria de dizer que era o Cline cantando a Asuna atrás de mim. Pensava se ele não tinha recebido muitos foras para se contentar, mas a conversa acabou me surpreendendo.

“Ah—Asuna-san, como eu posso dizer...esse cara, Kirito, por favor cuide dele. Ele não é bom com as palavras, não é divertido e é um viciado idiota em batalhas.”

Eu corri para trás e acertei a bandana de Klein com força.

“D-Do que você está falando!?”

“M-Mas.”

O Mestre da Katana, tocou de leve sua cabeça.

“É impressionante que você esteja junto com alguém. Mesmo que seja por que você tem uma queda pela Asuna, ainda é um progresso extraordinário. Isso é por que eu-“

“E-Eu não tenho uma queda por ela!”

Eu argumentei. Mas por alguma razão, Cline, os membros do grupo e até mesmo Asuna me olhavam com um sorriso em seus rostos. Eu não pude fazer nada além de ficar em silêncio e me virar para continuar andando.

Então eu ouvi Asuna declarar:

“Por favor, deixe ele comigo!”

E então corri pela passagem até para o próximo andar, fazendo das minhas botas verdadeiros foguetes.


Capítulo 11[edit]

Infelizmente para nós, acabamos encontrando um grupo de Homens lagartos no meio do caminho. No momento em que chegamos até o topo do daquela passagem, trinta minutos já haviam se passado e nós não tínhamos visto nenhum membro do exército.

“Talvez eles já tenham usado cristais para escapar?”

Klein disse brincando, mas nenhum de nós acreditava que eles fariam algo assim. Como resultado, nós inconsciente seguimos com nossos passos enquanto andávamos pela longa passagem.

Quando estava na metade, um som que confirmou nossos medos ecoou pelos muras. Nós imediatamente paramos para escutar.

“Ahhhh...”

O som que nós escutamos fora, sem dúvidas, um grito.

Mas ele não pertencia a um monstro. Nós olhamos uns paro os outros e começamos a correr. Por causa da nossa alta destreza, Asuna e eu corremos mais rápidos do que os outros, deixando para trás o grupo de Klein. Mas não era hora de se importar com isso. Corremos como o vento até o corredor azul brilhante, na direção oposta que havíamos partido antes.

Logo, surgiu uma passagem com gigantescas portas duplas. Elas já estavam abertas, nós podíamos ver as chamas azuis dançando dentro e uma grande sombra lentamente atravessando a escuridão. Nós ouvimos também os intermináveis sons de gritos e metais batendo.

“Não...!”

Asuna disse pesar e acelerou sua velocidade. Eu a segui um pouco atrás. Quando nossos pés tocaram no chão, era como se virtualmente nós estivéssemos no ar. Eu notei que havíamos chegado aos limites do auxilio do sistema. Enquanto os pilares de ambos os lados da passagem brilhavam.

Assim que atravessamos as portas, Asuna e eu reduzimos nossas velocidades. Faíscas saíram de nossas botas e nós paramos diante do portão.

“Ei! Você estão bem?!”

Eu me movi meu corpo para ter uma visão melhor.

Lá dentro—era como se fosse o inferno.

Chamas azuis queimavam por todo o corredor. Um figura enorme estava no meio de tudo aquilo e seu corpo brilhava como se fosse feito todo de metal. Aquele era o demônio azul: O Olhos Brilhantes.

O Olhos Brilantes carregava uma enorme espada Zanbato, sua respiração ardente parecia ser capaz de partir uma montanha. Os danos causados a ele não haviam chegado nem a um terço do seu HP. Aos redores da sala, havia algumas silhuetas que eram minúsculas comparadas ao demônio. Elas eram o grupo do exército, com seus membros ocupados em implorar por suas vidas.

Eles não tinham mais ordens para seguir. Eu chequei o número de pessoas e notei imediatamente que duas delas tinham desaparecido. Seria bom se tivessem escapado usando um item de teletransporte, mas-.

Assim que eu pensei nisso, um deles fora atingido por um dos lados da zanbato e agora estava voando. Seu HP tinha chegado a zona vermelha. Eu não sabia como tinha chegado a esse ponto, mas o demônio estava entre os membros do Exército e a saída, como resultado eles não podiam sair. Eu gritei parao jogador que havia caído.

“O que você está fazendo!? Use o item de teletransporte!”

O homem olhou para mim. Seu rosto refletia as cores brilhantes das chamas e estava repleto de desespero. Ele então retrucou;

“Não tá funcionando...! O-Os cristais não estão funcionando!!”

“Mas o...”

Eu não podia dizer nada. Isso significa que esse quarto é uma <Área Anti Cristal>? Era uma armadilha rara que aparecia nos labirintos de vez enquando, mas nunca haviam aparecido em salas de chefes até agora.

“Como pode isso...!”

Asuna estava atordoada. Esse não era um caso onde nós podíamos correr e salvar eles. Então um jogador do outro lado do demônio sacou sua espada e gritou.

“O que você estão dizendo!! A palavra retirada não existe para o exército Libertador!! LUTEM!! LUTEM EU DISSE!!”

Essa era definitivamente a voz de Cobert.

“Seu desgraçado!”

Eu gritei. O fato de duas pessoas desaparecerem em uma área anti cristais—significa que eles estavam mortos, se foram. Algo assim deveria ser evitado a todo custo e agora que aconteceu, esse idiota diz coisas assim? Eu senti meu sangue subir em irritação.

Então o Grupo de Klein chegou.

“Ei, o que está acontecendo!?”

Rapidamente eu expliquei a situação. Assim que ele ouviu, a expressão de Klein se tornou obscura.

“Não há... Não há nada que possamos fazer...?”

Nós poderíamos correr e fazer um caminho para eles escaparem. Mas se fizéssemos em um quarto onde a fuga de emergência era impossível não poderíamos ignorar a possibilidade de um de nós morrer também. Nós não tínhamos pessoas suficientes. Enquanto eu pensava, Cobert de alguma forma chegou até seus homens e começou a ordenar.

“Atacar-!”

Dois dos dez que estavam ali já haviam perdido todo seu HP e agora estava caídos no chão. Os outros oito formaram duas linhas de quarto com Cobert no meio, que coordenava o ataque com sua espada levantada.

“Não-!!”

Mas minha voz não os alcançou.

Era um ataque inútil. Se todos os oito fossem juntos, eles não seriam capazes de usar suas habilidades propriamente e apenas tornariam as coisas confusas. Eles deveriam estar lutando defensivamente, fazendo um movimento rotatório onde uma pessoa tomava damos e rapidamente trocava com o próximo membro.

O Demônio levantou sua cabeça para cima e deu um rosnado antes de lançar um jato de fogo. Parecia que a respiração dele causa danos e os oito guerreiros foram engolidos pela luz azul das chamas. O demônio viu naquilo uma chance e golpeou com sua espada enorme. O corpo de uma pessoa voou pelo ar e passou pela cabeça do demônio, caindo com força no chão a nossa frente.

Era Cobert.

Seu HP se fora. Com uma expressão de que não entendia o que estava acontecendo ele moveu sua boca.

-Isso é impossível.

Ele ficou mudo. Então, um efeito sonoro nervoso que parecia capaz de despedaçar nossas almas soou, seu corpo agora era apenas alguns polígonos se desmaterializando. Perto de mim, Asuna de um grito curto por essa morte sem sentido.

Com o líder morto, os membros do Exércitos se entregaram ao caos. Eles corriam e gritavam. Todos estavam com o HP na metade.

“Não...Não...Já chega...”

Eu ouvi a voz da Asuna em sofrimento, eu estava bem ao seu lado e imediatamente me aproximei para segurar seu braço...

Mas quando eu percebi, já era tarde demais.

“Não-!!”

Falando isso, Asuna correu em disparada. Ela sacou sua rapier e atacou o Olhos Brilhantes como um flash de luz.

“Asuna!!”

Eu gritei. Sem nenhuma escolha, saquei minha espada e a segui.

“Eh, dane-se!!”

Klein e seu grupo falaram e seguiram.

O ataque descuidado de Asuna atingiu as costas do demônio enquanto ele estava descuidado. Mas o seu HP diminui muito.

O Olhos Brilhantes rugiu, e se virou golpeando com sua zanbato. Asuna imediatamente se moveu para o lado desviando, mas ela não conseguiu fazer isso com sucesso pois estava tomada pelo choque. O segundo ataque seguiu-se até ela sem nenhuma hesitação.

“Asuna-!!”

Eu senti meu corpo congelar de medo e me coloquei entre Asuna e a lâmina. Minha espada conseguiu de alguma forma defender o ataque. Então, eu senti o impacto atravessar meu corpo e o choque me acertar.

As faíscas saíram das duas espadas, a espada do demônio atingiu o chão apenas alguns centímetros de distância da Asuna. Isso abriu um buraco no chão que devastou o chão em um efeito sonoro de explosão.

“Para trás!”

Eu disse e me preparei para os ataques do demônio. Sua espada veio repetidamente e golpeava com tanto poder que eu sentia que poderia tirar minha vida com apenas um ataque. Não havia lugar naquele espaço para eu tentar um contra ataque.

As técnicas do Olhos Brilhantes eram basicamente habilidades de espada de duas mãos. Mas elas estavam customizadas, o que tornava elas impossíveis de ler. Eu me concentrei totalmente em defender os ataques laterais e horizontais, porém eram ataques tão monstruosamente poderosos que eu sentia meu HP se esvaziar a cada movimento.

“Argh!!”

Logo, um daqueles ataques acertou o meu corpo. Senti o impacto como se o tempo tivesse parado e o meu HP começou a cair muito.

Meus equipamentos e habilidades estavam muito distantes dos dele. Se eu continuasse com isso, eu iria morrer logo. O medo de morrer me fez ter calafrios. Eu não poderia nem tentar escapar mais.

A única coisa que eu poderia fazer. Eu só conseguiria se fosse com tudo que eu tenho e causasse um alto dano.

“Asuna! Klein! Me deem 10 segundos!”

Eu disse e segurei com força minha espada para bloquear a investida do demônio e criar um ponto cego. Então, eu me atirei ao chão e rolei. Klein imediatamente tomou meu lugar e manteve o demônio para trás com sua katana.

Porém, a katana de Klein e a rapier de Asuna eram armas de grande velocidade mas que por isso não tinham tanta resistência. Percebi que não seria fácil elas bloquearem a zanbato do demônio. Mesmo no chão, eu abri o menu com minha mão esquerda.

Não podia cometer um único erro agora. Meu coração batia acelerado, enquanto eu comecei a mover os meus dedos da mão direita. Eu abaixei a lista de items, peguei um e equipei no espaço em branco no campo do equipamento. Então eu abri a janela de habilidades e mudei as habilidades da minha arma.

Terminando, eu toquei o botão de Ok e fechei a janela. Confirmei o peso adicional nas minhas costas, levantei minha cabeça e gritei?

“Eu terminei!!”

Eu vi Klein ser atingido, seu HP diminuiu enquanto ele deu alguns passos para trás. Normalmente ele usaria um cristal para se curar, mas isso não era possível naquele lugar. Agora, Asuna que estava lutando contra o demônio, e em alguns segundos o HP dela já estava na metade, ficando amarelo.

Depois que ela me ouviu, Asuna assentiu de costas para mim e saltou antes de executar uma ataque de perfuração.

“Yaaaa!”

Uma faixa branca de luz voou pelo ar e atingiu a arma do Olhos Brilhantes, gerando faíscas. Assim que o estrondo soou, a distância entre Asuna e o demônio se alargou.

“Trocar!!”

Eu não poderia perder a oportunidade de atingir o inimigo. O demônio rapidamente se recuperou do efeito de paralisação e levantou sua espada para o alto. Com minha espada na mão direita eu bloqueei a lâmina que veio em um trajetória em chamas. Então, alcancei minhas costas com minha mão esquerda e a coloquei sobre o cabo da nova espada. A puxei e realizei um movimento suave. O HP do demônio reduziu de uma forma notável após o primeiro ataque ser registrado.

“Kwuaaaaa!”

O demônio rugiu em fúria e iniciou outro ataque vertical. Dessa vez, eu cruzei minhas duas espadas e bloqueei completamente. No momento que senti que ele ficou desequilibrado, decidi quebrar a formação defensiva e iniciar um ataque em combo.

Minha espada direita golpeou na parte média do demônio. Minha espada esquerda imediatamente seguiu em um corte vertical que atravessou seu corpo. Direita, esquerda e direita novamente. Eu movia minhas espadas rapidamente enquanto os nervos do meu cérebro pareciam que teriam uma sobrecarga. O Som do metal cortando ressoando enquanto uma após outra as luzes brancas clareavam o ar.

Essa era a habilidade extra que eu estava escondendo, <Lâminas Duplas> e a técnica que eu estava usando era a habilidade de alto nível <Explosão Estrelar>, uma sequência de 16 ataques.

“Ahhhhh!!”

Sem prestar a atenção nos ataques que a espada do inimigo conseguia bloquear, eu segui gritando e atacando incansavelmente com minhas espadas. Meus olhos ardiam e minha visão apenas enxergava o demônio. Todos os ataques do demônio atravessaram meu corpo, mas eu sentia os impactos apenas como se fossem de um mundo distante de mim. Enquanto isso a adrenalina seguia a correr pelo meu corpo, enquanto o meu cérebro era perfurado por choques toda vez que minhas espadas atravessavam o inimigo.

Mais rápido e mais rápido. O ritmo dos cortes já havia excedido o dobro da velocidade normal, mas para mim era como se tudo corresse lentamente. Eu continuava meu ataque embora parecesse que eu estava excedendo totalmente o auxilio do sistema.

“…ahhhhhhhhhh!!”

Gritando, eu executei o ultimo dos meus 16 ataques e atravessei o peito do Olhos Brilhantes.

“Kkaaaaaahh!!”

Quando meus sentidos retornaram, eu notei que era o único gritando. O enorme demônio rugiu e respirou com força.

Então seu corpo congelou, e assim que percebi-

O Olhos Brilhantes se quebrava em incontáveis fragmentos azuis. Fragmentos que agora choviam por toda a sala.

Então…Acabou…?

Senti-me tonto graças aos efeitos da batalhas, eu normalmente colocaria minhas espadas simultaneamente em minhas costas. Eu olhei imediatamente para o meu HP. Estava no vermelho com apenas alguns dígitos restando. Assim que eu olhei para o meu HP, subitamente eu senti uma força puxando meu corpo e cai sobre o chão, mudo.

Minha visão então escureceu.


Capítulo 12[edit]

“…to! Kirito!”

Os chamados de Asuna, que eram verdadeiros gritos, me forçaram a acordar. Assim que eu levantei, a dor voltou a atingir a minha cabeça e fez meu rosto se contorcer.

“Owww...”

Eu olhei para os lados e vi que ainda estávamos na sala do chefe. Fragmentos azuis brilhantes ainda flutuavam. Parece que eu havia perdido a consciência por alguns segundos.

Asuna estava de joelhos no chão, seu rosto estava bem de frente ao meu. Ela parecia trêmula e mordia o seu lábio inferior. Parecia que ela iria começar a chorar.

“Seu idiota...! Por que…!?”

Fora o que ela disse, antes de pular nos meus braços e me abraçar. O choque foi suficiente para me fazer esquecer a dor por um momento. Eu só consegui piscar, surpreso.

“...Não me abrace tão forte. Você vai fazer meu HP desaparecer.”

Eu disse isso em um tom de brincadeira. Mas Asuna respondeu com uma expressão irritada. Ele colocou um pequeno pote em minha boca. O liquido que fluía agora pelo meu corpo tinha gosto de suco de limão misturado com chá verde. Em apenas cinco minutos havia restaurado todo o meu HP, mas minha fadiga estava longe de acabar.

Asuna olhava para o pote para confirmar se eu havia bebido tudo. Então, seu rosto começou a corar e ela colocou sua testa sob meu ombro para esconder.

Eu levantei minha cabeça ao ouvir o som de passos e vi Klein se aproximando. Ele parecia um pouco triste por nos interromper, mas começou a falar.

“Nós acabamos de curar todos os membros restantes do Exército, mas Cobert e dois dos seus homens morreram...”

“... É... Essa é a primeira vez que alguém morre durante uma luta contra um chefe dês do 67° andar...”

“Isso nem foi uma luta. Aquele idiota do Cobert... Você não pode lutar se está morto...”

Klein cuspiu e deu um longo suspiro, balançando sua cabeça e me perguntou tentando mudar um pouco de humor.

“Voltando ao assunto, o que diabos foi aquilo!?”

“... Eu realmente preciso explicar para você?”

“É claro! Eu nunca vi algo como aquilo antes!”

Eu então percebi que, com exceção de Asuna, todos na sala olhavam para mim, esperando uma resposta.

“... É uma habilidade extra: <Lâminas Duplas>.”

Olhares surpresos tomaram conta de Klein, seu grupo e os sobreviventes do Exército.

Todas as habilidades das armas têm que ser aprendidas em ordem de alcançar outros tipos. Pegue as espadas, por exemplo, você tem que treinar com as de uma mão antes da <Rapier> ou a <Espada de duas mãos> aparecerem na sua lista.

Naturalmente, Klein estava interessado, então ele me apressou a falar o resto.

“E as condições para conseguir, você sabe?”

“Se eu soubesse, eu já teria dito.”

Balancei minha cabeça, Klein suspirou e murmurou.

“Você está certo...”

Habilidades de armas que não tinham condições claras para aparecer eram chamadas de habilidades extras. Elas muitas vezes tinham o que chamávamos de “condições aleatórias”. Pegando por exemplo a <Katana> do Klein. Katanas não são tão raras, pois aparecem se você treinar muito habilidades de Espada Curvada.

Mais ou menos 10 habilidades extras tinham sido encontradas até agora, incluindo a Katana, que tinha no mínimo 10 usuários de cada uma delas. As únicas exceções eram minhas <Lâminas duplas> a habilidade extra daquele homem.

Essas duas eram aparentemente limitadas a apenas uma pessoa, por isso eram chamadas de <Habilidades únicas>. Eu havia escondido a existência dessa minha habilidade até agora, mas a partir de hoje, as notícias de que eu sou o segundo usuário de habilidade única correria pelo mundo. Não há como eu esconder mais depois de usar na frente de tantas pessoas.

“Eu estou desapontado, Kirito. Você nem me vai dizer como conseguiu essa habilidade incrível.”

“Eu diria para você, se eu soubesse as condições para ela aparecer. Mas eu realmente não sei como aconteceu.”

Eu respondi a Klein e cruzei os ombros.

Eu não menti no que eu disse. Há cerca de um ano, eu abri o menu de habilidades e encontrei a habilidade <Dual Blades> bem ali. Eu não tenho idéia de quais são as condições para ela aparecer.

Desde então, eu treinava apenas quando não tinham ninguém por perto. Então depois que a dominei completamente, passei a raramente usar em monstros exceto em situações de

emergência. Para me proteger durante crises e por que simplesmente sei que esse tipo de habilidade chama a atenção.

Eu penso que seria até melhor se outro usuário de Lâminas Duplas aparecesse-

Eu observei a área e então murmurei.

“... Se souberem que eu tenho uma habilidade rara, as pessoas não vão apenas me encher para conseguir informações, como vou atrair outros problemas também...”

Klein assentiu.

“Jogadores de MMO ficam com inveja muito facilmente. Eu sou um cara muito compreensivo, mas tem muitas pessoas invejosas por aí. Sem mencionar...”

Subitamente Klein parou de falar e olhou para Asuna, que ainda estava me abraçando carinhosamente e sorrindo.

“... bem, considere o sofrimento outra forma de treino, jovem Kirito.”

“Então, para você é apenas problema de outra pessoa...?”

Klein se inclinou e bateu no meu ombro, então se virou e partiu em direção aos sobreviventes do <O Exército>;

“Ei, vocês, acham que podem voltar ao QG sozinhos?”

Um deles assentiu. Ele era um garoto que parecia apenas um adolescente.

“Ok. Diga aos seus superiores o que aconteceu aqui hoje e diga que eles não devem fazer algo estúpido de novo.”

“Sim... e, err... Obrigado.”

“Agradeça aquele cara ali atrás.”

Klein apontou para minha direção. Os jogadores do exército se levantaram trêmulos e partiram olhando para Asuna e eu, que estava ainda no chão e então fizeram uma reverência, antes de sair daquele lugar. Após chegar ao corredor, eles usaram seus cristais e se teletransportaram.

Depois que o brilho azul desapareceu, Klein colocou a mão sobre o queixo e começou a falar.

‘Bem, vamos ver... Nós vamos continuar até o septuagésimo quinto andar e abrir e abrir o caminho de lá E quanto a você? Você é homem do dia, então quer fazer as honras?”

“Não, eu deixo isso para você. Eu estou acabado.”

“Nesse caso... Tome cuidado no caminho de volta.”

Klein sorriu e sinalizou para seus companheiros. Os seis andaram em direção a grande porta no final da sala. Atrás dela estão as escadas para o próximo andar. O mestre Katana parou em frente a porta e se virou.

“Ei... Kirito. Sabe quando você correu para salvar os membros do Exército...”

“... O que tem isso?”

“Eu estou... Bem, muito orgulhoso. Isso é tudo. Te vejo por aí.”

Eu não consegui captar o que ele queria dizer. Enquanto eu pensava, Klein abria a porta e desaparecia com seu grupo.

Apenas Asuna e eu ficamos naquela enorme sala. As chamas azuis que antes brilhavam já haviam desaparecido há algum tempo, a atmosfera sinistra daquele lugar se fora sem deixar rastros. Uma luz fraca brilhava do corredor que ligava a esse lugar. Nem um sinal de batalha havia restado.

Eu disse alguma coisa a Asuna, que continuava com sua cabeça em meus ombros.

“Ei... Asuna...”

“... Eu estava com tanto medo... Eu não saberia o que fazer... Se você morresse.”

Sua voz estava fraca. Na verdade, estava mais fraca desde que eu a conheci.

“... Do que você está falando? Você foi quem avançou primeiro.”

Eu disse aquilo e gentilmente coloquei minha mão sobre o ombro de Asuna. Uma bandeira de infração de maneiras surgiria se eu a agarrasse, mas isso não me preocupava.

Enquanto eu a puxava calmamente, meus ouvidos quase não escutaram a sua voz pequena.

“Eu vou tirar umas férias da Guilda.”

“Tirar umas férias... Por quê?”

“... Eu disse que iria ser sua companheira por um tempo... Você esqueceu?”

Assim que eu ouvi isso...

Em algum lugar do meu coração, um sentimento que eu não conseguiria descrever tomou conta de mim. Isso me surpreendeu.

Eu - O jogador solo Kirito - uma pessoa que havia abandonado todos os outros jogadores para me manter vivo nesse mundo. Eu era um covarde que virou as costas para seu único amigo e fugiu por dois anos, até o dia em que isso começou.

Uma pessoa como eu, não deve ter o direito de desejar ter um companheiro—muito menos algo mais do que isso.

Eu já havia percebido o caminho que escolhi era doloroso e imperdoável. Eu queria nunca mais desejar isso novamente, nunca me importa com os outros.

Mas-

Minha mão esquerda, que estava rígida, não deixava Asuna sair de perto de mim. Eu simplesmente não podia me afastar do calor virtual do seu corpo.

Eu queimava diante de uma grande contradição, um conflito dentro de mim com essa emoção inexplicável, quando eu respondi da forma mais curta que podia.

“...okay.”

Depois de ouvir minha resposta, Asuna se encostou mais próxima do meu ombro.

No dia seguinte.

Eu estava escondido no segundo andar da loja do Egil desde manhã. Estava sentando em uma cadeira feita de pedras com minhas pernas cruzadas e bebendo um chá de sabor estranho, até eu perceber que era um produto defeituoso. Eu também estava de péssimo humor.

Toda Algate—não, provavelmente toda Aincrad deveria estar ocupada discutindo os eventos de ontem.

Andar concluído, o que significava a abertura de uma nova cidade, o suficiente para começar uma exorbitante quantidade de fofocas. Porém dessa vez, muitos rumores estava misturados, como <O demônio que exterminou o batalhão do Exército> e <O Espadachim das Lâminas Gêmeas que matou o demônio sozinho com uma seqüência de 50 golpes.>>... Deveria existir um limite do quanto eles poderiam exagerar nessas coisas.

De alguma forma, eles descobriram onde eu estava vivendo. Como resultado, espadachins e vendedores de informações cercavam a minha casa desde madrugada. Eu acabei tendo problemas e precisei usar um cristal de teletransporte para escapar.

“Eu vou me mudar... Para algum andar super rural, para algum vilarejo onde eles nunca possam me encontrar...”

Enquanto eu murmurava isso sem parar, Egil se aproximou com um sorriso no rosto.

“Ei, não seja assim. É bom ficar famoso alguma vez na vida. Por que você não vai lá fazer um discurso? Eu posso cuidar dos ingressos e da passagem...”

“Sem chance!”

Eu disse isso e joguei o copo de chá com a minha mão direita, acertando uma área a apenas cinqüenta centímetros da cabeça de Egil. Como estou habituado a ativar a minha habilidade de Jogar Arma o copo acabou atingindo a parede em alta velocidade, deixando um rastro de luz antes de ser esmagado pela parede fazendo barulho. Apesar disso, esse quarto era um objeto indestrutível, então nada que acontecesse graças ao sistema de <Objetos Imortais>. Se eu tivesse jogado uma peça da mobília ela seria destruída com certeza.

“Ah, você está tentado me matar?!”

Quando o vendedor gritou isso, apesar de estar exagerando, eu levantei minha mão direita em sinal de desculpas e apoiei minhas costas contra a cadeira novamente.

Egil estava examinando o tesouro que eu havia recebido da luta de ontem. Toda vez ele fazia muito barulho, o que provavelmente significava que eram itens muito bons e valiosos.

Eu planejava me equiparar a Asuna em questão de dinheiro vendendo o que tinha conseguido, nossa promessa de se encontrarmos estava de pé, mas ela ainda não tinha chegado. Eu já tinha enviado uma mensagem, então ela deveria saber onde eu estava.

Nós chegamos à praça central pelo telentransporte no 74° andar onde. Ela disse que iria ao QG da KoB para acertar as suas férias, em Gradum uma cidade do 55° andar. Eu perguntei se ela não queria que eu fosse com ela, por causa de todos os problemas com Cradil. Mas ela disse que ficaria tudo bem com um sorriso no rosto e eu abandonei esse pensamento.

Já havia se passado duas horas desde a hora prometida. Se ela estava tão atrasada, então alguma coisa teria acontecido? Eu deveria ir atrás dela? Eu bebi o chá em um só gole para acalmar minha ansiedade.

Justo no momento em que coloquei o pote de chá na minha frente e Egil terminava suas observações, eu ouvi passos apressados na escada. Então, a porta se abriu com força.

“Ei, Asuna...”

Eu quase disse “você está atrasada”, mas me controlei. Asuna estava usando seu uniforme como de costume, mas seu rosto estava pálido e a preocupação era visível em seus olhos. Ela tinha ambas as mãos sobre o peito, enquanto mordia seus lábios duas, três vezes, então disse:

“O que vamos fazer... Kirito...”

Ela forçava a voz sair, mas estava perto de chorar.

“Alguma coisa... ruim aconteceu...”

Depois de beber um pouco de chá, um pouco de vida voltou ao rosto de Asuna e ela começou a se explicar um tanto hesitante. Egil voltou ao primeiro andar percebendo a atmosfera.

“Ontem... Depois que eu voltei do QG em Grandum, eu reportei tudo que havia acontecido ao líder da guilda. Então eu disse que queria tirar umas férias da guilda e voltar para casa... Eu pensava que conseguiria a permissão durante o encontro matinal da guilda...”

Asuna, que estava do lado oposto ao meu, estava com os olhos cabisbaixos e segurava o copo de chá, trêmula, antes de continuar.

“O líder... disse que eu poderia ter um repouso dos deveres na guilda. Mas haveria uma condição... Ele disse que... queria lutar... contra você, Kirito...”

“O quê?”

Eu não pude entender o que ele havia dito naquele momento. Lutar... Isso significa um duelo? O que um duelo teria a ver com Asuna descansar um pouco?

Quando eu fiz essas perguntas...

“Eu também não sei”

Asuna balançou sua cabeça olhando para o chão.

“Eu tentei argumentar com ele, mas não consegui... ele simplesmente não me escutava...”

“Mas... Isso é problemático. Para um cara como ele apresentar uma condição como essa...”

Eu murmurei criando uma imagem do líder da KoB em minha mente.

“Eu sei. O líder normalmente deixa que nós façamos as estratégias para concluir os andares, deixando todas as atividades da guilda. Mas eu não sei por que dessa vez ele...”

Apesar do líder da KoB esbanjar carisma, o que o tornava admirado por não apenas os membros de sua guilda, mas também a maioria dos membros da linhas de frente, ele nunca havia dado ordens ou instruções. Eu lutei ao lado dele em algumas lutas contra chefes e era incrível a sua capacidade de se manter em frente sem dizer uma única palavra.

Para um cara como esse fazer objeções e criar uma condição de ter um duelo comigo, o que diabos poderia ser tudo isso?

Mesmo estando completamente confuso, eu pedia para Asuna se acalmar.

“... Bem, vamos para Grandum primeiro. Eu vou tentar falar com ele diretamente.”

“É... Desculpa. Eu estou sempre te causando problemas...”

“O que tiver que ser feito, eu farei com prazer por que você...”

Asuna olhou para mim com expectativa, enquanto eu parava em meio à sentença.

“... minha importante parceira.”

Asuna ocultou sua insastifação e então revelou um sorriso terno.

O homem mais forte. A Lenda Viva. O Paladino e etc., etc., o líder da Knights of the Blood tinha tantos títulos que você não conseguiria nem contar com suas mãos.

Seu nome era Heathcliff. Antes das minhas <Lâminas Duplas> ele era conhecido como o único dono de uma habilidade única entre os 6 mil jogadores restantes de Aincrad.

Sua habilidade extra era uma cominação de espada e escudo, ambos cruzados, formando uma combinação perfeita de ataque e defesa. Seu nome era <Espada Iluminada>. Eu havia visto ela algumas vezes, notando que aquela habilidade tinha como aspecto mais útil sua incrível força defensiva. Rumores falavam que ninguém viu seu HP chegar a área amarela. Durante a batalha no 50º andar, onde o chefe havia causado pesadas perdas aos jogadores, ele se manteve na linha de frente sozinho por dez minutos. Esse feito continua popular em conversas até hoje.

Não havia arma que pudesse perfurar a o escudo em cruz de Heathcliff.

Isso era um dos princípios mais aceitos em Aincrad.

Assim que eu cheguei ao 55º andar com Asuna, eu me senti muito nervoso. É claro, eu não tinha a intenção de cruzar espadas com Heathcliff. Eu apenas iria pedir para que ele aceitasse o pedido de Asuna por umas férias temporárias; esse era meu único objetivo.

