Sword Art Online ~Brazilian Portuguese~:Volume 3 Capitulo 3

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Capítulo 3[edit]

Um pássaro cantava, preenchendo a manhã, enquanto permanecia sobre a mesa branca.

Com a sua mão direita estendida silenciosamente, os dedos finos dela tocaram gentilmente as penas cor de jade do pássaro, que instantaneamente tomou voo sem nenhum som. O pássaro desenhou um arco no ar, batendo suas asas em direção ao sol brilhante.

Levantando-se da sua cadeira, ela tomou alguns passos para frente, como se quissesse seguir aquela ave, mas ao invés disso, com uma faísca, uma gaiola de ouro apareceu, bloqueando seu caminho. O pássaro continuou a voar em direção da sua liberdade. Mais alto e mais alto, cada vez mais distante, indo para longe, para qualquer lugar.

Asuna permaneceu assistindo aquele pássaro tornar-se cada vez menor, até que ele se juntou as cores do céu, então ela lentamente retornou para sua cadeira e sentou-se.

A mesa e as cadeiras, feitas do mais puro branco, eram frias e duras. Ao lado da mesa e das cadeiras estava uma cama luxuosa da mesma cor. A mobília era a única coisa que existia nesse “quarto”, se você pudesse chamá-lo disso... O chão estava coberto por lajes que brilhavam no mesmo branco. Andar de um lado para o outro levava meros vinte passos, mas esse quarto redondo era cercado por grades brilhantes de ouro. As barras da prisão eram espessas o suficiente para que Asuna as atravessasse, mas o sistema tornava a fuga impossível.

As barras de ouro se estendiam para cima, formando uma cúpula. Um grande anel se estendida no topo daquela cúpula, e um grande galho de uma àrvore o atravessava, sendo o suporte para toda a estrutura. O galho se estendia até o céu e era parte de uma gigantesca àrvore.

Em outras palavras, esse estranho quarto era na verdade uma prisão. Era uma gaíola de um pássaro em uma escala inimaginável, mas aqui os pássaros eram livres para ir e voltar. A única pessoa que permanecia em cárcere era Asuna. Então, isso deveria se chamar uma prisão.

O quarto era luxoso, elegante e belo, mas ainda assim era uma fria prisão.

Cerca de sessenta dias tinham se passado desde que Asuna acordou neste lugar. Bem, isso não é sequer um número confiável. Não há nada com o que marcar nesse lugar. Os dias pareciam ser bem mais curtos que vinte e quatro horas. Mesmo assim, o seu relógio interno a fazia acordar independendente de ser dia ou noite.

Depois de caminhar, ela se perguntava quantos dias tinham se passado mas, ultimamente, ela não conseguia sequer ter certeza do número. Tudo que ela sabia era que ela esteve repetindo o mesmo dia muitas vezes, ou talvez até muitos anos tenham se passado. Quanto mais tempo ela permanecia presa aqui, mais as memórias do tempo em que ela passou com «ele» pareciam desaparecer.

Naquele instante...

Quando Aincrad estava desaparecendo, quando o mundo estava cercado por uma explosão de luz. Antes desaparecer, Asuna e Kirito haviam se abraçado e esperado pelo momento em que eles perderiam a consciência.

Ela não sentiu medo. Havia a convicção de que o que ela havia feito e vivido foi uma vida sem arrependimentos. E desaparecer junto a ele fora algo gratificante, Asuna pensou.

Presos junto a luz com suas almas interligadas. Isso fez com que seus corpos terem desaparecido não importasse.

Quando o calor dele desapareceu, Asuna se sentiu cercada pela escuridão. Ela tentou estender sua mão, desesperada, chamando por seu nome. Mas ela era cada vez mais levada por uma torrente incansável que a jogava dentro da escuridão. Então, houveram intermináveis flashes de luz. Não sabendo para onde ela estava sendo levada, Asuna gritou. Finalmente, uma luz arco-íris apareceu na sua frente. A luz irisdecente se envolveu nela, e ela caiu neste lugar.

Segurando-se em um muro e preso junto a cama de estilo gótico estava um gigantesco espelho. Refletido ali, estava uma forma um tanto diferente da que ela conhecia. O rosto, o cabelo castanho, tudo isso era igual a antes. Mas ela estava vestindo um pálido vestido branco que ela pensava ser frágil. Decorando no alto do vestido, logo acima do peito estava uma fita carmesim. O frio a atingia por causa de seus pés descalços que pisavam naquele mármore. Ela não tinha uma arma sequer nas costas, mas uma misteriosa substância transparente que se estendia por suas costas e tormavam a forma de asas. Elas eram mais parecidas com asas de insetos do que de pássaros.

No começo, ela realmente pensou que estava na vida após a morte. Mas agora, ela entendia que não era nada disso. Quando ela tentou mover sua mão, ela foi capaz de chamar um menu. Essa não é Aincrad, mas um mundo ilusório novo, uma prisão virtual gerada por computadores. Asuna estava presa pela malícia dos homens.

Se este era o caso, então ela não deixaria se dar por vencida. Sua mente se recusava a se quebrar por causa dessa malícia. Lembrando-se disso, Asuna resistiu a solidão e a ansiedade dia após dia. Mas agora, sua determinação começava a sucumbir. O desespero lentamente entrava em seu coração.

Asuna estava sentada naquela cadeira fria, com suas mãos cruzadas sobre a mesa, ela sentiu um algo se agitar em seu coração enquanto pensava nele.

‘Rápido... Venha me salvar rápido, Kirito-kun...’

“Essa é a mais bela das expressões, Titania.”

Subitamente, uma voz soou de dentro da gaiola do pássaro.

“É o rosto de alguém prestes a chorar. Eu gostaria de congelar essa expressão e fazer um retrato dela.”

“Então vá em frente e faça.”

Asuna disse, virando seu rosto na direção em que a voz vinha.

Da ponta da prisão dourada, bem na direção da àrvore gigantesca conhecida como «Àrvore do Mundo» havia uma porta. Essa porta se abria acima, em uma escadaria que se iniciava em outro galho acima, na mesma distância entre a ponte que ligava a gaiola e o tronco da àrvore. A porta se abriu, revelando um homem alto.

Seus cabelos dourados e ondulados partiam de uma coroa de prata na sua cabeça. Ele se vestia de modo fino, com um manto feito de seda verde decorado com entornos prateados. Como Asuna, ele, também, tinha asas, mas essas não eram transparentes; elas eram como asas de uma grande borboleta. As quatro partes das suas asas brilhavam em uma cor variando entre o preto e o verde-esmeralda.

Seu rosto era tão belo que só poderia ser artificial. Com uma testa lisa, nariz alto fino, e olhos cujo as íris eram da mesma cor que suas asas, ele era extremamente bonito. Entretanto, seus lábios finos, distorcidos por um sorriso de completo desprezo por tudo, destruiam completamente sua beleza. Quando Asuna viu esse homem, ela se virou como se tivesse visto algo que enojasse. Ela disse então em um tom seco:

“... Você pode fazer o que quiser sendo o administrador do sistema. Faça como desejar.”

“Dizendo essas coisas cruéis de novo. Ainda assim, mesmo eu tendo me esforçado tanto por ti, Titania?”

“Você consegue continuar dizendo coisas como essa depois de me prender aqui? Pare com esses nomes estranhos; Meu nome é Asuna, Oberon, ou melhor, Sugou-san.”

Asuna olhou para atual encarnação de Sugou Nobuyuki, «Rei das Fadas Oberon». Mas dessa vez, ela não desviou seu olhar, encarando-o de forma poderosa. Movendo seus lábios e formando uma expressão de desagrado, ele voltou a dizer de forma teatral:

“Desperte agora. Neste mundo, eu sou Oberon, o rei das fadas e você é a rainha, Titania. Nós somos a encarnação da inveja de todos os jogadores, mestres do Alfheim, você deve me dar seu coração... E tornar-se minha.”