Grandum, a área habitada do 55°, tinha o apelido de <Cidade de Aço>. Isso era por que Grandum diferente das outras cidades que foram construídas com pedras, ela havia sido construída usando aço escuro. A cidade em si, tinha muitas ferrarias e a população de jogadores era bem grande. Porém, não havia nenhuma árvore ou sinal de ver ao redor das ruas, o que causava a sensação de que aquela cidade era castiga pelos ventos no inverno.

Nós seguimos para a praça central e andamos por toda a estrada, que era feito de placas de aço ao invés de concreto. Os passos de Asuna estavam pesados; talvez por que estivesse com medo do que poderia acontecer.

Nós passamos pelas torres de aço por alguns minutos até chegar a uma gigantesca torre que aparentava ser muito maior que as demais. Lanças de prata estavam colocadas sobre os enormes portões, e algumas bandeiras brancas com cruzes vermelhas eram movimentadas pelo vento. Esse era o QG da Knights of the Blood.

Asuna parou na minha frente. Ela olhou para torre por um momento e disse:

“Antes, o QG era uma pequena casa em um vilarejo do interior, no 39º andar. Todos diziam que era bem pequena e acolhedora. Eu não sou contra a expansão da guilda... mas essa cidade é muito fria, eu não gosto disso...”

“Então vamos apenas entrar logo; para irmos comer alguma coisa quente.”

“Você sempre está falando de comer.”

Asuna sorriu e moveu sua mão esquerda que gentilmente segurou os dedos da minha mão direita. Ela não olhou para mim, que estava perplexo atrás dela e fiquei assim por alguns segundos.

“Ok, carregamento completo!”

Então ela soltou minha mão e seguiu andando pelos corredores. Eu me apressei e a segui.

Depois de subir as escadas, nós chegamos a um portão duplo, onde havia guardas fortemente equipados de ambos os lados. Asuna andou até eles, com o som de suas botas soando pelo chão. Assim que ela se aproximou deles, ambos os guardas a reverenciaram elevando suas lanças.

“Obrigada pelo seu trabalho duro.”

Com sua resposta ríspida, ela seguiu confiante. É difícil acreditar que ela é a mesma garota depressiva que eu encontrei na loja do Egil uma hora atrás. Seguindo de perto a Asuna, eu passei pelos guardas e entrei na torre com ela.

Como as outras construções em Grandum, essa torre também era feita de metal negro. O saguão de entrada era espaçoso, mas não havia sinal de nenhuma pessoa ali.

Pensando bem, essas construções eram ainda mais frias que as ruas lá fora, nós passamos por um andar repleto de mosaicos, que foram meticulosamente construídos com várias peças de metal e se tornaram uma escadaria em espiral.

Nós seguimos pelas escadas, com nossos passos ecoando por todo o salão. As escadarias eram longas e uma pessoa com pouca vitalidade cansaria na metade do caminho. Depois de passarmos por incontáveis portas, eu comecei a me preocupar com o quanto ainda teríamos que andar. Então Asuna finalmente parou em frente a uma fria porta de aço.

“É aqui...?”

“Sim...”

Asuna assentiu, com uma expressão relutante no rosto. Ela parecia ter chegado a uma decisão, levantou sua mão direita e bateu de leve na porta, que se abriu sem responder. Eu quase fui cegado pelo brilho que emanava daquele quarto.

Dentro daquela sala estava o que poderia ser o andar inteiro daquela torre. Os muros feitos ambos de vidro transparente. A luz passava por elas e coloria a sala com um tom de cinza.

Uma grande mesa circular estava no centro do local; com cinco homens sentados em cadeiras atrás. Eu nunca tinha visto os outros quatro dos lados, mas eu reconheci o que estava no meio. Era o paladino Heathcliff.

Ele não parecia tão imponente. Sua idade deveria ser algo perto dos vinte e cinco anos. Suas feições eram afiadas como a de um estudioso e ele tinha um fio de cabelo cinza passando por sua testa. Um manto vermelho e um corpo alto e magro, que o fazia parecer mais um bruxo do que um espadachim.

Mas havia algo em seus olhos. Aqueles misteriosos olhos emitiam um forte magnetismo nas pessoas. Essa não era a primeira ver que eu o conhecia; mas sendo sincero, eu estava intimidado.

Asuna andou até a mesa, fazendo o som de suas botas novamente ecoarem.

“Eu vim aqui dizer Adeus.”

Heathcliff deu um sorriso em resposta:

“Não precisa se apressar; Por favor, deixe que ele se aproxime para que eu possa falar com ele primeiro.”

Ele olhou para mim quando disse isso. Eu então segui e me coloquei próxima a Asuna.

“Essa é a primeira vez que nós nos encontramos fora de uma luta contra chefes, Kirito?”

“Não...Nós conversamos um pouco durante o encontro estratégico do 67°.”

Eu respondi em um tom formal, sem perceber.

Heathcliff assentiu e suspirou, colocando suas mãos juntas ao topo da mesa.

“Essa fora uma batalha difícil. Nós tivemos muitas casualidades em nossa guilda. Até mesmo a proclamada mais poderosa guilda, sofre com a falta de pessoal. E nesse momento você está tentando levar um dos nossos mais preciosos jogadores.”

“Se ela é tão preciosa assim, por que não poderiam escolher melhor os guarda costas?”

O homem do lado direito moveu-se, com sua expressão alterada. Mas Heathcliff o parou com um simples movimento das mãos.

“Eu ordenei que Cradil voltasse para casa e refletisse com seus erros. Eu devo me desculpar por quaisquer problemas que ele tenha lhe causo. Mas, nós não podemos ficar aqui parados enquanto você leva nossa sub-líder embora. Kirito-“

Ele subitamente me encarou; seus olhos metálicos mostravam uma determinação incansável.

“Se você quer tela—vença com sua espada, com suas <Dual Blades>; Se você lutar comigo e vencer, então Asuna pode ir com você. Mas se você perder, então você vai ter que se juntar a Knights of the Blood.”

“...”

Eu senti que agora podia entender um pouco aquele homem misterioso.

Ele era completamente obcecado por duelos. Além disso, ele tinha uma inquestionável confiança em suas próprias habilidades. Ele era uma pessoa sem esperanças que não poderia jogar fora seu orgulho como jogador depois de ser preso nesse jogo da morte. Em outras palavras, ele era como eu.

Depois de ouvir as palavras de Heathcliff, Asuna que se manteve em silêncio até aquele momento, abriu sua boca e falou o que não podia mais suportar.

“Líder, eu não disse que iria sair da guilda. Eu apenas quero uma saída temporária, para ficar um pouco em paz e pensar em algumas coisas...”

Eu coloquei minha mão sobre o ombro de Asuna, suas palavras se tornaram mais agitadas, então dei um passo a frente. Eu encarava Heathcliff diretamente e minha boca se moveu sozinha.

“Ok. Se você quer conversar por nossas espadas, então eu não tenho objeções. Vamos decidir isso em um duelo.”

“Aun--!!! Idiotaidotaidiota!!!”

Nós voltamos para Algade, no segundo andar da loja do Egil. Depois de sermos perseguidos pelos olhares curiosos dos compradores do primeiro andar, eu tentei acalmar a Asuna.

“Eu estava tentando convencer ele, então você simplesmente diz uma coisa dessas!!!”

Asuna sentava-se sobre o braço da cadeira onde eu estava, me acertando com seus punhos.

“Me desculpa! Me desculpaaaa! Eu simplesmente fiz…”

Ela finalmente se acalmou quando eu gentilmente segurei seus punhos; mas agora ela estava fazendo um beicinho. Eu me controlei para não rir da diferença que entre ela dentro do QG e dela agora.

“Está tudo bem. Nós vamos decidir isso usando regras de primeiro ataque, então não vai ser perigoso. Além disso, eu não perderei...”

“Uru~...”

Asuna tomou um olhar irritado e cruzou os braços.

“… quando eu vi as <Lâminas Duplas> do Kirito, eu pensei que sua habilidade estava em um nível completamente diferente. Mas é a mesma coisa com a <Espada Iluminada> do líder... qualquer um pode dizer que esse poder é forte o suficiente para destruir o equilíbrio do jogo. Sinceramente, eu não sei quem vai vencer... Mas, o que você vai fazer? Se você perder, não importa se eu descansarei, você terá de se juntar a KoB. Kirito.”

“Bem, você pode dizer que eu ainda quero alcançar meu objetivo, então depende de como você pensa nisso.”

“Eh? Por quê?”

Eu forcei minha boca a abrir e responder.

“Err, bem, assim... enquanto você estiver comigo, eu não me importo em me juntar a guilda.”

No passado, eujamais diria algo como isso, nem que fosse para salvar minha própia vida. Os olhos de Asuna mostravam sua surpresa e seu rosto ficou vermelho como uma maçã. Então, por alguma razão, ela ficou em silêncio e seguiu em direção a janela.

Estando próximo a Asuna, eu podia ouvir todos os sons de Algate.

O que eu havia dito era verdade, mas eu ainda estava relutante em tornar-me membro de uma guilda. Assim que eu me lembrei do nome da única guilda que eu pertenci, que não existe mais hoje, a dor atravessou meu coração.

“Bem, eu não tenho a intenção de perder...”

Eu pensei. Então me levantei da cadeira e me aproximei de Asuna.

Depois disso, Asuna repousava sua cabeça sobre o meu ombro direito.


Capítulo 13[edit]

A nova área aberta no 75º andar era uma cidade que lembrava a Roma antiga. De acordo com o mapa seu nome era <Collinia>. Toda cidade estava ativa, graças ao grande número de lutadores e mercadores que se instalavam ali, assim como outros que não necessariamente estavam ajudando a concluir o jogo, mas vieram dar uma olhada. Porém, a maior razão para toda aquela gente era um evento especial que seria realizado hoje. Então muitas pessoas surgiam nos portões de teleporte desde a manhã.

A maior parte da cidade era construída com tijolos quadrados de uma coloração branca. Uma construção parecida com um templo e repleta de hidrovias; esse era o grande coliseu frente à praça central. Era perfeito para o duelo entre Heathcliff e eu. Mas...

“Pipoca de Sopro do Dragão por dez Coll a unidade! 10 Coll!”

“Cerveja Preta fria a venda...!”

Diversos mercadores estavam vendendo seus produtos em frente à entrada do coliseu; eles gritavam para a longa fila de espectadores, vendendo seus refrescos esquisitos.

“... mas, o que é isso…?”

Chocado pelo que estava diante de mim, eu só pude perguntar a Asuna, que estava ao meu lado.

“E-Eu não sei...”.

“Ei, aquele não é um membro da KoB vendendo tíquetes? Como isso se tornou um evento de grande porte!?”

“E-Eu não sei...”.

“Esse é o verdadeiro objetivo do Heathcliff...?”

“Não, eu acho que o chefe das finanças, Daigen-san, que está por de trás disso. Ele não perderia uma oportunidade como essa.”

Assim que Asuna começou a rir, eu cruzei meus braços e me senti completamente impotente.

“... Vamos fugir Asuna. Nós podemos viver em algum vilarejo pequeno no 20º andar e plantar alguma coisa.”

“Por mim tudo bem, mas...”.

Asuna adicionou, ameaçadora:

“Você vai sujar muito o seu nome se fugir agora.”

“Droga...”

“Bem, isso não é sua culpa, é? Ah... Daigen-san.”

Assim que eu levantei minha cabeça, eu vi um homem gordo andando em nossa direção; ele era tão largo que era impossível encontrar uma pessoa mais inadequada para vestir o uniforme vermelho e branco da KoB. Com um grande sorriso cobrindo seu rosto, ele falou conosco:

“Graças ao Kirito-san, nós estamos fazendo muita grana! Se tu fizeres isso todo mês, eu vou ficar muito grato!”

“Sem chance!”

“Vamos, vamos, a sala de espera é bem ali. Venha, por aqui.”

Eu aceitei meu destino e o segue. Eu não me importava mais com o que poderia acontecer.

A sala de espera era um lugar pequeno comparado a arena. Depois de Daigen me escoltar até a entrada ele disse alguma coisa sobre ajustar os melhores preços e desapareceu. Eu não tinha mais forças nem para amaldiçoá-lo mais. Da sala de espera, eu pude ouvir incontáveis gritos de torcida. Parecia que o auditório estava completamente cheio.

Quando só restávamos nós dois, Asuna segurou minha mão com ambas às mãos e falou com uma expressão séria.

“... Mesmo sendo uma partida de primeiro ataque, será perigoso se você o atacar direito com um golpe crítico. Especialmente por que muitos dos movimentos do líder ainda são desconhecidos, você deve fugir se sentir que alguma coisa está errada, entendido? Eu nunca vou te perdoar se você fizer algo perigoso como da ultima vez!”

“Você deveria estar se preocupando mais com o Heathcliff.”

Eu sorri e dei um tapinha leve nos ombros de Asuna.

Assim que o narrador declarou o começo do duelo os espectadores deram um rugido estrondoso. Eu puxei minhas duas espadas das minhas costas levemente e as coloquei de volta com um *clang*. Depois disso, comecei a andar em direção do centro do campo.

Todos os lugares ao redor do anfiteatro estavam lotados. Eu suponho que havia cerca de mil espectadores. Eu pude ver Cline e Egil na parte frontal, gritando coisas perigosas como “Acaba com ele!” e “Mata ele!”.

Andei até o centro e parei. Então, uma silhueta vermelha emergiu da sala de espera oposta e os gritos se tornaram mais intensos.

Diferente do uniforme normal da Knights of the Blood, que era vermelho e branco, Heathcliff usava um vermelho em locais opostos ao normal. Além disso, ele parecia quase sem armadura, usando apenas um enorme e branco escudo em forma de cruz em sua mão esquerda que imediatamente chamou minha atenção. Sua espada parecia oculta no escudo, mas eu pude ver também um formato de cruz próximo ao topo.

Heathcliff andou casualmente até ficar frente a frente comigo. Ele olhou para a torcida e falou com um pequeno sorriso.

“Eu devo me desculpar, Kirito-kun. Eu não tinha idéia que isso iria acontecer.”

“Eu vou pedir a minha parte do meu dinheiro depois.”

“Não... Depois dessa luta, você será parte da nossa guilda. Eu vou designar esse duelo como uma das missões dela.”

Heathcliff apagou seu sorriso, eu seus olhos começaram a passar uma energia. Intimidado, eu, inconscientemente, dei meio passo para trás. Na realidade, nós estávamos separados, muito distantes um do outro, com apenas dados digitas passando diante de nós, mas eu sentia o que poderia ser chamado de intenção assassina.

Minha mente mergulhou em seu modo de batalha e meus olhos receberam o olhar de Heathcliff com a cabeça levantada. O som da torcida parecia agora se distanciar, antes que eu pudesse perceber, meus sentidos estavam acelerados e eu sentia que até mesmo as cores ao meu redor haviam mudado.

Heathcliff desviou seu olhar e andou até uma área a 10 metros de distância. Ele levantou sua mão direita e manipulou o menu, que surgiu sem mesmo prestar atenção nele. A mensagem de duelo apareceu na minha frente. Eu aceitei e iniciou-se o modo de primeiro ataque.

O contador começou. Eu mal podia ouvir o que se passava ao meu redor agora.

Meu sangue começou a correr mais rápido. Eu acabei com os últimos traços de hesitação e me deixei dominar pelo desejo de lutar. Então, puxei minhas duas espadas das minhas costas ao mesmo tempo. Meu oponente não era alguém que eu podia vencer sem usar tudo que eu tinha desde começo.

Heathcliff puxou sua longa e magra espada do seu escudo, então entrou em posição de combate.

Ele levantou o escudo e o colocou na minha frente e moveu o lado direito do seu corpo para longe de mim. Eu não senti nenhum sinal de força para fazer um movimento como aquele. Percebi que ele estava tentando prever minhas ações ou apenas tentando me confundir, então decidi que simplesmente iria atacar imediatamente com força total.

Mesmo que nenhum de nos tenha olhado para o menu, ambos saltamos assim que a mensagem <Duelo> surgiu.

Eu me abaixei enquanto corria, meu corpo estava tão próximo do chão que eu podia senti-lo.

Eu girei meu corpo antes de me aproximar de Heathcliff e golpeei com minha espada na mão direita acima da esquerda. Isso foi bloqueado pelo escudo em forma de cruz e mandado de volta com algumas faíscas. Meu ataque era dividido em um combo duplo. Um segundo após o primeiro ataque, minha espada esquerda deslizou por de trás do escudo. Era uma habilidade das Lâminas Duplas do tipo velocidade <Circular Duplo>.

O ataque da esquerda foi defletido pela espada longa; o efeito de luz circular foi parado no meio do caminho. Isso fora desapontador, esse movimento era apenas um sinal do começo da luta. Usando a força da habilidade com espada, eu diminuí a distância entre nós novamente e ataquei meu oponente mais uma vez.

Dessa vez, Heathcliff contra atacou com seu escudo. Seu braço direito estava oculto pelo enorme escudo em cruz, tornado-se difícil ver.

“Che!”

Eu disparei para direita para tentar desviar do ataque. Pensei que se ficasse no lado do escudo de Heathcliff teria tempo para reagir diante de ataques que eu não podia ver a trajetória. Mas Heathcliff levantou seu escudo para horizontal.

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“Haa!”

Com um grito curto, ele executou um ataque de perfuração com seu escudo. Ele veio até mim, deixando uma trilha de luz branca.

“Ahh!!”

Eu tentei defender cruzando minhas duas espadas. O poderoso impacto atingiu meu corpo inteiro e me lançou voando por vários metros. Eu enterrei minha espada direita no chão para impedir minha queda e girei no ar antes de aterrissar.

Isso fora inesperado, mas parecia que aquele escudo podia ser utilizado como uma arma. De certa forma, era similar as Lâminas Duplas. Eu originalmente pensava que minha vantagem em velocidade de ataque permitira que eu vencesse esse duelo com um único golpe; mas parece que eu estava errado.

Heathcliff correu em minha direção, diminuindo a distância entre nós e não dando nenhum tempo para recuperação. A espada, com seu cabo em cruz, fora puxada pela sua mão direita e agora golpeava com uma velocidade que podia rivalizar com Asuna o <Flash>.

Assim que o oponente começou seu ataque combo, eu só pude usar minhas espadas para defender. Antes do duelo, Asuna explicou tudo que ela sabia sobre a <Espada Santa>; porém aparentemente aquilo não fora suficiente. Além disso, eu só podia contar com alguns segundos para decidir que ataques bloquear.

Depois de usar minha espada esquerda para defender o ultimo ataque do seu combo de oito golpes, eu imediatamente iniciei uma habilidade de ataque único, <Pancada Vorpal> com a minha direita.

“Hya... aaa!!”

Com o barulho metálico do motor de um jato, a habilidade da espada deixou um rastro vermelho de luz antes de atingir o centro do escudo. Eu senti como se tivesse acertado um muro de pedra; mas minhas mãos foram capazes de terminar o golpe.

Claang! O som do impacto soou e nesse momento Heathcliff recuou. Eu não podia perfurar completamente o escudo, mas senti que havia <penetrado> sua defesa. O HP de Heathcliff reduziu um pouco, mas não o suficiente para decidir a luta.

Heathcliff aterrissou de forma ágil e abriu uma distância entre nós novamente.

“... Impressionante tempo de reação.”

“Acho que a sua defesa que é perfeita...!!”

Eu avancei quando disse isso. Heathcliff também levantou sua espada e se aproximou de mim.

Nós começamos a trocar golpes a velocidades impossíveis de acompanhar. Minha espada era bloqueada por seu escudo; a espada dele era defletida pela minha. Vários rastros de luz de diferentes cores apareciam e desapareciam continuamente entre nós, com o som de nossas armas fazendo o chão da arena tremer. O menor dos ataques conseguia atravessar e nosso HP caia pouco a pouco. Mesmo com ambos os jogadores falhando em fazer um ataque claro, um de deles venceria no momento que o HP do oponente caísse para menos de cinqüenta por cento.

Entretanto, eu não me importava mais. Eu sentia a aceleração de forma excitante, essa era a primeira vez que eu enfrentava um oponente tão forte desde que fui preso no SAO. Toda hora, meus sentidos despertavam com a velocidade dos ataques sendo realizados... Um após o outro.

Eu não cheguei ainda no meu limite. Eu ainda posso ir mais rápido. Tente me acompanhar se puder, Heathcliff!!!

Assim que eu permiti utilizar toda a força a minha disposição, eu me deixei dominar pela alegria selvagem de cruzar espadas. Eu estava provavelmente rindo. Quanto mais os ataques das espadas se intensificavam, o HP de ambos os lados continuava a cair sem chegar a área do 50 por cento.

Naquele instante, o rosto calmo de Heathcliff finalmente mostrou um pouco de emoção.

O que era aquilo? Nervosismo? Eu pude sentir a velocidade dos ataques caírem um pouco.

“Haaaa!”

Naquele momento, eu abandonei todas as defesas e lancei o ataque com ambas as minhas espadas: <Corrente da Explosão Estrelar>. Minhas lâminas atacaram Heathcliff como chamas solares.

“Argh…!!”

Heathcliff levantou seu escudo em forma de cruz para defender, mas eu apenas ignorei e continuei atacando ele da direita, esquerda, em cima, em baixo. Daquela forma, suas respostas se tornaram mais lentos. -Eu consigo quebrá-la!!

Eu estava certo que o ultimo ataque faria uma brecha em sua defesa. Com escudo muito acima da direita, meu ataque vindo da esquerda avançar, desenhando uma trajetória de luz, assim que o ataque o atingisse, seu HP definitivamente chegaria à metade eu venceria o-

Então, naquele momento, meu mundo inteiro entrou em choque.

“-!?”

Como eu posso descrever isso? É como um tempo que foi tirado de mim.

Por milésimos de segundo, tudo ao meu redor parecia ter congelado; tudo exceto Heathcliff. O escudo que deveria estar da direita surgiu na esquerda, como se eu estivesse vendo um filme em câmera lenta, bloqueou minha espada.

“O qu-!”

Eu fiquei petrificado por um momento fatal, depois que meu poderoso ataque i bloqueado. Não havia como Heathcliff perder aquela chance.

A espada longa em sua mão direita lançou uma habilidade ataque único, que veio até mim com uma terrível precisão que certamente decidiu o duelo. Eu cai de uma forma vergonhosa. Pude ver a mensagem roxa do sistema, junto com o anuncio de que o duelo havia terminado com o canto do meu olho.

Minha posição de batalha desapareceu. Eu simplesmente cai ali, com minha mente vazia, enquanto os gritos da torcida eram registrados pela minha cabeça novamente.

“Kirito!!”

Asuna correu em minha direção e me balançou para me fazer recuperar meus sentidos.

“Ah… sim... Eu estou bem...”.

Asuna olhava para minha expressão vazia com preocupação.

Eu perdi-?

Eu ainda não podia acreditar. A velocidade sobrenatural de Heathcliff durante aqueles momentos finais... Simplesmente havia passado dos limites de um jogador—passado dos limites de qualquer humano. Eu podia até mesmo ver os polígonos que faziam seu avatar se distorcer por um momento, por causa da velocidade impossível.

Assim que eu me sentei no chão, levantei minha cabeça e olhei para o rosto de Heathcliff.

Mas a expressão do vencedor era de raiva por alguma razão. O paladino vermelho olhava para nós com seus olhos metálicos, então se virou sem dizer uma palavra e andou para sua sala de espera, evitando os gritos estrondosos da torcida.


Capítulo 14[edit]

“O... O que é isso!?”

“Do que está falando? Você sabe o que é isso. Agora anda, levanta!”

As coisas que Asuna estava me forçando a vestir eram minhas novas roupas. Embora elas tivessem o mesmo design do casaco que eu vestia antes, esse era de um branco capaz de cegar. Havia duas pequenas cruzes nos punhos e uma grande na minhas costas; todas as três possuíam um brilho vermelho. Isso era sem dúvidas, um uniforme da KoB.

“... E-Eu disse que queria uma coisa simples...”

“Isso já é bastante simples. E sim, combina com você!!”

Eu afundei na cadeira de pedra com toda a força que restava no meu corpo. Continuava vivendo no segundo andar da loja do Egil. O lugar já havia se tornado meu abrigo contra desastres, era lamentável o dono da loja apenas poder dormir em uma cama simples no primeiro andar. A única razão para ele não ter me expulsado fora por que Asuna viera todos os dias para ajudar na loja. E essa era a melhor oportunidade que ele poderia arrumar.

Assim que eu gemi em minha cadeira, Asuna se aproximou e sentou-se no braço de pedra, que se tornou seu local reservado. Ela balançou a cadeira com um sorriso, como se minha situação atual fosse algo engraçado, então juntou as mãos como se estivesse pensando em algo.

“Ah, nós devemos dizer nossas apresentações apropriadamente: Como membro da guilda, eu espero que possamos nos dar bem.”

Ela subitamente inclinou-se, eu endireitei minhas costas para responder.

“E-eu espero que nós continuemos juntos... mas, como eu disse antes: Eu sou um membro normal enquanto você é a sub-líder, então...”

Eu passei meu dedo indicador direito pela espinha de Asuna.

“Eu não poderei fazer coisas assim novamente-.”

“Kyaa!”

Gritando, minha superior saltou e atingiu a cabeça do seu subordinado. Então, andou em direção da cadeira oposta e sentou-se, com o rosto fazendo um beicinho. Sob o sol preguiçoso do final de outono, nós estávamos em meio a uma trégua curta e pacifica.

Havia se passados dois dias desde minha derrota no duelo contra Heathcliff. E como eu não sou alguém que volta atrás com suas palavras, eu me juntei aos Knights of the Blood como havia negociado com Heathcliff. A guilda deu-me dois dias para preparação, então a partir de amanhã eu iria seguir suas ordens para explorar o labirinto do 75º andar.

Juntar-se a uma guilda, huh-

“... Você se meteu em toda essa confusão por minha culpa...”

“Nah, está tudo bem. É uma boa oportunidade para mim. Eu estava começando a sentir os limites de jogar sozinho mesmo…”

“É um alivio ouvir você dizer isso... Ei, Kirito...”

Os olhos castanhos de Asuna olhavam diretamente para mim.

“Pode me dizer por que você evita guildas... evita pessoas...? Eu não acho que é apenas por que você é um beta tester ou um usuário de habilidade única, você é uma pessoa muito gentil.”

Eu desviei meu olhar para baixo e lentamente me acostei na cadeira.

“... Há muito tempo atrás.... cerca de um ano na verdade, eu me juntei a uma guilda....”

Aquelas palavras vieram tão facilmente que me surpreendi. Talvez por que o olhar de Asuna me desce coragem para atravessar a dor que me atingia toda vez que eu pensava naquilo.

“Ofereceram-me um lugar depois que eu conheci e ajudei-os em um labirinto... Era uma pequena guilda com apenas seis membros, incluindo eu, que tinha um nome interessante: <Black Cats of the Full Moon> Asuna sorriu de leve.

“O líder deles era uma pessoa muito boa. Ela era uma usuária de adagas chamada Keita. Ela sempre pensava primeiro nos membros da guilda, não importava a situação e todos confiavam profundamente nela. Ela me disse que queria minha ajuda para montar a linha de frente, pois a maioria dos membros usava armas lanças e ataques de longa distância...”

Para falar a verdade, os níveis deles eram muito mais baixos que o meu. Não, eu devo dizer que eu que evoluiu demais.

Se eu dissesse meu nível, Keita teria pensando duas vezes antes de me convidar, mas eu estava cansado de andar em labirintos sozinho dia após dia e aquela atmosfera familiar da <Black Cats> me fez ficar com inveja. Eu senti que eles eram amigos da vida real, as conversas que eles tinham entre si eram muito diferentes das duras e distantes conversas online entre os jogadores e isso me incentivou ainda mais a tomar a decisão de aceitar.

Francamente, eu não tinha o direito de desejar qualquer preocupação para com os outros. Eu perdi esse direito quando eu decidi me tornar um jogador solo e egoísta que continuava a evoluir por conta própria. Mas eu ouvi todas aquelas minhas vozes interiores e me juntei a guilda, escondendo meu nível e meu passado como beta tester.

Keita perguntou se eu poderia treinar um dos usuários de lança deles para tornar-se usuário de espada e escudo para termos três na linha de frente e tornar a guilda um grupo mais balanceado.

A usuária de lança que ela me confiou foi uma menina quieta, de cabelos negros e longos, chamada Sachi. Quando nos apresentamos, ela disse, com um sorriso envergonhado que, por ser uma jogadora viciada, ela não era muito boa em fazer amigos graças a sua personalidade. Não importavam quais fossem as atividades da guilda, eu deveria seguir com ela e ensinar como utilizar a espada de uma mão.

Sachi e eu éramos similares em vários aspectos. Nós éramos ambos pouco sociáveis, preferíamos criar muros para nos proteger e mesmo assim temíamos a solidão.

Então um dia, ela subitamente disse que estava com medo de morrer, ela estava com tanto medo desse jogo da morte que ela não queria mais sair e treinar.

Em resposta para suas palavras, eu disse apenas “Eu não vou te deixar morrer.” E não pude dizer mais nada para ela, pois eu ainda estava tentando esconder meu nível. Depois que ela ouviu minha resposta, ela chorou um pouco antes de forçar um sorriso.

Em outro dia, mais tarde, cinco de nós, todos com exceção de Keita, estávamos na área do labirinto. Keita não tinha vindo conosco por que ela estava barganhando por uma casa para ser usada como nosso QG com o dinheiro que estávamos economizando.

Apesar de já termos concluído esse labirinto, ainda havia muitas áreas inexploradas. E um dos membros descobriu um baú de tesouros quando estávamos perto de ir embora. Eu recomendei que o deixasse ali, pois estávamos perto das linhas de frente e havia monstros de alto nível. Além disso, eu não confiava na habilidade de desligar armadilhas dos demais membros, mas apenas eu e Sachi fomos contra abrir o baú, perdendo em 3 a 2 em votos.

Era uma armadilha alarme, um dos piores tipos de armadilhas. Assim que nós abrimos o baú um som ensurdecedor soou e os monstros começaram a surgir de todas as entradas da sala. Nós imediatamente tentamos escapar usando teleporte.

Mas essa era uma armadilha dupla. A sala era uma Área anti-cristais—nossos cristais não funcionaram.

Havia simplesmente muitos monstros para voltar. Os outros membros ficaram completamente confusos e começaram a correr desesperados. Eu tentei cortar caminho usando minhas habilidades de alto nível que estava escondendo até aquele momento, mas os membros em pânico não perceberam a tempo. Um por um, seus HP chegaram a zero, e eles gritaram antes de se partirem em minúsculos fragmentos. Eu pensei que ao menos poderia salvar Sachi e golpeei com minha espada incansavelmente.

Mas era tarde demais.

Eu vi Sachi tentando me alcançar com sua mão, enquanto um monstro a cortou sem misericórdia. Seus olhos ainda demonstravam confiança em mim, mesmo quando ela se tornou uma estátua de vidro e desapareceu. Ela confiou em mim até o ultimo momento; mas por causa das minhas palavras fracas e vazias, elas não se tornaram nada além de uma promessa vazia, uma mentira.

Keita nos aguardava frente ao hotel que serviria como nossa base temporária até o novo QG estivesse em suas mãos. Depois de retornar para o hotel sozinho, eu expliquei para Keita o que tinha acontecido. Ela escutou muda até eu terminar e me perguntou:

“Como você sobreviveu?”

Então eu revelei meu verdadeiro nível e disse que era um beta tester.

Keita me olhava para mim como se eu fosse algo repugnante, então apenas uma coisa.

-Um beater como você não tinha o direito de se juntar a nós.

Essas palavras me atravessaram como se fossem uma lâmina de aço.

“... O que aconteceu... Com essa pessoa...?”

“Ela cometeu suicídio.”

O corpo de Asuna estremeceu na sua cadeira.

“Ela saltou da ponta do andar. Provavelmente me amaldiçoando... até o fim...”

Eu senti minha garganta se contrair. Eu estava diante de todas essas memórias que eu havia selado dentro do meu coração, essas emoções dolorosas que agora retornavam nítidas. Cerrei meus dentes. Mesmo querendo alcançar Asuna para ser confortado. Uma voz na minha mente disparava “Você não tem o direito de fazer isso,” deixando como minha única opção manter meus punhos fechados com força.

“Eu os matei. Se eu não tivesse escondido o fato de ser um beta tester, eu teria sido capaz de persuadi-los a deixarem o baú sozinho. Fui eu... Fui eu que matei Keita... e Sachi...”

Com meus olhos muito abertos, eu forcei essas palavras a saírem.

Asuna de repente se levantou, deu dois passos em minha direção e acariciou meu rosto com suas mãos. Ela colocou seu belo rosto perto do meu com um sorriso caloroso.

“Eu não vou morrer.”

Ela disse aquilo em um sussurro, ainda que sua voz fosse muito clara. Eu senti aquela força deixar meu corpo tenso.

“Por que eu... Eu sou aquela que irá proteger você.”

Depois de dizer isso, Asuna colocou minha cabeça sobre o seu peito e me abraçou. Eu senti uma escuridão macia e quente me cobrir.

Assim que fechei meus olhos, minha mente foi inundada com memórias, e eu vi os rostos dos membros da Black Cat; eles estavam sentados em uma das mesas do hotel, cobertos por um brilho alaranjado. Eu não posso ser perdoado. Eu nunca vou poder pagar o preço pelos meus erros.

Ainda assim, seus rostos em minhas memórias pareciam sorrir.


No dia seguinte, eu coloquei o meu casaco branco cegante e sai com Asuna para Grandum no 55º andar.

Começando por hoje, eu estarei trabalhando como membro da Knights of The Blood. Entretanto, ao contrário dos normais grupos de cinco pessoas, Asuna usou sua influência para formar um grupo de apenas duas pessoas; então na realidade, não havia nada de diferente.

Mas as ordens que nos aguardavam no QG da guilda eram completamente inesperadas.

“Treinamento...?”

“Sim. Nós faremos um grupo de quarto e iremos atravessar o labirinto do 55º andar até alcançarmos a área habitada no andar acima.”

O homem que disse isso era um dos quatro homens presentes na mesa quando eu falei com Heathcliff. Ele era um homem grande com cachos loiros e parecia ser portador de um machado.

“Espere Godfrey! Kirito está indo...”

Assim que Asuna começou a argumentar, Godfrey levantou sua sobrancelha e respondeu com confiança, se não presunçoso:

“Mesmo a sub-líder deve seguir as regras. Eu não me importo quanto ao grupo que ele se junta para a exploração, mas como comandante da vanguarda, eu devo testar suas capacidades. Mesmo sendo um usuário de habilidade única, nós ainda não sabemos se ele será realmente útil.”

“C-Com a força do Kirito, não há como ele ser inconveniente...”

Eu acalmei a agitada Asuna antes de falar:

“Se você quer ver, então eu vou mostrar para você, mas eu não quero perder tempo com um labirinto de nível tão baixo. Atravessar ele correndo está bom para você?” Godfrey fechou sua boca com uma expressão de desgosto. Então ele saiu depois de dizer:

“Assembléia no portão oeste da cidade em meia hora.”

“Que tipo de atitude é essa!?”

Asuna chutou o pilar de aço com sua bota em indignação.

“Desculpe-me, Kirito. Talvez tivesse sido melhor se tivéssemos fugido...”

“Se tivéssemos feito isso, todos os mebros da guilda iriam me amaldiçoar até a morte.”

Eu sorri e bati de leve na cabeça de Asuna brincando.

“Uuuu, eu pensei que nós iríamos ficar juntos hoje... Devo ir com você...?”

“Eu volto logo. Apenas espere aqui.”

“Sim... Tome cuidado...”

Asuna concordou relutante. Depois de acenar para ela, eu sai do QG.


Porém, quando eu cheguei ao local indicado -o portão oeste de Grandum- Eu vi algo ainda mais chocante.

Do lado de Godfrey estava a pessoa que eu menos queria ver no mundo—Cradil.


Capítulo 15[edit]

“... O que é isso?”

Eu perguntei ao silencioso Godfrey.

“Hmm, eu já sei o que aconteceu entre vocês dois, mas agora que ambos são companheiros na guilda, pensei que é uma boa oportunidade para acabar com esse clima ruim que estão causando.”

Assim que eu vi Godfrey rir com sua cabeça levantada para o céu, Cradil lentamente se aproximou de mim.

“...”

Eu estava tenso e preparado para reagir a qualquer situação. Mesmo que estivéssemos em uma área segura, não havia como prever o que ele planejava. Porém, contra todas minhas expectativas, Cradil se curvou. Então murmurou com sua voz baixa, abafada pelo seu longo cabelo.

“De... Desculpe-me por ter causado problemas a você...”

Dessa vez, eu estava chocado de verdade. Meu queixo caiu de forma inevitável e eu fiquei sem palavras.

“Eu não irei agir de uma forma tão rude novamente... Eu espero que você me perdoe.”

Eu não conseguia ver seu rosto, oculto pelos seus cabelos.

“Ah... certo...”

Enquanto eu me forçava a assentir, me perguntei o que diabos tinha acontecido. Ele fez alguma cirurgia de alteração de personalidade ou coisa parecida? “Sim, sim. Bem, agora está tudo resolvido!”

Godfrey deu outra risada espirituosa. Eu mantive minhas suspeitas; Cradil deveria estar fazendo alguma coisa, mas eu não pude ver com sua cabeça abaixada. Em contraste com as emoções exageradas, SAO tinha problemas em captar expressões sutis. Eu podia apenas aceitar as desculpas no momento, mas sem esquecer que não deveria abaixar minha guarda.

O último membro chegou logo em seguida e nós partimos em direção do labirinto. Assim que eu comecei a ir ao meu ritmo, Godfrey me parou com sua voz rouca:

“Espere... O treinamento de jogo será feito sob as circunstâncias mais realistas possíveis. Eu quero ver como vocês reagem em situações perigosas, então irei pegar todos os seus cristais.”

“... Até os nossos cristais de teleporte?”

Godfrey assentiu em resposta. Eu hesitei. Cristais, principalmente cristais de teleporte são as únicas alternativas seguras nesse jogo da morte. Eu nunca estive sem eles. Eu estava prestes a recusar, porém isso poderia colocar Asuna em uma situação problemática, então eu decidi me manter em silêncio.

Vendo Cradil e o outro membro entregando seus cristais de forma obediente, eu não tive escolha se não fazer o mesmo. Godfrey até mesmo checou meu inventário cuidadosamente depois.

“Hmm, bom. Então vamos!”

Com a ordem de Godfrey, nós andamos para fora de Grandum e partimos em direção da Área do Labirinto que estava distante no oeste.


A área de treinamento do 55º andar era um terreno baldio desolado quase desprovido de vegetação. Eu queria terminar o treinamento rápido, então sugeri corrermos até o labirinto, mas isso fora rejeitado com um simples balançar da mão de Godfrey. Isso provavelmente era porque ele estava focado em aumentar nossos status de força diminuindo nossa destreza. Eu só pude desistir e continuar andando naquele deserto sem fim.

Nós encontramos monstros algumas vezes, mas quando isso acontecia, eu não perdia tempo esperando pelas ordens de Godfrey e simplesmente os cortava rapidamente.

Eventualmente, depois de passarmos por um desfiladeiro de rochas, o calcário cinza do labirinto finalmente podia ser avistado...

“Ok, nós vamos fazer uma pausa aqui.” Depois de Godfrey anunciar isso com sua voz rude, o grupo parou.

“...”

Eu queria apenas correr em direção do labirinto, mas mesmo eu percebia que isso seria quebrar as regras. Eu então suspirei e me sentei em uma das rochas. Já era quase meio dia.

“Eu vou pegar a comida.”

Godfrey então chamou por quatro bolsas e os distribuiu entre os membros. Eu peguei a minha com uma mão e abri sem muitas expectativas. Dentro havia um pote de água e pão duro que era vendido pelas lojas dos NPCs.

Eu abri o pote e tomei um golpe enquanto amaldiçoava meu azar: Eu poderia estar comendo os maravilhosos sanduíches da Asuna agora mesmo, se tudo tivesse saído como o planejado.

Então, eu subitamente percebi que Cradil estava sentado em uma rocha distante. Ele não havia tocado na bolsa, enquanto seus olhos, dessa vez não ocultos por seu cabelo longo, brilhavam de uma forma maligna nos observando.

Para o que diabos ele estava olhan...?

Um arrepio abruptamente passou pelo meu corpo. Ele estava esperando alguma coisa. Isso só poderia ser... Provavelmente...

Eu, imediatamente, joguei o pote fora e tentei cuspir o líquido da minha boca.

Mas era tarde demais. As minhas forças começaram a abandonar meu corpo e eu desmaiei. A barra de HP surgiu no canto da minha visão, cercada por uma linha verde que normalmente não estava ali.

Não havia dúvidas; era um veneno de paralisação.

Quando eu olhei para o lado, eu descobri que Godfrey e o outro membro estavam caídos no chão. Eu imediatamente alcancei meu bolso no antebraço esquerdo, mas isso apenas aumentou meu pânico. Eu já tinha entregado todos os meus cristais de antídoto e teleporte para Godfrey. Ainda havia poções, mas elas não eram efetivas contra paralisia.

“Ku… kukuku…”

Uma risada estridente chegou aos meus ouvidos. Sentado na pedra, Cradil segura o estômago com ambas as mãos enquanto ria. Seus olhos pesados revelavam o êxtase louco que eu conhecia muito bem.

“Waha! Haha! Hyahahahaha!!”

Ele deu uma gargalhada para os céus, parecendo incapaz de se controlar. Godfrey o encarava com uma expressão estupefata.

“O... O que é isso...? A água... ela não foi preparada por... você, Cradil...”.

“Godfrey! Rápido, use um cristal de antídoto!!”

Depois de ouvir minhas palavras, Godfrey finalmente começou a alcançar a bolsa do seu lado.

“Hya-!!”

Com um grito estranho, Cradil saltou da sua rocha e chutou a mão esquerda de Godfrey com sua bota. O cristal verde rolou das mãos de Godfrey. Cradil o pegou, então colocou sua mão na bolsa de Godfrey, pegando todos os cristais restantes e colocando na sua bolsa.

Tudo estava perdido.

“Cradil... O que, o que você está fazendo...? Isso é algum tipo... De exercício de treinamento?”

“Re-retardado!!”

Cradil disse assim que chutou Godfrey, que ainda não vai entendido a situação e murmurava coisas estúpidas.

“Argh!”

O HP de Godfrey diminuiu um pouco e ao mesmo tempo o cursor de Cradil mudou de amarelo para laranja, dando a ele o status de criminoso. Mas isso não mudava nada. Não havia como alguém estar andando por aqui, em um andar que já havia sido concluído.

“Godfrey-san, eu sempre pensei que você era um idiota, mas eu nunca pensei que você seria tolo a esse ponto. Até o seu cérebro é feito de músculos?”

A risada de Cradil ecoou por todo o terreno baldio.

“Ainda há muitas coisas que eu gostaria de dizer para você... mas eu não quero perder meu tempo com aperitivos...”

Cradil puxou sua espada de duas mãos enquanto falava. Ele a levantou e posicionou todo o seu corpo. A luz do sol refletiu na sua lâmina grossa.

“E-Espere, Cradil! Você… o que… está dizendo… isso… isso não é um treinamento...?”

“Apenas cala boca e morra.”

Cradil o atravessou com sua espada sem misericórdia. Um som pesado e cruel atravessou o ar e o HP de Godfrey caiu muito.

Godfrey finalmente percebeu o quão grave a sua situação era e começou a gritar, mas já era tarde demais.

Duas, três vezes, sua espada o cortava de forma impiedosa e o HP de Godfrey reduzia mais a cada golpe. Então, quando chegou à área vermelha, Cradil parou.

Eu pensei que ele não iria cometer assassinato, não importa o quanto ele era louco. Cradil inverteu a ponta da sua espada e lentamente a empurrou em Godfrey. Assim que o HP dele reduzia pouco a pouco, Cradil começou a pressionar todo seu peso contra a espada.

“Aaaaaaaahhh!!” “Hyahahahaha!!”

Enquanto o choro de Godfrey se tornava mais alto, Cradil gritava de uma forma bizarra enquanto a sua espada cavava o corpo de Godfrey e fazia seu HP reduzir de forma constante.

Ao mesmo tempo eu e o outro membro observávamos em silêncio, a espada de Cradil penetrou completamente Godfrey e sua barra de HP chegou à zero ao mesmo tempo. Godfrey provavelmente não entendia enquanto seu corpo se despedaçava em incontáveis pedaços.

Cradil lentamente tirou sua espada do chão e virou sua cabeça como uma boneca japonesa, olhando para o outro membro.

“Ah!! Ahhh!!”

Com esses gritos curtos, o membro se arrastou tentando escapar. Cradil então andou até ele a passos curtos.

“... Eu não tenho nada contra você... mas de acordo com meu planejamento, somente eu volto vivo...”.

Ele então levantou sua espada e murmurou para si.

“Aaaahh!”

“Você quer ouvir?... Sabe, o nosso grupo-”.

Ele golpeou, mantendo seus ouvidos surdos as suplicas do jogador.

“Nós fomos emboscados por um grupo grande de PKillers...”

Outro golpe.

“Nós lutamos bravamente! Mas três de nós morreram-.”

E outro.

“E eu fui o único que sobreviveu, mas só consegui fugir daqueles criminosos e me mantive vivo até chegar ao QG-.”

Depois do quarto ataque, o HP do jogador desapareceu. O efeito sonoro de vários pedaços de vidro se quebrando ressoou, mas Cradil parecia que estava ouvindo a voz de Deus. Ele ficou parado ali, em meio a aquela explosão de dados e escutando aquilo com uma expressão de felicidade.

Essa não era a primeira vez...

Eu tinha certeza disso. Seu cursor poderia ter ficado laranja apenas alguns segundos atrás, mas era muito claro que ele tinha experiência em matar daquela forma desprezível. Entretanto, o fato de eu compreender aquilo não me ajudava em nada.

Finalmente, Cradil se virou para mim, com uma alegria incontrolável em seu rosto. Ele se aproximou lentamente, com sua espada fazendo um barulho irritante, atravessando o chão.

“Ei.”

Ele se agachou até mim, que estava caído no chão e disse em um sussurro.

“Por causa de um idiota como você, eu tive que matar duas pessoas totalmente inocentes.”

“Você parecia bem feliz quanto a isso.”

Eu respondi enquanto buscava desesperadamente um modo de fugir dessa situação. As únicas coisas que se moviam eram minha boca e minha mão esquerda. Por causa da paralisia que continuava aberta no meu menu, eu estava impedido de mandar qualquer mensagem. Mesmo sabendo que não poderia fazer algo, eu lentamente movi minha mão esquerda, e segui o ponto cego de Cradil, enquanto falava.

“Por que uma pessoa como você se juntou a KoB? Uma Guilda criminosa combina mais com você.”

“Eh, por que você está perguntando algo tão óbvio? É por causa daquela garota.”

Ele disse aquilo com sua voz ríspida e lambeu os lábios. Quando eu percebi que ele estava falando de Asuna, meu sangue começou a ferver.

“Seu desgraçado...!!”

“Uau, por que você está me encarando assim? Isso é só um jogo, não é...? Não se preocupe. Eu vou tomar conta da sua preciosa sub-líder por você. Afinal, eu tenho muitos itens úteis.”

Cradil pegou o pote com água envenenada e balançou o produto que fez um som de bolhas. Então deu uma estranha piscada e continuou falando.

“E você disse uma coisa muito interessante, uma guilda criminosa combina mesmo comigo.”

“... Bem, é apenas a verdade.”

“Eu estava te elogiando. Você é bem afiado.”

Kekekeke.

Cradil parece estar pensando em alguma coisa enquanto ria. Então, subitamente ele desequipou o ombreio do seu braço esquerdo. Ele arregaçou tecido branco da sua manga e mostrou seu braço nu para que eu pudesse ver.

“...!!”

Quando eu vi o que era—minha respiração simplesmente parou. Era uma tatuagem. A imagem era uma caricatura em estilo mangá de um caixão negro. Uma boca e um par de olhos estavam na frente do caixão, formando um sorriso.

“Esse... emblema é... <Laughing Coffin>[35]?”

Eu perguntei com voz seca. Cradil me deu um sorriso e assentiu em resposta.

<Laughing Coffin> era a maior e mais perigosa guilda PK de Aincrad. Eles eram comandados por um frio e astuto líder que experimentava centenas de métodos para matar pessoas; no final das contas, o número de jogadores mortos por ele eram cerca de três dígitos.

Os jogadores uma vez tentaram solucionar o impasse por negociações, mas todos os mensageiros eram mortos imediatamente. Nós nunca descobrimos por que eles faziam PK, mesmo por que isso apenas diminuía nossas chances de concluir o jogo e isso também era por que não conseguíamos falar com eles propriamente. Não muito tempo atrás, os jogadores que tentavam concluir o jogo formaram um grupo que rivalizava com os grupos de assassinos do chefe e finalmente destruímos aquela guilda depois de diversas longas e sangrentas batalhas.

Asuna e eu estávamos no grupo também, mas a informação vazou de algum lugar e os PKs estavam esperando por nós. No meu frenesi para proteger meus companheiros, eu acabei tirando a vida de dois membros do Laughing Coffin por acidente.

“Isso... É por vingança? Você é um sobrevivente do Laughing Coffin?”

Eu disse com minha voz falhando. Cradil praticamente cuspiu a resposta:

“Eh, sem essa. Por que eu faria algo tão estúpido como isso? Eu me juntei ao Laughing Coffin recentemente, apenas em espírito alias. Eu aprendi a técnica de paralisia com eles... ah, isso já está chato.”

Ele parou e fez um movimento quase automático de levantar sua espada.

“Bem, nós estamos falando demais. O veneno logo vai acabar então eu tenho que acabar com isso agora. Eu estive sonhando por esse momento... desde daquele duelo...”

Fogo queimava em seus olhos, estavam tão abertos que pareciam círculos. O sorriso em seu rosto era enorme e sua língua estava para fora, ele até levantou seus calcanhares para ficar na ponta dos pés, antes de golpear com sua espada.

Antes que ele fizesse seu movimento, eu posicionei minha mão esquerda, mesmo podendo mover um pouco mais do que o pulso. Pensava em ao menos defender onde o dano seria crítico e atacar com o que tinha, mas a penalidade de precisão causada pela paralisia faria com que eu não pudesse evitar quase nada. Mesmo que eu acertasse, o HP de Cradil reduziria apenas um pouco enquanto o meu caia em uma situação completamente sem esperanças.

“... isso machuca...”

Cradil curvou suas sobrancelhas e seus lábios, então cortou meu braço direito com a ponta da sua espada. Então ele girou duas, então três.

“Argh…!”

Mesmo não sentido qualquer dor, uma sensação desagradável era estimulada aos meus nervos e passavam por todo meu corpo, além do forte efeito da paralisia. Toda vez que a lâmina perfurava meu braço, meu HP diminuía lentamente. A

inda...? O efeito do veneno ainda não desapareceu...?

Eu cerrei meus dentes e esperei o momento em que meu corpo se libertasse. A duração da paralisia diferia pela força do veneno, mas a maioria dos venenos paralisantes durava 5 minutos ou um pouco mais.

Cradil colocou então sua lâmina e perfurou minha perna esquerda. A sensação desagradável da paralisia atingiu meu corpo novamente e o sistema calculava os dados sem misericórdia.

“Bem...? Como é...? Como é a sensação de saber que vai morrer logo...? Diga-me... Você poderia...?”

Cradil disse isso quase em um sussurro enquanto olhava ansioso para o meu rosto.

“Diga alguma coisa... Chore e grite, dizendo que você não vai morrer...”.

Meu HP chegou à metade e ficou amarelo. A paralisia ainda não desapareceu. Todo meu corpo começou a ficar frio, se a morte era como um ar congelante, então um pouco dela agora estava em mim.

Eu havia visto muitos jogadores morrerem em SAO. Todos eles tinham a mesma expressão em seus rostos quando se partiam em vários fragmentos e desapareciam. Era sempre a mesma expressão simples, de reflexão, como se perguntassem “Eu vou simplesmente morrer dessa forma?”

Isso era provavelmente por que, bem no fundo de seus corações, nenhum de nós havia aceitado a regra absoluta do jogo. Nós simplesmente não queremos acreditar que a morte no jogo significa morte real.

Nós mantínhamos uma especulação esperançosa, que “talvez nós voltemos para o mundo real quando nosso HP chega a zero e desaparecemos.” É claro, você tem que morrer para descobrir o que realmente acontece. Se você pensar dessa forma, então a morte é apenas um modo de escapar do jogo.

“Ei, ei, diga alguma coisa. Eu realmente estou matando você aqui...”.

Cradil puxou sua espada da minha perna e a colocou no meu estômago dessa vez. Meu HP havia caído significativamente e entrava na área vermelha. Mas eu sentia como se isso não importasse, como se tudo estivesse acontecendo em um mundo distante. Mesmo sendo torturado pela espada, minha mente estava atravessando um caminho escuro, coberto por um manto escuro e pesado.

Mas então—um forte medo chegou ao meu coração.

Asuna. Se eu desaparecer e deixar ela nesse mundo, Asuna vai cair nas mãos do Cradil e ele causará a mesma dor que está me causando. Essa possibilidade gerou uma forte dor que me fez despertar minha consciência.

“Kaaaah!!”

Eu abri meus olhos, segurando a espada que estava perfurando meu estômago e puxando ela para fora com todas as forças que eu tinha. Eu tinha apenas 10 por cento do meu HP sobrando. Cradil então falou surpreso:

“Huh... huh? O que foi? Você está com medo de morrer?”

“Sim... Eu... Não posso morrer ainda...”

“Heh!! Hahaha!! É assim que eu gosto!!”

Cradil riu daquilo como um pássaro cantando uma canção enlouquecida e colocou seu peso atrás da espada. Eu comecei a empurrá-la com uma única mão. O sistema calculou o ato com vários cálculos complicados baseados na minha força e a de Cradil e determinou o resultado.

O resultado final—A espada continuou a perfurar novamente, lentamente.

Eu fui preenchido com o medo e desespero.

Esse é o fim?

Eu vou morrer?

Deixando a Asuna nesse mundo insano? Eu resisti o quanto pude enquanto a espada se aproximava cada vez mais.

“Morre-!! Mooorreeee-!!”

Cradil gritou com sua voz estridente.

A intenção assassina parecia fazer a espada reluzente continuar centímetro por centímetro. Então, finalmente, a espada chegou ao meu corpo—e lentamente perfurou...

Era um sopro de vento branco e vermelho.

“Huh…!?”

Com uma exclamação de surpresa, o assassino e sua espada foram arremessados no ar. Eu encarei sem palavras a silhueta da pessoa que havia aparecido.

“... Eu não cheguei tarde demais... Eu não cheguei tarde demais... obrigada, Deus... Eu não cheguei tarde demais...”.

Sua voz trêmula soava tão doce quanto as asas de um anjo. Seus lábios tremiam violentamente e ela caiu de joelhos, olhando para mim.

“Vivo... você está vivo, certo, Kirito...?”

“... Sim... Eu estou vivo.”

Minha voz soava tão fraca que me surpreendeu. Asuna assentiu e puxou um cristal rosa do seu bolso e então colocou a mão direita sobre o meu peito e disse.

“Curar!”

O cristal quebrou e minha barra de HP encheu instantaneamente. Depois de confirmar minha recuperação, Asuna sussurrou para mim:

“... Espere aqui. Eu vou cuidar disso rápido...”.

Asuna se levantou e puxou sua rapier de uma forma elegante e começou a andar.

Ela mirou em Cradil que estava completamente despreparado. Quando ele viu a pessoa que vinha em sua direção, seus olhos cresceram.

“A-Asuna-sama... Como chegou aqui...? I-Isso, é um treinamento, sim, nós tivemos um acidente no meio do treinamento...”.

Cradil recuou enquanto ele tentava fazer alguma desculpa com sua voz nervosa, mas antes que ele pudesse terminar, A mão direita da Asuna desapareceu e surgiu com a espada bem diante da boca de Cradil. Ela não se tornou uma criminosa mesmo com um oponente de cursor laranja. “Ahh!!” Cradil cobriu sua boca com a mão, dando passos para trás, congelado pelo momento. Então, quando ele se endireitou, seus olhos eram cheios de uma raiva familiar.

“Sua vadia... Isso foi ir muito longe... Heh, tudo bem. Eu ia cuidar mesmo de você...”.

Mas ele parou no meio da frase; Asuna começou a atacar de forma feroz assim que posicionou sua espada. Sua Rapier desenhava várias linhas de luz que atravessavam Cradil a uma velocidade inacreditável. Mesmo eu não podia ver a trajetória da sua espada, mesmo estando alguns níveis à frente. Eu apenas assistia enquanto aquele anjo golpeava com sua espada como se dançasse.

Era lindo. Asuna pressionava seu adversário e o jogava para trás sem nenhuma expressão, enquanto seu cabelo castanho flutuava a cada golpe de fúria, criado pelo seu corpo; era indescritivelmente belo.

“Ah!! Kaaaa!!”

Cradil parecia estar em completo pânico, sua espada cortava de forma selvagem, mas não conseguia acertar um traço de Asuna. Assim que percebeu que seu HP passou da zona amarela para zona vermelha, Cradil finalmente largou sua espada e gritou com ambas as mãos levantadas para o ar.

“O-Ok!! OK!! ME DESCULPEM!!”

Ele então caiu de joelhos e começou a implorar.

“E-Eu vou sair da guilda! Eu não vou aparecer na frente de vocês dois de novo!! Então-“

Asuna silenciosamente escutou seus apelos.

Ela levantou sua espada e lentamente reverteu a ponta. Seu braço fino ficou tenso com o nervosismo, e então atravessou alguns sentimentos, se preparando para ir até Cradil. Nesse momento o assassino gritava mais alto.

“Heeeek! E-Eu não quero morrer-!!”

A espada parou como se tivesse atingido um murro invisível. Seu corpo magro começou a tremer violentamente. Eu podia claramente ver o conflito interno de Asuna. Ambos, tanto seu medo como sua raiva. Pelo que eu sei, ela nunca matou ninguém no jogo. Visto que quando um jogador é morto nesse mundo, ele também morre no mundo real, a rede de PK do jogo equivale a assassinato real.


—Isso Asuna. Isso mesmo. Você não deve fazer isso.


Enquanto eu gritava isso para mim, eu também pensava o completo oposto ao mesmo tempo.


—Não, não hesite. É isso que ele merece. Minha previsão se tornou realidade 0.1 segundo depois.


“Ahahahaha!” Eu não tenho certeza de quando Cradil pegou sua espada de volta, mas ele subitamente atacou com um grito.

A Rapier de Asuna fez um o barulho de uma pancada e voou da sua mão direita. “Ah...!?”

Assim que Asuna exclamou e perdeu o equilíbrio, um brilho metálico passou pela sua cabeça.

“Sub-líder, você continua muuuuuuito ingênua!!”

Com um grito cheio de loucura, Cradil desceu com sua espada sem qualquer hesitação, desenhando uma linha vermelha de luz.

“Ahhhhhhh!!”

Dessa vez, fora eu que gritei. Eu chutei o chão com meu pé esquerdo, percebendo que estava recuperado da paralisia e disparei a tempo de pegar Asuna de lado com minha mão direita e bloquear a espada do Cradil com a minha esquerda.

Thump.

Com um som desagradável, minha mão esquerda foi completamente cortada. O ícone de perda de parte do corpo brilhou abaixo da barra de HP. Enquanto linhas vermelhas fluíam da minha mão esquerda cortada, minha mão direita endireitou os dedos e-.

Eu esfaqueei com minha mão a armadura de Cradil.

Ela brilhava amarela, uma vez enterrada dentro do estômago de Cradil. Eu contra ataquei com sucesso utilizando uma habilidade de ataque a ponto-cego. <Embracer>, que imediatamente eliminou os últimos 20 por cento do HP de Cradil. Seu corpo caiu violentamente em cima de mim, enquanto perdia todas as suas forças.

Assim que sua espada caiu sobre o chão e parou, ele sussurrou no meu ouvido:

“Seu... Assassino...”

Ele então fez um som de “kuku”.

Todo o corpo de Cradil se partiu em numerosos fragmentos de vidro. Eu empurrei com todas as minhas forças para dissipar os polígonos e cai para trás.

Por um tempo, minha mente exausta e congelada apenas registrou o som do vento soprando.

Então eu ouvi passos irregulares se aproximando. Quando eu me virei, pude ver uma figura frágil andando na minha direção com uma expressão vazia.

Asuna andou até mim vacilante e com a cabeça abaixada, então caiu de joelhos na minha frente como uma marionete com as cordas cortadas. Quando ela tentou me alcançar com sua mão direita, subitamente ela voltou antes que pudesse me alcançar.

“... Desculpe-me... Por minha culpa... Isso é tudo minha culpa...”.

Asuna forçou isso a sair com sua voz fraca e uma expressão dolorosa no rosto. Lágrimas desceram dos seus olhos e ela caiu no chão, gemendo. Eu só consegui dizer uma coisa curta com minha voz seca:

“Asuna...”

“Desculpe-me... Eu... não devo... falar com o Kirito... d...de novo.”

Eu movi o lado direito do meu corpo, finalmente meus sentidos estavam normais. Meu corpo inteiro estava dolorido e eu me sentia devastado pela quantidade de danos que tomei, mas eu apenas abracei Asuna com meu braço direito e meu braço esquerdo aleijado. Então eu cobri seus belos lábios cor de cereja com os meus.