“Não importa o quanto você espere, será em vão. As únicas coisas que eu vou te dar algum dia serão meu desprezo e ódio.”

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“Bem, que teimosa.”

Oberon lentamente estendeu sua mão, colocando-a no rosto de Asuna, rindo.

“Isso é... O que eu sinto todos os dias...”

Ele tentou fazer com que Asuna o encarasse, mas ela desviou-se.

“De novo, por mim tudo bem se é necessário usar a força para fazer-te obedecer. Isso vai ser ainda mais divertido desse modo.”

O rosto de Asuna fora pego por aquele sorriso vicioso, os dedos da mão esquerda se aproximaram lentamente, tocando sua bochecha enquanto ele movia seus dedos em direção dos lábios. Um arrepio tomou o corpo de Asuna, junto a um sentimento de nojo.

Os olhos de Asuna estavam preenchidos pelo desprezo, ela cerrava os dentes e mantinha os lábios presos firmes em uma linha. Os dedos de Oberon repetidamente passavam por seus lábios antes de se moverem em direção do pescoço. Quando finalmente chegaram ao seu peito, seus dedos tocaram a pequena fita vermelha. Ele apreciava a vergonha e o medo de Asuna, com sua mão puxando a fita até o fim, lentamente, puxando lentamente...

“Pare!”

Incapaz de suportar mais um único toque, a voz de Asuna finalmente saiu de sua boca.

Ao ouvir sua voz, Oberon iniciou uma gargalhada, mas ele ainda assim tirou seus dedos da fita. Ele apertou os dedos, antes de dizer com uma risada: “Estou brincando. Eu não te falei? Eu não vou forçar você. Enfim, quando o momento chegar, você irá implorar para mim. É apenas uma questão de tempo.” “Tolo, você acha mesmo que eu vou deixar isso acontecer?”

“Tem certeza de que eu estou sendo ‘um tolo’? Logo você aceitará meus sentimentos, Titania.”

Oberon colocou suas duas mãos sobre a mesa e inclinou-se de modo sugestivo. Revelando um sorriso perverso, ele olhou para fora da gaiola. “Você pode ver dez mil jogadores apreciando este jogo nesse vasto mundo. Mas, infelizmente, eles não sabem. O «FULLDIVE» não foi desenvolvido apenas para industria do entreterimento!”

Com essas palavras inesperadas, Asuna ficou em silêncio. Oberon abriu seus braços de modo teatral.

“Eu não estou brincando! Esse jogo é apenas um sub-produto. A interface FullDive, em outras palavras o NERvGear e a AmuSphere, tem uma capacidade limitada. Os sinais elétricos focam-se apenas na parte sensorial do cérebro para dar a ele a ilusão de que existe um ambiente ao seu redor. Mas o que acontece quando esse limitador é removido?”

Os olhos verdes de Oberon estavam repletos de ambição perversa. Asuna instintivamente se encolheu com medo.

“... Isso mesmo, as funções do cérebro fora da esfera sensorial, que incluem o pensamento, a emoção e a memória. Sem esse limitador, tudo isso pode ser controlado!”

Tanta insanidade fez com que Asuna ficasse sem palavras. Depois de respirar algumas vezes, ela conseguiu de algum modo falar. “Isso... Isso nunca será permitido...”

“Quem é que ‘não vai permitir’? Esse tipo de pesquisa já está sendo conduzida em muitos países. Entretanto, tais estudos necessitam de cobaias humanas para realização do experimento. Além disso, o que um humano pensa só pode ser descrito com palavras!”

Oberon deu uma risada estridante e disparou para fora da mesa, e, depois de ajustar sua postura, andou em direção de Asuna.

“Existem muitos processos individuais sobre a capacidade superior do cérebro, então é necessário realizar muitos testes e experiências. Mas, como isso é gravar o comportamento cerebral e requer repetidos testes, experimentos humanos não são permitidos. É por isso que esse estudo progride de maneira tão lenta. Mas, um dia, eu estava assistindo o noticiário e descobri uma maneira de adquirir as cobaias de que eu precisava, as dez mil pessoas!”

Os cabelos atrás do pescoço se Asuna se arrepiaram até o fim. Oberon não precisava dizer; ela já imaginava o que ele iria dizer.

“Kayaba-senpai... Ele era um gênio, mas também um tolo. Ele obviamente tinha a capacidade, mas se contentou em criar apenas um jogo. Do mesmo modo, o servidor de SAO era intocável. Mas, no momento em que os jogadores foram liberdados, eu fui capaz de tomar parte desse mundo como meu, hackeando pelo roteador; foi muito fácil.”

Fazendo um movimento como se estivesse segurando uma taça, o rei das fadas estendeu sua mão e a girou, como se estivesse prestes a desfrutar de um vinho invisível.

“Bem, esperar o jogo ser concluído levou muito tempo. Mas mesmo eu não conseguindo todos, fui capaz de obter 300 cobaias para os testes. No mundo real, não existe um lugar para armazenar tantas pessoas, mas aqui no mundo virtual existe espaço suficiente!”

Oberon continou com suas desilusões. Desde o começo, Asuna odiou isso na personalidade dele.

“Graças aos 300 jogadores do velho servidor de SAO, nossas pesquisas fizeram muitos progressos em apenas dois meses! Capaz de criar novos objetos na memória, técnicas para induzir as emoções... Essa tecnologia tem apenas se expandido. A manipulação da alma – é maravilhoso!” “Esses estudos... Você pensa que meu pai vai permitir?”

“O velho não sabe de nada, é claro. Os estudos estão sendo conduzidos por um time bem pequeno e no mais absoluto sigilo. Logo ela se tornará uma mercadoria bem valiosa.”

“Mercadoria...!?”

“Uma certa compania americana está babando, enquanto espera a pesquisa ser concluída. Eu planejo vender essa tecnologia a um preço bem alto. Enfim, tudo irá pertencer a RECTO e a RECTO logo será minha.”

“...”

“Eu logo me tornarei parte da família Yuuki. Primeiro, como filho adotivo, o que me qualifica para ser o sucessor da RECTO. E como seu esposo, isso se torna justo. Eu acho que é uma boa hora para nós começarmos a ensaiar.”

Uma sensação de naúsea fez com que um arrepio frio passasse pelas costas de Asuna, que lentamente, mas ainda de maneira firme, balançou sua cabeça.

“Isso eu nunca irei permitir. Quando eu voltar para o mundo real, eu vou revelar todas essas suas atrocidades.”

“Meu Deus, você ainda não entendeu nada. Eu estou falando tudo isso abertamente por que você em breve se esquecerá! E tudo que irá restar...”

Oberon parou subitamente, inclinando sua cabeça, e calou-se. Então, movendo sua mão esquerda e abrindo o menu, ele se virou, dando instruções.

“Eu estou a caminho; aguarde instruções.”

A janela despareceu, então ele se virou para Asuna com um sorriso.

“Estou avisando, o dia em que você irá cegamente apaixonar-se por mim está chegando. É melhor você me aceitar agora, ou eu irei mover seu cérebro para o próximo estágio dos meus experimentos. Quando você me ver novamente, espero que esteja um pouco mais submissa, Titania.”

Depois de acariciar os cabelos de Asuna como se ela fosse um gato, ele se virou.

Com a cabeça abaixada, Asuna não viu Oberon sair. Sua mente continuava repetindo as últimas palavras de Oberon e o horror que elas traziam.

‘Click!’ ecoou por toda a sala como se a porta tivesse se trancada sozinha, mais uma vez deixando apenas o silêncio.