“…!”

Asuna ficou rígida e tentou me empurrar, mas eu segurei o seu corpo pequeno com toda a força que eu tinha. Não havia dúvidas que algo assim era uma violação contra o código de conduta do jogo. Nesse momento, uma mensagem do sistema deveria ter aparecido na frente de Asuna e se ele tivesse pressionado OK, eu seria imediatamente teleportado para a área prisão do Castelo do Ferro Negro.

Mas meus braços não mostravam sinais de desistência. Quando eu deixei os lábios de Asuna, enterrei meu rosto na curva do pescoço de Asuna e então sussurrei:

“Minha vida pertence a você, Asuna. Então irei usá-la por você. Eu vou ficar com você até o fim.”

Eu puxei Asuna para perto de mim com meu braço esquerdo que fora cortado por 3 minutos por imposição do sistema. Asuna estava com a respiração trêmula e então sussurrou em respostas:

“... E-Eu vou te proteger também. Eu vou te proteger para sempre. Então...”.

Ela não conseguiu falar mais. Então eu fiquei ouvindo os soluços de Asuna enquanto nossos braços mantinham-se entrelaçados.

O calor dos nossos corpos começou a aquecer meu coração congelado pouco a pouco.


Capítulo 16[edit]

Asuna me disse que estava monitorando o mapa enquanto esperava por mim em Grandum.

No momento em que o sinal de Godfrey desapareceu, ela correu toda a cidade e cobriu o trajeto de cinco quilômetros que fizemos em uma hora em apenas cinco minutos. Quando eu disse que isso excedia os limites da destreza, ela me respondeu com um sorriso gentil:

“Esse é o poder do amor.”

Depois de voltarmos para o QG da guilda, nós falamos para Heathcliff o que havia acontecido e pedimos a ele se podíamos nos ausentar da guilda temporariamente. Quando Asuna explicou suas razões para “Não confiar mais na guilda,” Heathcliff ficou em silêncio, pensativo, mas nos deu a permissão necessária. Então, ele disse uma última coisa com um sorriso misterioso no rosto.

“Mas vocês irão retornar ao campo de batalha em breve.”

Quando nós saímos do QG, já era noite. Nós juntamos nossas mãos e andamos juntos até o portão de teleporte.

Nenhum de nós disse uma única palavra.

Enquanto andávamos entre as sombras escurdas das torres de ferro, uma luz amarela surgiu do lado de fora do castelo flutuante, eu me perguntei de onde todo o ódio de Cradil vinha.

Havia algumas pessoas que gostavam de cometer crimes nesse mundo. Desde ladros a assassinos sangues-frio do <Laughing Coffin> como Cradil; rumores diziam que o número de jogadores criminosos já ultrapassava mil e agora as pessoas pensavam neles como ocorrências naturais do jogo, como monstros.

Mas quando eu penso sobre isso, sinto que eles são um grupo muito estranho. Deveria ser óbvio para todos que ferir outros jogadores é um ato que diminui nossas chances de concluir o jogo. Em outras palavras, eles aparentam não querer sair mais desse jogo.

Mesmo após conhecer o Cradil, eu não acho que isso se aplicava a ele. Ele não ajudava nem obstruía a conclusão do jogo; ele simplesmente parou de pensar. Nenhuma ligação com o passado nem desejo de seguir em frente para um futuro, ele simplesmente tentava agora preencher a si com seus desejos, como resultado do crescimento de suas intenções malignas—

E quanto a mim? Eu não posso dizer com toda certeza que eu estava focado em concluir o jogo. Tudo aquilo era mais do que explorar labirintos por pontos de experiência. Se eu estava lutando apenas para ficar mais forte, para me sentir superior, então, em algum lugar dentro de mim, eu também não gostaria que esse mundo acabasse—?

Subitamente, eu senti como se meus pés estivessem afundando nas placas de metal. Eu parei de andar e apertei de leve a mão direita de Asuna que eu estava praticamente se pendurando.

“...?”

Asuna inclinou a cabeça e olhou para mim. Eu abaixei minha cabeça e falei como se estivesse falando para mim mesmo:

“... Não importa o que aconteça... Eu garanto que você... vai voltar para aquele mundo...”

“...”

Dessa vez foi Asuna que apertou a mão.

“Quando o momento chegar, nós vamos voltar juntos.”

Ela revelou um sorriso quando terminou de falar.

Nós chegamos à praça onde estava o portão de teletransporte sem perceber. Apenas alguns poucos jogadores andavam nessa área, a maioria se protegia contra o vento frio que anunciava a chegada do inverno.

Eu me virei e olhei diretamente para Asuna.

Eu penso que fora o calor da sua presença forte que fora a luz que me guiou até sua direção.

“Asuna... essa noite... Eu quero estar com você...”

Eu disse isso sem pensar.

Eu não quero ficar longe dela. O encontro terrível com o medo da morte, que eu nunca tinha sentido antes, não iria me deixar tão facilmente.

Eu definitivamente teria pesadelos se dormisse sozinho hoje. Eu teria um sonho onde uma pessoa insana cravava sua espada em mim e a sensação de atravessar minha mão direita dentro dele; Eu tinha certeza disso.

Asuna olhou para mim com os olhos arregalados, como se entendesse a razão por de trás do meu pedido—

Então, suas bochechas ficaram vermelhas e ela assentiu de leve.


A casa de Asuna em Salemburg, que eu estava visitando apenas pela segunda vez, continuava decorada de maneira luxuosa; ainda que me apresentasse um enorme conforto. Os objetos estavam distribuídos pelo lugar mostrando o bom gosto da sua dona, porém Asuna disse:

“U-Uwa— é tão estranho estar aqui. Eu não venho aqui há muito tempo e...”

Com um “hehe”, ela sorriu tímida e rapidamente limpou todos os itens espalhados.

“Eu vou fazer o jantar bem rápido. Leia o jornal ou coisa parecida e espere.”

“Ah, ok.”

Eu me deitei no sofá depois de ver Asuna remover suas roupas de batalha, colocar um avental e desaparecer na cozinha. Eu peguei um grande jornal que estava sobre a mesa. Apesar de nós chamarmos de jornal, isso é uma mera coletânea de rumores de jogadores que trocam informações. Porém, como esse mundo tem falta de formas de entretenimento, o jornal se tornou uma preciosa fonte de mídia para muitos assinantes. O jornal tinha apenas quatro páginas, e eu apenas dei uma olhada rápida na primeira antes de jogar fora por causa da irritação. A chamada, bem ilustrada no título falava sobre o duelo entre Heathcliff e eu.

[Usuário das Lâminas Duplas é esmagado pela Espada Santa]

Abaixo do título estava uma foto minha, caído no chão, diante de Hethcliff, que fora tirada usando Cristais de Lembrança. Qualquer um pode dizer que eu fui apenas outra página na lista de derrotados pela lenda invencível Heathcliff.

Bem, talvez com isso eles parem de me incomodar tanto com suas expectativas graças a derrota da minha habilidade... Eu creio que encontrei uma desculpa aceitável agora. Então, quando eu comecei a olhar para meu inventário, um aroma sedutor vinha da cozinha.

A entrada do jantar era bife feito da carne de algum monstro-vaca e servido com o molho de soja especial da Asuna. Apesar desses ingredientes não serem tão raros, o aroma era simplesmente perfeito. Asuna me observava com um largo sorriso e eu colocava o bife quase inteiro na minha boca.

Assim que nós nos sentamos um em frente ao outro no sofá e bebemos o chá após o jantar, Asuna se tornou muito faladora por alguma razão. Ela falou sem parar sobre coisas como a marca de armas que ela gosta e quais andares eram famosos pelos pontos turísticos.

Ao primeiro momento, eu escutei com surpresa, mas então ela subitamente ficou em silêncio, o que me fez ficar preocupado. Ela sentou-se absolutamente imóvel, olhando para o copo de chá como se estivesse procurando alguma coisa. Sua expressão era extremamente séria, como se ela estivesse se preparando para lutar.

“... Ei, o que foi...”

Mas antes que eu pudesse terminar de falar, Asuna bateu na mesa fazendo o copo sacudir, e então se levantou anunciando:

“... Tudo bem!”

Ela andou em direção ao parapeito da janela e tocou o muro para abrir o Menu de Controle da Sala e simplesmente desligou todas as luzes. A escuridão cobriu o quarto imediatamente; minha habilidade de escanear ligou automaticamente e me fez entrar no modo de visão noturna.

O quarto estava morto, coberto por uma fraca luz azul e Asuna brilhava branca diante das luzes dos postes que vinham da janela. Embora eu estivesse confuso pelo seu comportamento, sua beleza me fez perder a respiração.

Seus longos cabelos pareciam emitir um brilho azul, ela com seus braços e pernas finas saindo de sua túnica, estavam refletidas pela fraca luz que parecia os fazer brilhar.

Asuna ficou em silêncio no parapeito da janela por um tempo. Eu não podia ver a expressão em seu rosto por que ela abaixou sua cabeça. Ela mantinha sua mão direita sobre o peito e parecia hesitante sobre alguma coisa.

Justo no momento em que eu ia perguntar o que estava acontecendo, Asuna começou a mover sua mão esquerda. Seu polegar e o indicador se moviam no ar e o menu surgiu com seu efeito sonoro característico. Na escuridão, os dedos de Asuna moveram para o menu roxo. Parecia que ela estava manipulando a parte esquerda do menu, que controlava o equipamento do jogador.

Assim que eu percebi, as meias altas que Asuna vestia desapareceram e suas pernas, com suas curvas elegantes, estavam diante dos meus olhos. Seus dedos se moveram novamente e dessa vez sua túnica de peça única caiu. Eu não pude fazer nada além de abrir minha boca e sentir meus olhos se arregalarem ao extremo; minha mente estava completamente parada.

Asuna agora estava vestindo apenas suas roupas intimas. Pequenas roupas brancas que mal podiam cobrir seus seios e sua cintura.

“N-Não olhe… assim...”

Ela disse, com sua voz trêmula. Mas mesmo que ela tivesse dito isso de novo, eu ainda não desviaria meu olhar.

Sword Art Online Vol 01 - 242.jpg

Asuna tentou cobrir seu peito com ambas as mãos, mas hesitou. Então levantou a cabeça e olhou diretamente para mim, abaixando seus braços de forma graciosa.

Eu recebi um choque, como se minha alma tivesse saído do meu corpo, sendo capaz apenas de assistir a ela com uma expressão vazia.

“Linda” não era suficiente para descrevê-la. Sua pele, tingida pelo fraco azul era suave e elegante. Seu cabelo parecia feito da mais fina seda. Seus seios curvos eram tão perfeitos que parecia, ironicamente, que nenhum motor gráfico no mundo pudesse gerá-los. As curvas em suas pernas, que chegavam até sua cintura fina, me faziam pensar na graciosidade de um animal selvagem.

Era impossível de acreditar que sua aparência era apenas uma imagem 3D renderizada. Se eu pudesse descrever, eu diria que ela era como uma escultura feita por Deus e com o sopro da vida a animando.

Os dados coletados pela calibração do Nerv Gear captavam e registravam tudo aquilo, e determinavam o formato do corpo dos avatares. Com isso em mente, eu só poderia pensar na existência de um corpo tão perfeito como um milagre.

Eu continuava olhando para o seu corpo quase nu. Se Asuna não tivesse se coberto com ambos os braços e aberto a boca para falar, eu teria ficado paralisado por ao menos uma hora.

O rosto de Asuna estava tão vermelho que eu não conseguia quase ver a textura azul daquele quarto. Ela abaixou a cabeça e disse:

“K-Kirito tire suas roupas também... É em - embaraçoso para mim ficar assim.”

Depois de ouvir isso, eu finalmente percebi o significado por de trás das ações de Asuna.

Em outras palavras, ela entendeu o que eu disse—quanto a eu querer passar a noite com ela—de um modo mais profundo do que quis dizer.

Assim que eu percebi isso, eu acabei entrando em completo pânico. Como resultado, eu cometi o pior erro de toda minha vida até agora.

“Err… não, sabe, Eu apenas pensei que… seria bom se…nós ficássemos, em um quarto a noite...”

“Eh…?”

Como resposta aos meus estúpidos pensamentos honestos, Asuna simplesmente congelou com a boca aberta. Então uma expressão de intensa fúria e vergonha tomou conta do seu rosto.

“Seu... seu...”

Seu punho direito cerrado revelou uma intenção assassina quase visível.

“Idiota—!!”

O punho de Asuna, acelerado com o uso de toda a sua velocidade e destreza, foi apenas parado pelo Código de Prevenção de Crimes, causando apenas um barulho curto e um spray de faíscas roxas no lugar.

“A-Ahh—! Espera! Desculpe-me, desculpe-me! Esquece o que eu disse!”

Eu tentei explicar, enquanto minhas mãos acenavam freneticamente para Asuna, que estava prestes a lançar seu segundo soco sem prestar atenção em mim.

“Desculpe-me, eu estava errado!! Ma... Mas, enfim, você pode...sabe...fazer...? No SAO?”

Asuna abaixou sua posição de ataque, mesmo que ainda furiosa e então perguntou:

“Você, você quer dizer que não sabe...?”

“Não, Eu não...”

Então, a expressão de Asuna mudou de repente da raiva para uma de vergonha, antes de explicar com a voz baixa:

“... Então... no menu de opções, bem no fundo... há uma opção chamada <Ethic Code Off>”

Era a primeira vez que eu escutava sobre isso. Tenho certeza que algo do tipo não estava disponível durante o beta, nem sequer fora mencionado no manual.

Esse era apenas outro preço que eu tinha que pagar por jogar como solo e não ter outros interesses além de lutar.

Mas, essa informação fez surgir uma nova pergunta que eu não pude evitar de pensar. Como eu não tinha recuperado completamente minha forma de pensar, eu sem querer disse em voz alta:

“... Então... Você já fez isso antes...?”

Mais uma vez, o punho de ferro de Asuna disparou em direção do meu rosto.

“É-É claro que não, seu idiota—!! Eu apenas ouvi de algumas garotas da guilda!!”

Corri para me ajoelhar no chão antes dela me atacar e pedi desculpas sem parar. Demorou alguns minutos antes que eu finalmente conseguisse acalmá-la.

Uma única vela no topo da mesa continuava queimando, seus suaves raios de luz fizeram a pele de Asuna brilhar levemente enquanto ela dormia em meus braços. Eu corri um dedo suavemente por suas costas brancas; a sensação de quente e suave que viajou até do meu alcance era absolutamente intoxicante.


Asuna lentamente abriu seus olhos e olhou para mim. Ela piscou duas vezes e então sorriu.

“Desculpa. Eu acordei você?”


“Sim. Eu tive um sonho estranho. Um sobre o mundo real...”

Ela continuou a sorrir enquanto esfregava seu rosto no meu peito.

“No sonho, eu me perguntava se eu ter entrado em Aincrad e conhecido você tinha sido tudo um sonho, e eu fiquei com medo. É um alívio... que tudo isso não fora um sonho.”

“Você é realmente estranho. Não quer voltar?”

“É claro que eu quero. Eu quero voltar, mas eu não quero que tudo isso simplesmente desapareça. Apesar de que... nós levamos muito tempo... mas esses dois anos são preciosos para mim. Eu tenho certeza disso agora.”

Asuna mudou para uma expressão séria e segurou minha mão direita, que estava colocada sobre o seu ombro, trouxe-a ao seu peito e nos abraçamos.

“... Eu sinto muito, Kirito. Eu deveria... Eu deveria ter resolvido tudo sozinha...”

E respirei profundamente e disse.

“Não... O alvo do Cradil, a pessoa que ele queria era a mim. Aquela era uma luta minha.”

Eu balancei minha cabeça lentamente quando olhei nos olhos de Asuna.

Lágrimas se formaram em seus olhos cor de avelã, quando Asuna de forma silenciosa, pressionava seus lábios contra a mão que a segurava. Eu pude sentir a doce sensação.

“Eu também... irei suportar com você. Todos os ressentimentos e tristezas que você tem, eu irei carregá-los com você. Eu prometo. Eu definitivamente irei proteger você de agora em diante...”

Essas eram—As palavras que eu estava tentando dizer até agora. Ainda assim, meus lábios tremiam e eu podia ouvir o som que se formava na minha garanta, da minha alma.

“Eu também.”

A voz rebateu no ar.

“Eu irei proteger você também.”

Embora fossem simples palavras, eu as disse de uma maneira patética e pouco confiável. Sorri de forma amarga, segurando a mão de Asuna e disse:

“Asuna... você é realmente forte. Você é muito mais forte do que eu...”

Depois de ouvir isso, Asuna piscou algumas vezes e então sorriu.

“Não, eu não sou. Eu apenas me escondo atrás das pessoas no mundo real. Mesmo esse jogo não fora eu que comprei.”

Ela riu. Como se estivesse pensando em alguma coisa.

“Quem comprou na verdade foi meu irmão, mas ele teve que sair para cuidar de alguns negócios, então eu resolvi jogar o jogo no dia de abertura. Ele deve estar realmente desapontado por isso e irritado por eu estar aqui há dois anos.”

Pensei no quanto Asuna tinha sido azarada por ter chegado em um momento como aquele, mas apenas assenti.

“... você deveria voltar logo e pedir desculpas.”

“Sim... Eu vou tentar...”

Mas Asuna desviou o olhar, como se ela estivesse com medo de alguma coisa e então moveu todo seu corpo para perto de mim.

“Umm... Kirito, eu sei que é contraditório o que vou dizer... mas, nós poderíamos sair da linha de frente por um tempo?”

“Hmm...?”

“Eu estou assustada... Nós finalmente conseguimos demonstrar nossos sentimentos, mesmo assim eu sinto que algo ruim vai acontecer se nós formos logo para as linhas de frente... Talvez eu esteja um pouco cansada.”

Eu escovei o cabelo de Asuna, em silêncio, então disse algo que até a mim surpreendeu.

“Sim, você está certa... Eu também estou um pouco cansado...”

Mesmo que não seja aparente, as batalhas que lutamos dia após dia nos fizeram acumular muita fadiga. Isso especialmente causado por situações extremas como as de ontem. Mesmo um arco resistente pode se partir caso seja esticado demais. Nós definitivamente precisamos de um descanso.

Senti um impulso que me guiava a lutar sem descanso se esvaziar. Agora, eu apenas queria aprofundar o vínculo entre nós.

Eu passei meus braços em torno de Asuna e afundei meu rosto em seus cabelos sedosos e falei:

“Na parte Noroeste do 22º andar, perto de florestas e lagos… há um pequeno vilarejo. É um bom lugar sem monstros. Nós podemos nos mudar para lá juntos e então…”

Asuna olhou para mim quando eu parei de falar.

“Então…?”

Eu fiz mover minha lingua congelada e continuei

“…vamos, vamos nos casar.”

O sorriso perfeito que Asuna me mostrou naquele momento, eu nunca irei esquecê-lo pelo resto da minha vida.

“Ok...”

Ela assentiu, com lágrimas ao rosto, escorrendo por suas bochechas vermelhas.


Capítulo 17[edit]

Existem quatro tipos de relacionamentos que dois jogadores podem ter no sistema de SAO. Primeiro é quando as pessoas não se conhecem realmente. O segundo é amigos. Alguém que listou outra como amiga pode enviar mensagens curtas não importa onde ela esteja. Eles também podem ver suas localizações no mapa.

A terceira é companheiros de guilda. Além dos demais benefícios, eles também ganham um razoável bônus de habilidade quando estão lutando juntos a demais membros da guilda. Entretanto, eles devem dar parte dos seus Colls como uma espécie de imposto sobre a guilda. Até agora, Asuna e eu éramos amigos e membros da mesma guilda, apesar do fato de estarmos tirando férias da guilda, mas nós decidimos entrar no último tipo de relacionamento. Casamento—apesar de que se casar é algo bem simples. Uma pessoa envia uma mensagem de proposta a outra pessoa e ela aceita, e então eles estão casados. Mas a diferença entre casados para amigos ou membros da guilda é incomparável.

Casar-se no SAO significa compartilhar todas as informações e items. Um pode ver a janela de status do outro à vontade e até mesmo o inventário torna-se único. Em outras palavras, entregar ao seu parceiro uma das poucas coisas seguras suas. Em Aincrad, onde traições e fraudes são comuns, os poucos casamentos que existiam eram entre casais muito próximos. É claro, outra importante razão é o desequilíbrio da quantidade de homens e mulheres no jogo.

O vigésimo segundo andar era uma das áreas menos povoadas de Aincrad. Era um dos andares mais baixos. Era realmente grande, mas sua área era tomada por florestas e lagos enquanto a parte habitada era tão pequena que podia ser chamada de uma aldeia. Os monstros que apareciam no campo, assim como a dificuldade do labirinto, eram extremamente baixos. Esse andar havia sido concluído em três dias e a maioria dos jogadores não se lembravam desse lugar.

Asuna e eu decidimos comprar uma pequena fazenda feita de madeira nesse andar para vivermos. Mesmo sendo pequena, custava uma quantia considerável de dinheiro para comprar uma casa em SAO. Asuna se ofereceu para vender sua casa em Salemburg, mas eu fui contra isso, por que vender uma casa tão perfeitamente preparada como aquela causaria arrependimentos. Por fim, nós reunimos todos os nossos items raros e vendemos com a ajuda de Egil, até termos o suficiene para comprarmos a casa.

Quando Egil disse com uma expressão triste que nós podíamos usar o segundo andar da loja dele caso quiséssemos, eu pensei que começar uma nova vida com alguém em uma loja de mercador era muito trágico. Além disso, eu não gostaria nem de imaginar o que aconteceria se descobrissem que eu e a famosíssima Asuna havíamos nos casado. Pensei que nós devíamos ser ao menos capazes de passar nossos dias em paz com aquela população rural do 22º andar.

“Uwa—mas que bela vista!”

Asuna seguiu em frente, para fora da janela do nosso quarto. Apesar de ser chamado de “quarto”, havia apenas dois locais na casa inteira.

O cenário exterior era realmente de tirar o fôlego. Era próximo das “pontas” de Aincrad, então estávamos cercados de belos lagos, uma floresta verde e um céu aberto. Por estarmos acostumados a viver em celas de pedra centenas de metros acima, o céu aberto nos dava uma inexplicável sensação de liberdade.

“Ei, não fique distraída olhando o cenário, você vai cair.”

Eu parei de organizar a mobília da casa e agarrei Asuna, colocando-a em meus braços. Essa mulher agora é minha mulher—Enquanto eu pensava isso, o brilho do sol no inverno, o sentimento incrível de felicidade e bem... A surpresa do quão longe nós chegamos depois de todo esse caminho.

Antes de me tornar um prisioneiro nesse jogo, eu era apenas um garoto que ia a escola e então volta para casa sem nenhum objetivo na vida. Mas agora, o mundo real se tornou apenas um passado distante.

Se—se esse jogo for concluído, nós poderemos voltar ao mundo real... Isso era o que todos os jogadores, incluindo eu e Asuna, desejávamos. Porém, eu não podia impedir o pensamento de ansiedade quando pensava sobre isso. Eu inconscientemente comecei a segurar Asuna com uma força desnecessária.

“Isso machuca Kirito... Tem alguma coisa errada...?”

“D-Desculpe... Ei, Asuna...”

Por um momento eu parei de falar, mas terminei perguntando.

“... nosso relacionamento é apenas dentro do jogo...? Ele vai desaparecer quando nós retornamos ao outro mundo...?”

“Eu vou ficar brava, Kirito.”

Asuna olhou para os lados e então olhou para mim, com seus olhos cheios de emoção. “Mesmo que isso fosse apenas um jogo normal e que estivéssemos em uma situação normal, eu não teria me apaixonado por outra pessoa tão casualmente.”

Ela apertou minhas bochechas com ambas as mãos e disse:

“Eu aprendi uma coisa aqui, que é continuar tentando e nunca desistir. Se nós voltarmos ao mundo real, eu definitivamente irei encontrar você, Kirito, e continuarei gostando de você.”

Quantas vezes eu vou precisar admirar o coração forte e honesto de Asuna? Ou talvez o meu que seja muito fraco.

Mas, mesmo sendo um fraco, está tudo bem. Eu já havia me esquecido há muito tempo o quanto era confortável depender de alguém quando este alguém também depende de mim. Eu não sei quanto tempo nós poderemos ficar aqui, mas ao menos nós estaremos longe do campo de batalha por certo período—

Eu deixei meus pensamentos para trás e me concentrei em meus sentimentos, próximo a suavidade e o cheiro doce daquela que estava em meus braços.


Capítulo 18[edit]

A boia presa a linha de pesca não se moveu uma vez sequer. A sonolência invadiu minha consciência enquanto eu observava a dança da luz do sol refletida nas ondulações da água no lago.

Eu fiz um bocejo enorme e puxei a linha. Apenas um anzol de prata, na extremidade, brilhava iluminado pela luz; a isca que eu tinha colocado se fora.

Cerca de 10 dias se passaram desde que nos mudamos para o 22º andar. Para conseguirmos comida todos os dias, eu desabilitei minha habilidade com espada de duas mãos que eu treinava há muito tempo e troquei por uma habilidade de pesca. Eu comecei a imitar o Taikoubou[36] em pescarias. Mas por alguma razão, eu não consegui pegar nada. A pontuação de treinamento tinha passado apenas dos 600, então eu não esperava alguma coisa grande, mas pensava que eu poderia ao menos pegar alguma coisa. Ao invés disso, eu simplesmente passei dia após dia perdendo iscas que comprava no vilarejo.

"Gah, isso é irritante…"

Eu murmurei minhas queixas, joguei meu equipamento de pesca para o canto e então me joguei no chão. O vento que atravessava a água era muito frio, mas o casaco que Asuna fez usando toda a sua habilidade de costura me deixava quente. Asuna ainda estava em treinamento com essa habilidade, então o casaco não era tão bom quanto as roupas vendidas em lojas de NPCs, mas enquanto ela se manter usável e quente, não haverá problemas.

Agora era o <Mês do Cypress> em Aincrad, o que significava que era Novembro no Japão. Apesar de ser quase inverno, pescar no SAO não dependia em nada das estações. Talvez eu tivesse apenas usado toda a minha sorte em conhecer a minha bela esposa. Quando esses pensamentos chegaram até mim, senti uma enorme felicidade e um grande sorriso se formou no meu rosto. Então, subitamente uma voz falou aos meus ouvidos.

“O que você fez?”

Eu me levantei surpreso e viu um homem parado quando me virei.

Ele usava roupas leves, incluindo um chapéu com dobras e tinha equipamentos de pesca nas mãos assim como eu, mas o surpreendente era sua idade. Não importa o quanto eu olhasse, ele parecia ter, ao menos, cinquenta anos. Os olhos por de trás dos grossos óculos metálicos mostravam experiência. Sendo SAO um jogo tão hardcore, era extremamente raro encontrar alguém tão velho. Na verdade, eu nunca tinha visto um antes. Talvez-?

“Eu não sou um NPC.”

Ele deu um leve sorriso, como se tivesse lido meus pensamentos e começou a descer lentamente a encosta onde estava.

“D-Desculpe. Eu só estava pensando...”

“Não, tudo bem. É compreensível. Eu provavelmente sou o jogador mais velho daqui.” Ele endireitou seu corpo e então deu uma sonora risada como um “wa-ha-ha”

“Com licença.”

Ele disse, assim que sentou perto de mim. Ele tirou uma isca do bolso e de forma desajeitada abriu o menu, puxando a vara de pesca e colocando a isca nela. “Meu nome é Nishida. Eu sou um pescador aqui. No Japão, eu trabalhava como chefe de manutenção de uma companhia chamada Tohto Boardband Connection[37]. Desculpe-me, mas eu não trouxe nenhum dos meus cartões de negócio.”

Ele riu mais uma vez.

“Ah…”

Eu só podia fazer suposições quanto à razão de ele estar no jogo. Tohto era a companhia operacional de rede que cooperava com Aigas. Eles eram os responsáveis por cuidar da rede que conectava os servidores de SAO.

“Meu nome é Kirito. Eu mudei dos níveis superiores há pouco tempo. Nishida oji-san... Você por acaso... Está na manutenção da conexão de rede do SAO...?”

“Eu era o responsável.”

Nishida disse, concordando. Eu olhei para aquele homem com um sentimento complicado no peito. Ele tinha se envolvido nisso tudo graças ao seu trabalho. “Haha, meus superiores disseram que não havia necessidade de eu logar, mas eu não podia ficar satisfeito até ver meu trabalho com meus próprios olhos e por causa dessas preocupações de velho eu acabei aqui.”

Ele lançou sua vara com um movimento incrível enquanto falava isso, alguém mais que tivesse visto, teria dito que ele já havia tornado-se mestre na habilidade de pesca. Ele também parecia gostar de falar, pois continuou falando sem esperar uma resposta minha: “Além de mim, existe cerca de vinte a trinta velinhos que acabaram presos aqui por diversas razões. A maioria vive em segurança na Cidade Inicial, mas eu prefiro ficar por aqui a ficar parado comendo três refeições ao dia.”

Ele levantou sua vara de pescar um pouco.

“Eu procurei de forma incansável por bons rios e lagos, atravessei um longo caminho até chegar a este lugar.”

“Oh, é mesmo... Bem, quase não há monstros nesse andar.”

Nishida apenas sorriu para mim sem responder. Então ele me perguntou:

“Então, existe algum lugar bom nos andares superiores?”

Ele disse.

“Hmmm... Bem, 61º andar é um lago enorme, bem, é quase como um mar. Muitas pessoas falaram que você pode pegar peixes grandes lá.”

“Ohh! Eu deveria ir lá um dia desses.”

Naquele instante, a bóia da sua vara de pescar começou a afundar rapidamente. Nishina não perdeu tempo para puxá-lo. Aparentemente sua habilidade de pesca era muito elevada, como sua verdadeira habilidade para pesca.

“Uau, ele é enorme!”

Enquanto eu me inclinava, Nishida calmamente retirou a linha de pesca e rapidamente levantou o peixe azul. O peixe moveu-se em suas mãos por alguns segundos e então desapareceu, indo para o inventário.

“Incrível...!”

Nishida deu um sorriso envergonhado e levantou sua cabeça para responder.

“Isso não é nada. Tudo que você precisa fazer é aumentar sua habilidade de pesca.”

Ele então acrescentou, enquanto coçava a cabeça:

“Mas, mesmo que eu os pegue, ainda não sei como cozinhá-los direito... Eu queria comer sashimi ou peixe grelhado, mas eu não posso fazer nada sem molho de soja.”

“Ah... Sim...”

Eu hesitei por um momento. Nós havíamos mos mudado para cá para evitar pessoas, mas eu percebi que essa pessoa não estava interessada em rumores ou fofocas.

“... Eu sei uma coisa que se parece muito com molho de soja.”

“O que!?”

Nishina inclinou-se, com seus olhos atrás dos óculos brilhando.

Assim que Asuna me saudou e viu o Nishida, seus olhos se abriram, surpresos, mas então ela sorriu e disse:

“Bem vindo de volta. Um convidado?”

“Sim, esse é Nishida oji-san, um pescador. E-“

Minha voz desapareceu quando eu olhei para trás, incerto de como apresentar a Asuna. Subitamente, Asuna sorriu para o velho pescador e se apresentou:

“Eu sou a esposa dele, Asuna. Bem vindo a nossa casa.”

Ele assentiu com confiança.

Nishida encarava a Asuna com sua boca aberta. Asuna estava vestida com uma saia longa, uma camiseta de cânhamo³ e um avental incluindo um lenço na cabeça. Ela estava muito diferente da imagem de guerreira imponente dela como membro da KoB, mas sua beleza não havia mudado.

Depois de piscar algumas vezes, Nishida finalmente voltou a si e disse:

“Ah, Ahh, desculpe-me. Eu fiquei hipnotizado por alguns segundos. Meu nome é Nishida. Perdoe-me pela intromissão...”

Ele coçou a cabeça e riu.

Asuna aplicou toda a sua impressionante habilidade de cozinheira com o enorme peixe que Nishida tinha pegado e trouxe-o para a mesa após fazer com ele sashimi e peixe grelhado com molho de soja. Quando o aroma do molho de soja caseiro se espalhou pela casa, Nishida abriu seu nariz quase que totalmente com um olhar de alegria no rosto.

Tinha um gosto mais parecido com um yellowtail[38] com a quantidade certa de olho que um peixe comum de água doce. De acordo com o Nishida, você precisava de ao menos 950 pontos para ser capaz de pegá-lo. Depois dessa pequena conversa, nós três nos concentramos em comer com nossos hashis.

Os pratos estavam vazios em um piscar de olhos e Nishida suspirou com uma expressão de felicidade enquanto segurava uma xícara de chá quente.

“...Ah, isso foi delicioso. Obrigado. “E pensar que molho de soja realmente existe nesse mundo…”

“Oh, é feito a mão. Você pode voltar para pegar um pouco quando quiser.”

Asuna trouxe um pequeno pote da cozinha e entregou para Nishida. Eu pensei que era uma boa idéia não dizer a ele a receita. Asuna então sorriu e disse para Nishida:

“Não se preocupe com isso; você também trouxe para nós um peixe delicioso.”

Ela continuou:

“O Kirito nunca pega nada.”

Diante desse súbito ataque, eu apenas tomei um pouco do meu chá em silêncio antes de responder:

“Os lagos dessa área são muito difíceis”

“Não, não são. Apenas o lago que o Kirito-san está pescando.”

“Eh...”

O que o Nishida disse me deixou sem fala. Asuna agarrou o estômago e começou a rir sem parar.

“Por que você diz isso...?”

“Na verdade, aquele lago...”

Nishida abaixou sua voz antes de continuar, então Asuna e eu nos aproximamos.

“Eu acho que um deus local vive ali.”

“Deus local?”

Quando Asuna e eu dissemos isso ao mesmo tempo, Nishida sorriu, empurrou seus óculos e continuou falando:

“Na loja de itens desse vilarejo, existe uma isca muito mais cara do que as demais. Eu estava curioso quanto a sua capacidade, então eu decidi comprar e descobrir o que ela fazia.”

Eu engoli a seco instintivamente.

“Mas eu não consegui pegar nada com aquela isca. Depois de tentar em vários locais, eu finalmente decidi jogar naquele lago difícil.”

“V-Você conseguiu pegar alguma coisa...?”

“Bem, alguma coisa mordeu a isca.”

Nishida suspirou profundamente e sua expressão demonstrou arrependimento:

“Mas eu não pude puxá-lo mesmo com toda minha força e acabei perdendo minha vara de pescar para ele. Eu fui capaz apenas de ver a sombra nos momentos finais. Não era apenas grande; alguém que visse, diria que era um monstro, mas era diferente de todos os monstros que apareciam no campo.”

Ele abriu os braços o máximo que podia. Essa era provavelmente a razão por de seu sorriso quando disse “Quase não há monstros nesse andar.”

“Uwa, eu quero ver!”

Asuna exclamou com seus olhos brilhando. Então, Nishida me direcionou um olhar e disse:

“Então eu tenho uma proposta—você tem confiança em sua força, Kirito-san...?”

“Bem, acho que é possível...”

“Então por que nós não pescamos juntos?! Eu vou segurar até ele morder então deixarei o resto com você.”

“Hmm, você está falando de <Trocar> enquanto pesca... Isso seria possível...?”

Inclinei minha cabeça para o lado.

“Vamos tentar Kirito! Parece interessante!”

Asuna disse isso com “animada” escrito na testa, mas era verdade que eu também estava um tanto interessado nisso.

“Então vamos dar uma chance para isso.”

Assim que eu respondi, um sorriso se abriu no rosto de Nishida.

“Esse é o espírito, wa-ha-ha.”

Naquela noite.

Depois de exclamar “Frio! Frio!” Asuna se arrastou pela cama, então puxou seu corpo contra o meu e fez um som de satisfação. Ela piscou sonolenta e então sorriu como se tivesse pensado em alguma coisa.

“... existe tanta gente diferente aqui.”

“Ele é interessante, não é?”

“Sim.”

Asuna subitamente mudou seu sorriso e murmurou:

“Até agora, eu estive apenas lutando nos andares superiores. Eu tinha me esquecido completamente como as pessoas vivem vidas normais...”

“Eu não quero dizer que somos especiais; mas desde que nós conseguimos níveis altos suficiente para lutar nas linhas de frente, eu supus que nós temos uma obrigação com eles.”

“... Eu nunca tinha pensando nisso dessa forma... Eu sempre senti que se tornar mais forte era apenas um modo de sobreviver.”

“Eu acredito que muitas pessoas continuam contando com você. É claro que isso me inclui.”

“... Exceto que minha personalidade... ouvir todas as expectativas me faz apenas querer fugir.”

“Oh, você...”

Assim que Asuna fez um beicinho de insatisfação, eu acariciei seus cabelos e desejei que essa vida continuasse um pouco mais. Pelo Nishida e os outros jogadores, nós temos que voltar às linhas de frente em algum momento. Mas ao menos agora- Baseado nas mensagens que Egil e Cline me mandaram, eu sei que eles estão trabalhando duro tentando concluir o75º andar. Entretanto, eu acredito no fundo do meu coração que a coisa mais importante na minha vida agora era estar com Asuna.


Capítulo 19[edit]

Três dias depois, Nishida nos informou que amanhã ele iria pescar o deus local. Cerca de trinta pessoas estariam ali para assistir, aparentemente ele havia falado sobre isso com seus outros amigos pescadores.

“Isso é problemático. Asuna... o que vamos fazer?”

"Hm~mmm..."

Para falar a verdade, nós não estávamos muito felizes sobre isso. Nós viemos até aqui para nos esconder das fofocas e dos fãs da Asuna, então estávamos um pouco hesitantes quanto aparecer na frente de tantas pessoas.

“E que tal isso?!”

Asuna puxou os seus cabelos e os levantou. Então ela cobriu seu rosto e seus olhos com um gigantesco cachecol. Ela não parou por aí e continuou apertando alguns botões no seu menu até colocar um sobretudo.

“É-É. Muito bom. Você parece uma perfeita esposa da zona rural.”

“… isso foi um elogio?”

“É claro. No meu caso, eles não vão me reconhecer enquanto eu não colocar meu equipamento de batalha.”


Antes de o sol nascer, eu sai de casa junto com Asuna, que estava carregando uma cesta de piquenique. Ela não precisava trazer isso, poderia pegá-la apenas quando chegássemos lá, mas ela insistiu que aquilo era parte do disfarce.

Hoje estava quente para um dia cedo de inverno. Depois de atravessarmos uma floresta de pinheiros enormes, nós finalmente vimos a água brilhante entre os troncos. Muitas pessoas estavam reunidas ali. Assim que eu me aproximei nervoso, uma figura familiar acenou para nós enquanto ria.

“Wa-ha-ha, é um alivio ver que nós temos um ótimo clima hoje!”

“Olá, Nishida oji-san.”

Asuna e eu abaixamos nossas cabeças em respeito. Ele nos falou que aquele grupo de pessoas de várias idades que estavam ali eram todos membros da guilda de pesca que Nishida participava. Nós nos apresentamos nervosos, mas aparentemente ninguém reconheceu a Asuna.

Deixando isso de lado, Nishida oji-san estava mais animado do que eu imaginava. Ele deveria ser um bom líder na sua companhia. A atmosfera do lugar era animada e um grupo já estava em uma competição de pesca antes da nossa chegada.

“Eh~então, o evento principal do dia finalmente vai começar!”

Nishida gritou anunciando isso enquanto andava em nossa direção com sua longa vara de pescar em mãos. Todos os espectadores vibraram, animados. Eu olhava para vara de pescar que ele segurava, meus olhos encaravam a ponta sem muita expectativa, mas o item acabou me impressionando.

Era um lagarto, um lagarto gigantesco preso. Era tão grande quanto o ombro de um adulto. Possuía uma coloração vermelha e preta, que indicava que era venenoso e perigoso caso não fosse tratado com cuidado.

“Oiiii—“

Asuna percebeu isso tarde demais, sua expressão congelou e ela deu vários passos para trás. Se aquilo era isca, então a coisa que nós estávamos tentado pegar era impossível de acreditar.

Mas antes que eu tivesse tempo de perguntar, Nishida se virou para o lago e levantou sua vara de pescar, com um movimento curto, ele a arremessou de forma impressionante, o gigantesco lagarto desenhou um arco no ar antes de cair na água em um estrondo.

Pescar necessitava quase que nenhum tempo de espera em SAO. A partir do momento que você colocava a isca na água, um peixe iria morder a isca em alguns segundos ou você perderia a isca. Nós engolimos em seco quando vimos que a linha começava a ser puxada para água.

Depois de apenas alguns segundos, a vara de pescar começou ser puxada. Mas Nishida não movia um dedo.

“Ele está aqui Nishida-san!”

“Ainda é muito cedo!”

Por de trás dos óculos de Nishida, os dois olhos que normalmente mostravam um homem zeloso com as pessoas ao seu redor estavam cobertos por uma luz. Nishida continuava a assistir até o fim da linha sem mover-se. Então a vara foi puxada com mais força.

“Agora!”

Nishida resetou seu pequeno corpo para trás e puxou a vara com toda sua força. Eu podia dizer que a linha estava quase se rompendo só de olhar, produzindo um efeito de som vibrante.

“Ele mordeu a isca!! O resto é com você!!”

Eu cuidadosamente peguei a vara das mãos de Nishida, de inicio eu não percebi nada de estranho. Parecia que o gancho tinha ficado preso em algum lugar no lago. Eu olhei para trás na direção do Nishida, preocupado se o peixe realmente tinha mordido, mas então em um piscar de olhos—

A linha começou a ser puxada para dentro da água com uma força absurda.

"Ahhh!"

Eu rapidamente enterrei meus pés no chão e comecei a puxar novamente. A barra de força aplicada passou do modo normal de forma assustadora.

“E-Está tudo bem em continuar assim?”

Eu perguntei a Nishida, pois estava preocupado com a durabilidade do material da vara de pesca.

“Ela é de alta qualidade! Você pode colocar tudo de si!”

Nishida balançou sua cabeça, seu rosto estava vermelho de excitação. Eu corrigi minha postura com e apliquei toda minha força na vara. Ela já estava no meio e se tornara um gigantesco U.

Assim que um jogador passa de nível, ele pode escolher entre aumentar sua força ou destreza. Usuários de machado como o Egil vão optar por força, enquanto usuários de rapier como a Asuna vão se focar em destreza. Como eu era um usuário de espadas normal eu aumentava ambos, mas minha preferência pessoal era de priorizar destreza e deixá-la um pouco acima de força.

Mas eu aparentava estar vencendo aquele cabo de guerra, mais provavelmente por causa do meu nível elevado. Eu lentamente dei passos para trás, ainda forçando a coisa gigantesca a sair da água.

“Ah, eu posso vê-lo!!”

Asuna se aproximou da água e apontou para ela. Eu estava muito distante do lago então não pude verificar. Todos os espectadores correram para ver, logo preencheram toda a encosta. Eu só pude suprimir minha curiosidade e focar toda minha força no cabo de guerra com a vara de pescar.

“...?”

Subitamente, algo fez com que todos os espectadores se afastarem da água. Todos eles começaram a dar passos para trás.

“O que foi...?”

Antes mesmo de eu terminar de falar, todos se viraram e começaram a correr. Mesmo Asuna e Nishida passaram por mim com seus rostos brancos. Eu estava prestes a olhar para trás quanto então—o peso desapareceu das minhas mãos e eu cai no chão de costas.

Ah, a linha rompeu!?

Assim que eu pensei nisso, eu joguei a vara para longe e corri em direção ao lago. Naquele momento, uma enorme onda de água surgiu da superfície.

“Eh-?!”

Minha visão congelou, meus olhos estavam muito abertos e então eu ouvi a voz distante de Asuna dizendo:

“Kiritooo—É perigoso—!!!”

Quando eu me virei, eu vi Asuna, Nishida e todos os outros que tinham ido olhar na beira do lago, que agora estavam muito distantes de mim. Eu pude ouvir a água soando atrás de mim e finalmente comecei a compreender minha situação. Então, com um sentimento de inquietação, eu me virei para trás.

O peixe estava parado.

Para ser mais preciso, a criatura era semelhante a um Celacanto[39], um misto de peixe com réptil, exceto que esse parecia estar mais puxado mais para réptil. Ele pisou na grama com suas seis poderosas pernas e olhou para baixo em minha direção, com a água caindo dele como se fossem cachoeiras.

Eu disse “olhou para baixo” por que essa coisa tinha ao menos dois metros de altura. Sua boca, que parecia capaz de devorar uma vaca inteira em uma única mordida, estava apenas um pouco acima da minha cabeça, com uma perna de lagarto familiar dentro dela.

Nos lados da colossal cabeça do peixe ancião, dois olhos do tamanho de bolas de basquete me observavam. Um cursor amarelo surgiu automaticamente o marcando como monstro.

Qual era a diferença? Essa coisa é um monstro em todos os sentidos da palavra.

Eu forcei um sorriso e dei alguns passos para trás. Então me virei e disparei para longe. O gigantesco peixe atrás de mim deu um rugido estrondeante e então começou a me perseguir com seus passos que faziam tremer o chão.

Eu coloquei toda a minha destreza ao limite e corri como se estivesse voando. Eu alcancei Asuna em alguns segundos e falei alto:

“Is-Iss-Isso foi injusto! Fugindo sozinha!!”

“Uwa, Kiritonãoéhoraparadiscutirisso!!”

Eu me virei e vi que o peixe nos seguia a uma velocidade impressionante.

“Ooh, ele está correndo no chão... Então ele é um dipnóico[40]...?”

“Kirito-san, não é uma boa hora para comentar coisas inúteis como essa!! Nós precisamos fugir rápido!!”

Dessa vez foi Nishida que gritou isso com medo. Os vários espectadores estavam em estado de choque com a situação, alguns deles estavam sentados no chão com expressões vazias.

“Kirito, você trouxe suas armas?”

Asuna disse isso enquanto aproximava sua cabeça da minha. Era difícil manter todo mundo organizado para escapar dessa situação—

“Desculpe, eu não trouxe...”

“Oh, bem... Então eu não tenho escolha...”

Asuna moveu sua cabeça e se virou para encarar o gigantesco peixe que se aproximava de nós. Ela rapidamente manipulou o menu com uma das mãos.

Nishida e os demais espectadores assistiam surpresos, Asuna tirou seu sobretudo e o cachecol e os jogou para nós. Seus cabelos dançaram no ar e agora refletiam a luz do sol.

Apesar de ela estava vestindo apenas uma saia cor de grama e uma camisa de tecido cânhamo, uma rapier estava colocado do seu lado esquerdo como se fosse um espelho. Ela a puxou com uma mão direita, a espada deu um som zumbido claro enquanto ela aguardava o gigantesco peixe que se aproximava.

Nishida, que estava parado atrás de mim, finalmente voltou a si e balançou meu braço dizendo:

“Kirito-san! Sua, Sua esposa está em perigo!!”

“Não, nós podemos a deixar cuidar disso.”

“O que você está falando!? S-Se isso é o que você tem a dizer então eu vou...”

Ele pegou uma vara de pescar de um companheiro próximo e se preparou para correr em direção de Asuna com uma expressão trágica no rosto. Eu rapidamente parei o velho pescador.

O gigantesco peixe não desacelerou nem um pouco. Ele abriu sua boca gigantesca, que tinha uma enorme fileira de incontáveis dentes e que seria capazes de devorar o corpo inteiro de Asuna se desejasse. Asuna se virou para o lado esquerdo do seu corpo desviando do peixe enquanto sua mão direita girava com uma luz prateada atrás.

Um flash de luz cegante surgiu da boca do peixe com um efeito de som de uma explosão. O peixe foi arremessado no ar, mas Asuna não saiu do lugar.

Apesar de que o monstro induzia ao medo, eu acredito que seu nível não era muito alto. Não havia como um monstro de um andar tão baixo, especialmente um que fosse de um evento de pescaria, fosse tão forte. Apesar de tudo, SAO continuava sendo um jogo que mantinha características iguais aos demais.

O peixe caiu no chão que partiu, seu HP foi reduzido drasticamente pelo ataque de Asuna. Então, Asuna lançou uma combinação de ataques consecutivos de forma impiedosa que eram dignos de seu título de <Flash>.

Nishida e os demais assistiam mudos a Asuna ativar suas habilidades uma atrás da outra de forma graciosa como se estivesse dançando. Era a beleza de Asuna ou sua força que os deixavam perplexos? Eu creio que ambas.

Assim que Asuna moveu sua espada, cortando tudo ao seu redor, ela viu que o HP do oponente tinha chegado a zona vermelha. Ela pulou para trás aumentando a distância entre eles. Depois de pousar, ela começou um ataque de área. Correndo na direção do peixe, deixando um rastro de luz atrás dela como se ela fosse um cometa. Essa era uma das mais altas habilidades de rapier: <Disparo de Luz>

Com um efeito sonoro similar a uma explosão sônica, o cometa atravessou o peixe da boca até a cauda. No momento que Asuna parou o gigantesco monstro atrás dela se partiu em numerosos pedaços de luz. Ouve um terrível som de algo sendo esmagado, criado por uma onda enorme que se formou na superfície do lago.

Asuna guardou sua rapier com um “clink” e andou de forma majestosa até nós. Nishida e os outros pescadores, que estavam com suas bocas abertas, incapazes de se mover.

“Ei, bom trabalho.”

“Isso não é justo. Me fazer lutar sozinha. Você vai comprar o lanche na próxima vez.”

“Nosso dinheiro é compartilhado agora.”

“Oh, certo...”

Enquanto eu Asuna matinhamos uma conversa relaxada, Nishida finalmente era capaz de piscar e falou:

“... ah, isso foi surpreendente… Senhora, você é mesmo muito forte. Isso pode ser um tanto rude, mas qual é o seu nível...?”

Asuna e eu olhamos um para o outro. Ficarmos nesse assunto seria perigoso para nós dois.

“An-Antes disso, olhe, o peixe deixou um item.”

Asuna pressionou algumas coisas na sua janela e uma vara de pescar prateada apareceu em suas mãos. Sendo um monstro de evento que tinha deixado isso, o valor disso era impossível de se calcular.

“Oh, ooh, é isso?!”

Nishida recebeu a vara de pescar com seus olhos faiscando. Todos os espectadores também ficaram interessados. Como eu pensava, nós fomos capazes de contornar de forma segura essa crise...

“Você... Você não é a Asuna da Knights of the Blood...?”

Um jovem jogador deu alguns passos se aproximando de Asuna, olhando intencionalmente para o seu rosto. Então seu rosto brilhou.

“Sim, é você! Eu tenho até uma foto!!”

“Ah...”

Asuna forçou um sorriso e deu alguns passos para trás. Os espectadores tiveram seu ânimo dobrado.

“Isso, isso é uma honra! Poder ver Asuna-san lutar tão de perto... Isso é ótimo! Po-Poderia me dar um autográ...”

O jovem subitamente parou de falar quando seu olhar se dividiu entre Asuna e eu por algum momento. Ele finalmente murmurou com uma expressão surpresa:

“Vocês... Vocês dois estão... casados...?”

Agora era minha vez de forçar um sorriso. Enquanto nós dois mantínhamos nossos sorrisos artificiais, enquanto uma rosa inconveniente se formava acima de nós. Apenas Nishida continuava piscando, sem ter idéia do que estava acontecendo.

Nossa lua-de-mel secreta havia terminado depois de apenas duas semanas. Mas talvez nós possamos nos considerar com sorte por fazer parte de um evento tão divertido.

Naquela noite, nós recebemos uma mensagem de Heathcliff requisitando que nós nos juntássemos à batalha contra o chefe do 75º andar.


Na manhã seguinte.

Enquanto eu ficava na beirada da cama tentando alcançar o chão, Asuna, que já havia terminado de se arrumar, andou até mim com suas botas pesadas de metal batendo contra o chão.

“Ei, você não pode ficar assim para sempre.”

“Mas foram apenas duas semanas.”

Eu respondi de forma infantil e levantei minha cabeça. Eu não podia negar que olhar para Asuna com seu uniforme branco-vermelho de cavaleira pela primeira vez tinha sido muito atraente.

Por termos temporariamente deixado a Guilda, nós podíamos recusar o requerimento. Mas as últimas linhas da mensagem: “algumas pessoas já morreram” fez as nossas consciências pesarem.

“Bem, nós devemos ir lá e verificar o que está acontecendo. Vamos, já está na hora!”

Quando ela cutucou as minhas costas, eu finalmente me movi com certa relutância e abri minha janela de equipamento. Como não éramos membros da Guilda naquele momento, eu coloquei a boa e velha jaqueta leve negra e uma armadura mínima. Então coloquei minhas duas espadas nas costas, cruzadas. O peso nas minhas costas era como uma punição pelo tempo que deixei no meu inventário. Com um movimento rápido, eu as puxei novamente e as recoloquei; o som metálico alto e claro atravessou o quarto.

“É. Isso realmente combina mais com você.”

Asuna sorriu e pegou na minha mão direita. Eu olhei para trás e me despedi da nossa nova casa, que agora não iríamos ver por um bom tempo.

“... Vamos terminar isso o mais rápido possível e então voltar.”

“Sim!”

Nós olhamos um para o outro e assentimos. Então abrimos a porta e saímos, para o ar frio do inverno.

Na praça do portão do vigésimo segundo andar, nós encontramos Nishida esperando por nós com uma vara de pescar em mãos. Nós dissemos apenas para ele que iríamos embora.

“Podemos conversar um pouco?”

Eu aceitei ao pedido do Nishida e nós três sentamos próximos um do outro na ponta da praça. Nishida começou a falar lentamente enquanto olhava para os andares superiores.

“Para falar a verdade... até hoje, histórias sobre a forma como as pessoas lutam para concluir o jogo nos andares superiores pareciam de outro mundo... Talvez eu já tivesse perdido as esperanças de sair desse lugar.”

Asuna e eu ouvíamos em silêncio.

“Eu acho que você já sabe disso, mas a indústria TI cresce a cada dia. Eu tinha começado minha carreira quando era jovem, então eu fui capaz de me manter nela. Mas agora que eu estive fora de campo por dois anos, percebi que seria impossível para eu alcançá-la. Eu não sei se poderei voltar ao meu trabalho ou não. Se fosse para eu ser tratado como um inútil e descartado, eu pensei que seria melhor apenas continuar pescando por aqui—

Ele parou de falar e formou um sorriso no seu velho e enrugado rosto. Eu não sei o que dizer. Eu suponho que eu nunca tinha imaginado tudo o que ele perdeu por estar preso no SAO.

“Eu também—“

Asuna subitamente começou a falar.

“Até meio ano atrás, eu também pensava em coisas assim e chorava sozinha todas as noites. Enquanto os dias passavam, eu sentia como se tudo: meus amigos, minha família, ir à faculdade, tudo relacionado ao mundo real tinha sido arruinado. Eu sempre sonhava com o outro mundo quando dormia... E pensava que tudo que eu podia era ficar mais forte rápido, concluir o jogo mais rápido e que o único modo de fazer isso era treinar fanaticamente minhas habilidades com armas.”

Eu olhei para Asuna surpreso. Apesar de eu nunca prestar muita atenção nos outros antes... Mas, eu nunca senti nada como isso dela durante todas as vezes que estive com ela. Bem, essa não seria a primeira vez em que eu julguei a personalidade de alguém de forma precipitada...

Asuna captou meu olhar e sorriu levemente antes de continuar:

“Mas cerca de meio ano atrás, depois de eu me teleportar para a cidade que abrigava a liinha de frente, eu vi alguém tirando um cochilo na grama da praça. Ele parecia estar em um nível bem elevado, então eu fiquei irritada e disse ‘Se você tem tempo para matar aqui, vá para um calabouço e tente nos fazer avançar nele...! ’”

Ele então cobriu a boca com a mão e riu.

“Então essa pessoa respondeu de forma inesperada, ‘Essa é a melhor estação em Aincrad e o clima está realmente bom. Seria um desperdício ir a um calabouço em um dia como esse. ’ Então ele gesticulou indicando o espaço perto dele e disse ‘Por que você não tira um cochilo também’ Ele era tão rude.

Asuna parou de sorrir; seus olhos pareciam ter tornado-se distantes enquanto ela continuava.

“Mas o que ele disse me surpreendeu. Eu percebi que ‘aquela pessoa estava vivendo de verdade naquele mundo’ ele não se importava em perder dias no mundo real e ao invés disso se focava em experimentar todos os dias esse mundo. Eu descobri que existiam pessoas assim, então eu mandei embora todos os membros da guilda e tentei me deitar perto dele por que o vento estava muito bom... E naquele momento, no calor como ser humano, adormeci. Eu não tive pesadelos naquela vez. E provavelmente foi a primeira vez que eu dormi bem desde que vim a esse mundo. No momento em que eu acordei, já era de tarde e a pessoa olhava para mim impaciente. Essa pessoa era ele...”

Quando Asuna terminou, ela segurava firme minha mão. Eu me senti extremamente envergonhado. Eu meio que me lembro de algo assim, mas...

“Desculpe Asuna... Eu não quis dizer nada tão profundo como isso; eu apenas queria tirar um cochilo...”

“Eu saberia disso mesmo se você não dissesse!”

Asuna cruzou os braços, então se virou para Nishida com um sorriso antes de continuar:

“Daquele dia em diante... Eu comecei a dormir pensando nele e como resultado os pesadelos se foram. Eu descobri onde ele vivia e arrumava tempo para ir vê-lo um pouco... Então eu comecei a observá-lo todos os dias... Quando eu percebi, estava apaixonada. Estava tão feliz por ter um tesouro tão valioso como essa emoção. Era a primeira vez que eu pensava que vir a esse mundo fora uma coisa boa...”

Asuna abaixou a cabeça, cobriu seus olhos com suas mãos e então respirou fundo.

“Kirito, o significado dos dois anos que eu passei aqui. Ele também é a prova de que eu estou viva e buscando uma razão para seguir em frente amanhã. Eu devo ter colocado aquele nerve gear e vindo para esse mundo para encontrá-lo. Nishida oji-san... Esse pode não ser o lugar mais adequado, mas eu penso que você deve fazer alguma coisa neste mundo. Não há duvidas de que esse mundo é um mundo virtual, que tudo que nós vemos e tocamos é uma imitação criada por dados. Mas para nós, nossos corações existem nessa realidade. Se isso é verdade, então tudo que experimentamos nesse mundo deve ser verdadeiro.”

Nishida piscou continuamente e assentiu várias vezes. Seus olhos estavam úmidos por de trás dos óculos. Eu também estava dando o meu melhor para segurar as lágrimas.

Isso fui eu, eu pensei. Eu fui aquele que foi salvo quando não encontrava uma razão para estar vivo, sendo quando eu estava no mundo real ou depois de ter vindo para este.

“... Sim. Sim, você está certa...”

Nishida olhou para o céu de novo e falou.

“O que eu ouvi aqui foi uma experiência sem preço. Pegar um peixe de cinco metros de altura também foi uma... Parece que minha vida não é sem sentido, não é sem sentido de forma alguma.”

Nishida assentiu mais uma vez e então se levantou.

“Ah, parece que eu tomei muito do seu tempo. Eu acredito firmemente que se pessoas como vocês lutarem para nos libertar, então nós poderemos voltar para o mundo real em breve... Acredito que não há nada que eu possa fazer para ajudar, eu posso apenas encorajá-los e torcer por vocês.”

Nishida segurou nossas mãos e as balançou.

“Nós vamos voltar. Por favor, nos acompanhe quando nós voltarmos.”

Quando eu formei a promessa com o dedo mindinho, Nishida balanço sua cabeça com um sorriso e lágrimas caindo no seu rosto.

Nós juntamos firmemente nossas mãos com Nishida e então andamos até o portão de teleporte. Assim que nós entramos no espaço que brilhava como uma ilusão. Asuna e eu olhamos um para o outro e abrimos nossas bocas ao mesmo tempo:

“Teleporte—Grandum!”

A Luz azul começou a cobrir nossa visão e apagou nossa imagem de Nishida que continuava acenando para nós.


Capítulo 20[edit]

“A equipe de exploração foi exterminada--!?”

Nós recebemos essa notícia chocante quando voltamos para o quartel general da KoB em Grandum pela primeira vez em duas semanas.

Nós estávamos em um dos andares mais altos da torre de ferro que servia como quartel e dentro da sala de conferência com uma enorme janela onde nós falamos com Heathcliff pela ultima vez. Heathcliff estava sentado no centro de uma mesa semicírcula, vestindo suas túnicas normais. Os outros líderes da guilda estavam sentados ao redor dele, exceto Godfrey que obviamente não estava presente.

Heathcliff mantinha seus finos dedos das mãos juntos frente ao rosto e assentiu lentamente em um suspiro profundo.

“Isso aconteceu ontem. Mapear o labirinto do 75º andar demorou bastante tempo, mas nós conseguimos terminar sem nenhuma casualidade. Eu já esperava que fosse difícil derrotarmos o chefe...”

Eu tinha o pressentimento de que algo assim aconteceria. A razão era que, de todos os chefes de labirintos, apenas os do 25º e do 50º eram extraordinariamente grandes e poderosos, o que resultou em pesadas perdas em ambas as batalhas.