* * *

Depois de colocar o uniforme, Suguha deixou a sala do clube de Kendo. Uma brisa refrescante acariciou suas bochechas enquanto ela andava entre os prédios da escola com sua espada de bambu mantida em mão.

Era Meio dia e cinco, mas, como as aulas do quinto período já haviam começado, a escola estava muito quieta. Naquele momento, estudantes do primeiro e do segundo ano estavam tendo aulas, mas os estudantes do terceiro podiam escolher entre os clubes que eles faziam parte ou focarem-se em aulas instrucionais para entrar no ensino médio. Apenas pessoas como Suguha, que já possuiam uma recomendação, que podiam ficar andando por aí.

Ela tinha tempo para o lazer, mas as pessoas que encontrava na escola e que eram do mesmo ano falavam coisas sarcásticas quanto a isso. Suguha geralmente não vai a escola sem uma razão. O seu professor de Kendo é rígido, mas muito bondoso. Ele se importa com o sua amada discípula, que havia sido recomendada para uma escola muito prestigiada. Ainda assim, Suguha continuava a ir à escola para seguir seu rígido treinamento.

Segundo ele, Suguha recentemente havia desensvolvido um hábito. Depois de ouvir isso, ela pensou no que no que poderia tê-lo causado. Provavelmente era por que ela havia entrado no mundo de Alfheim e treinava no combate áereo todos os dias, mesmo que por pouco tempo.

Entretanto, ele nunca disse que isso fez ela piorar ou que isso lhe causaria problemas. Então hoje, ela foi capaz de fazer dois pontos com o professor de quase trinta anos, que também era um dos praticantes de kendo mais bem classificados no ranking do país.

Ela não sabia por quê, mas recentemente ela parecia capaz de ler os movimentos do oponente com mais facilidade. Mesmo quando ela enfrentava um inimigo forte, seus nervos mantinham-se calmos, o fluxo do tempo parecia mais lento e fazia tudo tornar-se mais intenso.

Ela lembrou-se do incidente de alguns dias atrás na partida com Kazuto. Naquele momento, ele estava desviando de seus melhores ataques, que nenhuma pessoa poderia escapar com tanta facilidade. Esse tipo de capacidade receptiva demonstrava que ele havia experimentado isso em uma taxa completamente diferente da dela. Talvez, Suguha considerou, as experiências de FullDive afetem o corpo físico.

Ela ficou perdida em meio aos seus pensamentos enquanto seguia em direção do estacionamento onde estava sua bicicleta, quando subitamente alguém surgiu das sombras.

“Lyfa-chan.”

“Wha...!”

Suguha saltou um passo para frente em surpresa. Um garoto magro usando óculos apareceu na frente dela. Ela e Recon possuiam características em comum, entre elas, a de abaixar suas sobrancelhas quando estavam com problemas e agora, o ângulo delas estava bastante acentuado.

Suguha colocou a mão direita na cintura e falou com um suspiro em sua voz.

“Não me chame assim enquanto estiver na escola!”

“D... Desculpa, Suguha-chan!”

“Isso...”

Suguha usou sua mão para retirar a proteção da espada de bambu antes de colocá-la em guarda. O garoto mostrou um sorriso indeciso e balançou rapidamente sua cabeça.

“Certo, Desculpe, Kirigaya-san.”

“O que você quer, Nagata-san?”

“Eu preciso falar com você; tem algum lugar onde podemos conversar?”

“Aqui está bom.”

Shinichi Nagata fez uma cara triste e deixou cair seus ombros.

“De qualquer forma, você já tem uma recomendação, por que você continua vindo a escola?”

“Ah, Sugu--, Kirigaya-san, Eu queria falar com você. Eu estive esperando desde hoje de manhã.”

“Gah! Você tem mesmo muito tempo livre.”

Suguha deu alguns passos para trás, movendo sua atenção para um canteiro de flores próximo.

“Sobre o que você quer falar?”

Nagata Shinichi sentou-se e, mantendo uma certa distância de Suguha, disse:

“Sigurd e os outros querem ir em uma caçada amanhã a tarde. Tem umas cavernas submersas, então os Salamanders vão pouco lá.”

“Eu disse para você que prefiro falar sobre caçadas por e-mail. Enfim, desculpe, eu não vou participar por um tempo.”

“Eh... Eh!? Por quê?”

“Eu vou para Aarun.”

Bem no centro de Alfheim está a Àrvore do Mundo, e próximo da sua base está a grande cidade neutra, Aarun. Sylvian está a uma distância considerável de Aarun. É uma viagem que leva alguns dias, especialmente por que há áreas onde voar não é possível.

Nagata Shinichi enrijeceu por um momento, antes de se aproximar dela e perguntar:

“Você vai com aquele Sprrigan de ontem?”

“Ah, sim. Eu prometi a ele que mostraria o lugar.”

“Você... Você não está pensando direito! Eu não sei por que você vai passar a noite com um cara estranho!”

“Por que você está corando? Não imagine coisas estranhas!”

Ela tomou o shinai ao peito, o apertando. As sobrancelhas de Nagata chegaram ao seu doloroso limite, olhando para Suguha com ressentimento. “Eu já te perguntei se você gostaria de ir a Aarun comigo, mas você se opôs totalmente.”

“Isso por que se fossemos juntos, seriamos exterminados, não importa o quanto tentassemos. Enfim, esse é o meu motivo, diga ao Sigurd por mim.” Suguha se levantou, acenando em um “até logo” e partiu em direção as bicicletas. A expressão de lástima de Nagata, como a de um cachorro que caiu do caminhão de mudança, a machucou um pouco. Nos últimos tempos, rumores começaram a circular na escola. Ela não queria aparecer mais perto dele. ‘Eu vou apenas mostrar o caminho para ele, só isso.’

Ela disse isso para si para acalmar o seu coração. Mas quando ela pensava no jovem chamado Kirito, seus misteriosos olhos negros tornavam impossível de ela se acalmar.

Rapidamente tirando a presilha da bicicleta, que estava estacionada na ponta daquele vasto estacionamento, ela partiu. O vento frio do inverno soprou nas suas bochechas, mas Suguha apenas ignorou. Deixando o portão de trás da escola, ela desceu uma ladeira sem se preocupar em usar os freios.

‘Voe rápido’ era isso que Suguha estava pensando. Voe em alta velocidade junto com o Kirito... Ela ficava animada só de pensar nisso.

Suguha chegou em casa em menos de dois minutos.

A bicicleta de Kazuto não estava no jardim, ele provavelmente não havia retornado da academia ainda.

Recentemente, Kazuto pareceu ter recuperado as habilidades físicas que ele tinha antes do incidente SAO. Mas ele não estava satisfeito, sentido a disparidade entre os calibres físicos de seu corpo no mundo virtual e na realidade.

Isso era compreensível, considerando que era impossível replicar as habilidades de um personagem virtual em um corpo vivo. Mesmo Suguha entendia isso, mesmo assim, ela quase caiu uma ou duas vezes, quando ela pensava que podia usar sua habilidade «Voar».

Entrando em casa pela varanda, Suguha entrou na lavanderia, colocou suas roupas na máquina de lavar e pressionou o botão de ligar. Ela entrou no quarto, onde tirou sua saia de marinheiro e sua blusa e as colocou em um gancho na parede.

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Suguha colocou suas mãos sobre o peito, de pé, apenas com suas roupas íntimas. Apesar dela ter voltado da escola pedalando com sua bicicleta em alta velocidade, o ritmo do seu coração deveria ter diminuido. Mas ainda era cerca de noventa batidas por minuto.