A luta contra o gigante de duas cabeças no vigésimo quinto tinha aniquilado as tropas de elite do <O Exército>, o que se tornou uma das principais razões para o declínio da organização. Quanto aos seis monstros armados, que pareciam estátuas metálicas de Buda, lançaram um ataque de campo durante a batalha do qüinquagésimo, muitos dos jogadores ficaram assustados e se teleportaram sem permissão o que causou a destruição da linha de frente. Se os reforços tivessem chegado um pouco mais tarde, nós teríamos encarado uma aniquilação total. Fato é que a pessoa que se manteve na linha de frente sozinho naquela batalha até a ajuda chegar estava bem na minha frente.

Se um chefe extremamente forte nos aguardava a cada vinte e cinco níveis, então esse chefe não seria diferente.

“... Então, eu enviei um grupo de busca de vinte homens com membros de cinco diferentes guildas.”

Heathcliff continuou monótono. Como seus olhos estavam semi-abertos, era impossível distinguir as emoções que estavam por de trás daqueles olhos cor de cobre.

“Eles avançaram da forma mais cuidadosa possível. Dez deles se mantiveram no lado de fora como reservas... Mas quando os dez primeiros entraram e chegaram ao centro da sala, os portões se fecharam no momento que o chefe apareceu. De acordo com o relatório daqueles que ficaram esperando do lado de fora, as portas se mantiveram fechadas por cerca de 5 minutos e nada do que eles fizeram, incluindo tentar destrancar a porta ou arrombá-la, teve efeito. Quando a porta finalmente se abriu---“

A ponta da boca de Heathcliff ficou tensa. Ele fechou os olhos por um momento e continuou.

“Não havia ninguém na sala. O chefe e todos os dez homens tinham desaparecido. Não havia qualquer sinal de teleporte. Eles não fugiram... Então eu enviei alguém para checar a lista de mortos no monumento metálico dentro do Castelo de Ferro Negro para confirmar...”

Ele não disse essa parte e simplesmente balançou sua cabeça negativamente, Asuna que estava segurando sua respiração forçou dizer algo com sua voz baixa:

“Dez... Pessoas... O que aconteceu...”

“Um campo anti-cristais...?”

Heathcliff assentiu ao perceber minha pergunta.

“Essa é a única explicação. De acordo com o relatório da Asuna-kun, o 74º andar foi a mesma coisa. Então é muito provável que todas as salas de chefe de agora em diante terão campos anti-cristais.”

“Droga...”

Eu amaldiçoei aquela situação. Se uma fuga de emergência era impossível, então as chances de pessoas morrerem por causa dessas circunstâncias inesperadas aumentariam drasticamente. Nós não aceitamos qualquer casualidade—esse era o maior lema que seguíamos enquanto tentávamos concluir o jogo. Mas era impossível concluí-lo sem derrotar os chefes...

“Isso está se tornando cada vez mais um jogo da morte...”

“Entretanto, nós não podemos desistir de concluir o jogo por causa disso...”

Heathcliff fechou seus olhos e falou com uma voz baixa, mas determinada:

“Além do campo anti-cristais, a sala também é bloqueada assim que o chefe aparece. Neste caso, nós só poderemos atacar com um time grande que nós possamos comandar e coordenar. Eu originalmente não queria chamar vocês de volta depois que se casaram, mas eu espero que possam entender nosso dilema.”

Eu respondi cruzando os braços.

“Nós vamos ajudar, mas eu vou colocar a segurança da Asuna como minha prioridade máxima. Se uma situação perigosa surgir, eu irei colocar ela antes do resto do grupo.”

Heathcliff sorriu de uma maneira quase imperceptível.

“Aquele que deseja proteger ao outro é capaz de dominar a mais poderosa força. Eu irei observar suas realizações no campo de batalha. O ataque vai começar em três horas. Trinta e duas pessoas, incluindo vocês dois, irão participar. Nós vamos nos encontrar na frente do portão de teleporte em Collinia no 75º andar à uma hora em ponto. Vocês estão dispensados.”

Assim que ele terminou, o paladino vermelho e seus homens se levantaram e saíram da sala.


“Três horas--- O que nós vamos fazer?”

Asuna perguntou enquanto ela se sentava em um banco de metal. Eu simplesmente a observei em silêncio. Seu corpo estava coberto pelo seu uniforme de combate branco com decorativos vermelhos, seu cabelo longo e sedoso, seus olhos marrons rilhavam—ela era tão bela quanto uma jóia rara.

Quando ela percebeu que continuava olhando para ela sem desviar o olhar, Asuna corou e perguntou com um sorriso envergonhado:

“O... O que foi?”

Eu hesitantemente abri minha boca:

“... Asuna...”

“O Que?”

“... Por favor, não fique brava e me escute: Essa luta contra o chefe hoje... Você poderia não ir e me esperar aqui?”

Asuna primeiro me encarou, então ela abaixou a cabeça e com uma expressão melancólica disse:

“... Por que você está dizendo isso...?”

“Apesar do que o Heathcliff disse, nós não podemos prever o que vai acontecer em um lugar onde cristais não podem ser usados. Eu estou realmente com medo... Quando eu penso sobre isso... Que alguma coisa acontecesse com você...”

“... Você quer que eu espere em um lugar seguro enquanto você vai para um lugar tão perigoso sozinho?”

Asuna se levantou e andou até mim com passos confiantes. Seus olhos queimavam em paixão.

“Se eu ficasse e você não voltasse, então eu cometeria suicídio. Não apenas eu perderia minha razão de viver, mas eu também nunca me perdoaria por ter simplesmente esperado aqui. Se você quer fugir, então vamos fugir juntos. Se isso é o que você quer fazer, então eu estou bem com isso.”

Ela terminou de falar e tocou meu peito com os dedos da sua mão direita. Seus olhos doces e seu belo sorriso estavam diante de mim.

“Mas, você sabe... Todo mundo que está indo para essa batalha hoje está com medo e todos eles querem fugir. Ainda assim, apesar do medo, eles concordaram em se juntar. Isso é por causa do líder e de você... Porque as duas pessoas mais fortes desse mundo estarão do lado deles... Isso é o que eu penso... Eu sei que você não quer tomar essa responsabilidade. Mas eu espero que você tente ao menos dessa vez, não apenas por eles, mas por nós... Para que possamos voltar ao mundo real. Para que nós possamos voltar a nos encontrar de novo: Eu espero que nós façamos o nosso melhor, juntos.”

Eu levantei minha mão direita e segurei a mão macia de Asuna. O sentimento de que eu não queria perdê-la fluía de dentro do meu coração.

“... Desculpe... Eu fiquei fraco por um momento. Para falar a verdade, eu realmente desejo que nós possamos fugir juntos. Eu não quero que você morra e eu também não quero morrer. Nós não precisamos...”

Eu olhei nos olhos de Asuna e continuei falando.

“Está tudo bem se não pudermos voltar ao mundo real... Eu quero viver com você naquela floresta. Apenas nós dois... Para sempre...”

Asuna segurou seu peito com sua outra mão. Ela fechou seus olhos e franziu a testa como se estivesse tentando suportar algo. Então, um suspiro desanimado escapou dos seus lábios.

“Sim... Isso seria como um sonho... Seria ótimo se pudéssemos fazer isso... Passar todos os nossos dias juntos... Para sempre...”

Ela parou ali e mordeu seu lábio como se estivesse tentando se livrar desse desejo. Então ela abriu seus olhos e olhou para mim com uma expressão séria no rosto.

“Kirito, você já pensou sobre isso...? Sobre o que está acontecendo com nossos corpos reais nesse momento?”

Eu estava sem palavras com aquela pergunta inesperada. Isso era algo que provavelmente todo jogador já deve ter se perguntado, mas como não havia como contatar o mundo exterior, era inútil pensar sobre isso. Apesar de todos estarem assustados, eles evitavam confrontar essa pergunta.

“Você se lembra? Aquela pessoa... O evento de abertura desse jogo feito por Kayaba Akihiko. Ele disse que o NerveGear permitia duas horas de desconexão, mas a razão para isso...”

“... Para mover nossos corpos para hospitais...”

Asuna assentiu quando eu murmurei isso.

“Então alguns dias depois, todo mundo foi desconectado por um tempo, certo?”

Algo assim deve ter acontecido. Eu observei o aviso de desconexão e fiquei preocupado, pensando se o NerveGear iria me matar em duas horas.

“Eu acho que todos nós fomos enviados para hospitais então. É impossível tomar conta de uma pessoa em coma em casa por anos. Eles devem ter nos enviado para hospitais e então nos conectaram novamente...”

“... Sim, eu acho que você está certa...”

“Se nossos corpos estão deitados em uma cama, mantendo-se vivos apenas por causa de vários tubos conectados a eles... Eu não acho que eles serão capazes de manter essa situação segura para sempre.”

Eu subitamente fui tomado pelo meu do meu corpo começar a desaparecer; Eu abracei Asuna para confirmar nossa existência.

“... Em outras palavras... Não importa se nós vamos concluir ou não esse jogo... Sempre vai existir um tempo limite...”

“... E esse tempo limite é diferente de pessoa para pessoa... Sei que falar sobre <O outro lado> é um tabu aqui. Eu não tinha discutido isso com ninguém mais... Mas você é diferente. Eu... Eu quero passar minha vida toda do seu lado. Eu quero sair com você de verdade, me casar com você de verdade e então ficarmos velhos juntos. Então... Então...”

Ela não conseguiu continuar. Asuna colocou seu rosto contra meu peito e deixou suas lágrimas saírem. Eu lentamente a apertei e a ajudei a terminar suas palavras.

“Então... Nós não temos escolha a não ser lutar agora...”

Meus medos não desapareceram. Mas como eu poderia desistir agora quando Asuna estava dando seu melhor para criar um futuro enquanto tentava impedir que sua mente entrasse em colapso?

Está tudo bem—tudo vai ficar bem. Enquanto nós estivermos juntos, definitivamente isso—

Eu segurei os braços de Asuna e abracei com mais força, para tentar impedir que aquela estranha sensação me dominasse.


Capítulo 21[edit]

Havia um grupo de jogadores que, obviamente, eram de um nível elevado, esperando na praça de teleporte em Collinia. Então, de imediato, percebi que eles eram o grupo. Enquanto Eu e Asuna saiamos do portão e nos aproximávamos deles, eles fecharam suas bocas e olharam tensos em nossa direção. Alguns deles fizeram a saudação da guilda.

Eu parei de andar quando a surpresa tomou conta de mim, mas Asuna os saudou em retorno e então me puxou para o seu lado.

“Ei, Kirito, você é um líder agora, então deve cumprimenta-los corretamente!”

“O que...?”

Eu os saudei sem jeito. Eu estive em vários grupos contra chefes, mas essa era a primeira vez que eu recebia tanta atenção.

“Ei!”

Alguém bateu no meu ombro, e eu me virei e vi o mestre da katana, Cline, sorrindo com sua bandana. Surpreendentemente, o corpo enorme de Egil estava atrás dele, totalmente equipado com um machado de duas mãos posicionado.

“O que... Vocês também vão participar do grupo?”

“Por que está tão surpreso? Você não está levando a gente a sério?!”

Egil gritou indignado.

“Eu até mesmo deixei minha loja por que ouvi que vocês estavam passando por um momento difícil. E pensar que vocês não gostam desse meu sacrifício altruísta...”.

Eu bati no ombro de Egil com meu corpo relaxado quando ele disse isso.

“Eu entendo seus sentimentos muito bem. Então nós podemos contar você quando nós dividirmos os itens, certo?”

Quando eu disse isso, o gigante franziu o rosto e uniu as sobrancelhas fazendo um sinal de oito (八).

“Bem. Is-Isso é um pouco...”.

Quando sua voz furiosa desapareceu, Asuna e Cline, simultaneamente, caíram na risada. Foi algo rápido, que chegou até os outros jogadores e que parecia ter lavado a ansiedade de todo mundo.

Então, exatamente a uma hora, vários outros jogadores chegavam pelo portão. Era Heathcliff, vestido com seu sobretudo vermelho e seu enorme escudo em cruz na mão e a elite da KoB. Uma atmosfera tensa tomou os jogadores novamente quando eles viram os recém-chegados.

Se fosse para comparar seus níveis e status, a única pessoa que estaria acima de Asuna e Eu seria, provavelmente, Heathcliff, mas a sua organização projetava uma enorme força com seu trabalho em equipe. Além das roupas vermelha e branca da guilda, suas armaduras e armas eram completamente diferentes; além disso, sua força parecia estar muito acima da que a unidade do <O Exército> utilizava.

O paladino e seus quatro subordinados andaram até nós, o grupo então se dividiu em apenas dois. Cline e Egil foram forçados pela ocasião a dar alguns passos para trás, enquanto Asuna calmamente os saudava.

Depois de parar, Heathcliff assentiu para nós e falou para o grupo inteiro:

“Parece que todo mundo está aqui. Obrigado por isso. Eu acredito que todos entendem a situação atual. Essa será uma batalha difícil, mas eu acredito que com sua força, nós iremos prevalecer. Nós devemos lutar pela nossa liberdade desse jogo---!”

Quando Heathcliff gritou isso com sua voz poderosa, os outros jogadores se juntaram em um rugido inspirador. Eu estava surpreso em como o seu carisma atraia as pessoas como se fosse um imã. Era surpreendente que uma pessoa com uma qualidade de liderança estivesse entre jogadores hardcores que, normalmente, sofriam com a falta de habilidade social, ou talvez tenha sido esse mundo que fez florescer seus talentos? Eu gostaria de saber que ele era no mundo real...

Heathcliff se virou para mim como se sentisse meu olhar então disse com um sorriso:

“Kirito-kun, eu estarei observando seus esforços. Eu espero que você use suas <Lâminas Duplas> com tudo que tem.”

Nem pressão nem medo podiam ser ouvidos da sua voz baixa e macia. Ninguém poderia acreditar no fato incrível de que Heathcliff mantinha uma atitude tão calma diante de uma batalha tão difícil quanto a que tínhamos em frente.

Depois de eu assentir silencioso, Heathcliff se virou para os jogadores e levantou seu punho para o ar.

“Então nós começaremos. Nós vamos abrir um corredor que nos levará a área em frente à sala do chefe.”

Ele pegou um cristal azul-marinho do seu bolso quando disse isso, diante dos murmúrios e a admiração dos outros jogadores.

Cristais de teleporte normais podiam teleportar usuários ao portão de uma cidade escolhida, mas o item que Heathcliff puxou era um <Cristal de Corredor> que podia abrir um portão de teleporte para qualquer lugar que o jogador marcasse. Não preciso dizer que esse era um item muito útil.

Mas como era tão útil, era também extremamente raro e não eram vendidos em lojas de NPCs. Eles podiam ser adquiridos apenas em baús de tesouros de labirintos ou deixados por monstros, então apenas alguns jogadores tinha posse deles e não costumavam usar. A razão pela qual os jogadores estavam tão surpresos não era por ver um item tão raro, mas por Heathcliff o estar utilizando.

Heathcliff levantou o cristal e na frente dos outros jogadores, disse:

“Corredor, abra!”

O extremamente caro cristal se partiu e um manto de luz azul marinho surgiu.

“Então, pessoal, sigam-me.”

Depois de um cuidadoso olhar para todo o grupo, Heathcliff partiu em direção da luz azul com suas roupas vermelhas flutuando atrás dele. Seu corpo foi imediatamente engolido pela luz e desapareceu. Seus quatro subordinados da KoB o seguiram sem mais palavras.

Naquele ponto, muitas pessoas começaram a cercar a praça. Eles devem ter escutado sobre a batalha contra o chefe e vieram nos ver partir. Os guerreiros andaram até a luz um atrás do outro diante de gritos encorajadores.

Asuna e eu éramos os únicos que restaram. Nós olhamos uma para o outro e trocamos um aceno, unimos nossas mãos e saltamos em direção do redemoinho de luz juntos.


Depois da sensação de tontura do teleporte ter passado, eu abri meus olhos e vi que de fato nós estávamos no labirinto. Era um largo corredor, com duas fileiras de pilares e um enorme portão no final.

O labirinto do 75º andar fora construído com algum tipo de obsidiana[41]. Ao invés das pedras brutas e rudimentares dos andares inferiores, as pedras aqui pareciam ter sido polidas e posicionadas sem espaços entre elas. O ar era frio e úmido e uma pequena névoa cobria o andar.

Asuna cruzou seus braços como se estivesse sentido o frio e então falou:

“... De alguma forma... Eu tenho um mau pressentimento...”.

“Sim...”

Eu concordei.

Nos dois anos que se passaram, nós tínhamos concluído os labirintos dos outros setenta e quatro andares e derrotado um número igual de chefes. Depois de ganhar tanta experiência, nós podíamos deduzir a força do chefe apenas olhando para seu covil.

Os trinta jogadores que estavam conosco abriam seus menus e checavam seus itens equipados; seus rostos estavam sérios.

Eu levei Asuna até atrás de um pilar e coloquei meu braço sobre seu corpo. A ansiedade dessa luta que eu estava segurando começava a fluir. Meu corpo começou a tremer.

“… Não se preocupe.”

Asuna sussurrou no meu ouvido:

“Eu vou proteger você.”

“Não... Não é que eu esteja com medo de lutar...”.

“Fufu.”

Asuna deu uma pequena risada e continuou:

“Então... Você também tem que me proteger, Kirito.”

“Sim... Definitivamente.”

Eu apertei meu braço ao redor dela mais uma vez antes de nos separarmos. Heathcliff, que estava agora com seu escudo em forma de cruz, falou enquanto verificava seu equipamento.

“Está todo mundo pronto? Nós não temos informação sobre os padrões desse chefe. A KoB vai ficar responsável pela defesa contra os ataques dos inimigos; então todos devem usar essa chance para analisar o padrão de ataque do inimigo e contra-atacar.”

Todos assentiram silenciosos.

“Muito bem—vamos.”

Heathcliff disse calmo. Então ele andou confiante até a porta de obsidiana e colocou sua mão sobre ela. Isso fez com que todos ficassem ainda mais tensos.

Eu bati nos ombros de Cline e Egil, que estavam ao meu lado e disse para eles quando se viraram:

“Não morram.”

“Heh, se preocupa com você mesmo.”

“Eu não tenho intenção de morrer antes de fazer uma fortuna com os itens raros que vou pegar da luta de hoje.”

Quando eles deram essas arrogantes, porém bem humoradas, respostas, a porta começou a se abrir com um som pesado. Os jogadores prepararam suas armas, então eu puxei minhas duas espadas das costas. Eu olhei para Asuna, que mantinha sua rapier na mão e acenei para ela.

Heathcliff puxou sua espada do seu escudo por último. Ele levantou sua mão para e gritou:

“—Comece a batalha!”

Então ele andou, atravessando os portões abertos entrando na sala, com todos os demais o seguindo bem atrás.

A sala de dentro era como um gigantesco domo. Parecia até maior do que a arena em que eu e Heathcliff duelamos. Os muros escuros se curvavam no ar, formando uma cúpula bem acima de nossas cabeças. Depois que os trinta e dois jogadores entraram na sala e fizeram sua formação as portas atrás de nós se fecharam em uma explosão. Agora era impossível que elas fossem abertas a não ser que o chefe fosse morto ou nós fossemos exterminados.

Todo o grupo ficou em silêncio por um bom tempo. Apesar de nos mantermos atentos aos arredores, o chefe ainda não tinha aparecido. O tempo fazia nossos nervos se acenderem a cada segundo que lentamente se passava.

“Ei---“

Apenas alguém não conseguiu suportar o tenso silêncio por mais um pouco...

“Em cima de nós!!”

Asuna gritou perto de mim. Eu olhei para cima surpreso.

Na cúpula do domo—estava ali.

Uma centopéia—!?

Fora esse o pensamento que passou pela minha cabeça no momento que eu vi. Ela tinha cerca de 10 metros de largura, mas seu corpo era dividido em muitas partes que me lembravam mais uma espinha humana do que um inseto. Pernas afiadas feitas de ossos que podiam ser vistas saindo de todas as articulações. Quando eu mudei meu olhar para a parte baixa do corpo, ele se tornou mais espesso, até que um crânio hediondo surgiu no meu campo de visão. Aquilo não era um crânio humano. No final daquele crânio liso, estavam dois pares de olhos com chamas azuis brilhando neles. As mandíbulas se projetavam para fora mostrando uma fileira de dentes afiados, além de dois braços enormes em forma de foices de ambos os lados do crânio.

Quando eu foquei meu olhar naquilo, o nome do mostro surgiu com um cursor amarelo: <O Retalhador>---um esqueleto caçador de humanos.

Enquanto os jogadores chocados assistiam a centopeia esqueleto rastejar até o teto, suas pernas se projetaram acima de nós—então ela mergulhou em nossa direção.

“Não fiquem aí parados! Separar!!”

A voz afiada de Heathcliff cortou o ar congelado. Os jogadores finalmente voltaram a si e começaram a se mover. Nós corremos para longe da área estimada de aterrissagem.

Mas três pessoas que estavam posicionadas bem abaixo do mergulho da centopeia foram mais lentas. Eles simplesmente ficaram parados olhando para cima como se estivesse em dúvida sobre que direção tomar.

“Por aqui!”

Eu gritei correndo. Os três jogadores finalmente acordaram e começaram a correm na minha direção—

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Mas, naquele momento, a centopeia aterrissou atrás deles e causou um baque violento. Os três perderam o equilíbrio por causa disso e a centopeia os golpeou com seu braço direito—uma enorme foice feita de ossos, tão grande quanto uma pessoa, diretamente.

Os três jogadores foram cortados nas costas e jogados no ar simultaneamente. Seus HPs caíram muito rápidos enquanto eles voavam—então passou da área amarela e então para parte vermelha—

“---!?”

Todos eles chegaram até o zero. E seus corpos começaram a se partir no ar, em incontáveis pedaços de vidro. Os efeitos de som anunciando a morte começaram a soar um atrás do outro.

“----!!”

Eu ouvi Asuna segurar sua respiração ao meu lado. Eu podia sentir seu corpo ficar rígido com o choque.

Eles morreram—com um golpe só—!?

No sistema de SAO, que utilizava tanto os níveis quanto as habilidades, o HP máximo dependia do nível, então quanto mais alto o nível mais difícil era de se matar, independente da habilidade de luta. O grupo que estava aqui hoje era composto apenas de jogadores de alto nível, então, mesmo sendo um chefe, todos deveriam ao menos aguentar um pequeno combo—isso era o que todos tinham pensado. Mas com um golpe só—

“Isso... Isso é impossível...”.

Asuna murmurou forçando sua voz a sair.

A centopeia esqueleto tinha tirado a vida de três em questão de instantes levantou seu corpo e avançou contra o grupo de jogadores com um rugido ameaçador.

“Ahhhh--!!”

Os jogadores que estavam na sua direção gritaram em pânico. A foice feita de ossos estava levantada no ar novamente.

Naquele momento crítico, uma figura saltou bem na frente da foice. Era Heathcliff. Ele levantou se escudo e bloqueou o ataque, causando faíscas e um som ensurdecedor com o impacto.

Mas havia duas foices. Enquanto o braço direito continuava a atacar Heathcliff, a criatura levantou a foice esquerda em direção dos jogadores congelados.

“Droga...!”

Eu corri quase se inconscientemente, rápido o suficiente para cobrir a distância, como se estivesse voando e então conseguiu parar bem na frente da foice. Cruzei minhas espadas e bloqueei o ataque.

É muito poderoso—!

Naquele momento, uma nova espada passou por mim em uma trilha de luz e golpeou a foice. Um som de choque soou. Quando a foice cedeu por um momento, eu imediatamente coloquei toda minha força para empurrar a foice para trás.

Do meu lado, Asuna olhou para mim e disse:

“Se é impossível atacarmos ao mesmo tempo—nós podemos, ao menos, bloquear os ataques! Se formos nós, então isso será possível!!”

“Ok—vamos fazer isso!”

Eu assenti. Apenas por saber que Asuna estava do meu lado me deu força suficiente.

Quando a foice voltou a atacar na horizontal, tanto eu quanto Asuna golpeamos na parte baixa para pará-la. Nossas espadas golpearam a lamina da foice em perfeita sincronia e, dessa vez, fora foice que teve de recuar.

Eu elevei minha voz e gritei:

“Nós vamos parar as foices! Todo mundo, ataquem pelos lados!”

Fora como se minha voz tivesse tirado todos de uma espécie de transe. Os jogadores gritaram, levantaram suas armas e avançaram em direção do corpo da centopeia. Um número de ataques atingiu o corpo do inimigo e o HP do chefe diminuiu um pouco.

Mas logo depois disso eu pude ouvi o grito de mais alguns jogadores, eu arrisquei olhar depois de contra-atacar a foice novamente e vi que algumas pessoas tinham caído para uma longa lança em forma de osso no fim da cauda da centopeia.

“Argh…!”

Eu cerrei os dentes. Nós devíamos ajudar, mas Asuna e eu, assim como Heathcliff, que estava protegendo contra a foice esquerda, sozinho, a apenas alguns metros, já estávamos com nossas mãos cheias.

“Kirito…!”

Quando eu ouvi a voz de Asuna eu me virei para ela.

—Não! Se nós nos distrairmos, nós vamos ser atingidos!

—Sim, você está certo... Está vindo de novo!

—Bloquear com um corte vertical!

Nós falamos um para o outro com apenas uma troca de olhares e bloqueamos a foice com movimentos perfeitamente sincronizados.

Esforçamo-nos a ignorar os gritos que podiam ser ouvidos de tempos em tempos e nos concentramos em bloquear os poderosos ataques do inimigo. Por incrível que pareça, nós não precisávamos falar ou mesmo olhar um para o outro. Era assim enquanto nós nos mantínhamos ligados um ao outro. O inimigo atacava tão rápido que não dava chance de respirar, mas nós continuávamos a revidar todas às vezes ativando as mesmas habilidades precisamente no mesmo instante.

Dessa forma eu, que sempre estive lutando nos meus limites toda minha vida, experimentei algo que nunca tinha experimentado antes. Era uma experiência completamente surreal—era como se Asuna e eu tivéssemos nos tornado uma única pessoa usando uma única espada. Nosso HP continuou caindo pouco a pouco, com os choques dos ataques do inimigo que bloqueávamos, mas nós já não nos importávamos com isso.


Capítulo 22[edit]

A luta continuou por mais de uma hora.

Parecia que uma eternidade tinha passado antes que a batalha finalmente terminasse. Quando o corpo gigantesco do chefe se partiu em pedaços, ninguém mais possuía energia nem para comemorar. Alguns caíram sentados no chão de obsidiana ou deitaram no chão, cansados e com a respiração irregular.

Isso—acabou?

Sim—Acabou—

Depois de trocarmos esses pensamentos, eu senti que a <conexão> entre Asuna e eu havia sido rompida. A fadiga subitamente tomou conta do meu corpo e eu cai de joelhos no chão. Asuna e eu sentamos com nossas costas uma contra a outra, nos sentindo incapazes de fazer qualquer coisa por um tempo.

Nós estamos vivos—mas mesmo quando eu penso nisso, não consigo ficar feliz quanto à situação. Muitas pessoas morreram. Depois das primeiras três mortes no começo da batalha, o efeito sonoro infernal de pessoas tornando-se vidro e se despedaçando continuou soando constantemente e eu me forcei a parar de contar no sexto.

“Quantos—morreram…?”

Cline, que estava sentado na minha esquerda, perguntou com a voz ofegante. Egil, que estava ao seu lado, com seus braços e pernas esticados, também virou sua cabeça.

Eu movi minha mão direita e abri o mapa, contando os círculos verdes nele. Subtrai o número de presentes com o número de pessoa que estavam na saída.

“—Catorze mortos.”

Eu não podia acreditar que esse era o número e me vi contando novamente.

Eles eram todos jogadores de alto nível, guerreiros habilidosos e com experiência de incontáveis batalhas. Mesmo que nós não pudéssemos escapar ou nos curar instantaneamente, podíamos ao menos ser capazes de evitar sofrer tantas baixas se lutássemos colocando nossa sobrevivência em primeiro lugar—isso foi o que todos nós pensamos, mas—

“... Impossível...”

Egil não tinha em sua voz um traço sequer da sua animação usual. A melancolia, quase depressiva, tomou conta dos sobreviventes.

Nós éramos apenas três quartos do que fomos—ainda haviam vinte e cinco andares para concluir. Mesmo que houvesse milhares de jogadores aqui, apenas algumas centenas estavam sérias quanto a terminar o jogo. Se todos os andares seguintes tiverem tantas fatalidades como essa, então é muito provável que apenas uma pessoa irá enfrentar o chefe final.

Se isso acontecer, a última pessoa que restará será provavelmente aquele homem...

Eu movi meu olhar para a parte de trás da sala. Quase todos estavam sentados naquele lugar, mas uma figura vestida de vermelho continuava de pé. Essa pessoa era Heathcliff.

É claro, ele não estava em seu aspecto perfeito. Quando eu me foquei nele, o cursor apareceu mostrando seu HP, e posso dizer que ele havia tomado uma boa quantia de dano. Ele estivera defendendo uma das foices enquanto Asuna e eu mal conseguíamos escapar dela, sozinho, até o fim. Não seria estranho se ele tivesse desmaiado de exaustão, independente do seu HP.

Mas eu não podia sentir um único traço de cansaço da sua figura serena. Ele possuía uma resistência que era difícil de acreditar. Era como se ele fosse uma máquina de lutar...

Minha mente ainda estava raciocinando perfeitamente por causa da fadiga, eu continuei a encarar o rosto de Heathcliff. A expressão da lenda era composta. Ele silenciosamente observava os membros da KoB e os outros jogadores. Seus olhos demonstravam bondade e misericórdia, como se...

Como se ele estivesse olhando um bando de ratos brancos presos em uma gaiola.

Bem ali, um pressentimento passou pelo meu corpo.

Minha mente ficou clara por um instante. Meu corpo ficou gelado, da ponta dos meus dedos e se espalhando por todo o meu corpo. Era uma sensação estranha. A ideia impossível infestou minha mente e uma semente de suspeita cresceu ali.

A expressão nos olhos de Heathcliff, a calma que ele demonstrou, não era o olhar de alguém consolando seus companheiros feridos. Ele não estava no mesmo nível que nós. Aquela expressão oferecendo misericórdia de um lugar bem distante, acima de nós—essa era expressão de um deus...

Eu pensei no tempo de reação não-humano que Heathcliff mostrou durante o duelo. Eu tinha dito que ele havia ultrapassado os limites da velocidade humana. Não, eu estava errado; aquilo ultrapassou o limite imposto a todos os jogadores em SAO.

E no topo de tudo isso: Ele era o líder da guilda mais poderosa, ainda que nunca nos desse ordens, e assistiu os outros jogadores cuidarem das coisas. Talvez porque ele não confiava totalmente em seus homens, talvez por que ele estava se segurando, por que conhecia coisas que os jogadores normais não conheciam!

Ele era um ser que não estava abaixo das regras desse jogo da morte. Ainda que não fosse um NPC. Não havia como um programa ser capaz de fazer aquela expressão, que agora estava em seu rosto.

Se ele não era nem um NPC nem um jogador normal, então só restava uma única possibilidade. Mas como diabos eu poderia confirmar isso? Não havia como o fazer... Nenhum meio sequer.

Não, havia um. E era algo que eu só poderia tentar aqui e agora.

Eu olhei para barra de HP de Heathcliff. Estava bastante reduzida por causa da batalha difícil, mas não havia chegado nem aos cinquenta por cento. Estava próximo, apenas próximo da zona azul.

Ninguém nunca viu o HP dessa pessoa chegar a zona amarela. Ele possuía uma defesa extraordinária a qual ninguém podia se comparar.

Durante seu duelo comigo, sua expressão mudou no momento em que seu HP chegou à metade. Isso podia ter sido medo de seu HP chegar até o amarelo.

Aquilo foi... Provavelmente...

Eu lentamente apertei o punho da minha espada com a mão direita. Dei um passo para trás com meu pé direito lentamente. Resetei meu corpo, colocando-me em posição de corrida. Heathcliff não percebeu nenhum dos meus movimentos. Seu olhar caloroso agora se direcionava aos seus membros da guilda que estavam esgotados.

Se o que eu estava pensando estivesse errado, então eu seria considerado um criminoso e punido sem misericórdia.

Se isso acontecer... Desculpe-me...

Eu olhei para Asuna, que estava ao meu lado. Ela levantou a cabeça no momento em que nossos olhares se cruzaram.

“Kirito…?”

Uma expressão surpresa surgiu em Asuna, que moveu sua boca, mas não conseguir sair um único som dela. Minha perna direta já se projetava para longe.

Havia cerca de dez metros entre mim e Hethcliff. Eu disparei na direção dele a toda velocidade, com meu corpo quase tocando o chão e alcançando a ele em um instante. Então inclinei minha espada e o golpeei por cima. Era uma habilidade básica de espada de uma mão <Lâmina Furiosa>. Por ser uma habilidade fraca, não mataria Heathcliff mesmo que fizesse um ataque crítico. Mas se o meu palpite estiver correto...

A lâmina atravessou pela esquerda, deixando um rastro de luz azul. Heathcliff reagiu em a uma velocidade surpreendente, com uma expressão chocada no rosto. Ele imediatamente levantou seu escudo tentando defender. Mas eu já o tinha visto fazer aquele movimento muitas vezes durante nosso duelo e lembrava isso claramente. Minha espada se dissolveu em um brilho de luz, mudando seu curso no meio do ar, cortando de leve a ponta do escudo antes de atravessar e perfurar o peito.

Entretanto, antes que a espada pudesse atravessá-lo, foi parada por um muro invisível. Um poderoso choque percorreu meu braço. Uma faísca de luz roxa surgiu ao mesmo tempo em que uma mensagem da mesma cor—uma mensagem estava entre nós.

[Objeto Imortal]. Isso não era um status que coisas frágeis como nós jogadores pudéssemos ter. O que Heathcliff temia durante o duelo iria revelar sua proteção divina para todos.

“Kirito, o que você---“

Asuna, que estava surpresa com meu ataque súbito, correu até mim, antes de parar congelada após ver a mensagem. Eu, Heathcliff, Cline e todos os outros jogadores ao nosso redor estavam igualmente sem reação. A mensagem do sistema desapareceu lentamente no meio de toda aquela petrificação.

Eu abaixei minha espada e saltei para trás, aumentando a distância entre Heathcliff e eu. Asuna deu alguns passos para frente e ficou ao meu lado.

“Imortalidade garantida pelo sistema... Como isso é possível... Mestre da guilda...?”

Heathcliff não respondeu depois de ouvir a voz confusa de Asuna. Ele apenas me observava com uma expressão severa. Com ambas as minhas espadas em mão, eu abri minha boca e falei:

“Essa é a verdade por de trás da lenda. Seu HP era protegido pelo sistema e não chegava a zona amarela não importava o que acontecesse. O status de imortalidade...além dos NPCs, apenas administradores do sistema poderiam ter. Mas esse jogo não tem administradores, exceto talvez uma pessoa...”

Eu parei de falar naquele momento e olhei para os céus.

“... Eu estive sempre me perguntando, desde que cheguei a esse mundo... Apenas de onde ele estaria nos assistindo e manipulando esse mundo, mas eu me esqueci de uma simples verdade, que até mesmo uma criança sabe.”

Eu olhei para paladino vermelho estático e continuei:

“<Não há nada mais chato do que assistir alguém jogar um jogo>. Não é verdade?....... Kayaba Akihiko?”

Houve um silêncio atordoante, como se todos tivessem sido congelados.

Heathcliff me olhava com uma expressão sem emoção. Os jogadores ao nosso redor não moveram um músculo sequer. Não, para ser mais preciso: Eles não podiam se mover.

Asuna deu um passou a frente. Seus olhos não continham um traço sequer de emoção, como se eles fossem duas órbitas vazias. Ela abriu sua boca um pouco e falou com a voz seca, quase inaudível.

“Líder... Isso...... É verdade....?”

Heathcliff ignorou a pergunta. Ao invés disso, ele inclinou a cabeça e me perguntou:

“... Apenas como referência, poderia dizer-me como você percebeu?”

“... Na primeira vez que percebi que alguma coisa estava errada fora no nosso duelo, por causa que sua velocidade nos momentos finais era simplesmente muito veloz.”

“Como eu suspeitei. Isso foi um erro grave da minha parte. Eu estava tão impressionado com sua velocidade que acabei utilizando a assistência do sistema acima dos limites normais.”

Quando Heathcliff assentiu, seu rosto finalmente revelou outra expressão; seus lábios se moveram de leve e formaram um pequeno sorriso.

“Eu originalmente esperaria até alcançarem o nonagésimo-nono andar antes de isso ser revelado.”

Seu sorriso mudou para algo que demonstrava autoridade enquanto ele lentamente movia seu olhar em direção dos jogadores. Então, o paladino vermelho disse confiante:

“—Sim. Eu sou Kayaba Akihiko. Eu também só o chefe final desse jogo que aguarda a todos vocês no último andar.”

Eu senti Asuna se desequilibrar ao meu lado. Eu estendi meu braço direito par segurá-la, sem desviar o meu olhar.

“... Você tem gostos muito estranhos. Para pensar que o jogador mais forte se tornaria o mais terrível chefe final.”

“Você não acha que esse é um cenário interessante? Eu originalmente pensava que essa revelação seria uma onda de choque que atravessaria toda Aincrad, mas eu nunca pensei que seria descoberto com apenas três quartos do jogo completo. Eu sabia que você nesse jogo seria um fator extremamente imprevisível, mas eu nunca pensei que teria tanto potencial.”

Como quando o criador desse jogo prendeu as mentes de dez mil jogadores, Kayaba Akihiko sorriu da mesma forma como eu me lembrava e encolheu os ombros. As expressões de Kayaba eram totalmente diferentes daquelas de Heathcliff, o Paladino. Mas aquela impenetrável presença continuava similar ao seu avatar inexpressivo que surgiu sobre nós dois anos atrás.

Kayaba continuou com um pequeno sorriso:

“... Eu já esperava que você se tornaria o jogador que lutaria contra mim no final. De todas as dez habilidades únicas, <Lâminas Duplas> são concedidas ao jogador com a maior capacidade de reação, seria então ele que teria o papel de herói contra o chefe final, independente se ele vencesse ou morresse. Entretanto, você demonstrou uma força que ultrapassou minhas expectativas, bem como sua velocidade e instinto. Bem... Eu suponho que desenvolvimentos imprevisíveis são parte de um RPG online...”

Naquele momento, um dos jogadores que estava congelado se levantou lentamente. Ele era um dos líderes da KoB e seus olhos pareciam repletos de agonia.

“Você... Você... Como se atreve a tomar nossa lealdade, nossas esperanças....... E... E...... Simplesmente as esmagar?!”

Ele levantou sua enorme alabarda no ar e se lançou gritando. Não havia tempo suficiente para tentar pará-lo. Nós só podíamos observar ele golpeando Kayaba com sua arma---

Mas Kayaba estava um passo a frente. Ele moveu sua mão esquerda e rapidamente manipulou o menu que apareceu; o homem imediatamente parou seu ataque no meio e caiu no chão em um baque alto. Uma linha verde surgiu na sua barra de HP, indicando que ele estava paralisado. Entretanto, Kayaba não parou por ali e continuou movendo sua mão.

“Ah… Kirito…!”

Eu me virei e vi Asuna de joelhos no chão. Não era apenas ela, mas todos os jogadores, com exceção de Kayaba e eu que estávamos parados, gemiam em diferentes posições.

Depois de guardar minhas lâminas, eu me abaixei e peguei a parte superior do corpo de Asuna com meu braço, segurando sua mão. Então eu olhei novamente para Kayaba.

“...O que você vai fazer agora? Vai matar a todos nós para esconder a verdade…?”

“É claro que não. Eu nunca faria algo tão irresponsável.”

O homem de vermelho sorriu e balançou a cabeça.

“Mas vendo que a situação chegou a esse ponto, eu não tenho outra escolha. Eu vou mover-me até o topo e aguardar até que você chegue no <Castelo Escarlate de Jades[42]> no último andar. É uma pena eu ter que abandonar a KoB, assim como os outros jogadores da linha de frente que eu estive cuidadosamente cultivando para lutarem contra os poderosos mobs[43] do nonagésimo andar em diante, mas eu acredito que todos vocês tenham forças o suficiente para alcançar o último andar. Porém... Antes disso...”

Kayaba subitamente parou de falar e moveu seus olhos, repletos de vontade, para focá-los em mim. Ele então abaixou sua espada lentamente até o chão de obsidiana e um som metálico ressoou pelo ar.

“Kirito, como você descobriu minha verdadeira identidade, eu devo recompensá-lo com uma oportunidade: Você pode ter um duelo mano a mano contra mim, agora mesmo. É claro que eu vou negar o meu status de imortalidade. Se você vencer, o jogo será concluído imediatamente e, é claro, todos os jogadores vão poder sair. O que você me diz...?”

Assim que ela ouviu isso, Asuna começou a se contorcer em meus braços, tentando desesperadamente mover seu corpo paralisado enquanto ela balançava sua cabeça.

“Não, Kirito...! Ele está tentando se livrar de você primeiro... Agora... Agora você não pode aceitar...!”

Meus instintos diziam que esse era o melhor curso de ação. Esse cara era um administrador que podia intervir no sistema. Mesmo que ele dissesse que seria uma luta justa, não havia como saber se ele estava ou não manipulando o sistema de alguma forma. A melhor escolha seria recuar agora e começar a planejar algumas medidas com os outros.

Mas...

O que esse cara disse? Que ele levantou a KoB? Que nós com certeza seriamos capazes de chegar...?

“Que monte de lixo...”

Eu inconscientemente murmurei com a voz seca.

Esse cara confinou a mente de dez mil pessoas no mundo que ele criou, onde ele matou quatro mil pessoas com ondas eletromagnéticas. Ele esteve assistindo aos jogadores seguirem tolamente o script que ele estava escrevendo. Isso deve ser a mais divertida das experiências possíveis para um game master[44].

“Certo. Vamos resolver isso.”

Eu assenti lentamente.

“Kirito…!”

Com o choro agudo de Asuna, eu olhei para baixo, para a figura em meus braços. A dor atravessou meu coração, como se meu peito tivesse sido apunhalado, mas eu de alguma forma fui capaz de forçar um sorriso. “Desculpe. Eu não posso... Fugir agora...”

Asuna abriu sua boca para dizer algo, mas então desistiu no meio do caminho, tentando seu melhor para sorrir. Uma única lágrima atravessou sua bochecha.

“Você não está pensando em... Se sacrificar...?”

“É claro... Eu definitivamente vencerei. Eu vou vencer e por fim a esse mundo.”

“Ok. Eu vou confiar em você.”

Mesmo que eu perca e morra, você deve viver, apesar de ser isso que eu queria dizer, fui incapaz de falar. Eu podia apenas segurar a mão direita de Asuna com firmeza.

Depois de soltar sua mão, eu deitei o corpo de Asuna no chão de obsidiana e comecei a mover-me. Eu lentamente me aproximei de Kayaba que silenciosamente nos observava, então puxei ambas as minhas espadas em um som cortante.

“Kirito! Pare---!”

“Kirito---!”

Quando eu virei minha cabeça par ver de onde vinham aquelas vozes, e vi Cline e Egil gritando e tentando desesperadamente se levantarem. Eu foquei meu olhar em Egil primeiro e assenti para ele.

“Egil, obrigado por ajudar todos os jogadores da classe guerreiro até agora. Eu sei que você dividiu a maior parte do dinheiro para doar aos jogadores do andares intermediários.”

Eu sorri para o homem grande que estava com os olhos muito abertos antes de mover meu olhar novamente.

O guerreiro da katana, com sua bandana simples e com as bochechas barbadas esbravejava no chão, como se ele ainda estivesse procurando palavras para dizer.

Eu olhei diretamente nos seus olhos e então respirei fundo. Dessa vez, não importa o quão difícil fosse, eu não iria controlar minha voz embargada.

“Cline. Naquele dia... Eu sinto muito... Por ter abandonado você. Eu sempre vou me arrepender disso.”

Quando eu terminei essa frase curta e rouca, algo brilhava no canto dos olhos dos meus velhos amigos e lágrimas começaram a cair uma após outra.

Com as lágrimas continuando a cair dos seus olhos, Cline lutou para se levantar e gritou o mais alto que podia com sua voz grossa, perto de desaparecer:

“Seu... Seu desgraçado! Kirito! Não se desculpe! Não se desculpe agora! Eu não vou perdoar você! Até você me convidar para comer no mundo real, eu definitivamente não perdoarei você!!”

Eu balancei minha cabeça afirmando para Cline, que continuou a gritar.

“Sim, eu prometo. Na próxima vez em que nos vermos, estaremos no outro lado.”

Eu levantei a minha mão direita, fechando meus dedos e deixando apenas meu polegar.

Finalmente, eu virei meu olhar para a garota que havia me permitido dizer as palavras enterradas em meu coração por dois anos.

Eu olhei sorrido para Asuna, cujo rosto estava coberto de lágrimas---

Eu murmurei uma desculpa para ela dentro de minha mente antes de me virar. Olhei para Kayaba que continuava com sua expressão de absoluta superioridade e abri minha boca:

“... Desculpe por isso, mas tem uma coisa que eu quero pedir.”

“O que é?”

“Eu não tenho nenhuma intenção de perder, mas se eu morrer, você poderia impedir Asuna de cometer suicídio, mesmo que por um período curto?”

Kayaba levantou sua sobrancelha surpreso, mas calmamente respondeu ao meu pedido.

“Muito bem. Eu vou me certificar de que ela não seja capaz de sair de Salemburg.”

“Kirito, não!! Você não pode fazer isso, não pode fazer isso---!!”

Asuna gritou em lágrimas atrás de mim. Mas eu não olhei para trás. Eu movi minha perna para trás, movi minha espada esquerda um pouco abaixo da minha direita e entrei em posição.

Kayaba manipulou o menu com sua mão esquerda e reajustou nossas barrar de HP para o mesmo nível, um tanto acima da área vermelha, onde um único poderoso ataque pode decidir a luta.

Depois disso, a mensagem do sistema [mudança para objeto mortal] apareceu em sua cabeça. Kayaba fechou o menu, puxou sua espada que tinha colocado no chão e levantou ela por de trás do se escudo em forma de cruz. Minha mente estava completamente calma e serena. Pensamentos como ‘desculpe, Asuna’ borbulhavam para longe e apenas afiavam meus instintos de batalha, como a lâmina de uma navalha.

Francamente, eu não tenho ideia de quais são minhas chances de vencer. Se nós estivéssemos falando apenas de habilidade com espada, então ele não estaria melhor do que eu desde o ultimo duelo, mas isso apenas se ele não utilizar aquela sua “ultra assistência”, onde apenas ele pode se mover enquanto eu fico completamente congelado no lugar.

Tudo isso depende do orgulho de Kayaba, baseado no que ele disse, ele estava planejando me derrotar apenas com a força da sua <Espada Divina>. Se esse era o caso, minha única chance de sobreviver era derrotá-lo antes que ele usasse qualquer habilidade especial.

O espaço entre eu e Heathcliff estava tenso. Eu sentia como se o ar estivesse trêmulo diante da pressão gerada pela intenção assassina que nós dois gerávamos. Isso não era mais um duelo, era uma batalha até a morte. Isso mesmo... Eu vou...

“Matar você!!”

Eu disparei em frente com a voz aguda.

Eu golpeei com minha espada direita horizontalmente quando a distância diminuiu. Kayaba bloqueou facilmente com seu escudo. Houve uma explosão de faíscas em nossos rostos que se iluminaram por um segundo.

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Era um som metálico de pancadas que marcavam o início da nossa luta; nossas armas imediatamente aceleraram a velocidades alucinantes e dominaram o espaço entre nós.

Essa luta era a mais estranha, ainda que a mais humana das lutas de que eu havia participado até agora. Ambos haviam demonstrado suas habilidades um para o outro. Além disso, essa era pessoa que criou as <Lâminas Duplas> então ele podia ler facilmente qualquer combinação de habilidades comuns. Por isso ele teve de bloquear todos os meus ataques no último duelo.

Eu não podia depender dos combos determinados pelo sistema. Eu tinha que depender das minhas próprias habilidades e instintos no uso das espadas. É claro que eu não podia receber ajuda do sistema dessa forma, mas eu podia ainda mover meus braços em alta velocidade com ajuda dos meus sentidos acelerados. Eu podia até mesmo ver as imagens fixas, era como se eu estivesse segurando várias espadas em minhas mãos. Mas… Kayaba bloqueava todas elas com uma precisão impressionante. Ele também contra-atacava imediatamente assim que eu mostrava o menor sinal de abertura. A situação não mostrava sinais de mudança. Eu me concentrei nos olhos de Heathcliff tentando ler um pouco dos pensamentos e reações do inimigo. Nós acabamos trocando olhares como resultado.

Mas os olhos cor de bronze de Kayaba—Heathcliff demonstravam frio e desolação. Não havia um único traço de emoções humanas como ele mostrou da última vez.

Subitamente, um frio percorreu minha espinha.

Meu oponente era alguém que matou friamente cerca de quatro mil pessoas. Poderia um humano normal fazer algo assim? As mortes de quatro mil pessoas, os ressentimentos de quatro mil pessoas, ele poderia suportar tal pressão e ainda se manter perfeitamente calmo? Ele não era humano, ele era um monstro.

“Aaaaaaah!”

Eu gritei para eliminar o menor fragmento de medo que tivesse aparecido no fundo da minha mente. Eu acelerei meus movimentos e reiniciei com meus incontáveis golpes por segundo, mas a expressão de Kayaba não mostrava mudança. Ele bloqueou todos os meus ataques com seu escudo cruz e sua espada longa a uma velocidade que não podia ser acompanhada por olho nu.

Ele estava apenas brincando comigo!?

Meu medo se tornou nervosismo. Seria possível que Kayaba estivesse apenas na defensiva por que ele podia na verdade contra atacar quando ele quisesse e estava tão confiante assim de que ele sobreviveria a um ataque direto meu?

A suspeita tomou conta da minha mente. Ele nunca havia precisado daquela super proteção dês de o começo.

“Droga…!”

Então? Que tal isso---?!

Eu mudei meu padrão de ataques e ativei <O Eclipse>, a habilidade do mais alto nível das Lâminas Duplas. Então, como pontas de uma coroa, minhas espadas começaram a enviar vinte sete ataques consecutivos para envolver Kayaba—

Mas Kayaba estava esperando que eu usasse esse combo sugerido pelo sistema. Seu rosto revelou uma expressão desde que o duelo tinha começado. Era completamente diferente da ultima vez que ele havia me mostrado. Era o sorriso de alguém certo de sua vitória.

Eu percebi meu erro assim que lancei o começo dos ataques daquele combo. Naqueles momentos finais, eu deixei as coisas nas mãos do sistema ao invés de mim. Mas agora era impossível para eu parar a habilidade e assim que eu terminasse meus ataques eu iria sofrer um pequeno atraso. Além disso, Kayaba já tinha visto todos os meus ataques, dês de o começo até o último ataque.

Enquanto eu assistia a Kayaba mover seu escudo a uma velocidade ofuscante, defendendo das minhas espadas, sabendo exatamente onde cada ataque iria se direcionar eu murmurei mentalmente:

Desculpe Asuna... Ao menos você deve sobreviver...

O vigésimo sétimo ataque foi parado no meio do escudo, criando um festival de faíscas. Então, com um grito estridente do metal, a espada na minha mão esquerda se quebrou.

“Bem, isso é um adeus, Kirito-kun.”

Kayaba levantou sua espada acima de mim e eu parei, petrificado. Um brilho vermelho escuro brilhava em sua lâmina. A espada de carmesim então desceu em minha direção.


Naquele momento, uma poderosa e vibrante voz passou pela minha cabeça.

Eu... Vou proteger o Kirito!!

A silhueta de uma pessoa disparou entre mim e a espada vermelha de Kayaba em uma velocidade incrível. Os longos cabelos castanhos dançavam sobre o vento diante dos meus olhos.

Asuna, como?!

Ela estava na minha frente mesmo eu pensando que ela estava incapaz de se mover por causa da paralisia. Ela bravamente levantou seu peito e abriu bem os braços.

Uma expressão de choque surgiu no rosto de Kayaba, mas ninguém podia parar aquele ataque agora. Tudo se moveu como se estivesse em câmera lenta, enquanto a espada descia, atravessando o ombro de Asuna até chegar ao seu peito e parar.

Eu coloquei minhas mãos ao redor de Asuna quando ela caiu para trás em minha direção. Ela desmaiou nos meus braços sem som.

Quando seus olhos encontraram os meus, Asuna me deu um sorriso fraco. Sua barra de HP estava zerada.


O tempo parou.


O pôr-do-sol. O prado. A brisa gentil. O clima um pouco frio.

Nós dois sentados em uma coluna olhando para o lago, que brilhava com o vermelho dourado do sol poente.

O som das folhas caindo. O som dos pássaros voltando para seus ninhos.

Ela segurou minha mão de forma doce, então deixou sua cabeça no meu ombro.

As nuvens se afastavam. As estrelas começaram a aparecer uma após outra, brilhando no céu noturno.

Nós observávamos como se o mundo mudasse suas cores pouco a pouco.

Então, ela finalmente disse algo:

“Eu estou um pouco cansada. Posso descansar no seu colo um pouco?”

Eu respondi com um sorriso.

“Sim, é claro. Descanse bem.“


A Asuna em meus braços agora sorria como naquela vez, seus olhos estavam cheios de afeto. Mas o seu peso e o seu calor já tinham desaparecido completamente.

Pouco a pouco, o corpo de Asuna foi lentamente coberto por uma luz dourada. Os pequenos fragmentos de luz começaram a se partir e se dividir.

“Isso é apenas uma piada certo… Asuna… Isso é…”

Eu murmurei com a voz trêmula. Mas a luz era indiferente aos meus apelos, brilhou mais e mais, e então...

Uma única lágrima desceu pelos olhos de Asuna, que piscou uma única vez antes de desaparecer. Seus lábios se moveram lentamente, como se ela estivesse forçando suas ultimas palavras a sair.


D e s c u l p e

V o c ê f e z b e m


Seu corpo começou a flutuar...

E a luz explodiu em meus braços, se transformando em várias penas que começaram a dançar no ar.

Não havia nenhum traço do seu corpo.

Eu gritei e tentei desesperadamente reunir os fragmentos de luz de volta aos meus braços, mas aquelas penas douradas voaram pelo ar como se estivessem sendo arrastadas pelo vendo, onde elas se espalharam e desapareceram. Simples assim, elas desapareceram.


Isso era algo que não deveria ter acontecido. Isso não podia ter acontecido. Isso não podia. Isso não...

Eu cai de joelhos no chão, como se eu estivesse prestes a desmaiar, a última pena flutuou até a palma da minha mão e desapareceu.


Capítulo 23[edit]

Kayaba pressionou seus lábios e moveu seus braços em um gesto dramático.

“Isso é mesmo surpreendente. Não parece com uma daquelas cenas clássicas de RPGs comuns? Deveria ser impossível para ela se recuperar da paralisia... Então coisas assim podem realmente acontecer...”

Mas a sua voz não foi nem sequer percebida pela minha mente. Eu senti como se todas as minhas emoções estivessem queimando, como se eu estive mergulhando em um abismo de desespero. Não havia mais razão para eu fazer qualquer coisa.

Tanto faz se é lutar nesse mundo, voltar ao mundo real ou até mesmo continuar a viver. Todas essas coisas perderam seus significados. Eu deveria ter me matado naquele dia, quando minha incapacidade e falta de poder permitiram a morte dos membros companheiros de guilda. Se eu tivesse feito isso, então eu não teria conhecido a Asuna, muito menos teria cometido o mesmo erro.

Impedir que Asuna cometesse suicídio — que coisa estúpida e descuidada de se dizer. Eu não tinha entendido nada a final. Apenas como — com meu coração completamente vazio — como eu poderia continuar a viver... Eu olhei fixamente para rapier de Asuna, que brilhava no chão. Eu a alcancei com minha mão esquerda e a segurei.

Tentei encontrar qualquer traço da existência de Asuna naquela arma fina e ágil, mas não havia nada. Não havia nada além de uma superfície brilhante, que não indicava quem era o seu dono. Com minha própria espada na mão direita e a de Asuna na esquerda, eu lentamente movi-me para trás.

Nada mais importa. Eu quero apenas ir e encontrá-la, junto às memórias do curto período em que vivemos juntos.

Pensei ter ouvido alguém me chamar atrás de mim.

Mas eu não parei e então andei em direção de Kayaba com minha espada direita levantada. Eu dei vários passos até ele e tentei o atacar com a minha espada.

Kayaba me olhou com uma expressão infeliz diante do meu movimento, que nem se quer podia ser chamado de habilidade ou ataque — ele parou minha espada facilmente com seu escudo e a fez voar, quando sua espada longa na mão direita perfurou em linha reta o meu peito.

Eu olhei sem emoção para o pedaço brilhante de metal que estava enterrado profundamente no meu corpo. Minha mente não pensava em mais nada. Tudo que havia eram um branco e a sensação de que tudo havia acabado. Na borda da minha visão, eu pude ver a minha barra de HP reduzindo lentamente. Eu não sabia se eram os meus sentidos acelerados pela batalha, mas eu podia ver cada ponto desaparecendo. Fechei meus olhos, esperando que a imagem do sorriso de Asuna pudesse surgiu com a minha mente em branco.

Mas mesmo quando fechei meus olhos, a barra de HP ainda não havia desaparecido. Foi piscando vermelha e se tornando menor em um ritmo implacável. Eu senti como se o deus conhecido com sistema, que esteve tolerando a minha existência até agora, estava esperando pelo momento final. Apenas dez pontos restavam agora, agora cinco, agora—

Então, eu subitamente senti uma fúria que nunca havia experimentado antes.

Foi esse desgraçado. Fora ele quem matou Asuna. O criador, Kayaba, era apenas uma parte disso. Aquele que havia destruído o corpo de Asuna e extinguido seu espírito, era essa presença que estava me cercando agora—a vontade do sistema em si, o deus digital da morte que ria dos jogadores como se eles fossem idiotas e os atravessavam com sua foice sem misericórdia.

O que diabos nós somos? Apenas um bando de marionetes estúpidas, controlados pelos fios indestrutíveis do sistema de sistema de SAO?

Minha barra de HP desapareceu completamente, como se estivesse zombando da minha raiva. Uma mensagem roxa apareceu na minha visão: [Você está morto]. Esse era o comando do deus para a morte.

Um frio glacial tomou meu corpo. Meus sentidos se confundiram. Senti infinitos blocos de dados, se rompendo e destruindo meu ser. O frio atravessou meu pescoço e chegou até minha cabeça. Tato, som, visão, tudo se tornou confuso. Meu corpo inteiro estava começando a dissolver—se tornando vários fragmentos de polígonos—antes de se espalharem para todas as direções—

Você acha que Eu vou deixar isso acontecer?

Eu abri meus olhos. Eu podia ver. Eu ainda podia ver. Eu podia ver o rosto de Kayaba, com sua espada profundamente enterrada no meu peito, e sua expressão de surpresa nele.

Talvez meus sentidos acelerados tenham mesmo retornado, como se a morte do meu avatar, o que normalmente acontece de uma única vez, eu sentia desacelerar, todo o meu corpo estava se partindo, com partículas de luz se quebrando e desaparecendo aqui e ali, mas eu continuava existindo. Eu estava vivo ainda.

“Hiiiiyaaaa!”

Eu gritei com todas as minhas forças. Gritei e resisti. Resisti ao sistema, o deus absoluto.

Apenas para me salvar, a tímida e mimada Asuna havia se libertado de uma paralisia incurável apenas com sua força de vontade e se jogou contra um ataque que era impossível de bloquear. Como eu poderia cair agora sem fazer nada? Eu não posso ser derrotado agora, absolutamente não. Mesmo que eu não possa evitar a morte—eu tenho que—ao menos—

Eu apertei minha mão esquerda. Eu estava novamente consciente, como se tivesse sido puxado por um fio. A sensação de estar segurando algo na minha na minha mão esquerda retornou. A rapier de Asuna—Eu podia sentir a determinação que ela possuía. Eu podia ouvir ela me dizendo para ser forte.

Minha mão esquerda lentamente começou a se mover. Ela estava distorcida e prestes a se partir com qualquer movimento. Mas ele não parou. Pouco a pouco, ela consumiu toda a minha alma, para levantá-la.

Talvez, como preço para minha resistência insolente, uma dor inimaginável atravessou meu corpo, mas eu cerrei meus dentes e continue a me mover. A distância de meros dez centímetros parecia inatingível. Senti como se meu corpo estivesse congelando. Eu consegui sentir apenas meu braço esquerdo, ainda que o frio começasse a tomar essa minha parte também. Todo meu corpo era como uma estátua congelada que continuava se partir.

Mas, ao menos, a rapier prateada atingiu o centro do peito de Kayaba. Ele não se moveu. Sua expressão surpresa já havia desaparecido—um pequeno sorriso pacífico tomou seu lugar. Meu braço havia coberto a distância restante, metade por minha própria determinação, metade por uma força inexplicável. Kayaba fechou seus olhos e recebeu o ataque da Rapier que atravessou seu corpo sem causar nenhum ruído. Sua barra de HP também desapareceu.

Por um momento, nós simplesmente nos encaramos. Com nossas espadas atravessadas no corpo do outro. Eu usei o que restava da minha força para levantar a cabeça e olhar para o céu. Isso foi—suficiente...?