Isso não era por causa dos exercícios, mas ela queria confirmar. Suguha tentou respirar fundo para se acalmar, mas seus pensamentos mantinham seu BPM alto. ‘O que eu estou pensando, ah, não é como se eu não quisesse levar ele para Aarun, mas eu já tenho meu irmão... Sério, eu não sei por que eu estou pensando nisso... Eu sou tão idiota, idiota, idiota!’

Chegando a conclusão de que ela era tola por causa de seus sentimentos, ela colocou uma camiseta larga e uma calça e deitou-se na cama. Ela pegou o helmo da AmuSphere que estava na estante, o ligou, colocou-o na cabeça e fechou seus olhos. Então, depois de respirar fundo, ela disse como se fosse uma mágica:

“LINK START!”

Depois de passar pelo processo de conexão e mover sua consciência para o corpo da fada espadachim Lyfa, ela abriu seus olhos no Lily of the Valley Pavillion.

Ninguém estava do outro lado da mesa, é claro. A hora do encontro deles não estava nem perto. Havia muito tempo para fazer preparações para a jornada. Deixando a loja, a cidade de Sylvain estava tomada por um belo nascer do sol.

Em consideração a aqueles que só podem logar apenas em horários específicos do dia, um dia em Alfheim dura apenas dezesseis horas reais. Por isso, o tempo era bastante inconsistente com a realidade. O menu mostrava a hora real ao lado da hora em Alfheim, então as pessoas não perdiam a noção do tempo; era no começo bem confuso, mas Lyfa aprendeu a gostar disso.

Ela passou pelas lojas, comprando muitas coisas, então voltou ainda com um tempinho para gastar. Voltando para o hotel, ela empurrou a porta e percebeu a figura negra que começava a se materializar na mesa.

Kirito terminou de logar completamente e piscou algumas vezes antes de sorrir quando percebeu a aproximação de Lyfa.

“Ei, você chegou cedo.”

“É, eu cheguei faz um tempo. Fiz umas compras.”

“Eu comprei alguns itens normais, então você não precisa se preocupar, mas...”

Ela examinou a espada e a armadura inicial de Kirito, bastante pobres.

“Você precisa se equipar melhor.”

“Eu também acho. Essa espada não é muito confiável.”

“Sobre o dinheiro... Você tem? Se não, eu posso te emprestar um pouco.”

“Bem...”

Kirito chamou o menu com sua mão esquerda e depois de uma olhada, seu rosto ficou duro.

“É esse tal de «Yurudo»?”

“Sim, é isso. Você não tem dinheiro?”

“Não, não. Eu tenho... Meio que muito.”

“Então vamos para a loja de equipamentos!”

“Certo.”

Naquele momento, Kirito se levantou em pânico, procurando em seu corpo até finalmente encontrar no bolso do seu peito.

“Ei, Yui, nós estamos indo.”

Enquanto ela se levantou do bolso, a pixie de cabelos negros apareceu, ela parecia sonolenta e deu um longo bocejo.

Lyfa trouxe Kirito para as lojas de equipamento, mas, na hora em que eles terminaram, as ruas já estavam repletas da luz da manhã.

Uma armadura para Kirito foi fácil de encontrar, era apenas uma calça, uma camisa com atributos defensivos e uma longa jaqueta. Entretanto, Kirito gastou muito tempo escolhendo uma espada, sempre insatisfeito a cada espada que ele tentava.

O dono da loja o entregava uma espada, Kirito a usa apenas uma vez antes de devolver dizendo “Que precisa ser mais pesada.” fazendo o processo se repetir. Kirito finalmente encontrou uma que era do seu gosto, uma espada longa tão grande quanto ele, e comprou ela. Ela tinha uma lâmina que brilhava escura, revelando um peso incomum. Aquilo era provavelmente um equipamento para um Imp ou Gnome, as raças mais altas que usavam essas espadas.

No ALO, a quantidade de dano é determinada pelo «Weapon Attack Power» e «Sword Swing Speed». Para os jogadores, Sylphs e Cait Sith eram os mais favoráveis a velocidade, causando danos maiores com suas velocidades superiores. Mas os jogadores baseados na força podiam equipar armas enormes em tamanho e força. Essa troca entre poder e velocidade era o que criava o equilíbrio entre as diferentes raças no jogo.

Sylphs tinham habilidade suficiente para equipar martelos e machados, mas a capacidade de se esconder e os parâmetros permanentes de força não permitiam que eles usassem essas armas bem. Spriggans era uma raça que usava todo o tipo de arma, mas Kirito, não importava o quanto olhassem para ele, tinha um corpo veloz.

“Esse tipo de espada, você vai conseguir mesmo usá-la?”

Ouvindo a pergunta de uma Lyfa surpresa, Kirito apenas assentiu com uma expressão calma.

“Isso não vai ser um problema.”

Ele disse que estava tudo bem, então ela teve de aceitar. Depois de pagar pela espada, ele a embainha nas costas e, por causa do tamanho, a ponta quase alcança o chão.

Kirito agora parecia uma criança imitanto um espadachim, e pensando nisso, Lyfa teve que voltar a sorrir quando disse: “Bem, nossas preparações estão completas! Então, a partir de agora, eu estarei sobre os seus cuidados.”

Lyfa ofereceu sua mão direita a Kirito, que sorrindo timidamente, também estendeu sua mão direita; ambos trocaram um aperto de mãos. “Eu também, então por favor, ajude-me.”

Voando para fora do Bolso, Yui pousou sobre as mãos juntas e disse:

“Vamos fazer nosso melhor! Nosso objetivo é a Àrvore do Mundo!”

Com a espada gigante presa em suas costas e Yui sentada no seu ombro, Kirito seguiu Lyfa até uma bela e brilhante torre verde-esmeralda. Esse era o símbolo dos Sylphs, a «Torre do Vento». Não importa o quanto você olhasse para ela, a beleza daquela torre se mantinha a mesma. Enquanto pensava nisso, Lyfa se virou para ver o Sprrigan de roupas negras olhando para a torre com desgosto. Lyfa suprimiu o sorriso e disse para ele. “Antes de irmos, você quer praticar o pouso?”

“... Tá tudo bem: de agora em diante, eu vou voar com segurança.”

Kirito respondeu com uma expressão de desamparo.

“Alias, por que nós vamos para essa torre? Você vai fazer alguma coisa alí?”

“Eu não tenho nada para fazer alí, mas, antes de você começar a voar grandes distâncias, é melhor começar a se acostumar com locais altos. Você tem que usar a altura a seu favor.”

“Ah, entendo.”

Ela empurrou Kirito de costas e começou a andar em frente.

“Vamos lá! Eu quero chegar na floresta antes do anoitecer.”

“Eu não estou muito familiarizado com o terreno. Você pode mostrar o caminho?”

“Deixe comigo!”

Lyfa bateu de leve no peito e moveu-se em direção da parte interna da torre.

Ali estava a bela mansão do Lorde, que brilhava com a luz do sol. O Lorde Sylph chamava-se Sakuya e era uma jogadora que ela conhecia a um bom tempo. ‘Já que eu estou saindo por um tempo, eu devo ao menos avisá-la.’. Lyfa pensou subitamente. Mas o mastro da bandeira que ficava no centro da construção não estava com a bandeira Sylph. Isso era raro, significava que Sakuya não estava em casa hoje.

“Alguma coisa errada?”

Kirito inclinou a cabeça para perguntar, mas Lyfa balançou a cabeça, decidindo que ela mandaria um e-mail para Sakuya depois. Eles estavam passando pela porta frontal da Torre do Vento e entraram.