Apesar de eu não poder ouvir a resposta dela, eu pude sentir ligeiro calor ao redor da minha mão esquerda. Finalmente, eu libertei o meu corpo, que estava prestes a se partir completamente. Quando minha mente mergulhou em profunda escuridão, eu senti que o meu corpo e de Kayaba estavam se despedaçando em centenas de pedaços ao mesmo tempo. O som familiar de dois objetos sendo destruídos, sobrepostos um ao outro. Como se tudo estivesse se afastando em uma velocidade incrível. Eu podia ouvir vozes distantes chamando pelo meu nome. Percebi que essas deveriam ser as vozes de Cline e Egil, então, naquele momento, a voz estoica anunciou—

O jogo foi concluído — O jogo foi concluído — O jogo...


Capítulo 24[edit]

Quando eu recuperei a consciência, percebi que eu estava em um lugar impossível de descrever.

Aqui, o pôr-do-sol parecia fazer com que o céu inteiro estivesse queimando.

Eu estava em pé, em um chão de cristal. Nuvens laranja atravessavam lentamente por cima de um telhado transparente. Quando eu levantei minha cabeça, pude ver o fim do pôr-do-sol que chegava ao horizonte. Como se estivesse se espalhando, o céu sem fim se tornou laranja, então um vermelho sangue e depois um tom roxo. Eu podia ouvir também o vento soprando.

Era uma pequeno e circular disco de cristal que flutuava entre as nuvens naquele céu vazio; e estava eu parado na beirada.

...O que é esse lugar? Meu corpo deveria ter desaparecido depois de ser destruído. Eu estou ainda no SAO... Ou eu cheguei à pós-vida?

Eu examinei meu próprio corpo. A jaqueta leve, as luvas longas e todos os meus outros equipamentos estavam iguais a quando eu morri, exceto que tudo havia se tornado de alguma forma transparente. E não era apenas o meu equipamento, mesmo as partes expostas do meu corpo brilhavam em cores quentes, como se fossem feitas de vidro semi-transparente.

Eu levantei minha mão direita e movi meu dedo. Uma menu apareceu com um efeito sonoro familiar. Então, ele lugar ainda estava dentro do SAO.

Mas o menu não possuía um avatar muito menos a lista de funções. Uma tela em branco era mostrada com uma única mensagem [Executando a Fase Final, 54% completa] enquanto eu encarava aquilo, o número saltou para 55%. Eu pensava originalmente que minha mente morreria com a destruição do meu corpo, mas o que está acontecendo aqui?

Quando eu cruzei os braços ao fechar o menu, eu subitamente ouvi uma voz atrás de mim.

“Kirito…”

Era como uma voz do paraíso. Um choque atravessou meu corpo.

Por favor, não deixe que isso seja minha imaginação—eu implorei e lentamente me virei. Ela estava parada com o céu ardente atrás dela.

Seus cabelos longos balançavam lentamente com o vento, mas mesmo com seu gentil sorriso no rosto estivesse ao meu alcance eu não podia sequer me mover.

Sentia como se ela pudesse desaparecer se meu olhar a deixasse por apenas um segundo— então eu apenas me mantive olhando para ela em silêncio. Ela também era semi-transparente e era coisa mais bela que eu já havia visto no mundo. Ela parada ali, brilhando junto ao sol.

Eu tentei segurar minhas lágrimas e formei um sorriso. E quase em um sussurro disse:

“Desculpa. Eu também morri...”

“...Idiota.”

Lágrimas desceram pelo seu rosto quando ela disse isso sorrindo. Eu abri meus braços e gentilmente chamei seu nome:

“Asuna...”

A segurei com força e ela pulou em meus braços e chorou. Eu prometi a mim mesmo que nunca mais iria desistir. Não importa o que aconteça, eu nunca mais a deixar ir. Depois de um longo beijo, nós finalmente conseguimos separar nossos rostos. Havia muitas coisas sobre a batalha final que eu queria falar com ela, e eu queria também me desculpar, mas senti que não havia mais necessidade de palavras. Ao invés disso, eu levantei meu olhar para o céu infinito e abri minha boca:

“Esse...o que é esse lugar?”

Asuna silenciosamente olhou para baixo e apontou com seus dedos. Eu olhei naquela direção. Bem distante de onde nós estávamos—alguma coisa flutuava no céu. Tinha o formato de um cone com a ponta cortada. Era feito de vários andares, um sobre os outros. Enquanto eu focalizava meu olhar, eu pude ver pequenas montanhas, florestas, lagos e cidades.

“Aincrad…”

Asuna assentiu quando eu murmurei isso. Não havia dúvidas. Aquilo era Aincrad. O gigantesco castelo voador que atravessava o céu. Nós passamos dois anos lutando nesse mundo de espadas e batalhas, agora ele estava abaixo de nós.

Eu tinha visto o exterior de Aincrad antes de ter vindo a esse mundo, em algumas noticias sobre SAO, mas era a primeira vez que eu via o lado exterior com meus próprios olhos. Eu segurei minha respiração e um sentimento de inspiração me tomou.

O castelo de aço—estava sendo destruído.

Enquanto nós assistíamos e isso silenciosamente, uma seção do andar mais inferior se dividiu em incontáveis fragmentos. Quando eu foquei meus ouvidos para ouvir, pude escutar o som estrondoso daquela dissipação no ar.

“Ah…”

Asuna exclamou em voz baixa. Uma enorme porção dos andares inferiores se desprendeu e incontáveis construções, árvores e rios caíram e desapareceram no ar de nuvens. Nossa casa estava em algum lugar daquela área. Senti um pequeno aperto no peito toda vez que um andar do castelo que mantinha as memórias dos meus últimos dois anos desaparecia. Eu sentei na ponta da plataforma com Asuna em meus braços.

Sentia-me estranhamente calmo. Mesmo com meus pensamentos me alertando que eu não sabia o que acontecera conosco ou o que estava acontecendo agora. Eu não senti nenhum traço de ansiedade. Eu tinha feito o que podia fazer e por isso eu havia perdido minha vida virtual, assistindo agora ao fim daquele mundo com a garota que eu amava. Isso era suficiente—meu coração estava contente.

Asuna deveria estar se sentindo da mesma forma. Em meus braços, ela assistia Aincrad desapareceu com seus olhos semi abertos. Eu delicadamente acariciava seus cabelos.

“Uma visão impressionante.”

Subitamente, pude ouvir uma voz atrás de nós. Quando Asuna e eu nos viramos, vimos que um homem estava parado ali.

Era Kayaba Akihiko.

Ele aparecera não como o paladino vermelho Heathcliff, mas em sua forma real como criador do SAO. Ele vestia uma camiseta branca com uma gravata, sobrepostos com um macacão que cobria seu corpo. Apenas os dois olhos metálicos em seu rosto que se mantinham o mesmo. Mas aqueles olhos estavam preenchidos com uma luz gentil como a que nós tínhamos olhando para o castelo que desaparecia. Seu corpo também estava semitransparente, como o nosso.

Mesmo sabendo que eu havia lutado até a morte com esse homem há apenas alguns minutos, minha calma continuou a persistir depois de o ver. Talvez nós tenhamos deixado toda nossa raiva e ódio em Aincrad antes de virmos a esse lugar. Eu virei meu olhar de Kayava e me voltei ao castelo.

“O que está acontecendo exatamente?”

“Talvez você possa chamar de...uma transformação metafórica.”

A voz de Kayaba também era pacifica.

“Nesse momento, o servidor central do SAO que está no quinto andar do subsolo do quartel general da Agis está no meio de um processo de destruição de dados. Em mais dez minutos, todos esse mundo vai ser completamente apagado.”

“O que vai acontecer com as pessoas que viviam ali...o que vai acontecer com elas?”

Asuna perguntou.

“Não há necessidade de se preocupar. Há apenas alguns segundo atrás---“

Kayaba moveu sua mão direita e olhou para um menu que apareceu.

“Todos os 6,147 jogadores restantes foram retirados com sucesso.”

Isso significa que Cline, Egil e todas as outras pessoas que eu conheci em todos esses dois anos foram capazes de voltar para outro lado em segurança.

Eu fechei meus olhos com firmeza e permiti que as lágrimas descessem antes de perguntar:

“...E quanto aqueles que morreram? Nós dois morremos, ainda assim nós continuamos a existir aqui. Isso não significa que você pode mandar os outros quatro mil jogadores mortos para o mundo original também?

A expressão de Kayaba não mudou. Ele fechou o menu e colocou suas mãos nos bolsos antes de dizer:

“A vida não pode ser recuperada tão facilmente. Suas consciências jamais retornaram. Os mortos vão desaparecer—esse fato continua sendo verdade neste mundo. Eu criei esse lugar apenas por que queria falar com vocês dois—uma ultima vez.”

Isso é algo que uma pessoa que matou quatro mil pessoas deveria estar dizendo? Apesar de estar pensando nisso, eu não pude sentir raiva por uma razão estranha. Ao invés disso, uma outra questão surgiu na minha mente. Era uma pergunta fundamental que todos os jogadores, não, que todos os que sabem sobre o incidente deveriam ter se perguntado em algum momento.

“Por que—você fez isso...?”

Eu pude sentir o pequeno sorriso se formando no rosto de Kayaba. Depois de um longo silêncio ele finalmente falou:

“Por que—eu já esqueci há muito tempo. Apenas por que eu fiz isso? Desde que eu descobri o sistema de imersão total havia sido criado—não, antes mesmo disso, eu queria construir um castelo, um lugar que ultrapassava os limites do mundo real. Então, nesses momentos finais...Eu vi que até mesmo as regras do meu mundo haviam sido ultrapassadas...”

Os olhos pacíficos de Kayaba se direcionaram a mim, que imediatamente desviei o olhar.

O macacão de Kayaba e os cabelos de Asuna flutuavam com o vento que ficava mais forte.

Metade do castelo já havia sido destruído. Algade, uma cidade repleta de minhas memórias, estava se despedaçando ao vendo e sendo absorvida pelas nuvens.

Kayaba continuou a falar:

“Nós não temos muitos sonhos desde que éramos crianças? Eu já me esqueci quantos anos eu tinha quando a imagem de um castelo de aço flutuando no céu começou a imergir na minha mente...era uma visão que não desaparecia não importava quanto tempo passasse. Enquanto eu envelhecia, a imagem se tornava mais e mais realistas, mais e mais expansiva. Deixar o mundo real e voar para dentro desse castelo...Esse foi meu único sonho por muito tempo. Você, Kirito-kun, eu ainda acredito—que em algum outro mundo, esse castelo realmente existe—“

Subitamente, eu senti que também havia nascido nesse mundo, onde eu sonhava me tornar um espadachim. O garoto que um dia encontraria uma garota com olhos castanhos reluzentes. Os dois iriam se apaixonar, então se casar e viver felizes para sempre em uma pequena casa no meio da floresta—

“É... isso teria sido legal.”

Eu murmurei. Asuna assentiu em meus braços também.

O silêncio entre nos retornou. Eu olhei novamente e vi que outras partes do castelo tinham começado a desaparecer. Pude ver o infinito mar de nuvens e os céus vermehlos sendo consumidos por uma luz branca distante. A destruição começava em todas as direções e lentamente vinha até nós.

“Ah, eu esqueci de dizer. Kirito-kun, Asuna-kun...parabéns por terem concluído o jogo.” Nós olhamos para Kayaba quando ele disse isso. Ele respondeu com uma expressão calma em seu rosto.

“Bem então—eu vou indo agora.”

O vento começou a soprar e a levar sua figura—no momento em que percebemos, ele não estava mais em lugar algum. Apenas o sol vermelho que continuava a brilhar naquele lugar cristalino. Nós estávamos sozinhos novamente.

Eu me pergunto: Para onde ele foi? Ele voltou ao mundo real?

Não—ele não teria ido. Ele deve ter deletado sua própria mente e partido para encontrar Aincrad em algum outro mundo.

Apenas a parte mais alta do castelo restava. O septuagésimo sexto andar que nunca tivemos a chance de ver começou a ruir. O véu de luz que estava apagando esse mundo gradualmente se aproximava de nós. Quando sua aura tocava as nuvens e o céu, elas desapareciam e retornava ao nada.

Eu pude ver o palácio vermelho e suas torres magníficas no andar mais alto de Aincrad. Se o jogo tivesse procedido como o planejado, nós teríamos lutado aqui contra o chefe final, Heathcliff.

Mesmo com o chão do ultimo andar estivesse desaparecendo, o palácio continuava a flutuar no ar como se estivesse resistindo ao seu destino. O palácio vermelho fora deixado no meio do céu laranja, como se fosse o coração do castelo flutuante.

Finalmente, a destruição engoliu também o palácio vermelho. Ele se partiu em pedaços, começando das escadas que lhe davam acesso e se dividindo em inúmeros fragmentos antes de desaparecer nas nuvens. A mais alta torre desapareceu quase ao mesmo tempo quando o véu de luz consumiu seus arredores. O enorme castelo de Aincrad fora completamente destruído e tudo o que restava nesse mundo era algumas nuvens e a pequena plataforma onde Asuna e eu estávamos.

Nós provavelmente não tínhamos muito tempo sobrando. Nós estávamos usando o pequeno período que Kayaba nos deu. Com a destruição desse mundo o NervGear seria responsável pela sua função final de deletar tudo que restava de nós.

Eu coloquei minhas mãos nos ombros de Asuna e lentamente pressionei meus lábios nos dela. Esse era nosso último beijo. Eu tentei usar cada segundo para manter isso no fundo da minha alma.

“Eu suponho que isso seja um adeus...”

Asuna balançou sua cabeça.

“ Não, não é. Nós vamos desaparecer juntos. Então, nós vamos ficar juntos, para sempre.” Ela sussurrou com a voz clara antes de se prender em meus braços e olhar diretamente para mim. Ela abaixou a cabeça um pouco e sorriu.

“Ei, você pode me falar o seu nome, Kirito? Seu verdadeiro nome?”

Eu não entendi isso no começo, mas então percebi que ela se referia ao meu nome do outro mundo que eu havia abandonado há dois anos atrás.

Senti como se os dias em que vivi com outro nome em outra vida eram apenas histórias de um mundo distante. Eu falei meu nome que eu tirei do fundo das minhas memórias, me sentido de alguma forma, emocionado.

“Kirigaya… Kirigaya Kazuto. Eu devo ter feito 16 mês passado.”

Asuna ouviu meu nome, concentrando-se em cada sílaba e riu com uma expressão perplexa. “Então você é mais novo que eu. Eu sou...Yuuki...Asuna. Dezessete esse ano.”

Yuuki…Asuna. Yuuki Asuna. Eu repeti essas sílabas em minha mente de novo e de novo. Subitamente, senti que algumas lágrimas estava caindo nas minhas bochechas.

Minhas emoções começaram a mudar no final, em meio a esse pôr-do-sol. Um sentimento doloroso atravessou meu ser, como se meu coração estivesse se despedaçando. Desde o primeiro momento em que cheguei a esse mundo, lágrimas desciam livres no meu rosto. Senti um nó na garganta, apertei minhas mãos e comecei a chorar como uma criança.

“Me desculpa...desculpa...Eu tinha prometido...te mandar...de volta...ao outro lado...mas eu...”

Eu não fui capaz de continuar. Ao final, eu não pude salvar a pessoa que era mais preciosa para mim. Por causa da minha própria fraqueza, aqueles dias um dia brilhantes e ensolarados tinham chegado ao fim. Meus arrependimentos tomaram a forma de lágrimas que não paravam de cair.

“Está tudo bem...tudo bem..”

Asuna estava chorando também. Suas lágrimas desciam, como pequenas jóias antes de desaparecer.

“Eu estava realmente feliz. Quando eu conheci você, quando nós vivemos juntos, foram os melhores dias da minha vida. Obrigada...eu amo você...”

O fim desse mundo estava bem diante de nós. O castelo de aço e seu oceano sem fim de nuvens começou a ser apagado pelo brilho da luz, deixando apenas nós dois para trás.

Asuna e eu nos abraçamos, esperando pelo momento final.

Senti como se nossas emoções tivessem sido purificadas pela luz. Tudo que restava dentro de mim era meu amor pela Asuna. Eu continuei a chamar pelo seu nome mesmo quando tudo estava se partindo e acabando.

A luz preencheu minha visão. Tudo ficou coberto pelo véu branco e desapareceram depois de se tornar pequenas partículas de luz. O sorriso de Asuna junto à luz que nos possuía e que engoliu todo aquele mundo.

—Eu amo você... Eu amo você—

Sua voz soou como se fosse um pequeno sino e o pouco que restava da minha consciência desapareceu.

A ultima linha que nos separava desapareceu e nos tornamos um.

Nossas almas se juntaram combinadas e desapareceram.

Finalmente, desaparecemos.


Capítulo 25[edit]

O ar era uma mistura de vários odores.

O fato de eu estar vivo me chocou.

O ar que passava pelo meu nariz trazia uma abundância de informação. Primeiro veio o cheiro de desinfetante. Depois o doce cheiro de frutas e o odor do meu próprio corpo.

Lentamente abri meus olhos. Por um momento, era como se dois poderosos raios de luz branca tivessem atravessado minha mente, então eu rapidamente os fechei.

Algum tempo depois, eu hesitantemente tentei abri meus olhos de novo. Um conjunto de cores dançava ao redor das minhas pupilas. Foi apenas ai que eu percebi a grande quantidade de líquidos que cobriam meus olhos.

Eu pisquei tentando retirá-lo, mas o liquido continuou fluindo. Elas na verdade lágrimas. Eu estava chorando. Por que? Havia uma pequena, porém profunda dor e um sentimento de perda no meu coração. Vozes continuaram a soar nos meus ouvidos, como se alguém estivesse chamando meu nome.

Eu desviei meus olhos da luz forte e finalmente consegui acabar com as lágrimas. Senti como se estivesse deitado em algo macio. Podia ver que havia telhas de um telhado acima de mim. Havia painéis beges e pinturas que brilhavam quando a luz passava por de baixo delas. Com a ponta da minha visão, eu pude ver um respiradouro metálico, que estava soprando e fazendo um som baixo.

Um ar-condicionado...em outras palavras, uma maquina. Como algo assim pode estar aqui? Ninguém podia fazer uma maquina não importa o quão alta fosse seus pontos. Se o que eu via era uma maquina real—então esse lugar não era—

Não era Aincrad.

Eu abri meus olhos bem abertos. Minha mente despertou completamente com um único pensamento. Eu tentei levantar meu corpo.

Mas meu corpo não me escutava. Eu não podia aplicar força alguma. Apesar do meu braço direito pudesse se levantar alguns centímetros, imeditamente ele caia. Apenas minha mão direita podia se mover. Eu a movi em direção ao meu corpo e coloquei na frente dos meus olhos.

Por um momento, eu não podia acreditar que aquela mão fina era minha. Não havia como eu segurar uma espada com isso. Quando eu inspecionei a pela branca com um pouco mais de cuidado, pude ver tufos de pelo cobrindo. Pude ver também as veias azuis em meu corpo e as rugas nas articulações. Tudo parecia assustador; era tão realista, tão biológico que eu me sentia anormal.

No interior do meu pulso, uma fita repousava, enquanto uma corda longa estava conectada e parecia estar injetando algo. Meus olhos seguiram a corda e eu pude ver que ela ultrapassava uma proteção transparente e chegava até um carrinho de prata. A bolsa de soro estava com dois terços cheia com um liquido laranja, que descia em grande velocidade.

Eu movi minha mão esquerda tentando recuperar a sensação de toque. Aparentemente meu corpo inteiro estava nu e deitado em uma cama que era feita com um material de gel bastante denso. Como sua temperatura era um pouco abaixo da do meu corpo, eu podia sentir o frio lentamente me fazer tremer. Subitamente, uma lembrança apareceu na minha mente; uma vez eu tinha visto no noticiário que um tipo de cama especial estava sendo desenvolvido para pacientes incapazes de se mover. Ela tinha a capacidade de impedir infecções na pele e absorver os resíduos corporais.

Eu olhei para o que estava ao meu arredor. Era um quarto pequeno. O muro era da mesma cor que o teto. Havia uma extraordinariamente grande janela na minha direita com suas cortinas brancas a cobrindo. Eu não podia ver o que estava lá fora, mas podia ver a luz amarela do sol atravessando o tecido. Um carrinho metálico ao lado da minha cama de gel, com um cesto em cima dele. Um buque de flores estava dentro do cesto, que parecia ser o responsável pelo aroma doce. Atrás do carrinho estava uma porta retangular fechada.

Baseado em todas essas informações, esse lugar deveria ser uma ala hospitalar e eu era o único aqui.

Voltei meu olhar para minha mão direita levantada. Eu movi minha mão direita com meu indicador e o polegar juntos.

Nada apareceu. Não havia nenhum efeito sonoro muito menos um menu. Eu movi novamente com um pouco mais de força novamente. O resultado fora o mesmo.

Então, esse não era mesmo o SAO. Então era alguma outra realidade virtual?

Mas as informações que passavam pelos meus cinco sentidos me diziam que havia outra possibilidade. Esse—era o mundo real. Era o mundo que eu havia deixado há dois anos e nunca esperei ver novamente.

O mundo real—Levou muito tempo para eu entender o motivo por de trás dessas simples palavras. Para mim, o mundo de espadas e batalhas havia sido minha única realidade por muito tempo. Eu ainda não podia acreditar que aquele outro mundo não estava mais ali, que eu não estava mais naquele mundo.

Então, eu voltei?

—Mesmo pensando nisso, eu não podia me sentir realmente feliz. Tudo que eu sentia era um pouco de confusão e uma sensação de perda.

Essa é a recompensa que Kayaba havia mencionado por ter concluído o jogo? Eu tinha claramente morrido naquele mundo e meu corpo havia sido apagado. Eu tinha aceitado isso. Eu até mesmo me sentia contente por isso.

Sim—estaria tudo bem se eu tivesse apenas desaparecido. Naquela luz brilhante, sendo dissolvido e desaparecendo, partindo e deixando aquele mundo, junto com ela—

“Ah…”

Sem perceber eu fiz um barulho. Uma forte dor passou pelo meu corpo que eu não sentia há dois anos. Mas eu não me importei nem um pouco isso. Abri meus olhos e disse apenas uma palavra, o nome que surgiu na minha mente.

“A…su…na…”

Asuna. A dor que existia no meu coração queimou mais uma vez. Asuna, minha doce esposa, que assistiu ao fim do mundo junto a mim...

Tudo havia sido apenas um sonho...? Uma bela ilusão, fora isso que eu vi no mundo virtual...? Esses pensamentos confusos surgiram na minha mente.

Não, ela existe. Não há como todos aqueles dias em que passamos juntos rindo, chorando e dormindo juntos tenha sido um mero sonho.

Kayaba havia dito—“Parabéns por concluírem o jogo Kirito-kun, Asuna-kun.” Ele definitivamente disse isso. Se eu estou incluso na lista de sobreviventes, então Asuna deve ter voltado também a este mundo.

Assim que pensei nisso, meu amor e meu desejo por ela transbordou dentro de mim. Eu queria ver ela. Eu queria tocar seu cabelo. Eu queria beijá-la. Eu queria ouvir sua voz dizendo meu nome.

Eu forcei todos os músculos do meu corpo tentando me levantar. Apenas então percebi que minha cabeça estava presa. Movi meus dedos até encontrar um cinto que estava abaixo do meu queixo e soltá-lo. Havia algo pesado na minha cabeça. Usei ambas as minhas mãos para tirá-lo e quase não consegui.

Eu me levantei e encarei a coisa que estava em minha mãos. Era um belo elmo azul. Um fio da mesma cor atravessava um longo caminho atrás e passava pelo chão. Isso era—

NerveGear. Eu estive preso dentro daquele mundo por dois anos por causa disso. Sua força havia sido desligada. Minha última memória era daquele elmo brilhando; mas agora a cor havia desaparecido, mas ainda era possível você ver as ligas metálicas que o formavam. Todas as minhas memórias daquele outro mundo estavam nisso—fui tomado por esse pensamento e acariciei a superfície do elmo.

Eu espero nunca mais colocar essa coisa de novo, mas essa maquina realizou seu propósito muito bem...

Eu murmurei isso em minha mente antes de colocar o elmo na minha cama. Os dias em que eu lutei junto disso agora estavam no passado. Havia algo que eu precisava fazer nesse mundo agora.

Eu então percebi os sons externos. Aguçando meus ouvidos, eu pude ouvir vários sons, como se eles estivessem dizendo que minha audição havia finalmente voltado ao normal.

Definitivamente eu ouvi vozes de pessoas falando e gritando. Também ouvi o som de passos apressados e camas sendo levadas.

Não havia como saber se Asuna estava naquele hospital. Os jogadores de SAO eram de várias partes do Japão, então as chances eram remotas. Mas eu deveria começar minha busca aqui. Não importa quanto tempo leve, eu vou encontrá-la, definitivamente.

Puxei o coberto acima de mim. Havia vários cabos ligados ao meu corpo fraco. Talvez eles estivessem responsáveis pela desaceleração da degeneração muscular. Eu fui capaz de tirar todos eles. Um painel laranja LED piscou na ponta da minha cama e disparou um alarme, mas eu ignorei tudo isso.

Puxei a ultima agulha e finalmente libertei o meu corpo. Então coloquei meus pés no chão e lentamente apliquei a força para levantar-me. Meu corpo se levantou pouco a pouco, mas eu senti que meus joelhos estavam prontos para cair a qualquer momento e isso me fez sorrir um pouco; minha força sobre-humana não existia mais.

Me segurei no suporte do soro e finalmente fui capaz de me levantar. Olhando ao redor do meu quarto, encontrei uma roupa de hospital na mesma mesa onde estava o cesto de flores e o coloquei.

Depois desses movimentos tão simples, minha respiração se tornou irregular. Os músculos que eu não usei por dois anos protestavam com dor, mas eu não desisti não facilmente. Rápido, rápido, eu podia ouvir uma voz me mandando continuar. Meu ser ansiava por ela.

Minha luta não estaria terminada até que Asuna—Yuuki Asuna estivesse em meus braços.

Com aquele suporte ao invés de uma espada, eu mandei meu corpo dar o primeiro passo em direção à porta.


Notas do Tradutor[edit]

  1. Setagaya-ku: Uma área especialmente administrativa de Tóquio, em inglês poderia ser reduzido a apenas "Setagaya".
  2. Teleport Gates: Portões de Teletransporte, comum em MMORPGs.
  3. HP: Hit Points. Pontos de vida, como queira.
  4. IA: Inteligência Artificial, em inglês AI.
  5. Lizardman Lord: Literalmente Senhor dos homens lagartos.
  6. Fell Crescent: Queda Crescente, refere-se ao movimento executado pelo senhor dos lagartos. Citamarra: Espada de forma ondular de origem chinesa-mongol
  7. Sword Skill: Habilidade com Espada
  8. Horizontal Square: Quadra Horizontal. Uma sequência de quatro golpes horizontais.
  9. Frenzy Boar: Javali louco.
  10. Reaver: Literalmente, saltador.
  11. Slime: Monstro mais fraco dos jogos da série Dragon Warrior\Quest que são bem populares no Japão (O país para no lançamento deles e escolas fecham), equivalem a um poring em Ragnarok por exemplo.
  12. NERvGear: Engrenagem Nervosa, me sentiria mal em traduzir esse termo quando não traduzimos "Playstation" para 'Estação de jogar"
  13. Full Dive: Mergulho Profundo, refere-se a imersão que o jogador tem ser tão profunda (No caso, dentro do jogo) que ele literalmente "mergulhou"
  14. Hardware: Aparelho, parafernalha. Equivale a um computador, um mouse e uma impressora. Máquinas.
  15. Avatar: Representação do seu "eu", como uma foto no MSN. Antes referia-se a pessoas que representavam deuses na Terra.
  16. Periodo Sengoku: Periodo extremamente conflituoso no Japão, em uma época de transição. A era de ouro dos samurais.
  17. Hardcore: Extremista. É usado como um termo para definir jogadores realmente viciados ou quase fanático. Também é utilizado para denominação de alguns gêneros músicais.
  18. VRMMO ou VRMMORPG: Virtual Reality Massasive Multiplayer Online Role Playing Game, derivado do sentido de "MMORPG" onde "Multiplayer Massasivo Online" RPG "Jogo de interpretação de pápéis' e VR "Realidade Virtual"
  19. Beta test: Periódo de testes dos jogos que variam entre "Open Beta" onde jogadores podem testar o jogo e "Closed Beta" onde o jogo é testado por um número limitado.
  20. Beta tester: Pessoa selecionada para jogar a fase beta do jogo, que normalmente tem muitos bugs.
  21. NPC: Non-Player-Character, personagem controlado pela IA
  22. Bug: Erros que ocorrem em jogos ou em computadores, a origem data da origem dos computadores que eram muito grandes e quentes e atraiam muitos insetos. Quando o técnico abria as maquinas para verificar o problema normalmente a resposta era "Bugs"
  23. GM: Game Master, equivalem a moderadores em um fórum de internet, são responsáveis por manter a ordem nos jogos.
  24. Black Iron Palace: Palácio de Ferro Negro.
  25. Uppercut: Corte Vertical
  26. Scan for Enemy: Procurar o inimigo
  27. Ragout Rabbit: Coelho Guisado
  28. Knife Throwing Skill: Arremesso de Faca
  29. Single Shot: Disparo Único
  30. Ragout Rabbit’s meat: Carne de coelho guisado
  31. Dust Lizard’s hides: Escamas de lagarto do deserto
  32. Knights of the Blood: Cavaleiros do Sangue
  33. Cheater: Trapaceiro (Em um jogo)
    • Pk = Player Killer (Matador de jogadores)
    • Pking = Killing Player (Matar jogadores)
    • PKK = Player Killer Killing (Matador de Pks)
  34. Algo como: Caixão risonho, Caixão sorridente. Caixão que ri. Fiquem a vontade para escolher o mais correto.
  35. ¹Jiang Ziya, é um personagem da história chinesa que residia no rio Weishui cerca de 3000 anos atrás.
  36. ²Algo como Tohto Conexões Bandalarga.
  37. ³Nome científico: Seriola dumerili. Preferi não adaptar, mas seria algo como o nosso olho-deboi.=D
  38. Os celacantos (Actinista) são um grupo de peixes sarcopterígios aparentados com os dipnóicos e outros peixes extintos do período devoniano,
  39. Dipnóicos (Dipnoi ou Dipneusti, "peixes pulmonados), é a designação dos peixes da classe dos sarcopterígios (Sarcopterygii) isto é, peixes ósseos portadores de bexiga natatória (bexiga de gás) adaptada à função de respiração aérea.
  40. Obsidiana: Tipo de vidro vulcânico.
  41. Pedra preciosa bastante valorizada na Ásia, principalmente no Oriente Médio e na China, onde seu status equivaleria ao nosso ouro.
  42. Termo utilizado em MMO para se referir aos monstros do jogo.
  43. Os conhecidos "GMs", regulam o jogo e mantem a ordem, além de solucionar problemas de relações entre os jogadores.