O primeiro andar era um vasto salão circular com lojas de todos os tipos, ao redor dos muros. O salão tinha dois elevadores movidos a mana no centro e de tempos e tempos, jogadores entravam e saiam. No Alfheim, o dia estava começando, enquanto na realidade, a noite se aproximava. Isso significava que o número de jogadores iria aumentar a cada minuto.

Ela segurou a mão de Kirito e levou-o até o elevador da direita que estava prestes a descer.

Subitamente, alguns jogadores apareceram na sua frente bloqueando sua visão. Lyfa quase caiu, mas ela abriu suas asas, conseguindo se manter. “Isso foi um pouco perigoso, não acha?”

Lyfa comentou reflexiva, mas o homem alto que bloqueava seu caminho se virou, um rosto familiar.

Ele era mais alto que a média dos Sylph e tinha um rosto rude, mas ainda sim, belo, que era resultado de muita sorte e consideráveis investimentos. Seu corpo estava coberto por uma armadura prateada e uma espada grande estava presa em sua cintura. A sua testa larga estava dividida por uma tiara e seus cabelos verdes negros caiam até seus ombros. Esse homem, seu nome era Sigurd, ele pertencia ao grupo de vanguarda que estava com Lyfa algumas semanas atrás. Ela viu os membros do grupo com ele. Pensando que Recon deveria estar ali também. Lyfa olhou ao redor, mas não conseguiu ver o garoto de cabelos amarelo esverdeado.

Lyfa e Sigurd já competiram pelo título de o espadachim Sylph mais forte. Ele também era um político poderoso e parte dos burocratas, algo que a tímida Lyfa se rejeitava a participar. Apesar do atual «Lorde Sylph», ser um jogador escolhido pelo voto, aquele que decide coisas como a divisão de impostos são Sakuya, Sigurd e aqueles cujo a fama é próxima da de Sakuya, são membros do grupo de jogadores super ativos.

O seu tempo massivo de jogo e seus equipamentos raros, bem como o nível de habilidade, muito além da de Lyfa. Em um mano a mano, Lyfa precisaria usar tudo que tinha para vencer, e mesmo assim, ainda seria difícil superar aquela defesa alta. Mas, durante as caçadas, ele era um parceiro confiável. Entretanto, sua forma de falar hipócrita e suas atitudes faziam com que Lyfa fosse cautelosa com ele. Também, apesar do grupo atual ser muito eficiente em caçadas, ela esteve pensando que já era hora de deixá-los.

Enquanto se mantinha de pé em frente a Lyfa, a postura de Sigurd demonstrava o máximo de sua arrogância. Parecia que as coisas vão ficar bem problemática – foi isso que Lyfa pensou, abrindo sua boca dizendo:

“Bom dia, Sigurd.”

Apesar de Lyfa ter o saudado com um sorriso no rosto, Sigurd não estava com humor para responder, ao invés disso, ele replicou em um tom tenso: “Você quer deixar o grupo, Lyfa?”

Sigurd parecia estar de extremo mau humor; Lyfa considerou dizer a ele que era apenas uma viagem para Aarun, mas, como as coisas chegaram a esse ponto, ela assentiu com a cabeça e disse:

“Sim, é por aí. Eu consegui guardar bastante dinheiro, então posso relaxar por um tempo.”

“Quanto egoísmo; e quanto aos outros membros?”

“Egoísmo!?”

Isso refrescou a memória de Lyfa. Depois de um recente «Duel Event» onde ela o derrotou em um combate singular, Sigurd a convidou para se juntar ao seu grupo. Lyfa aceitou com duas condições: Ela participaria quando ela pudesse e ela sairia quando quisesse. Especificamente, ela não queria saber de ter tantas responsabilidades.

Sigurd levantou suas sobrancelhas, enquanto suas palavras continuaram:

“Você é a membra mais bem conhecida do meu time. Se você for embora do nada e se juntar a outro grupo, será como se você jogasse lama no meu rosto!”

“...”

Lyfa ficou totalmente sem fala diante das palavras individualistas de Sigurd. ‘Então é assim que vai ser’ ela pensou.

Ela subitamente lembrou do aviso raro, porém sério, de Recon, após ele ter se juntado ao grupo de Sigurd como seu parceiro.

Recon disse para ela evitar se envolver demais. A razão era que Sigurd não queria Lyfa por sua força, o que ele queira era fama para o seu grupo. Era isso, ele queria comandar aquela que o havia derrotado para não perder o respeito.

‘Como isso poderia acontecer’ Lyfa riu, mas Recon permaneceu em um tom persuasivo: ‘ALO é um MMO díficil. E como tal, jogadoras são tão raras que os jogadores têm uma tendência a idolatrá-las, mesmo quando elas não são boas em combate. Especialmente você; já que a Lyfa-chan é uma garota tão bonita, o que a torna tão rara quanto um equipamento lendário. Na realidade, ele quer usar sua presença no grupo para se mostrar e aumentar seu status.’

Recon disse mais alguma coisa, mas Lyfa lançou nele um olhar fulminante que fez ele erijecer os ombros e se calar, antes que ela pudesse pensar nisso com seriedade. Mas ser uma ídolo não era algo que ela entendia. Para um MMORPG, isso significava muito, mas ela não queria essas coisas complicadas, então ela parou de pensar nisso. E nesse tempo, ela manteve-se como membro do grupo sem problemas significantes, até hoje...

Olhando para o furioso Sigurd na sua frente, Lyfa sentiu como se o constrangimento estivesse se amarrando ao seu corpo. A principal razão dela jogar ALO era para escapar das algemas e das restrições da realidade, para atravessar o céu, voando.

Mas talvez ela tenha sido muito ignorante, muito ingênua. Mesmo se as pessoas no mundo real possuíssem asas, esquecer a gravidade era uma mera ilusão. Lyfa/Suguha se lembrava agora, que quando ela estava no fundamental, um aluno mais velho vivia a incomodando. Mesmo ele sendo um campeão desde que entrou no kendo, ele não pode vencer a jovem Suguha durante uma partida. Ele mais tarde se vingou, atacando Suguha no caminho de casa com alguns amigos... Um ato vergonhoso. O que ele fez era idêntico a atidude de Sigurd, que agora estava cheio de raiva e ressentimento.

Os resultados serão os mesmos aqui...

Lyfa, tomada pelo desespero, abaixou a cabeça. Naquele instante, por de trás dela, como uma sombra inperceptível, Kirito falou:

“Companheiros não são coisas a serem usadas!”

“Que...?”

Por um instante, Lyfa não entendeu o significado dessa sentença. Então, os olhos de Lyfa se abriram e ela olhou para Kirito. A voz de Sigurd aumentou de volume:

“O que?!”

Kirito estava entre Lyfa e Sigurd e ele olhava para Sigurd nos olhos, apesar de Sigurd ser um palmo mais alto que ele. “Eu estou dizendo, que você não deve ficar olhando para os outros como se eles fossem espadas ou armaduras que podem ser guardados na janela de equipamentos.”

“O qu... Como ousa...”

Com as palavras diretas de Kirito, Sigurd de repente ficou em um vermelho brilhante, ele puxou sua capa enquanto movia sua mão em direção ao cabo da espada.

“Você não entende a situação, Spriggan imundo! Lyfa, você vai trabalhar com esse cara agora? Ele deve ser um «Renegado» que veio aqui depois de ser banido do próprio território!”

Sigurd assumiu a postura de que puxaria sua espada. Quando ele disse essas palavras, Lyfa finalmente perdeu a paciência e gritou de volta: “Não fale assim com o Kirito-kun! Ele é meu novo parceiro!”

“O que... O que quer dizer?”

Com as veias expostas em sua testa, Sigurd replicou em tristeza aguda.

“Lyfa, você vai abandonar o território...?”

Com essas palavras, os olhos de Lyfa se arregalaram.

Os jogadores em ALO são geralmente divididos em duas categorias de estilo.

O primeiro são os que usam o próprio território como base, se aliando com sua própria raça e dando parte do seu dinheiro para desenvolver a força étnica. Lyfa e Sigurd são esse tipo de jogador. O outro tipo são os que deixam seus territórios, usam cidades neutras como base e formam grupos com jogadores de diferentes raças. Esses últimos tendem a ser desprezados, por não possuírem um propósito, são abandonados ou exilados do seu próprio território como Renegados.

No caso de Lyfa, o seu sentimento de “ser uma Sylph” era fraco, como se ela tivesse algum tipo de conexão ou sentimento de pertencer a comunidade. A razão dela permanecer em Sylvain era parte por causa beleza e parte por que ela não queria se mudar. Mas agora, graças as palavras de Sigurd, um desejo de liberdade rapidamente emergiu.

“Sim, é isso. Eu pretendo deixar esse lugar.” Lyfa disparou sem pensar.

A boca de Sigurd se distorceu em fúria, seu dente mordeu seu lábio. Ele subitamente puxou sua espada, olhando furioso para Kirito.

“Eu ia deixar você ir embora, já que é apenas um inseto se rastejando na minha frente. Mas se você é um ladrão, então não deveria ser tão arrogante. Andando tão descuidado no território de outras raças, eu posso cortar você sem ouvir reclamações, não é isso mesmo?”

Apesar das palavras dramáticas e ameaçadoras de Sigurd, Kirito apenas encolheu os ombros.

Kirito era mesmo uma pessoa sem medo e até Lyfa estava chocada. Ela estava preparada para lutar contra Sigurd, movendo sua mão em direção à espada na sua cintura. O ar entre eles começou a ficar tenso.

Naquele instante, o parceiro de Sigurd se aproximou e sussurou algumas palavras para ele:

“Más notícias, Sigurd. Se você matar um oponente indefeso na frente de tantas pessoas...”

De algum modo, um círculo de curiosos já os cercavam, ao primeiro sinal de confusão. Se fosse um duelo formal ou se ele fosse de fato um espião Spriggan, tudo bem. Mas seria desonroso se Sigurd atacasse um turista como Kirito, que não podia revidar nessa área.

Sigurd cerrou os dentes em frustração e olho upara Kirito antes de guardar sua espada.

“É melhor nós fugirmos e nos escondermos, Lyfa.”

Ignorando as palavras de Kirito, Sigurd voltou sua atenção para Lyfa.

“Por me trair... Cedo ou tarde você irá se arrepender disso.”

“Eu iria me arrepender apenas se ficasse mais um segundo aqui.”

“Se você desejar voltar, é melhor que volte de joelhos.”

Tendo terminado, Sigurd virou-se e andou em direção da saída da torre. Os dois jogadores que acompanharam Sigurd olharam em sua direção por um momento, como se quisessem dizer algo, mas desistiram e partiram.

Depois que aqueles três desapareceram, Lyfa respirou fundo, olhou para Kirito e disse:

“Desculpe tê-lo envolvido em uma coisa tão estranha...”

“Não, não, parece que eu apenas coloquei lenha na fogueira. Mas, está tudo bem com você? Vai mesmo desistir do seu território?”

“Ah”

Incerta sobre o que dizer, Lyfa empurrou as costas de Kirito e o moveu em direção ao elevador. Depois de forçar passagem no meio da multidão, eles chegaram ao elevador, ela apertou o botão para o último andar. Do fundo do vidro translúcido, veio uma pedra em forma de disco, uma luz verde lentamente os cercou e eles começaram a subir rapidamente depois de pisar nela.

Quando o elevador parou, a parede de vidro se abriu sem fazer um único som e a luz branca do sol da manha, junto ao vento resfrescante, entraram no local.

Saindo dali, ela andou até uma plataforma de observação que ficava no alto da torre rapidamente. Ela esteve ali muitas vezes no passado, mas o vasto panorama, que cobria todas as direções, ainda fazia seu coração bater mais rápido.

O território Sylph ficava na parte sudoeste de Alfheim. Para o Oeste estavam os campos abertos e mais ao fundo, o mar azul. Para o leste, estava uma floresta densa cercada por montanhas lilás e além das montanhas, mais se estendendo ao ponto mais alto do céu e cobrindo tudo com sua sombra estava a Àrvore do Mundo.

“Uau... Que vista incrível...!”

Seguindo Lyfa desde o elevador, os olhos se Kirito se abriram ao máximo para que ele pudesse captar todo o cenário.

“O céu parece tão próximo, como se pudesse ser alcançado pela sua mão.”

Vendo que seus olhos refletiam o cenário, Lyfa olhou para Kirito, levantou sua cabeça e olhou para o céu azul, estendendo sua mão direita pata o céu dizendo:

“É verdade. Comparado ao céu, tudo parece muito pequeno.”

“...”

De algum modo surpresa com o sorriso súbito que Kirito deu a ela, Lyfa respondeu esse sorriso, continuando:

“Essa é uma grande oportunidade. Eu sempre estive planejando voar para longe daqui. Então, eu fiquei com medo de fazer isso sozinha, como se eu não conseguisse ter a determinação necessária.”

“É isso mesmo? Mas, isso acabou virando uma briga.”

“Mesmo com isso, eu sei que não seria capaz de sair daqui pacificamente mesmo. Por que...”

Lyfa fez uma observação, em parte, para si.

“Por que eu continuo presa ao meu desejo de ter asas...”

A resposta para as palavras de Lyfa não vieram de Kirito, mas daquela que estava sentada em seu ombro, a pixie chamada Yui, que acabara de subir pela bolso da jaqueta.

“Ser um humano é complicado.”

Yui respondeu em um tom doce; então ela voou, aterrissando sobre o outro lado de Kirito e sentando-se bem perto da orelha dele, onde ela susussurou: “Esse tipo de comportamento humano complexo, o desejo pelos outros, eu não consigo entender a psicologia por de trás disso.”

Por um momento, Lyfa esqueceu que ela era um progama e olhou para o rosto de Yui.

“O desejo?”

“Eu entendo que o impulso de conhecer o coração dos outros é um principo básico do comportamento humano. E é com base nisso que eu fui criada. Mas quanto a mim...”

Yui subitamente abraçou o rosto de Kirito com as duas mãos e o beijou de forma ruidosa.

“Eu faria isso. Uma demonstração muito simples.”

Vendo o que Yui havia feito, os olhos de Lyfa saltaram, com um sorriso irônico, Kirito empurrou a testa de Yui com a ponta do dedo. “Mas o mundo humano é mais complexo que isso. Se você fizer isso tão diretamente, vai ser considerado assédio e você será banida.” “É preciso ter estilo e dignidade, certo?”

“... Eu imploro: não comece a lembrar de coisas estranhas.”

Lyfa estava surpresa, ela continuava a assistir Kirito e Yui conversando até que ela finalmente abriu a boca e disse:

“Essa AI é mesmo incrível. Todas as «Private Pixies» são assim?”

“Essa aqui é especial.”

Kirito disse enquanto puxava Yui pela gola e a colocava de volta no bolso da jaqueta.

“Mas está tudo bem em desejar o coração de outra pessoa?”

Lyfa ouviu o murmuro de Yui quando ela foi colocada.

Então, mesmo o meu desejo de voar para qualquer lugar que eu tenho nesse mundo, bem no fundo, isso é por que eu desejo encontrar alguém? Sem permissão, sua mente foi inundada pelo rosto de Kazuto, fazendo com que seu coração parasse subitamente.

Será que o motivo dela desejar ter asas de fada, é para voar sobre os obstáculos do mundo real e finalmente cair nos braços de Kazuto? Era isso que ela realmente queria...?

“Eu nunca...”

Ela estava pensando demais, então decidiu. ‘Agora, eu quero apenas voar. Só isso.’

“Você disse alguma coisa?”

“Não, não é nada. Vamos logo embora.”

Lyfa sorriu para Kirito, então olhou novamente para o céu. Aquele era um céu brilhante, e, com o toque do sol dourado, as nuvens aos poucos se dispersavam, restando um trecho azul. Hoje seria um bom dia.

Depois de usar uma Locater Stone para voltar ao centro da plataforma de observação, levando junto Kirito, Lyfa abriu suas asas que gentilmente se dividiram em quatro partes.

“Pronto?”

“Sim.”

Kirito, junto com Yui em seu bolso, assentiu em confirmação. Lyfa estava prestes a sair quando...

“Lyfa-chan!”

Ela foi chamada por uma pessoa que surgiu do elevador, e Lyfa teve de colocar os pés sobre o chão, pois estava já flutuando sobre a plataforma. “Oh, Recon.”

“Como pode... Você devia ao menos falar comigo antes de ir!”

“Desculpe, eu esqueci.”

Os ombros de Recon cairam, mas ele olhou para eles com uma expressão séria e disse:

“Lyfa-chan, é verdade que você vai deixar o time?”

“Sim... Creio que parte da decisão foi mais pelo calor do momento. E você?”

“Eu me decidi; Eu quero usar minhas espada pela Lyfa-chan.”

“Não, eu não preciso.”

Recon sucumbiu pelas palavras de Lyfa, suas asas cairam, mas ele não iria desistir por algo assim.

“Originalmente, eu diria que nós deveriamos ir juntos, mas existe algo que eu preciso fazer.”

“O que?”

“Não há provas ainda, então eu quero investigar mais. Eu vou ficar no grupo do Sigurd por enquanto... Kirito-san.”

Recon se virou para Kirito, mantendo sua expressão séria.

“Ela tem o costume de se meter em problemas, tome cuidado.”

“Oh, entendo.”

Kirito parecia divertir-se com a expressão de Recon, quando assentiu.

“Alias, eu quero te dizer que ela é minha –Ack!!”

As últimas palavras foram um grito causado por Lyfa, que pisou no pé de Recon.

“Não diga nada desnecessário! Eu vou ficar na zona neutra por uns tempos, mas se acontecer alguma coisa, me mande uma mensagem!” Lyfa disse apressada, antes de abrir suas asas e partir em direção do ar. Olhando para Recon, cujo rosto mostrava algum arrependimento, Lyfa moveu sua mão direita em um gesto de despedida.

“... Mesmo sem mim, pratique o voluntary flight até conseguir fazer perfeitamente e não se aproxime do território dos Salamanders! Tchau!”

“Tome cuidado, Lyfa! Eu te alcanço logo!”

O avatar gritou apesar do fato que a pessoa dentro dele encontraria logo Lyfa na escola de qualquer modo; ainda assim, seus fortes sentimentos de despedida dominaram suas emoções, confusa, ela mudou de direção. Olhando na direção nordeste antes de abrir suas asas em um ângulo mais amplo e começar a deslizar.

Kirito logo a alcançou, e sorrindo, disse:

“Ele é um amigo seu do mundo real?”

“Bem, sim.”

“Mmm.”

“O que foi?”

“Nada; Eu só acho que isso deve ser legal.”

Depois do que Kirito disse, a pixei que estava escondida no bolso dele falou.

“Eu estava prestando atenção nos sentimentos dessa pessoa: Ele gosta da Lyfa. Lyfa, como você vê ele?”

“Eu não sei!!”

Lyfa gritou alto, aumentando sua velocidade para ocultar seu rosto corado. Apesar dela já ter se acostumado com esse tipo de demonstração de sentimentos de Recon, por alguma razão, quando ela estava na frente de Kirito, ela ficava muito tímida.

Recuperando-se apenas para perceber que ela já tinha deixado a cidade e estava voando sobre a floresta, Lyfa se virou para ver a cidade esmeralda desaparecer enquanto ela voava.

Quando ela pensou que estava deixando Sylvain depois de viver por quase um ano em meio a suas ruas, um sentimento de nostalgia entrou em seu coração junto a dor, mas a chance de voar por esse mundo desconhecido diminuia essa dor. Bye Bye, Lyfa disse para si antes de virar seu rosto para frente. “... Vamos lá! Eu quero chegar ao lago em um único voo!”

Lyfa apontou para o lago, longe dali, enquanto acelerava suas asas.

* * *

O toque dos dedos frios passou pelos seus braços, Asuna suportou.

No centro da gaiola estava uma cama grande. Oberon deitava-se sobre essa cama, com uma toga verde, ele tomou a mão esquerda de Asuna e acariciou sua pele, quando ela desviou o olhar. Ele apreciava aquela situação, onde ele podia atacá-la quando quisesse. Seu rosto perfeito era tão falso quanto o sorriso estampado neste.

Apenas alguns segundos atrás, Oberon havia entrado naquela prisão e deitado-se na cama, quando ele começou a mandá-la se aproximar. Asuna não queria nada com aquele homem e recusou, mas sua mão manipulou algo, que fez com que ela percebesse o perigo.

Ela lutou contra o seu desgosto e obdeceu; esse homem tem alterações muito bruscas de humor, então ela estava com medo de que ele a privasse ainda mais de sua liberdade. Entretanto, Oberon desejava a resistência de Asuna. Ele queria ao máximo, apreciar a aversão que Asuna tinha sobre ele, antes de usar os direitos como administrador do sistema e restringir os movimentos dela. Asuna queria ao menos sua liberdade daquela jaula. Pois escapar dali dessa forma era uma possibilidade.

Mas havia um limite. Se ele tocasse seu corpo, Asuna provavelmente lhe daria um tapa no rosto, mas ela não reagiu; não importava o quanto ele passasse pelo seu braço, seu corpo era como uma pedra. Vendo isso, Oberon ficou desapontado por não poder fazê-la se contorcer e removeu sua mão.

“Oh, bem, você é mesmo uma mulher teimosa.”

Oberon desdenhou. Asuna ofendia-se até mesmo com sua voz, que era uma replica perfeita da de Sugou, outro motivo para sua repulsa. “De qualquer modo, esse corpo é falso. Nada que eu fizer vai deixar cicatrizes. Ficar nesse lugar o dia todo, você não está entediada? Ei, por que não nos divertimos?”

“Você parece não compreender. Não importa se é um corpo de carne e osso, ou se é virtual; isso é real, ao menos para mim.”

“Você quer dizer quer se eu fizer algo sua mente vai ficar suja?”

Uma risada louca veio da garganta de Oberon.

“Enfim, até eu assegurar minha posição na RECTO, eu não vou deixar você sair. Então espero que você possa ser inteligente e aprender a gostar disso. Esse sistema é bem complexo, entende?”

“Eu não estou interessada. Eu não vou ficar aqui para sempre... Ele virá me salvar.”

“Eh? Quem? Ele? O herói, Kirito?”

Ouvindo seu nome, o corpo de Asuna tremeu por um instante. Oberon riu e se levantou. Parece que ele havia encontrado um modo de quebrar o coração de Asuna... E com isso, começou a falar.

“O nome real dele é Kirigaya Kazuto, não é? Eu o conheci pessoalmente alguns dias atrás.”

“!!”

Depois de ouvir isso, Asuna olhou para Oberon.

“Oh, aquela criança é na verdade o Herói do SAO... Ah, para ser honesto, eu não pude acreditar! Então ele era esse tipo de pessoa, um fanático por jogos?”

Oberon estava estasiado e continuou.

“Eu o conheci... Adivinha aonde? Ele estava no seu leito, do lado do seu corpo real. Ele estava bem na sua frente, enquanto você dorme. Eu disse a ele que iria me casar com você essa semana. O rosto dele quando eu disse isso era impagável!! Como um cachorro sem seu osso, uma expressão de miséria sem comparação. Eu senti que precisava rir!!”

O corpo de Oberon balançou, enquanto sua estranha risada ecoava no ar.

“Você realmente acredita que esse cara vai vir te salvar? Nós podemos apostar, eu acho que ele não tem sequer a coragem de pegar de novo no NervGear! As chances dele saber que você está nesse jogo são pequenas. Oh, sim, eu também o convidei para o casamento. Ele vai vir ver você vestida de noiva. Eu acho que ele não vai suportar e isso acabará com ele. Ao herói!”

Asuna desviou seu rosto de novo, lentamente voltando-se para Oberon, que olhava para o espelho que ficava ao lado da cama. Ela caiu debilmente sobre a cama, com suas mãos sobre o colchão.

Vendo Asuna daquela forma, Oberon ficou satisfeito. Asuna o observava pelo reflexo do espelho.

“Naquele momento, as câmeras de vigilância estavam desligadas. Uma pena eu não ter conseguido tirar uma foto daquela expressão. Eu traria para você se tivesse a foto. Quando eu tiver a chance, eu vou tentar de novo. Creio que teremos de nos separar por um momento, Titania, mas mesmo que seja um tanto solitário, resista até o dia depois de amanhã.”

Depois de uma risada final, Oberon se virou, com sua toca balançando e andou até a porta.

No espelho, Oberon lentamente desapareceu, mas as lágrimas que desciam no rosto de Asuna eram de alegria.

Kirito-kun! Kirito-kun está vivo e bem!

Desde que esteve aqui, essa era a maior preocupação de Asuna. Apenas ela deveria ter sido transferida a esse mundo, ele deve ter desaparecido e sua consciência, destruida. Não importa o quanto ela negasse, esses pensamentos contaminavam sua mente. Agora, entretanto, as palavras de Oberon fizeram desaparecer essa preocupação.

Sério, esse cara se acha tão esperto, quando na verdade, ele é apenas um tolo. Sempre foi assim. Ele não conseguia perceber o que causava aos outros com suas palavras. Apesar de sua fala hipócrita na frente dos pais de Asuna, na frente de Asuna e do seu irmão mais velho, a língua venenosa de Sugou atacava.

O mesmo era verdade agora. Se ele quisesse mesmo quebrar o coração dela, ele não devia ter dito que Kirito estava no mundo real. Ele devia ter dito que Kirito havia morrido.

Kirito estava vivo e bem no mundo real.

Asuna repetiu essa mesma sentença várias vezes na sua mente. A cada vez que ela repetia, uma luz no seu coração se tornava mais forte. Se ele estava vivo, então ele não ficaria parado. Ele iria encontrar esse mundo, ele certamente virá. Então, ela não será mais apenas uma prisioneira, ela precisava descobrir um modo de ajudar.

Asuna continuou com aquele rosto triste, através do espelho, ela pode ver Oberon alcançando a porta, antes se virando para olhar para ela, confirmando a situação de Asuna.

A porta tinha um pequeno painel de metal com vinte botões postos lado a lado. Colocar os números na ordem correta abria a porta.

Ela se perguntou por que ele continuava a usar um processo tão complicado ao invés de usar seus privilégios como administrador e abrir a porta.

Aparentemente, Oberon tinha um senso próprio de estética, como se não quisesse trazer coisas relacionadas ao sistema para esse lugar. Ele queria apenas ser o rei das fadas, com uma rainha prisioneira para abusar.

Tudo isso era uma apresentação estúpida.

Oberon levantou sua mão, operando o painel metálico. De onde ela estava, Asuna não podia ver claramente os detalhes das suas ações devido a distância, então quando ele apertou os botões, ela não conseguiu ver quais eram. Oberon devia ter levado isso em conta, que essa cela com tal fechadura era segura.

E isso era verdade, do ponto de vista de Oberon.

Oberon usava o NERvGear para se conectar com o mundo real, mas o tempo em que ele estava no mundo virtual ainda era pequeno. Além disso, haviam muitas coisas que ele não sabia. Como por exemplo, que no mundo virtual, os espelhos não agiam segundo as leis da ótica.

Asuna fingia chorar, com seus olhos bem próximos ao espelho. Então, refletido com nitidez, estava Oberon, bastante distante dela. No mundo real, não importa o quanto você aproxime seus olhos em um espelho, você não verá objetos distantes. Aqui, o espelho é apenas uma tela de alta resolução e o efeito da distância não se aplica. Por causa disso, os movimentos dos dedos de Oberon era visíveis.

Essa era a ideia que Asuna teve a um tempo. Entretanto, quando Oberon deixava a prisão, ela nunca tinha a oportunidade de se aproximar do espelho. Agora, Asuna havia sido capaz de aproveitar a oportunidade.

... 8... 11... 3... 2... 9......

Asuna assistiu cuidadosamente enquanto os dedos brancos de Oberon pressionavam os códigos e Asuna rapidamente os anotou em sua mente. A porta se abriu e Oberon partiu, com a porta se fechando em uma batida. As asas cor de jade balançavam, enquanto ele se movia a caminho da àrvore e desapareceu.

Asuna permaneceu naquele lugar, olhando para o chão quadriculado da gaiola.

Ela tinha obtido as seguintes informações até agora:

Ela estava dentro de um VRMMO, similar a SAO, chamado «ALfheim Online», um jogo operado para atrair muitos jogadores. Oberon/Sugou usava o servidor de ALO para manter alguns jogadores de SAO, cerca de trezentas pessoas, reféns através do «Aprisionamento Cerebral» para realizar experimentos humanos ilegais. Isso era tudo.

Quando perguntado sobre fazer experimentos tão perigosos e ilegais em um jogo aberto, Suguo suspirou, dizendo: “Você por acaso sabe quanto custa para manter esse sistema? Dez milhões apenas para um único servidor! Assim a compania pode ter lucros e eu posso fazer minhas pesquisas, matando dois pássaros com uma pedra só.”

Então, era apenas uma questão de dinheiro. O que era bom para Asuna. Se isso fosse um experimento fechado, não haveria nada que ela pudesse fazer. Mas como esse mundo era conectado com o mundo real, ainda havia esperança.

O dia dentro do jogo passava mais rápido que no mundo real, Asuna ouviu Oberon dizer isso. O cálculo exato era difícil, mas Oberon o solucionou mesmo sem querer.

Ele esteve a visitando todos os dias. Quando ele terminava de trabalhar, ele provavelmente usava um terminal da compania para vir aqui. Asuna sabia que ele tinha uma tendência a organizar a sua vida e criar uma rotina, ela acreditava que essa rotina não tinha mudado. Além disso, o melhor momento para ele fazer isso seria depois de ir para casa dormir.

É claro, haviam mais pessoas junto dele nessa trama. Entretanto, pela natureza do crime, era difícil imaginar que todas as companias associadas ao ALO estavam nessa. Eles devem ser algumas poucas pessoas, trabalhando sobre o comando de Sugou. Sendo assim, não é possível que eles monitorem o interior do ALO vinte quatro horas, por que não haviam trabalhadores dispostos a trabalhar a noite toda.

Para escapar dessa prisão, seria necessário driblar todos os olhares que recaiam sobre ela e encontrar o terminal localizado em algum lugar no sistema. Uma vez tendo acesso, seria possível sair, ou até mesmo enviar uma mensagem. Asuna deitou-se na cama, colocando seu rosto sobre o travesseiro e esperou o tempo passar.